Finalmente, depois de tantas interrogações que pairavam sobre a cabeça de muitos tucanos, o governador de São Paulo, José Serra (PSDB), declarou que virá candidato à presidência da República.
Em entrevista a uma emissora de televisão, ele afirmou que será usado como estratégia de campanha, desvincular o nome do presidente Lula ao da ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff. Ele categorizou que sua campanha será oficialmente lançada já no começo do próximo mês quando termina o prazo para a descompatibilização dos cargos de todos que concorrerão nas eleições deste ano.
Ao completar 68 anos, deu para tucanos desesperados esse presente.
Agora, é hora de os tucanos se debruçarem sobre suas bases e fazer a parte deles. Não dá para deixar tudo para o período da campanha oficial. Será uma tarefa muito difícil, principalmente para os estados da região Nordeste, onde o presidente Lula tem popularidade estratosférica.
As eleições de 2010 já começou!
sábado, 20 de março de 2010
sexta-feira, 19 de março de 2010
A galinha dos ovos de ouro
Petrobrás tem lucro de R$ 8,129 bilhões no 4º trimestre
No acumulado do ano, lucro líquido ficou em R$ 28,982 bilhões, queda de 12,1% sobre 2008
André Magnabosco, Monica Ciarelli, Kelly Lima e Tatiana Freitas, da Agência Estado, com Reuters
RIO E SÃO PAULO - A Petrobrás apresentou lucro líquido de R$ 8,129 bilhões no quarto trimestre de 2009, alta de 31,34% sobre o mesmo período do ano passado. O Ebitda somou R$ 15,016 bilhões no quarto trimestre, crescimento de 62,8% ante o quarto trimestre do ano anterior.
No acumulado do ano, o lucro líquido ficou em R$ 28,982 bilhões, queda de 12,1% sobre 2008 e o Ebitda totalizou R$ 59,944 bilhões, baixa de 4,85% sobre o ano anterior.
Receita líquida cai
A empresa obteve receita líquida de R$ 47,633 bilhões no quarto trimestre do ano, mostrando queda de 8,6% sobre o mesmo período de 2008. No mesmo intervalo, o lucro bruto totalizou R$ 18,055 bilhões, com aumento de 23,7%. O lucro operacional, antes do resultado financeiro, equivalência patrimonial e impostos, atingiu R$ 10,657 bilhões, mostrando evolução de 119,4%.
No acumulado do ano, a receita líquida somou R$ 182,710 bilhões, com retração de 15%. O lucro bruto ficou estável em R$ 73,673 bilhões e o lucro operacional atingiu R$ 46,128 bilhões, em linha com os R$ 45,950 bilhões do exercício anterior.
Captação recorde
O diretor financeiro, Almir Barbasa, informou que a estatal bateu recorde ao captar R$ 74,350 bilhões em 2009, com um prazo médio superior a 10 anos. No período, a companhia amortizou R$ 27 bilhões. Segundo o executivo, as captações conseguiram alongar o prazo da divida da estatal, que passou de 4,2 anos para 7,5 anos. O balanço da empresa mostra que o endividamento atingiu R$ 100,329 bilhões em 2009, contra R$ 64,713 bilhões do ano anterior.
Apesar do aumento da divida, Barbassa destaca que o alongamento no prazo da divida dá tranquilidade à empresa para obter um fluxo de caixa que suporte os investimentos previstos. "O aumento não coloca a empresa em xeque", disse.
Meta de produção menor
A Petrobrás também informou que reviu sua meta de produção para o ano de 2010, dentro da estratégia de atualização de seu plano de investimentos.
Segundo o diretor financeiro da estatal, Almir Barbassa, a nova meta será de 2,100 milhões de barris de óleo por dia, ante uma meta anterior de 2,171 milhões. A redução da meta é para "torná-la mais próxima da realidade", disse Barbassa.
Segundo ele, a meta de 2,050 milhões de barris por dia não foi atingido no ano passado. A produção foi de uma média de 1,971 milhão de barris por dia em 2009.
Investimentos
A Petrobrás encerrou 2009 com investimentos totais de R$ 70,757 bilhões, novo recorde anual da companhia. O resultado representa uma expansão de 33% em relação ao ano anterior, quando a companhia havia registrado aporte recorde de R$ 53,349 bilhões. Os investimentos diretos da estatal no ano passado somaram R$ 63,663 bilhões. As sociedades de propósitos específicos somaram outros R$ 5,564 bilhões, enquanto que os empreendimentos em negociação movimentaram R$ 1,530 bilhão.
A maior parte do investimento direto foi direcionada à área de Exploração e Produção, que recebeu R$ 30,819 bilhões. Em seguida apareceram as áreas de Abastecimento (R$ 16,508 bilhões), Gás e Energia (R$ 6,562 bilhões) e Internacional (R$ 6,833 bilhões).
A empresa anunciou que vai investir entre US$ 200 bilhões e US$ 220 bilhões entre 2010 e 2014, ante US$ 174,4 bilhões do plano de investimentos anterior para o período 2009-2013.
(Reportagem de Denise Luna)
No acumulado do ano, lucro líquido ficou em R$ 28,982 bilhões, queda de 12,1% sobre 2008
André Magnabosco, Monica Ciarelli, Kelly Lima e Tatiana Freitas, da Agência Estado, com Reuters
RIO E SÃO PAULO - A Petrobrás apresentou lucro líquido de R$ 8,129 bilhões no quarto trimestre de 2009, alta de 31,34% sobre o mesmo período do ano passado. O Ebitda somou R$ 15,016 bilhões no quarto trimestre, crescimento de 62,8% ante o quarto trimestre do ano anterior.
No acumulado do ano, o lucro líquido ficou em R$ 28,982 bilhões, queda de 12,1% sobre 2008 e o Ebitda totalizou R$ 59,944 bilhões, baixa de 4,85% sobre o ano anterior.
Receita líquida cai
A empresa obteve receita líquida de R$ 47,633 bilhões no quarto trimestre do ano, mostrando queda de 8,6% sobre o mesmo período de 2008. No mesmo intervalo, o lucro bruto totalizou R$ 18,055 bilhões, com aumento de 23,7%. O lucro operacional, antes do resultado financeiro, equivalência patrimonial e impostos, atingiu R$ 10,657 bilhões, mostrando evolução de 119,4%.
No acumulado do ano, a receita líquida somou R$ 182,710 bilhões, com retração de 15%. O lucro bruto ficou estável em R$ 73,673 bilhões e o lucro operacional atingiu R$ 46,128 bilhões, em linha com os R$ 45,950 bilhões do exercício anterior.
Captação recorde
O diretor financeiro, Almir Barbasa, informou que a estatal bateu recorde ao captar R$ 74,350 bilhões em 2009, com um prazo médio superior a 10 anos. No período, a companhia amortizou R$ 27 bilhões. Segundo o executivo, as captações conseguiram alongar o prazo da divida da estatal, que passou de 4,2 anos para 7,5 anos. O balanço da empresa mostra que o endividamento atingiu R$ 100,329 bilhões em 2009, contra R$ 64,713 bilhões do ano anterior.
Apesar do aumento da divida, Barbassa destaca que o alongamento no prazo da divida dá tranquilidade à empresa para obter um fluxo de caixa que suporte os investimentos previstos. "O aumento não coloca a empresa em xeque", disse.
Meta de produção menor
A Petrobrás também informou que reviu sua meta de produção para o ano de 2010, dentro da estratégia de atualização de seu plano de investimentos.
Segundo o diretor financeiro da estatal, Almir Barbassa, a nova meta será de 2,100 milhões de barris de óleo por dia, ante uma meta anterior de 2,171 milhões. A redução da meta é para "torná-la mais próxima da realidade", disse Barbassa.
Segundo ele, a meta de 2,050 milhões de barris por dia não foi atingido no ano passado. A produção foi de uma média de 1,971 milhão de barris por dia em 2009.
Investimentos
A Petrobrás encerrou 2009 com investimentos totais de R$ 70,757 bilhões, novo recorde anual da companhia. O resultado representa uma expansão de 33% em relação ao ano anterior, quando a companhia havia registrado aporte recorde de R$ 53,349 bilhões. Os investimentos diretos da estatal no ano passado somaram R$ 63,663 bilhões. As sociedades de propósitos específicos somaram outros R$ 5,564 bilhões, enquanto que os empreendimentos em negociação movimentaram R$ 1,530 bilhão.
A maior parte do investimento direto foi direcionada à área de Exploração e Produção, que recebeu R$ 30,819 bilhões. Em seguida apareceram as áreas de Abastecimento (R$ 16,508 bilhões), Gás e Energia (R$ 6,562 bilhões) e Internacional (R$ 6,833 bilhões).
A empresa anunciou que vai investir entre US$ 200 bilhões e US$ 220 bilhões entre 2010 e 2014, ante US$ 174,4 bilhões do plano de investimentos anterior para o período 2009-2013.
(Reportagem de Denise Luna)
quarta-feira, 17 de março de 2010
Caso Isabella
CBN; O Globo
O desembargador Luís Soares de Mello, do Tribunal de Justiça de São Paulo, negou a suspensão do julgamento do casal Alexandre Nardoni e Anna Carolina Jatobá, acusado de matar a menina Isabella Nardoni, em março de 2008. O júri está marcado para a próxima segunda-feira, no Fórum Criminal de Santana, na Zona Norte da capital paulista.
O advogado dos acusados, Roberto Podval, alegou, em pedido de liminar, que a realização do julgamento sem a produção das provas pretendidas estaria marcada por vício insanável de cerceamento de defesa. Podval ainda salientou que a defesa precisava de mais tempo para possibilitar a reprodução simulada ou a produção de animação gráfica das teses sustentadas. Podval ainda pedia o reexame, com luzes forenses, do local dos fatos e dos lençóis das camas dos irmãos da vítima.
Para o desembargador, a defesa tem por objetivo adiar o julgamento.
A menina Isabella morreu ao ser jogada do sexto andar do prédio onde moravam os acusados na zona norte de São Paulo. Para a promotoria, a madrasta tentou esganá-la e o pai a jogou do sexto andar do apartamento pela janela. O casal, que está preso em cadeias no interior de São Paulo, alega inocência. Eles sustentam a tese de que uma terceira pessoa jogou a menina do prédio.
Os dois serão julgados pelos crimes de homicídio triplamente qualificado (meio cruel, impossibilidade de defesa da vítima, visando garantir impunidade de delito anteriormente praticado) e fraude processual (limpar a cena do crime antes da chegada da polícia).
O desembargador Luís Soares de Mello, do Tribunal de Justiça de São Paulo, negou a suspensão do julgamento do casal Alexandre Nardoni e Anna Carolina Jatobá, acusado de matar a menina Isabella Nardoni, em março de 2008. O júri está marcado para a próxima segunda-feira, no Fórum Criminal de Santana, na Zona Norte da capital paulista.
O advogado dos acusados, Roberto Podval, alegou, em pedido de liminar, que a realização do julgamento sem a produção das provas pretendidas estaria marcada por vício insanável de cerceamento de defesa. Podval ainda salientou que a defesa precisava de mais tempo para possibilitar a reprodução simulada ou a produção de animação gráfica das teses sustentadas. Podval ainda pedia o reexame, com luzes forenses, do local dos fatos e dos lençóis das camas dos irmãos da vítima.
Para o desembargador, a defesa tem por objetivo adiar o julgamento.
A menina Isabella morreu ao ser jogada do sexto andar do prédio onde moravam os acusados na zona norte de São Paulo. Para a promotoria, a madrasta tentou esganá-la e o pai a jogou do sexto andar do apartamento pela janela. O casal, que está preso em cadeias no interior de São Paulo, alega inocência. Eles sustentam a tese de que uma terceira pessoa jogou a menina do prédio.
Os dois serão julgados pelos crimes de homicídio triplamente qualificado (meio cruel, impossibilidade de defesa da vítima, visando garantir impunidade de delito anteriormente praticado) e fraude processual (limpar a cena do crime antes da chegada da polícia).
terça-feira, 16 de março de 2010
A confusão dos royalties
Miriam Leitão
Com ou sem o argumento das Olimpíadas, a proposta de divisão do dinheiro do petróleo é injusta para o Rio de Janeiro. Temos que olhar as origens. Tudo isso foi criado, a participação especial foi criada, o royalty aumentou porque o petróleo tem um sistema de tributação diferente.
O secretário de Fazenda do Rio de Janeiro, Joaquim Levy, me disse o seguinte: se o petróleo pudesse cobrar ICMS (que é o principal imposto estadual) na origem, como todos os outros produtos, o carro de São Paulo, a carne do Rio Grande do Sul, o Rio de Janeiro recolheria R$ 7,5 bilhões. Mas não pode cobrar. O imposto sai do consumidor.
Da maneira como está, todos os estados se beneficiam do petróleo e da circulação dos derivados de petróleo, porque é cobrado no estado consumidor. São Paulo, o maior consumidor dos derivados de petróleo, é o que mais ganha com isso.
A emenda Ibsen é demagógica. Diz que o Piauí, que estava excluído, vai ganhar. Ninguém estava excluído, porque todos os estados podem cobrar ICMS no consumo do petróleo e o Rio de Janeiro não pode cobrar na origem, como em todos os outros produtos.
Fora isso, há quebra de contrato, há muita coisa errada nessa emenda, que cria uma crise federativa. Hoje, está todo mundo brigando por isso. O deputado Ibsen produziu isso, mas houve principalmente falta de liderança do presidente Lula na condução desse processo. Ele não pode se omitir quando os estados estão brigando.
Não adianta convocar passeata. Desde o começo, o governador do Rio, Sérgio Cabral, deveria ter negociado, convencido a opinião pública de que o Rio não está sendo injusto ao ficar com os royalties. Acho que isso está mal explicado. Sinto pelos e-mails de pessoas de outros estados, que desconhecem algumas coisas importantes a respeito do petróleo.
O Rio de Janeiro não pode cobrar o imposto mais importante do produto, o ICMS, porque isso é feito no estado que consome. Mas qualquer leite que sai do Rio Grande do Sul, por exemplo, vai ter recolhido lá o imposto. Essa forma de cobrar faz com que todos os estados tenham uma arrecadação importante no consumo dos derivados de petróleo que o Rio de Janeiro não tem.
Se estabelecesse essa cobrança, resolveria o problema, porque é mais do que o estado consegue hoje com os royalties, mas os outros perderiam muito dinheiro, o que também criaria um grande problema.
Acho que o governador errou desde o começo, porque tinha de ter mantido a briga pelo convencimento. Porque é assim que se organiza uma Federação. Ele também aceitou quando o presidente disse para ele não reclamar, porque resolveria o problema. Abriu mão, com isso, de suas responsabilidades. E criou-se, assim, um conflito federativo esquisito, porque está todo mundo contra o Rio de Janeiro. Há quantos anos não tínhamos uma crise federativa? E, de repente, vai ter passeata na rua contra quem? O Brasil?
A reação do deputado Ibsen Pinheiro, ao propôr o perfume no bode, é deixar a conta para a União. Ela passaria a ressarcir os estados, mas isso cria nova confusão. Tirar da União é também, indiretamente, tirar dos estados, porque ela repassa recursos. Há compromissos de gastos para esse dinheiro dos royalties do petróleo para a preparação das Olimpíadas de 2016.
Isso tudo é uma irresponsabilidade muito grande. O Rio concentra 85% do petróleo. E vamos imaginar se não fosse assim. Em 2008, quando ele foi a US$ 146, o que teria sido do Brasil? O petróleo que é explorado no estado beneficia o país como um todo, porque deixa de importar e, portanto, tem pressão menor na sua balança comercial.
O Brasil deve conversar sobre isso até se chegar a uma solução que deixe todo mundo convencido. O que não pode é um deputado decidir fazer uma emenda demagógica e manipuladora, porque vira para 24 estados que não recebem royalties e oferece esses recursos. E ficam dois contra 24. Não é com o peso da superioridade númerica que se faz uma Federação, mas com o da argumentação justa.
Com ou sem o argumento das Olimpíadas, a proposta de divisão do dinheiro do petróleo é injusta para o Rio de Janeiro. Temos que olhar as origens. Tudo isso foi criado, a participação especial foi criada, o royalty aumentou porque o petróleo tem um sistema de tributação diferente.
O secretário de Fazenda do Rio de Janeiro, Joaquim Levy, me disse o seguinte: se o petróleo pudesse cobrar ICMS (que é o principal imposto estadual) na origem, como todos os outros produtos, o carro de São Paulo, a carne do Rio Grande do Sul, o Rio de Janeiro recolheria R$ 7,5 bilhões. Mas não pode cobrar. O imposto sai do consumidor.
Da maneira como está, todos os estados se beneficiam do petróleo e da circulação dos derivados de petróleo, porque é cobrado no estado consumidor. São Paulo, o maior consumidor dos derivados de petróleo, é o que mais ganha com isso.
A emenda Ibsen é demagógica. Diz que o Piauí, que estava excluído, vai ganhar. Ninguém estava excluído, porque todos os estados podem cobrar ICMS no consumo do petróleo e o Rio de Janeiro não pode cobrar na origem, como em todos os outros produtos.
Fora isso, há quebra de contrato, há muita coisa errada nessa emenda, que cria uma crise federativa. Hoje, está todo mundo brigando por isso. O deputado Ibsen produziu isso, mas houve principalmente falta de liderança do presidente Lula na condução desse processo. Ele não pode se omitir quando os estados estão brigando.
Não adianta convocar passeata. Desde o começo, o governador do Rio, Sérgio Cabral, deveria ter negociado, convencido a opinião pública de que o Rio não está sendo injusto ao ficar com os royalties. Acho que isso está mal explicado. Sinto pelos e-mails de pessoas de outros estados, que desconhecem algumas coisas importantes a respeito do petróleo.
O Rio de Janeiro não pode cobrar o imposto mais importante do produto, o ICMS, porque isso é feito no estado que consome. Mas qualquer leite que sai do Rio Grande do Sul, por exemplo, vai ter recolhido lá o imposto. Essa forma de cobrar faz com que todos os estados tenham uma arrecadação importante no consumo dos derivados de petróleo que o Rio de Janeiro não tem.
Se estabelecesse essa cobrança, resolveria o problema, porque é mais do que o estado consegue hoje com os royalties, mas os outros perderiam muito dinheiro, o que também criaria um grande problema.
Acho que o governador errou desde o começo, porque tinha de ter mantido a briga pelo convencimento. Porque é assim que se organiza uma Federação. Ele também aceitou quando o presidente disse para ele não reclamar, porque resolveria o problema. Abriu mão, com isso, de suas responsabilidades. E criou-se, assim, um conflito federativo esquisito, porque está todo mundo contra o Rio de Janeiro. Há quantos anos não tínhamos uma crise federativa? E, de repente, vai ter passeata na rua contra quem? O Brasil?
A reação do deputado Ibsen Pinheiro, ao propôr o perfume no bode, é deixar a conta para a União. Ela passaria a ressarcir os estados, mas isso cria nova confusão. Tirar da União é também, indiretamente, tirar dos estados, porque ela repassa recursos. Há compromissos de gastos para esse dinheiro dos royalties do petróleo para a preparação das Olimpíadas de 2016.
Isso tudo é uma irresponsabilidade muito grande. O Rio concentra 85% do petróleo. E vamos imaginar se não fosse assim. Em 2008, quando ele foi a US$ 146, o que teria sido do Brasil? O petróleo que é explorado no estado beneficia o país como um todo, porque deixa de importar e, portanto, tem pressão menor na sua balança comercial.
O Brasil deve conversar sobre isso até se chegar a uma solução que deixe todo mundo convencido. O que não pode é um deputado decidir fazer uma emenda demagógica e manipuladora, porque vira para 24 estados que não recebem royalties e oferece esses recursos. E ficam dois contra 24. Não é com o peso da superioridade númerica que se faz uma Federação, mas com o da argumentação justa.
segunda-feira, 15 de março de 2010
Gestão em Recursos Humanos na Uniabeu
No último sábado, 13, aconteceu no Campus da Uniabeu em Belford Roxo, a solenidade de colação de grau da turma do primeiro curso de Gestão em Recursos Humanos.
Foi uma cerimônia linda! E registrei um momento trivil, porém ímpar: a oradora da turma, Lidyane Saraiva, em ação. Vejam no vídeo abaixo.
sexta-feira, 12 de março de 2010
Ciro Gomes no CBN Rio
Hoje a Lucia Hippolito receberá no estúdio do CBN Rio o deputado Ciro Gomes, pré-candidato do PSB à presidência da República.
Irão conversar sobre suas propostas para o país, suas opiniões sobre vários temas, uma avaliação sobre a política brasileira e sobre o governo Lula.
O deputado Ciro Gomes ficará das 10h às 11h, respondendo a perguntas do programa e também dos ouvintes, que têm enviado suas perguntas para lucia@cbn.com.br .
Assim, os eleitores cariocas e fluminense terão o privilégio de ouvir as propostas e ideias de um dos candidatos a presidir a República do Brasil.
E os internautas de todo o Brasil poderão acompanhar aqui pelo blog ou pelo site da CBN a entrevista.
Logo em seguida, a entrevista ficará disponível aqui no blog.
Irão conversar sobre suas propostas para o país, suas opiniões sobre vários temas, uma avaliação sobre a política brasileira e sobre o governo Lula.
O deputado Ciro Gomes ficará das 10h às 11h, respondendo a perguntas do programa e também dos ouvintes, que têm enviado suas perguntas para lucia@cbn.com.br .
Assim, os eleitores cariocas e fluminense terão o privilégio de ouvir as propostas e ideias de um dos candidatos a presidir a República do Brasil.
E os internautas de todo o Brasil poderão acompanhar aqui pelo blog ou pelo site da CBN a entrevista.
Logo em seguida, a entrevista ficará disponível aqui no blog.
quinta-feira, 11 de março de 2010
PIB cai, mas economia mostra resistência
Míriam Leitão
O PIB ficou ligeiramente negativo, como previam os analistas. As projeções estavam em torno de zero, -0,1%, - 0,2%. E foi isso que deu: queda de 0,2%, o que não é um mau resultado, dadas todas as circunstâncias.
É preciso olhar para os dois ângulos. Tem uma notícia ruim que é: o país não cresceu, ficou estagnado e perdemos um ano. Trata-se do primeiro resultado negativo desde 1992, quando vivemos uma recessão forte no governo Collor. Não é bom não crescer.
E quanto custou não crescer? O economista Regis Bonelli fez essa conta para mim. Deixamos de acumular R$ 180 bilhões, levando em conta o ritmo de 6%. Então, é um tranco, não vamos nos enganar.
Por outro lado, quando você olha o resultado dos países, o Brasil teve um número muito melhor do que o da maioria. É o 10º melhor resultado no mundo, apesar de ser -0,2%, o que é bom, levando -se em conta o contexto mundial de grande crise.
E quem salvou a pátria? Foi o setor de serviços, com crescimento de 2,6% no ano. A agropecuária, que teve uma quebra de safra, caiu 5,2%, enquanto a indústria registrou queda de 5,5%. Apesar de ter sido muito ajudada pelo governo, pelas políticas anticíclicas, pela redução de impostos, a indústria fechou em -5,5%.
A economia mostrou capacidade de resistência, musculatura para aguentar um tranco desses, uma crise internacional de grandes proporções. O IBGE diz que voltou ao nível pré-crise, porque quando compara o último trimestre com o terceiro, dá uma alta de 2%, o que é maior do que a taxa registrada no terceiro trimestre de 2008, na comparação com o anterior.
O que houve de acerto? A ação rápida do BC, que liberou compulsório, vendeu reservas e foi ágil na hora do pânico. Mas o Brasil gastou mais do que fez investimento; a qualidade da reação, portanto, não é 100% aprovada.
O Brasil foi capaz de passar bem pela crise pelo trabalho feito anteriormente. Outros governos sanearam o setor bancário para que estivesse mais forte para enfrentar a crise. A economia nunca é culpa ou mérito de um período administrativo, mas vem numa trajetória.
O PIB ficou ligeiramente negativo, como previam os analistas. As projeções estavam em torno de zero, -0,1%, - 0,2%. E foi isso que deu: queda de 0,2%, o que não é um mau resultado, dadas todas as circunstâncias.
É preciso olhar para os dois ângulos. Tem uma notícia ruim que é: o país não cresceu, ficou estagnado e perdemos um ano. Trata-se do primeiro resultado negativo desde 1992, quando vivemos uma recessão forte no governo Collor. Não é bom não crescer.
E quanto custou não crescer? O economista Regis Bonelli fez essa conta para mim. Deixamos de acumular R$ 180 bilhões, levando em conta o ritmo de 6%. Então, é um tranco, não vamos nos enganar.
Por outro lado, quando você olha o resultado dos países, o Brasil teve um número muito melhor do que o da maioria. É o 10º melhor resultado no mundo, apesar de ser -0,2%, o que é bom, levando -se em conta o contexto mundial de grande crise.
E quem salvou a pátria? Foi o setor de serviços, com crescimento de 2,6% no ano. A agropecuária, que teve uma quebra de safra, caiu 5,2%, enquanto a indústria registrou queda de 5,5%. Apesar de ter sido muito ajudada pelo governo, pelas políticas anticíclicas, pela redução de impostos, a indústria fechou em -5,5%.
A economia mostrou capacidade de resistência, musculatura para aguentar um tranco desses, uma crise internacional de grandes proporções. O IBGE diz que voltou ao nível pré-crise, porque quando compara o último trimestre com o terceiro, dá uma alta de 2%, o que é maior do que a taxa registrada no terceiro trimestre de 2008, na comparação com o anterior.
O que houve de acerto? A ação rápida do BC, que liberou compulsório, vendeu reservas e foi ágil na hora do pânico. Mas o Brasil gastou mais do que fez investimento; a qualidade da reação, portanto, não é 100% aprovada.
O Brasil foi capaz de passar bem pela crise pelo trabalho feito anteriormente. Outros governos sanearam o setor bancário para que estivesse mais forte para enfrentar a crise. A economia nunca é culpa ou mérito de um período administrativo, mas vem numa trajetória.
quarta-feira, 10 de março de 2010
Lula e a greve de fome
Lucia Hippolito
Apoiado em índices estratosféricos de popularidade, aclamado no Brasil e no exterior, considerado o "homem do ano", "um dos mais importantes da década", elogiado por jornais e revistas estrangeiras, o presidente Lula decidiu que não tem contas a prestar a ninguém.
Lula nunca teve problemas de relacionamento com ditadores. Da África, do Oriente Médio, da Ásia, da América.
Elogia o presidente do Irã, abraça-se com Kaddafi. Com Fidel, então, Lula chega a revirar os olhinhos de tanta alegria.
A ditadura mais embolorada da América, uma relíquia do século passado, com os irmãos Castro perdidos em devaneios antiimperialistas.
Tudo tão antigo. Como é também antigo o desrespeito do governo de Cuba aos direitos humanos, como são antigas as prisões cubanas, como é antigo o hábito de amordaçar qualquer tentativa de liberdade de expressão, seja uma blogueira ou um ativista de direitos humanos.
O presidente Lula foi mais uma vez a Cuba e chegou justamente no dia em que morria, depois de 82 dias de greve de fome, o operário Orlando Zapata. Era um preso político, um preso de consciência.
Fotografado às gargalhadas ao lado dos irmãos Castro, Raúl e Fidel, pálidas caricaturas da Guerra Fria, Lula, ao ser perguntado sobre a morte de Zapata... botou a culpa no morto. Quem mandou fazer greve de fome?! Onde já se viu?!
Muito criticado, no Brasil e no exterior, o presidente saiu pela tangente, afirmando que pessoalmente é contra greve de fome como recurso de prisioneiros e que não tem por hábito imiscuir-se na política interna de outros países.
Vamos esquecer, por um momento, dos elogios à eleição do presidente do Irã ou mesmo a recusa a reconhecer as eleições presidenciais em Honduras.
Vamos nos concentrar nos presos políticos e suas greves de fome.
Ontem, o presidente Lula realmente extrapolou. Entrevistado pela agência de notícias Associated Press, declarou o presidente: "Greve de fome não pode ser utilizada como um pretexto de direitos humanos para libertar pessoas. Imagine se todos os bandidos que estão presos em São Paulo entrassem em greve de fome e pedissem libertação."
Ao comparar presos políticos com bandidos, o presidente desrespeita, não apenas sua própria biografia, mas faz pior: agride frontalmente a ministra Dilma Rousseff, sua candidata à presidência da República.
Não é segredo para ninguém que Dilma foi presa política durante alguns anos. Torturada. Não sei se fez greve de fome, mas isto é irrelevante. Ao compará-la a um bandido, o presidente Lula comete uma grosseria que nem os gorilas da direita mais hidrófoba ousaram, durante a ditadura.
Uma das greves de fome mais emblemáticas durante a ditadura brasileira durou 32 dias. Preso no Presídio Frei Caneca, no Rio de Janeiro, Nelson Rodrigues Filho participou, junto com Perly Cipriano e Jorge Raimundo Júnior, de uma greve de fome que só terminou com a aprovação da Lei da Anistia pelo Congresso Nacional, em 22 de agosto de 1979.
O presidente Lula tem todo o direito de se relacionar com ditadores alegando razões de Estado.
O presidente Lula tem todo o direito de desrespeitar a própria biografia.
Mas não tem o direito de desrespeitar a trajetória e a luta política de milhares de brasileiros, alguns até muito próximos dele.
O presidente Lula pode muito, muito mesmo. Mas não pode tudo.
Ainda bem.
Apoiado em índices estratosféricos de popularidade, aclamado no Brasil e no exterior, considerado o "homem do ano", "um dos mais importantes da década", elogiado por jornais e revistas estrangeiras, o presidente Lula decidiu que não tem contas a prestar a ninguém.
Lula nunca teve problemas de relacionamento com ditadores. Da África, do Oriente Médio, da Ásia, da América.
Elogia o presidente do Irã, abraça-se com Kaddafi. Com Fidel, então, Lula chega a revirar os olhinhos de tanta alegria.
A ditadura mais embolorada da América, uma relíquia do século passado, com os irmãos Castro perdidos em devaneios antiimperialistas.
Tudo tão antigo. Como é também antigo o desrespeito do governo de Cuba aos direitos humanos, como são antigas as prisões cubanas, como é antigo o hábito de amordaçar qualquer tentativa de liberdade de expressão, seja uma blogueira ou um ativista de direitos humanos.
O presidente Lula foi mais uma vez a Cuba e chegou justamente no dia em que morria, depois de 82 dias de greve de fome, o operário Orlando Zapata. Era um preso político, um preso de consciência.
Fotografado às gargalhadas ao lado dos irmãos Castro, Raúl e Fidel, pálidas caricaturas da Guerra Fria, Lula, ao ser perguntado sobre a morte de Zapata... botou a culpa no morto. Quem mandou fazer greve de fome?! Onde já se viu?!
Muito criticado, no Brasil e no exterior, o presidente saiu pela tangente, afirmando que pessoalmente é contra greve de fome como recurso de prisioneiros e que não tem por hábito imiscuir-se na política interna de outros países.
Vamos esquecer, por um momento, dos elogios à eleição do presidente do Irã ou mesmo a recusa a reconhecer as eleições presidenciais em Honduras.
Vamos nos concentrar nos presos políticos e suas greves de fome.
Ontem, o presidente Lula realmente extrapolou. Entrevistado pela agência de notícias Associated Press, declarou o presidente: "Greve de fome não pode ser utilizada como um pretexto de direitos humanos para libertar pessoas. Imagine se todos os bandidos que estão presos em São Paulo entrassem em greve de fome e pedissem libertação."
Ao comparar presos políticos com bandidos, o presidente desrespeita, não apenas sua própria biografia, mas faz pior: agride frontalmente a ministra Dilma Rousseff, sua candidata à presidência da República.
Não é segredo para ninguém que Dilma foi presa política durante alguns anos. Torturada. Não sei se fez greve de fome, mas isto é irrelevante. Ao compará-la a um bandido, o presidente Lula comete uma grosseria que nem os gorilas da direita mais hidrófoba ousaram, durante a ditadura.
Uma das greves de fome mais emblemáticas durante a ditadura brasileira durou 32 dias. Preso no Presídio Frei Caneca, no Rio de Janeiro, Nelson Rodrigues Filho participou, junto com Perly Cipriano e Jorge Raimundo Júnior, de uma greve de fome que só terminou com a aprovação da Lei da Anistia pelo Congresso Nacional, em 22 de agosto de 1979.
O presidente Lula tem todo o direito de se relacionar com ditadores alegando razões de Estado.
O presidente Lula tem todo o direito de desrespeitar a própria biografia.
Mas não tem o direito de desrespeitar a trajetória e a luta política de milhares de brasileiros, alguns até muito próximos dele.
O presidente Lula pode muito, muito mesmo. Mas não pode tudo.
Ainda bem.
segunda-feira, 8 de março de 2010
A casa caiu - Revista Veja
O Ministério Público quebra sigilo da Bancoop e descobre que dirigentes da Cooperativa Habitacional dos Bancários de São Paulo lesaram milhares de associados, para montar um esquema de desvio de dinheiro que abasteceu a campanha de Lula em 2002 e encheu os bolsos de dirigentes do PT. Eles sacaram ao menos 31 milhões de reais na boca do caixa
Laura Diniz
Depois de quase três anos de investigação, o Ministério Público de São Paulo finalmente conseguiu pôr as mãos na caixa-preta que promete desvendar um dos mais espantosos esquemas de desvio de dinheiro perpetrados pelo núcleo duro do Partido dos Trabalhadores: o esquema Bancoop. Desde 2005, a sigla para Cooperativa Habitacional dos Bancários de São Paulo virou um pesadelo para milhares de associados. Criada com a promessa de entregar imóveis 40% mais baratos que os de mercado, ela deixou, no lugar dos apartamentos, um rastro de escombros. Pelo menos 400 famílias movem processos contra a cooperativa, alegando que, mesmo tendo quitado o valor integral dos imóveis, não só deixaram de recebê-los como passaram a ver as prestações se multiplicar a ponto de levá-las à ruína (veja depoimentos abaixo). Agora, começa-se a entender por quê.
Na semana passada, chegaram às mãos do promotor José Carlos Blat mais de 8 000 páginas de registros de transações bancárias realizadas pela Bancoop entre 2001 e 2008. O que elas revelam é que, nas mãos de dirigentes petistas, a cooperativa se transformou num manancial de dinheiro destinado a encher os bolsos de seus diretores e a abastecer campanhas eleitorais do partido. "A Bancoop é hoje uma organização criminosa cuja função principal é captar recursos para o caixa dois do PT e que ajudou a financiar inclusive a campanha de Lula à Presidência em 2002." Na sexta-feira, o promotor pediu à Justiça o bloqueio das contas da Bancoop e a quebra de sigilo bancário daquele que ele considera ser o principal responsável pelo esquema de desvio de dinheiro da cooperativa, seu ex-diretor financeiro e ex-presidente João Vaccari Neto. Vaccari acaba de ser nomeado o novo tesoureiro do PT e, como tal, deve cuidar das finanças da campanha eleitoral de Dilma Rousseff à Presidência.
Um dos dados mais estarrecedores que emergem dos extratos bancários analisados pelo MP é o milionário volume de saques em dinheiro feitos por meio de cheques emitidos pela Bancoop para ela mesma ou para seu banco: 31 milhões de reais só na pequena amostragem analisada. O uso de cheques como esses é uma estratégia comum nos casos em que não se quer revelar o destino do dinheiro. Até agora, o MP conseguiu esquadrinhar um terço das ordens de pagamento do lote de trinta volumes recebidos. Metade desses documentos obedecia ao padrão destinado a permitir saques anônimos. Já outros cheques encontrados, totalizando 10 milhões de reais e compreendidos no período de 2003 a 2005, tiveram destino bem explícito: o bolso de quatro dirigentes da cooperativa, o ex-presidente Luiz Eduardo Malheiro e os ex-diretores Alessandro Robson Bernardino, Marcelo Rinaldo e Tomas Edson Botelho Fraga – os três primeiros mortos em um acidente de carro em 2004 em Petrolina (PE). Eles eram donos da Germany Empreiteira, cujo único cliente conhecido era a própria Bancoop. Segundo o engenheiro Ricardo Luiz do Carmo, que foi responsável por todas as construções da cooperativa, as notas emitidas pela Germany para a Bancoop eram superfaturadas em 20%. A favor da empreiteira, no entanto, pode-se dizer que ela ao menos existia de fato. De acordo com a mesma testemunha, não era o caso da empresa de "consultoria contábil" Mizu, por exemplo, pertencente aos mesmos dirigentes da Bancoop e em cuja contabilidade o MP encontrou, até o momento, seis saídas de dinheiro referentes ao ano de 2002 com a rubrica "doação PT", no valor total de 43 200 reais. Até setembro do ano passado, a lei não autorizava cooperativas a fazer doações eleitorais.
Outro frequente agraciado com cheques da Bancoop tornou-se nacionalmente conhecido na esteira de um dos últimos escândalos que envolveram o partido. Freud "Aloprado" Godoy – ex-segurança das campanhas do presidente Lula, homem "da cozinha" do PT e um dos pivôs do caso da compra do falso dossiê contra tucanos na campanha de 2006 – recebeu, por meio da empresa que dirigia até o ano passado, onze cheques totalizando 1,5 milhão de reais, datados entre 2005 e 2006. Nesse período, a Caso Sistemas de Segurança, nome da sua empresa, funcionava no número 89 da Rua Alberto Frediani, em Santana do Parnaíba, segundo registro da Junta Comercial. Vizinhos dizem que, além da placa com o nome da firma, nada indicava que houvesse qualquer atividade por lá. O único funcionário visível da Caso era um rapaz que vinha semanalmente recolher as correspondências num carro popular azul. Hoje, a Caso se transferiu para uma casa no município de Santo André, na região do ABC.
Depoimentos colhidos pelo MP ao longo dos últimos dois anos já atestavam que o dinheiro da Bancoop havia servido para abastecer a campanha petista de 2002 que levou Lula à Presidência da República (veja o quadro). VEJA ouviu uma das testemunhas, Andy Roberto, que trabalhou como segurança da Bancoop e de Luiz Malheiro entre 2001 e 2005. Em depoimento ao MP, Roberto afirmou que Malheiro, o ex-presidente morto da Bancoop, entregava envelopes de dinheiro diretamente a Vaccari, então presidente do Sindicato dos Bancários e indicado como o responsável pelo recolhimento da caixinha de campanha de Lula. Em entrevista a VEJA, Roberto não repetiu a afirmação categoricamente, mas disse estar convicto de que isso ocorria e relatou como, mesmo depois da eleição de Lula, entre 2003 e 2004, quantias semanais de dinheiro continuaram saindo de uma agência Bradesco do Viaduto do Chá, centro de São Paulo, supostamente para o Sindicato dos Bancários, então presidido por Vaccari. "A gente ia no banco e buscava pacotes, duas pessoas escoltando uma terceira." Os pacotes, afirmou, eram entregues à secretária de Luiz Malheiro, que os entregava ao chefe. "Quando essas operações aconteciam, com certeza, em algum horário daquele dia, o Malheiro ia até o Sindicato dos Bancários. Ou, então, se encontrava com o Vaccari em algum lugar."
Os depoimentos colhidos pelo MP indicam que o esquema de desvio de dinheiro da Bancoop obedeceu a uma trajetória que já se tornou um clássico petista. Começou para abastecer campanhas eleitorais do partido e acabou servindo para atender a interesses particulares de petistas. Entre os cheques em poder do MP, por exemplo, está um em que a empresa Mizu, de "consultoria contábil", doa 7 000 reais a um certo Centro Espírita Redenção, em 2003. Muitas vezes, dirigentes da Bancoop nem se preocuparam em usar as empresas "prestadoras de serviços" que montaram com o objetivo de sugar a coo-perativa para esconder sua ganância. O MP encontrou quatro cheques da Bancoop, totalizando 35 000 reais, para uma ONG de Luiz Malheiro em São Vicente dedicada a deficientes auditivos – curiosamente, o mesmo endereço do centro espírita. Os cheques foram emitidos entre novembro de 2003 e março de 2005.
Tanta lambança, aliada a uma gestão ruinosa, fez com que a Bancoop mergulhasse num estado de pré-liquidação. Em 2004, com Lula já eleito, Luiz Malheiro foi pedir ao "chefe" Berzoini, então ministro do Trabalho, "ajuda" para reerguer a cooperativa. Quem relatou o episódio ao MP foi seu irmão, Hélio Malheiro. Em 2008, dizendo-se sob ameaça de morte, Hélio Malheiro ingressou no Programa de Proteção à Testemunhas da secretaria estadual de justiça de São Paulo, no qual se encontra até hoje. Em dezembro de 2004, depois que Luiz Malheiro já havia morrido, a "ajuda" chegou à Bancoop. Com apoio de Berzoini e corretagem da Planner (investigada pela CPI dos Correios sob a acusação de ter causado um prejuízo de 4 milhões de reais ao fundo de pensão da Serpro), a cooperativa associou-se a um Fundo de Investimentos em Direito Creditórios (FIDC), entidade que negocia recebíveis, e captou 43 milhões de reais no mercado – 85% dos papéis foram adquiridos por fundos de pensão de estatais controlados por petistas ligados ao grupo de Berzoini e Vaccari. O investimento resultou na abertura de um inquérito pela Polícia Federal por suspeita de que os fundos de pensão teriam sido prejudicados para favorecer a Bancoop.
O PROMOTOR BLAT
"A Bancoop virou organização criminosa"
João Vaccari Neto é do tipo que se orgulha de ser chamado de "um petista histórico", o que, no jargão do partido, significa, entre outras coisas, que ganhou boa parte da vida dirigindo entidades de classe e do partido. Aos 19 anos, começou a trabalhar como escriturário do Banespa. Ficou lá apenas dois anos. Depois disso, entrou no sindicato de sua categoria e nunca mais pegou no pesado. Participou de três diretorias da Central Única dos Trabalhadores (CUT), foi secretário de relações internacionais da entidade e presidiu o Dieese. Atuou sempre como braço de apoio de Berzoini, a quem sucedeu na presidência do Sindicato dos Bancários de São Paulo em 1998. Apesar de não ter a projeção política do amigo, Vaccari conquistou a amizade de Lula, coisa que Berzoini jamais conseguiu obter. Vaccari, como mostra agora a investigação do MP, tem mais em comum com seu antecessor, Delúbio Soares, do que a barba grisalha. E, como Freud Godoy, está mergulhado até os últimos e ralos fios de cabelo no escândalo dos aloprados (veja o quadro abaixo).
Há duas semanas, um juiz de primeira instância contrariou de-cisão do Tribunal Superior Eleitoral e determinou a cassação do prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab, por suposto recebimento ilegal de doação de campanha. A sentença, que colocou em risco a segurança jurídica, foi suspensa. Na semana passada, o TSE divulgou as regras que vão orientar as eleições deste ano. São medidas moralizadoras, que incluem a obrigatoriedade da divulgação de quaisquer processos ou acusações criminais que pesem sobre o candidato e que dificultam manobras de doadores que tenham por finalidade esconder a origem do dinheiro. Tudo isso mostra quanto o país está interessado em aprimorar seu sistema de financiamento eleitoral e proteger-se dos efeitos tão deletérios como conhecidos que sua distorção pode causar. Ao indicar pessoalmente alguém com o prontuário de João Vaccari para tomar conta das finanças do PT e da campanha eleitoral de Dilma Rousseff, o presidente Lula sinaliza que, ao contrário do resto do Brasil, não está nem um pouco empenhado em colaborar na faxina.
Uma pergunta que continua no ar
Quem deu o dinheiro para o dossiê dos aloprados? Entre os envolvidos, Vaccari era o único sentado numa montanha de reais
A TROCO DE QUÊ?
Lacerda (à dir.) ligou para Vaccari uma hora depois de entregar o dinheiro que pagaria o dossiê
João Vaccari Neto e Freud Godoy, envolvidos agora no esquema Bancoop, já atuaram juntos em passado recente. Pelo menos é o que sugere o registro dos telefonemas trocados pela dupla às vésperas do estouro do escândalo dos "aloprados" – como ficaram conhecidos os petistas apontados pela Polícia Federal como integrantes da quadrilha que tentou comprar um dossiê supostamente comprometedor para tucanos durante a campanha presidencial de 2006. No caso de Vaccari, então presidente da Bancoop, os vestígios de participação no caso guardam cheiro de tinta fresca. Foi para ele que Hamilton Lacerda – na ocasião coordenador de comunicação da campanha do senador Aloizio Mercadante – telefonou uma hora antes de fazer a entrega de parte do 1,7 milhão de reais que seria usado para comprar o dossiê.
O episódio teve início quando a família de Luiz Antônio Vedoin, chefe da máfia dos sanguessugas, ofereceu a petistas documentos que supostamente comprometeriam tucanos. Deles, faria parte uma entrevista em que os Vedoin acusariam o candidato do PSDB, José Serra, de envolvimento na máfia que distribuía dinheiro a políticos em troca de emendas ao Orçamento para compras de ambulância. Ricardo Berzoini, então presidente do PT, foi acusado de ter dado a autorização para a compra do dossiê. Valdebran Padilha da Silva, filiado ao PT do Mato Grosso, e Gedimar Pereira Passos, advogado e ex-policial federal, seriam os encarregados de pagar os Vedoin com o dinheiro levado por Hamilton Lacerda. Valdebran e Gedimar foram presos pela PF num hotel Íbis, em São Paulo, depois de terem recebido o dinheiro de Lacerda e antes de entregá-lo aos Vedoin. Jorge Lorenzetti, churrasqueiro do presidente Lula, e Oswaldo Bargas, ex-secretário de Berzoini no Ministério do Trabalho, também estiveram envolvidos no episódio. Eles tentaram negociar com a revista Época uma entrevista em que os Vedoin fariam falsas acusações de corrupção contra Serra. A entrevista acabou sendo publicada pela revista Istoé.
Nas investigações que se seguiram à prisão de Valdebran e Gedimar, a PF identificou uma intensa troca de telefonemas entre os envolvidos, incluindo diversas ligações de Berzoini para a empresa Caso Sistemas de Segurança, hoje em nome da mulher de Freud Godoy. Godoy seria o contato de Gedimar no alto escalão do PT. Quanto a Vaccari, bem, até onde se sabe, era o único dos aloprados que estava sentado sobre uma montanha de dinheiro, a Bancoop. O fato de Hamilton Lacerda ter ligado para ele logo depois de ter cumprido a sua missão faz fervilhar a imaginação dos que até hoje se perguntam: de onde, afinal, veio o dinheiro dos aloprados?
ALOPRANDO
Lorenzetti (à dir.) e Gedimar (À ESQ.): a trapalhada terminou
em prisão. Mas agora eles estão livres, leves e soltos
O PAVOR DO DESPEJO
Manoel Marques
"O sindicato sempre foi um defensor da minha classe. Por isso, na hora de fazer um financiamento com eles, não tive dúvidas. Comecei a pagar um apartamento de 45 000 reais em 1997. Suei para honrar as prestações. Vendia coxinha e bolo para complementar a renda. Esse imóvel representava muito para a minha família. Onde morávamos, meus filhos dormiam na sala. Em 2000, quitei o apartamento e nós nos mudamos. Seis anos depois, porém, passei a receber boletos com o valor de 470 reais. Eles diziam que precisavam cobrir gastos excedentes. Até pagaria, se pudesse. Mas a minha renda era de 600 reais. Em 2008, a Bancoop entrou com uma ação de despejo contra mim. Ela não foi concluída, mas, desde então, vivo o pesadelo de eles tirarem o meu único bem material. Durmo sob o efeito de calmantes."
Maria de Fátima Bonfim,
de 55 anos, bancária aposentada
CALOTE DUPLO
Roberto Setton
"Conheci a Bancoop em 2004, quando vi uma placa de propaganda em frente a um terreno vazio. Eles iriam construir um imóvel perto da minha casa. Achei a oportunidade ótima: o preço era bom e a instituição tinha credibilidade. Demos nossa economia de 10 000 reais de entrada e passamos a pagar as prestações. Alguns meses depois, porém, desconfiei do empreendimento. Eu passava em frente ao terreno e não via nenhum pedreiro lá. Diziam sempre que a construção estava para começar. Não acreditei e consegui transferir o dinheiro que havia investido para outro imóvel deles. Dessa vez escolhi um local cuja construção já estava pela metade. Como fui inocente... Esse imóvel também nunca foi concluído. Empatamos 80 000 reais nessa história. Não confio mais nas instituições."
A advogada Tânia de Oliveira, de 42 anos, com o marido, Heleno, e a filha Helena
SEM FORÇAS
Alexandre Schneider
"Aos 43 anos, decidi dar um grande passo: comprar meu primeiro imóvel. Usei os 20 000 reais que havia juntado e entrei no financiamento de um apartamento de 60 000 reais. As prestações eram metade do meu salário. Um dia, recebi uma cobrança extra de 1 800 reais. Seria a primeira de muitas. Tive de tirar um empréstimo bancário. Em dois anos, estava endividado, mas havia quitado meu imóvel. Sentia-me orgulhoso – jamais atrasei uma parcela. Mas em 2005, enquanto esperava o sorteio das chaves, soube que a Bancoop não estava honrando seus compromissos com muitos cooperados. Eu era um deles. Meu imóvel nunca saiu do chão. No início, briguei, participei de protestos vestido de palhaço. Há dois anos, recebi o diagnóstico de câncer de pulmão, o que me deixou sem forças para lutar. Perdi as esperanças."
Oscar Costa, 52 anos, bancário aposentado
Com reportagem de Adriana Dias Lopes, Vinícius Segalla, Kalleo Coura, André Eler e Marina Yamaoka
Laura Diniz
Depois de quase três anos de investigação, o Ministério Público de São Paulo finalmente conseguiu pôr as mãos na caixa-preta que promete desvendar um dos mais espantosos esquemas de desvio de dinheiro perpetrados pelo núcleo duro do Partido dos Trabalhadores: o esquema Bancoop. Desde 2005, a sigla para Cooperativa Habitacional dos Bancários de São Paulo virou um pesadelo para milhares de associados. Criada com a promessa de entregar imóveis 40% mais baratos que os de mercado, ela deixou, no lugar dos apartamentos, um rastro de escombros. Pelo menos 400 famílias movem processos contra a cooperativa, alegando que, mesmo tendo quitado o valor integral dos imóveis, não só deixaram de recebê-los como passaram a ver as prestações se multiplicar a ponto de levá-las à ruína (veja depoimentos abaixo). Agora, começa-se a entender por quê.
Na semana passada, chegaram às mãos do promotor José Carlos Blat mais de 8 000 páginas de registros de transações bancárias realizadas pela Bancoop entre 2001 e 2008. O que elas revelam é que, nas mãos de dirigentes petistas, a cooperativa se transformou num manancial de dinheiro destinado a encher os bolsos de seus diretores e a abastecer campanhas eleitorais do partido. "A Bancoop é hoje uma organização criminosa cuja função principal é captar recursos para o caixa dois do PT e que ajudou a financiar inclusive a campanha de Lula à Presidência em 2002." Na sexta-feira, o promotor pediu à Justiça o bloqueio das contas da Bancoop e a quebra de sigilo bancário daquele que ele considera ser o principal responsável pelo esquema de desvio de dinheiro da cooperativa, seu ex-diretor financeiro e ex-presidente João Vaccari Neto. Vaccari acaba de ser nomeado o novo tesoureiro do PT e, como tal, deve cuidar das finanças da campanha eleitoral de Dilma Rousseff à Presidência.
Um dos dados mais estarrecedores que emergem dos extratos bancários analisados pelo MP é o milionário volume de saques em dinheiro feitos por meio de cheques emitidos pela Bancoop para ela mesma ou para seu banco: 31 milhões de reais só na pequena amostragem analisada. O uso de cheques como esses é uma estratégia comum nos casos em que não se quer revelar o destino do dinheiro. Até agora, o MP conseguiu esquadrinhar um terço das ordens de pagamento do lote de trinta volumes recebidos. Metade desses documentos obedecia ao padrão destinado a permitir saques anônimos. Já outros cheques encontrados, totalizando 10 milhões de reais e compreendidos no período de 2003 a 2005, tiveram destino bem explícito: o bolso de quatro dirigentes da cooperativa, o ex-presidente Luiz Eduardo Malheiro e os ex-diretores Alessandro Robson Bernardino, Marcelo Rinaldo e Tomas Edson Botelho Fraga – os três primeiros mortos em um acidente de carro em 2004 em Petrolina (PE). Eles eram donos da Germany Empreiteira, cujo único cliente conhecido era a própria Bancoop. Segundo o engenheiro Ricardo Luiz do Carmo, que foi responsável por todas as construções da cooperativa, as notas emitidas pela Germany para a Bancoop eram superfaturadas em 20%. A favor da empreiteira, no entanto, pode-se dizer que ela ao menos existia de fato. De acordo com a mesma testemunha, não era o caso da empresa de "consultoria contábil" Mizu, por exemplo, pertencente aos mesmos dirigentes da Bancoop e em cuja contabilidade o MP encontrou, até o momento, seis saídas de dinheiro referentes ao ano de 2002 com a rubrica "doação PT", no valor total de 43 200 reais. Até setembro do ano passado, a lei não autorizava cooperativas a fazer doações eleitorais.
Outro frequente agraciado com cheques da Bancoop tornou-se nacionalmente conhecido na esteira de um dos últimos escândalos que envolveram o partido. Freud "Aloprado" Godoy – ex-segurança das campanhas do presidente Lula, homem "da cozinha" do PT e um dos pivôs do caso da compra do falso dossiê contra tucanos na campanha de 2006 – recebeu, por meio da empresa que dirigia até o ano passado, onze cheques totalizando 1,5 milhão de reais, datados entre 2005 e 2006. Nesse período, a Caso Sistemas de Segurança, nome da sua empresa, funcionava no número 89 da Rua Alberto Frediani, em Santana do Parnaíba, segundo registro da Junta Comercial. Vizinhos dizem que, além da placa com o nome da firma, nada indicava que houvesse qualquer atividade por lá. O único funcionário visível da Caso era um rapaz que vinha semanalmente recolher as correspondências num carro popular azul. Hoje, a Caso se transferiu para uma casa no município de Santo André, na região do ABC.
Depoimentos colhidos pelo MP ao longo dos últimos dois anos já atestavam que o dinheiro da Bancoop havia servido para abastecer a campanha petista de 2002 que levou Lula à Presidência da República (veja o quadro). VEJA ouviu uma das testemunhas, Andy Roberto, que trabalhou como segurança da Bancoop e de Luiz Malheiro entre 2001 e 2005. Em depoimento ao MP, Roberto afirmou que Malheiro, o ex-presidente morto da Bancoop, entregava envelopes de dinheiro diretamente a Vaccari, então presidente do Sindicato dos Bancários e indicado como o responsável pelo recolhimento da caixinha de campanha de Lula. Em entrevista a VEJA, Roberto não repetiu a afirmação categoricamente, mas disse estar convicto de que isso ocorria e relatou como, mesmo depois da eleição de Lula, entre 2003 e 2004, quantias semanais de dinheiro continuaram saindo de uma agência Bradesco do Viaduto do Chá, centro de São Paulo, supostamente para o Sindicato dos Bancários, então presidido por Vaccari. "A gente ia no banco e buscava pacotes, duas pessoas escoltando uma terceira." Os pacotes, afirmou, eram entregues à secretária de Luiz Malheiro, que os entregava ao chefe. "Quando essas operações aconteciam, com certeza, em algum horário daquele dia, o Malheiro ia até o Sindicato dos Bancários. Ou, então, se encontrava com o Vaccari em algum lugar."
Os depoimentos colhidos pelo MP indicam que o esquema de desvio de dinheiro da Bancoop obedeceu a uma trajetória que já se tornou um clássico petista. Começou para abastecer campanhas eleitorais do partido e acabou servindo para atender a interesses particulares de petistas. Entre os cheques em poder do MP, por exemplo, está um em que a empresa Mizu, de "consultoria contábil", doa 7 000 reais a um certo Centro Espírita Redenção, em 2003. Muitas vezes, dirigentes da Bancoop nem se preocuparam em usar as empresas "prestadoras de serviços" que montaram com o objetivo de sugar a coo-perativa para esconder sua ganância. O MP encontrou quatro cheques da Bancoop, totalizando 35 000 reais, para uma ONG de Luiz Malheiro em São Vicente dedicada a deficientes auditivos – curiosamente, o mesmo endereço do centro espírita. Os cheques foram emitidos entre novembro de 2003 e março de 2005.
Tanta lambança, aliada a uma gestão ruinosa, fez com que a Bancoop mergulhasse num estado de pré-liquidação. Em 2004, com Lula já eleito, Luiz Malheiro foi pedir ao "chefe" Berzoini, então ministro do Trabalho, "ajuda" para reerguer a cooperativa. Quem relatou o episódio ao MP foi seu irmão, Hélio Malheiro. Em 2008, dizendo-se sob ameaça de morte, Hélio Malheiro ingressou no Programa de Proteção à Testemunhas da secretaria estadual de justiça de São Paulo, no qual se encontra até hoje. Em dezembro de 2004, depois que Luiz Malheiro já havia morrido, a "ajuda" chegou à Bancoop. Com apoio de Berzoini e corretagem da Planner (investigada pela CPI dos Correios sob a acusação de ter causado um prejuízo de 4 milhões de reais ao fundo de pensão da Serpro), a cooperativa associou-se a um Fundo de Investimentos em Direito Creditórios (FIDC), entidade que negocia recebíveis, e captou 43 milhões de reais no mercado – 85% dos papéis foram adquiridos por fundos de pensão de estatais controlados por petistas ligados ao grupo de Berzoini e Vaccari. O investimento resultou na abertura de um inquérito pela Polícia Federal por suspeita de que os fundos de pensão teriam sido prejudicados para favorecer a Bancoop.
O PROMOTOR BLAT
"A Bancoop virou organização criminosa"
João Vaccari Neto é do tipo que se orgulha de ser chamado de "um petista histórico", o que, no jargão do partido, significa, entre outras coisas, que ganhou boa parte da vida dirigindo entidades de classe e do partido. Aos 19 anos, começou a trabalhar como escriturário do Banespa. Ficou lá apenas dois anos. Depois disso, entrou no sindicato de sua categoria e nunca mais pegou no pesado. Participou de três diretorias da Central Única dos Trabalhadores (CUT), foi secretário de relações internacionais da entidade e presidiu o Dieese. Atuou sempre como braço de apoio de Berzoini, a quem sucedeu na presidência do Sindicato dos Bancários de São Paulo em 1998. Apesar de não ter a projeção política do amigo, Vaccari conquistou a amizade de Lula, coisa que Berzoini jamais conseguiu obter. Vaccari, como mostra agora a investigação do MP, tem mais em comum com seu antecessor, Delúbio Soares, do que a barba grisalha. E, como Freud Godoy, está mergulhado até os últimos e ralos fios de cabelo no escândalo dos aloprados (veja o quadro abaixo).
Há duas semanas, um juiz de primeira instância contrariou de-cisão do Tribunal Superior Eleitoral e determinou a cassação do prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab, por suposto recebimento ilegal de doação de campanha. A sentença, que colocou em risco a segurança jurídica, foi suspensa. Na semana passada, o TSE divulgou as regras que vão orientar as eleições deste ano. São medidas moralizadoras, que incluem a obrigatoriedade da divulgação de quaisquer processos ou acusações criminais que pesem sobre o candidato e que dificultam manobras de doadores que tenham por finalidade esconder a origem do dinheiro. Tudo isso mostra quanto o país está interessado em aprimorar seu sistema de financiamento eleitoral e proteger-se dos efeitos tão deletérios como conhecidos que sua distorção pode causar. Ao indicar pessoalmente alguém com o prontuário de João Vaccari para tomar conta das finanças do PT e da campanha eleitoral de Dilma Rousseff, o presidente Lula sinaliza que, ao contrário do resto do Brasil, não está nem um pouco empenhado em colaborar na faxina.
Uma pergunta que continua no ar
Quem deu o dinheiro para o dossiê dos aloprados? Entre os envolvidos, Vaccari era o único sentado numa montanha de reais
A TROCO DE QUÊ?
Lacerda (à dir.) ligou para Vaccari uma hora depois de entregar o dinheiro que pagaria o dossiê
João Vaccari Neto e Freud Godoy, envolvidos agora no esquema Bancoop, já atuaram juntos em passado recente. Pelo menos é o que sugere o registro dos telefonemas trocados pela dupla às vésperas do estouro do escândalo dos "aloprados" – como ficaram conhecidos os petistas apontados pela Polícia Federal como integrantes da quadrilha que tentou comprar um dossiê supostamente comprometedor para tucanos durante a campanha presidencial de 2006. No caso de Vaccari, então presidente da Bancoop, os vestígios de participação no caso guardam cheiro de tinta fresca. Foi para ele que Hamilton Lacerda – na ocasião coordenador de comunicação da campanha do senador Aloizio Mercadante – telefonou uma hora antes de fazer a entrega de parte do 1,7 milhão de reais que seria usado para comprar o dossiê.
O episódio teve início quando a família de Luiz Antônio Vedoin, chefe da máfia dos sanguessugas, ofereceu a petistas documentos que supostamente comprometeriam tucanos. Deles, faria parte uma entrevista em que os Vedoin acusariam o candidato do PSDB, José Serra, de envolvimento na máfia que distribuía dinheiro a políticos em troca de emendas ao Orçamento para compras de ambulância. Ricardo Berzoini, então presidente do PT, foi acusado de ter dado a autorização para a compra do dossiê. Valdebran Padilha da Silva, filiado ao PT do Mato Grosso, e Gedimar Pereira Passos, advogado e ex-policial federal, seriam os encarregados de pagar os Vedoin com o dinheiro levado por Hamilton Lacerda. Valdebran e Gedimar foram presos pela PF num hotel Íbis, em São Paulo, depois de terem recebido o dinheiro de Lacerda e antes de entregá-lo aos Vedoin. Jorge Lorenzetti, churrasqueiro do presidente Lula, e Oswaldo Bargas, ex-secretário de Berzoini no Ministério do Trabalho, também estiveram envolvidos no episódio. Eles tentaram negociar com a revista Época uma entrevista em que os Vedoin fariam falsas acusações de corrupção contra Serra. A entrevista acabou sendo publicada pela revista Istoé.
Nas investigações que se seguiram à prisão de Valdebran e Gedimar, a PF identificou uma intensa troca de telefonemas entre os envolvidos, incluindo diversas ligações de Berzoini para a empresa Caso Sistemas de Segurança, hoje em nome da mulher de Freud Godoy. Godoy seria o contato de Gedimar no alto escalão do PT. Quanto a Vaccari, bem, até onde se sabe, era o único dos aloprados que estava sentado sobre uma montanha de dinheiro, a Bancoop. O fato de Hamilton Lacerda ter ligado para ele logo depois de ter cumprido a sua missão faz fervilhar a imaginação dos que até hoje se perguntam: de onde, afinal, veio o dinheiro dos aloprados?
ALOPRANDO
Lorenzetti (à dir.) e Gedimar (À ESQ.): a trapalhada terminou
em prisão. Mas agora eles estão livres, leves e soltos
O PAVOR DO DESPEJO
Manoel Marques
"O sindicato sempre foi um defensor da minha classe. Por isso, na hora de fazer um financiamento com eles, não tive dúvidas. Comecei a pagar um apartamento de 45 000 reais em 1997. Suei para honrar as prestações. Vendia coxinha e bolo para complementar a renda. Esse imóvel representava muito para a minha família. Onde morávamos, meus filhos dormiam na sala. Em 2000, quitei o apartamento e nós nos mudamos. Seis anos depois, porém, passei a receber boletos com o valor de 470 reais. Eles diziam que precisavam cobrir gastos excedentes. Até pagaria, se pudesse. Mas a minha renda era de 600 reais. Em 2008, a Bancoop entrou com uma ação de despejo contra mim. Ela não foi concluída, mas, desde então, vivo o pesadelo de eles tirarem o meu único bem material. Durmo sob o efeito de calmantes."
Maria de Fátima Bonfim,
de 55 anos, bancária aposentada
CALOTE DUPLO
Roberto Setton
"Conheci a Bancoop em 2004, quando vi uma placa de propaganda em frente a um terreno vazio. Eles iriam construir um imóvel perto da minha casa. Achei a oportunidade ótima: o preço era bom e a instituição tinha credibilidade. Demos nossa economia de 10 000 reais de entrada e passamos a pagar as prestações. Alguns meses depois, porém, desconfiei do empreendimento. Eu passava em frente ao terreno e não via nenhum pedreiro lá. Diziam sempre que a construção estava para começar. Não acreditei e consegui transferir o dinheiro que havia investido para outro imóvel deles. Dessa vez escolhi um local cuja construção já estava pela metade. Como fui inocente... Esse imóvel também nunca foi concluído. Empatamos 80 000 reais nessa história. Não confio mais nas instituições."
A advogada Tânia de Oliveira, de 42 anos, com o marido, Heleno, e a filha Helena
SEM FORÇAS
Alexandre Schneider
"Aos 43 anos, decidi dar um grande passo: comprar meu primeiro imóvel. Usei os 20 000 reais que havia juntado e entrei no financiamento de um apartamento de 60 000 reais. As prestações eram metade do meu salário. Um dia, recebi uma cobrança extra de 1 800 reais. Seria a primeira de muitas. Tive de tirar um empréstimo bancário. Em dois anos, estava endividado, mas havia quitado meu imóvel. Sentia-me orgulhoso – jamais atrasei uma parcela. Mas em 2005, enquanto esperava o sorteio das chaves, soube que a Bancoop não estava honrando seus compromissos com muitos cooperados. Eu era um deles. Meu imóvel nunca saiu do chão. No início, briguei, participei de protestos vestido de palhaço. Há dois anos, recebi o diagnóstico de câncer de pulmão, o que me deixou sem forças para lutar. Perdi as esperanças."
Oscar Costa, 52 anos, bancário aposentado
Com reportagem de Adriana Dias Lopes, Vinícius Segalla, Kalleo Coura, André Eler e Marina Yamaoka
quinta-feira, 4 de março de 2010
José Sarney de volta à presidência??
Míriam Leitão
José Sarney de novo na presidência e pelas mãos de Lula! Você já tinha pensado nisso? Como até recentemente Sarney estava no fogo cruzado pelas denúncias de favorecimento de amigos, parentes e atos secretos no Senado, a sua volta ao poder máximo da República dará aos brasileiros mais do que o amargo gosto do passado remoto de volta. Sarney saiu do país com a economia em hiperinflação e sua popularidade era táo baixa que nem conseguiu ter candidato governista. Todo mundo era oposição ao governo dele.Inclusive Lula, é claro.
Pela notícia divulgada hoje, o presidente Lula da Silva pode se licenciar por dois meses para fazer propaganda eleitoral para Dilma Roussef. Como o presidente da Câmara, Michel Temer, será candidato e como o vice presidente José Alencar talvez seja também candidato ao Senado, o próximo da lista sucessória seria o presidente do Senado, José Sarney,.
É uma ironia da história, é um gosto desagradável de entrar no túnel do tempo na direção do passado, mas é sinal também de que a candidata Dilma Roussef do PT precisa ser carregada nos palanques pelo presidente Lula. O presidente Lula acha que elegendo a sucessora poderá dizer que seu governo foi mesmo bem avaliado. Então ele tem feito tudo para atingir esse objetivo, inclusive fazendo campanha muito tempo antes do horário previsto em lei por aquele "calendário cívico", como diz Henrique Meirelles. Mas mesmo isso Lula acha insuficiente para garantir a vitória da sua candidata e quer tempo para se dedicar integralmente à tarefa.
O efeito colateral é ter Sarney de volta ao governo, num mandato petista. Por essa, nem os petistas esperavam. Isso sim é que é um marimbondo de fogo.
José Sarney de novo na presidência e pelas mãos de Lula! Você já tinha pensado nisso? Como até recentemente Sarney estava no fogo cruzado pelas denúncias de favorecimento de amigos, parentes e atos secretos no Senado, a sua volta ao poder máximo da República dará aos brasileiros mais do que o amargo gosto do passado remoto de volta. Sarney saiu do país com a economia em hiperinflação e sua popularidade era táo baixa que nem conseguiu ter candidato governista. Todo mundo era oposição ao governo dele.Inclusive Lula, é claro.
Pela notícia divulgada hoje, o presidente Lula da Silva pode se licenciar por dois meses para fazer propaganda eleitoral para Dilma Roussef. Como o presidente da Câmara, Michel Temer, será candidato e como o vice presidente José Alencar talvez seja também candidato ao Senado, o próximo da lista sucessória seria o presidente do Senado, José Sarney,.
É uma ironia da história, é um gosto desagradável de entrar no túnel do tempo na direção do passado, mas é sinal também de que a candidata Dilma Roussef do PT precisa ser carregada nos palanques pelo presidente Lula. O presidente Lula acha que elegendo a sucessora poderá dizer que seu governo foi mesmo bem avaliado. Então ele tem feito tudo para atingir esse objetivo, inclusive fazendo campanha muito tempo antes do horário previsto em lei por aquele "calendário cívico", como diz Henrique Meirelles. Mas mesmo isso Lula acha insuficiente para garantir a vitória da sua candidata e quer tempo para se dedicar integralmente à tarefa.
O efeito colateral é ter Sarney de volta ao governo, num mandato petista. Por essa, nem os petistas esperavam. Isso sim é que é um marimbondo de fogo.
terça-feira, 2 de março de 2010
Cesta de Música na CBN
Ontem, a CBN apresentou um dos melhores programas de entretenimento.
O Cesta de Música, apresentado por Fabíola Cidral, completou 1 ano e trouxe o melhor de Dominguinhos, Mallu Magalhães e Ná Ozzetti.
Aconteceu no Bourbon Street, no bairro de Moema em São Paulo. Foi emocionante!!!
O áudio está disponível aqui.
O Cesta de Música, apresentado por Fabíola Cidral, completou 1 ano e trouxe o melhor de Dominguinhos, Mallu Magalhães e Ná Ozzetti.
Aconteceu no Bourbon Street, no bairro de Moema em São Paulo. Foi emocionante!!!
O áudio está disponível aqui.
Expectativas no Turismo
Valor Online
SÃO PAULO - Os empresários ligados ao setor de turismo esperam um crescimento de 14,6% no faturamento este ano, de acordo com dados da 6ª Pesquisa Anual de Conjuntura Econômica do Turismo (Pacet), divulgada hoje pela Fundação Getulio Vargas (FGV) em conjunto com o Ministério do Turismo.
" A pesquisa mostra o bom momento da imagem do Brasil, que é assentada no enfrentamento da crise econômica, nos fundamentos da economia e no crédito. Isso é que faz com que o turismo pegue uma carona neste otimismo da economia " , frisou o ministro do Turismo, Luiz Barreto. " Junta-se a isso a perspectiva com a Copa do Mundo e a Olimpíada " , acrescentou.
Em relação aos postos de trabalho, a expectativa é de uma expansão de 4,9%, com destaque para as perspectivas para o turismo receptivo e os meios de hospedagem, com previsão de crescimento de 11% e 7,8%, respectivamente, no volume de trabalhadores.
Barreto ressaltou que os dados colhidos em janeiro justificam o otimismo do setor. Os desembarques de voos domésticos cresceram 22%, na comparação com janeiro de 2009, para 5,6 milhões, novo recorde, enquanto os desembarques de voos internacionais também bateram recorde, com 735 mil passageiros, 12% acima de janeiro do ano passado.
" As passagens mais baratas, devido à maior concorrência entre as empresas, contribui para o crescimento. Mas essa concorrência deve levar a uma rentabilidade menor. No ano passado, por exemplo, as passagens ficaram 27% abaixo de 2008 " , ponderou Barreto.
Em relação aos dados de 2009, o faturamento cresceu para 26% das empresas consultadas, para 49%, houve estabilidade, e para 25% aconteceu redução do faturamento. O ministério considerou o resultado satisfatório, uma vez que o ano passado sofreu a influência negativa da crise econômica global.
A pesquisa foi realizada pela FGV com as 80 principais empresas de turismo do país, de nove segmentos diferentes, que faturam conjuntamente R$ 35 bilhões por ano e empregam cerca de 85 mil pessoas.
SÃO PAULO - Os empresários ligados ao setor de turismo esperam um crescimento de 14,6% no faturamento este ano, de acordo com dados da 6ª Pesquisa Anual de Conjuntura Econômica do Turismo (Pacet), divulgada hoje pela Fundação Getulio Vargas (FGV) em conjunto com o Ministério do Turismo.
" A pesquisa mostra o bom momento da imagem do Brasil, que é assentada no enfrentamento da crise econômica, nos fundamentos da economia e no crédito. Isso é que faz com que o turismo pegue uma carona neste otimismo da economia " , frisou o ministro do Turismo, Luiz Barreto. " Junta-se a isso a perspectiva com a Copa do Mundo e a Olimpíada " , acrescentou.
Em relação aos postos de trabalho, a expectativa é de uma expansão de 4,9%, com destaque para as perspectivas para o turismo receptivo e os meios de hospedagem, com previsão de crescimento de 11% e 7,8%, respectivamente, no volume de trabalhadores.
Barreto ressaltou que os dados colhidos em janeiro justificam o otimismo do setor. Os desembarques de voos domésticos cresceram 22%, na comparação com janeiro de 2009, para 5,6 milhões, novo recorde, enquanto os desembarques de voos internacionais também bateram recorde, com 735 mil passageiros, 12% acima de janeiro do ano passado.
" As passagens mais baratas, devido à maior concorrência entre as empresas, contribui para o crescimento. Mas essa concorrência deve levar a uma rentabilidade menor. No ano passado, por exemplo, as passagens ficaram 27% abaixo de 2008 " , ponderou Barreto.
Em relação aos dados de 2009, o faturamento cresceu para 26% das empresas consultadas, para 49%, houve estabilidade, e para 25% aconteceu redução do faturamento. O ministério considerou o resultado satisfatório, uma vez que o ano passado sofreu a influência negativa da crise econômica global.
A pesquisa foi realizada pela FGV com as 80 principais empresas de turismo do país, de nove segmentos diferentes, que faturam conjuntamente R$ 35 bilhões por ano e empregam cerca de 85 mil pessoas.
sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010
Marina Silva no CBN Rio
Na manhã de hoje, às 10h04min, a senadora Marina Silva (PV) deu uma entrevista ao CBN Rio.
Ela defendeu o pacto pela liberdade e criticou a postura do Brasil à Venezuela e Cuba.
Ouça a íntegra da entrevista aqui.
Do Jornal O Globo
A senadora Marina Silva, pré-candidata do PV à sucessão presidencial a falta de diálogo entre o PT e o PSDB, o que teria levado, segundo ela, os dois partidos a ficarem "reféns do PMDB e do DEM", respectivamente.
- Cada um que ganhou a eleição, seja um sociólogo ou um operário, ficou refém das maiorias que, na sua totalidade, tem pessoas muito boas, mas existe um grupo fisiológico que acaba tisnando (maculando) todo o esforço desses partidos - disse ela, durante a entrevista à âncora Lucia Hippolito.
- Agora, não conversando, o presidente Fernando Henrique ficou refém dos Democratas, e o presidente Lula ficou refém do PMDB e não qualificou sua base de sustentação na sua totalidade. O que eu proponho é que, conquistada a democracia, oito anos de conquistas importantes na área econômica e social, é o momento de termos maturidade política, avançarmos rumo a um Brasil mais amadurecido em termos políticos - completou.
A senadora também falou de sua adversária na disputa, a ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, pré-candidata do PT. Ela lembrou as divergências com a Casa Civil quando ocupava a pasta do Meio Ambiente, e disse que não se vê como "vitima nos embates".
- Não sou inimiga da Dilma, do Serra, do Ciro. Aliás, eu convivi durante cinco anos, cinco meses e 14 dias com a ministra Dilma Rousseff como colegas de trabalho e em algumas coisa divergíamos claramente. c. Ela tinha as posições dela, eu tinha as minhas e quem decidia era o presidente Lula - afirmou ela, lembrando a saída do governo, em 2008: - Quando eu vi que as coisas não estavam sendo propícias à minha opinião, eu pedi para sair do governo. Acho que sai de cabeça erguida, então quero ir para o debate.
A senadora defendeu ainda uma prática política "sem a lógica do enfrentamento". Ela defendeu a discussão de de propostas e condenou o "ódio na política".
- O governador Serra foi meu colega no Senado - lembrou Marina. - Ele, inclusive, me ajudou em vários projetos importantes. Temos visões diferentes de mundo? Obviamente que temos, mas isso não significa que tenhamos que nos tratar como se fôssemos inimigos.
Marina acrescentou que pretende reconhecer os avanços dos governos anteriores, do PSDB e do PT:
- A minha cultura política vai ser de reconhecer as conquistas do presidente Lula, que ajudei em algumas delas ainda que modestamente, as conquistas do presidente Fernando Henrique e mostrar que existem erros que precisam ser corrigidos. É um dever de casa a ser aprofundado, que faz parte dos novos desafios.
Durante a entrevista, Marina teceu ainda críticas aos partidos políticos em geral, que classificou como "máquinas de ganhar eleição". A senadora reconheceu que sua campanha não terá tantos recursos quanto a dos adversários e defendeu uma captação de verba aos moldes do que fez o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama.
- Queremos fazer uma inversão no processo da realidade brasileira. Queremos fazer um processo semelhante ao que fez o presidente Obama, que seja muitos contribuindo com pouco, em que o cidadão se sinta responsável pela campanha, pelo processo e não uma meia dúzia que, às vezes, acaba querendo se tornar dono do próprio processo político e da gestão pública - destacou.
A senadora, que levanta a bandeira do Meio Ambiente, voltou a negar que que o carro-chefe de sua campanha seja um "samba de uma nota só".
- Eu tenho dito que o meu esforço é o de mostrar para as pessoas de que o meio ambiente é longe de ser um samba de uma nota só. O que se precisa de fato é constituir uma sinfonia em que todos possam fazer parte desta orquestra e vai mudar a forma de produzir, de consumir, a forma do homem se relacionar com a natureza e consigo mesmo. (...) Só os que não entendem da agenda acham que isso é um samba de uma nota só - destacou.
Questionada sobre quem será o vice em sua chapa, a senadora disse que a decisão está nas mãos do partido. Mas deu a entender que torce pela escolha do presidente da Natura, Guilherme Leal.
- Obviamente, para governar, não deve governar apenas com os seus, mas com todos. Para governar com todos, o PV busca com alguém do grupo empresarial, que possa ter uma inserção política voltada para o desafio que sempre tivemos, que é o do desenvolvimento sustentável - afirmou.
Marina Silva, que professa a fé evangélica, também falou na entrevista sobre aborto, casamento gay e descriminalização da maconha. Sobre a interrupção da gravidez, a senadora disse não concordar com a redução do debate a questão pessoal, de "ser contra" ou "ser a favor".
- Eu gostei muito de uma coisa que o Gabeira me disse: num debate difícil como esse, antes de colocar o foco nas divergências, vamos tentar centrar na convergência - disse ela. - Existe um debate que ainda não foi feito na sua profundidade. Com isso, todos concordamos. Segundo convergência: de que ainda não temos todas as informações necessárias para um processo de tomada de decisão, ainda que já tenhamos uma série de elementos e argumentos que mostram que é dramática a situação das mulheres, principalmente daquelas que são pobres, que, no desespero, procuram meios que arriscam suas vidas e que ainda correm o risco de um processo penal pela criminalização.
A ministra defendeu ainda que o debate não se restrinja ao Congresso:
- O que é o grande debate no meu entendimento? É sairmos da esfera da esfera puramente do Congresso e fazermos aquilo que eu chamo de um plebiscito para que se possa discutir com profundidade.
Ela disse que no caso da descriminalização da maconha, a situação é parecida, havendo também falta de informação.
- As pessoas que advogam a posição da descriminalização são sérias, não estão fazendo um discurso de apologia das drogas e eu sou muito cuidadosa em relação a isso. (...) Se esse debate for dicotomizado entre apenas quem é contra e a favor, nós não vamos encontrar a solução porque continuar como está não é a solução, descriminalizar sem o acolhimento, o atendimento e o tratamento também não é a solução. Vamos buscar os meios conjuntamente, essa é a minha posição.
Marina também acredita que as posições pessoais não devem se sobrepor às de Estado no caso do casamento gay.
- As pessoas não podem confundir sua posição como indivíduo, porque se alguém me pergunta minha posição de fé, eu vou dizer, mas no contexto da realidade do Estado, ninguém vai discriminar a pessoa por ser ou não homossexual. Ela é uma portadora de direitos. Eu pessoalmente tenho minha posição, mas ela não se reflete numa posição do Estado. O Estado é laico e aí tem a posição de cada sujeito e como ele se põe diante de um debate complexo como esse.
Ela defendeu o pacto pela liberdade e criticou a postura do Brasil à Venezuela e Cuba.
Ouça a íntegra da entrevista aqui.
Do Jornal O Globo
A senadora Marina Silva, pré-candidata do PV à sucessão presidencial a falta de diálogo entre o PT e o PSDB, o que teria levado, segundo ela, os dois partidos a ficarem "reféns do PMDB e do DEM", respectivamente.
- Cada um que ganhou a eleição, seja um sociólogo ou um operário, ficou refém das maiorias que, na sua totalidade, tem pessoas muito boas, mas existe um grupo fisiológico que acaba tisnando (maculando) todo o esforço desses partidos - disse ela, durante a entrevista à âncora Lucia Hippolito.
- Agora, não conversando, o presidente Fernando Henrique ficou refém dos Democratas, e o presidente Lula ficou refém do PMDB e não qualificou sua base de sustentação na sua totalidade. O que eu proponho é que, conquistada a democracia, oito anos de conquistas importantes na área econômica e social, é o momento de termos maturidade política, avançarmos rumo a um Brasil mais amadurecido em termos políticos - completou.
A senadora também falou de sua adversária na disputa, a ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, pré-candidata do PT. Ela lembrou as divergências com a Casa Civil quando ocupava a pasta do Meio Ambiente, e disse que não se vê como "vitima nos embates".
- Não sou inimiga da Dilma, do Serra, do Ciro. Aliás, eu convivi durante cinco anos, cinco meses e 14 dias com a ministra Dilma Rousseff como colegas de trabalho e em algumas coisa divergíamos claramente. c. Ela tinha as posições dela, eu tinha as minhas e quem decidia era o presidente Lula - afirmou ela, lembrando a saída do governo, em 2008: - Quando eu vi que as coisas não estavam sendo propícias à minha opinião, eu pedi para sair do governo. Acho que sai de cabeça erguida, então quero ir para o debate.
A senadora defendeu ainda uma prática política "sem a lógica do enfrentamento". Ela defendeu a discussão de de propostas e condenou o "ódio na política".
- O governador Serra foi meu colega no Senado - lembrou Marina. - Ele, inclusive, me ajudou em vários projetos importantes. Temos visões diferentes de mundo? Obviamente que temos, mas isso não significa que tenhamos que nos tratar como se fôssemos inimigos.
Marina acrescentou que pretende reconhecer os avanços dos governos anteriores, do PSDB e do PT:
- A minha cultura política vai ser de reconhecer as conquistas do presidente Lula, que ajudei em algumas delas ainda que modestamente, as conquistas do presidente Fernando Henrique e mostrar que existem erros que precisam ser corrigidos. É um dever de casa a ser aprofundado, que faz parte dos novos desafios.
Durante a entrevista, Marina teceu ainda críticas aos partidos políticos em geral, que classificou como "máquinas de ganhar eleição". A senadora reconheceu que sua campanha não terá tantos recursos quanto a dos adversários e defendeu uma captação de verba aos moldes do que fez o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama.
- Queremos fazer uma inversão no processo da realidade brasileira. Queremos fazer um processo semelhante ao que fez o presidente Obama, que seja muitos contribuindo com pouco, em que o cidadão se sinta responsável pela campanha, pelo processo e não uma meia dúzia que, às vezes, acaba querendo se tornar dono do próprio processo político e da gestão pública - destacou.
A senadora, que levanta a bandeira do Meio Ambiente, voltou a negar que que o carro-chefe de sua campanha seja um "samba de uma nota só".
- Eu tenho dito que o meu esforço é o de mostrar para as pessoas de que o meio ambiente é longe de ser um samba de uma nota só. O que se precisa de fato é constituir uma sinfonia em que todos possam fazer parte desta orquestra e vai mudar a forma de produzir, de consumir, a forma do homem se relacionar com a natureza e consigo mesmo. (...) Só os que não entendem da agenda acham que isso é um samba de uma nota só - destacou.
Questionada sobre quem será o vice em sua chapa, a senadora disse que a decisão está nas mãos do partido. Mas deu a entender que torce pela escolha do presidente da Natura, Guilherme Leal.
- Obviamente, para governar, não deve governar apenas com os seus, mas com todos. Para governar com todos, o PV busca com alguém do grupo empresarial, que possa ter uma inserção política voltada para o desafio que sempre tivemos, que é o do desenvolvimento sustentável - afirmou.
Marina Silva, que professa a fé evangélica, também falou na entrevista sobre aborto, casamento gay e descriminalização da maconha. Sobre a interrupção da gravidez, a senadora disse não concordar com a redução do debate a questão pessoal, de "ser contra" ou "ser a favor".
- Eu gostei muito de uma coisa que o Gabeira me disse: num debate difícil como esse, antes de colocar o foco nas divergências, vamos tentar centrar na convergência - disse ela. - Existe um debate que ainda não foi feito na sua profundidade. Com isso, todos concordamos. Segundo convergência: de que ainda não temos todas as informações necessárias para um processo de tomada de decisão, ainda que já tenhamos uma série de elementos e argumentos que mostram que é dramática a situação das mulheres, principalmente daquelas que são pobres, que, no desespero, procuram meios que arriscam suas vidas e que ainda correm o risco de um processo penal pela criminalização.
A ministra defendeu ainda que o debate não se restrinja ao Congresso:
- O que é o grande debate no meu entendimento? É sairmos da esfera da esfera puramente do Congresso e fazermos aquilo que eu chamo de um plebiscito para que se possa discutir com profundidade.
Ela disse que no caso da descriminalização da maconha, a situação é parecida, havendo também falta de informação.
- As pessoas que advogam a posição da descriminalização são sérias, não estão fazendo um discurso de apologia das drogas e eu sou muito cuidadosa em relação a isso. (...) Se esse debate for dicotomizado entre apenas quem é contra e a favor, nós não vamos encontrar a solução porque continuar como está não é a solução, descriminalizar sem o acolhimento, o atendimento e o tratamento também não é a solução. Vamos buscar os meios conjuntamente, essa é a minha posição.
Marina também acredita que as posições pessoais não devem se sobrepor às de Estado no caso do casamento gay.
- As pessoas não podem confundir sua posição como indivíduo, porque se alguém me pergunta minha posição de fé, eu vou dizer, mas no contexto da realidade do Estado, ninguém vai discriminar a pessoa por ser ou não homossexual. Ela é uma portadora de direitos. Eu pessoalmente tenho minha posição, mas ela não se reflete numa posição do Estado. O Estado é laico e aí tem a posição de cada sujeito e como ele se põe diante de um debate complexo como esse.
quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010
Esquecer!
E a principal notícia de hoje vem de Brasília. O governador afastado José Roberto Arruda assinará um termo de comprometimento em que constará que ele não voltará mais ao cargo se ganhar liberdade do STF.
O problema está no pedido de afastamento no termo "por tempo indeterminado", ou seja, ele poderá voltar a qualquer hora, afinal era "por tempo indeterminado".
É colocar uma cortina de fumaça diante de tudo isso! É querer que a população esqueça o episódio.
O problema está no pedido de afastamento no termo "por tempo indeterminado", ou seja, ele poderá voltar a qualquer hora, afinal era "por tempo indeterminado".
É colocar uma cortina de fumaça diante de tudo isso! É querer que a população esqueça o episódio.
terça-feira, 23 de fevereiro de 2010
É preciso discutir com a população
Greve desta classe trabalhadora em São José de Mipibu, não é de hoje.
Agora, é preciso entender como as coisas acontecem para se utilizarem desse instrumento.
A educação mipibuense está em colapso mais uma vez, porém ela nunca esteve estável. Sempre apresentou deficiências.
Evidentemente, é preciso analisar algumas variáveis relevantes para compreender o problema.
De ambos os lados temos erros. De um lado, uma administração pública ineficiente, na pessoa da prefeita Norma Ferreira que não possue experiência e apesar de ser prefeita a seis anos, ainda não quis aprender como lidar com a educação do município. Do outro, educadores que apesar de ter uma carga horária puxada, dividir o tempo entre duas ou mais escolas, alguns deles só comparecem no dia do pagamento para assinar o contra-cheque e dar uma migalha para seu substituto que a diretoria das escolas e a Secretaria de Educação faz vista grossa. É uma situação que precisa ser investigada.
Outro problema que é visível é de que alguns docentes utilizam metologias diferentes para escolas diferentes e de municípios diferentes, isto é, professores ensinam conteúdos de nível de aprendizagem mais elevado em uma escola e muda sua metologia, enfraquecendo o nível de aprendizagem, em outra institução. O que é errado. A educação apresenta um investimento pelo TCU plausível, mas o que acontece cai de novo no colo da administradora do município: não sabe aplicar com inteligência os recursos providos.
Mas devido a esse problema, a educação do município em todos os níveis é cada vez mais catastrófica, fraca, mal educada, falha.
Entendo perfeitamente que o Projeto de Lei que os educadores estão contestando para ser aprovado o mais rápido possível é, de fato, importante para eles, mas acaba beneficiando a todos aqueles que estão legalmente e ilegalmente no leque e na folha de pagamento de munícipio.
A proposta antes de ser analisada e, possivelmente, aprovada seria interessante que ela fosse discutida com a população.
Será que a população está satisfeita com a educação do município?
Será que os discentes estão preparados para serem aprovados para outras séries, mesmo com o déficit de intelectualidade que apresentam?
Será que os docentes estão preparandos para estarem atuando em sala de aula ou, para alguns, apenas se apresentarem no dia do pagamento?
É lamentável que esteja acontecendo isso no município de São José de Mipibu. É hora de pensar e nada melhor do que discutir isso com a população em geral.
Atualização em 23/02/2010: Ontem houve uma reunião na Câmara dos Vereadores e a decisão não foi muito querida pela categoria.
Os vereadores Clidenor, Crisóstomo e Jean Nerino votaram a favor do Projeto de Lei que beneficiava os educadores, mas os demais se manifestaram contra.
Os educadores se revoltaram dentro da tribuna e sairam às ruas em caminhada. A chapa esquentou!
Bem, o que a prefeita Norma Ferreira não sabe é que ela dependerá da categoria, pois precisará de apoio para seu candidato ao Senado, o deputado Robson Faria.
Agora, é preciso entender como as coisas acontecem para se utilizarem desse instrumento.
A educação mipibuense está em colapso mais uma vez, porém ela nunca esteve estável. Sempre apresentou deficiências.
Evidentemente, é preciso analisar algumas variáveis relevantes para compreender o problema.
De ambos os lados temos erros. De um lado, uma administração pública ineficiente, na pessoa da prefeita Norma Ferreira que não possue experiência e apesar de ser prefeita a seis anos, ainda não quis aprender como lidar com a educação do município. Do outro, educadores que apesar de ter uma carga horária puxada, dividir o tempo entre duas ou mais escolas, alguns deles só comparecem no dia do pagamento para assinar o contra-cheque e dar uma migalha para seu substituto que a diretoria das escolas e a Secretaria de Educação faz vista grossa. É uma situação que precisa ser investigada.
Outro problema que é visível é de que alguns docentes utilizam metologias diferentes para escolas diferentes e de municípios diferentes, isto é, professores ensinam conteúdos de nível de aprendizagem mais elevado em uma escola e muda sua metologia, enfraquecendo o nível de aprendizagem, em outra institução. O que é errado. A educação apresenta um investimento pelo TCU plausível, mas o que acontece cai de novo no colo da administradora do município: não sabe aplicar com inteligência os recursos providos.
Mas devido a esse problema, a educação do município em todos os níveis é cada vez mais catastrófica, fraca, mal educada, falha.
Entendo perfeitamente que o Projeto de Lei que os educadores estão contestando para ser aprovado o mais rápido possível é, de fato, importante para eles, mas acaba beneficiando a todos aqueles que estão legalmente e ilegalmente no leque e na folha de pagamento de munícipio.
A proposta antes de ser analisada e, possivelmente, aprovada seria interessante que ela fosse discutida com a população.
Será que a população está satisfeita com a educação do município?
Será que os discentes estão preparados para serem aprovados para outras séries, mesmo com o déficit de intelectualidade que apresentam?
Será que os docentes estão preparandos para estarem atuando em sala de aula ou, para alguns, apenas se apresentarem no dia do pagamento?
É lamentável que esteja acontecendo isso no município de São José de Mipibu. É hora de pensar e nada melhor do que discutir isso com a população em geral.
Atualização em 23/02/2010: Ontem houve uma reunião na Câmara dos Vereadores e a decisão não foi muito querida pela categoria.
Os vereadores Clidenor, Crisóstomo e Jean Nerino votaram a favor do Projeto de Lei que beneficiava os educadores, mas os demais se manifestaram contra.
Os educadores se revoltaram dentro da tribuna e sairam às ruas em caminhada. A chapa esquentou!
Bem, o que a prefeita Norma Ferreira não sabe é que ela dependerá da categoria, pois precisará de apoio para seu candidato ao Senado, o deputado Robson Faria.
domingo, 21 de fevereiro de 2010
Nada de novo no front petista
Lucia Hippolito
A grande novidade no Congresso do PT que marca os 30 anos de fundação do partido é que... não houve novidades.
Esperava-se que a militância comparecesse, animada. Pois compareceu, e em grande animação.
Sabia-se que, como sempre, a primeira-dama Marisa Letícia iria vestida de vermelho. Pois lá estava ela, ao lado do presidente Lula, também de camisa vermelha e de DIlma Rousseff, igualmente de vermelho.
Temia-se que o presidente Lula roubasse a festa, ofuscando a candidata que deveria ser aclamada. Pois Lula roubou a festa, discursando de improviso (é quando ele é melhor), levantando a massa. Empurrando a candidatura de Dilma.
Esperava-se que José Dirceu circulasse com desenvoltura pelo Congresso, nem de longe deixando transparecer sua condição de deputado cassado por corrupção e réu no STF como chefe da quadrilha do mensalão.
Pois foi o que aconteceu. O comissário circulou livre, leve e solto, se achando. Foi o mais aplaudido depois de Lula. Tudo dentro do script.
Temia-se que a candidata Dilma fizesse um discurso longo, maçante e enfadonho, que não despertaria o entusiasmo da militância petista.
Pois Dilma fez um discurso longo, maçante e enfadonho. Não levantou a militância, segundo relato de petistas de alto coturno ali presentes.
Temia-se que Dilma cometesse alguma gafe, do tipo confundir nomes de cidades, como fez em Minas. Não chegou a tanto, mas disse que "vamos continuar reaparelhando o Estado", em vez de "reconstruindo", como estava no discurso escrito para ela. Ato falho? Pode ser.
Esperava-se que alguns peemedebistas comparecessem, como a lembrar ao PT que, se quiser a aliança, o casamento tem que ser às claras, à vista de todos.
Pois lá estavam eles, liderados pelo deputado e candidato a vice Michel Temer, com ar ligeiramente perdido, feito cachorro que caiu do caminhão de mudança.
E assim se passou o Congresso do PT.
Novidade, novidade mesmo, só aquele casaco de lã boliviana que o presidente Lula usava por cima da camisa vermelha.
Convenhamos que, com aquele calor infernal, a gente transpirava só de olhar.
A grande novidade no Congresso do PT que marca os 30 anos de fundação do partido é que... não houve novidades.
Esperava-se que a militância comparecesse, animada. Pois compareceu, e em grande animação.
Sabia-se que, como sempre, a primeira-dama Marisa Letícia iria vestida de vermelho. Pois lá estava ela, ao lado do presidente Lula, também de camisa vermelha e de DIlma Rousseff, igualmente de vermelho.
Temia-se que o presidente Lula roubasse a festa, ofuscando a candidata que deveria ser aclamada. Pois Lula roubou a festa, discursando de improviso (é quando ele é melhor), levantando a massa. Empurrando a candidatura de Dilma.
Esperava-se que José Dirceu circulasse com desenvoltura pelo Congresso, nem de longe deixando transparecer sua condição de deputado cassado por corrupção e réu no STF como chefe da quadrilha do mensalão.
Pois foi o que aconteceu. O comissário circulou livre, leve e solto, se achando. Foi o mais aplaudido depois de Lula. Tudo dentro do script.
Temia-se que a candidata Dilma fizesse um discurso longo, maçante e enfadonho, que não despertaria o entusiasmo da militância petista.
Pois Dilma fez um discurso longo, maçante e enfadonho. Não levantou a militância, segundo relato de petistas de alto coturno ali presentes.
Temia-se que Dilma cometesse alguma gafe, do tipo confundir nomes de cidades, como fez em Minas. Não chegou a tanto, mas disse que "vamos continuar reaparelhando o Estado", em vez de "reconstruindo", como estava no discurso escrito para ela. Ato falho? Pode ser.
Esperava-se que alguns peemedebistas comparecessem, como a lembrar ao PT que, se quiser a aliança, o casamento tem que ser às claras, à vista de todos.
Pois lá estavam eles, liderados pelo deputado e candidato a vice Michel Temer, com ar ligeiramente perdido, feito cachorro que caiu do caminhão de mudança.
E assim se passou o Congresso do PT.
Novidade, novidade mesmo, só aquele casaco de lã boliviana que o presidente Lula usava por cima da camisa vermelha.
Convenhamos que, com aquele calor infernal, a gente transpirava só de olhar.
sábado, 20 de fevereiro de 2010
Íntegra do discurso de Dilma no Congresso do PT
"Queridas companheiras,
Queridos companheiros
Para quem teve a vida sempre marcada pelo sonho e pela esperança de mudar o Brasil, este é para mim um dia extraordinário.
Meu partido --o Partido dos Trabalhadores-- me confere a honrosa tarefa de dar continuidade à magnífica obra de um grande brasileiro.
A obra de um líder --meu líder-- de quem muito eu tenho orgulho: o presidente Lula, o Lula.
Jamais pensei que a vida me reservasse tamanho desafio. Mas me sinto absolutamente preparada para enfrentá-lo - com humildade, com serenidade e com confiança.
Neste momento, ouço a voz da minha Minas Gerais, terra de minha infância e de minha juventude. Dessa Minas que me deu o sentimento de que vale a pena lutar, sim, pela liberdade e contra a injustiça. Ouço os versos de Drummond:
"Teus ombros suportam o mundo/
E ele não pesa mais do que a mão de uma criança"
Até hoje eu sinto o peso suave da mão de minha filha, quando nasceu.
Que força naquele momento ela me deu. Quanta vida ela me transmitiu. Quanta fé na humanidade me passou.
Eram, naquela época, tempos difíceis.
Ferida no corpo e na alma, fui acolhida e adotada pelos gaúchos ---pelos gaúchos generosos, solidários, insubmissos, como são os gaúchos.
Naqueles anos de chumbo, onde a tirania parecia eterna, encontrei nos versos de outro poeta --Mário Quintana-- a força necessária para seguir em frente. Mário Quintana disse:
"Todos estes que aí estão/
Atravancando o meu caminho,/
Eles passarão.
Eu passarinho."
Eles passaram e nós hoje voamos livremente.
Voamos porque nascemos para ser livres.
Sem ódio, sem revanchismo e com serena convicção afirmo que nunca mais viveremos numa gaiola, numa jaula ou numa prisão.
Hoje estamos construindo um novo país na democracia. Um país que se reencontrou consigo mesmo. Onde todos, todos, mas todos mesmo, expressam livremente suas opiniões e suas idéias.
Mas um país que não tolera mais a injustiça social. Que descobriu que só será grande e forte se for de todos.
Vejo nesta manhã --já quase tarde-- nos jovens que nos acompanham e nos mais velhos que aqui estão --um extraordinário encontro de gerações. De gerações que, como a minha, levaram nosso compromisso do país e com o país às últimas conseqüências.
Amadureci. Amadurecemos nós todos.
Amadureci na vida. No estudo. No trabalho duro. Nas responsabilidades de governo no Rio Grande do Sul e, sobretudo, aqui no governo do Brasil.
Mas esse amadurecimento não se confunde com perda de convicções.
Não perdemos a indignação frente à desigualdade social, à privação de liberdade, às tentativas de submeter nosso país.
Não sucumbimos aos modismos ideológicos. Persistimos em nossas convicções, buscando, a partir delas, construir alternativas concretas e realistas.
Continuamos movidos a sonhos. Acreditando na força do povo brasileiro, em sua capacidade de construir um mundo melhor.
A história recente mostrou que estávamos certos.
Tivemos um grande mestre --o Presidente Lula nos ensinou o caminho.
Em um país, com a complexidade e as desigualdades do Brasil, ele foi capaz de nos conduzir pelo caminho de profundas transformações sociais em um clima de paz, de respeito e fortalecimento da democracia.
Não admitimos, portanto, que alguém queira nos dar lições de liberdade. Menos ainda aqueles que não tiveram e não têm compromisso com ela.
Companheiras, Companheiros
Recebo com humildade a missão que vocês estão me conferindo. Com humildade, mas com coragem e determinação. Coragem e determinação que vêm do apoio que recebo de meu partido e de seu primeiro militante mais ilustre --o Presidente Lula.
Do apoio que espero ter dos partidos aliados que, com lealdade e competência, também são responsáveis pelos êxitos do nosso Governo. Com eles quero continuar nossa caminhada. Participo de um governo de coalizão. Quero formar um Governo de coalizão.
Estou consciente da extraordinária força que conduziu Lula à Presidência e que deu a nosso Governo o maior respaldo da história de nosso país --a força do povo brasileiro. Esta é a força que nos conduziu até aqui e que nos mantém.
A missão que me confiam não é só de um partido ou de um grupo de partidos.
Recebo-a como um mandato dos trabalhadores e de seus sindicatos.
Dos movimentos sociais.
Dos que labutam em nossos campos.
Dos profissionais liberais.
Dos intelectuais.
Dos servidores públicos.
Dos empresários comprometidos com o desenvolvimento econômico e social do país.
Dos negros. Dos índios. Dos jovens.
De todos aqueles que sofrem ainda distintas formas de discriminação.
Enfim, das mulheres.
Para muitos, elas são "metade do céu". Mas queremos mesmo é metade da terra também. Com igualdade de direitos, salários e oportunidades.
E como disse o presidente Lula, não há limite para nós mulheres. É esse, inclusive, um dos preceitos da primeira vez nós termos uma candidata mulher.
Quero com vocês --mulheres do meu país-- abrir novos espaços na vida nacional.
É com este Brasil que quero caminhar. É com ele que vamos discutir e seguir, avançando com segurança, mas com a rapidez que nossa realidade social exige sistematicamente de nós.
Nessa caminhada encontraremos milhões de brasileiros que passaram a ter comida em suas mesas e hoje fazem três refeições por dia.
Milhões que mostrarão suas carteiras de trabalho, pois têm agora emprego e melhor renda.
Milhões de homens e mulheres com seus arados e tratores cultivando a terra que lhes pertence e de onde nunca mais serão expulsos.
Milhões que nos mostrarão suas casas dignas e os refrigeradores, fogões, televisores ou computadores que puderam comprar.
Outros milhões acenderão as luzes de suas modestas casas, onde reinava a escuridão ou predominavam os candeeiros. E estes milhões de pontos luminosos pelo Brasil afora serão como uma trilha incandescente que mostra um novo caminho.
Nessa caminhada, veremos milhões de jovens mostrando seus diplomas de universidades ou de escolas técnicas com a convicção de quem abriu uma porta para o futuro, para o seu futuro.
Milhões --mas muitos milhões mesmo-- expressarão seu orgulho de viver em um país livre, justo e, sobretudo, respeitado em todo o mundo.
Muitos me perguntam por que o Brasil avançou tanto nos últimos anos. Digo que foi porque soubemos construir novos caminhos, e ter a vontade política de um grande líder, como o presidente Lula com a sua vontade de fazer trilhar, derrubando velhos dogmas que funcionavam como barreiras nos caminhos do Brasil.
O primeiro caminho é o do crescimento com distribuição de renda - o verdadeiro desenvolvimento. Provamos que distribuindo renda é que se cresce. E se cresce de forma mais rápida e sustentável.
Essa distribuição de renda permitiu construir um grande mercado de bens de consumo de massa, de consumo popular. Ele nos protegeu dos efeitos da crise mundial. O nosso consumo, o consumo do povo brasileiro sustentou o país diante do medo que se abateu sobre o sistema financeiro internacional e privado nacional.
Criamos 12 milhões de empregos formais. A renda dos trabalhadores aumentou. O salário mínimo real cresceu como nunca. Expandimos o crédito para o conjunto da sociedade. Estamos construindo um Brasil para todos. Não o Brasil para uma minoria, como fizemos sistematicamente desde os tempos da escravidão.
O segundo caminho foi o do equilíbrio macro-econômico e da redução da vulnerabilidade externa.
Eliminamos as ameaças de volta da inflação. Reduzimos a dívida em relação ao Produto Interno Bruto.
Aumentamos nossas reservas de 38 bilhões de dólares para mais de 241 bilhões. Multiplicamos por três nosso comércio exterior, praticando uma política externa soberana, que buscou diversificar mercados.
Deixamos de ser devedores internacionais e passamos à condição de credores. Hoje não pedimos dinheiro emprestado ao FMI. É o Fundo que pede dinheiro a nós.
Grande ironia é essa: os mesmos 14 bilhões de dólares que foram sacados do empréstimo, que antes o FMI nos emprestava, agora somos nós que emprestamos ao FMI.
E isso faz a diferença no que se refere à nossa postura soberana.
O terceiro caminho foi o da redução das desigualdades regionais. Invertemos nos últimos anos o que parecia uma maldição insuperável. Quando o país crescia, concentrava riqueza nos estados e regiões mais prósperos. Quando estagnava, eram os estados e regiões mais pobres que pagavam a conta.
Governantes e setores das elites viam o Norte e o Nordeste como regiões irremediavelmente condenadas ao atraso.
A vastos setores da população não restavam outras alternativas que a de afundar na miséria ou migrar para o sul em busca de oportunidades. É o que explica o inchaço das nossas grandes cidades e das médias também.
Essa situação está mudando por decisão do governo do presidente Lula que focou nessas questões, num grande conjunto de sua política de desenvolvimento.
O Governo Federal começou um processo consistente de combate às desigualdades regionais. Passou a ter confiança na capacidade do povo das regiões mais pobres. O Norte e o Nordeste receberam investimentos públicos e privados. O crescimento dessas duas regiões passou a ser sensivelmente superior ao do Brasil como um todo no período da crise.
Nós vamos aprofundar esse caminho e esse compromisso de acabar com esse desequilíbrio. O Brasil não mais será visto como um trem em que uma única locomotiva puxa todos vagões, como nos tempos da "Maria Fumaça". O Brasil de hoje é como alguns dos modernos trens de alta velocidade, onde vários vagões são como locomotivas e contribuem para que o comboio avance, se desenvolva e cresça. Nós queremos 27 locomotivas puxando o trem do Brasil.
O quarto caminho que trilhamos e continuaremos a trilhar é o da reorganização do Estado.
Alguns ideólogos chegavam a dizer que quase tudo seria resolvido pelo mercado. O resultado foi desastroso para muitos países.
Aqui, no Brasil, o desastre só não foi maior --como em outros países-- porque os brasileiros resistiram a esse desmonte e conseguiram impedir a privatização parcial e integral da Petrobrás, do Banco do Brasil, da Caixa Econômica ou de FURNAS.
Alguns falam todos os dias de "inchaço da máquina estatal". Omitem, no entanto, que estamos contratando basicamente médicos e profissionais de saúde, professores e pessoal na área da educação, diplomatas, policiais federais e servidores para as áreas de segurança, controle e fiscalização.
Escondem, também, que a recomposição do corpo de servidores do Estado está se fazendo por meio de concursos públicos.
Vamos continuar valorizando o servidor e o serviço público. Reconstituindo o Estado. Recompondo sua capacidade de planejar, gerir e induzir o desenvolvimento do país.
É muito bom lembrar que diante da crise, quando o crédito secou, não sacrificamos os investimentos públicos e privados. Ao contrário, utilizamos nossos bancos para impulsionar o desenvolvimento e a garantia de emprego no País. Por isso, quando em muitos países, o emprego caia, em 2009, aqui, nós conseguimos criar quase um milhão de empregos.
Na verdade, quando a crise mundial apenas começava, Lula disse em seu discurso na ONU em 2008:
É chegada a hora da política!
Nada mais apropriado do que essa frase. A maior prova nós demos ao mundo: o Brasil só pôde enfrentar com sucesso a crise porque tivemos políticas públicas adequadas. Soubemos articular corretamente Estado e mercado, porque colocamos o interesse público no centro de nossas preocupações.
O quinto caminho foi o de nossa presença soberana no mundo.
O Brasil não mais se curva diante dos poderosos. Sem bravatas e sem submissão, o país hoje defende seus interesses e, como diz minha mãe, se dá ao respeito. É solidário com as nações pobres e em desenvolvimento. Tem uma especial relação com a América do Sul, com a América Latina e com a África. Estreita os laços Sul-Sul, sem abandonar suas relações com os países desenvolvidos. Busca mudar instituições multilaterais obsoletas, que impedem a democratização econômica e política do mundo.
Essa presença global, e o corajoso enfrentamento de nossos problemas domésticos em um marco democrático, explicam o respeito internacional que hoje gozamos.
O sexto caminho para onde convergem todos os demais foi o do aperfeiçoamento democrático.
No passado, tivemos momentos de grande crescimento econômico. Mas faltou democracia. E nós sabemos como faltou!
Em outros momentos tivemos democracia política, mas faltou democracia econômica e social. E sabemos muito bem que quando falta democracia econômica e social, é a democracia como um todo que começa a ficar ameaçada. O país fica à mercê das soluções de força ou de aventureiros.
Hoje nós estamos crescendo e distribuindo renda, com equilíbrio macro-econômico, com expansão da democracia, com forte participação social na definição das políticas públicas e com respeito aos Direitos Humanos.
Quem duvidar do vigor da nossa democracia que leia, que escute ou que veja o que dizem os jornais livremente, o que dizem nos jornais livremente as vozes oposicionistas. Mas isso não nos perturba. Preferimos as vozes dessas oposições --ainda quando mentirosas, injustas e caluniosas-- ao silêncio das ditaduras.
Como disse o Presidente Lula, a democracia não é a consolidação do silêncio, mas a manifestação de múltiplas vozes defendendo seus direitos e interesses. Nela, vai desaparecendo o espaço para que velhos coronéis e os velhos senhores tutelem o povo. Este passa a pensar com sua cabeça e a se constituir uma nova e verdadeira opinião pública.
As instituições funcionam no país. Os poderes são independentes. A Federação é respeitada.
Diferentemente de outros períodos de nossa história, o Presidente relacionou-se de forma republicana com governadores e prefeitos, não fazendo qualquer tipo de discriminação em função de suas filiações partidárias.
Não praticamos nenhum casuísmo. Basta ver a reação firme e categórica do Presidente Lula ao frustrar as tentativas de mudar a Constituição para que pudesse disputar um terceiro mandato. Não mudamos --como se fez no passado-- as regras do jogo no meio da partida.
Como todos podem ver, temos um extraordinário alicerce e uma herança bendita sobre a qual construir o terceiro Governo Democrático e Popular. Temos rumo, experiência e impulso para seguir o caminho iniciado por Lula. Não haverá retrocesso, nem aventuras. Mas podemos avançar muito mais. E muito mais rapidamente.
Queridas companheiras, queridos companheiros.
Não é meu propósito apresentar aqui um Programa de Governo.
Este Congresso aprovou as Diretrizes para um programa que será submetido ao debate com os partidos aliados e com a sociedade.
Hoje quero assumir alguns compromissos como pré-candidata, para estimular nossa reflexão e indicar como pretendemos continuar este processo iniciado há sete anos.
Vamos manter e aprofundar aquilo que é marca do Governo Lula --seu olhar social, seu compromisso social. Queremos um Brasil para todos. Nos aspectos econômicos e em suas projeções sociais, mas também um Brasil sem discriminações, sem constrangimentos. Ampliaremos e aperfeiçoaremos os programas sociais do Governo Lula, como o Bolsa Família, e implantaremos novos programas com o propósito de erradicar a miséria na década que se inicia.
Vamos dar prioridade à qualidade da educação, essencial para construir o grande país que almejamos, fundado no conhecimento e na justiça social. Mas a educação será, sobretudo, um meio de emancipação política e cultural do nosso povo. Uma forma de pleno acesso à cidadania. Daremos seguimento à transformação educacional em curso --da creche ao pós-graduação.
Os jovens serão os primeiros beneficiários da era de prosperidade que começamos a construir no primeiro governo do presidente Lula, que continuamos no segundo e que continuaremos. Nosso objetivo estratégico é oferecer a eles a oportunidade de começar a vida com segurança, liberdade, trabalho e realização pessoal.
No Brasil temos hoje 50 milhões de jovens, entre os 15 e os 29 anos de idade. Mais de um quarto da nossa população. É para eles que estamos construindo um Brasil melhor. Eles têm direito a um futuro melhor.
O Brasil precisa muito da juventude. De profissionais qualificados. De mulheres e homens bem formados.
Isto se faz com escolas que propiciem boa formação teórica e técnica, com professores contratados, concursados, bem treinados e bem remunerados. Isso não é inchaço da máquina, é imprescindível para todos. Com bolsas de estudo e apoio para que os alunos não sejam obrigados a abandonar a escola. Com banda larga gratuita para todos, computadores para os professores, salas de aula informatizadas para os estudantes. Com acesso a estágios, cursos de especialização e ajuda para entrar no mercado de trabalho.
Serão esses jovens bem formados e preparados que vão nos conduzir à sociedade do conhecimento nas próximas décadas.
Protegeremos as crianças e os mais jovens da violência, do assédio das drogas, da imposição do trabalho em detrimento da formação escolar e acadêmica.
As crianças e os mais jovens devem ser, sim, protegidos pelo Estado, desde a infância, para que possam se realizar, em sua plenitude, como brasileiros.
Companheiros e companheiras,
Um País se mede pelo grau de proteção que dá a suas crianças. São elas a essência do nosso futuro. E é na infância que a desigualdade social cobra seu preço mais alto. Crianças desassistidas do nascimento aos cinco anos serão jovens e adultos prejudicados nas suas aptidões e oportunidades. Cuidar delas adequadamente é combater a desigualdade social na raiz.
Vamos ampliar e disseminar por todo o Brasil a rede de creches, pré-escolas e escolas infantis. Um tipo de creche onde a criança tem acesso à socialização pedagógica, aos bens culturais e aos cuidados de nutrição e saúde indispensáveis ao seu pleno desenvolvimento. E o governo federal vem fazendo isso. E é isso é o que está previsto no PAC 2.
Vamos resolver os problemas da saúde, pois temos um incomparável modelo institucional --o SUS. Com mais recursos e melhor gestão vamos aprimorar a eficácia do sistema. Vamos reforçar as redes de atenção à saúde e unificar as ações entre os níveis de governo. Darei importância às Unidades de Pronto Atendimento, as UPAs --pretendemos chegar até 2010, até o fim do governo do presidente Lula, a 500 UPAs. Daremos prioridade também ao SAMU, aos hospitais públicos e conveniados, aos programas Saúde da Família, Brasil Sorridente, que o presidente Lula tanto se empenha para implantar, e Farmácia Popular.
Vamos cuidar das cidades brasileiras. Colocar todo o empenho do Governo Federal, junto com estados e municípios, para promover uma profunda reforma urbana, que beneficie prioritariamente as camadas mais desprotegidas.
Vamos melhorar a habitação e vamos perseguir a universalização do saneamento. Implantar transporte seguro, barato e eficiente. Tudo isso está previsto no chamado PAC 2.
Vamos reforçar, também, os programas de segurança pública.
A conclusão do PAC 1 e a implementação do PAC 2, junto com a continuidade do programa Minha Casa, Minha Vida serão decisivos para realizar esse compromisso. Serão decisivos para melhorar as condições de vida dos brasileiros. Naquilo que é talvez uma das maiores chagas da história do Brasil, que é o fato de uma parte da população ter sido obrigada a morar em favelas, em áreas de riscos, como beiras de córregos e, quando caem as grandes chuvas, são eles os mais afetados e os que mais sofrem conseqüências dramáticas, incluindo a morte.
Vamos fortalecer a proteção de nosso meio ambiente. Continuaremos reduzindo o desmatamento e impulsionando a matriz energética mais limpa do mundo. Vamos manter a vanguarda na produção de biocombustíveis e desenvolver nosso potencial hidrelétrico. Desenvolver sem agredir o meio ambiente, com usinas a fio d'água e utilizando o modelo de usinas-plataforma.
Aprofundaremos nosso zoneamento agro-ecológico. Nossas iniciativas explicam a liderança que alcançamos na Conferência sobre a Mudança do Clima, em Copenhague. As metas voluntárias de Copenhague, assumidas pelo Brasil, serão cumpridas, haja ou não acordo internacional. Este é o nosso compromisso haja, ou não, acordo internacional. Esse é o compromisso do presidente Lula e o meu compromisso.
Vamos aprofundar os avanços já alcançados em nossa política industrial e agrícola, com ênfase na inovação, no aperfeiçoamento dos mecanismos de crédito, aumentando nossa produtividade.
Agregar valor a nossas riquezas naturais é fundamental numa política de geração de empregos no País. Tudo que puder ser produzido no Brasil deve ser ---e será-- produzido no Brasil. Sondas, plataformas, navios e equipamentos aqui produzidos, para a exploração soberana do Pré-sal.
Essa decisão vai gerar emprego e renda para os brasileiros. Emprego e renda que virão também da produção em indústrias brasileiras de fertilizantes, combustíveis e petroquímicos derivados do óleo bruto. Assim, com este modelo soberano e nacional, a exploração do Pré-sal dará diversidade e sofisticação à nossa indústria.
Os recursos do Pré-sal, aplicados no Fundo Social, sustentarão um grande avanço em nossa educação e na pesquisa científica e tecnológica. Recursos que também serão destinados para o combate à pobreza, para a defesa do meio ambiente e para a nossa cultura.
Vamos continuar mostrando ao mundo que é possível compatibilizar o desenvolvimento da agricultura familiar e do agronegócio. Assegurar crédito, assistência técnica e mercado aos pequenos produtores e, ao mesmo tempo, apoiar os grandes produtores, que contribuem decisivamente para o superávit comercial brasileiro.
Todas as nossas ações de governo têm, sem sombra de dúvida, uma premissa: a preservação da estabilidade macro-econômica.
Vamos manter o equilíbrio fiscal, o controle da inflação e a política de câmbio flutuante.
Vamos seguir dando transparência aos gastos públicos e aperfeiçoando seus mecanismos de controle.
Vamos combater a corrupção, utilizando todos os mecanismos institucionais, como fizemos até agora.
Vamos concretizar, junto com o Congresso, as reformas institucionais que não puderam ser completadas ou foram apenas parcialmente implantadas, como a reforma política e a tributária.
Uma coisa é estratégica. Vamos aprofundar nossa postura soberana no complexo mundo de hoje. É como diz o presidente Lula: "quem não se respeita, não pode ser respeitado". Seremos intransigentes na defesa da paz mundial e de uma ordem econômica e política mais justa.
Enfim, vamos governar para todos. Com diálogo, tolerância e combatendo as desigualdades sociais e regionais.
Companheiras e companheiros,
Faremos na nossa campanha um debate de idéias, com civilidade e respeito à inteligência política dos brasileiros e das brasileiras. Um debate voltado para o futuro.
Nós somos aqueles que temos o que apresentar.
Recebo essa missão especialmente como um mandato das mulheres brasileiras, como mais uma etapa no avanço de nossa participação política e como mais uma vitória contra a discriminação secular que nos foi imposta. Gostaria de repetir: quero com vocês, mulheres do meu País, abrir novos espaços na vida nacional.
Queridas amigas e amigos
No limiar de uma nova etapa de minha vida, quando sou chamada a tamanha responsabilidade, penso em todos aqueles que fizeram e fazem parte de minha trajetória pessoal.
Em meus queridos pais.
Em minha filha, meu genro e em meu futuro neto ou neta.
Nos tantos amigos que fiz.
Nos companheiros com quem dividi minha vida.
Mas não posso deixar de ter uma lembrança especial para aqueles que não mais estão conosco. Para aqueles que caíram pelos nossos ideais. Eles fazem parte de minha história.
Mais que isso: eles são parte da história do Brasil.
Quero recordar três companheiros que se foram na flor da idade.
Carlos Alberto Soares de Freitas.
Beto, você ia adorar estar aqui conosco.
Maria Auxiliadora Lara Barcelos
Dodora, você está aqui no meu coração. Mas também aqui com cada um de nós.
Iara Yavelberg.
Iara, que falta fazem guerreiras como você.
O exemplo deles me dá força para assumir esse imenso compromisso.
A mesma força que vem de meus companheiros de partido, sobretudo daquele que é nosso primeiro companheiro --o presidente Lula.
Este ato de proclamação de minha candidatura tem uma significação que transcende seu aspecto eleitoral.
Estamos hoje concluindo o Quarto Congresso do Partido dos Trabalhadores.
Mais do que isso: estamos celebrando os Trinta Anos do PT.
Trinta anos desta nova estrela que veio ocupar lugar fundamental no céu da política brasileira.
Em um período histórico relativamente curto mudamos a cara de nosso sofrido e querido Brasil.
O PT cumpriu essa tarefa porque não se afastou de seus compromissos originais. Soube evoluir. Mudou, quando foi preciso.
Mas não mudou de lado.
Até chegar à Presidência do país, o PT dirigiu cidades e estados, gerando práticas inovadoras políticas, econômicas e sociais que o mundo observa, admira e muitas vezes reproduz. Fizemos isso, preservando e fortalecendo a democracia.
Mas, a principal inovação que o PT trouxe para a política brasileira foi colocar o povo --seus interesses, aspirações e esperanças-- no centro de suas ações.
Olhando para este magnífico plenário o que vejo é a cara negra, branca, índia e mestiça do povo brasileiro.
Esta é a cara do meu partido.
O rosto daqueles e daquelas que acrescentam à sua jornada de trabalho, uma segunda jornada - ou terceira, no caso das mulheres: a jornada da militância.
Quero dizer a todos vocês que tenho um enorme orgulho de ser petista. De militar no mesmo partido de vocês. De compartilhar com Lula essa militância.
Companheiros e companheiras,
Estou aceitando a honrosa missão que vocês me delegam com tranqüilidade e determinação.
Sei que não estou sozinha.
A tarefa de continuar mudando o Brasil é uma tarefa de milhões. Somos milhões.
Vamos todos juntos, até a vitória.
Viva o povo brasileiro!
Queridos companheiros
Para quem teve a vida sempre marcada pelo sonho e pela esperança de mudar o Brasil, este é para mim um dia extraordinário.
Meu partido --o Partido dos Trabalhadores-- me confere a honrosa tarefa de dar continuidade à magnífica obra de um grande brasileiro.
A obra de um líder --meu líder-- de quem muito eu tenho orgulho: o presidente Lula, o Lula.
Jamais pensei que a vida me reservasse tamanho desafio. Mas me sinto absolutamente preparada para enfrentá-lo - com humildade, com serenidade e com confiança.
Neste momento, ouço a voz da minha Minas Gerais, terra de minha infância e de minha juventude. Dessa Minas que me deu o sentimento de que vale a pena lutar, sim, pela liberdade e contra a injustiça. Ouço os versos de Drummond:
"Teus ombros suportam o mundo/
E ele não pesa mais do que a mão de uma criança"
Até hoje eu sinto o peso suave da mão de minha filha, quando nasceu.
Que força naquele momento ela me deu. Quanta vida ela me transmitiu. Quanta fé na humanidade me passou.
Eram, naquela época, tempos difíceis.
Ferida no corpo e na alma, fui acolhida e adotada pelos gaúchos ---pelos gaúchos generosos, solidários, insubmissos, como são os gaúchos.
Naqueles anos de chumbo, onde a tirania parecia eterna, encontrei nos versos de outro poeta --Mário Quintana-- a força necessária para seguir em frente. Mário Quintana disse:
"Todos estes que aí estão/
Atravancando o meu caminho,/
Eles passarão.
Eu passarinho."
Eles passaram e nós hoje voamos livremente.
Voamos porque nascemos para ser livres.
Sem ódio, sem revanchismo e com serena convicção afirmo que nunca mais viveremos numa gaiola, numa jaula ou numa prisão.
Hoje estamos construindo um novo país na democracia. Um país que se reencontrou consigo mesmo. Onde todos, todos, mas todos mesmo, expressam livremente suas opiniões e suas idéias.
Mas um país que não tolera mais a injustiça social. Que descobriu que só será grande e forte se for de todos.
Vejo nesta manhã --já quase tarde-- nos jovens que nos acompanham e nos mais velhos que aqui estão --um extraordinário encontro de gerações. De gerações que, como a minha, levaram nosso compromisso do país e com o país às últimas conseqüências.
Amadureci. Amadurecemos nós todos.
Amadureci na vida. No estudo. No trabalho duro. Nas responsabilidades de governo no Rio Grande do Sul e, sobretudo, aqui no governo do Brasil.
Mas esse amadurecimento não se confunde com perda de convicções.
Não perdemos a indignação frente à desigualdade social, à privação de liberdade, às tentativas de submeter nosso país.
Não sucumbimos aos modismos ideológicos. Persistimos em nossas convicções, buscando, a partir delas, construir alternativas concretas e realistas.
Continuamos movidos a sonhos. Acreditando na força do povo brasileiro, em sua capacidade de construir um mundo melhor.
A história recente mostrou que estávamos certos.
Tivemos um grande mestre --o Presidente Lula nos ensinou o caminho.
Em um país, com a complexidade e as desigualdades do Brasil, ele foi capaz de nos conduzir pelo caminho de profundas transformações sociais em um clima de paz, de respeito e fortalecimento da democracia.
Não admitimos, portanto, que alguém queira nos dar lições de liberdade. Menos ainda aqueles que não tiveram e não têm compromisso com ela.
Companheiras, Companheiros
Recebo com humildade a missão que vocês estão me conferindo. Com humildade, mas com coragem e determinação. Coragem e determinação que vêm do apoio que recebo de meu partido e de seu primeiro militante mais ilustre --o Presidente Lula.
Do apoio que espero ter dos partidos aliados que, com lealdade e competência, também são responsáveis pelos êxitos do nosso Governo. Com eles quero continuar nossa caminhada. Participo de um governo de coalizão. Quero formar um Governo de coalizão.
Estou consciente da extraordinária força que conduziu Lula à Presidência e que deu a nosso Governo o maior respaldo da história de nosso país --a força do povo brasileiro. Esta é a força que nos conduziu até aqui e que nos mantém.
A missão que me confiam não é só de um partido ou de um grupo de partidos.
Recebo-a como um mandato dos trabalhadores e de seus sindicatos.
Dos movimentos sociais.
Dos que labutam em nossos campos.
Dos profissionais liberais.
Dos intelectuais.
Dos servidores públicos.
Dos empresários comprometidos com o desenvolvimento econômico e social do país.
Dos negros. Dos índios. Dos jovens.
De todos aqueles que sofrem ainda distintas formas de discriminação.
Enfim, das mulheres.
Para muitos, elas são "metade do céu". Mas queremos mesmo é metade da terra também. Com igualdade de direitos, salários e oportunidades.
E como disse o presidente Lula, não há limite para nós mulheres. É esse, inclusive, um dos preceitos da primeira vez nós termos uma candidata mulher.
Quero com vocês --mulheres do meu país-- abrir novos espaços na vida nacional.
É com este Brasil que quero caminhar. É com ele que vamos discutir e seguir, avançando com segurança, mas com a rapidez que nossa realidade social exige sistematicamente de nós.
Nessa caminhada encontraremos milhões de brasileiros que passaram a ter comida em suas mesas e hoje fazem três refeições por dia.
Milhões que mostrarão suas carteiras de trabalho, pois têm agora emprego e melhor renda.
Milhões de homens e mulheres com seus arados e tratores cultivando a terra que lhes pertence e de onde nunca mais serão expulsos.
Milhões que nos mostrarão suas casas dignas e os refrigeradores, fogões, televisores ou computadores que puderam comprar.
Outros milhões acenderão as luzes de suas modestas casas, onde reinava a escuridão ou predominavam os candeeiros. E estes milhões de pontos luminosos pelo Brasil afora serão como uma trilha incandescente que mostra um novo caminho.
Nessa caminhada, veremos milhões de jovens mostrando seus diplomas de universidades ou de escolas técnicas com a convicção de quem abriu uma porta para o futuro, para o seu futuro.
Milhões --mas muitos milhões mesmo-- expressarão seu orgulho de viver em um país livre, justo e, sobretudo, respeitado em todo o mundo.
Muitos me perguntam por que o Brasil avançou tanto nos últimos anos. Digo que foi porque soubemos construir novos caminhos, e ter a vontade política de um grande líder, como o presidente Lula com a sua vontade de fazer trilhar, derrubando velhos dogmas que funcionavam como barreiras nos caminhos do Brasil.
O primeiro caminho é o do crescimento com distribuição de renda - o verdadeiro desenvolvimento. Provamos que distribuindo renda é que se cresce. E se cresce de forma mais rápida e sustentável.
Essa distribuição de renda permitiu construir um grande mercado de bens de consumo de massa, de consumo popular. Ele nos protegeu dos efeitos da crise mundial. O nosso consumo, o consumo do povo brasileiro sustentou o país diante do medo que se abateu sobre o sistema financeiro internacional e privado nacional.
Criamos 12 milhões de empregos formais. A renda dos trabalhadores aumentou. O salário mínimo real cresceu como nunca. Expandimos o crédito para o conjunto da sociedade. Estamos construindo um Brasil para todos. Não o Brasil para uma minoria, como fizemos sistematicamente desde os tempos da escravidão.
O segundo caminho foi o do equilíbrio macro-econômico e da redução da vulnerabilidade externa.
Eliminamos as ameaças de volta da inflação. Reduzimos a dívida em relação ao Produto Interno Bruto.
Aumentamos nossas reservas de 38 bilhões de dólares para mais de 241 bilhões. Multiplicamos por três nosso comércio exterior, praticando uma política externa soberana, que buscou diversificar mercados.
Deixamos de ser devedores internacionais e passamos à condição de credores. Hoje não pedimos dinheiro emprestado ao FMI. É o Fundo que pede dinheiro a nós.
Grande ironia é essa: os mesmos 14 bilhões de dólares que foram sacados do empréstimo, que antes o FMI nos emprestava, agora somos nós que emprestamos ao FMI.
E isso faz a diferença no que se refere à nossa postura soberana.
O terceiro caminho foi o da redução das desigualdades regionais. Invertemos nos últimos anos o que parecia uma maldição insuperável. Quando o país crescia, concentrava riqueza nos estados e regiões mais prósperos. Quando estagnava, eram os estados e regiões mais pobres que pagavam a conta.
Governantes e setores das elites viam o Norte e o Nordeste como regiões irremediavelmente condenadas ao atraso.
A vastos setores da população não restavam outras alternativas que a de afundar na miséria ou migrar para o sul em busca de oportunidades. É o que explica o inchaço das nossas grandes cidades e das médias também.
Essa situação está mudando por decisão do governo do presidente Lula que focou nessas questões, num grande conjunto de sua política de desenvolvimento.
O Governo Federal começou um processo consistente de combate às desigualdades regionais. Passou a ter confiança na capacidade do povo das regiões mais pobres. O Norte e o Nordeste receberam investimentos públicos e privados. O crescimento dessas duas regiões passou a ser sensivelmente superior ao do Brasil como um todo no período da crise.
Nós vamos aprofundar esse caminho e esse compromisso de acabar com esse desequilíbrio. O Brasil não mais será visto como um trem em que uma única locomotiva puxa todos vagões, como nos tempos da "Maria Fumaça". O Brasil de hoje é como alguns dos modernos trens de alta velocidade, onde vários vagões são como locomotivas e contribuem para que o comboio avance, se desenvolva e cresça. Nós queremos 27 locomotivas puxando o trem do Brasil.
O quarto caminho que trilhamos e continuaremos a trilhar é o da reorganização do Estado.
Alguns ideólogos chegavam a dizer que quase tudo seria resolvido pelo mercado. O resultado foi desastroso para muitos países.
Aqui, no Brasil, o desastre só não foi maior --como em outros países-- porque os brasileiros resistiram a esse desmonte e conseguiram impedir a privatização parcial e integral da Petrobrás, do Banco do Brasil, da Caixa Econômica ou de FURNAS.
Alguns falam todos os dias de "inchaço da máquina estatal". Omitem, no entanto, que estamos contratando basicamente médicos e profissionais de saúde, professores e pessoal na área da educação, diplomatas, policiais federais e servidores para as áreas de segurança, controle e fiscalização.
Escondem, também, que a recomposição do corpo de servidores do Estado está se fazendo por meio de concursos públicos.
Vamos continuar valorizando o servidor e o serviço público. Reconstituindo o Estado. Recompondo sua capacidade de planejar, gerir e induzir o desenvolvimento do país.
É muito bom lembrar que diante da crise, quando o crédito secou, não sacrificamos os investimentos públicos e privados. Ao contrário, utilizamos nossos bancos para impulsionar o desenvolvimento e a garantia de emprego no País. Por isso, quando em muitos países, o emprego caia, em 2009, aqui, nós conseguimos criar quase um milhão de empregos.
Na verdade, quando a crise mundial apenas começava, Lula disse em seu discurso na ONU em 2008:
É chegada a hora da política!
Nada mais apropriado do que essa frase. A maior prova nós demos ao mundo: o Brasil só pôde enfrentar com sucesso a crise porque tivemos políticas públicas adequadas. Soubemos articular corretamente Estado e mercado, porque colocamos o interesse público no centro de nossas preocupações.
O quinto caminho foi o de nossa presença soberana no mundo.
O Brasil não mais se curva diante dos poderosos. Sem bravatas e sem submissão, o país hoje defende seus interesses e, como diz minha mãe, se dá ao respeito. É solidário com as nações pobres e em desenvolvimento. Tem uma especial relação com a América do Sul, com a América Latina e com a África. Estreita os laços Sul-Sul, sem abandonar suas relações com os países desenvolvidos. Busca mudar instituições multilaterais obsoletas, que impedem a democratização econômica e política do mundo.
Essa presença global, e o corajoso enfrentamento de nossos problemas domésticos em um marco democrático, explicam o respeito internacional que hoje gozamos.
O sexto caminho para onde convergem todos os demais foi o do aperfeiçoamento democrático.
No passado, tivemos momentos de grande crescimento econômico. Mas faltou democracia. E nós sabemos como faltou!
Em outros momentos tivemos democracia política, mas faltou democracia econômica e social. E sabemos muito bem que quando falta democracia econômica e social, é a democracia como um todo que começa a ficar ameaçada. O país fica à mercê das soluções de força ou de aventureiros.
Hoje nós estamos crescendo e distribuindo renda, com equilíbrio macro-econômico, com expansão da democracia, com forte participação social na definição das políticas públicas e com respeito aos Direitos Humanos.
Quem duvidar do vigor da nossa democracia que leia, que escute ou que veja o que dizem os jornais livremente, o que dizem nos jornais livremente as vozes oposicionistas. Mas isso não nos perturba. Preferimos as vozes dessas oposições --ainda quando mentirosas, injustas e caluniosas-- ao silêncio das ditaduras.
Como disse o Presidente Lula, a democracia não é a consolidação do silêncio, mas a manifestação de múltiplas vozes defendendo seus direitos e interesses. Nela, vai desaparecendo o espaço para que velhos coronéis e os velhos senhores tutelem o povo. Este passa a pensar com sua cabeça e a se constituir uma nova e verdadeira opinião pública.
As instituições funcionam no país. Os poderes são independentes. A Federação é respeitada.
Diferentemente de outros períodos de nossa história, o Presidente relacionou-se de forma republicana com governadores e prefeitos, não fazendo qualquer tipo de discriminação em função de suas filiações partidárias.
Não praticamos nenhum casuísmo. Basta ver a reação firme e categórica do Presidente Lula ao frustrar as tentativas de mudar a Constituição para que pudesse disputar um terceiro mandato. Não mudamos --como se fez no passado-- as regras do jogo no meio da partida.
Como todos podem ver, temos um extraordinário alicerce e uma herança bendita sobre a qual construir o terceiro Governo Democrático e Popular. Temos rumo, experiência e impulso para seguir o caminho iniciado por Lula. Não haverá retrocesso, nem aventuras. Mas podemos avançar muito mais. E muito mais rapidamente.
Queridas companheiras, queridos companheiros.
Não é meu propósito apresentar aqui um Programa de Governo.
Este Congresso aprovou as Diretrizes para um programa que será submetido ao debate com os partidos aliados e com a sociedade.
Hoje quero assumir alguns compromissos como pré-candidata, para estimular nossa reflexão e indicar como pretendemos continuar este processo iniciado há sete anos.
Vamos manter e aprofundar aquilo que é marca do Governo Lula --seu olhar social, seu compromisso social. Queremos um Brasil para todos. Nos aspectos econômicos e em suas projeções sociais, mas também um Brasil sem discriminações, sem constrangimentos. Ampliaremos e aperfeiçoaremos os programas sociais do Governo Lula, como o Bolsa Família, e implantaremos novos programas com o propósito de erradicar a miséria na década que se inicia.
Vamos dar prioridade à qualidade da educação, essencial para construir o grande país que almejamos, fundado no conhecimento e na justiça social. Mas a educação será, sobretudo, um meio de emancipação política e cultural do nosso povo. Uma forma de pleno acesso à cidadania. Daremos seguimento à transformação educacional em curso --da creche ao pós-graduação.
Os jovens serão os primeiros beneficiários da era de prosperidade que começamos a construir no primeiro governo do presidente Lula, que continuamos no segundo e que continuaremos. Nosso objetivo estratégico é oferecer a eles a oportunidade de começar a vida com segurança, liberdade, trabalho e realização pessoal.
No Brasil temos hoje 50 milhões de jovens, entre os 15 e os 29 anos de idade. Mais de um quarto da nossa população. É para eles que estamos construindo um Brasil melhor. Eles têm direito a um futuro melhor.
O Brasil precisa muito da juventude. De profissionais qualificados. De mulheres e homens bem formados.
Isto se faz com escolas que propiciem boa formação teórica e técnica, com professores contratados, concursados, bem treinados e bem remunerados. Isso não é inchaço da máquina, é imprescindível para todos. Com bolsas de estudo e apoio para que os alunos não sejam obrigados a abandonar a escola. Com banda larga gratuita para todos, computadores para os professores, salas de aula informatizadas para os estudantes. Com acesso a estágios, cursos de especialização e ajuda para entrar no mercado de trabalho.
Serão esses jovens bem formados e preparados que vão nos conduzir à sociedade do conhecimento nas próximas décadas.
Protegeremos as crianças e os mais jovens da violência, do assédio das drogas, da imposição do trabalho em detrimento da formação escolar e acadêmica.
As crianças e os mais jovens devem ser, sim, protegidos pelo Estado, desde a infância, para que possam se realizar, em sua plenitude, como brasileiros.
Companheiros e companheiras,
Um País se mede pelo grau de proteção que dá a suas crianças. São elas a essência do nosso futuro. E é na infância que a desigualdade social cobra seu preço mais alto. Crianças desassistidas do nascimento aos cinco anos serão jovens e adultos prejudicados nas suas aptidões e oportunidades. Cuidar delas adequadamente é combater a desigualdade social na raiz.
Vamos ampliar e disseminar por todo o Brasil a rede de creches, pré-escolas e escolas infantis. Um tipo de creche onde a criança tem acesso à socialização pedagógica, aos bens culturais e aos cuidados de nutrição e saúde indispensáveis ao seu pleno desenvolvimento. E o governo federal vem fazendo isso. E é isso é o que está previsto no PAC 2.
Vamos resolver os problemas da saúde, pois temos um incomparável modelo institucional --o SUS. Com mais recursos e melhor gestão vamos aprimorar a eficácia do sistema. Vamos reforçar as redes de atenção à saúde e unificar as ações entre os níveis de governo. Darei importância às Unidades de Pronto Atendimento, as UPAs --pretendemos chegar até 2010, até o fim do governo do presidente Lula, a 500 UPAs. Daremos prioridade também ao SAMU, aos hospitais públicos e conveniados, aos programas Saúde da Família, Brasil Sorridente, que o presidente Lula tanto se empenha para implantar, e Farmácia Popular.
Vamos cuidar das cidades brasileiras. Colocar todo o empenho do Governo Federal, junto com estados e municípios, para promover uma profunda reforma urbana, que beneficie prioritariamente as camadas mais desprotegidas.
Vamos melhorar a habitação e vamos perseguir a universalização do saneamento. Implantar transporte seguro, barato e eficiente. Tudo isso está previsto no chamado PAC 2.
Vamos reforçar, também, os programas de segurança pública.
A conclusão do PAC 1 e a implementação do PAC 2, junto com a continuidade do programa Minha Casa, Minha Vida serão decisivos para realizar esse compromisso. Serão decisivos para melhorar as condições de vida dos brasileiros. Naquilo que é talvez uma das maiores chagas da história do Brasil, que é o fato de uma parte da população ter sido obrigada a morar em favelas, em áreas de riscos, como beiras de córregos e, quando caem as grandes chuvas, são eles os mais afetados e os que mais sofrem conseqüências dramáticas, incluindo a morte.
Vamos fortalecer a proteção de nosso meio ambiente. Continuaremos reduzindo o desmatamento e impulsionando a matriz energética mais limpa do mundo. Vamos manter a vanguarda na produção de biocombustíveis e desenvolver nosso potencial hidrelétrico. Desenvolver sem agredir o meio ambiente, com usinas a fio d'água e utilizando o modelo de usinas-plataforma.
Aprofundaremos nosso zoneamento agro-ecológico. Nossas iniciativas explicam a liderança que alcançamos na Conferência sobre a Mudança do Clima, em Copenhague. As metas voluntárias de Copenhague, assumidas pelo Brasil, serão cumpridas, haja ou não acordo internacional. Este é o nosso compromisso haja, ou não, acordo internacional. Esse é o compromisso do presidente Lula e o meu compromisso.
Vamos aprofundar os avanços já alcançados em nossa política industrial e agrícola, com ênfase na inovação, no aperfeiçoamento dos mecanismos de crédito, aumentando nossa produtividade.
Agregar valor a nossas riquezas naturais é fundamental numa política de geração de empregos no País. Tudo que puder ser produzido no Brasil deve ser ---e será-- produzido no Brasil. Sondas, plataformas, navios e equipamentos aqui produzidos, para a exploração soberana do Pré-sal.
Essa decisão vai gerar emprego e renda para os brasileiros. Emprego e renda que virão também da produção em indústrias brasileiras de fertilizantes, combustíveis e petroquímicos derivados do óleo bruto. Assim, com este modelo soberano e nacional, a exploração do Pré-sal dará diversidade e sofisticação à nossa indústria.
Os recursos do Pré-sal, aplicados no Fundo Social, sustentarão um grande avanço em nossa educação e na pesquisa científica e tecnológica. Recursos que também serão destinados para o combate à pobreza, para a defesa do meio ambiente e para a nossa cultura.
Vamos continuar mostrando ao mundo que é possível compatibilizar o desenvolvimento da agricultura familiar e do agronegócio. Assegurar crédito, assistência técnica e mercado aos pequenos produtores e, ao mesmo tempo, apoiar os grandes produtores, que contribuem decisivamente para o superávit comercial brasileiro.
Todas as nossas ações de governo têm, sem sombra de dúvida, uma premissa: a preservação da estabilidade macro-econômica.
Vamos manter o equilíbrio fiscal, o controle da inflação e a política de câmbio flutuante.
Vamos seguir dando transparência aos gastos públicos e aperfeiçoando seus mecanismos de controle.
Vamos combater a corrupção, utilizando todos os mecanismos institucionais, como fizemos até agora.
Vamos concretizar, junto com o Congresso, as reformas institucionais que não puderam ser completadas ou foram apenas parcialmente implantadas, como a reforma política e a tributária.
Uma coisa é estratégica. Vamos aprofundar nossa postura soberana no complexo mundo de hoje. É como diz o presidente Lula: "quem não se respeita, não pode ser respeitado". Seremos intransigentes na defesa da paz mundial e de uma ordem econômica e política mais justa.
Enfim, vamos governar para todos. Com diálogo, tolerância e combatendo as desigualdades sociais e regionais.
Companheiras e companheiros,
Faremos na nossa campanha um debate de idéias, com civilidade e respeito à inteligência política dos brasileiros e das brasileiras. Um debate voltado para o futuro.
Nós somos aqueles que temos o que apresentar.
Recebo essa missão especialmente como um mandato das mulheres brasileiras, como mais uma etapa no avanço de nossa participação política e como mais uma vitória contra a discriminação secular que nos foi imposta. Gostaria de repetir: quero com vocês, mulheres do meu País, abrir novos espaços na vida nacional.
Queridas amigas e amigos
No limiar de uma nova etapa de minha vida, quando sou chamada a tamanha responsabilidade, penso em todos aqueles que fizeram e fazem parte de minha trajetória pessoal.
Em meus queridos pais.
Em minha filha, meu genro e em meu futuro neto ou neta.
Nos tantos amigos que fiz.
Nos companheiros com quem dividi minha vida.
Mas não posso deixar de ter uma lembrança especial para aqueles que não mais estão conosco. Para aqueles que caíram pelos nossos ideais. Eles fazem parte de minha história.
Mais que isso: eles são parte da história do Brasil.
Quero recordar três companheiros que se foram na flor da idade.
Carlos Alberto Soares de Freitas.
Beto, você ia adorar estar aqui conosco.
Maria Auxiliadora Lara Barcelos
Dodora, você está aqui no meu coração. Mas também aqui com cada um de nós.
Iara Yavelberg.
Iara, que falta fazem guerreiras como você.
O exemplo deles me dá força para assumir esse imenso compromisso.
A mesma força que vem de meus companheiros de partido, sobretudo daquele que é nosso primeiro companheiro --o presidente Lula.
Este ato de proclamação de minha candidatura tem uma significação que transcende seu aspecto eleitoral.
Estamos hoje concluindo o Quarto Congresso do Partido dos Trabalhadores.
Mais do que isso: estamos celebrando os Trinta Anos do PT.
Trinta anos desta nova estrela que veio ocupar lugar fundamental no céu da política brasileira.
Em um período histórico relativamente curto mudamos a cara de nosso sofrido e querido Brasil.
O PT cumpriu essa tarefa porque não se afastou de seus compromissos originais. Soube evoluir. Mudou, quando foi preciso.
Mas não mudou de lado.
Até chegar à Presidência do país, o PT dirigiu cidades e estados, gerando práticas inovadoras políticas, econômicas e sociais que o mundo observa, admira e muitas vezes reproduz. Fizemos isso, preservando e fortalecendo a democracia.
Mas, a principal inovação que o PT trouxe para a política brasileira foi colocar o povo --seus interesses, aspirações e esperanças-- no centro de suas ações.
Olhando para este magnífico plenário o que vejo é a cara negra, branca, índia e mestiça do povo brasileiro.
Esta é a cara do meu partido.
O rosto daqueles e daquelas que acrescentam à sua jornada de trabalho, uma segunda jornada - ou terceira, no caso das mulheres: a jornada da militância.
Quero dizer a todos vocês que tenho um enorme orgulho de ser petista. De militar no mesmo partido de vocês. De compartilhar com Lula essa militância.
Companheiros e companheiras,
Estou aceitando a honrosa missão que vocês me delegam com tranqüilidade e determinação.
Sei que não estou sozinha.
A tarefa de continuar mudando o Brasil é uma tarefa de milhões. Somos milhões.
Vamos todos juntos, até a vitória.
Viva o povo brasileiro!
O Cara e a Coroa
O PT lançou hoje a pré-candidatura da ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, à sucessão presidencial, durante o encerramento do quarto Congresso Nacional do partido, em Brasília. No encontro, o presidente Lula negou que a candidatura de Dilma fosse apenas um "tampão" para preparar a volta dele em 2014. Ele disse que a prioridade do PT é conseguir eleger a ministra para dois mandatos.
quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010
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