quinta-feira, 29 de maio de 2008

Do blog da Míriam Leitão

Inflação
IGP-DI será maior que o IGP-M. Depois taxa recuará

O IGP-M de maio foi o maior registrado este ano: 1,61%, como já mostamos aqui no blog. Mas, o pico dos IGPs deve acontecer mesmo com a divulgação do IGP-DI de junho, no próximo dia 9. O índice deve ficar em torno de 1,72%, segundo o Departamento de Estudos Econômicos do Bradesco.

Depois disso, a taxa deve começar a recuar, vindo para 1,30% no IGP-10 de junho e 1% no IGP-M do mesmo mês (vejam no gráfico abaixo). Segundo o Bradesco, isso vai acontecer por uma pressão menor dos preços de commodities tanto no atacado agrícola quanto no industrial.

Com relação aos agrícolas, os preços devem ficar mais estáveis depois das fortes altas dos últimos meses. Nos casos do tomate (alta de 216% neste ano) e do arroz (alta de 45,7%), a previsão é que os preços recuem por razões de safra aqui mesmo do Brasil. Para se ter uma idéia de como estes dois produtos contribuíram para a alta nos IGPs, eles foram responsáveis por 0,82 pontos percentuais da variação de 4,74% do IGP-M acumulado este ano. O IPA agrícola subiu 4,85% este ano e a previsão do Bradesco é que feche 2008 em 6%, ou seja, teremos altas menores nos próximos sete meses.

Já com relação aos produtos industriais, o cenário é mais delicado, diz o banco. Por um lado, teremos acomodação dos preços de produtos químicos, como os fertilizantes, depois deles terem absorvido as altas do petróleo. Por outro, ainda não se sabe medir com precisão o impacto do minério de ferro, que tem sido o grande vilão no setor até agora por causa do reajuste de 65% fechado pela Vale no início do ano. O impacto no atacado pode continuar no próprio minério de ferro e também na cadeia do aço. Por conta disso, a previsão do IPA industrial para o final do ano é de 11%. Até agora, subiu só 5,91%.

Por enquanto, o acumulado dos últimos 12 meses do IGP-M está em 11,53%, mas essas alterações no cenário levam o Bradesco a apostar num fechamento de 8,5% no final de 2008.







CSS (CPMF) ficará para terça-feira

Entusiasmada com a incompetência da oposição, a base governista tentará aprovar na próxima teça-feira a recriação da CPMF.

Numa manobra prá lá de esperta, um “golpe de João sem braço”, como se dizia antigamente, o governo muda o nome do imposto, batiza de Contribuição Social para a Saúde (CSS) e tenta aprovar uma alíquota de 0,10%.

E mais: para garantir aprovação certa, a base governista vai tentar criar a nova CPMF por lei complementar. Isto significa que será necessária apenas uma votação e o quórum para aprovação é maioria absoluta, isto é, 50% mais um da Câmara, o que equivale a 257 deputados.

Passa fácil no plenário da Câmara.

Se fosse por emenda constitucional, o novo imposto deveria ser aprovado em duas votações, e por quórum de três quintos, isto é, 308 deputados. Bem mais difícil.

Curiosa mesmo é a argumentação para a volta da CPMF com outro nome. Alega a tropa governista que não se pode aprovar mais recursos para a saúde, porque o governo perdeu uma receita de R$40 bilhões com o fim da CPMF.

Mas a velha CPMF tinha uma alíquota de 0,38%. A nova CPMF terá uma alíquota de 0,10%. A conta não fecha.

O segundo argumento diz que não é necessária uma emenda constitucional, porque a Cide, por exemplo, o imposto sobre combustíveis, foi criada por projeto de lei.

Mas de acordo com Everardo Maciel, ex-secretário da Receita Federal e emérito criador de novos impostos no governo Fernando Henrique, a Cide não é um imposto cumulativo, porque é cobrada uma única vez, na refinaria.

Já a CPMF, com qualquer nome, é um imposto cumulativo, porque é cobrada cada vez que se assina um cheque, em suma, cada vez que se faz uma simples transação financeira.

Portanto, segundo Everardo Maciel, não há a menor possibilidade de ser criada por lei complementar. É inconstitucional.

Tem que ser por emenda constitucional.

O caso tem tudo para ir parar no Supremo Tribunal Federal.

Mas o verdadeiro motivo para a recriação da CPMF é muito mais prosaico.

O presidente Lula quer dar o troco aos senadores que derrubaram a CPMF em dezembro do ano passado.

Em geral, governantes convivem mal com críticas e com oposição. Governantes gostam de aplauso.

Em Lula, isto chega a ser patológico. O presidente não tolera ser contrariado. Não tolera não ser aplaudido.

Sua taxa de aceitação a críticas é baixíssima. Lula não compreende que possa ser contrariado. Afinal, é o presidente mais popular da história do país.

Esta é a razão pura e simples da recriação da CPMF. O resto é esperteza e demagogia barata.

Barata não, caríssima, porque vai sair do nosso bolso.

quarta-feira, 28 de maio de 2008

Análise da Economia

Superávit primário de R$ 17 bi em abril
Acumulado dos quatro primeiros meses do ano chega a R$ 48 bi

O Tesouro Nacional superou em R$ 14,4 bilhões a meta de economia para o pagamento de juros da dívida pública prevista até abril. O resultado mostra que o chamado superávit primário do governo central (o Tesouro, a Previdência Social e o Banco Central) acumulado no ano chegou a R$ 48,034 bilhões. Só em abril, a economia foi de R$ 16,745 bilhões.

O compromisso do governo central é economizar R$ 62,6 bilhões até dezembro, o equivalente a 2,2% do PIB. O superávit até abril é de 5,31% do PIB, explicado principalmente pela arrecadação de impostos, 16,5% maior do que a do mesmo período de 2007. Já a meta de superávit primário para as contas públicas como um todo (incluindo estatais, municípios e Estados) é de 3,8% do PIB.

Apesar do bom desempenho, o secretário do Tesouro, Arno Augustin, preferiu ressaltar o caráter sazonal do resultado, dizendo que não deve se manter até o final do ano.

– No começo do ano o superávit é mais forte porque a execução das despesas é mais lenta no início do ano – disse Arno Augustin.

Na análise oficial, os ganhos recorrentes de arrecadação são "atípicos'' e não podem servir para financiar despesas permanentes. Augustin defende que esses ganhos de receita sejam direcionados a um fundo e possam funcionar como uma poupança para o país.

O destino cogitado pelo governo para o superávit maior é o fundo soberano. Por meio desse instrumento, os ganhos de arrecadação seriam direcionados para a compra de dólares e depois reinvestidos em empresas brasileiras no exterior.

A principal preocupação de Augustin foi responder às críticas sobre o aumento de gastos do governo, que alimentaria a inflação. Disse que "no momento'' o Tesouro tem contribuído para reduzir a demanda da economia e, assim, as pressões para aumento dos juros.

– Os impulsos fiscais nesse momento são contracionistas. O superávit e a [queda] nas despesas mostram isso. Isso pode mudar, mas, nesse momento, é contracionista – afirmou.

O secretário citou as despesas com pessoal como exemplo – estão crescendo 5,2% menos do que no ano passado se forem comparadas à variação do PIB sem descontar o efeito da inflação. Esses números, no entanto, não levam em conta o impacto de R$ 7,5 bilhões que os aumentos concedidos ao funcionalismo ainda terão sobre os gastos públicos. No agregado, as despesas caíram 2,8%.

As despesas do governo são um dos principais itens analisados pelo BACEN para definir os juros.

Saldo negativo para oposição

A CPMI dos cartões corporativos vai terminando de acordo com o script. Nenhuma surpresa, nenhuma novidade.

Para compor a CPI, o governo escolheu a dedo. Só membros do baixíssimo clero. Deputados e deputadas, senadores e senadoras e muitos suplentes, todos de quinto escalão.

A estratégia da base governista para matar a CPI era: fazer valer a maioria; recusar a aprovação de todos os requerimentos incômodos; blindar a principal responsável pelo dossiê, a ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Roussef; desqualificar todos os depoimentos inconvenientes que porventura viessem a ser prestados.

E as táticas para atingir o objetivo foram as mais rasteiras: grosserias, gritarias, exibição de truculência, valeu tudo. Deputados prepotentes, mal-educados, desinformados. Deputadas descabeladas a gritar e a fazer caretas, senadores e senadoras à beira da histeria.

Parlamentares do baixíssimo clero desesperados para aparecer na mídia, loucos por um holofote e prontos para fazer um favor ao governo. E doidos para serem credores do governo Lula.

A estratégia revelou-se um sucesso completo. Nada se apurou, praticamente ninguém foi incomodado, quase ninguém foi convocado.

Também aí só apareceu o quinto elenco. Funcionários subalternos, fossem eles titulares de órgãos importantes da Presidência da República, como a CGU e o GSI. Subalternos.

Tudo ia muito bem, até que o PT decidiu dar sua colaboração. Como o partido gosta de viver perigosamente, ficamos sabendo que quem vazou o dossiê com as despesas pessoais do ex-presidente Fernando Henrique e da ex-primeira dama Ruth Cardoso foi... um petista histórico, vejam só!

O PT não falha.

Até agora, tudo dentro do script. O governo se comportou como governo, a maioria fez valer sua maioria. Nada a reclamar.

Quem fez um papelão foi a oposição. Mais uma vez...

Talvez já sabendo que também o governo Fernando Henrique não poderia explicar muitas das despesas que seus ministros fizeram com dinheiro público, oposição e governo acertaram um acordão para matar a CPI desde o nascedouro. Nada era para valer.

As estrelas da oposição passaram longe da sala da CPMI. Não se interessaram pela investigação. Também decidiram entregar as vagas na CPI ao seu próprio baixo clero, só para cumprir tabela.

Papelão!

O governo fez o seu papel. Quem deu vexame foi a oposição.

Mais uma vez...
(Texto extraído do comentário da Lucia Hippolito à CBN)

CPMF ou CSS ?

Para facilitar a recriação na prática da CPMF, a base aliada do governo precisou achar uma brecha na Constituição para aprovar a volta da contribuição (rejeitada por 45 votos a 34 pelo plenário do Senado em dezembro do ano passado) por meio de Projeto de Lei (PL) e não por Proposta de Emenda à Constituição (PEC). A diferença é na contagem de votos.

No primeiro caso seriam precisos apenas 50% mais um voto dos presentes na sessão para ressuscitar o tributo. No segundo, 60% dos 513 deputados teriam de estar presentes e votar a favor.

Agora, a base aliada tenta facilitar o acolhimento do imposto também no campo psicológico, digamos assim. A solução: trocar o nome Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF) por Contribuição Social da Saúde (CSS).

A idéia de recriar a CPMF surgiu como alternativa para financiar a Emenda 29, projeto que será colocado em votação amanhã na Câmara dos Deputados e fixa valores que União, Estados e Municípios devem investir em Saúde.
O projeto prevê R$ 23 bilhões a mais que o governo terá de investir no setor nos próximos quatro anos. A nova CPMF, ou melhor, CSS, com alíquota menor, de 0,1% (contra 0,38% da que foi rejeitada em dezembro), serviria exclusivamente para financiar o novo gasto.

terça-feira, 27 de maio de 2008

Panorama Econômico - Jornal O Globo

Ciência x corte raso

A investida dos governadores da Região Amazônica é de matar de vergonha: o que eles vão pedir ao governo é que a lei não seja cumprida e que grileiros e desmatadores possam ter financiamentos e vender seus produtos. Por outro caminho, a Academia Brasileira de Ciências está formulando uma proposta de investimentos maciços em ciência na região para melhor protegê-la; uma revolução científica.

O “Bom Dia Brasil” de ontem trouxe um flagrante de um crime típico na Amazônia: a reportagem de Roberto Paiva e Jorge Ladimar mostrou, no Pará, trabalhadores escravizados no meio da floresta. Isolados, sem receber há dois meses, sem alimentação adequada, obrigados a trabalhar na preparação de outro crime: o desmatamento em área pública e protegida. O trabalho escravo sempre esteve associado ao desmatamento criminoso. O “dono” do “empreendimento” não apareceu; apresentou-se apenas o recrutador da mão-de-obra. A equipe móvel do Ministério do Trabalho deu o flagrante.

Esse “empresário” poderia receber financiamento para o seu “empreendimento” e comercializar sem medo o fruto do seu duplo crime caso a proposta dos governadores seja aceita. Segundo o jornal “Valor” de ontem, eles vão pedir, na sexta-feira, que seja adiada a resolução do Conselho Monetário Nacional que exige o certificado de propriedade e de regularidade ambiental para a concessão de empréstimos em bancos públicos e privados. Querem também que se adie o cumprimento da lei que criminaliza a cadeia produtiva e torna quem compra a produção de quem escraviza e grila cúmplice de crime.

Que vergonha governadores! É isso mesmo que pedirão ao governo federal? Que quem grilou e desmatou possa ser financiado e comercializar seu produto? Os governadores podem dizer que há bons patrões e bons empreendedores que ficaram presos na armadilha da mudança da lei. Antes se podia desmatar 50% da propriedade; agora, apenas 20% no bioma amazônico e, portanto, estão todos fora da nova lei, mas respeitavam a antiga. Se for isso, a proposta do governo permite que quem tenha um plano de recuperação da reserva legal seja considerado como tendo regularidade ambiental. Que os bons empresários façam seu plano e cumpram a lei!
O desmatamento está aumentando nos últimos meses, mas o Inpe decidiu adiar a divulgação porque quer fazê-lo com explicações técnicas que evitem que cada número seja uma briga com o governador Blairo Maggi. O instrumento é científico e deve ser preservado.

A Academia Brasileira de Ciências (ABC) pôs em seu site a versão preliminar de um documento feito por vários cientistas propondo uma “revolução científica e tecnológica para a Amazônia”. A dificuldade em ter um modelo para a região é que “não existe um modelo a ser copiado”. Os pesquisadores propõem nova abordagem: formação maciça de doutores e mestres em ciência aplicada $às necessidades da região através de mais universidades públicas e institutos de pesquisas, institutos tecnológicos e uma poderosa rede de comunicação para mantê-los em contato com o mundo científico. Ao todo, seriam investimentos de 1% do Produto Regional Bruto em Ciência, Tecnologia e Informação, ou seja, R$ 1 bilhão por ano. Segundo a ABC, esses investimentos lançariam as bases “de um novo ciclo de desenvolvimento na Amazônia, alicerçado na ciência, na tecnologia e na inovação”.

O presidente da Academia de Ciências, Jacob Palis Jr., diz que o documento, que tem o apoio da SBPC, está em debate entre cientistas e no site da ABC:

— Temos muito orgulho do documento, porque ele é objetivo, enxuto e foi feito por vários cientistas de áreas diferentes. A Amazônia é muito complexa, precisamos de mais competência científica e técnica para formular planos de novos modelos.

A proposta da Academia é que o isolamento da região seja vencido pela tecnologia de comunicação: “No satélite de telecomunicações brasileiro para a Amazônia, deve ser reservado um canal para a comunicação acadêmico-tecnológica.”

A proposta é criar centros de estudo de ciência aplicada em questões como água, recuperação de áreas degradadas, biodiversidade, biotecnologia, energias renováveis, entre outros, em contato direto com as empresas. “A meta é a proposição de desenvolvimento pleno de cadeias produtivas para um número significativo de produtos para o mercado global, contemplando desde fármacos até serviços ambientais”, diz o texto. Hoje a região tem menos de 5% dos doutores do país. A ABC propõe duplicar o número de mestres e doutores, mais recursos para pesquisas, mais conexão com os centros do mundo. De acordo com o texto, as grandes obras previstas de infra-estrutura dão caráter de urgência ao desenvolvimento de um novo modelo.
“A importância econômica e social do rico patrimônio natural da região representa um gigantesco potencial científico e cultural, cuja transformação em riqueza está ligada à geração de conhecimento e tecnologias.”

Isso não significa parar a produção agrícola. Mas ocupar a região com a ciência, enquanto se estanca o desmatamento. O atual modelo não desenvolve. O desmatamento é feito com desperdício, violência, trabalho escravo. Não gera progresso e desenvolvimento. E é isso que os governadores da região estão pedindo que continue? Tomara que não. Tomara que nem todos!

Charge - Lillo


Maior comunicação entre os países do Sul

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta segunda-feira (26), durante o programa de rádio Café com Presidente, que a criação da União das Nações Sul-Americanas (Unasul), oficializada na sexta-feira (23), abriu caminho para a criação de uma economia comum entre os 12 países da América do Sul.

"Vamos caminhar para, no futuro, termos um Banco Central único, para ter moeda única, mas isso é um processo e não uma coisa rápida”, afirmou o presidente. Lula se referia ao Banco da América do Sul, ou Banco do Sul, idéia que vem sendo estudada há algum tempo e que foi incluída na agenda oficial de discussões do Mercosul também na semana passada.

De acordo com o presidente, é importante que a Unasul seja usada para fomentar o crescimento de países como Paraguai, Uruguai e Bolívia, que possuem “economias mais frágeis”. “Temos obrigação de ajudá-los”, afirmou Lula, “porque, quanto mais forte economicamente forem os países da América do Sul, mais tranqüilidade, paz, democracia, comércio, empresas, empregos, renda e desenvolvimento” haverá no continente.

Lula disse acreditar que, se alguns países não aceitarem a criação do Banco do Sul e de uma moeda única, isso não será sinal de crise, pois o fato é “normal em uma convivência democrática na diversidade".

Lula também comentou no programa a criação do Conselho de Defesa Sul-Americano, proposta pelo Brasil, aceita por outros dez países do continente, mas rejeitada pela Colômbia. O governo colombiano condiciona sua adesão à proposta ao reconhecimento, por parte da Unasul, de que as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) são um grupo terrorista.

Brasil e Venezuela estão entre os que não classificam a guerrilha como terrorista, mas mesmo assim Lula se mostrou otimista. “Conversei com o presidente [da Colômbia, Álvaro] Uribe e vamos voltar a conversar”, disse Lula. “Estou viajando à Colômbia no dia 20 de julho e acho que as coisas vão se acertar”, afirmou.

O prazo para Lula convencer Uribe e aceitar a proposta, e dar ao governo brasileiro uma significativa vitória diplomática, é curto. Nos próximos três meses, emissários dos países que formam a Unasul vão analisar a possibilidade da criação do Conselho de Defesa e elaborar uma proposta para ser votada por seus integrantes.

segunda-feira, 26 de maio de 2008

Recordes de arrecadações

Tributos tradicionais, como o Imposto de Renda (IR), o Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) e o Imposto sobre Operações Financeiras (IOF), substituíram plenamente a receita da CPMF extinta em 2007, conforme os dados da arrecadação federal de abril. A participação do Imposto de Importação (II) nas receitas federais passou de 1,93% para 2,18%; do IR total, de 27,42% para 29,87%; do IPI, de 5,19% para 5,47%; e do IOF, de 1,28% para 2,79%.
Entre abril de 2007 e abril de 2008, o total das receitas, inclusive previdenciárias, aumentou 11,44% em termos reais e, na comparação entre os primeiros quadrimestres do ano passado e deste ano, 12,56%.
O crescimento da receita total em quatro meses, correspondente a R$ 33,6 bilhões, foi praticamente igual ao recolhimento total propiciado pela CPMF em 2007.
Tudo indica que haverá novo recorde de arrecadação neste ano, “ou seja, a carga tributária vai subir novamente”, disse o professor do Ibmec, Gilberto de Carvalho.O aumento dos lucros das empresas gerou uma elevação real do Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ) de 23,38%.
As pessoas físicas, graças ao aumento da renda e do emprego, recolheram mais 21,50% via Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF).
A arrecadação do IOF sobre os empréstimos bancários às pessoas físicas aumentou 177,64% no primeiro quadrimestre, e às empresas, 135,24%. Só com o IOF o governo arrecadou R$ 6,2 bilhões.
Com o aumento da alíquota do IOF, aumentou a cunha fiscal, onerando o crédito, inclusive à baixa renda.A receita do IPI aumentou com as vendas, com destaque para veículos. E, com o câmbio valorizado, o aumento das importações propiciou ao Fisco acréscimo real de 26,84% na receita do II.
A Receita também intensificou a cobrança de tributos em atraso.
É o que explica o aumento da arrecadação com multas e juros (49,86%) no período de janeiro a abril. O Fisco considerou que esta foi uma receita atípica, bem como o crescimento de 12,29% nos depósitos judiciais e administrativos. Melhor é constatar a eficiência da Receita na cobrança de tributos, permitindo que renúncias fiscais (combustíveis, PIS-Cofins sobre o trigo e desonerações na indústria e exportações) não ameacem as metas de 2008.
Diante dessa folga na arrecadação, o próprio governo demonstra que o desejo de recriar a CPMF - ou um tributo similar - é fruto apenas de voracidade fiscal, na busca de transferir mais receitas do setor privado para a União.

sábado, 24 de maio de 2008

Porque hoje é sábado

Preciso dizer que te amo
(Dé, Bebel e Cazuza)
Quando a gente conversa
Contando casos, besteiras
Tanta coisa em comum
Deixando escapar segredos
E eu nem sei em que hora dizer
Me da um medo ( que medo )

É que eu preciso dizer que eu te amo
Te ganhar ou perder sem engano
É eu preciso dizer que eu te amo
Tanto

E ate o tempo passa arrastado
Só pra eu ficar do teu lado
Voce me chora dores de outro amor
Se abre e acaba comigo
e nessa novela eu não quero ser teu amigo

É que eu preciso dizer que eu te amo
Te ganhar ou perder sem engano
Eu preciso dizer que eu te amo
Tanto

Eu ja nao sei se eu to misturando
Ah, eu perco o sono
Lembrando em cada riso teu qualquer bandeira
Fechando e abrindo a geladeira a noite inteira

É que eu preciso dizer que eu te amo
Te ganhar ou perder sem engano
É eu preciso dizer que eu te amo
Tanto

Quando a gente conversa
Contando casos besteiras
Tanta coisa em comum
Deixando escapar segredos
Eu nao sei em que hora dizer
Tenho medo

É, que eu preciso dizer que te amo
Te ganhar ou perder sem engano
Eu preciso dizer que eu te amo
Tanto

E até o tempo passa arrastado
Só pra eu ficar do teu lado
Voce chora dores de outro amor
Se abre e acaba comigo

E nessa novela baby eu não quero ser teu amigo
Não

E que eu preciso dizer que te amo
Te ganhar ou perder sem engano...
E que eu preciso dizer que te amo
Eu ja não sei se eu tô misturando..

Ah eu perco o sono...
Lembrando em cada riso teu qualquer bobeira...

sexta-feira, 23 de maio de 2008

Espaço Aberto - Globo News

Ontem (22), no programa Espaço Aberto apresentado por Míriam Leitão, transmitido pela Globo News, o futuro ministro do Meio Ambiente falou sobre os problemas enfrentados por sua antecessora e futuras ações no novo "serviço". Leia a análise da entrevista.
A cinco dias de ser empossado ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc depara-se com dados perturbadores sobre o desmatamento na Amazônia. A história se repete. E Minc parece atravessar o mesmo percalço que trouxe à luz os entraves à atuação do Ministério do Meio Ambiente – e um dos símbolos de derrota de sua antecessora, a ex-ministra Marina Silva. Os recentes embates entre o futuro ministro e o governador do Estado do Mato Grosso, Blairo Maggi (PR-MT) – primeiro sobre a guarda ambiental, com a qual Maggi diz que não vai cooperar; depois sobre o desmatamento da Amazônia, do qual 60% dizem respeito ao Mato Grosso – mostram que os desafios que Minc terá de enfrentar estão longe de serem simples.

Além de colocar em prática atributos que demonstra ter para levar adiante uma competente gestão, o futuro ministro terá de estar atento. Quatro meses depois de Marina ter anunciado o registro feito pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) sobre o aumento do desmatamento na Amazônia entre novembro e dezembro de 2007 – e ter irritado o presidente Luiz Inácio Lula da Silva por tê-lo feito sem a sua autorização prévia – Minc veio a público anteontem para falar sobre novas estatísticas do desflorestamento na região. Os números – a serem divulgados pelo Inpe na semana que vem – beiram o assombro: o índice de Mato Grosso cresceu mais de 60% nos primeiros cinco meses deste ano em relação ao mesmo período no ano passado.

Será preciso maestria na articulação com setores distintos para que o constrangimento por qual passou sua antecessora não se repita. Em janeiro, o alerta sobre o aumento do desmatamento na Amazônia – 3.235 km² de floresta nos últimos cinco meses do ano passado – gerou embate entre Maggi e a ex-ministra. Na época, Marina foi chamada de despreparada por ele depois de ter apontado o aumento da produção de soja e carne como responsáveis pelos índices.

Diante de divergências grandiosas, portanto, é imprescindível cooperação entre governo local, Ministério do Meio Ambiente e, não menos importante, o ministro para Assuntos Estratégicos da Presidência da República, Mangabeira Unger – coordenador do Plano Amazônia Sustentável (PAS). Importa dizer que não são poucos os receosos de que tal coordenação reduza a autoridade do Ministério do Meio Ambiente sobre a agenda de desenvolvimento sustentável da Amazônia. Em recente análise publicada no site O Eco, o cientista político Sérgio Abranches avalia que essa atuação é "ameaça ao avanço de idéias que permitam preservação e discussão de uma nova agenda para a região, contemporânea e compatível aos desafios deste século".

Maestria não menos relevante será importante para um dos pontos iniciais da política ambientalista – a decisão do Conselho Monetário Nacional de bloquear o crédito de produtores sem regularização ambiental na Amazônia. Convém compreensão abrangente dos setores do governo para a região. A decisão que entrará em vigor em 1º de julho sofre possibilidade de recuo – teme-se que setores agrícolas trabalhem por sua anulação.

Para pesquisadores, o lamentável índice mato-grossense, segundo dados de Detecção de Desmatamento em Tempo Real (Deter), não chega a ser surpresa. Adalberto Veríssimo, pesquisador da instituição Imazon, observou que os números seguem a tendência de crescimento do índice de desmatamento observada desde agosto do ano passado. "As medidas tomadas pelo governo para combater a devastação ainda são insuficientes", disse.

Que a troca e o tempo de adaptação da nova gestão no Ministério do Meio Ambiente não seja a senha para grileiros, desmatadores, madeireiros, sojeiros e pecuaristas atuarem livremente na região. Investir contra a Amazônia legal, seja por parte de lideranças políticas ou empresariais, é querer autorização para ocupar e desmatar. Inadimissível.

quarta-feira, 21 de maio de 2008

Muitas contradições

A primeira vítima do dia de ontem na CPI foi a língua portuguesa. A pobrezinha foi surrada sem dó nem piedade pelas excelências presentes.

Do governo e da oposição.“Percalço” em vez de “encalço”. “Vinculado” no lugar de “veiculado”, “expiação” em vez de “especulação”, “defamar” em vez de “difamar”. E por aí foram, garbosos e cheios de si.

O ponto alto foi um deputado obeso, que vociferava, colérico, à beira de um enfarte: “Vou empregar o pretérito perfeito!” e imediatamente começou a empregar o verbo no... futuro do pretérito!

No mais, um show de grosseria, prepotência, maus modos e falta de educação. Gritaria, gritaria, e resultado próximo de zero.

Como diz Shakespeare, discursos “cheios de som e fúria, e significando nada”.

Nada sobre quem mandou fazer o dossiê, nada sobre quem o elaborou.

Uma jornada muito penosa.

André Fernandes e José Aparecido mentiram. Várias afirmações contraditórias constituíram razões suficientes para a realização de uma acareação entre os dois.

Só alguns exemplos.

1. André afirma que não pediu emprego a José Aparecido. Aparecido apresentou um currículo de André recebido por e-mail.

2. André diz que jamais sugeriu que Aparecido procurasse a revista Veja. Aparecido afirma que André é amigo de um repórter da Veja e insistiu para que Aparecido o procurasse.

3. André diz que romperam em 2004 durante a CPI do Banestado porque se sentiu usado por Aparecido. Aparecido alega que romperam em 2003 por conta de uma história sem pé nem cabeça.

4. André afirma que Aparecido apontou Erenice Guerra como a mandante do dossiê. Aparecido afirma que André mente.

A tática dos governistas foi a de desqualificar André Fernandes, seu depoimento e seu caráter. Como não dá para inocentar Aparecido – já indiciado pela Polícia Federal –, a tática governista foi a de tentar construir uma espécie de conluio perverso entre os dois funcionários experientes e conhecedores das manhas da política, que se teriam unido com um propósito desconhecido.

A intenção do governo é virar esta página rapidinho. Mas se a chapa esquentar, entre expor a ministra Dilma Roussef a um constrangimento ainda maior e entregar na bandeja a cabeça de Erenice Guerra, adivinhem qual vai ser a atitude do governo Lula!

O presidente Lula já teve que abrir mão de auxiliares muito mais preciosos, amigos e companheiros que vinham com ele há 30 anos, e que fora, em grande parte, responsáveis por sua vitória em 2002.

Vai preservar a cabeça de uma assessora de Dilma Roussef e deixar a ministra ao relento?

Pelo sim pelo não, é melhor Erenice Guerra começar a preparar o pescoço.

(Texto extraído do comentário da cientista política Lucia Hippolíto)

Para recordar o dia de ontem

Declarações estapafúrdias na CPMI dos Cartões Corporativos


Da Rádio CBN

Trechos dos depoimentos do Zé Aparecido e do assessor André.













terça-feira, 20 de maio de 2008

Os depoimentos denotam o vazamento do dossiê

Dossiê contra FHC - A consagração do "Eu não sabia"

José Aparecido, ex-chefe da Secretaria de Controle Interno da Casa Civil, é o exemplar mais ilustre da categoria dos homens que "não sabiam", uma das marcas futuras do governo Lula.

Ele simplesmente desconhecia tudo e qualquer coisa.

Não sabia para que lhe pediram a cessão de dois funcionários. Não sabia que um dossiê estava sendo produzido. E não sabia que remetera o dossiê (ou melhor: "banco de dados") para André Fernandes, assessor do senador Álvaro Dias (PSDB-PR).
Como não sabia que mandara o dossiê, não poderia saber que ele o recebera.

Acompanhe a sessão da CPI pela Globo News.

Cairá no colo do Congresso

Para bancar novas despesas da saúde geradas com a regulamentação da Emenda 29, o governo cogitava recriar Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF). Mas, ontem, o ministro das Relações Institucionais, José Múcio Monteiro, se reuniu com Lula no Palácio do Planalto e saiu de lá dizendo que o Congresso é que vai ter que decidir sobre isso, sem a interferência do governo:

- O governo não vai interferir. Em dezembro, o governo mobilizou aliados (para votar a CPMF) e não tivemos sucesso. Não queremos entrar em queda de braço com a Casa. Ninguém esqueceu aquilo - disse o ministro, em referência à proposta de prorrogação da CPMF até 2011, com alíquota de 0,38 %, derrubada pelo Congresso.

segunda-feira, 19 de maio de 2008

Novas tarifas bancárias

As novas tarifas bancárias que deverão ser cobradas pelos bancos começam a valer a partir desta quarta-feira (30). Elas só poderão ser reajustadas a cada seis meses.

O Banco Central determinou que todas as instituições financeiras devem ter siglas e descrições padronizadas. O objetivo é facilitar a comparação entre os valores cobrados pelos bancos.

A padronização das tarifas foi determinada pela resolução 3.518 do Conselho Monetário Nacional (CMN), de dezembro de 2007.

Serviços essenciais
A categoria de "serviços essenciais", na qual não podem ser cobradas tarifas, está relacionada às contas-correntes de depósito à vista e contas de depósito poupança. Os bancos são obrigados a oferecer esta categoria de serviços.
No caso de conta-corrente de depósitos à vista, estão listados os seguintes serviços gratuitos:

- fornecimento de cartão com função de débito
- fornecimento de dez folhas de cheque por mês (desde que o cliente reúna os pré-requisitos necessários para utilizar cheques)
- fornecimento de segunda via do cartão como função de débito (exceto por perda, roubo e danificação, entre outros)
- realização de até quatro saques por mês, em guichê de caixa, inclusive por meio de cheque avulso, ou em terminal de auto-atendimento
- realização de duas transferências de recursos entre contas da própria instituição por mês, em guichê de caixa, em terminal de auto-atendimento ou pela internet
- compensação de cheques
- consultas mediante utilização da internet
- fornecimento de até dois extratos contendo a movimentação do mês

Para conta de depósitos de poupança, os seguintes serviços serão grátis:

- fornecimento de cartão com função de movimentação
- fornecimento de segunda via do cartão movimentação, exceto nos casos de pedidos de reposição formulados pelo correntista, decorrentes de roubo ou furto e danificação entre outros
- realização de até dois saques, por mês, em guichês de caixa ou terminal de auto-atendimento
- consultas mediante utilização de internet
- fornecimento de até dois extratos contendo a movimentação do mês

Serviços prioritários

Já a categoria de serviços prioritários, segundo o BC, envolve 90% dos itens que envolvem movimentação de conta corrente e poupança de pessoas físicas. Na tabela citada pelo BC, constam 20 serviços que poderão ser cobrados dentro da categoria de serviços prioritários. São eles:

- confecção de cadastro para início de relacionamento
- renovação de cadastro
- fornecimento de segunda via de cartão com função de débito
- fornecimento de segunda via de cartão com função de movimentação de conta-corrente
- exclusão do cadastro de emitentes de cheques sem fundos (CCF)
- contra-ordem (ou revogação) e oposição (ou sustação) ao pagamento de cheque
- fornecimento de folhas de cheque
- cheque administrativo
- cheque de transferência bancária (TB e TBG)
- cheque visado
- saque de conta de depósitos à vista e poupança
- depósito identificado
- fornecimento de extrato mensal de conta de depósitos à vista e de poupança
- fornecimento de extrato mensal de conta de depósitos à vista e de poupança para um período
- fornecimento de cópia de microfilme, microficha ou assemelhado
- transferência por meio de DOC/TED
- transferência agendada por meio de DOC/TED
- transferência entre contas na própria instituição
- ordem de pagamento
- concessão de adiantamento a depositante

Serviços especiais
Na categoria de serviços especiais, estão aqueles que são objeto de legislação e regulamentação a parte, e não sofreram alterações. Abrangem, por exemplo, o crédito imobiliário, crédito rural e microfinanças, entre outros, e podem ser cobrados.

Serviços diferenciados

Estes serviços, também sujeitos a pagamento, não estão associados à movimentação de conta corrente ou de poupança e são objeto de contrato explícito entre clientes e instituições financeiras. Exemplo: entrega em domicílio e aluguel de cofre.

Na página da Federação Brasileira de Bancos na internet é possível comparar as tarifas cobradas pelos bancos. Clique aqui para ver.

Aumento do IPI sobre cigarros

A oposição diz que a idéia de o governo recriar a CPMF não passa de chantagem. Seria uma forma de o Planalto pressionar contra a aprovação da Emenda 29, que obriga a União a subir os gastos com saúde de 7% para 10% do Orçamento.

A CPMF teria uma alíquota muito menor, de 0,08%. Mas não podemos esquecer que da primeira vez ela foi criada com alíquota pequena, mas o percentual foi crescendo e crescendo até chegar a 0,38%.

O mais engraçado dessa história, como já comentei aqui no blog, é que o governo a toda hora diz que tem excesso de receita: quer criar fundo soberano, dar subsídios a empresários, fazer pacote industrial. Ou tem dinheiro demais ou não tem dinheiro para cumprir ume emenda constitucional. Há ruído demais nesta história e fica difícil entender.

Só há uma coisa boa nesta idéia, que é o aumento de IPI sobre cigarros e bebidas, e isso pode ser feito sem passar pelo Congresso. Como a Saúde gasta muito dinheiro para tratar da conseqüência desses consumos, nada mais justo que haja recursos destinados só para ela.

domingo, 18 de maio de 2008

O fantasma da CPMF

O governo vai decidir amanhã, durante reunião de coordenação política, uma forma de aumentar a arrecadação da área de saúde, segundo informou o ministro de Relações Institucionais, José Múcio Monteiro.

O objetivo é compensar o fim da CPMF e a provável aprovação da Emenda à Constituição nº 29, que obriga o governo a investir R$ 20 bilhões em saúde até 2010. O texto já foi aprovado no Senado e deve entrar na pauta da Câmara após o feriado de Corpus Christi.

A intenção do governo já sofre resistência entre empresários, que classificam a medida de 'retrocesso', e dizem que isso é 'página virada'.

- Não tem nada definido, o que estamos fazendo é um levantamento, uma avaliação - disse Múcio.

No entanto, o ministro confirmou que o governo estuda criar um novo imposto sobre movimentações financeiras, com alíquota de 0,08%, e elevar o Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) cobrado sobre o fumo.

A volta da CPMF já foi defendida abertamente pelo líder do governo na Câmara e integrante da Frente Parlamentar da Saúde, Henrique Fontana (PT-RS), e está agora sendo articulada pelo PMDB. O partido foi ao ministro Mantega avisar que o governo precisava se precaver. As articulações têm envolvido o presidente do PMDB, deputado Michel Temer (SP); o líder do PMDB na Câmara, Henrique Eduardo Alves (RN); e os ministros José Gomes Temporão, da Saúde - que é do PMDB -, José Múcio e Dilma Rousseff, da Casa Civil.

Impostos sobre cigarros e bebidas podem aumentar

Pela proposta de setores do PMDB, a CPMF seria recriada com alíquota de 0,05% ou 0,06%, o que renderia mais R$ 5 bilhões ou R$ 6 bilhões. Mas há um problema político: como explicar que é necessário criar um novo imposto diante de recordes de arrecadação e da rejeição social à CPMF?

Por isso a Fazenda se comprometeu a apresentar uma proposta terça-feira. Uma das alternativas é destinar parte da arrecadação dos impostos de cigarros e bebidas para a saúde. O cigarro teve sua carga tributária aumentada em 30% em 2007, elevando a arrecadação em cerca de R$ 1 bilhão. No caso das bebidas, a idéia é desviar parte da arrecadação para o setor, o que daria mais R$ 1 bilhão.

O Planalto já avisou que Lula vetará a regulamentação da Emenda 29 caso ela seja aprovada sem fonte.

País tem registrado recordes na arrecadação de impostos

As previsões catastróficas do governo sobre o fim da CPMF não se confirmaram. Desde o ano passado vêm sendo registrados recordes sucessivos na arrecadação de impostos, numa carga tributária que chega a 36% do PIB. Somente nos três primeiros meses do ano, o volume foi de R$ 162,6 bilhões, R$ 18,7 bilhões acima do arrecadado no mesmo período do ano passado - quase meia antiga CPMF, que renderia este ano R$ 40 bilhões.

Quando o Senado discutia a prorrogação da CPMF, os ministros da Fazenda, Guido Mantega, do Planejamento, Paulo Bernardo, e o próprio presidente Lula afirmaram que as contas públicas não suportariam perder R$ 40 bilhões e que a saúde pública estaria comprometida. Agora, o governo alega que o excedente já está comprometido com outras ações.

A existência da CPMF não era garantia de verba para a saúde. O governo vinha usando o imposto para fazer superávit primário e ajudar nas contas. Da alíquota de 0,38%, apenas 0,20% iam para a Saúde, 42% do arrecadado (seriam R$ 16 bilhões em 2008).

A CPMF foi criada no governo Itamar, em 1993, a pedido do ministro da Saúde Adib Jatene. No governo Fernando Henrique, foi recriada e sua validade foi sendo prorrogada até o fim de 2007, quando foi extinta pelo Senado, numa das maiores derrotas do governo Lula.

Panorama Econômico - Jornal O Globo

O X de Eike

(leia a coluna publicada no Globo, neste domingo)

O empresário Eike Batista diz que deve reduzir seus investimentos em siderurgia por causa dos problemas causados pelo uso de carvão vegetal; diz que, se a Funai não autorizar a remoção dos índios de Peruíbe, vai abandonar o projeto do porto. Seu próximo negócio: produção de madeira certificada da Amazônia. Envolvido em várias controvérsias ambientais, Eike garante que pensa o Brasil do futuro.

Eike Batista é um empreendedor nato, gosta de correr riscos, capta bilhões no exterior, compete por prazer. Está em várias áreas: prospecção de petróleo, mineração, siderurgia, hotelaria, energia, restaurantes, portos. Suas empresas, EBX, MMX, várias, todas com X no nome, poderiam ser o novo capitalismo, mas o xis da questão com Eike Batista é que ele está envolvido em várias controvérsias ambientais e defende a ajuda do Estado aos empresários, como o modelo coreano dos anos 70.

Os 23 minutos da entrevista que gravei com ele na Globonews foram poucos para tanta polêmica. Uma delas é o carvão usado por sua siderúrgica no Pantanal. Na última semana, o Ibama multou cinco carvoarias que produziam carvão ilegal e que fornecem para empresas de Corumbá, entre elas, a de Eike. Ele disse que não soube do fato, mas garantiu:

— Só compramos carvão certificado de Mato Grosso. As pessoas esquecem que, quando se está desmatando, o errado é tacar fogo e tudo virar cinzas, poluir rios. Nas áreas que estão sendo desmatadas, é preciso fazer o carvão vegetal, para ter um uso efetivo. A nossa produção de ferro-gusa de Corumbá, está lastreada em eucalipto que está sendo plantado em 500 hectares.

Ele disse que, enquanto o eucalipto cresce, usa madeira da região.

— O projeto foi concebido baseado no potencial existente de área de madeira certificada na região, se não, não faríamos o projeto. É um negócio pequeno, tínhamos jazida lá, e a produção de gusa é velha demanda da região. O gusa se faz com carvão vegetal. Estamos recebendo madeira hoje dessa fronteira agrícola que está sendo desmatada.

Perguntei se é, então, sócio do desmatamento. Ele respondeu que é sócio da madeira tirada de forma legal, mas informou que está quase desistindo do negócio.

— Achamos que essa área cria tanto problema e é tão pequena no contexto, que vamos inverter isso.

Eike selou, nesta última semana, as pazes com o governo boliviano e hoje até justifica ter sido expulso da Bolívia. Comentou que, se fosse estadista, faria a mesma coisa.

— O presidente Evo assumiu depois de 400 anos de exploração, de muita corrupção. É natural que quisesse romper com o passado e começar do zero. É um pensamento revolucionário.

Ele contou que foi atingido porque seu projeto siderúrgico estava na área controlada por um inimigo político de Evo Morales, mas que ouviu agora do vice-presidente boliviano, Álvaro Linera, que é bem-vindo ao país. Mesmo assim, vai desistir do projeto.

— Por causa de todos esses ataques que sofremos pelo carvão, não me interessa mais fazer essa unidade. Vou reduzir a presença na siderurgia.

Outra polêmica: ele está construindo uma termelétrica a carvão mineral no Ceará, e o temor é a poluição causada por essa fonte de energia.

— É importante esclarecer que é uma nova forma de geração térmica a carvão. A queima limpa do carvão, que eleva o custo do projeto. Em vez de gastar 1.500 dólares o megawatt, são 2.500 dólares para pôr todos os filtros e cumprir exigência do mais alto padrão — afirma.

Ele repetiu, na entrevista, que olha e pensa "o Brasil daqui a 100 anos, o Brasil para os meus filhos". Quis saber, então, por que escolhe setores tão velhos.

— Estamos aqui gastando um monte de energia. De onde vem essa energia? É um erro achar que energia solar e eólica são viáveis. O custo vai valer a pena em 2010, 2011. A energia nuclear voltou a ser aceita. A inteligência humana vai encontrar uma solução para seqüestrar o carbono emitido por carvão. Uma empresa espanhola está desenvolvendo um projeto de um catalisador, há a idéia de um tanque com algas que seqüestram carbono.

Eike contou também que vai investir na Amazônia, em produção de madeira certificada, em áreas públicas arrendadas. Não quis dizer o local exato.

Em Peruíbe, São Paulo, ele tem o projeto de um porto, mas um grupo de 52 famílias de índios se instalou no local. Eike ofereceu aos índios a troca por um hotel fazenda, onde há uma plantação de palmito, mas tudo depende da autorização da Funai.

— Se a Funai não deixar, não fazemos o porto.

O empresário aproveita o mercado de capitais daqui e do exterior.

— Conseguimos captar, antes dos projetos estarem funcionando, em escala de bilhão.

Mesmo assim, concorda com os subsídios aos empresários brasileiros.

— Os coreanos criaram a Samsung, a Hyundai através dos "chaebols" (conglomerados). Se o Brasil quiser dominar o mundo, ser líder, precisa dessa força do Estado, faz sentido refazer este modelo, a guerra é muito bruta.

Eike está otimista e diz que estão no Brasil 93% dos seus investimentos.

— É o melhor país do mundo, a plataforma do Brasil tem capacidade de gerar muita riqueza.

Garante que seus projetos são todos ambientalmente corretos, pois, do contrário, não conseguiria financiamento.

— Para você estar hoje na Bolsa de Valores, tem que ser assim. Tem cliente do mundo inteiro, fundo de pensão, você é vigiado em 360 graus, não dá para fazer o errado. Eu, que viajo pelo Brasil, fico envergonhado. Na época da queimada, viajo quase uma hora de avião no meio da fumaça, entre Campo Grande e Corumbá.

sábado, 17 de maio de 2008

Panorama Econômico - Jornal O Globo

Destino do cofre

(leia a coluna publicada neste sábado no Globo)

Quando acabei de entrevistar o ministro Guido Mantega, na semana passada, ele me disse: você não me perguntou de fiscal. Sinceramente, achei que não precisava. Ele tinha dado vários exemplos de aumentos de gastos. Política industrial com renúncia fiscal é gasto. Fundo soberano para emprestar, com juros menores que o custo de captação do Tesouro é gasto. Compra de mais dólares pelo Tesouro é gasto.

A política fiscal é, portanto, expansionista, foi minha conclusão. Mas a Fazenda acredita que fará um ajuste fiscal através do fundo soberano, porque isso aumentaria o superávit primário sem mexer no vespeiro de dizer ao PT que é isso que está sendo feito. A Fazenda comemora um superávit primário muito maior que a meta nos últimos 12 meses. Todo começo de ano, o superávit sobe. Este ano subiu mais porque passou-se o primeiro trimestre sem Orçamento aprovado. Isso pode não ser sustentável, principalmente porque o governo perdeu R$ 40 bilhões da CPMF, conseguiu repor apenas 25%, com o aumento do IOF e da CSLL no começo do ano.

Apesar disso, o governo está abrindo mão de receita — o que, na prática, é gasto. Está tentando, com renúncia fiscal, compensar exportadores e fazer política antiinflacionária. Diminuiu impostos para impedir a alta dos combustíveis e depois para reduzir os preços do trigo. Os exportadores ganharam a renúncia fiscal de R$ 21 bilhões.

A grande critica à política industrial tradicional é que ela é a escolha de vencedores; o beneficio é dado a alguns, e o governo privilegia uma área industrial em detrimento de outra. Desta vez, decidiu-se fazer diferente: escolher todo mundo; ou quase. Em 24 prioridades, não há prioridade. Aí, em vez de uma política industrial, tem-se uma enorme e vazia lista de intenções. Com algumas medidas boas, mas limitadas, como a redução do custo trabalhista do setor de software.
Com política fiscal expansionista, o governo está incentivando a demanda num momento em que o Banco Central está fazendo força no sentido contrário, elevando os juros para conter o consumo e, assim, enfrentar a pressão inflacionária. A inflação continua não dando trégua. O IGP-10 a 1,5% mostrou isso. Está confuso.

Em todos os governos, há a divisão entre gastadores e contracionistas, mas, normalmente, o Ministério da Fazenda fica do lado de quem segura os gastos. Como tem o comando da Receita e do Tesouro, sabe quanto custa arrecadar e quanto custa rolar a dívida pública. Sendo assim, tem a clara noção de que a elevação dos juros custa caríssimo ao Tesouro, por isso o melhor é remar na mesma direção do Banco Central.

Desta vez, é o BC isolado e a Fazenda unida aos ministérios que, por defenderem setores específicos, tendem a ver os interesses da sua área e assim defendem mais vantagens e mais renúncia fiscal.

Em outros momentos que essa mesma velha batalha foi travada dentro do governo, entre quem quer gastar e quem quer segurar o cofre, ela foi entendida como briga mesmo. Desta vez, o gasto é apresentado de forma solene e explícita, como início de um novo ciclo de desenvolvimento.

Às vezes, na economia, mira-se um objetivo, e o resultado é o oposto. A renúncia fiscal para empresários e exportadores sempre foi apresentada como uma forma de aumentar a capacidade das empresas de investirem e criarem emprego. Mas foi a forma mais eficiente de aumentar o lucro dos empresários e concentrar a renda. O Brasil não precisa tentar de novo para ver se o resultado será diferente. A pesquisa do Ipea, divulgada esta semana, mostra que quem precisa de redução de impostos é a cesta de produtos consumida pelos mais pobres, porque os brasileiros de menor renda estão pagando tributos demais, direta e indiretamente.

O Brasil tem baixo nível de poupança, tem déficit nominal e uma dívida alta e cara. Em poucas palavras: não tem dinheiro sobrando. O mais sensato seria continuar reduzindo a dívida e buscar o déficit zero.

Mas o governo decidiu fazer um fundo, apesar de tudo isso, e não com o objetivo de ser um seguro para o futuro, mas para oferecer ajuda a empresários que queiram internacionalizar seus negócios. Em resumo: apesar de ter ainda desequilíbrio nominal nas suas contas, o Brasil faz um fundo soberano, mas não para poupar, e, sim, para emprestar para empresários a um custo menor do que o Tesouro paga à sua dívida, ou seja, vai gastar. Vários guichês no mesmo governo vão comprar a moeda que mais cai no mundo com o objetivo de evitar que ela caia aqui no Brasil.

Depois da indústria, virá o setor agrícola. O governo prepara agora um pacote de benefícios para os agricultores. Os preços do que produzem estão em alta no mercado internacional, e devem permanecer subindo. A Embrapa continua arcando, quase sozinha, com o custo de pesquisa e desenvolvimento para que o setor seja mais competitivo. Mesmo assim, o governo vai abrir o guichê para oferecer a eles alguma ajuda a mais.

Com tanto dinheiro para gastar, o governo ajudaria mais se reduzisse carga tributária para todos. Seria o caminho mais simples de elevar a competitividade da economia brasileira.

O novo ministro do meio ambiente, Carlos Minc, lembrou que a política industrial foi formulada sem preocupação ambiental. Ele tem razão. A concessão de incentivos deveria ter sido uma forma de exigir condicionalidades das indústrias e assim induzir as empresas a adotarem novas práticas e processos mais modernos de produção. A decisão do governo de aumentar o gasto com os empresários ficou ainda pior pela falta de propósito e rumo.

Política Industrial

Nos últimos dias temos ouvido muito, através da mídia, sobre Política Industrial.

Mas, afinal, o que é essa Política?

A política industrial que o governo Lula anunciou na segunda-feira (12), às 10h, na sede do BNDES, no Rio, focada nos setores de exportação, deve complicar a economia, em vez de ajudá-la. De uma forma geral, essas políticas setoriais aumentam as distorções da economia e a concentração de renda e têm um funcionamento muito complicado.

No caso da nova política industrial, por exemplo, se o governo resolver incentivar o setor de software, porque ele acha que assim aumenta a exportação de produtos da tecnologia de informação, a ação será limitada e não atingirá a cadeia. E dentro de uma empresa, reduzirá o custo apenas do trabalhador ligado à exportação. Se a empresa tem 100 empregados e apenas 20 são ligados à exportação, teria que separar isso, o que é inviável.

Melhor seria investir mais em educação e na simplificação de tributos, para as empresas como um todo, reduzindo principalmente o custo trabalhista. Mas, o governo vai complicar de novo, vai querer criar benefícios para setores específicos e isso nunca foi a melhor solução, é o que se fazia durante o Governo Militar e só levou à maior concentração de renda.

Uma boa política industrial seria uma política que visasse criar mais emprego e para fazer isso você precisaria reduzir o custo, a forma de cobrar das empresas o que elas recolhem à Previdência, que hoje é feito por cada trabalhador contratado. Hoje, as empresas que empregam muito são punidas em relação aquelas que têm muitas máquinas.

Deu no Jornal do Brasil

Governo e oposição discutem nova CPMF

Objetivo é financiar elevação dos gastos com a saúde

Sem alarde, aliados do governo articulam a criação de uma nova Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF) para financiar a saúde. A medida faz parte do acordo entre governo e líderes partidários para a ... Leia mais em Governo e oposição discutem nova CPMF

Atualização às 14:56:

Se tem dinheiro sobrando por que recriar o imposto?

Acompanha só a linha dos eventos e veja como os atos do governo não conversam uns com os outros

1-O governo comemora o excesso de arrecadação e resolve distribuir dinheiro público

2-Faz um pacote em que abre mão em três anos de R$ 21 bilhões

3-Reduz a Cide sobre gasolina e deixa de arrecadar R$ 2 bilhões

4-Reduz o imposto sobre o trigo e deixa de receber R$ 500 milhões

5-Diz que tem tanto superávit que vai guardar uma parte no cofrinho, cria um fundo soberano cujo objetivo é dar dinheiro barato a empresários que queiram ir ao exterior fazer negócios

6-Começa a preparar uma nova CPMF para dar dinheiro para a Saúde.

Entendeu? Dificil! Ou bem tem dinheiro sobrando ou bem falta dinheiro e precisa recriar a CPMF. O imposto do cheque tem algumas virtudes, uma delas é ajudar a Receita Federal e a Controladoria Geral da União a fazer o trabalho de fiscalização. Fui a favor da sua extinção. Por isso acho que uma vez que ela foi derrubada democraticamente e o governo tem tido excesso de arrecadação, o mais sensato a fazer seria destinar esse excesso de arrecadação à Saúde e não aos empresários que estão bem saudáveis.

Da Revista ISTOÉ

Lindberg continua na mira de investigações
OUTROS TEMPOS: O procurador Marfan chegou em Nova Iguaçu e disse haver irregularidades na gestão de Lindberg. Nas ruas, os novos caras-pintadas contra o prefeito
CRIME: Ex-funcionária diz que incêndio em depósito de medicamentos foi proposital

MANIFESTAÇÃO : Muitos pedem o afastamento imediato do prefeito

Devassa em Nova Iguacu

Ministério Público, Polícia e Tribunal de Contas se unem para investigar gestões do prefeito Lindberg e de seu antecessor


Por MINO PEDROSA

A sede do Ministério Público em Nova Iguaçu transformou- se em um QG anticorrupção. Na tarde da terçafeira 13, desembarcou na cidade da Baixada Fluminense uma força-tarefa liderada pelo procurador- geral de Justiça do Rio de Janeiro, Marfan Vieira. Composta por três promotores do Núcleo de Tutelas Coletivas, dois promotores criminais e pela Delegacia de Repressão às Ações Criminosas Organizadas (Draco), a força-tarefa foi desencadeada a partir de denúncias publicadas na última edição de ISTOÉ. A reportagem mostra uma face até então oculta do ex-líder estudantil cara-pintada e atual prefeito de Nova Iguaçu, Lindberg Farias, e revela a existência de um milionário esquema de desvio de dinheiro público, inclusive com a contratação de funcionários fantasmas. Muitas das denúncias já são alvo de investigações no Ministério Público e outras foram feitas em conversas gravadas por duas ex-funcionárias da prefeitura (Lídia Cristina Esteves e Elza Helena Barbosa). ISTOÉ também teve acesso a uma fita de vídeo na qual Jaime Orlando, ex-presidente da Comissão de Licitações do município, conta que fornecedores e prestadores de serviço da prefeitura fazem repasse de dinheiro aos auxiliares do prefeito depois de receber por seus serviços. “Há dezenas de inquéritos e ações civis públicas que envolvem a atual administração municipal e também administrações anteriores”, disse Marfan, na sede do Ministério Público em Nova Iguaçu. “Temos situações que apontam para a falta de moralidade e probidade e que podem tornar inelegíveis tanto Lindberg como o deputado Nelson Bornier (PMDB-RJ)”, afirmou o procuradorgeral. Segundo ele, os promotores designados para a investigação foram afastados dos processos em que vinham trabalhando apenas para apurar as fraudes em Nova Iguaçu.




“Há dezenas de inquéritos e ações civis públicas que envolvem a atual administração municipal e também administrações anteriores”Marfan Vieira, procurador-geral de Justiça do Rio de Janeiro




No Ministério Público Estadual já existem oito investigações formalizadas contra a atual administração e 13 ações contra Bornier, ex-prefeito e précandidato à sucessão de Lindberg. “Não faremos nenhum tipo de perseguição política. Os dois (Lindberg e Bornier) são réus e serão investigados com rigor”, disse Marfan. Também na semana passada, o delegado Cláudio Ferraz, responsável pelos inquéritos especiais da Draco, abriu investigação para apurar crimes de “formação de quadrilha” e “ofensa ao procurador-geral”. Em uma das fitas divulgadas por ISTOÉ, Jaime Orlando diz que precisou arrecadar R$ 60 mil que “seriam entregues para o procurador Marfan”. Além do Ministério Público e da Polícia Civil, a gestão de Lindberg será alvo de uma devassa pelo Tribunal de Contas do Estado (TCE), que terá início na segunda- feira 19. Na semana passada, o TCE informou que a investigação será conduzida por uma equipe exclusiva, formada por engenheiros e auditores.




O Tribunal já vem examinando a legalidade de contratações efetuadas pela prefeitura de empresas, ONGs e cooperativas, denunciadas pelas exfuncionárias. O TCE planeja intensificar a investigação sobre a Secretária de Saúde, em particular sobre contratações de funcionários e compra de medicamentos feita para o Hospital de Posse. As fitas em poder de ISTOÉ foram encaminhadas ao Ministério Público e em uma delas a ex-secretária de recursos humanos Lídia Cristina Esteves conta que um grupo de pessoas ligadas a Lindberg provocou um incêndio no depósito de medicamentos do Hospital de Posse, em junho de 2006, com a intenção de obrigar a prefeitura a comprar remédios em caráter de urgência – livre, portanto, de licitação. A venda desses medicamentos, segundo Lídia, foi feita por empresas direta ou indiretamente ligadas ao prefeito. Na polícia de Nova Iguaçu, há um laudo técnico que aponta para indícios de crime no incêndio.




Diante das denúncias, o prefeito Lindberg disse ser vítima de perseguição política e, através de uma nota emitida pela Secretaria de Comunicação, procurou negar as acusações formuladas pelas ex-funcionárias. Na nota, afirma que a fita contendo as gravações de Lídia Cristina foi produzida quando ela estava “embriagada” e que a própria Lídia já teria desmentido o que dissera. No final de 2006, circularam em jornais e rádios de Nova Iguaçu declarações prestadas pela exfuncionária, posteriormente desmentidas. Mas a gravação a que ISTOÉ teve acesso é outra e muito do que ela revela em detalhes já vem sendo investigado pelo Ministério Público e pelo Tribunal de Contas. Exemplo disso é um contrato da prefeitura com a empresa de comunicação Supernova Mídia. Segundo denúncia formulada pelo MP, a empresa teria recebido indevidamente R$ 600 mil dos cofres municipais. O fato fez com que Jaime Orlando fosse afastado da presidência da Comissão de Licitação. Outro caso denunciado por Lídia e já em apuração pelos auditores do Tribunal de Contas trata da parceria entre a prefeitura e o Instituto Paulo Freire, no valor de R$ 440 mil. “Há fortes indícios de desvio de dinheiro público”, afirmou um dos auditores do TCE. “Nos próximos dias, vamos analisar em profundidade essa parceria”, disse.




O Tribunal de Contas montou equipe especial para rever contratos da prefeitura




Uma das prioridades da força-tarefa instalada em Nova Iguaçu será investigar um provável “mensalinho” pago pelo prefeito aos vereadores para que tenha maioria na Câmara Municipal. Segundo a denúncia de Lídia, o dinheiro é repassado aos vereadores por intermédio da contratação de funcionários indicados por eles, muitos deles fantasmas. Os promotores da força- tarefa já estão com uma lista de contratados. Muitos deles, segundo Lídia, jamais puseram os pés na prefeitura. Nas próximas semanas, esses funcionários deverão ser chamados para depor no Ministério Público.




Além da repercussão policial, o que vem ocorrendo na Prefeitura de Nova Iguaçu também tem conotação política. Na noite da terça-feira 13, faltaram apenas três votos para que fosse aberto um processo de afastamento imediato do prefeito. O pedido foi formulado pelo vereador Celso Valentim (PHS), que obteve quatro votos a favor. Seriam necessários sete votos para a abertura do processo. Lindberg conseguiu somar 15 votos. Durante a sessão houve tumulto, com manifestantes contra e a favor do prefeito.

Vivendo de Solidão

Composição: Batista Lima

Preso no apartamento vivendo de solidão
eu me encontro aqui mais uma vez me enchendo de expiração
então eu desabafo as mágoas as tristezas nesse violão
parece que ele chora com pena desse coração
O tempo passa o dia inteiro fico a te imaginar
com tanta gente ao meu redor mas só você não está
eu olho pra janela vejo a noite sinto medo o frio a me envolver
que me pego a chorar por perceber, que não tenho você aqui,
perto de mim, me sinto tão só, sem teu carinho pra me aquecer
tento esconder de mim a solidão,
mas eu não consigo tirar você do meu coração
E o medo que um dia você possa me dizer que não me ama mais
e toda aquela nossa história de amor, você jogar pra trás
aumenta a cada dia essa distância entre nós
eu pego o telefone, ao menos posso ouvir sua voz
o verdadeiro amor o tempo e a distância nada pode separar
sou como sol, você e a lua é tão difícil de se encontrar
eu fico desesperado pois não sei o que eu vou fazer
só não quero ter que imaginar que um dia eu não vou ter você
aqui, perto de mim, sinto tão só, sem teus carinhos pra me aquecer
tento esconder de mim a solidão,mais eu não consigo tirar você do meu
coraçãosó queria ter você aqui,perto de mim, eu me sinto tão só
sem teus carinhos pra me aquecer,tento esconder de mim a solidão,
mais eu não consigo tirar você do meu coração...(do meu coração)
Preso num apartamento vivendo de solidão.

Porque hoje é sábado

Saudade da minha terra
Igreja Matriz Paróquia de Sant'Ana e São Joaquim em São José de Mipibu/RN
Foto: Marcel Bueno

Reforma Ortográfica

Confira abaixo o que muda para nós, brasileiros:

o novo alfabeto será composto por 26 letras, com a adesão do “k”, do “w” e do “y”;

acentos diferenciais como o de “pára”, do verbo parar, não serão mais usados;

acentos agudos em ditongos como em “idéia” também irão desaparecer. Passaremos a escrever ideia;

o circunflexo em palavras com o duplo “o” e o duplo “e” também irão sumir – “vôo” virará voo, por exemplo;

o trema de palavras em português como “tranqüilo” e “bilíngüe” será extinto, sendo usado somente em palavras estrangeiras.

Deu em ÉPOCA

A coragem de Carol

Como vive a mãe da menina Isabella, Ana Carolina de Oliveira, cuja serenidade diante da tragédia tornou-se um exemplo para todo o país. Assinate Época leia a entrevista na íntegra em http://revistaepoca.globo.com/EditoraGlobo/Artigo/exibir.ssp?artigoId=83742&secaoId=6014&edicao=522

Do Jornal O Globo


O Superior Tribunal de Justiça (STJ) negou o pedido de liminar do casal Alexandre Nardoni e Anna Carolina Jatobá, acusados como responsáveis pela morte da menina Isabella Nardoni, de cinco anos. O Ministro Napoleão Nunes Maia Filho , do tribunal, seguiu a decisão da Justiça paulista, que manteve o casal preso enquanto aguarda o julgamento.

Em sua decisão, Maia Filho disse que a decisão do desembargador Caio Canguçu de Almeida, do Tribunal de Justiça paulista, "expõe com fundamento e lógica, com pertinência e conclusividade, a necessidade de excepcionar uma importantíssima conquista cultural (direito à liberdade), quando diante da situação em que outro valor, igualmente relevante, se ergue e se impõe como merecedor de prioridade".

Esse foi o julgamento liminar do pedido, que ainda terá de ser analisado pela Quinta Turma do STJ. O habeas-corpus, com pedido de liminar, chegou ao STJ na tarde desta sexta-feira (16). Os autos têm seis volumes, sendo 107 páginas somente de petição inicial. A defesa alega não haver justa causa para a prisão preventiva em função da inobservância dos requisitos previstos em lei que autorizam a decretação. Por isso, pede que os acusados sejam colocados em liberdade. A defesa também pede a nulidade do recebimento da denúncia sob a alegação de que teria havido juízo de mérito com antecipação de julgamento. Para a defesa, houve excessivo juízo de valor, abuso de opiniões e julgamentos inadequados no relatório da autoridade policial, a peça que finda o inquérito.

Alexandre está preso no Centro de Detenção Provisória II em Guarulhos (SP) e Anna Carolina está presa na Penitenciária Feminina de Tremembé (SP).

sexta-feira, 16 de maio de 2008

Está difícil para o Lindberg

Fiquei sabendo, hoje, que a pesquisa de intenção de voto realizada pelo Instituto Brasileiro de Pesquisa Social (IBPS) mostra que o deputado federal Nelson Bornier (PMDB) mantém a liderança na disputa pela prefeitura de Nova Iguaçu.

Na terceira pesquisa eleitoral realizada pelo IBPS no município, o peemedebista aparece com 31,7% da intenção de votos, registrando um aumento de 2,6% pontos percentuais em relação à consulta de março. Já o prefeito Lindberg Farias (PT), que havia perdido quase 7% pontos percentuais, teve um crescimento de 2,2%. O petista tem agora 26% da intenção de votos, seguido por Mário Marques (PSDB), com 13%; Rogério Lisboa (DEM), com 2,9%; e Marcelo Lessa (PR), com 2,2%.

O prefeito Lindberg Farias, por sua vez, tem o índice de 30% de rejeição, o que representa um crescimento de 6,1% pontos percentuais em relação ao mês de março. Em seguida, vem Mário Marques (11,7%); Nelson Bornier (10,3%); Rogério Lisboa (4,2%); e Marcelo Lessa (3%). Entre os entrevistados, 25,5% afirmaram que não votariam em nenhum dos candidatos citados.

Do ponto de vista da administração do petista, 35,5% dos entrevistados consideraram o governo de Lindberg ruim ou muito ruim; 30,7% avaliaram como regular; 26,9% consideram bom; e 6,4%, muito bom. Por sua vez, o futuro prefeito de Nova Iguaçu terá que resolver as questões da saúde e do saneamento básico, apontados por 48,5% dos entrevistados como os maiores problemas da cidade.

O IBPS entrevistou, por telefone, 863 eleitores com idade acima de 16 anos, entre os dias 12 e 15 de maio. A margem de erro é de 3,4% e o intervalo de confiança é de 95%.

Mudanças no Planalto

A saída de Marina Silva e a nomeação de Carlos Minc revelam uma mudança de padrão no Planalto.

Marina Silva estava isolada há algum tempo. Desrespeitada em público pelo presidente, ultrapassada por outros ministros (e ministras), derrotada em praticamente todas as batalhas em que se envolveu, Marina decidiu sair.

Por que foi diferente das outras demissões? Porque Marina não estava envolvida em nenhum escândalo de corrupção nem de formação de quadrilha, não decidiu voltar à iniciativa privada, não decidiu disputar eleições. Apenas não queria mais permanecer como uma jóia cara, brilhante e inútil na coleção do presidente Lula.

Diferente, porque Marina não saiu alegando motivos particulares. Ao contrário, enumerou em sua carta de demissão todas as razões de seu desconforto no governo.

Diferente porque Marina decidiu não atender a apelos para que permanecesse no cargo até que o presidente escolhesse um sucessor.

Sabe que o presidente Lula é ruim de demitir e ruim de nomear. Interinos têm-se eternizado em várias pastas. Marina decidiu sair sem consultar o presidente.

Mas Lula também foi diferente desta vez.

Acostumado à bajulação, a auxiliares que preferem ser desrespeitados em público a se afastar do círculo de um presidente no auge da popularidade, Lula foi realmente apanhado de surpresa. E reagiu com o fígado.

Não esperou, não ouviu ninguém, não hesitou. Carlos Minc é rápido no gatilho para obter licenças ambientais? Pois será ele o novo ministro. O fundamental era não deixar o cargo vago, porque a repercussão internacional à saída de Marina Silva foi a pior possível.

E o presidente Lula, por seu temperamento e por sua obsessão com o sonho do Brasil Grande Potência, é um presidente particularmente sensível ao que dizem do Brasil e de seu governo lá fora.

Assim, contrariando sua tendência à indecisão para nomear e a promover interinos, só para não ter que decidir, Lula escolheu o secretário de Meio-Ambiente do Rio, Carlos Minc.

Voltou atrás, convidou Jorge Vianna, que recusou – outra novidade, alguém recusando um convite de Lula para ser ministro –, e decidiu-se finalmente por Carlos Minc.

Indiscutivelmente, tanto da parte da ministra que sai, quanto da parte do presidente que decide rapidamente, foi uma novidade.

quinta-feira, 15 de maio de 2008

Foto do dia

Marina diz que saiu para que "as pedras se movam".
Foto: Agência O Globo

Deu em O Globo Online

Pobres no Brasil pagam mais impostos do que ricos

De Cristiane Jungblut

Pesquisa do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) divulgada nesta quinta-feira mostrou que o atual sistema tributário do país faz com que os mais pobres paguem mais impostos que os mais ricos.

Segundo o levantamento, os 10% mais pobres pagam 32% de sua renda em impostos e contribuições, enquanto os 10% mais ricos pagam só 22%. Já os extremamente pobres entregam 44,5% do que ganham para o Estado. O Ipea mostrou ainda que os 10% mais ricos concentram 75% da riqueza e da renda nacional.


( Clique aqui e leia a íntegra da pesquisa ) - arquivo em pdf

Charge - Amarildo


Do Jornal O Globo

Panorama Econômico


O abate e o fogo

A Amazônia entrou agora no período do abate das árvores. De maio a julho, é o auge do desmatamento. Depois virá o tempo do fogo; de agosto a outubro. Época perigosa para a mudança de ministro do Meio Ambiente. O presidente Lula procura em Carlos Minc a rapidez das licenças ambientais. Minc precisa ter na equipe quem entenda de Amazônia. Há números ruins rondando. Uma palavra selou a saída da ex-ministra.

A ministra Marina Silva engoliu a seco. Nem quem estava do seu lado percebeu que, naquele exato momento, ela decidiu sair do governo. Foi na reunião no Palácio do Planalto, na quinta-feira, dia 8. Discutia-se um conjunto de medidas chamado Arco Verde e o Plano Amazônia Sustentável. Marina enfrentou críticas na reunião, mas uma frase do presidente foi definitiva:

— Então o importante é que tenha alguém isento para tocar esse plano. A Marina não é isenta; o Stephanes não é isento. Por isso, será o Mangabeira Unger.

A reunião foi toda estranha. Mangabeira entrou em silêncio e nada falou. Já sabia que ganhara a briga. Reinhold Stephanes, da Agricultura, ficou em silêncio. Geddel Vieira Lima, da Integração, chegou atrasado. Marina apresentou o "Arco Verde", um plano para completar o trabalho da Arco de Fogo. Nela tinha desde proposta de ajuda aos desempregados a incentivos à atividade econômica. Os governadores reclamaram. Ana Julia Carepa, do Pará, disse que era pouco. O governador Blairo Maggi viu Marina sozinha e atacou:

— Marina é uma locomotiva: deixa terra arrasada onde passa!

Seria melhor que Blairo dissesse isso dele mesmo. Os dados sobre Mato Grosso são assustadores. Só no último semestre do ano passado, foram detectados 23 mil km² de incêndio no estado.
Reuniões tensas sobre meio ambiente são corriqueiras, mas o que pesou naquela foi o fato de que o presidente disse, na frente de todos, que achava que sua ministra do Meio Ambiente não era isenta para comandar um plano na Amazônia. Ela ouviu, então, de um amigo próximo:
— Você não está acumulando mais capital, está só perdendo.

É temerário deixar um plano amazônico ficar sob o comando de Mangabeira Unger. Ele é confuso. Recentemente, numa acalorada discussão sobre como resolver o problema fundiário da Amazônia, Unger saiu-se com essa:
— Temos que mudar o Código Civil!

Na avaliação feita no ministério, Marina ganhou várias brigas. Não acumula só derrotas. Ela costuma incluir na lista das vitórias até o licenciamento das usinas do Rio Madeira. Garante que teve o apoio do presidente para resolver todos os problemas levantados pela equipe, e a licença foi dada com todas as garantias. Outra vitória recente foi uma resolução do Conselho Monetário Nacional, formulada pelo ministro Guido Mantega, que obriga, a partir de 1 de julho, que todos os bancos exijam, nos empréstimos, certificado de registro da terra e cadastro ambiental para provar que o produtor respeita a reserva legal de 80% ou tem planos para recuperá-la.

Algumas derrotas recentes estão na gaveta da Casa Civil. Lá estão paradas várias unidades de conservação já criadas e com todo o processo concluído. A ministra Dilma segura até a criação da reserva extrativista do Xingu, onde o conflito é acirrado.

O presidente do Ibama, Bazileu Margarido, foi ao Palácio às 13h de terça-feira. Entregou ao secretário Gilberto Carvalho a carta de demissão da ministra. Há um ano, ela tinha enviado carta semelhante, mas foi convencida a ficar. Lula estava no Itamaraty. Quando recebeu a carta, o presidente reagiu irritado:
— Mas já está aqui no on-line!

Continua irritado, mas planeja afagos a ela no discurso de posse de Carlos Minc, na semana que vem.

A conversa ontem cedo no Palácio entre o presidente e o ex-governador Jorge Viana resolveu-se logo. Viana deu sinais de que preferia ficar na Helibras. Depois confessou que, para ele, seria muito difícil substituir Marina Silva. Lula não insistiu; ele estava com o nome de Minc na cabeça desde a véspera, dizem assessores. Ligou às 10h10m para o governador Sérgio Cabral e refez o convite. Cabral ligou para Minc, em Paris. Ele respondeu que era uma responsabilidade grande; tinha que pensar. Gilberto Carvalho ligou duas vezes, insistindo para que aceitasse. Às 16h, quem ligou foi o próprio presidente. Minc disse sim. Ficaram de conversar na segunda-feira.

O desmatamento aumentou muito desde o fim do ano passado (que entra na conta de 2008) e em janeiro e fevereiro, apesar de não serem meses de desmatamento. Em março, caiu um pouco. Mas há um grande risco de voltar a subir. O presidente tem que dar mais poder ao Ministério do Meio Ambiente para não ficar com esta conta. E Carlos Minc tem que montar uma equipe forte em Amazônia.

O governador Sérgio Cabral diz que Minc é pessoa que resolve. Ou diz sim, ou diz não. E é um bom "gestor ambiental". Como parlamentar, propôs leis ideais; como secretário, virou adepto do "possível". Na sua gestão, aprovou três projetos grandes: Comperj, Reduc e gasoduto, que têm impacto na Baía de Guanabara. Aprovou cinco portos que podem afetar, segundo avaliação de alguns críticos, manguezais. O pragmatismo nas cidades é uma coisa; na Amazônia, pode ser fatal.

Marina Silva cansou de ser jóia cara para o Planalto

Em entrevista coletiva a...


...Ex-ministra atribui saída à estagnação

Marina Silva (PT-AC) falou à imprensa pela primeira vez desde que pediu demissão do Ministério do Meio Ambiente. Em entrevista coletiva que corre neste momento na sede da Agência Nacional de Águas, em Brasília, a ex-ministra disse que seu trabalho à frente do ministério estava estagnando e afirmou ter achado acertada a escolha de Carlos Minc para substituí-la.

- Percebi que as pedras não estavam mais se movendo e quando as pedras não se movem, é preciso fazer algo para que elas se movam. A escolha do Minc qualifica o processo. Às vezes você acumula conquistas que precisam ser consolidadas. É preciso que se movimente o processo. É melhor o filho vivo no colo do outro do que jazindo no seu próprio colo.

Ela também afirmou não ter sido consultada sobre a indicação do ministro Mangabeira Unger (Secretário Especial de Assuntos Estratégicos) para chefiar o Programa de Amazônia Sustentável. Marina Silva negou, porém, os boatos de que teria ficado chateada com isso.

- Não posso dizer que o meu gesto é em função do doutor Mangabeira. Não é uma questão de pessoa, mas que você vai vendo um processo e percebe quando começa a ter estagnação. E na estagnação, devemos criar um novo processo com novos acordos e um novo ministro .

Acompanhe a entrevista pela Globo News

Para compensar o aumento do pãozinho

O nosso pãozinho de cada dia está ficando mais caro. E são dois os motivos principais: a crise mundial dos alimentos e a confusão do campo na Argentina. Para se ter uma idéia, o preço do trigo, que é a matéria-prima básica do pão, teve um aumento de 25% a tonelada aqui no país.

Nós só conseguimos produzir cerca de um terço do trigo que consumimos. Por isso estamos sempre dependentes de importação. O governo tomou medidas para aumentar a safra, mas ainda ficaremos longe da auto-suficiência.

Para baixar os preços, o governo reduziu a cobrança do PIS/Cofins do trigo e da farinha de trigo. Tirou também a taxa de 25% do frete da Marinha Mercante. Isso para que a gente consiga importar mais trigo dos Estados Unidos e do Canadá.

De qualquer modo, o nosso maior vendedor é mesmo a Argentina. Compramos deles 4 milhões das 10 milhões de toneladas que consumimos. Mas eles estão tendo problemas no campo e não estão vendendo o que haviam prometido. Como existe um acordo no Mercosul que sobretaxa o trigo comprado fora do bloco, comprar de outros países é mais caro. Mas como os argentinos estão com problemas, o governo resolveu reduzir a alíquota de importação a zero para um milhão de tonelada comprada fora do bloco. Com isso, o trigo do Canadá chegará mais barato.

Essas medidas devem reduzir o preço do pão nos próximos meses. O único receio é que a cadeia produtiva não repasse essa queda ao consumidor.

Novo ministro do Meio Ambiente


A posse do novo ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, será apenas na próxima semana. O presidente e o Minc conversaram por telefone para oficializar o convite e a aceitação. Mas Minc está em Paris e o presidente embarca para o Peru. Por isso os dois só vão se encontrar na segunda e então será marcada a posse e transmissão de cargo. O presidente deu ao novo ministro carta branca para formar a equipe de sua confiança.

O presidente Lula e a ex-ministra Marina Silva ainda não conversaram. Pelo menos até às 16h40m, uma fonte do Palácio afirmava que os dois não tinham se falado ainda. Lula acha que Marina não agiu corretamente. Na avaliação do Palácio, a carta foi “vazada” para a imprensa antes de ter sido lida pelo presidente. A ministra por sua vez está fechada em copas e não tem falado com jornalistas.

quarta-feira, 14 de maio de 2008

Dólar

Brasil e Argentina: uma moeda, dois destinos


Do blog da Míriam Leitão

Existe um país no planeta Terra onde o dólar dispara e o governo tem que vender dólares para segurar a cotação da moeda nacional: a Argentina.

Aliás Brasil e Argentina caminham em sentidos contrários. Confiram nos gráficos abaixo: no Brasil o dólar despencou, na Argentina ele disparou. No Brasil, o Banco Central compra dólares, o Tesouro compra dólares, e eles vão fazer um fundo para comprar dólares. Tudo para segurar a pobre da moeda americana que se desfaz por aqui. Lá, o BC está tentando segurar o peso, como nos velhos tempos das crises dos nos 90.

A Argentina está na contra-mão. Lá, a inflação subiu, o governo manipulou o índice, e agora ninguém sabe qual é o real valor do peso. Por isso corre para o dólar. O governo fala em pacote anti-inflacionário e o povo argentino logo lembra do calote em que só não perdeu quem tinha dólar debaixo do colchão. Quem tinha dólar no banco, perdeu. Gatos argentinos escaldados têm medo de tudo.

Brasil e Argentina, vizinhos e sócios no Mercosul, estão vivendo realidades opostas. Com todos os nossos problemas por aqui, nós estamos em situação bem melho


Dólar x Peso





Dólar x Real






Deu em O Globo

Supremo recebe manifesto a favor das cotas


Grupo entrega ao presidente da Corte documento endossado por acadêmicos, artistas e ativistas de direitos humanos

De Carolina Brígido:

Um grupo de defensores da política de cotas raciais nas universidades entregou ontem ao presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Gilmar Mendes, um manifesto em defesa da causa. O documento foi assinado por mais de mil pessoas, incluindo acadêmicos, estudantes, artistas e militantes dos direitos de minorias. Na lista, estão o cineasta Nelson Pereira dos Santos, a atriz Taís Araújo, o ator Lázaro Ramos, a cantora Margareth Menezes, o rapper MV Bill, o arquiteto Oscar Niemeyer e João Pedro Stédile, líder do Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST).

Segundo o texto, as cotas cumprem o papel de compensar a histórica exclusão dos negros das universidades. "Apenas nos últimos cinco anos houve um índice de ingresso de estudantes negros no ensino superior maior do que jamais foi alcançado em todo o século XX", diz o documento. Há duas semanas, opositores da política de cotas também levaram um manifesto ao presidente do STF. Os dois grupos estão preocupados com o julgamento de duas ações sobre o tema. O plenário começou a analisar o assunto há um mês, mas interrompeu a sessão. O julgamento deverá ser retomado apenas no próximo semestre.


De Geralda Doca:

A população negra, composta por brasileiros pretos e pardos, será maioria ainda este ano. Porém, o Brasil está longe de ultrapassar de vez as barreiras da desigualdade. Segundo estudo inédito do Ipea, divulgado ontem, as políticas públicas em andamento (programas de transferência de renda e ações específicas, como as cotas) não têm compromisso com a questão racial e mantêm longa a jornada rumo ao fim das disparidades. Mantidas as tendências atuais, o Brasil levaria 32 anos para igualar a renda dos trabalhadores: os negros ganham hoje, em média, R$ 558,24, 53% menos do que o rendimento médio dos brancos: R$ 1.087.