sábado, 24 de julho de 2010

Convém Sonhar*

Manezão gostava de brincadeiras brutas, agressivas. Um senso de humor esquisito. Era o chefe de disciplina do colégio. Ele entregou ao mais franzino dos dois meninos pobres de Garanhuns, que entravam na escola pela primeira vez, um balde e uma vassoura e disse: "Este é seu lápis, este é seu caderno!" Eles teriam que trabalhar na limpeza para ter bolsa para estudar no renomado colégio XV de Novembro.

A mãe dos meninos tinha pedido bolsa aos diretores durante um encontro na escola dominical, na Igreja Presbiteriana. Analfabeta, extremamente pobre, queria que os filhos estudassem. Sonho antigo e persistente. Foi por ele que decidiu sair de Recife e tentar a sorte no interior do estado.

— Vamos para Garanhuns que os meninos precisam estudar — disse ao marido.

Eram os anos 20 do século passado. O analfabetismo era dominante no Nordeste; ela queria para os filhos outro destino. Bolsa, os diretores americanos, que fundaram o colégio, avisaram que não davam. Mas aceitaram que dois deles estudassem de graça, se concordassem em trabalhar no colégio. O mais velho dos dois irmãos que ganharam a bolsa-trabalho tinha 13 anos; o mais novo, 11. Anos depois, a família conseguiu que entrasse nesse grupo o caçula, então com 7 anos.

De tarde, eles varriam as salas e lavavam os banheiros. De madrugada, espanavam as carteiras e mesas. Depois iam para a aula como todos os alunos. A mãe orientava que só vestissem o uniforme após terminada a limpeza e depois que se limpassem no banheiro do colégio. Ela sempre entregava a eles uniformes limpinhos, que, às vezes, secava no ferro durante a noite. Nem sempre estavam bem alimentados.

— Trabalhávamos para estudar e ainda passávamos fome — relatou recentemente o mais novo dos irmãos.

Foram eternamente gratos à oportunidade que receberam e retribuíram estudando muito. Os três foram alunos brilhantes, de pontuar nos primeiros lugares, de queimar etapas com provas no estilo supletivo.

Orientados pelos diretores e professores do XV de Novembro, continuaram seus estudos para além do ginásio, além de Pernambuco. Os três foram para o seminário presbiteriano em Campinas. O curso era apertado, nota mínima 8. Estudava-se não apenas teologia. Saía-se de lá com várias licenciaturas, para o trabalho de professor do ensino médio. No seminário, o menino que recebera de Manezão o balde e a vassoura tinha tão bom desempenho, esforçava-se para falar português tão irretocável, que recebeu o apelido de "mulatinho pernóstico".

Ele dava de ombros, porque sabia dos seus sonhos e estava decidido a realizá-lo: sonhava dirigir um colégio e, quando estivesse nesta situação de poder, dar bolsa a meninos pobres, como ele, que teriam então a chance que teve. Era isso que pedia nas orações que costumava fazer num morro de Garanhuns chamado Monte Sinai. Passava por lá entre um biscate e outro que fazia — de vendedor na feira a pintor — para ajudar a renda baixíssima e instável da família. O pai era pedreiro em frente de obras, nem sempre tinha trabalho e renda.

Quando se mudou, aos 28 anos, para o Vale do Rio Doce, fundou, em Caratinga, junto com outros líderes locais, o primeiro ginásio da região. Como diretor, fazia exatamente aquilo a que se propôs na adolescência: distribuía muita bolsa de estudo. Não o fazia em troca de trabalho. A alguns dos bolsistas mais velhos, muito pobres, também ofereceu trabalho assalariado no colégio.

Os três se dedicaram à educação, os três se dedicaram à igreja. Dividiam-se entre as duas frentes de trabalho. Como acreditavam no ensino laico, não misturavam as duas. Foram excelentes professores nas escolas onde ensinaram. Foram brilhantes oradores nas igrejas.

A fé em Deus era inabalável, a paixão laica que tiveram era a educação. O mais novo e o mais velho também fizeram Direito. Dos três, o mais dedicado à educação foi o do meio, exatamente o menino franzino que tinha recebido o balde e a vassoura. Além do colégio que fundou e fez prosperar em cursos superiores, abriu escolas públicas em outras cidades, a pedido do governo do estado, na época da interiorização do ensino fundamental em Minas Gerais. Ele mesmo estudou a vida inteira, como autodidata e leitor voraz, os mais variados assuntos: da filosofia à física quântica.

Tiveram sempre orgulho de terem trabalhado para conquistar o direito de estudar num colégio de excelente qualidade de ensino. Nunca se deram conta de que trabalhar cedo demais era um absurdo. Achavam que foi uma troca justa à qual lhes coube corresponder. De Manezão, vingaram-se fazendo dele uma figura folclórica nas famílias que constituíram. "Brincadeira de Manezão" passou a ser a expressão que designava a atitude de humor grosseiro, da pessoa que agride, quando tenta brincar.

O mais velho, Boanerges, morreu aos 62 anos. O mais novo, Nathanael, está vivo e lúcido aos 85 anos. O do meio, o menino franzino, alvo da brincadeira do Manezão, é Uriel, o meu pai. Ele morreu exatamente há 10 anos, em 29 de junho de 1998. Quando estava velando seu corpo, um homem se aproximou de mim e disse que tinha sido menino de rua até que meu pai lhe deu bolsa no colégio e no internato, e tinha virado juiz de direito. Outro contou que trabalhava na roça, era analfabeto, até a visita do meu pai. Passou a estudar e virou gerente de banco. Histórias assim foram me enchendo de orgulho naquele dia difícil.

Nathanael, meu tio, fez o sermão do culto de ação de graças pela vida dele. Ao lado do corpo do irmão, começou dizendo: "Este homem sonhou. Convém sonhar." Essa história sedimentou em mim a confiança na força da educação.

* Escrito por Miriam Leitão e publicada no Jornal O Globo do dia 28/06/2008.

Porque hoje é sábado


Lançado na última quinta-feira, na livraria Argumento, no Rio de Janeiro, "Convém Sonhar", um livro de colunas que vão além de economia. Nele, também tem assunto sobre ecologia, questões raciais, a questão da mulher, o meio ambiente, crônicas, política e jornalismo. Os textos foram selecionados da coluna do jornal “O Globo”.

Quem quiser ler pode escolher o assunto do seu interesse porque está dividido por capítulos. Essa é a vantagem de coletâneas. Quem gostar de educação pode ler Mãe das Batalhas. Tem uma que se chama Visita das Águas que é a história de uma coluna que a Miriam Leitão começou, parou e retomou quatro anos depois.

Uma crônica chamada Elas Carregam Trens conta a história de uma mulher que a Miriam encontrou por acaso e que a ensinou muito. Tempo incerto é sobre uma visita que ela fez ao MetOffice, centro de climatologia da Inglaterra. O Senhor Tolere fala da visita ao Parque Grande Sertão Veredas. Enfim, algum ponto desse livro a gente se encontra. Vale a pena ler.

quinta-feira, 22 de julho de 2010

Lançamento de livro no blog


Hoje acontece o lançamento do livro Convém Sonhar, escrito por Miriam Leitão.

A noite de autográfos será na Livraria Argumento do Leblon, às 19h.

segunda-feira, 19 de julho de 2010

Lançamento de livro no blog


Convém Sonhar

Uma das mais respeitadas jornalistas do país, Miriam Leitão, reúne as crônicas mais marcantes, publicadas ao longo de seus quase vinte anos de carreira. Dividido de forma temática, este livro, mais do que uma coletânea de textos, retrata a história recente do país, com os acontecimentos que marcaram a sociedade, a política e a economia.

Miriam Leitão tem coluna diária no jornal O Globo, é comentarista de economia da TV Globo, Rádio CBN, além de ser âncora no programa Espaço Aberto veiculado pela Globonews.

No livro, além de economia, tem jornalismo, política, meio ambiente, questões institucionais, social, racial, da mulher e, no final, um conjunto de colunas que são mais crônicas. Justamente desse bloco final é que sai o título do livro, Convém Sonhar, uma história bem pessoal, que ela considerou valiosa porque fala da importância da educação.

Lançado pela Editora Record, Convém Sonhar, possui 504 páginas e pode ser adquirido pelo preço entre R$ 44,00 e R$ 55,00.

Assim, para prestigiar, estarei na próxima quinta-feira, 22, na livraria Argumento do Leblon, participando deste lançamento. É claro que eu quero o meu autografado.

sexta-feira, 16 de julho de 2010

Por dentro do blog

Caros amigos,
reconheço que estou muito descuidado com as informações através do meu blog.

Nunca mais postei nada novo, nenhum texto, nada!

O fato é que desde que eu comecei em uma nova empreitada, fiquei em falta com este veículo.

Porém, para me redimir, postarei resumo de aulas referente aos estudos que estou realizando atualmente.

A mudança de tema será necessária, pois deixarei um pouco a política de lado e passarei a tratar com mais frequência de temas relativos a economia, finanças. Em suma, conteúdos que estão sendo meu principal instrumento de carreira profissional.

Espero que vocês gostem!

Bom final de semana e cordial abraço.

quinta-feira, 1 de julho de 2010

Oferta do BB sai a R$ 24,65 por ação e gera R$ 9,7 bi

Téo Takar

A oferta pública de ações do Banco do Brasil (BB) saiu a preço de mercado. Os papéis foram colocados a R$ 24,65, mesma cotação de fechamento dos ativos na BM & FBovespa nesta quarta-feira, quando a ação recuou 3,33% em relação a ontem.

Ao todo, o banco colocou 396 milhões de ações ordinárias, sendo 286 milhões em colocação primária e 110 milhões e oferta secundária. Com isso, foram captados R$ 9,761 bilhões.

Desse total, R$ 7,050 bilhões irão para o caixa do banco e os R$ 2,711 bilhões restantes serão embolsados pelos acionistas vendedoress na operação: o BNDESPar, braço de investimento do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social, o Fundo de Investimento Caixa Garantia Construção Naval Multimercado (FI-FGCN) e do Fundo de Investimento Caixa FGHAB Multimercado (FI-FGHAB).

Inicialmente, a parcela secundária da operação previa a colocação de 70,849 milhões de ações, mas foi ampliada com exercício de lote suplementar de papéis.

O objetivo principal da operação foi elevar o capital em circulação (free float) do banco para 25%, percentual mínimo exigido pelas regras do Novo Mercado, segmento de governança corporativa em que o BB está listado. Pelo prospecto, atualmente, a flutuação do BB é de 21,7% e vai a 32% com a venda dos ativos.

Ainda segundo o prospecto da operação, os recursos da oferta primária serão destinados a ampliar a base de capital do banco, o que permitirá aumentar o tamanho da carteira de crédito.

Os papéis adquiridos por meio da oferta estarão disponíveis para negociação a partir de sexta-feira (2/7), sob o código BBAS3. O valor de rateio para os investidores de varejo ainda não foi divulgado. Vale lembrar que os atuais acionistas do banco tinham preferência na subscrição dos papéis.

quinta-feira, 24 de junho de 2010

No ninho da desilusão

GERSON CAMAROTTI

Há um clima de abatimento no ninho tucano com o resultado da pesquisa CNI/Ibope em que pela primeira vez a candidata petista Dilma Rousseff aparece na liderança da sucessão presidencial. A expectativa no PSDB era de que - com a forte exposição do candidato tucano José Serra em inserções e programas partidários nas últimas semanas - ele já estivesse na dianteira nas pesquisas. Aconteceu o contrário. Por isso, o resultado foi tão negativo para o PSDB. Hoje, há uma constatação de que Serra não soube aproveitar o mês de junho, e criou uma agenda negativa, principalmente com a indefinição da escolha do vice. Além disso, o candidato tucano ainda não encontrou um discurso forte para enfrentar Dilma.

Na pesquisa, o resultado de uma pergunta chama atenção: há um forte crescimento do número de eleitores que reconhecem Dilma como a candidata do presidente Lula. Em março esse índice era de 58%. Agora, 73% dos entrevistados já associam Dilma com Lula. Além disso, a aprovação do presidente Lula e do governo é recorde. Um terceiro fator é o bom momento da economia que é capitalizado pela campanha de Dilma. Ou seja, funcionou a estratégia iniciada há dois anos de colar a imagem de Lula e Dilma (mesmo com as recentes multas do TSE por campanha eleitoral antecipada!).

Notícias da Hora

Chega a 45 o número de mortos por causa das chuvas no Nordeste. O corpo de um homem foi encontrado no município de Vitória do Santo Antão, em Pernambuco. Ao todo, dezesseis pessoas morreram no estado. Em Alagoas, enchentes e deslizamentos causaram 29 mortes. Nos dois estados, 114 mil pessoas estão fora de casa.


A Polícia Federal prendeu uma quadrilha suspeita de desviar verbas de vários municípios do Ceará e do governo estadual. O prejuízo aos cofres públicos é estimado em 30 milhões de reais. Cinco pessoas foram presas.


Pesquisa CNI/Ibope aponta pela primeira vez a candidata do PT Dilma Rousseff na frente na sucessão presidencial. Dilma tem 40% das intenções de voto; José Serra, do PSDB, está com 35%; e Marina Silva, do PV, tem 9%, no cenário que considera apenas estes três candidatos. A pesquisa foi feita entre os dias 19 e 21 de junho em 140 cidades e entrevistou dois mil e dois eleitores. A margem de erro é de dois pontos percentuais para mais ou para menos.


Pesquisadores italianos anunciaram a eficácia do implante de células-tronco para tratar cegueira causada por queimaduras nos olhos. A técnica foi utilizada em 112 pessoas. A visão de oitenta e duas delas foi totalmente recuperada e, em 14, a visão foi parcialmente restabelecida.


Eslováquia e Itália se enfrentam às onze da manhã, pelo grupo F da Copa do Mundo. No mesmo horário, a seleção do Paraguai joga contra a da Nova Zelândia. Às três e meia da tarde, Dinamarca enfrenta o Japão e a seleção de Camarões joga contra a Holanda, pelo grupo E do Mundial.


O índice Nikkei da Bolsa de Tóquio fechou estável, com 9 mil 928 pontos. As principais bolsas europeias estão em baixa.

terça-feira, 22 de junho de 2010

Notícias da Hora

Chega a 38 o número de mortos no Nordeste por causa das chuvas dos últimos dias: 26 em Alagoas e 12 em Pernambuco. Mais de 160 mil pessoas tiveram de deixar suas casas, de acordo com os departamentos de Defesa Civil dos dois estados.


Quase cinco mil gestores públicos tiveram as contas julgadas irregulares pelo Tribunal de Contas da União nos últimos oito anos, segundo o órgão. A lista foi entregue ao Tribunal Superior Eleitoral, que vai decidir se eles ficarão inelegíveis em outubro. De acordo com o presidente do TSE, Ricardo Lewandowski, os pedidos serão analisados caso a caso.


Pelo menos 4 pessoas morreram num atentado contra um ônibus que transportava soldados no subúrbio de Istambul, na Turquia. As autoridades suspeitam que rebeldes curdos sejam os responsáveis pelo ataque.


O número de mortos nos conflitos étnicos no sul do Quirguistão, na Ásia Central, aumentou para 214 e o de feridos chega a dois mil e cem, segundo novo balanço do governo. A ONU estima em mais de cem mil o total de refugiados no país vizinho, o Usbequistão.


O índice Nikkei da Bolsa de Tóquio fechou em queda de 1,2% nesta terça-feira, com 10 mil 112 pontos. As principais bolsas europeias abriram em baixa.


México e Uruguai jogam às onze da manhã pelo grupo A da Copa do Mundo. No mesmo horário, a França enfrenta a África do Sul. Às três e meia da tarde, Nigéria joga contra a Coreia do Sul, e Grécia, contra a Argentina.

sábado, 19 de junho de 2010

Notícias do Blog

Gana e Austrália estão em campo, em partida pelo grupo D da Copa do Mundo. No primeiro jogo do dia, pelo grupo E, a Holanda venceu o Japão por 1 a 0; Camarões e Dinamarca se enfrentam às três e meia da tarde.


Um forte nevoeiro sobre a cidade do Rio de Janeiro causou o fechamento por cerca de 4 horas dos aeroportos Santos Dumont e internacional Antonio Carlos Jobim, no Rio de Janeiro, neste sábado. O motivo foi o forte nevoeiro que cobriu a capital fluminense nesta manhã. No Tom Jobim, 14 voos foram redistribuídos para 4 terminais.


Em São Paulo, os painéis do aeroporto de Congonhas registram ao menos 4 partidas para o Rio atrasadas e seis canceladas. O aeroporto internacional Tancredo Neves, em Confins, na região metropolitana de Belo Horizonte, registrou cinco cancelamentos.


A Defesa Civil e os bombeiros de Alagoas buscam três desaparecidos após fortes chuvas nos municípios de Joaquim Gomes e Paulo Jacinto. Segundo a Defesa Civil, o número de pessoas fora de casa pode chegar a 12 mil. No estado de Pernambuco, nove pessoas morreram em consequência das chuvas.


A China irá flexibilizar gradualmente o iuan, informou o banco central neste sábado. O anuncio indica que o governo chinês está pronto para acabar com 23 meses de câmbio fixo que ficou sob intensa pressão mundial.


O avião com o corpo de José Saramago, onde também estão familiares e autoridades, chegou ao aeroporto internacional de Lisboa. Um cortejo vai levar o corpo para o velório na capital portuguesa.

quinta-feira, 10 de junho de 2010

Ficha limpa valerá ainda para este ano

Os ministros do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) decidiram há pouco, por maioria, que a Lei Ficha Limpa vale para as próximas eleições de outubro.

Votaram a favor: Hamilton Carvalhido (relator), Ricardo Lewandowski (presidente), Cármen Lúcia (vice-presidente), Arnaldo Versiani, Aldir Passarinho Junior e Marcelo Ribeiro.

Votou contra apenas o ministro Marco Aurélio Mello.

O julgamento foi feito com base em uma consulta apresentada ao Tribunal pelo senador Arthur Virgílio (PSDB-AM).

No documento, Virgílio questiona se uma Lei Eleitoral - que trate sobre inelegibilidades e que passe a entrar em vigor antes do dia 5 de julho -, pode ser efetivamente aplicada para as eleições de 2010.

A data 5 de julho é citada na consulta pelo senador por ser o prazo limite para o registro de candidaturas.

A Lei Ficha Limpa foi sancionada por Lula na última sexta-feira (4) após passar pelo Congresso Nacional.

Apesar da aprovação pela maioria do plenário, o ministro Marcelo Ribeiro acredita que a questão sobre a constitucionalidade da Lei deverá ser julgada pelo Supremo Tribunal Federal (STF).

“Não sou muito partidário que o TSE responda esse tipo de consulta, se ela é ou não constitucional. Esse assunto é para o Supremo. Vai parar lá”, afirmou durante o julgamento.

Confira os principais pontos da Lei:

1) Impede a candidatura de políticos condenados por órgão colegiado (mais de um juiz). Neste caso, a pessoa condenada ainda pode apresentar recurso a uma instância superior para suspender a inelegibilidade.

Por exemplo: se um deputado for condenado no Tribunal Regional Eleitoral (TRE), ele pode pedir ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) a suspensão da inelegibilidade. Após o julgamento dessa suspensão, o colegiado julgará a conduta que gerou o processo.

2) Fica inelegível aqueles que cometerem crimes como: corrupção e gasto ilícito de campanha; doação ilícita e/ou compra de votos; crimes ambientais graves e contra a saúde pública; abuso de autoridade; racismo;tortura; terrorismo; hediondos entre outros.

3) Fica inelegível o parlamentar que renunciar ao mandato para evitar o julgamento por quebra de decoro.

4) Aumenta de três para oito anos o período de inelegibilidade.

segunda-feira, 7 de junho de 2010

Os caminhos errados da campanha de Serra

Fernando Abrucio

Os resultados das últimas pesquisas eleitorais abalaram a oposição. Pela primeira vez, todos os institutos mostraram que José Serra e Dilma Rousseff estão empatados nas preferências dos eleitores. A candidata governista foi beneficiada, sem dúvida alguma, pela participação do presidente Lula no programa partidário. Ficou no ar uma grande pergunta: o que está errado com a campanha de Serra?

Para responder a essa questão, a oposição produziu três diagnósticos. Em primeiro lugar, seria preciso radicalizar o discurso contra o governo, pois não haveria como obter votos por meio de elogios ao presidente. Afinal, se é para escolher quem defende Lula, melhor é votar no nome governista. Diagnosticou-se, ainda, que se o uso do tempo da TV por cima da legislação eleitoral gerou benefícios para Dilma, o mesmo teria de ser feito pelos oposicionistas. Metáforas de guerra e futebolísticas foram usadas para justificar esse argumento. Por fim, imaginou-se que, se o ex-governador Aécio Neves aceitasse o posto de vice-presidente na chapa tucana, seria produzido um divisor de águas na campanha.

Essas três reflexões contêm parte da verdade. É óbvio que um candidato oposicionista não pode elogiar todos os dias o presidente, colocando-o num pedestal inalcançável. Também não se pode negar o peso dos programas partidários na TV. E, se Aécio aceitasse naturalmente o posto de vice, seria uma notícia que poderia dar um impulso maior à campanha de Serra. Porém, se levados ao extremo, tais diagnósticos podem resultar, como tudo o que é extremado, em caminhos equivocados.

Serra deve demarcar sua posição em relação à candidatura governista. Mas ele não pode propor medidas ou advogar ideias muito radicais. Cabe lembrar que mais de 70% da população está satisfeita com o governo. Desse modo, é preciso escolher com pente-fino os temas que devem ser abordados de maneira crítica e elogiar o que está no rumo certo, embora não seja necessário citar o nome do presidente.

Devem-se evitar, ademais, críticas muitos extremadas, que lembrariam os piores momentos da oposição nos últimos oito anos. Um exemplo dessa postura foi a frase de Serra sobre o governo boliviano, tachado como o culpado pelo tráfico de drogas. Esse comportamento não é adequado para um candidato à Presidência da República.

A eleição não será fácil para a oposição, mas o radicalismo
e o desespero são maus conselheiros
O uso dos programas partidários para divulgar o nome de Serra também tem de ser feito com cuidado. A propaganda do DEM foi muito além da antecipação de campanha feita pelo PT e pelo presidente Lula. Na verdade, os democratas praticamente não apareceram no programa. Predominou um discurso longo do candidato tucano no lançamento de sua pré-candidatura.

Essa ação vai contra tudo o que a oposição vem falando nos últimos meses, desacreditando-a diante da opinião pública. Que valores poderão ser defendidos depois dessa tática de guerrilha? Essa situação lembra a equiparação feita na eleição de 2006 entre o mensalão petista e o congênere tucano mineiro. Boa parte do eleitorado comprou essa versão e pensou: se todos são iguais no plano ético, vou votar com o bolso. Como naquela época, sabemos quem será beneficiado por essa visão de mundo. Parece-me que a oposição não aprendeu a lição.

A insistência em perseguir o “fator Aécio” é outro caminho equivocado. Aqui, parece-me que José Serra tem uma postura mais parcimoniosa, e seus aliados, nos partidos e na sociedade, é que ultrapassaram o limite do bom-senso. Chegaram a insinuar que o ex-governador mineiro, caso não aceite a missão, estaria atuando contra o PSDB, ou, pior, contra a pátria. Esse comportamento só afastará Aécio da candidatura à Vice-Presidência e negligencia o fato de que ele não teve a oportunidade de participar de prévias democráticas. Mantida a pressão, os eleitores mineiros podem tomar as dores de seu líder, cujo governo teve mais de 70% de aprovação.

A eleição não será fácil para a oposição, mas ela tem de colocar a cabeça no lugar, pois o radicalismo e o desespero não são bons conselheiros – como bem exemplifica a desastrosa campanha do PT em 1994.


FERNANDO ABRUCIO é doutor em Ciência Política pela USP, professor da Fundação Getúlio Vargas (SP) e escreve quinzenalmente em ÉPOCA

domingo, 6 de junho de 2010

Por uma política externa responsável

Fernando Henrique Cardoso*

A despeito das bazófias presidenciais que vez por outra voltam ao bordão de que “hoje não nos agachamos mais” perante o mundo, se há setor no qual o Brasil ganhou credibilidade e, portanto, o respeito internacional, foi no das relações exteriores.

Elas sempre foram orientadas por valores e estiveram intransigentemente fincadas no terreno do interesse nacional. A demagogia presidencial não passa de surto de ego deslumbrado, que desrespeita os fatos e mesmo a dignidade do país.

Com exceção dos flertes com o totalitarismo europeu durante o Estado Novo, sempre nos orientamos pela defesa dos valores democráticos, pela busca da paz entre as nações, por sua igualdade jurídica e pela defesa de nossos interesses econômicos.

Com toda a dificuldade do período da Guerra Fria – quando os governos militares se opuseram ao mundo soviético e a seus aliados –, não nos distanciamos do que então se chamava de Terceiro Mundo. Se não nos juntamos propriamente ao grupo dos “não alinhados”, dele sempre estivemos próximos.

Terminada a Guerra Fria, restabelecemos relações com os países do campo socialista, Cuba e China à frente, voltamos a estar mais ativamente presentes na África, apoiamos o Conselho de Segurança nos conflitos entre Israel e a Palestina, sustentamos a posição favorável à criação de “dois Estados” e o respeito às fronteiras de 1967 e nunca nos solidarizamos com o grito de “delenda Israel”, nem com as afrontas de negação do Holocausto.

Seguindo esta mesma linha, assinamos o Tratado de Não Proliferação de armas atômicas (TNP), com ressalvas quanto à manutenção dos arsenais pelos “grandes”, fomos críticos das invasões unilaterais no Iraque e só aceitamos a intervenção no Afeganistão graças à supervisão das ações bélicas pela ONU.

A reação ao unilateralismo foi tanta, que em discurso na Assembleia Nacional da França cheguei a aludir à similitude entre o unilateralismo e o terrorismo, provocando certo mal-estar em Washington. Procedemos de igual modo na defesa de nossos interesses como país em desenvolvimento.

No dia em que se publicarem as cartas que dirigi aos chefes de Estado do G-7, ver-se-á que predicávamos desde então maior regulação financeira no plano global e maior controle do FMI e do Banco Mundial pelos países emergentes.

Reivindicamos nossos direitos comerciais na OMC, a começar pelo caso do algodão, e no caso das patentes farmacêuticas defendemos vitoriosamente em Doha o ponto de vista de que a vida conta mais que o lucro. Todas essas políticas tiveram desdobramentos positivos no atual governo.

Temos, portanto, credenciais de sobra para exercer uma ação mais efetiva na condução dos negócios do mundo. A hegemonia norte-americana vem diminuindo pelo fortalecimento econômico dos Brics (metáfora que abrange não só os quatro países, mas vários novos atores econômicos), especialmente da China, pela presença da União Europeia e também vem sendo minada pelas rebeliões do mundo árabe e muçulmano, como o próprio governo Obama reconhece.

É natural, portanto, que o Brasil insista em sentar à mesa dos tomadores de decisões globais. Sendo assim, por que a celeuma causada pela tentativa de acordo entre Irã e a comunidade internacional empreendida pelo governo brasileiro?

Há duas ordens distintas de questões para explicar o porquê de tanto barulho. A primeira é a falta de clareza entre a ação empreendida e os valores fundamentais que orientam nossa política externa. A segunda é a forma um tanto retórica e pretensiosa que ela vem assumindo.

Quanto ao primeiro ponto, como compatibilizar o repúdio às armas nucleares com a autonomia decisória dos povos? Esta abrange inclusive o direito ao conhecimento de novas tecnologias, mesmo as “duais”, que tanto podem ser usadas para a paz como para a guerra.

Em nosso caso, conseguimos, por exemplo, dominar a técnica de foguetes propulsores de satélites (e quem lança satélite pode lançar mísseis). Ninguém desconfia, entretanto, de que a utilizaremos para a guerra, até porque obedecemos às regras do acordo internacional que regula a matéria.

Do mesmo modo, dominamos o ciclo completo de enriquecimento do urânio. Mas não cabem dúvidas de que não estamos fazendo a bomba atômica, não só porque nossa Constituição proíbe, mas porque inexistem ameaças externas e porque submetemos o enriquecimento do urânio (guardado o sigilo da tecnologia usada) ao duplo controle de um tratado de fiscalização recíproca com a Argentina e da Agência Internacional de Energia Atômica.

É precisamente isso que falta no caso do Irã: a confiabilidade internacional nos propósitos pacíficos do domínio da tecnologia. E é isso que o governo americano alega para recusar a intermediação obtida, ao reafirmar que a quantidade de urânio já disponível, mesmo descontada a quantidade a ser remetida para enriquecimento no exterior, permitiria a fabricação da bomba.

O xis da questão, portanto, seria a obtenção pelo Brasil e Turquia de garantias mais efetivas de que tal não acontecerá. Deixando de lado as alegações recíprocas sobre se houve o estímulo americano à ação intermediadora (que para quem quer ter uma posição independente na política externa é de somenos), uma ação eficaz para evitar o confronto e as sanções – posição coerente com nossa tradição negociadora – deveria buscar desfazer a sensação da maioria da comunidade internacional de que o governo iraniano está ganhando tempo para seguir em seus propósitos nucleares.

Neste ponto, a retórica dos atores brasileiros parece ter falhado. O levantar de mãos de Ahmadinejad e Lula, à moda futebolística, e as declarações presunçosas do presidente brasileiro passando a impressão de que havíamos dado um drible nas “grandes potências”, digno de Copa do Mundo, reforçaram a sensação de que estaríamos (no que não creio) nos bandeando para o “outro lado”. E em política internacional, mais do que em geral, cosi é (se vi pare).



*Fernando Henrique Cardoso, sociólogo e ex-presidente da República

sexta-feira, 4 de junho de 2010

Semana em Resumo

Miriam Leitão

Mercado de trabalho americano
Saiu um dado hoje que parece bom, mas não é. O desemprego caiu de 9,9% para 9,7% e foram criadas 431 mil vagas, o melhor resultado desde 2000. Mas quase tudo isso representa emprego temporário do censo americano. O setor privado criou muito menos, 41 mil vagas. Isso aumentou o pessimismo, porque mostra a capacidade de recuperação da economia americana, o ritmo e a sustentabilidade dessa recuperação, que está acontecendo, mas o que as pessoas querem saber é se a grande economia do mundo vai continuar crescendo. O dado foi um banho de água fria.

Produção industrial brasileira
Nesta semana, foi divulgado o dado da produção industrial de abril. O número caiu um pouco em relação a março (0,7%), mas desta vez, não é ruim como parece. Já se esperava e até se queria uma redução do ritmo, porque estava crescendo muito forte, o que traz a preocupação de inflação. A queda foi menor do que se esperava. O IBGE também mudou o dado de março de 2,8% para 3,4%. Se não tivesse feito isso, o indicador teria caído só 0,1%, sendo que os bancos previam queda de 1,1%. Foi só uma acomodação, um ajuste de estoque, não uma mudança de tendência de crescimento da economia brasileira, que continua forte este ano. Quando olhamos os dados acumulados em 12 meses, podemos dizer que agora se deixou para trás o ano recessivo de 2009, porque o número volta a ser positivo.

Carga tributária
Houve um debate nesta semana sobre carga tributária, porque o presidente Lula disse que ela tinha que ser alta mesmo, pois todo país que tem Estado forte tem carga alta. Mas ele falou isso num dia infeliz, quando o impostômetro, que calcula a quantidade de dinheiro que os brasileiros mandam para o governo, chegou a R$ 500 bilhões. O presidente está equivocado. Há 20 anos, a carga tributária sobe, e os serviços não estão melhores por causa disso.

Hungria preocupa
Existe a preocupação de que a Hungria seja uma nova Grécia, porque, aparentemente, manipulou os dados de déficit e de dívida pública x PIB. O novo governo está olhando os dados. Pior do que ter números ruins é ter manipulado o número, o que significa que pode ser muito pior. A Bolsa da Espanha, por exemplo, caiu forte por causa disso (-3,80%).

Primeiro-ministro do Japão renuncia
Ninguém se preocupou com a queda do ex-ministro do Japão, Yukio Hatoyama, porque é o quarto premier em quatro anos. Foi sucedido pelo ministro das Finanças, Naoto Kan.

Vazamento no Golfo do México - Nesta semana, fracassou mais uma tentativa de parar o vazamento da BP no Golfo do México. A cada semana, o assunto fica pior. A grande solução não deu certo.

Ataque de Israel
Aumentou a tensão com o ataque de Israel à embarcação de ajuda humanitária. É uma tragédia de longo prazo: o bloqueio à Gaza que deixa a população sem alimento, sem nada. A flotilha turca tentava furar o bloqueio que Israel decretou. Tem uma população no mundo que hoje é confinada.

Balanço do PAC
Se tirarmos os empréstimos de pessoas físicas para empréstimos imobiliários, em 40 meses, foram cumpridos apenas 22% do PAC.

quinta-feira, 3 de junho de 2010

Economia: Mercado Futuro

Mercado futuro é um mercado em que se negociam compromissos de compra e venda que só serão realizados no futuro. O objetivo desse tipo de negócio não é receber o produto final, mas ganhar dinheiro com a variação dos preços, que mudam diariamente.

Nesse mercado, são negociados contratos: neles, uma das partes se compromete a vender e a outra a comprar um determinada mercadoria por um preço específico a ser cobrado em uma data futura.

O produto negociado nesses contratos é um ativo financeiro, como ações de uma empresa, ou commodities. As mercadorias negociadas nesse mercado precisam seguir padrões comuns aos mercados do mundo todo, para que o investidor possa negociá-la à distância e sem escolher cada produto ou ativo individualmente.

Economia: Oferta e Demanda

Oferta é a quantidade de um produto ou serviço disponível para compra. Demanda, por sua vez, é a quantidade de produtos ou serviços que os consumidores estão dispostos a comprar.

Quando a demanda é maior do que a oferta, os preços dos produtos tendem a subir, já que os consumidores se dispõem a pagar mais para obter um determinado item. Por outro lado, quando a oferta é maior do que a demanda, os preços tendem a cair.

terça-feira, 1 de junho de 2010

Economia: Comércio Exterior

Comércio exterior é o conjunto das compras e vendas de bens e serviços feitos entre países.

Quando um país vende um bem ou serviço a outro, a operação é chamada de importação. Quando compra de outro país, efetua realiza uma exportação.

A balança comercial, por sua vez, é o resultado dos valores recebidos pelas exportações, menos os valores pagos pelas importações. Quando as exportações superam as importações, a balança é superavitária. Quando as importações somam mais que as importações, a balança é deficitária.

Os governos estimulam as importações porque elas representam a entrada de recursos na economia do país.

Em 2009, as exportações brasileiras somaram US$ 152,25 bilhões, e as exportações, US$ 127,63 bilhões. Com isso, a balança comercial brasileira ficou superavitária em US$ 24,61 bilhões.

Em maio deste ano, a balança comercial já registra superávit de US$ 3,44 bilhões.

Resumo dos principais jornais do país

Política
1. Lula libera R$ 6,6 milhões a emenda de Ciro Gomes
O deputado federal – e ex-aspirante à candidatura de vice na chapa de Dilma Rousseff – Ciro Gomes (PSB-CE) foi agraciado pelo governo com a liberação de R$ 6,6 milhões em recursos. De acordo com reportagem da Folha, o valor é o mais alto pago individualmente a um congressista no ano. Coincidentemente, a liberação do valor ocorreu no mesmo dia em que o PSB confirmou seu apoio a Dilma. Ciro não quis comentar a liberação recorde de sua emenda pelo governo. Segundo sua assessoria, ele está nos Estados Unidos.

2. Governo corta R$ 1,28 bi de investimentos em educação
O ministério da Educação será o mais afetado com o corte de gastos anunciado recentemente pelo ministro da Fazenda Guido Mantega. Segundo o jornal Estadão, a pasta de Educação terá R$ 1,28 bilhão a menos para investir em 2010. Outras áreas também terão cortes. No total, o Executivo está reduzindo despesas no valor de R$ 7,5 bilhões. Para alcançar o valor do corte de R$ 10 bilhões, anunciado no dia 13 de maio, o governo diminuiu também a estimativa de gastos com pessoal e subsídios em R$ 2,4 bilhões. O Legislativo e o Judiciário terão uma redução nas despesas de R$ 125 milhões.

Sociedade
3. PMs são suspeitos de mais 12 mortes em São Paulo
Grupo de extermínio formado por policiais da zona leste de São Paulo é suspeito de mais 12 mortes e 17 tentativas de assassinato. Pelo menos cinco policiais suspeitos de participação nos crimes estão sendo investigados pela polícia civil. Segundo reportagem da Folha, até então a suspeita era de que o grupo tivesse matado 11 pessoas. Agora, as mortes investigadas já chegam a 23. Para o novo corregedor da Polícia Militar, coronel Admir Gervásio Moreira, os grupos de extermínio supostamente formados por policiais militares “são casos pontuais, conduta individual, e não conduta institucional”.

4. Autorizada construção de Angra 3
A Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN) liberou ontem a licença de construção de Angra 3, que permite o início das obras do prédio do reator da usina. Segundo reportagem do Estadão, a licença foi liberada com 30 condicionantes. A maior parte são adaptações que permitam ao projeto de Angra 3 segurança semelhante ou maior do que a de Angra 2. A previsão para a operação da usina, porém, é entre 2015 e início de 2016.

5. Bolsa-Família não vence extrema pobreza
Estudo encomendado pelo governo aponta que o programa Bolsa-Família não garante que famílias das regiões Norte e Nordeste superem a condição de pobreza extrema, na qual os membros da família recebem pelo menos R$ 70 por mês cada um. Segundo reportagem do Estadão, cerca de 7,5 milhões de famílias beneficiárias do Nordeste e do Norte têm renda média de R$ 65,29 e R$ 66,21. De acordo com o ministério do Desenvolvimento Social, mais de 2 milhões das 12,4 milhões de famílias que recebem o benefício ainda são consideradas extremamente pobres.

6. Falta vacina H1N1 em clínicas particulares
A vacina contra a gripe H1N1 está em falta nas principais clínicas particulares do país. A reportagem da Folha (para assinantes) ligou para 13 clínicas certificadas pela Sociedade Brasileira de Imunizações para conferir a situação das vacinas para adultos. De acordo com o jornal, a falta de estoque é problema em todas elas. Para compensar a falta, o Ministério da Saúde comprou 113 milhões de doses e quer vacinar 71 milhões de pessoas até amanhã, quando termina a campanha nacional.

Mundo
7. Para Israel, condenação da ONU a ataque é hipócrita
Israel anunciou hoje pela manhã que considera hipócrita a condenação do Conselho de Segurança da ONU ao ataque israelense à frota de navios que levava ajuda humanitária à Faixa de Gaza. Para Yigal Palmor, porta-voz do Ministério de Relações Exteriores israelense a “condenação constitui um gesto automático baseado unicamente em determinadas imagens televisivas e não em um conhecimento dos fatos, além de uma dose impressionante de hipocrisia.” Segundo reportagem da Folha, o ataque causou pelo menos nove mortes e ferimentos em dezenas de pessoas.

8. Desemprego na zona do euro é o maior em 12 anos
Reportagem do jornal americano New York Times mostra que o desemprego em abril foi o pior resultado registrado na zona do euro em quase 12 anos. Segundo a reportagem, o motivo foi a piora no mercado de trabalho de Espanha, Portugal e Itália. A agência de estatísticas Eurostat informou nesta terça-feira que o número de desempregados na região subiu para 10,1%, ou 15,860 milhões de pessoas. É o maior patamar desde agosto de 1998 quando a taxa alcançou 9,9%.

Economia
9. Receita prevê cobrança de R$ 5,5 bi da BM&FBovespa
Investigação aberta pela Receita Federal contra a BM&FBovespa suspeita que a bolsa tenha tenha criado benefícios fiscais fictícios para deixar de pagar tributos federais. A BM&FBovespa nega as irregularidades, que estão sendo investigadas por uma equipe especial de quatro auditores. Segundo reportagem da Folha (para assinantes), o valor pode chegar a mais de R$ 5,5 bilhões.

10. Empresas bilionárias abertas no Brasil somam 85
Reportagem do jornal Valor Econômico mostra que o Brasil possui 85 empresas de capital aberto com receita líquida annual superior a US$ 1 bilhão. Essas companhias já faturam o equivalente a 30% do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro, ou US$ 470,4 bilhões em 2009. Dez anos atrás o Brasil tinha 39 empresas com faturamento líquido superior a US$ 1 bilhão. Segundo o jornal o crescimento é graças à estabilidade político-econômica, captação de recursos na bolsa e crescimento doméstico.

segunda-feira, 31 de maio de 2010

Economia: Commodity

Commodity é uma mercadoria de importância mundial, que tem seu preço determinado pela oferta e pela procura internacional.

Para ser considerado uma commodity, um produto precisa seguir algum tipo de padronização, ou seja, precisa ser similar em todas as partes onde é negociado. Em geral, uma commodity tem um grau pequeno de industrialização, como a soja, a carne, o minério de ferro etc.