sábado, 29 de março de 2008

Porque hoje é sábado


Do blog da Cientista Política Lucia Hippolito.

Apenas uma pergunta

Seus índices de popularidade estão nas alturas.

Os números da economia são os melhores em décadas.

Os banqueiros não conseguem parar de rir desde 2003.

Os empresários estão produzindo no limite da capacidade instalada.

O dólar está nos níveis mais baixos das últimas décadas.

A nova classe média está consumindo como nunca.

Os programas sociais do governo federal já atingem 25% das famílias brasileiras.

A base aliada do governo é a mais ampla das últimas décadas.

A oposição é a pior das últimas décadas.

Não existe, no horizonte próximo -- e mesmo de meia distância -- nenhuma liderança política que lhe faça sombra.

Por que está cada dia mais raivoso o presidente Luiz Inácio Lula da Silva?

" Nós fizemos um "banco de dados" "

A ministra Dilma Rousseff afirmou, ontem, que a Casa Civil não fez um dossiê contra FHC, mas um "banco de dados" para que ficasse acessível a qualquer problema jurídico que possa ocorrer até fim do mandato do presidente Lula.

Durante uma entrevista de dois minutos ela repetiu o termo "banco de dados" sete vezes.

Êta mulher "eficiente"!

Casa Civil nega existência de dossiê contra FHC

Segue na íntegra nota divulgada pela assessoria da Casa Civil a respeito do suposto dossiê saído de lá com dados sigilosos do governo passado:

"1. Com relação à matéria de capa da Folha, de 28/03, a Casa Civil reafirma que, em momento algum, organizou qualquer dossiê com denúncias sobre o uso de cartões corporativos e contas tipo B no governo anterior. O que o jornal insiste em chamar de dossiê são fragmentos de uma base de dados em fase de digitação para alimentação do SUPRIM –, que visa unicamente organizar os dados relativos aos gastos com suprimento de fundos desde 1998 até hoje, fato já explicado em nota de 22/03. Trata-se de uma ferramenta de gestão e não de um dossiê.

2. O vazamento desses fragmentos da base de dados para a imprensa é lamentável. Algumas das informações estão cobertas por sigilo e sua divulgação contraria a legislação vigente. Por isso mesmo, a Casa Civil instituiu comissão de sindicância para apurar o episódio, composta por funcionários estáveis da Advocacia Geral da União, da Controladoria Geral da União e da própria Casa Civil.

3. A matéria, de forma maliciosa, dá a entender que a secretária-executiva, Erenice Guerra, teria assumido a responsabilidade de “organizar processo de despesas de FHC, isentando a chefe (no caso, a ministra Dilma Rousseff) de ter tomado a decisão”. Isso não é verdade. Se “processo de despesas de FHC”, nas palavras do jornal, é sinônimo para dossiê, a secretária-executiva nunca assumiu essa responsabilidade pelo simples fato de que nunca existiu qualquer dossiê. Se a expressão anterior refere-se à alimentação de base de dados do SUPRIM, não haveria motivo para a insinuação maldosa. Afinal, trata-se de uma ferramenta de gestão cuja supervisão é competência institucional da Secretaria-Executiva, na forma do regulamento que disciplina as competências da Casa Civil.

4. Quanto à suposta reunião, que segundo a Folha, teria sido convocada pela secretária-executiva com “membros da secretaria de Administração, da Secretaria de Controle Interno da Presidência e de outras áreas da Casa Civil”, para organizar uma força-tarefa para produzir o chamado dossiê, a Casa Civil afirma peremptoriamente que tal reunião nunca ocorreu.

Casa Civil da Presidência da República."

quinta-feira, 27 de março de 2008

Muito bate-boca, ontem, na CPI dos Cartões Corporativos

Houve muito barulho também no Congresso brasileiro. Governo e oposição se trataram aos gritos. Eram berros de lado a lado. Só que aqui não teve panela.

Teve de tudo: sorvete de tapioca, bate-boca, dedo em riste, troca de acusações e, como previsto, a derrota da oposição. Com maioria folgada na CPI, por 14 votos a 7, os governistas conseguiram barrar a convocação da ministra Dilma Rousseff. O descontrole foi total.

- Senador, respeite!- Eu estou no microfone!- O senhor está fazendo molequeira. O senhor está fazendo molequeira.

Houve provocação.

“Eu gostaria de, quebrando um pouquinho essa sisudez aqui, saber se a senhora gostou do sorvete de tapioca que eu trouxe do meu estado para a senhora, para todos os meus colegas e para a imprensa também. É do Pará, tapioca da boa”, disse o deputado Vic Pires (DEM-PA).

Foi uma brincadeira por causa da tapioca que o ministro dos Esportes, Orlando Silva, comprou com cartão corporativo.

“Nós não podemos aqui estar de brincadeirinha de deputado menino, menino de calça curta trazendo sorvete de tapioca aqui para vulgarizar a CPI”, criticou o deputado Sílvio Costa (PMN-PE).

Era quase impossível comandar a sessão.

“Eu gostaria, senador Almeida Lima, que o senhor mantivesse a calma, Vossa Excelência está inscrito”, pediu a presidente da CPI, senadora Marisa Serrano (PSDB-MS).

“Eu estou calmo. Estou extremamente calmo”, respondeu o senador Almeida Lima (PMDB-SE).
Na confusão, uma voz falou mais alto: a do governo, que conseguiu evitar que a ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, fosse convocada. A oposição queria que ela explicasse à CPI o vazamento de informações sobre os gastos do ex-presidente Fernando Henrique e da mulher dele, Ruth Cardoso.

“É terminantemente contra a convocação da ministra Dilma Rousseff, pelo que ela representa hoje e talvez – porque esse talvez seja o grande motivo de trazê-la – pelo que ela poderá representar em 2010”, afirmou a líder do PT no Senado, senadora Ideli Salvatti (PT-SC).

Balanço final: nada mais foi decidido. Para a presidente da cpi, a sessão “não foi só não produtiva. Foi péssima”, opinou a senadora Marisa Serrano (PSDB-MS), que desabafou: “Essa casa hoje viveu momentos ruins e que eu não gostaria de ter vivido”.

O clima de batalha entre governo e oposição continuou fora do Congresso. O ex-presidente da República, Fernando Henrique Cardoso, que abriu mão do sigilo das contas do governo dele, desafiou o presidente Lula a fazer o mesmo.

“Eu, se eu se fosse o presidente Lula, eu diria o que eu disse: ‘Olhem, venham ver o que eu fiz com o dinheiro, como foi gasto esse dinheiro’. Isso não tem problema nenhum, abre. É melhor”, declarou o ex-presidente da República, Fernando Henrique Cardoso.

“Essa questão dos dados sigilosos não pertence à vontade dos dois presidentes. É uma questão de Estado. Por acaso, o presidente Lula é o presidente neste momento, mas a segurança de Estado pertence à instituição, ao governo brasileiro”, disse o ministro de Relações Institucionais, José Múcio Monteiro.

O PSDB quer agora que a procuradoria-geral da República investigue a responsabilidade pelo vazamento do suposto dossiê contra o ex-presidente Fernando Henrique.

quarta-feira, 26 de março de 2008

A ministra Dilma Rousseff escapou

A base do governo na CPI mista dos Cartões impediu nesta quarta-feira (26) a convocação da ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff.

Por 14 votos a 7, o requerimento que pedia a convocação da ministra foi rejeitado. A base derrubou a convocação argumentando que não existe motivo para convocar a ministra.

O líder do governo na Câmara, Henrique Fontana (PT-RS), afirmou que o pedido de ouvir Dilma era para politizar a CPI e não para avançar nas investigações.

O relator, deputado Luiz Sérgio (PT-RJ), chegou a afirmar que a intenção da oposição em pedir a convocação da ministra seria desestabilizar o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). A oposição desejava o depoimento de Dilma para ter explicações sobre o suposto dossiê elaborado pelo governo sobre as contas do governo Fernando Henrique Cardoso.

PSDB e DEM gostariam ainda de ter mais informações sobre o controle dos cartões corporativos. O requerimento foi o primeiro votado em três horas de sessão.

A oposição reclamou do que chamou de “trator” do governo na votação da convocação de Dilma. Um documento de orientação da base recomenda que os governistas votem também contra todos os requerimentos de quebra de sigilo dos cartões.

Esses são os próximos itens da pauta e a oposição tenta adiar a votação em busca de um acordo.

Cesp e o fracasso da negociação

O que aconteceu ontem no fracasso do leilão da Cesp é o mesmo que está rondando todas as empresas de energia do Brasil.

As hidrelétricas têm um prazo de concessão que só pode ser renovado uma vez.

As duas hidrelétricas mais importantes do sistema Cesp, a de Jupiá e Ilha Solteira, só tem mais 7 anos de concessão, está muito perto. Porto Primavera era a mesma coisa, mas renovaram por mais 20 anos.

Isso deixou os investidores com receio. Eles estariam comprando ativos com prazos de 30 anos ou com um prazo de validade menor, com risco de não renovação da concessão?

Essa foi a dúvida que pairou.

Além disso, tivemos a crise internacional. Ocorreu a soma de um mau momento com uma grande dúvida. Por isso investidores não apresentaram garantias.

O governo precisará resolver esse problema alterando a lei, porque isso altera completamente o quadro acionário e o valor das empresas.

Bom Dia Brasil

Comentário do Alexandre Garcia, sobre o clima quente da CPI dos Cartões Corporativos.

O governo tem maioria tranqüila nessa CPI dos Cartões Corporativos. Será que a “gota de veneno”, como disse o senador Tião Viana (PT-AC), vai mesmo fazer algum estrago? O senador tem percepção e percebeu o estrago.

Há dois anos, o presidente Lula chamou de “aloprados” assessores do diretório nacional do PT que foram flagrados com a mala cheia de dinheiro – que ainda não foi reclamado – para comprar um dossiê sobre José Serra. Agora parece haver um novo aloprado, que vazou informações dos cartões do presidente Fernando Henrique e da primeira dama, dona Ruth.

Como nem a oposição nem o próprio ex-presidente teriam acesso a essas contas, admite-se que o aloprado deva estar no governo. Um aloprado sem luzes, um primário em estratégia. Fez o vazamento no momento mais errado possível, justo quando a oposição se enfraqueceria, pois o PSDB ameaçava se retirar da CPI dos Cartões.

O aloprado deu à oposição a prova de que ela precisava: de que a divulgação dos gastos de um presidente não afeta a segurança nacional. E se vazar os gastos do topo, de um presidente, não afetou a segurança nacional, muito menos afetaria a divulgação dos gastos dos demais escalões do Palácio do Planalto.

Percebendo passar o cavalo com sela e arreios, Fernando Henrique montou: mandou anunciar que ele e Dona Ruth abrem todas as contas de seus cartões no seu período presidencial, deixando no ar o desafio para que o atual governo faça o mesmo. Tudo estrago do neo-aloprado.

Hoje vão para o voto se a CPI abre ou não a caixa-preta dos cartões da presidência. O governo tem maioria, mas na argumentação fica a gaguejar. A oposição fica a sorrir. Os tucanos, que pensavam em sair, ganharam alento. E a CPI esquentou.

O presidente Lula deve estar furioso com o primarismo de quem quer ajudar mas deixa gotas de veneno, com mensalões, dossiê comprado ou vazamentos de conta de caseiro ou de ex-presidente.

terça-feira, 25 de março de 2008

DENGUE: De quem é a culpa?

Os governantes não mudam hábitos quando o assunto é dengue. Todo ano a gente fica nessa mesma situação.

Nos últimos meses, as autoridades gastaram tempo discutindo duas coisas inúteis: se era epidemia e de quem era a culpa.

As respostas são simples: todas as instâncias de governo são culpadas por falhas tão grosseiras quanto a impossibilidade de controlar uma doença que sempre chega na época certa. E, sim, é uma epidemia com índice de mortes 20 vezes acima do tolerável para Organização Mundial de Saúde.

Na campanha eleitoral de 2002, quando o atual governo era oposição, ele dizia que o mosquito era federal. Agora acha que o mosquito virou municipal ou estadual. A Defesa Civil diz que a culpa é da população.

Está na hora de as autoridades serem mais responsáveis.

O prefeito do Rio de Janeiro, Cesar Maia, que só gosta de se comunicar via e-mail, tem que assumir suas responsabilidades reais. O governo do estado e o governo federal também.

A culpa não é da população. A população é vítima. É ela que está ameaçada e morrendo por uma doença que já esteve erradicada. Isso é uma epidemia grave e séria.

Precisa ser combatida pelos três níveis de governo, juntos.
Depois de abril, o que os governos têm que fazer é trabalhar em medidas preventivas para que a epidemia não volte no ano que vem.

segunda-feira, 24 de março de 2008

O amargo dos ovos de páscoa

Estamos tendo um aumento forte de financiamentos.

Agora na Páscoa, vimos que até ovo de chocolate está sendo financiado no Brasil, e isso é muito estranho.

A explicação é que o próprio mercado tem interesse em financiar.

Eles embutem juros nos produtos e o consumidor não tem visibilidade disso.

As estatísticas mostram que o que cresceu no total do crédito no país foi o destinado a pessoas físicas.

O consumidor precisa é tomar cuidado para que a soma das parcelas não seja maior do que o seu orçamento, é preciso fazer as contas certas antes de sair comprando a crédito.

sexta-feira, 21 de março de 2008

Por dentro do blog

Feriadão, é hora de aproveitar para descansar e colocar as reflexões no lugar.

Volto segunda-feira (24).

quarta-feira, 19 de março de 2008

Guarda-chuva para bandido precisa acabar

A CCJ da Câmara dos Deputados aprovou ontem projeto do deputado Marcelo Itagiba (PMDB-RJ), que extingue o foro privilegiado. As chances de aprovação do texto original pelo Congresso são remotas, mas a discussão é muito oportuna.

O foro privilegiado nasceu para proteger parlamentares contra crimes de opinião, ou seja, para proteger a liberdade de expressão. Mas no Brasil, a extensão a torto e a direito transformou o foro privilegiado numa espécie de guarda-chuva para bandidos.

Todo mundo que tem contas a prestar na Justiça, candidata-se a um cargo público e pronto. Seus (deles) problemas acabaram.

O Brasil conseguiu desmoralizar totalmente o instrumento do foro especial. Atualmente, têm direito a foro privilegiado autoridades indiciadas (ou até mesmo já condenadas em primeira instância) por homicídio, tráfico de drogas, estupro, corrupção, formação de quadrilha, violação de sigilo bancário, entre outros.

Portanto, a discussão sobre o foro é muito bem-vinda. Mas é preciso evitar os exageros.

Presidente, ministros e quem tenha status de ministro devem ter direito a foro privilegiado, porque tomam decisões às vezes polêmicas, que desagradam a muita gente, e não podem ficar à mercê de todo maluco que aparece.

Hoje, no Brasil, os campeões de processos são presidentes e ex-presidentes do Banco Central, ministros e ex-ministros da Fazenda, por conta de decisões tomadas. Por isso, é preciso ter cuidado.

Por exemplo, no governo Lula a ministra Dilma Roussef é a responsável final pela concessão e controle do uso dos cartões corporativos. Deve ser a ministra penalizada pelo mau uso dos cartões por outros ministros? Claro que não. Mas Dilma não está livre de sofrer um processo por crime de responsabilidade aberto por alguém que acha que ela tem culpa no cartório. É preciso que a ministra tenha algum tipo de proteção.

Nos Estados Unidos, por exemplo, o presidente é protegido pelo “Privilégio do Executivo”. Pode sofrer processo de impeachment durante o mandato, mas não pode ser acusado depois que saiu da presidência por ações adotadas enquanto foi presidente.

No Brasil, poderíamos restringir o foro privilegiado a algumas autoridades do Executivo e aos crimes de opinião, em geral.

O restante deve ser julgado pela justiça comum. Como acontece com todos os cidadãos-eleitores.

Foro privilegiado precisa deixar de ser guarda-chuva para bandido.

É melhor o Brasil previnir-se

Ontem, Lula disse que estamos vivendo uma crise "certamente 30 vezes maior que a da Malásia", e que nem por isso o Brasil foi atingido.

A crise, na verdade, foi na Tailândia, e começou em julho de 1997. Ela ficou conhecida como a crise da Ásia.

Depois, se alastrou para a Indonésia, foi para a Coréia e chegou à Malásia.

Um ano depois de ter começado, chegou também à Rússia e seis meses depois, em janeiro de 1999, atingiu o Brasil. Esse é o passado recente do país e muita gente se lembra.

Acontece, que ao contrário daquela turbulência, a crise de agora possui outras características.

Aquela foi uma crise cambial, que atingiu países com desequilíbrio nas contas correntes. Por isso, se alastrou por todos os países que possuíam a mesma dificuldade: déficit comercial alto e déficit no balanço de pagamento em contas externas.

A gente não tem esse problema agora, estamos bem nas contas externas.

Mas a crise americana é outra, é uma crise bancária na maior economia do mundo.

É importante perceber também, que a crise da Ásia começou em julho de 1997 e só chegou ao Brasil em janeiro de 1999. Não foi um contágio imediato, demorou um ano e meio.

A crise americana é muito grave e alguns economistas estão dizendo que ela pode ser a pior desde a Segunda Guerra.

Ela começou por causa de inadimplências no mercado imobiliário e aí se descobriu que os bancos estavam com problemas graves nos balanços. Eles estão com muitos ativos imobiliários podres e o prejuízo, no total, pode chegar a US$ 1 trilhão.

Ainda não fomos atingidos e isso é ótimo. Mas ninguém acha que o Brasil está numa bolha protegida porque possui contas externas boas.

Dependendo do tamanho da crise, todo mundo vai ser atingido.

A melhor coisa a fazer, ao invés de ficar batendo no peito dizendo que agora tudo vai dar certo, seria o governo pensar em todos os cenários, bons e ruins, para tomar todas as medidas preventivas.

Aquele remédio das contas externas serve para um outro tipo de crise, que é diferente da que estamos vivendo.

A disputa é entre o Legislativo e o Executivo

É um equívoco tratar a quebra de braço sobre a tramitação das Medidas Provisórias como um embate entre governo e oposição.

Claro que uns e outros estão se aproveitando da situação em seu próprio interesse, mas o que está acontecendo é uma séria discussão entre Legislativo e Executivo sobre o uso e abuso das MPs por parte do Planalto e a doce – e calculista –complacência de parte do Legislativo.

Senão vejamos. As MPs estão destruindo o Congresso brasileiro, que perdeu inteiramente a iniciativa legislativa.

As Medidas Provisórias, editadas com força de lei, devem ser apreciadas no prazo máximo de 120 dias, quando perdem a validade, é o que determina a Emenda Constitucional nº 32, de 2001, modificando o texto do Art. 61, § 8º, da Constituição de 1988.

O que faz a Câmara dos Deputados?

Estica os prazos ao máximo, depois vota tudo correndo, sem prestar atenção ao que está fazendo, e joga no colo do Senado.

Este não tem tempo suficiente para apreciar a MP, melhorar seu texto, propor emendas. Nada. Praticamente, ou aprova como vem da Câmara ou rejeita.

Resultado, os senadores se revoltaram e não querem mais ser considerados meros carimbadores de textos que vêm da Câmara.

Mas o fato é que a revolta maior veio do presidente da Câmara dos Deputados, deputado Arlindo Chinaglia, do PT, partido do presidente da República.

Estranho? Nem um pouco.

Como presidente da Câmara, Chinaglia percebe perfeitamente o abuso do Executivo na utilização do instrumento. Qualquer assunto é tema para uma MP.

Ninguém mais quer saber de projeto de lei, de mensagem da Presidência.

A MP é a “lei do menor esforço”.

Resultado: dezenas de MPs trancam a pauta e paralisam os trabalhos da Câmara e do Senado.

Aliás, é importante ressaltar que as principais modificações no rito de tramitação das MPs aconteceram em 2001, provocadas pela iniciativa do então presidente da Câmara, deputado Aécio Neves, tucano do partido do presidente Fernando Henrique.

Exatamente como está acontecendo hoje com o deputado Chinaglia.

A presidência da Câmara oferece uma visão privilegiada do estrago desmoralizante que as MPs estão há tempos fazendo no Legislativo.

E quais são as principais propostas na mesa?

1º. Manutenção do prazo de 120 dias para apreciação, mas dividido da seguinte forma: 60 dias para a Câmara, 45 para o Senado e 15 para voltar à Câmara se houver emendas.

2º. MP não tranca mais a pauta. Arriscado, porque a MP pode se eternizar. (Antes de 2001, as MPs eram eternamente renovadas.)

3º. Extinção da comissão especial criada para analisar a MP. A própria Comissão de Constituição e Justiça de cada casa se reuniria e apreciaria a admissibilidade, investigado os requisitos de “relevância e urgência”. Da CCJ a MP iria diretamente ao plenário. Um prazo máximo seria dado para a CCJ.

Quais são os principais problemas envolvidos?

1º. O DEM quer que MP só passe a valer depois de aprovada na CCJ (já existe proposta neste sentido tramitando no Senado). Isto porque a MP tem força de lei e gera imediatamente conseqüências financeiras, jurídicas, legais. Se é rejeitada ou perde a validade, é uma encrenca. Com a aprovação pela CCJ, haveria uma garantia maior. A base governista discorda, e não há acordo à vista, por enquanto.

2º. O critério de “relevância e urgência” permanece muito subjetivo. Tudo pode ser relevante e urgente para o Executivo.

3º. Manutenção do “contrabando”: parlamentares negociam diretamente com o Executivo projetos de seu (deles) interesse e apóiam governo depois da inclusão do projeto no “rabicho” de uma MP. Os próprios parlamentares desistiram da tramitação normal de um projeto de lei.

4º. As modificações precisam se transformar numa proposta de emenda constitucional, a ser aprovada por um quórum qualificado de três quintos (308 deputados 49 senadores) e dois turnos de votação em cada uma das casas do Congresso.

Mais problemas à vista, mais corpo mole da base aliada, mais queda de braço com a oposição.

Tudo bem, mas não vamos nos iludir.

A disputa é entre Legislativo e Executivo, não entre governo e oposição.

terça-feira, 18 de março de 2008

Bolsa Família - Máquina de Votos

Bolsa Família cresce e alcança potenciais eleitores

A menos de sete meses das eleições municipais, marcadas para outubro, o governo federal iniciou ontem o pagamento do Bolsa Família para jovens de 16 e 17 anos, num limite de dois por família.

No Brasil, o voto é facultativo entre 16 e 18 anos.

Com a ampliação do benefício, o valor máximo mensal pago para uma família do principal programa social do governo petista passou de R$ 112 para R$ 172.

Neste mês, dos 11 milhões de famílias que já recebem o Bolsa Família, 1,1 milhão terão seus benefícios ampliados com a nova modalidade -o limite era de 15 anos para o jovem receber o benefício.

Bom Dia Brasil

O comentário da Míriam Leitão, hoje no Bom Dia Brasil, é relevante sobre o colapso da economia americana.

O Medo do Fed é que haja saques em outros bancos

O Fed vai baixar os juros hoje e a expectativa é que seja um corte de até 1 ponto percentual.

É uma tentativa desesperada do banco central americano de evitar o agravamento da crise.

O que houve com o Bear Stearns levou a crise para outro patamar. Houve uma corrida por saques neste banco, e isso é prova de falta absoluta de confiança no sistema bancário.

O medo das autoridades é que haja o mesmo movimento em outros bancos.

O Fed pagou as contas desse banco que quebrou e vendeu o que restava ao JPMorgan no final de semana.

A crise lembra a nossa crise bancária do final dos anos 90 e o nosso Proer. Não acontece nada parecido com isso nos Estados Unidos há muitas décadas.

O Fed tenta evitar um colapso no sistema bancário.

Mas por que a crise ficou tão grave ao começar com por causa de empréstimos para a compra de casa própria a quem não tinha condição de pagar?

O que aconteceu foi que o mercado financeiro mudou muito, fez tantas inovações nos últimos anos que escapou de fiscalizações.

O Fed agora tenta conter a crise e evitar a recessão e para isso está reduzindo os juros.

O objetivo é fazer o dinheiro circular, fazer com que os bancos dêem novos empréstimos. Mas os sistema bancário está com problemas e com medo de emprestar.

Os bancos podem simplesmente não repassar o dinheiro.

O Brasil, por enquanto, está bem. Mas se os preços das commodities continuar caindo como caiu ontem podemos ser afetados. Ninguém escapa de uma crise americana de grandes proporções.

Veja aqui o comportamento das bolsas, agora, no mundo inteiro (http://oglobo.globo.com/economia/indicadores/).

segunda-feira, 17 de março de 2008

A crise americana virá

Nos nossos momentos de crise, o Banco Central já trabalhou em final de semana. Mas eu nunca tinha visto o Fed fazendo isso.

E desta vez, o BC americano trabalhou duro, e com a participação do secretário do tesouro, Henry Paulson. A compra do Bear Stearns aconteceu no domingo, com o Fed injetando um dinheirão, US$ 30 bilhões, para que ele conseguisse cobrir os seus prejuízos.

Ele tem US$ 15 bilhões de papéis subprime, está todo cheio de problemas. O Fed deu dinheiro para pagar os rombos do Bear Stearns e empurrou um outro banco, o JPMorgan, para comprar o que restou de bom do Bear.

Mas o que restou foi menos de 10%. O BC entrou com dinheiro do contribuinte para salvar o banco e Henry Paulson participou ativamente das negociações.

Aquela história de economia de mercado se regulando sozinha, com o mercado resolvendo tudo, foi simplesmente arquivado pelos americanos.

O que os Estados Unidos fizeram foi um intervencionismo na economia. Além disso, o Fed também reduziu a taxa de juros para empréstimos aos bancos.

Que é uma taxa de socorro aos bancos.

Tudo isso no domingo e para evitar que a Ásia abrisse com tudo despencando, mas parece que não adiantou muito. A crise americana entrou em outro patamar e tudo que o Fed fez demonstra mais uma vez que ele está numa crise de pânico.

quinta-feira, 13 de março de 2008

Candidatos a candidatos para 2010

Depois de lançar a ministra Dilma Roussef como a “mãe do PAC”, para tentar viabilizar nacionalmente o seu nome e ver como ela se sai como candidata a candidata, Lula começou ontem a testar o ministro Patrus Ananias.

Grande cerimônia comemorou os quatro anos do Ministério do Desenvolvimento Social.

Diante de 16 ministros entre os quase 1.300 convidados, o próprio presidente Lula revelou a verdadeira razão da festa, ao comentar, no fim do discurso que, se todos os seus ministros decidirem comemorar aniversário de ministério, ele (Lula) não fará outra coisa a não ser comparecer a festas.

(Também, com quase 40 ministros...)

O ministro Patrus Ananias fez discurso de candidato.

Falou mais do que o presidente, uma tremenda gafe, mas como este é um governo muito informal, ninguém reparou.

O Ministério do Desenvolvimento Social tem números muito robustos a apresentar.

Atualmente, 25% das famílias brasileiras, isto é, cerca de 11 milhões de famílias, recebem o Bolsa-Família.

Esses dados só corroboram o fato de que o Bolsa-Família é a mais formidável máquina de fabricar de votos jamais inventada no país.

Segundo o IBGE, o crescimento de 5,4% do PIB em 2007, anunciado ontem – e comemorado, com justos motivos, pelo governo – está fortemente apoiado na expansão do consumo das famílias e na expansão do crédito.

Não sem razão, o presidente associa o aumento do consumo ao Bolsa-Família (“o pobre está comendo mais”, segundo ele).

Consciente da importância eleitoral do programa, o governo Lula editou nos últimos dia de dezembro de 2007 uma Medida Provisória estendendo o benefício a jovens entre 15 e 17 anos, que estejam matriculados na escola.

Ou seja, eleitores certos em 2010.

A MP contornou, assim, as restrições da lei eleitoral, que impede adoção de programas assistencialistas a partir de 2 de janeiro do ano eleitoral. Como se vê, o governo Lula não está de brincadeira.

O próximo a ser testado é o ministro da Educação, Fernando Haddad, que lança um concurso para contratar quase 50 mil professores no país todo.

No ano passado foi lançado o PAC da Educação, que não teve muita repercussão, mas sempre pode ser requentado.

É perfeitamente razoável que o presidente Lula queira fazer o sucessor.

É também razoável que o PT queira capitalizar sua popularidade e apresentar candidato à eleição de 2010.

Entretanto, mais do que nomes, o que o presidente Lula está testando é a sua própria capacidade de transferir votos para o seu candidato.

Lula tem uma espécie de contrato pessoal com as massas, sobretudo com a clientela do Bolsa-Família.

A massa se identifica com ele, se reconhece nele, confia nele.

Apesar dessa imensa popularidade, o presidente não conseguiu reeleger a ex-prefeita Marta Suplicy.

Não consegue eleger o prefeito de São Bernardo do Campo.

(Nas eleições de outubro, seu filho é candidato a vereador em São Bernardo. Vamos acompanhar.)

Conseguirá o presidente Lula transferir pelo menos parte deste enorme patrimônio eleitoral, patrimônio maciço, verdadeiro, para seu candidato?

Este é o grande mistério que Lula tentará decifrar nos próximos dois anos.

quarta-feira, 12 de março de 2008

Governo Lula precisa articular a base aliada

Ontem, o presidente Lula reuniu o Conselho Político e distribuiu pancadas a torto e a direito.

Relatos de participantes do encontro dão conta da irritação do presidente da República com o Congresso.

Segundo a maioria dos participantes, o presidente Lula “exige a aprovação do orçamento”.

Uma primeira leitura nos levaria à conclusão de que o presidente estaria interferindo indevidamente nas atividades do Poder Legislativo.

Duas semanas atrás, o presidente reclamou que o ministro Marco Aurélio Melo, do STF, estaria interferindo nos trabalhos do Poder Executivo.

Mas uma observação mais atenta pode ajudar a entender o atual momento político.

Afinal, o que disse o presidente da República?

Primeiro, que acabou a fase de distribuição de cargos e que está na hora de aprovar os temas de interesse do governo.

O presidente está coberto de razão. Para compor uma base aliada que conta com cerca de 380 deputados, o presidente negociou tudo e qualquer coisa.

Esquartejou a administração pública, subdividiu ministérios, criou secretarias absolutamente desnecessárias, entregou as jóias da coroa da máquina pública aos partidos aliados, permitiu o aparelhamento de ministérios e departamentos.

Cedeu à chantagem do baixo clero da Câmara e do Senado, acomodou companheiros inexperientes, quando não francamente incompetentes na administração pública brasileira.

Liberou emendas parlamentares para ONGs, fundações de parentes, pontes que ligam o nada a lugar nenhum.

Atendeu a tudo e a todos. Agora quer colher o que plantou.

O presidente Lula quer que a base aliada se comporte como base aliada.

Que vote os projetos de interesse do governo. Simples assim.

Segundo, o presidente declarou que é inaceitável o governo ter maioria e ficar a reboque da oposição.

Mais uma vez, ponto para o presidente Lula. Quem tem maioria, põe sua maioria no plenário e vota.

O que não pode acontecer é o governo permitir a rebelião de sua base e depois cobrar patriotismo da oposição.

Quem tem que votar com o governo é a base aliada, e não a oposição.

Nos palanques da vida, o presidente Lula pode esbravejar contra a oposição. É da vida política.

Mas em reunião com seu Conselho Político, o presidente sabe direitinho a quem endereçar sua bronca, seus pitos, seus puxões de orelha.

Claro que a atuação de seus articuladores políticos no Congresso continua muito ineficiente.

O ministro José Múcio é deputado e não lidera senadores. Os senadores da base aliada votam como querem, ausentam-se das votações para derrubar o quórum...

O senador Romero Jucá é acusado de só pensar no PMDB e a senadora Roseana Sarney, acusada de se ausentar nos momentos críticos.

Portanto, o presidente continua sozinho. Sem articuladores e à mercê da chantagem da base aliada.

Não surpreende a irritação do presidente Lula.

terça-feira, 11 de março de 2008

Mais um prefeito fluminense

O prefeito de Campos dos Goytacazes, Alexandre Mocaiber (PSB), foi afastado do cargo, por um período de 180 dias, devido a irregularidades em licitações públicas da prefeitura, atendendo a um pedido da Procuradoria Geral da República.

A Polícia Federal prendeu 14 acusados de participar do esquema de fraude para contratação de funcionários terceirizados para obras emergenciais no município do Norte Fluminense, na manhã desta terça-feira.

Entre os presos estão secretários municipais, empreiteiros e funcionários do segundo escalão da Prefeitura de Campos.

A fraude teria causado um prejuízo de R$ 240 milhões aos cofres públicos.

Mocaiber é acusado de envolvimento na fraude. Ele assumiu o comando do município após derrotar o peemedebista Geraldo Pudim, que tinha o apoio do ex-governador do Rio Anthony Garotinho (PMDB).

Quem assume a prefeitura é o vice-prefeito Roberto Henriques, que rompeu recentemente com Mocaiber e hoje está no PMDB.

Além do prefeito, entre os alvos dos mandados estão o procurador do município de Campos, Alex Pereira Santos, os secretários municipais de Obras, José Luiz Púglia, e de Fazenda, Carlos Edmundo Ribeiro. Este último estaria no exterior.

O assessor do prefeito de Campos, Edilson Quintanilha, o coordenador de bolsas de estudo da prefeitura, Francisco de Assis Martins, e um empresário foram presos.

Dois diretores da Fundação José Pelúcio, Ricardo Pimentel, e um homem identificado apenas como Marcos, também foram presos no Rio.

Um avião da PF está no Aeroporto de Campos para levar todos os presos para o Rio.

Cerca de 150 agentes da PF participam da Operação Telhado de Vidro, que visa a cumprir 20 mandados de prisão na cidade.

A ação é resultado de um processo judicial que apura irregularidades na contratação para a realização de obras emergenciais no município.

As investigações duraram mais de oito meses e envolvem principalmente fraudes em licitações públicas. Campos é a cidade com maior orçamento no interior do estado.

Os agentes da Polícia Federal chegaram a Campos num avião. A primeira incursão foi na casa do prefeito de Campos.

Eles invadiram a residência de Alexandre Mocaiber com mandados de busca e apreensão, mas o prefeito não foi encontrado.

A esposa de Mocaiber, Cristina, teria agredido um repórter da TV Globo que acompanhava a ação.

O Orçamento caduca

Durante reunião do Conselho Político, nesta manhã, o presidente Lula conclamou a base parlamentar a votar logo o Orçamento da União de 2008 e avisou aos partidos aliados que o processo de distribuição de cargos no governo está encerrado.

- O governo está completo - disse ele, acrescentando que não existe cargo para todos “nem nunca existiu”.

O aviso do presidente Lula foi entendido como uma advertência de que quer a base unida para votar o Orçamento da União nesta quarta-feira, pois ele afirmou:

- O processo de cargos está encerrado; agora é voto. Quem não quiser votar é porque não quer ficar no governo - disse o presidente, indicando que aquele que não estiver com o governo deverá devolver os cargos, segundo a interpretaçao dos al

A aprovação do Orçamento da União está com atraso de dois meses e o presidente Lula disse que isso já está prejudicando o cronograma das obras do PAC e também a execução de políticas do governo.

Até agora, disse a senadora Ideli Salvatti, o governo resistiu à idéia de editar medidas provisórias com complementação orçamentária. Mas se houver mais atrasos, isso será inevitável.