Mais uma vez, muita notícia importante ao longo na semana.
Lá fora, Obama anunciou sua equipe econômica, o Citibank foi resgatado pelo Tesouro americano, e o governo anunciou um novo pacote de US$ 800 bilhões. Na China, houve novo corte de juros, com o Banco Mundial reduzindo a previsão de crescimento do país. Também houve pacote na União Européia de 200 bilhões de euros.
Aqui no Brasil, muita discussão sobre o empréstimos de R$ 2 bilhões da Caixa para a Petrobras; dados do BC mostrando que o crédito não sofreu forte queda em outubro; e reunião ministerial do governo para decidir criar uma campanha publicitária com a idéia de dizer que não há crise no país.
sexta-feira, 28 de novembro de 2008
Ajuda no Blog
Para quem quiser colaborar em dinheiro, a Defesa Civil de Santa Catarina abriu contas bancárias para receber doações. As contas são:
- Banco do Brasil
Agência: 3582-3
Conta corrente: 80.000-7
- Besc
Agência: 068-0
Conta Corrente: 80.000-0
- Caixa Econômica Federal
Agência: 1877
operação 006
conta 80.000-8
- Bradesco
Agência: 0348-4
Conta Corrente: 160.000-1
O nome da pessoa jurídica é Fundo Estadual da Defesa Civil, e o CNPJ é 04.426.883/0001-57.
Segundo o governo estadual, o dinheiro arrecadado será usado para compra de mantimentos que serão distribuídos entre os moradores das cidades que tiveram alagamentos e deslizamentos.
- Banco do Brasil
Agência: 3582-3
Conta corrente: 80.000-7
- Besc
Agência: 068-0
Conta Corrente: 80.000-0
- Caixa Econômica Federal
Agência: 1877
operação 006
conta 80.000-8
- Bradesco
Agência: 0348-4
Conta Corrente: 160.000-1
O nome da pessoa jurídica é Fundo Estadual da Defesa Civil, e o CNPJ é 04.426.883/0001-57.
Segundo o governo estadual, o dinheiro arrecadado será usado para compra de mantimentos que serão distribuídos entre os moradores das cidades que tiveram alagamentos e deslizamentos.
quinta-feira, 27 de novembro de 2008
Ele tem a 'força'
Processo contra Paulinho é adiado.
O julgamento do deputado Paulo Pereira da Silva (PDT-SP) no Conselho de Ética da Câmara foi suspenso por um pedido de vista [tempo para analisar o caso] de Solange Amaral (DEM-RJ) e deve ser retomado na semana que vem.
Se depender do que revelou a maioria dos deputados que integra o conselho, Paulinho escapará da cassação de mandato e do risco de permanecer inelegível até 2018.
Por ora, três parlamentares declararam que livrarão a cara de Paulinho sob o pretexto de que não há provas contra o deputado do PDT. São eles: Wladimir Costa (PMDB-PA), Dagoberto (PDT-MS) e Abelardo Camarinha (PSB-SP). Sandes Júnior (PP-GO) não disse com todas as letras, mas deu a entender que votará pela absolvição de Paulinho.
Hugo Leal (PSC-RJ) e Marcelo Ortiz (PV-SP), dois suplentes do Conselho de Ética, já garantiram que se forem requisitados votarão a favor de Paulinho.
Antônio Carlos Thame (PSDB-SP), Ruy Paulleti (PSDB-RS) e Moreira Mendes (PPS-RO) prometeram que seguirão o parecer do deputado do PMDB Paulo Piau (MG), relator do processo contra Paulinho, pela perda de mandato do colega do PDT.
O problema é que o pedido de vista de Solange atrasará ainda mais a chegada do processo no plenário da Câmara, onde os demais deputados deverão avalizar ou não a decisão do Conselho de Ética.
Se o caso não for votado até o dia 15 de dezembro, quando começa o recesso parlamentar, e não houver prorrogação do prazo o relatório de Piauí será considerado inepto e o presidente da Câmara deverá indicar um novo relator para tocar o processo.
O julgamento do deputado Paulo Pereira da Silva (PDT-SP) no Conselho de Ética da Câmara foi suspenso por um pedido de vista [tempo para analisar o caso] de Solange Amaral (DEM-RJ) e deve ser retomado na semana que vem.
Se depender do que revelou a maioria dos deputados que integra o conselho, Paulinho escapará da cassação de mandato e do risco de permanecer inelegível até 2018.
Por ora, três parlamentares declararam que livrarão a cara de Paulinho sob o pretexto de que não há provas contra o deputado do PDT. São eles: Wladimir Costa (PMDB-PA), Dagoberto (PDT-MS) e Abelardo Camarinha (PSB-SP). Sandes Júnior (PP-GO) não disse com todas as letras, mas deu a entender que votará pela absolvição de Paulinho.
Hugo Leal (PSC-RJ) e Marcelo Ortiz (PV-SP), dois suplentes do Conselho de Ética, já garantiram que se forem requisitados votarão a favor de Paulinho.
Antônio Carlos Thame (PSDB-SP), Ruy Paulleti (PSDB-RS) e Moreira Mendes (PPS-RO) prometeram que seguirão o parecer do deputado do PMDB Paulo Piau (MG), relator do processo contra Paulinho, pela perda de mandato do colega do PDT.
O problema é que o pedido de vista de Solange atrasará ainda mais a chegada do processo no plenário da Câmara, onde os demais deputados deverão avalizar ou não a decisão do Conselho de Ética.
Se o caso não for votado até o dia 15 de dezembro, quando começa o recesso parlamentar, e não houver prorrogação do prazo o relatório de Piauí será considerado inepto e o presidente da Câmara deverá indicar um novo relator para tocar o processo.
quarta-feira, 26 de novembro de 2008
Jornal O Estado de São Paulo
As fases da Operação Satiagraha: o que mudou e o que fica igual
A Operação Satiagraha da Polícia Federal foi deflagrada no dia 8 de julho deste ano, quando 300 homens foram às ruas em três Estado - São Paulo, Rio e Bahia - para prender o banqueiro Daniel Dantas, o ex-prefeito Celso Pitta e o investidor Naji Nahas. Esta que é considerada a primeira fase da operação foi comandada pelo delegado Protógenes Queiroz, que, após as prisões, passou a ser acusado de irregularidades na operação, inclusive de vazamento de informações.
A primeira fase também foi marcada por polêmicas e confrontos entre diferentes autoridades, como o juiz da 6ª Vara Federal de São Paulo Fausto De Sanctis e o presidente do Supremo Tribunal Federal, Gilmar Mendes. O primeiro autorizou as duas prisões de Dantas em julho - ambas foram revogadas por Mendes, que criticou a "espetacularização" da operação.
Agora, a condução a Operação está nas mãos do delegado Ricardo Saadi. Segundo relatório antecipado pelo Estado, Saadi deve pedir nova prisão de Dantas. Desta vez, o pedido de prisão deverá ser sustentado por texto objetivo, baseado em provas robustas e técnicas, acrescidas de fatos novos levantados na segunda fase do inquérito, determinado para corrigir falhas do original. Caso se concretize, será o terceiro pedido de prisão de Dantas feito pela PF.
Saadi recebeu da cúpula da PF a missão de "desidratar" o relatório do delegado Protógenes Queiroz, afastado do caso em julho, em meio a acusações de vazamento e de ter feito relatório com "considerações românticas e subjetivas".
A Operação Satiagraha, que foi a operação mais cara da Polícia Federal, ao custo de R$466 mil, revelou um pouco de tudo : novas provas, participação de agentes da ABIN, escutas ilegais e novos personagens.
Abaixo, veja as principais diferenças entre as duas fases da Operação:
Comando: Na primeira, o inquérito foi comandado pelo delegado Protógenes Queiroz. Afastado após suspeitas de irregularidades no comando do caso, ele foi substituído em agosto por Ricardo Saadi.
Prisões: Na primeira fase, dois pedidos de prisão de Dantas. Sob comando de Saadi, este é o primeiro. Ambos pedidos encaminhados por Protógenes para que Dantas fosse preso aconteceu pelo juiz Fausto de Sanctis, da 6ª Vara Federal. Desta vez, o processo vai parar também nas mãos dele.
A primeira prisão de Dantas foi temporária, a segunda preventiva. O pedido de Saadi pode vir a ser ou um ou outro. A diferença é que a prisão temporária dura por cinco dias e pode ser prorrogada por mais cinco e só pode ser decretada na fase de investigação enquanto a preventiva dura o tempo da instrução criminal.
Relatório:
O documento elaborado por Protógenes é considerado "romântico" e subjetivo , enquanto o de Saadi, mais técnico, consistente e baseado em mais provas.
Outros envolvidos:
Na primeira fase, foram 13 indiciados. No novo relatórios, Saadi mantém os indiciamentos e as acusações contra o banqueiro Daniel Dantas, mas pode propor novos indiciamentos.
Motivos da prisão de Dantas:
Protógenes pediu a prisão de Dantas acusando-o de evasão de divisas, lavagem de dinheiro entre outras. Também foi feito um pedido baseado na acusação de suborno de um delegado. Segundo a denúncia, Dantas teria oferecido R$1 milhão para o delegado em troca da retirada de seu nome do relatório de Victor Hugo. Ele nega as acusações.
O relatório de Saadi será baseado no mesmo fundamento dos dois anteriores: poder de Dantas de obstruir a Justiça, pressionar testemunhas e corromper autoridades.
Habeas-corpus:
Na primeira fase, Dantas entrou com dois pedidos de habeas-corpus no STF e foi atendido pelo presidente da Casa, Gilmar Mendes, ambas as vezes. Ele mandou revogar os dois pedidos de prisão de De Sanctis na primeira fase- ele era o plantonista do STF quando o Judiciário estava em recesso, em julho, quando a Satiagraha foi deflagrada e, em 48 horas, mandou prender e soltar Dantas.
Desta vez, caso o banqueiro Dantas entre com um habeas-corpus no Supremo Tribunal Federal, o pedido desta vez não cairá nas mãos dos presidente da Corte e sim, do ministro Eros Grau.
Indiciamento: Dantas deve ser indiciado pelos mesmos crimes do primeiro parecer produzido por Protógenes: lavagem de dinheiro, evasão de divisas, fraude financeira e formação de quadrilha.
A Operação Satiagraha da Polícia Federal foi deflagrada no dia 8 de julho deste ano, quando 300 homens foram às ruas em três Estado - São Paulo, Rio e Bahia - para prender o banqueiro Daniel Dantas, o ex-prefeito Celso Pitta e o investidor Naji Nahas. Esta que é considerada a primeira fase da operação foi comandada pelo delegado Protógenes Queiroz, que, após as prisões, passou a ser acusado de irregularidades na operação, inclusive de vazamento de informações.
A primeira fase também foi marcada por polêmicas e confrontos entre diferentes autoridades, como o juiz da 6ª Vara Federal de São Paulo Fausto De Sanctis e o presidente do Supremo Tribunal Federal, Gilmar Mendes. O primeiro autorizou as duas prisões de Dantas em julho - ambas foram revogadas por Mendes, que criticou a "espetacularização" da operação.
Agora, a condução a Operação está nas mãos do delegado Ricardo Saadi. Segundo relatório antecipado pelo Estado, Saadi deve pedir nova prisão de Dantas. Desta vez, o pedido de prisão deverá ser sustentado por texto objetivo, baseado em provas robustas e técnicas, acrescidas de fatos novos levantados na segunda fase do inquérito, determinado para corrigir falhas do original. Caso se concretize, será o terceiro pedido de prisão de Dantas feito pela PF.
Saadi recebeu da cúpula da PF a missão de "desidratar" o relatório do delegado Protógenes Queiroz, afastado do caso em julho, em meio a acusações de vazamento e de ter feito relatório com "considerações românticas e subjetivas".
A Operação Satiagraha, que foi a operação mais cara da Polícia Federal, ao custo de R$466 mil, revelou um pouco de tudo : novas provas, participação de agentes da ABIN, escutas ilegais e novos personagens.
Abaixo, veja as principais diferenças entre as duas fases da Operação:
Comando: Na primeira, o inquérito foi comandado pelo delegado Protógenes Queiroz. Afastado após suspeitas de irregularidades no comando do caso, ele foi substituído em agosto por Ricardo Saadi.
Prisões: Na primeira fase, dois pedidos de prisão de Dantas. Sob comando de Saadi, este é o primeiro. Ambos pedidos encaminhados por Protógenes para que Dantas fosse preso aconteceu pelo juiz Fausto de Sanctis, da 6ª Vara Federal. Desta vez, o processo vai parar também nas mãos dele.
A primeira prisão de Dantas foi temporária, a segunda preventiva. O pedido de Saadi pode vir a ser ou um ou outro. A diferença é que a prisão temporária dura por cinco dias e pode ser prorrogada por mais cinco e só pode ser decretada na fase de investigação enquanto a preventiva dura o tempo da instrução criminal.
Relatório:
O documento elaborado por Protógenes é considerado "romântico" e subjetivo , enquanto o de Saadi, mais técnico, consistente e baseado em mais provas.
Outros envolvidos:
Na primeira fase, foram 13 indiciados. No novo relatórios, Saadi mantém os indiciamentos e as acusações contra o banqueiro Daniel Dantas, mas pode propor novos indiciamentos.
Motivos da prisão de Dantas:
Protógenes pediu a prisão de Dantas acusando-o de evasão de divisas, lavagem de dinheiro entre outras. Também foi feito um pedido baseado na acusação de suborno de um delegado. Segundo a denúncia, Dantas teria oferecido R$1 milhão para o delegado em troca da retirada de seu nome do relatório de Victor Hugo. Ele nega as acusações.
O relatório de Saadi será baseado no mesmo fundamento dos dois anteriores: poder de Dantas de obstruir a Justiça, pressionar testemunhas e corromper autoridades.
Habeas-corpus:
Na primeira fase, Dantas entrou com dois pedidos de habeas-corpus no STF e foi atendido pelo presidente da Casa, Gilmar Mendes, ambas as vezes. Ele mandou revogar os dois pedidos de prisão de De Sanctis na primeira fase- ele era o plantonista do STF quando o Judiciário estava em recesso, em julho, quando a Satiagraha foi deflagrada e, em 48 horas, mandou prender e soltar Dantas.
Desta vez, caso o banqueiro Dantas entre com um habeas-corpus no Supremo Tribunal Federal, o pedido desta vez não cairá nas mãos dos presidente da Corte e sim, do ministro Eros Grau.
Indiciamento: Dantas deve ser indiciado pelos mesmos crimes do primeiro parecer produzido por Protógenes: lavagem de dinheiro, evasão de divisas, fraude financeira e formação de quadrilha.
terça-feira, 25 de novembro de 2008
Reforma Tributária na Botucolândia
"Um desastre de grandes proporções tramita na Câmara dos Deputados. E o mais assustador é que poucos perceberam a extensão dos danos que poderá causar. Refiro-me à proposta de emenda constitucional sobre a reforma tributária. O projeto enviado pelo Ministério da Fazenda era ingênuo e bem-intencionado. Modificado para pior pelo relator, deputado Sandro Mabel, não é mais nem uma coisa nem outra.
Apesar dos reflexos profundos sobre a vida de todos os brasileiros, a reforma tributária é muito comentada, mas pouco conhecida, devido a três fatores. Primeiro, porque trata de um tema árido, dominado por especialistas, e onde, em geral, o diabo reside nos detalhes. Segundo, por causa de seu tamanho. O relatório de Mabel tem nada menos do que duzentos dispositivos. É maior do que o próprio texto constitucional que pretende modificar e que resultou de intenso trabalho de dezoito meses, entre 1987 e 1988, reunindo constituintes reconhecidamente preparados, entre os quais, Francisco Dornelles, José Serra e Osmundo Rebouças, assessorados por especialistas da competência e da integridade de Luiz Patury Accioly e Alcides Jorge Costa. "
O trecho acima faz parte do artigo especial para o blog do deputado Arnaldo Jardim (PPS-SP), integrante da Comissão Especial da Reforma Tributária.
Apesar dos reflexos profundos sobre a vida de todos os brasileiros, a reforma tributária é muito comentada, mas pouco conhecida, devido a três fatores. Primeiro, porque trata de um tema árido, dominado por especialistas, e onde, em geral, o diabo reside nos detalhes. Segundo, por causa de seu tamanho. O relatório de Mabel tem nada menos do que duzentos dispositivos. É maior do que o próprio texto constitucional que pretende modificar e que resultou de intenso trabalho de dezoito meses, entre 1987 e 1988, reunindo constituintes reconhecidamente preparados, entre os quais, Francisco Dornelles, José Serra e Osmundo Rebouças, assessorados por especialistas da competência e da integridade de Luiz Patury Accioly e Alcides Jorge Costa. "
O trecho acima faz parte do artigo especial para o blog do deputado Arnaldo Jardim (PPS-SP), integrante da Comissão Especial da Reforma Tributária.
segunda-feira, 24 de novembro de 2008
CBN: Dia de estréia
Hoje é dia de estréia na CBN.
A Lucia Hippolito, nova apresentadora do Programa CBN Rio, declarou para este blog que estava nervosa, mas muito confiante que tudo dará certo.
Ela substituirá o Sidney Rezende, que fora demitido a quase um mês.
O programa começa daqui a pouco. Vale a pena acompanhar.
Todos os dias às 9h30.
A Lucia Hippolito, nova apresentadora do Programa CBN Rio, declarou para este blog que estava nervosa, mas muito confiante que tudo dará certo.
Ela substituirá o Sidney Rezende, que fora demitido a quase um mês.
O programa começa daqui a pouco. Vale a pena acompanhar.
Todos os dias às 9h30.
domingo, 23 de novembro de 2008
Jornal O Estado de São Paulo - O combatente de Dilma
Enquanto o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso cobrava ontem rapidez na escolha do candidato tucano para 2010, representantes do PSDB paulista já se antecipavam em anunciar o governador José Serra não apenas como candidato, mas até como eleito para o posto de presidente da República. Fazendo as vezes de mestre de cerimônias, o secretário-geral do PSDB paulista, César Gontijo, recebeu Serra no auditório do Jockey Club ontem com o grito: "Está aqui o nosso futuro presidente da República".
A frase gerou aplausos entusiasmados da platéia de prefeitos e vereadores que participavam do encontro. Horas antes, quando Serra sequer havia chegado ao local, Gontijo já fazia declarações descartando o governador de Minas, Aécio Neves, para a vaga. "O Aécio é jovem. Tem perspectiva de uma vida pública muito grande", afirmou. "Mas, na política, existe momento. E este momento é o de José Serra ser presidente."
Dirigentes nacionais da sigla, como o presidente Sérgio Guerra (PE) e o próprio FHC foram cautelosos. Referiram-se a Serra como uma das possibilidades para a vaga. O governador, por outro lado, não falou sobre 2010 em todo o seu discurso, no qual se estendeu por quase uma hora em conselhos de gestão. Questionado sobre as manifestações de apoio, ele disse que é cedo para falar no assunto. Sobre a possibilidade de ir à convenção, ele se limitou a dizer: "Tudo depende de como as coisas se encaminharem".
A frase gerou aplausos entusiasmados da platéia de prefeitos e vereadores que participavam do encontro. Horas antes, quando Serra sequer havia chegado ao local, Gontijo já fazia declarações descartando o governador de Minas, Aécio Neves, para a vaga. "O Aécio é jovem. Tem perspectiva de uma vida pública muito grande", afirmou. "Mas, na política, existe momento. E este momento é o de José Serra ser presidente."
Dirigentes nacionais da sigla, como o presidente Sérgio Guerra (PE) e o próprio FHC foram cautelosos. Referiram-se a Serra como uma das possibilidades para a vaga. O governador, por outro lado, não falou sobre 2010 em todo o seu discurso, no qual se estendeu por quase uma hora em conselhos de gestão. Questionado sobre as manifestações de apoio, ele disse que é cedo para falar no assunto. Sobre a possibilidade de ir à convenção, ele se limitou a dizer: "Tudo depende de como as coisas se encaminharem".
O que há de melhor em um domingo
É ler um bom livro e se preparar para a semana que se inicia.
Será uma semana muito confusa e cheia de novidades.
Para todos e todas, um excelente domingo!
Será uma semana muito confusa e cheia de novidades.
Para todos e todas, um excelente domingo!
sábado, 22 de novembro de 2008
Jornal O Globo
E AS AÇÕES DA VALE, HEIN?
- Os novatos compradores de ações no seu primeiro crash -
Outro dia, estava no aeroporto de Congonhas, em São Paulo, à procura de um celular perdido. Atendeu-me um funcionário, muito prestativo, que fez o possível mas não localizou o aparelho. Paciência - disse ele. Agradeci, já estava deixando a sala, quando ouço: desculpe, mas e as ações da Vale, hein?
Voltei e ouvi sua história. Ele e sua mulher haviam aderido ao programa que permitiu utilizar parte do FGTS para comprar ações da Vale. Colocaram, na ocasião, algo como R$ 8 mil (números aproximados, cito de memória). E tinham, no dia da nossa conversa, pouco mais de R$ 20 mil.
Perguntei se havia feito a conta de quanto teriam se o dinheiro tivesse ficado no FGTS. Bem informado, o funcionário respondeu na hora: uns R$ 9 mil e pouco.
Portanto, continua sendo um bom negócio, comentei.
E ele: é, mas a gente tinha R$ 35 mil.
Esse é o sentimento que prevalece. A pessoa incorpora o dinheiro valorizado, passa a ser seu, entra nos planos da família. De repente, desaparece.
Por toda parte que ando, essa é a pergunta dominante: e a Bolsa? Recupera quando?
Isso mostra como cresceu o número de brasileiros que entraram na Bolsa. Isso decorreu, de um lado, de uma campanha bem sucedida de popularização (ou democratização) da Bolsa, como dizia seu presidente, Raimundo Magliano.
Multiplicaram-se os clubes de investimentos, home brokers e os fundos, com acesso a partir de 100, 200 reais.
De outro lado, reformas legais ampliaram o mercado de capitais no Brasil. Inúmeras empresas abriram seu capital, de modo que o processo fechou. Mais investidores entrando, mais papéis sendo oferecidos.
Em cima disso, veio a euforia. O índice Bovespa, que chegou a passar dos 70 mil pontos, parecia não ter limite. Quem não estava na Bolsa, fatalmente encontrava um amigo, um familiar, animadíssimo com a força de seus investimentos. Difícil não entrar também.
Hoje, há situações diferentes. Uns, como o de nosso funcionário de Congonhas, pegaram a coisa lá de baixo, ainda podem contabilizar alguma coisa no positivo. Outros entraram mais recentemente e hoje registram perdas de mais de 60%. Mas mesmo aqueles do primeiro grupo olham o quanto perderam em relação ao pico.
E parece que todos não acreditaram que a queda seria tão rápida e tão profunda. Tenho ouvido raríssimos relatos de pessoas que venderam tudo no começo da crise. E, de fato, os gestores profissionais informam que houve poucos saques.
Caíram todos em uma armadilha. É como se os investidores não tivessem tido tempo de reação. Foi a surpresa com a queda, depois um sentimento de que não pode cair tanto assim e agora, o que fazer? Sair e realizar um baita prejuízo? Ficar, na torcida de uma recuperação, e arriscar-se a perder mais ainda?
Dá para perceber um sentimento de que a Bolsa sempre se recupera. Todos se interessam muitíssimo pelos gráficos que mostram os picos e vales.
É que a Bolsa não pode dar prejuízo sempre, pois assim as empresas simplesmente chegariam ao fim e, com elas, o capitalismo. Como não se vislumbra nada parecido com isso, está claro que tendência longa deve ser de alta. E de fato, tomando-se o índice SP500, da Bolsa de Nova York, desde seu primeiro dia, somando mais de dois séculos, temos 70% dos anos com ganhos e 30% com perdas.
Olhando-se a história da Bovespa, também se verifica que picos são cada vez mais altos e os vales, cada vez menos baixos.
Ok, mas a questão chave está em outra variável, a que todo mundo pergunta: quanto tempo para recuperar?
E isso ninguém sabe. No momento, estamos conhecendo, pouco a pouco, o tamanho da recessão nos países ricos e da desaceleração nos emergentes. Ainda não dá para dizer quando isso acaba e o mundo recomeça a acelerar. E isso porque tudo depende, também, de um fator psicológico, a confiança.
Há hoje uma boa tecnologia de pesquisa para se avaliar o grau de confiança do momento, isso para consumidores, investidores e empresários. Aliás, está bem baixa hoje. Mas não há pesquisa que permita antecipar quando e como se recupera a confiança.
Resumo da ópera: estamos no momento de realização das perdas, material e subjetivamente. É a primeira vez que isso acontece por aqui depois da expansão da Bolsa. E logo com uma crise dessas.
Publicado em O Globo, 21 de novembro de 2008
- Os novatos compradores de ações no seu primeiro crash -
Outro dia, estava no aeroporto de Congonhas, em São Paulo, à procura de um celular perdido. Atendeu-me um funcionário, muito prestativo, que fez o possível mas não localizou o aparelho. Paciência - disse ele. Agradeci, já estava deixando a sala, quando ouço: desculpe, mas e as ações da Vale, hein?
Voltei e ouvi sua história. Ele e sua mulher haviam aderido ao programa que permitiu utilizar parte do FGTS para comprar ações da Vale. Colocaram, na ocasião, algo como R$ 8 mil (números aproximados, cito de memória). E tinham, no dia da nossa conversa, pouco mais de R$ 20 mil.
Perguntei se havia feito a conta de quanto teriam se o dinheiro tivesse ficado no FGTS. Bem informado, o funcionário respondeu na hora: uns R$ 9 mil e pouco.
Portanto, continua sendo um bom negócio, comentei.
E ele: é, mas a gente tinha R$ 35 mil.
Esse é o sentimento que prevalece. A pessoa incorpora o dinheiro valorizado, passa a ser seu, entra nos planos da família. De repente, desaparece.
Por toda parte que ando, essa é a pergunta dominante: e a Bolsa? Recupera quando?
Isso mostra como cresceu o número de brasileiros que entraram na Bolsa. Isso decorreu, de um lado, de uma campanha bem sucedida de popularização (ou democratização) da Bolsa, como dizia seu presidente, Raimundo Magliano.
Multiplicaram-se os clubes de investimentos, home brokers e os fundos, com acesso a partir de 100, 200 reais.
De outro lado, reformas legais ampliaram o mercado de capitais no Brasil. Inúmeras empresas abriram seu capital, de modo que o processo fechou. Mais investidores entrando, mais papéis sendo oferecidos.
Em cima disso, veio a euforia. O índice Bovespa, que chegou a passar dos 70 mil pontos, parecia não ter limite. Quem não estava na Bolsa, fatalmente encontrava um amigo, um familiar, animadíssimo com a força de seus investimentos. Difícil não entrar também.
Hoje, há situações diferentes. Uns, como o de nosso funcionário de Congonhas, pegaram a coisa lá de baixo, ainda podem contabilizar alguma coisa no positivo. Outros entraram mais recentemente e hoje registram perdas de mais de 60%. Mas mesmo aqueles do primeiro grupo olham o quanto perderam em relação ao pico.
E parece que todos não acreditaram que a queda seria tão rápida e tão profunda. Tenho ouvido raríssimos relatos de pessoas que venderam tudo no começo da crise. E, de fato, os gestores profissionais informam que houve poucos saques.
Caíram todos em uma armadilha. É como se os investidores não tivessem tido tempo de reação. Foi a surpresa com a queda, depois um sentimento de que não pode cair tanto assim e agora, o que fazer? Sair e realizar um baita prejuízo? Ficar, na torcida de uma recuperação, e arriscar-se a perder mais ainda?
Dá para perceber um sentimento de que a Bolsa sempre se recupera. Todos se interessam muitíssimo pelos gráficos que mostram os picos e vales.
É que a Bolsa não pode dar prejuízo sempre, pois assim as empresas simplesmente chegariam ao fim e, com elas, o capitalismo. Como não se vislumbra nada parecido com isso, está claro que tendência longa deve ser de alta. E de fato, tomando-se o índice SP500, da Bolsa de Nova York, desde seu primeiro dia, somando mais de dois séculos, temos 70% dos anos com ganhos e 30% com perdas.
Olhando-se a história da Bovespa, também se verifica que picos são cada vez mais altos e os vales, cada vez menos baixos.
Ok, mas a questão chave está em outra variável, a que todo mundo pergunta: quanto tempo para recuperar?
E isso ninguém sabe. No momento, estamos conhecendo, pouco a pouco, o tamanho da recessão nos países ricos e da desaceleração nos emergentes. Ainda não dá para dizer quando isso acaba e o mundo recomeça a acelerar. E isso porque tudo depende, também, de um fator psicológico, a confiança.
Há hoje uma boa tecnologia de pesquisa para se avaliar o grau de confiança do momento, isso para consumidores, investidores e empresários. Aliás, está bem baixa hoje. Mas não há pesquisa que permita antecipar quando e como se recupera a confiança.
Resumo da ópera: estamos no momento de realização das perdas, material e subjetivamente. É a primeira vez que isso acontece por aqui depois da expansão da Bolsa. E logo com uma crise dessas.
Publicado em O Globo, 21 de novembro de 2008
sexta-feira, 21 de novembro de 2008
A Semana em Análise
No final de semana houve a reunião do G-20 nos EUA para discutir o que fazer diante da crise. Houve avanços nas discussões, mas sem a participação do novo presidente americano Barack Obama, não havia como decidir alguma coisa. De qualquer forma, a renião mostrou que o G-7 sozinho não representa mais a força econômica mundial.
Uma das coisas que eles concoradaram foi não aumentar barreiras comerciais. Mas no dia seguinte a Argentina tomou medidas nesse sentido. Então nada é fácil em tempo de crise.
Ainda nesta semana, o Japão anuciou que estava em recessão, com dois trimestres consecutivos de queda no PIB. Alemanha, Itália e Zona do Euro já tinham anunciado. A crise está espalhando pelas economias ricas.
Outra assunto importante esteve rondando a indústria automobilística americana, que foi ao Congresso americano pedir dinheiro para enfrentar os problemas. Mas os presidentes foram de jatinho, gastando uma fortuna e isso provocou bastante discussão nos Estados Unidos. O Sardenberg sugeriu que eles deveriam ter ido de carro, e econômico para não gastar gasolina! Uma coisa que já falamos aqui no blog, é que o problemas dessas montadoras, GM, Chrysler e Ford, são muito anteriores à crise.
A deflação também virou um problema esta semana, com queda forte nos preços no atacado e também no varejo americano. A Inglaterra também teve queda nos preços e isso virou um novo fantasma para as economias ricas.
Aqui no Brasil tivemos queda forte nas vendas de veículos em novembro, mas a indústria ainda terminará o ano com recordes. As dúvidas ficam para o ano que vem, sobre o que acontecerá. O governo continou dando ajuda a setores, ao invés de pensar em medidas horizontais. Por que privilegiar carros e motocicletas, e não pensar em todos os setores?
Também tivemos a compra da Nossa pelo Banco do Brasil.
Enfim, mais uma semana daquelas!
Uma das coisas que eles concoradaram foi não aumentar barreiras comerciais. Mas no dia seguinte a Argentina tomou medidas nesse sentido. Então nada é fácil em tempo de crise.
Ainda nesta semana, o Japão anuciou que estava em recessão, com dois trimestres consecutivos de queda no PIB. Alemanha, Itália e Zona do Euro já tinham anunciado. A crise está espalhando pelas economias ricas.
Outra assunto importante esteve rondando a indústria automobilística americana, que foi ao Congresso americano pedir dinheiro para enfrentar os problemas. Mas os presidentes foram de jatinho, gastando uma fortuna e isso provocou bastante discussão nos Estados Unidos. O Sardenberg sugeriu que eles deveriam ter ido de carro, e econômico para não gastar gasolina! Uma coisa que já falamos aqui no blog, é que o problemas dessas montadoras, GM, Chrysler e Ford, são muito anteriores à crise.
A deflação também virou um problema esta semana, com queda forte nos preços no atacado e também no varejo americano. A Inglaterra também teve queda nos preços e isso virou um novo fantasma para as economias ricas.
Aqui no Brasil tivemos queda forte nas vendas de veículos em novembro, mas a indústria ainda terminará o ano com recordes. As dúvidas ficam para o ano que vem, sobre o que acontecerá. O governo continou dando ajuda a setores, ao invés de pensar em medidas horizontais. Por que privilegiar carros e motocicletas, e não pensar em todos os setores?
Também tivemos a compra da Nossa pelo Banco do Brasil.
Enfim, mais uma semana daquelas!
A disputa na Bahia
Estava escrito nas estrelas. A chapa ia começar a esquentar na Bahia, assim que se proclamassem os resultados das eleições para a prefeitura de Salvador.
Pois desenrola-se na Bahia mais um emocionante capítulo da disputa pelo controle da política estadual e pela conquista do espólio de ACM.
O ministro Geddel Vieira Lima (PMDB) e o governador Jacques Wagner (PT) enfrentaram-se nas eleições para a prefeitura de Salvador.
O afilhado do governador, Walter Pinheiro (PT), perdeu para o afilhado do ministro, João Henrique (PMDB), que se reelegeu.
Agora, Geddel Vieira Lima quer que o PMDB baiano se afaste do governo. Para oficializar suas intenções, publicou artigo no jornal “A Tarde”, de Salvador, colocando à disposição do governador Jacques Wagner todos os cargos do PMDB na administração estadual.
O partido controla duas Secretarias poderosíssimas: Infra-Estrutura (especialmente útil no interior, por conta de obras e contatos com os prefeitos) e Indústria, Comércio e Mineração. Mas o PMDB está presente ainda em diretorias de empresas e autarquias.
Ora, até as pedras do calçamento do Pelourinho sabem que, quando o PMDB se dispõe a deixar algum cargo público (qualquer um), é porque está pintado para a guerra.
O governador, que está no exterior, ainda não se manifestou publicamente a respeito do artigo do ministro Geddel.
Mas a briga, que estava mantida em banho-maria até as eleições municipais, escancarou de vez e promete lances emocionantes.
Não podemos esquecer de que o Geddel Vieira Lima é ministro poderoso e um dos principais articuladores da aliança entre o PMDB e o governo Lula.
O outro contendor, Jacques Wagner, governa um estado importante e pode vir a ser o Plano B do PT, caso a candidatura da ministra Dilma Roussef não decole.
É briga de cachorro grande, que pode desabar no colo do presidente Lula, justo no momento em que o presidente está tentando articular a sucessão nas presidências da Câmara e do Senado.
A chapa está esquentando.
Pois desenrola-se na Bahia mais um emocionante capítulo da disputa pelo controle da política estadual e pela conquista do espólio de ACM.
O ministro Geddel Vieira Lima (PMDB) e o governador Jacques Wagner (PT) enfrentaram-se nas eleições para a prefeitura de Salvador.
O afilhado do governador, Walter Pinheiro (PT), perdeu para o afilhado do ministro, João Henrique (PMDB), que se reelegeu.
Agora, Geddel Vieira Lima quer que o PMDB baiano se afaste do governo. Para oficializar suas intenções, publicou artigo no jornal “A Tarde”, de Salvador, colocando à disposição do governador Jacques Wagner todos os cargos do PMDB na administração estadual.
O partido controla duas Secretarias poderosíssimas: Infra-Estrutura (especialmente útil no interior, por conta de obras e contatos com os prefeitos) e Indústria, Comércio e Mineração. Mas o PMDB está presente ainda em diretorias de empresas e autarquias.
Ora, até as pedras do calçamento do Pelourinho sabem que, quando o PMDB se dispõe a deixar algum cargo público (qualquer um), é porque está pintado para a guerra.
O governador, que está no exterior, ainda não se manifestou publicamente a respeito do artigo do ministro Geddel.
Mas a briga, que estava mantida em banho-maria até as eleições municipais, escancarou de vez e promete lances emocionantes.
Não podemos esquecer de que o Geddel Vieira Lima é ministro poderoso e um dos principais articuladores da aliança entre o PMDB e o governo Lula.
O outro contendor, Jacques Wagner, governa um estado importante e pode vir a ser o Plano B do PT, caso a candidatura da ministra Dilma Roussef não decole.
É briga de cachorro grande, que pode desabar no colo do presidente Lula, justo no momento em que o presidente está tentando articular a sucessão nas presidências da Câmara e do Senado.
A chapa está esquentando.
quinta-feira, 20 de novembro de 2008
A economia e a política dos banqueiros Serra e Lula
Carlos Alberto Sardenberg
Do ponto de vista econômico, a compra da Nossa Caixa pelo Banco do Brasil faz sentido.
No mercado concentrado, a Nossa Caixa não tinha muito futuro. Era um banco de varejo, de agências, mas sem o porte necessário para competir com os grandes. Por outro lado, também não era pequeno o suficiente para ser um banco especializado, um banco de nicho, focado num determinado mercado. Estava atravessado.
Para o Banco do Brasil, que reage ao crescimento dos grandes privados, também é um bom negócio. Amplia a atuação do BB no estado de São Paulo, ponto importante. Além disso, a Nossa Caixa vem com duas fontes de renda expressivas: a folha de pagamento do governo paulista, os programas do estado e os depósitos judiciais.
Em circunstâncias normais, a folha do governo paulista, por exemplo, teria de ser leiloada. Mas o governador Serra havia entregue à Nossa Caixa, que agora a leva para o BB.
A questão política
O que nos leva para o lado político da história.
O governador Serra sabia que a coisa mais sensata a fazer era vender a Nossa Caixa e usar o dinheiro para investimentos, para construir outros ativos ou mesmo para reduzir endividamento e diminuir o pagamento de juros.
Como vender?
O normal seria uma privatização. Prepara-se o banco com avaliações e consultorias, define-se um preço mínimo e abre o leilão. Possivelmente, a Nossa Caixa cairia nas mãos do Bradesco, Itaú Unibanco ou Santander – e possivelmente por um preço
maior do que foi pago pelo BB.
O BB até poderia entrar na licitação, com as novas regras, mas dificilmente teria a flexibilidade dos privados para entrar na disputa.
Mas a privatização teria forte oposição do sindicato de bancários, controlados pelo PT ou mesmo do próprio PT, que ainda espetariam na conta de Serra as prováveis demissões e fechamento de agências feitas pelo comprador privado.
Agora, como os sindicatos e o PT podem reclamar da venda para o BB, que é do governo do PT? E se o BB entender que precisa demitir e fechar agências, a conta é de Lula, não de Serra. O governador trocou o leilão por um problema político evitado.
Fica a questão: o estado, o contribuinte paulista, teria obtido mais com a venda em leilão?
É possível, mas como nunca se poderá provar…
A versão de Lula
E Lula? Vai acabar fazendo discurso para dizer que está turbinando o BB para enfrentar a banca privada.
Mantega disse que a crise recente mostrou como é importantes ter grandes bancos públicos para intervir no mercado.
É mesmo? O governo americano não tinha nenhum bancão e interveio muito mais. Idem para o governo da Inglaterra.
Do ponto de vista econômico, a compra da Nossa Caixa pelo Banco do Brasil faz sentido.
No mercado concentrado, a Nossa Caixa não tinha muito futuro. Era um banco de varejo, de agências, mas sem o porte necessário para competir com os grandes. Por outro lado, também não era pequeno o suficiente para ser um banco especializado, um banco de nicho, focado num determinado mercado. Estava atravessado.
Para o Banco do Brasil, que reage ao crescimento dos grandes privados, também é um bom negócio. Amplia a atuação do BB no estado de São Paulo, ponto importante. Além disso, a Nossa Caixa vem com duas fontes de renda expressivas: a folha de pagamento do governo paulista, os programas do estado e os depósitos judiciais.
Em circunstâncias normais, a folha do governo paulista, por exemplo, teria de ser leiloada. Mas o governador Serra havia entregue à Nossa Caixa, que agora a leva para o BB.
A questão política
O que nos leva para o lado político da história.
O governador Serra sabia que a coisa mais sensata a fazer era vender a Nossa Caixa e usar o dinheiro para investimentos, para construir outros ativos ou mesmo para reduzir endividamento e diminuir o pagamento de juros.
Como vender?
O normal seria uma privatização. Prepara-se o banco com avaliações e consultorias, define-se um preço mínimo e abre o leilão. Possivelmente, a Nossa Caixa cairia nas mãos do Bradesco, Itaú Unibanco ou Santander – e possivelmente por um preço
maior do que foi pago pelo BB.
O BB até poderia entrar na licitação, com as novas regras, mas dificilmente teria a flexibilidade dos privados para entrar na disputa.
Mas a privatização teria forte oposição do sindicato de bancários, controlados pelo PT ou mesmo do próprio PT, que ainda espetariam na conta de Serra as prováveis demissões e fechamento de agências feitas pelo comprador privado.
Agora, como os sindicatos e o PT podem reclamar da venda para o BB, que é do governo do PT? E se o BB entender que precisa demitir e fechar agências, a conta é de Lula, não de Serra. O governador trocou o leilão por um problema político evitado.
Fica a questão: o estado, o contribuinte paulista, teria obtido mais com a venda em leilão?
É possível, mas como nunca se poderá provar…
A versão de Lula
E Lula? Vai acabar fazendo discurso para dizer que está turbinando o BB para enfrentar a banca privada.
Mantega disse que a crise recente mostrou como é importantes ter grandes bancos públicos para intervir no mercado.
É mesmo? O governo americano não tinha nenhum bancão e interveio muito mais. Idem para o governo da Inglaterra.
quarta-feira, 19 de novembro de 2008
1 Ano de Blog
O blog completou ontem um (1) ano no ar.
Foi a experiência mais bem aproveitada que eu mesmo me proporcionei.
Registrar, de alguma maneira, os fatos mais relevantes que acontecera nos últimos doze meses foi uma tarefa difícil, mas muito gratificante.
Muitas vezes, passei (e passo) horas na frente do computador pesquisando e estudando conteúdos, especialmente de política e economia, que são o perfil do blog, para poder assim formar e, posteriormente, publicar minha opinião.
Devo declarar que tudo isso somado às descrenças de algumas pessoas que me criticam, fazem a cada dia meu vocabulário e meu poder anarquista tornar-se mais seletivo e valorizado.
Contudo, uma coisa foi certa: estou, aos poucos, atingindo os altos graus de connhecimento técnico e científico.
Nesse um ano de blog, conheci pessoas inteligentíssimas, como o Carlos Alberto Sardenberg, a Lucia Hippolito, a Mara Luquet e a Míriam Leitão, através dos eventos promovidos pela Rádio CBN, única emissora de rádio presente no meu dia-a-dia.
Falando em CBN, não posso deixar de registrar, aqui, que foi através desse veículo de comunicação que a vontade de aprender mais a cada dia foi conquistada.
O começo do blog deu-se, especificamente, a partir da discussões em torno da CPMF. Desde então, passei a acompanhar continuamente as articulações do governo em Brasília e observar, com mais clareza, os aspectos da economia. Em suma, de lá para cá a necessidade de ficar por dentro da atualidade tornou-se prioridade na minha vida acadêmica.
Atualmente, estou morando no estado do Rio de Janeiro, na cidade de Nova Iguaçu, desde janeiro de 2007.
Potiguar, nascido em São José de Mipibu no Rio Grande do Norte, vim para o Rio para realizar o sonho de estudar Administração de Empresas e fazer pós-graduação em Ciência Política. Aos poucos, os degraus estão se construindo. Graças a Deus!
Tudo o que estou sendo aqui, devo muito a minha irmã, Elizete, que me acolheu e me favorece, na medida do possível, as condições necessárias para o meu desempenho.
Portanto, neste aniversário do blog, agradeço a todos e a todas que, de uma forma ou de outra, já passaram por aqui.
Muito obrigado!
terça-feira, 18 de novembro de 2008
Por dentro do blog
Hoje, o blog completa um ano de existência.
Isso é muito bom.
Mas, como foi um dia muito corrido, cheio de atividades, não deu nem tempo de escrever alguma coisa, tipo um resumo do que foi esse um ano.
Espero que ao chegar da faculdade, mesmo cansado, tenha condições de escrever algo.
Afinal, o blog está entrando em uma nova fase a partir de agora.
Futuras novidades, podem aguardar.
Até mais!
Isso é muito bom.
Mas, como foi um dia muito corrido, cheio de atividades, não deu nem tempo de escrever alguma coisa, tipo um resumo do que foi esse um ano.
Espero que ao chegar da faculdade, mesmo cansado, tenha condições de escrever algo.
Afinal, o blog está entrando em uma nova fase a partir de agora.
Futuras novidades, podem aguardar.
Até mais!
segunda-feira, 17 de novembro de 2008
Perda de Confiança e de Riqueza
Carlos Alberto Sardenberg
--- Os brasileiros e oduro aprendizado de perder na bolsa -
Para se ter uma idéia da importância do crédito para as vendas de automóveis: em dezembro de 2004, o total de crédito concecido aos consumidores para aquisição de veículos era de R$ 38 bilhões em setembro último, bateu R$ 84 bilhões. Mais do que dobrou em menos de quatro anos.
Logo, são importantes aqueles R$ 8 bilhões que o Banco do Brasil e Nossa Caixa prometeram repassar para bancos de montadoras e outras financeiras, para que estas, de sua vez, emprestem para consumidores. O dinheiro representa quase 10% do crédito total.
Vai dar certo?
Depende do grau de confiança dos envolvidos na parte final do negócio.
BB e Nossa Caixa vão emprestar para bancos e financeiras porque o governo decidiu assim. Não foi uma decisão baseada em análise do mercado. Simplesmente, o governo federal e governos paulista (dono da Nossa Caixa) resolveram fazer isso para estimular um setor importante. Tomaram um risco financeiro, mas por uma escolha política.
Agora, dali para a frente, a política não vale mais. Bancos de montadoras e financeiras vão pagar pelo dinheiro do BB e Nossa Caixa. Logo, vão cobrar dos clientes para tomar o risco de conceder o empréstimo. E por certo, vão exigir juros mais altos e prazos mais curtos, além de uma análise rigorosa da ficha do cliente, já que todos os sinais mostram que o país entra em um período de desaceleração. Ou seja, os clientes podem vir a ter dificuldades para pagar as prestações.
Estariam esses bancos e financeiros sendo gananciosos ou, mesmo, impatrióticos?
Não é simples assim. Governantes podem mandar bancos públicos fazerem isso ou aquilo, porque, em termos bem simples, o dinheiro não é deles. Suponha que o negócio dê errado, que BB e Nossa Caixa não recebam de volta o que emprestaram. Isso representará um prejuízo para os acionistas dessas instituições, que são os governos federal e paulista e mais as centenas de milhares de pessoas e fundos privados.
E o que acontecerá com o presidente Lula e o governador Serra, que ordenaram a operação? Considerando os precedentes brasileiros, nada. Ninguém aqui foi para a cadeia por quebrar um banco público. E bancos públicos aqui, inclusive os dois envolvidos nesta história, já foram resgatados com mais dinheiro do contribuinte.
Mas se os bancos e financeiras privadas perdem dinheiro, perdido está. Podem quebrar e mesmo que venham a ser resgatadas pelo governo, os acionistas, os donos, perdem a propriedade que é estatizada ou passada para outro banco.
No outro lado da história, está o comprador do carro e tomador do empréstimo. Ele fará o negócio se os custos couberem no seu bolso e se, mais importante, tiver confiança de que vai manter sua renda e seu emprego pelos próximos meses.
No caso da questão concreta, a relação renda/custo, é só fazer conta. Sabendo-se que os empréstimos estão mais caros, diminui o número de pessoas que podem tomá-los. Há um cálculo, entre os bancos, pelo qual um aumento de R$ 25,00 no valor da prestação exclui nada menos que um milhão de pessoas do universo de tomadores do emprestimo.
No caso da confiança, é sentimento. Claro que a pessoa pode fazer uma análise objetiva de seu futuro na empresa em que trabalha ou do andamento de seu negócio. Mas em cima disso, tem a psicologia, com uma variável enorme de percepções subjetivas a formar, ou não, a confiança no futuro.
Entra aí, claro, todo o noticiário em torno da crise, que tem sido pesado, e os fatos que a pessoa vai observando em torno de suas relações: cortes de gastos ou demissões no trabalho, problemas com familiares e amigos.
E há aqui um outro fator que talvez pela primeira vez tenha um impacto forte nio Brasil: a sensaçao de perda de riqueza com a enorme queda da Bovespa.
De uns anos para cá, aumentou de modo expressivo o número de pessoas que passaram a aplicar suas poupança em ações. A estabilidade macroeconômica e uma série de reformas na legislação ampliaram o mercado de capitais: mais empresas entraram na Bolsa e mais investidores compraram suas ações.
Fundos passaram a aceitar aplicações com muito pouco dinheiro. Regras abriram a possibilidade para que trabalhadores utilizassem parte de seu FGTS na aquisição de Vale e Petrobrás.
O farto noticiário sobre os anos gloriosos das ações fez o resto do serviço.
Agora, todos sentem a perda, pesada. Outro dia, um funcionário do aeroporto de aeroporto de Congonhas me contou sua história: ele e sua mulher haviam utilizado o FGTS para comprar papéis da Vale. Juntos, tinham adquirido algo como 8 mil reais em ações. No auge, chegaram a ter mais de 35 mil.
No momento em que conversávamos, eles tinham 23 mil e sabiam que, se o dinheiro tivesse ficado no FGTS, não teriam mais que 10 mil.
Comentei: então ainda está no lucro.
E o funcionário: é, mas era 35 mil.
A pessoa incorpora aquele dinheiro, passa a ser seu, entra nos planos. De repente some.
Hoje, a maioria dos investidores parece estar pensando que esta crise é um tsunami que vai passar e que a bolsa vai voltar aos 70 mil pontos. Quando perceber que isso, no mínimo, vai demorar muito, vai dar um baita baixo astral.
Isso tem repecussões no consumo e na política, certamente.
Publicado em O Estado de S.Paulo, 17 de novembro de 2008
--- Os brasileiros e oduro aprendizado de perder na bolsa -
Para se ter uma idéia da importância do crédito para as vendas de automóveis: em dezembro de 2004, o total de crédito concecido aos consumidores para aquisição de veículos era de R$ 38 bilhões em setembro último, bateu R$ 84 bilhões. Mais do que dobrou em menos de quatro anos.
Logo, são importantes aqueles R$ 8 bilhões que o Banco do Brasil e Nossa Caixa prometeram repassar para bancos de montadoras e outras financeiras, para que estas, de sua vez, emprestem para consumidores. O dinheiro representa quase 10% do crédito total.
Vai dar certo?
Depende do grau de confiança dos envolvidos na parte final do negócio.
BB e Nossa Caixa vão emprestar para bancos e financeiras porque o governo decidiu assim. Não foi uma decisão baseada em análise do mercado. Simplesmente, o governo federal e governos paulista (dono da Nossa Caixa) resolveram fazer isso para estimular um setor importante. Tomaram um risco financeiro, mas por uma escolha política.
Agora, dali para a frente, a política não vale mais. Bancos de montadoras e financeiras vão pagar pelo dinheiro do BB e Nossa Caixa. Logo, vão cobrar dos clientes para tomar o risco de conceder o empréstimo. E por certo, vão exigir juros mais altos e prazos mais curtos, além de uma análise rigorosa da ficha do cliente, já que todos os sinais mostram que o país entra em um período de desaceleração. Ou seja, os clientes podem vir a ter dificuldades para pagar as prestações.
Estariam esses bancos e financeiros sendo gananciosos ou, mesmo, impatrióticos?
Não é simples assim. Governantes podem mandar bancos públicos fazerem isso ou aquilo, porque, em termos bem simples, o dinheiro não é deles. Suponha que o negócio dê errado, que BB e Nossa Caixa não recebam de volta o que emprestaram. Isso representará um prejuízo para os acionistas dessas instituições, que são os governos federal e paulista e mais as centenas de milhares de pessoas e fundos privados.
E o que acontecerá com o presidente Lula e o governador Serra, que ordenaram a operação? Considerando os precedentes brasileiros, nada. Ninguém aqui foi para a cadeia por quebrar um banco público. E bancos públicos aqui, inclusive os dois envolvidos nesta história, já foram resgatados com mais dinheiro do contribuinte.
Mas se os bancos e financeiras privadas perdem dinheiro, perdido está. Podem quebrar e mesmo que venham a ser resgatadas pelo governo, os acionistas, os donos, perdem a propriedade que é estatizada ou passada para outro banco.
No outro lado da história, está o comprador do carro e tomador do empréstimo. Ele fará o negócio se os custos couberem no seu bolso e se, mais importante, tiver confiança de que vai manter sua renda e seu emprego pelos próximos meses.
No caso da questão concreta, a relação renda/custo, é só fazer conta. Sabendo-se que os empréstimos estão mais caros, diminui o número de pessoas que podem tomá-los. Há um cálculo, entre os bancos, pelo qual um aumento de R$ 25,00 no valor da prestação exclui nada menos que um milhão de pessoas do universo de tomadores do emprestimo.
No caso da confiança, é sentimento. Claro que a pessoa pode fazer uma análise objetiva de seu futuro na empresa em que trabalha ou do andamento de seu negócio. Mas em cima disso, tem a psicologia, com uma variável enorme de percepções subjetivas a formar, ou não, a confiança no futuro.
Entra aí, claro, todo o noticiário em torno da crise, que tem sido pesado, e os fatos que a pessoa vai observando em torno de suas relações: cortes de gastos ou demissões no trabalho, problemas com familiares e amigos.
E há aqui um outro fator que talvez pela primeira vez tenha um impacto forte nio Brasil: a sensaçao de perda de riqueza com a enorme queda da Bovespa.
De uns anos para cá, aumentou de modo expressivo o número de pessoas que passaram a aplicar suas poupança em ações. A estabilidade macroeconômica e uma série de reformas na legislação ampliaram o mercado de capitais: mais empresas entraram na Bolsa e mais investidores compraram suas ações.
Fundos passaram a aceitar aplicações com muito pouco dinheiro. Regras abriram a possibilidade para que trabalhadores utilizassem parte de seu FGTS na aquisição de Vale e Petrobrás.
O farto noticiário sobre os anos gloriosos das ações fez o resto do serviço.
Agora, todos sentem a perda, pesada. Outro dia, um funcionário do aeroporto de aeroporto de Congonhas me contou sua história: ele e sua mulher haviam utilizado o FGTS para comprar papéis da Vale. Juntos, tinham adquirido algo como 8 mil reais em ações. No auge, chegaram a ter mais de 35 mil.
No momento em que conversávamos, eles tinham 23 mil e sabiam que, se o dinheiro tivesse ficado no FGTS, não teriam mais que 10 mil.
Comentei: então ainda está no lucro.
E o funcionário: é, mas era 35 mil.
A pessoa incorpora aquele dinheiro, passa a ser seu, entra nos planos. De repente some.
Hoje, a maioria dos investidores parece estar pensando que esta crise é um tsunami que vai passar e que a bolsa vai voltar aos 70 mil pontos. Quando perceber que isso, no mínimo, vai demorar muito, vai dar um baita baixo astral.
Isso tem repecussões no consumo e na política, certamente.
Publicado em O Estado de S.Paulo, 17 de novembro de 2008
domingo, 16 de novembro de 2008
Coluna Panorama Econômico 15/11/2008
Míriam Leitão
A favorita
A única mulher que governou o Brasil foi a Princesa Isabel, em interinidades, três anos ao todo, no século XIX. O século XX foi masculino e o atual será o da diversidade. Que a nossa não seja, como na Argentina, uma mulher à sombra do patrocinador. O presidente Lula a indicou e, agora, Dilma Rousseff vai ser exposta ao sol e ao sereno. Suas idéias fiscais e ambientais precisam de atualização.
Os políticos já viviam no ano de 2010 e, com a declaração de Lula na Itália, não voltarão ao tempo presente. Muitas dúvidas cercam a chefe da Casa Civil. Não se sabe se ela sobreviverá à guerra campal no PT; se agüenta uma campanha; se terá o carisma para arrebatar a maioria do eleitorado; quanto de votos o presidente Lula vai transferir. Já se sabe que, lançada, entra na linha de tiro dos rivais internos.
A eleição municipal de 2008 deixou informações curiosas, que embaralham as explicações convencionais sobre a política brasileira. O PT perdeu a eleição e o PSDB também. Nas principais capitais eles não ganharam a prefeitura. O debate sobre quem é mais vitorioso no mundo tucano, se José Serra, se Aécio Neves, é ocioso. Seus candidatos venceram, mas nenhum dos dois prefeitos eleitos é do PSDB. Serra ganhou a guerra interna e fez uma ponte para uma aliança com um partido de direita, que está cadente. O DEM ficou menor e sem São Paulo teria tido uma derrota feia.
Serra participou pouco da campanha; Aécio e o petista Fernando Pimentel quase sufocaram o candidato de tanto patrociná-lo. Precisaram se afastar, no segundo turno, para que ele consolidasse sua dianteira. É como se o eleitor de Belo Horizonte estivesse dizendo aos seus líderes, em castiço mineirês, idioma que domino de berço: “Já sei que “ocês” são “bão” uai, mas quero “conhecê mió” esse candidato “docês, sô!”.
O eleitorado brasileiro disse a Lula que gostava dele, mas não votava em quem ele indicava. No auge da popularidade, com frutos do melhor momento econômico dos seus dois mandatos, Lula não teve o que mandou os jornalistas escreverem: “Escrevam aí, Marta vai ganhar a eleição”. Acumulou outros fiascos como o de Natal. Dilma subiu no palanque de Maria do Rosário, em Porto Alegre, onde tem título eleitoral e iniciou sua carreira pública. Perdeu.
A vitória do PMDB também é cheia de significados. Para quem olha a política de fora, como eu, é intrigante o fato de que o partido que mais bancadas faz no Congresso, e mais prefeitos elege, nunca conseguiu ter um candidato viável para a eleição presidencial, aceitando o papel de coadjuvante — guloso, é verdade — em todos os governos. Sempre no poder; nunca na Presidência. Especialistas dizem que o PMDB, nesta eleição, se firmou como um condomínio de máquinas locais, confirmou sua natureza municipalista e que, controlando mais cidades, tem chance de fazer grandes bancadas na próxima eleição. Seus problemas: não tem um projeto nacional e, sim, uma colcha de retalhos de interesses fisiológicos regionais e nunca uniu o partido em torno de um candidato presidencial.
O cenário político brasileiro é esquisito. A mais nacional das máquinas partidárias não disputa a Presidência e está sempre no poder; os dois partidos que governaram o país nos últimos 14 anos lideram coalizões, mas não administram as principais cidades e não têm as maiores bancadas na Câmara e no Senado. O PT abandonou seu plano econômico — câmaras setoriais, controle de preço, controle de câmbio, protecionismo, não pagamento da dívida externa e auditoria na dívida interna — e adotou a do partido adversário — metas de inflação, câmbio flutuante, Lei de Responsabilidade Fiscal e abertura comercial. Isso pasteurizou as propostas.
Vários partidos menores cresceram nesta eleição e serão disputados na formação das chapas, mas 2010 pode ser parecido com 1989, eleição muito disputada no primeiro turno, com vários candidatos competitivos e muita dispersão de votos. Há duas grandes incógnitas não respondidas: Dilma passará pelo PT? O PSDB vai resolver a eterna guerra Serra-Aécio? Há cenários, não há certezas.
Foi só o presidente ir ao Papa e dizer o que pensa para a guerra em torno de Dilma começar. Ricardo Berzoini lembrou que há um processo interno no partido, a ser respeitado. O capixaba Renato Casagrande (PSB) disse que ela precisa ir para o sereno; Garibaldi Alves disse que ela precisa ir para o sol. No Espírito Santo, quem vai para o sereno e pega vento sul, adoece; no Nordeste, o sol faz carne-seca.
Dilma terá ainda que superar sua inabilidade no debate público e atualizar suas idéias. Na área fiscal, fulminou com o adjetivo “rudimentar” a melhor idéia defendida por seus companheiros, a do déficit zero na época da fartura. Isso permitiria política contra-cíclica agora. Na área ambiental, nunca demonstrou entender de que matéria o futuro será feito. A questão ambiental-climática estará em todas as equações econômicas daqui para a frente. Seu modelo energético resultou em mais estatismo e mais emissão de carbono. Os últimos leilões aprovaram projetos que sujam a matriz energética, quando a faxina já começou em outros países. Mas o pior para qualquer candidato que depende da benção presidencial é que, antes de 2010, haverá 2009: um ano econômico difícil, desafiador, decisivo.
A favorita
A única mulher que governou o Brasil foi a Princesa Isabel, em interinidades, três anos ao todo, no século XIX. O século XX foi masculino e o atual será o da diversidade. Que a nossa não seja, como na Argentina, uma mulher à sombra do patrocinador. O presidente Lula a indicou e, agora, Dilma Rousseff vai ser exposta ao sol e ao sereno. Suas idéias fiscais e ambientais precisam de atualização.
Os políticos já viviam no ano de 2010 e, com a declaração de Lula na Itália, não voltarão ao tempo presente. Muitas dúvidas cercam a chefe da Casa Civil. Não se sabe se ela sobreviverá à guerra campal no PT; se agüenta uma campanha; se terá o carisma para arrebatar a maioria do eleitorado; quanto de votos o presidente Lula vai transferir. Já se sabe que, lançada, entra na linha de tiro dos rivais internos.
A eleição municipal de 2008 deixou informações curiosas, que embaralham as explicações convencionais sobre a política brasileira. O PT perdeu a eleição e o PSDB também. Nas principais capitais eles não ganharam a prefeitura. O debate sobre quem é mais vitorioso no mundo tucano, se José Serra, se Aécio Neves, é ocioso. Seus candidatos venceram, mas nenhum dos dois prefeitos eleitos é do PSDB. Serra ganhou a guerra interna e fez uma ponte para uma aliança com um partido de direita, que está cadente. O DEM ficou menor e sem São Paulo teria tido uma derrota feia.
Serra participou pouco da campanha; Aécio e o petista Fernando Pimentel quase sufocaram o candidato de tanto patrociná-lo. Precisaram se afastar, no segundo turno, para que ele consolidasse sua dianteira. É como se o eleitor de Belo Horizonte estivesse dizendo aos seus líderes, em castiço mineirês, idioma que domino de berço: “Já sei que “ocês” são “bão” uai, mas quero “conhecê mió” esse candidato “docês, sô!”.
O eleitorado brasileiro disse a Lula que gostava dele, mas não votava em quem ele indicava. No auge da popularidade, com frutos do melhor momento econômico dos seus dois mandatos, Lula não teve o que mandou os jornalistas escreverem: “Escrevam aí, Marta vai ganhar a eleição”. Acumulou outros fiascos como o de Natal. Dilma subiu no palanque de Maria do Rosário, em Porto Alegre, onde tem título eleitoral e iniciou sua carreira pública. Perdeu.
A vitória do PMDB também é cheia de significados. Para quem olha a política de fora, como eu, é intrigante o fato de que o partido que mais bancadas faz no Congresso, e mais prefeitos elege, nunca conseguiu ter um candidato viável para a eleição presidencial, aceitando o papel de coadjuvante — guloso, é verdade — em todos os governos. Sempre no poder; nunca na Presidência. Especialistas dizem que o PMDB, nesta eleição, se firmou como um condomínio de máquinas locais, confirmou sua natureza municipalista e que, controlando mais cidades, tem chance de fazer grandes bancadas na próxima eleição. Seus problemas: não tem um projeto nacional e, sim, uma colcha de retalhos de interesses fisiológicos regionais e nunca uniu o partido em torno de um candidato presidencial.
O cenário político brasileiro é esquisito. A mais nacional das máquinas partidárias não disputa a Presidência e está sempre no poder; os dois partidos que governaram o país nos últimos 14 anos lideram coalizões, mas não administram as principais cidades e não têm as maiores bancadas na Câmara e no Senado. O PT abandonou seu plano econômico — câmaras setoriais, controle de preço, controle de câmbio, protecionismo, não pagamento da dívida externa e auditoria na dívida interna — e adotou a do partido adversário — metas de inflação, câmbio flutuante, Lei de Responsabilidade Fiscal e abertura comercial. Isso pasteurizou as propostas.
Vários partidos menores cresceram nesta eleição e serão disputados na formação das chapas, mas 2010 pode ser parecido com 1989, eleição muito disputada no primeiro turno, com vários candidatos competitivos e muita dispersão de votos. Há duas grandes incógnitas não respondidas: Dilma passará pelo PT? O PSDB vai resolver a eterna guerra Serra-Aécio? Há cenários, não há certezas.
Foi só o presidente ir ao Papa e dizer o que pensa para a guerra em torno de Dilma começar. Ricardo Berzoini lembrou que há um processo interno no partido, a ser respeitado. O capixaba Renato Casagrande (PSB) disse que ela precisa ir para o sereno; Garibaldi Alves disse que ela precisa ir para o sol. No Espírito Santo, quem vai para o sereno e pega vento sul, adoece; no Nordeste, o sol faz carne-seca.
Dilma terá ainda que superar sua inabilidade no debate público e atualizar suas idéias. Na área fiscal, fulminou com o adjetivo “rudimentar” a melhor idéia defendida por seus companheiros, a do déficit zero na época da fartura. Isso permitiria política contra-cíclica agora. Na área ambiental, nunca demonstrou entender de que matéria o futuro será feito. A questão ambiental-climática estará em todas as equações econômicas daqui para a frente. Seu modelo energético resultou em mais estatismo e mais emissão de carbono. Os últimos leilões aprovaram projetos que sujam a matriz energética, quando a faxina já começou em outros países. Mas o pior para qualquer candidato que depende da benção presidencial é que, antes de 2010, haverá 2009: um ano econômico difícil, desafiador, decisivo.
sábado, 15 de novembro de 2008
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