Derrotas de março
Míriam Leitão
Antes que março acabe, eu queria dizer o que me derrota. A Itália descobriu um caso repugnante de estupro sequencial de pai e filho contra a mesma mulher, filha e irmã dos dois. A Áustria encarcerou o monstro que manteve a filha no porão, prisioneira de estupros contínuos. Aqui, a discussão da menina que em Recife foi estuprada e engravidou do padrasto ficou em torno da decisão medieval do bispo.
Estes são apenas casos de março, outros surgiram: o da menina de 13 anos, no Brasil que, grávida do pai — por quem passou a ser violentada a partir da morte da mãe — decidiu ter o filho. Cada um dos dramas é tão vasto. Penso nestas meninas e mulheres e na antiguidade da sua pena. Condenadas, antes de nascer, pelo mais intratável dos lados da opressão à mulher: o suplício sexual.
Melhor seria escrever uma coluna racional, com os dados que provam a exclusão da mulher do poder no mundo, ou da sua discriminação no mercado de trabalho, ou do preconceito embutido nas propagandas. Seria menos doloroso. Há pesquisas novas, interessantes. Com os dados, eu provaria que a mulher avançou nos últimos anos, e que a sociedade equânime ainda está distante. Falar desse aspecto do problema seria até um alívio.
Mas o que tem me afligido são esses casos espantosamente cruéis que acontecem em países diferentes, classes sociais diferentes, religiões diferentes. A vítima é sempre a mulher. A sharia, que voltou a ser código aceito em todo o Paquistão, condena a mulher a receber a pena no lugar de alguém da família que tenha cometido um delito. Normalmente, essa pena é estupro público e coletivo. Foi assim com a notável Mukhtar Mai, a paquistanesa que venceu seus estupradores em uma luta desigual e heroica na justiça comum. No livro “A Desonrada”, ela contou seu suplício e sua vitória.
Eu podia fingir que não sei das estatísticas da violência contra a mulher, e pensar que cada caso é apenas mais um louco em sua loucura, pegando uma vítima aleatória. Melhor ainda, fugir completamente do tema. Afinal, esta é uma coluna de economia e as pautas e assuntos sobre o tema são inúmeros. A nova regulamentação do mercado financeiro americano para prevenir crises como a atual; ou o desequilíbrio econômico e financeiro dos países do leste europeu; ou ainda o risco de déficit em conta corrente nos países exportadores de commodities metálicas. Assuntos áridos, fáceis. Qualquer um deles permitiria que esta coluna fosse para longe do horror imposto às mulheres por pais, padrastos, irmãos, namorados, ex-namorados, maridos, ex-maridos. Em qualquer um desses temas eu teria muito a dizer, mas o que dizer da morte da jovem Ana Claudia, de 18 anos, esfaqueada no pescoço pelo pai do seu filho, de quem tinha se afastado, saindo da Bahia para São Paulo, para fugir dos maus tratos frequentes? Ou Eloá, a menina de 15 anos morta pelo ex-namorado, depois de sofrer por dias, em frente a uma polícia equivocada? Na época do caso, o comandante da operação, o coronel Eduardo Félix de Oliveira, definiu Lindemberg Alves, o assassino de Eloá, como um “garoto em crise amorosa”. Era um algoz que espancou e matou sua vítima.
O abuso de crianças não escolhe sexo. A pedofilia faz vítimas entre meninos e meninas, e em ambos é igualmente abjeta e inaceitável. Mas a frequência, a crueldade, a persistência dos ataques às meninas mostram que o crime é parte de um outro fenômeno mais antigo: o da violência contra mulheres de qualquer idade.
As leis que mantêm a desigualdade em inúmeros países, com o argumento de que essa é a cultura local, o alijamento da mulher das estruturas de poder, a recorrência de casos em que ex-namorados ou maridos matam para provar que ainda têm poder sobre suas vítimas são alguns dos vários lados de uma velha distorção.
Como estão enganadas as mulheres que, por terem tido algum sucesso em suas carreiras, acham que a questão da condição feminina, a velha questão feminista, está ultrapassada. Apenas começou o trabalho de construir um mundo de respeito.
Mas se é fácil discutir políticas públicas para vencer o poderoso inimigo da desigualdade, é paralisante o tema dessa vasta violência praticada em todos os países, em todas as culturas, em tantas casas contra meninas e mulheres que não conseguem se defender.
É espantoso o caso da mulher italiana, de 34 anos, vítima desde os nove anos de idade dos estupros do pai e depois do irmão, que também estuprou suas próprias filhas. Ela chegou a ir à polícia há 15 anos, mas não foi levada a sério. Hoje tem problemas psicológicos. Como não ter?
Pode-se encarcerar cada um dos estupradores e condená-los. Eles merecem toda a punição que a lei de cada país comportar. Mas é preciso ver o horizonte: os casos são frequentes demais, as estatísticas são fortes demais, para que sejam apenas aberrações eventuais.
Março tem um dia, o oitavo, que é “da mulher”. Não pela efeméride, mas por envolvimento com o tema, eu costumo aproveitar a data para analisar, neste espaço, algum aspecto da discriminação contra a mulher. Mas este ano, a imagem da pequena e frágil menina de Recife me derrotou. Tenho tido medo que nunca acabe o sofrimento das pessoas que integram a parte da humanidade a qual pertenço. Fico, a cada novo caso, como os muitos desse março, um pouco mais derrotada.
domingo, 29 de março de 2009
Comentário em meu e-mail do leitor que assina: Antônio Jesus Silva
REVOLUÇÃO QUILOMBOLIVARIANA !
Viva! Chàvez! Viva Che!Viva! Simon Bolívar! Viva! Zumbi!
Movimento Chàvista Brasileiro
Manifesto em solidariedade, liberdade e desenvolvimento dos povos afro-ameríndio latinos, no dia 01 de maio dia do trabalhador foi lançado o manifesto da Revolução Quilombolivariana fruto de inúmeras discussões que questionavam a situação dos negros, índios da América Latina, que apesar de estarmos no 3º milênio em pleno avanço tecnológico, o nosso coletivo se encontra a margem e marginalizados de todos de todos os benefícios da sociedade capitalista euro-americano, que em pese que esse grupo de países a pirâmide do topo da sociedade mundial e que ditam o que e certo e o que é errado, determinando as linhas de comportamento dos povos comandando pelo imperialismo norte-americano, que decide quem é do bem e quem do mal, quem é aliado e quem é inimigo, sendo que essas diretrizes da colonização do 3º Mundo, Ásia, África e em nosso caso América Latina, tendo como exemplo o nosso Brasil, que alias é uma força de expressão, pois quem nos domina é a elite associada à elite mundial é de conhecimento que no Brasil que hoje nos temos mais de 30 bilionários, sendo que a alguns destes dessas fortunas foram formadas como um passe de mágica em menos de trinta anos, e até casos de em menos de 10 anos, sendo que algumas dessas fortunas vieram do tempo da escravidão, e outras pessoas que fugidas do nazismo que vieram para cá sem nada, e hoje são donos deste país, ocupando posições estratégicas na sociedade civil e pública, tomando para si todos os canais de comunicação uma das mais perversas mediáticas do Mundo. A exclusão dos negros e a usurpação das terras indígenas criaram-se mais e 100 milhões de brasileiros sendo estes afro-ameríndios descendentes vivendo num patamar de escravidão, vivendo no desemprego e no subemprego com um dos piores salários mínimos do Mundo, e milhões vivendo abaixo da linha de pobreza, sendo as maiores vitimas da violência social, o sucateamento da saúde publica e o péssimo sistema de ensino, onde milhões de alunos tem dificuldades de uma simples soma ou leitura, dando argumentos demagógicos de sustentação a vários políticos que o problema do Brasil e a educação, sendo que na realidade o problema do Brasil são as péssimas condições de vida das dezenas de milhões dos excluídos e alienados pelo sistema capitalista oligárquico que faz da elite do Brasil tão poderosa quantos as do 1º Mundo. É inadmissível o salário dos professores, dos assistentes de saúde, até mesmo da policia e os trabalhadores de uma forma geral, vemos o surrealismo de dezenas de salários pagos pelos sistemas de televisão Globo, SBT e outros aos seus artistas, jornalistas, apresentadores e diretores e etc.
Manifesto da Revolução Quilombolivariana vem ocupar os nossos direito e anseios com os movimentos negros afro-ameríndios e simpatizantes para a grande tomada da conscientização que este país e os países irmãos não podem mais viver no inferno, sustentando o paraíso da elite dominante este manifesto Quilombolivariano é a unificação e redenção dos ideais do grande líder zumbi do Quilombo dos Palmares a 1º Republica feita por negros e índios iguais, sentimento este do grande líder libertador e construí dor Simon Bolívar que em sua luta de liberdade e justiça das Américas se tornou um mártir vivo dentro desses ideais e princípios vamos lutar pelos nossos direitos e resgatar a história dos nossos heróis mártires como Che Guevara, o Gigante Osvaldão líder da Guerrilha do Araguaia. São dezenas de histórias que o Imperialismo e Ditadura esconderam. Há mais de 160 anos houve o Massacre de Porongos os lanceiros negros da Farroupilha o que aconteceu com as mulheres da praça de 1º de maio? O que aconteceu com diversos povos indígenas da nossa América Latina, o que aconteceu com tantos homens e mulheres que foram martirizados, por desejarem liberdade e justiça? Existem muitas barreiras uma ocultas e outras declaradamente que nos excluem dos conhecimentos gerais infelizmente o negro brasileiro não conhece a riqueza cultural social de um irmão Colombiano, Uruguaio, Venezuelano, Argentino, Porto-Riquenho ou Cubano. Há uma presença física e espiritual em nossa história os mesmos que nos cerceiam de nossos valores são os mesmos que atacam os estadistas Hugo Chávez e Evo Morales Ayma,Rafael Correa, Fernando Lugo não admitem que esses lideres de origem nativa e afro-descendente busquem e tomem a autonomia para seus iguais, são esses mesmos que no discriminam e que nos oprime de nossa liberdade de nossas expressões que não seculares, e sim milenares. Neste 1º de maio de diversas capitais e centenas de cidades e milhares de pessoas em sua maioria jovem afro-ameríndio descendente e simpatizante leram o manifesto Revolução Quilombolivariana e bradaram Viva a,Viva Simon Bolívar Viva Zumbi, Viva Che, Viva Martin Luther King, Viva Osvaldão, Viva Mandela, Viva Chávez, Viva Evo Ayma, Viva a União dos Povos Latinos afro-ameríndios, Viva 1º de maio, Viva os Trabalhadores e Trabalhadoras dos Brasil e de todos os povos irmanados.
O.N.N.QUILOMBO –FUNDAÇÃO 20/11/1970
Viva! Chàvez! Viva Che!Viva! Simon Bolívar! Viva! Zumbi!
Movimento Chàvista Brasileiro
Manifesto em solidariedade, liberdade e desenvolvimento dos povos afro-ameríndio latinos, no dia 01 de maio dia do trabalhador foi lançado o manifesto da Revolução Quilombolivariana fruto de inúmeras discussões que questionavam a situação dos negros, índios da América Latina, que apesar de estarmos no 3º milênio em pleno avanço tecnológico, o nosso coletivo se encontra a margem e marginalizados de todos de todos os benefícios da sociedade capitalista euro-americano, que em pese que esse grupo de países a pirâmide do topo da sociedade mundial e que ditam o que e certo e o que é errado, determinando as linhas de comportamento dos povos comandando pelo imperialismo norte-americano, que decide quem é do bem e quem do mal, quem é aliado e quem é inimigo, sendo que essas diretrizes da colonização do 3º Mundo, Ásia, África e em nosso caso América Latina, tendo como exemplo o nosso Brasil, que alias é uma força de expressão, pois quem nos domina é a elite associada à elite mundial é de conhecimento que no Brasil que hoje nos temos mais de 30 bilionários, sendo que a alguns destes dessas fortunas foram formadas como um passe de mágica em menos de trinta anos, e até casos de em menos de 10 anos, sendo que algumas dessas fortunas vieram do tempo da escravidão, e outras pessoas que fugidas do nazismo que vieram para cá sem nada, e hoje são donos deste país, ocupando posições estratégicas na sociedade civil e pública, tomando para si todos os canais de comunicação uma das mais perversas mediáticas do Mundo. A exclusão dos negros e a usurpação das terras indígenas criaram-se mais e 100 milhões de brasileiros sendo estes afro-ameríndios descendentes vivendo num patamar de escravidão, vivendo no desemprego e no subemprego com um dos piores salários mínimos do Mundo, e milhões vivendo abaixo da linha de pobreza, sendo as maiores vitimas da violência social, o sucateamento da saúde publica e o péssimo sistema de ensino, onde milhões de alunos tem dificuldades de uma simples soma ou leitura, dando argumentos demagógicos de sustentação a vários políticos que o problema do Brasil e a educação, sendo que na realidade o problema do Brasil são as péssimas condições de vida das dezenas de milhões dos excluídos e alienados pelo sistema capitalista oligárquico que faz da elite do Brasil tão poderosa quantos as do 1º Mundo. É inadmissível o salário dos professores, dos assistentes de saúde, até mesmo da policia e os trabalhadores de uma forma geral, vemos o surrealismo de dezenas de salários pagos pelos sistemas de televisão Globo, SBT e outros aos seus artistas, jornalistas, apresentadores e diretores e etc.
Manifesto da Revolução Quilombolivariana vem ocupar os nossos direito e anseios com os movimentos negros afro-ameríndios e simpatizantes para a grande tomada da conscientização que este país e os países irmãos não podem mais viver no inferno, sustentando o paraíso da elite dominante este manifesto Quilombolivariano é a unificação e redenção dos ideais do grande líder zumbi do Quilombo dos Palmares a 1º Republica feita por negros e índios iguais, sentimento este do grande líder libertador e construí dor Simon Bolívar que em sua luta de liberdade e justiça das Américas se tornou um mártir vivo dentro desses ideais e princípios vamos lutar pelos nossos direitos e resgatar a história dos nossos heróis mártires como Che Guevara, o Gigante Osvaldão líder da Guerrilha do Araguaia. São dezenas de histórias que o Imperialismo e Ditadura esconderam. Há mais de 160 anos houve o Massacre de Porongos os lanceiros negros da Farroupilha o que aconteceu com as mulheres da praça de 1º de maio? O que aconteceu com diversos povos indígenas da nossa América Latina, o que aconteceu com tantos homens e mulheres que foram martirizados, por desejarem liberdade e justiça? Existem muitas barreiras uma ocultas e outras declaradamente que nos excluem dos conhecimentos gerais infelizmente o negro brasileiro não conhece a riqueza cultural social de um irmão Colombiano, Uruguaio, Venezuelano, Argentino, Porto-Riquenho ou Cubano. Há uma presença física e espiritual em nossa história os mesmos que nos cerceiam de nossos valores são os mesmos que atacam os estadistas Hugo Chávez e Evo Morales Ayma,Rafael Correa, Fernando Lugo não admitem que esses lideres de origem nativa e afro-descendente busquem e tomem a autonomia para seus iguais, são esses mesmos que no discriminam e que nos oprime de nossa liberdade de nossas expressões que não seculares, e sim milenares. Neste 1º de maio de diversas capitais e centenas de cidades e milhares de pessoas em sua maioria jovem afro-ameríndio descendente e simpatizante leram o manifesto Revolução Quilombolivariana e bradaram Viva a,Viva Simon Bolívar Viva Zumbi, Viva Che, Viva Martin Luther King, Viva Osvaldão, Viva Mandela, Viva Chávez, Viva Evo Ayma, Viva a União dos Povos Latinos afro-ameríndios, Viva 1º de maio, Viva os Trabalhadores e Trabalhadoras dos Brasil e de todos os povos irmanados.
O.N.N.QUILOMBO –FUNDAÇÃO 20/11/1970
sexta-feira, 27 de março de 2009
Memória de 1964, publicado hoje no site da CBN
MEMÓRIA 1964 - O dossiê do braço armado de Brizola
No fim de 1963, em meio à crescente radicalização do ambiente político do governo de João Goulart, Leonel Brizola era a liderança que unificara as esquerdas na Frente de Mobilização Popular. Entrincheirado na Rádio Mayrink Veiga, onde discursava todas as noites, ele pregava a criação dos Grupos de Onze Companheiros, compostos por cidadãos que marchariam unidos quando a esquerda tomasse o poder. A CBN teve acesso a documentos daquela época – que estavam em poder dos militares – que detalham como Brizola idealizou os Grupos de Onze: uma militância que pretendia utilizar mulheres e crianças como escudos civis; realizar ataques a centrais telefônicas, de rádio e TV; e previa a execução de prisioneiros.
Grupos de Onze: o braço armado de Brizola
Por: Mariza Tavares
Edição de arte: Fernanda Osternack
"Este é o documento a que me referi. O Exército não sabe que este dossiê ainda existe, porque foi dada uma ordem para que fosse destruído." Este era o texto do curto bilhete que acompanhava o pacote que recebi pelo correio, enviado por uma ouvinte fiel da CBN. Dentro, um calhamaço de 64 páginas já amareladas, no qual chamava atenção o carimbo no alto, em letras garrafais: SECRETO. A ditadura militar brasileira incinerou regularmente documentos sigilosos. Este dossiê estava em poder de um militar que preferiu desobedecer à ordem e decidiu guardar os papéis em casa.
Datado de 30 de setembro de 1964 e assinado pelo general-de-brigada Itiberê Gouvêa do Amaral, o documento ostenta a classificação A-1, que até hoje é utilizada pela área militar e que significa que é de total confiança. A classificação varia de A a F para a confiabilidade da fonte; e de 1 a 6 para a confiabilidade do conteúdo.
No tom formal e meticuloso típico dos relatórios dos serviços de inteligência, o texto de abertura, a circular de número 79-E2/64, anunciava que havia sido identificada a criação de diversas células dos chamados "Grupo de onze companheiros" no interior do Paraná e de Santa Catarina.
"Os grupos constituíam a célula de um grande contingente, no qual seriam arregimentados homens das mais variadas categorias e profissões para servirem de instrumento a um pseudolíder, Leonel Brizola, em sua política de subversão do regime e implantação de um Governo de tendências antidemocráticas", explicava o documento.
Os militares já haviam deposto o presidente João Goulart e tomado o poder naquele ano; e a circular festejava a ação ao afirmar, categoricamente, que, "com o advento da revolução de 31 de março, foi cortado o processo ainda na fase inicial". No entanto, o documento assinalava: "Há indícios de que, no futuro, possa ser novamente equacionada a reestruturação dos grupos." Leonel Brizola já se encontrava no exílio no Uruguai desde maio daquele ano, mas a circular assinalava que havia informes de contatos entre "antigos elementos" que integravam esses grupos. Daí a necessidade de mobilização de oficiais para mapear qualquer atividade suspeita.
Jorge Ferreira: "Houve quem se inscrevesse apenas porque gostava de Brizola. Teve gente que pôs até o nome de filhos pequenos nas fichas de inscrição."
Os chamados Grupos de Onze Companheiros – simplificadamente, Grupos de Onze ou Gr-11 – e também conhecidos como Comandos Nacionalistas foram concebidos por Brizola no fim de 1963. Tomando por base a formação de um time de futebol, imagem de fácil assimilação e apelo popular, Brizola pregava a organização de pequenas células – cada uma composta de onze cidadãos, em todo o território nacional – que poderiam ser mobilizadas sob seu comando.
Jorge Ferreira, professor-titular de História da UFF (Universidade Federal Fluminense), doutor em História Social pela USP (Universidade de São Paulo) e autor do livro "O imaginário trabalhista", explica que um dos poucos documentos disponíveis sobre o Grupo de Onze é o modelo de ata de adesão. "Há poucos estudos sobre este movimento e praticamente não há documentação a respeito. As atas, com os dados dos participantes, eram enviadas para a Rádio Mayrink Veiga e depois ficaram em poder da repressão. Como os Grupos de Onze foram criados no fim de 1963, o clima de radicalização já se generalizara. A imprensa também supervalorizava sua capacidade de ação, mas a verdade é que houve quem se inscrevesse apenas porque gostava de Brizola e nunca teve participação efetiva. No Sul, muitos achavam que iam ganhar terra, sementes. Teve gente que pôs até o nome de filhos pequenos nas fichas de inscrição."
O dossiê a que a CBN teve acesso disseca o manual de ação desses militantes e foi criado quando Brizola, eleito deputado federal pelo PTB (Partido Trabalhista Brasileiro) com 300 mil votos – até então, o mais votado da antiga Guanabara – ocupou quase que diariamente o microfone da Rádio Mayrink Veiga entre 1962 e 1963. A tradicional emissora do antigo Distrito Federal, existente desde 1926, funcionava como palanque para Brizola, que ali destilava inflamados discursos pela aprovação das reformas de base – pilar do governo João Goulart e que compreendiam da reforma fiscal à agrária, com a desapropriação de terras de grandes proprietários rurais. E garantia que elas seriam aprovadas, "na lei ou na marra". A Mayrink Veiga estava tão identificada com o projeto político brizolista que uma cópia do documento assinado pelos integrantes de cada recém-criado Gr-11 deveria ser enviada para a emissora. A militância da Mayrink Veiga provocou uma reação dos empresários de comunicação Roberto Marinho (Rádio Globo), Manoel Francisco Nascimento Brito (Rádio Jornal do Brasil) e João Calmon (Rádio Tupi): a criação da Rede da Democracia, uma cadeia radiofônica para combater a política do presidente Jango. Também selou sua sorte: a emissora foi fechada pelo presidente militar Castelo Branco um ano depois da queda de João Goulart.
O documento é composto de anexos que detalham o modus operandi dos Grupos de Onze. O primeiro deles tem cinco páginas dedicadas aos "companheiros nacionalistas", numa espécie de cartilha para a promoção e organização de um comando nacionalista. Na abertura, uma afirmação categórica de vitória: "A ideia de organização do povo em Comandos Nacionalistas (CN) ou em Grupos de Onze (Gr-11) está amplamente vitoriosa. Milhões e milhões de patriotas integram os Comandos Nacionalistas formados em todo o território pátrio: a palavra de ordem, organizados venceremos, penetrou na consciência de todos os nacionalistas brasileiros."
Para organizar um Gr-11, a primeira providência era a leitura e o estudo das instruções, "quantas vezes forem necessárias até uma segura compreensão dos fins e objetivos da organização." A etapa seguinte era "procurar os companheiros com os quais têm convivência e ligações de confiança". Vizinhos ou colegas de trabalho eram os mais indicados, e sempre em grupos reduzidos, de três ou quatro pessoas. Diante de receptividade para a ideia de organizar um Gr-11, "tal decisão significará um verdadeiro pacto de solidariedade e confiança entre os companheiros."
O objetivo era reunir 11 pessoas, mas as instruções reconhecem que arregimentar este contingente poderia ser um pouco difícil e estabelece que, com sete integrantes, a célula de militantes poderia começar a atuar. Ao alcançar este quorum mínimo, o grupo é fundado oficialmente e, depois da leitura do manual e do "exame da situação política e da crise econômica e social que estamos atravessando", é escolhido o dirigente do Gr-11; seu assistente – e eventual substituto – e o secretário-tesoureiro. "Tomadas estas decisões", prosseguem as instruções, "proceder à leitura solene, com todos os onze companheiros de pé, do texto da ata e da carta-testamento do presidente Getúlio Vargas." Os integrantes devem assinar seus nomes logo abaixo da assinatura de Vargas e do seguinte texto: "O presidente Vargas sacrificou sua vida por nós. Nosso sacrifício não conhecerá limites para que o nosso povo, de que ele foi escravo, conquiste definitivamente sua libertação econômica e social." Entenda-se que a "libertação" passava por reforma agrária e fim da espoliação internacional.
A primeira reunião formal do grupo tinha objetivo bem burocrático: montar a estrutura do Gr-11. As funções estão bem detalhadas e cada integrante tem um papel específico (esta é a transcrição da descrição das tarefas):
Líder, dirigente ou comandante: representa, orienta e coordena as atividades do grupo, de acordo com as instruções partidárias e os objetivos da organização. Está previsto que seu mandato será a duração de um ano;
Assistente: prestar colaboração direta ao dirigente ou comandante do grupo, substituindo-o em seus impedimentos;
Secretário-tesoureiro: responsável pela gestão dos recursos financeiros e guarda de papéis e documentos (líder, assistente e secretário-tesoureiro formam a comissão executiva do Gr-11);
Comunicações: dois integrantes ficam encarregados das comunicações, que englobam a troca de informações entre os elementos do Gr-11, inclusive no caso de ser preciso avisar aos companheiros sobre a necessidade de esconderijo ou fuga;
Rádio-escuta: acompanhamento pelo rádio dos acontecimentos nacionais e locais;
Transporte: coordenação das possibilidades de transportes para os membros do grupo no caso de atos e concentrações públicas;
Propaganda: responsável por faixas, boletins, pichamentos, notícias para a imprensa;
Mobilização popular: contatos e ligações com o ambiente local, visando a formar um círculo de relações e colaboração em torno do grupo, principalmente para garantir o comparecimento em comícios ou outros atos públicos;
Informações: atribuição de fazer contatos e o levantamento de informações sobre a situação política e social, além de outros problemas que interessem o grupo. Também fica responsável pela organização partidária local;
Assistência médico-social: o companheiro deve ser, se possível, médico, enfermeiro ou assistente social, "ou no mínimo com alguma noção ou treinamento para prestar assistência ou orientação a todas as pessoas necessitadas no ambiente onde atuar o Comando Nacionalista (por exemplo, aplicar injeção, conseguir medicamentos, curativos de emergência)".
A proposta era criar sucessivos grupos de 11 integrantes até atingir 11 células com estas características, quando, como relata o documento, "seus onze líderes formarão um Gr-11-2, isto é, um grupo de onze de 2º. nível, reunindo um total de 121 companheiros."
Esta seria a matriz de multiplicação dos comandos nacionalistas: os 11 líderes escolheriam, entre si, um comandante de segundo nível, cuja responsabilidade seria a coordenação dos onze grupos; e os outros dez companheiros deste Gr-11-2 dariam apoio ao novo chefe. Mas nada de parar por aí, porque cada nova célula deveria perseguir sua clonagem ao infinito: "se num município, numa cidade, área ou bairro, se organizarem onze grupos de onze, portanto um Gr-11-2 e depois onze grupos de 2º. nível, teremos um total de 1.331 companheiros na organização, os quais serão orientados e dirigidos por um Gr-11-3, ou seja, um grupo de onze de 3º. nível, integrado pelos onze líderes dos grupos de 2º. nível."
As "recomendações gerais" sugerem que os Gr-11 deveriam ser integrados inicialmente por companheiros de "maior capacidade de direção e liderança". Os demais grupos seriam compostos por militantes de capacidade "aproximada ou igual". O documento frisa que o movimento recebe, de braços abertos, gente de todas as procedências: "No mesmo Gr-11 poderão estar um trabalhador da mais modesta atividade, ao lado de um médico; um trabalhador ou técnico especializado, um estudante, um agricultor, um intelectual, um motorista, ao lado de um camponês, um militar."
O contato com a liderança nacional era de responsabilidade de um delegado de ligação (DL); enquanto não chegavam novas instruções, cabia ao Gr-11 realizar reuniões para estreitar os laços entre seus militantes e analisar a conjuntura, além de buscar adesões em sua área de atuação. "Os companheiros devem estimular, particularmente, a formação de Gr-11 entre a mocidade e estudantes. É da maior significação esse ponto das presentes instruções. A nossa causa depende fundamentalmente do apoio e da integração dos jovens e das classes trabalhadoras."
Embora não fizesse restrições a analfabetos, a arquitetura dos Gr-11 praticamente ignorava uma militância integral das mulheres: "As companheiras integrantes do Movimento Feminino ou simpatizantes devem formar seus próprios Gr-11. Oportunamente serão enviadas instruções especiais sobre a estrutura desses grupos de companheiras."
O chamado Anexo C é composto de documentos de Leonel Brizola com o sugestivo título de "Subsídios para a Organização dos Comandos de Libertação Nacional". Tem oito seções, todas subdivididas num minucioso roteiro para a militância. E começa pelo nome a ser dado ao grupo. No capítulo "Denominação", há cinco sugestões, por ordem preferencial: Comandos de Libertação Nacional (Colina); Comando Revolucionário de Libertação Nacional (Corlin); Comando Revolucionário dos Onze (Cron); Comando de Libertação Brasileira (Colb); e Comando dos Onze Revolucionários (Core).
O capítulo seguinte é o da "Justificativa": "A palavra revolucionária, como é sabido, exerce poderosa atração nas pessoas entre 17 e 25 anos – fator que servirá à etapa de arregimentação". O documento aposta na força de atração do termo: "A sigla onde aparece a ideia de revolução pode, com maiores possibilidades, ser difundida com certo mistério e mística de clandestinidade, complementada por instruções secretas, senhas, códigos, símbolos etc...", diz o texto que exibe rudimentos de técnica de marketing e motivação.
Vitor Borges: "Os militares queriam saber como pretendíamos envenenar o reservatório de água e perguntavam onde estavam os sacos de veneno."
O gaúcho Vitor Borges de Melo, natural de Alegrete, cidade que fica a cerca de 500 quilômetros de Porto Alegre, é um bom exemplo de arregimentação de jovens que queriam um pouco de ação. "Eu e meus companheiros éramos simpatizantes de Brizola desde a Cadeia da Legalidade, em 1961. Eu já tinha me apresentado como voluntário nesta época. Depois passei a acompanhar os discursos na Rádio Mayrink Veiga e decidi entrar para o Grupo de Onze. Todos usavam nomes de guerra e o meu era Tavares." Aos 63 anos, embora seja citado como ex-integrante do Gr-11, Vitor na verdade só se lembra de ter participado de uma reunião. Mesmo assim ficou preso, incomunicável, por 31 dias. "Os militares queriam saber como pretendíamos envenenar o reservatório de água de Alegrete e perguntavam onde estavam os sacos de veneno. Não sei de onde tiraram isso, como é que faríamos uma coisa dessas?", lembra Vitor, hoje aposentado, filiado ao PTB e beneficiado, pela Lei da Anistia, com uma indenização de R$ 12 mil. Provavelmente, por só ter ido a uma reunião, Vitor não foi "iniciado" em todas as propostas de ação do movimento.
No dossiê, a delimitação de áreas de ação é meticulosa e pretende cobrir todo o território nacional. Do contingente inicial de 11 membros, a proposta é multiplicá-los de forma que um distrito tenha 11 unidades de 11 membros, contabilizando 121 almas. A província terá 22 distritos, ou 2.662 membros; e a região será composta por 11 ou mais províncias, com 29.282 membros. O documento divide o país em sete regiões, mas exclui a Região Norte, provavelmente por problemas de logística:
1ª. Região: Guanabara, Rio de Janeiro e Espírito Santo;
2ª. Região: Bahia e Sergipe;
3ª. Região: Minas Gerais;
4ª. Região: São Paulo e Paraná;
5ª. Região: Santa Catarina e Rio Grande do Sul;
6ª. Região: Pernambuco, Alagoas, Paraíba e Rio Grande do Norte;
7ª. Região: Ceará, Piauí, Maranhão e Fernando de Noronha.
A estrutura administrativa nacional também previa um organograma que contava com um comandante supremo (CS); dois inspetores regionais (IN); e oito conselheiros regionais (CR), uma elite de burocratas encarregados de escolher, nomear ou destituir as camadas inferiores de militantes. Mas, abaixo deles, também havia espaço para muita gente se acomodar. O desenho da burocracia interna do poder é rico em categorias e deixaria qualquer analista de RH impressionado com o número de cargos. Sob a estrutura nacional, há estruturas administrativas regionais, provinciais e distritais, com direito a chefias, secretarias-executivas, assessorias e monitorias. Ao todo, são listados 32 cargos de alguma relevância – uma longa carreira que se descortinava para os aspirantes à militância.
Especialmente suculento é o capítulo sobre instruções gerais aos companheiros que quisessem organizar um Gr-11. Uma das principais preocupações diz respeito à seleção de indivíduos: "Procure conhecer bem as ideias políticas de cada uma das pessoas que você pretende convidar", ensina a cartilha, batendo na tecla da prudência: "Convide a pessoa para uma conversa reservada. Peça sigilo sobre o assunto. Procure certificar-se de que ela manteve sigilo. Mande alguém, seu conhecido, testá-la nesse pormenor."
A paranóia pela segurança se estende aos deveres dos dirigentes. Entre os dez itens listados, cinco dizem respeito ao controle da informação e dos membros do grupo: "manter severa vigilância em sua jurisdição para evitar infiltrações de inimigos entre os seus comandados"; "alternar, sempre, os locais de reuniões de seu grupo, fazendo as convocações sempre em código ou através de senhas"; "manter sob rigoroso controle os arquivos secretos e os dados sigilosos sobre a organização e seus membros"; "não discutir assuntos referentes aos planos dos Comandos de Libertação Nacional exceto com as pessoas autorizadas"; "procurar organizar em sua jurisdição um esquema de rápida mobilização popular para enfrentar golpistas, reacionários e grupos antipovo."
O código de segurança detalha os cuidados a serem adotados e a ordem é clara: desconfiar o tempo todo. Por isso o telefone fica banido na transmissão de mensagens. O militante também deve anotar tudo o que ouvir sobre a organização, especialmente quando partir de um "reacionário": "até as piadas têm sua importância. Não as despreze."
Os comandantes são instruídos a buscar subordinados para os Grupos de Onze que sejam "os autênticos e verdadeiros revolucionários, os destemerosos da própria morte."
Os comandantes regionais, devido à sua importância na estrutura do movimento, recebem instruções secretas que só devem ser compartilhadas com os companheiros do Grupo de Onze "com as devidas cautelas e ressalvas". O filé mignon da pregação revolucionária brizolista se encontra no Anexo D, cuja abertura tem o pomposo título "Preâmbulo Ultra-secreto" e determina que "só os fortes e intemeratos podem intentar a salvação do Brasil das garras do capitalismo internacional e de seus aliados internos. Quem for fraco ainda terá tempo de recuar ante a responsabilidade que terá que assumir com o conhecimento pleno destas instruções."
Os comandantes são instruídos a buscar subordinados para os Grupos de Onze que sejam "os autênticos e verdadeiros revolucionários, os destemerosos da própria morte, os que colocam a Pátria e nossos ideais acima de tudo e de todos." E a recomendação seguinte é evitar arregimentar parentes ou amigos íntimos.
Findo o preâmbulo, as instruções secretas têm dez seções. A primeira, sobre os objetivos, volta a pregar a importância do Gr-11 como a "vanguarda avançada" do movimento e compara esta célula à Guarda Vermelha da Revolução Socialista de 1917. Por ser revolucionária, ela não precisa prestar contas dos seus atos: "Não nos poderemos deter à procura de justificativas acadêmicas para atos que possam vir a ser considerados, pela reação e pelos companheiros sentimentalistas, agressivos demais ou até mesmo injustificados." Sem sombra de dúvida, os fins justificam os meios.
O quesito seguinte, que tem o título genérico de "Observações", descreve o que seria uma espécie de estado de espírito permanente dos participantes: "Os Grupos dos Onze Companheiros, como vanguardeiros da libertação nacional, terão que se preparar devidamente (...) devendo considerar-se, desde já, em REVOLUÇÃO PERMANENTE e OSTENSIVA." A revolução cubana vitoriosa de Fidel Castro é a principal referência: "A condição de militantes dos gloriosos Gr-11 traz consigo enormes responsabilidades e, por isso, embora para formação inicial de nossas unidades não seja condição sine qua o conhecimento da técnica propriamente militar, torna-se absolutamente necessário o da técnica de guerrilhas e a leitura, entre outras importantes publicações, do folheto cubano a respeito daquele mister."
No terceiro capítulo, sobre a ação preliminar, os companheiros são instados a tentar conseguir o quanto antes armamentos para o "Momento Supremo". E a lista contempla desde espingardas a pistolas e metralhadoras. Com um lembrete: "Não esquecer os preciosos coquetéis Molotov e outros tipos de bombas incendiárias, até mesmo estopa e panos embebidos em óleo ou gasolina." A instrução reconhece a escassez de armas no movimento, mas conta com aliados militares (segundo o documento, "que possuímos em toda as Forças Armadas") e garante ter o apoio da população rural. "Os camponeses virão destruindo e queimando as plantações, engenhos, celeiros e armazéns."
O descolamento entre propostas e realidade é flagrante, mas não diminui o grau de virulência da ação que, pelo menos em tese, seria desencadeada pelos Grupos de Onze. Juarez Santos Alves, de 61 anos, é contemporâneo e até hoje amigo de Vitor Borges de Melo. O pai, dono de farmácia, e o tio, militar, eram militantes do PCB (Partido Comunista Brasileiro) e foram sua inspiração. No entanto, no que diz respeito à sua passagem pelo Grupo de Onze, a monotonia imperava. "Considero mais um grupo poético, porque nunca demos um passo além das reuniões. Falava-se em tomar o quartel, mas como é que iríamos resistir se no máximo tínhamos armas pessoais ou de caça?", rememora Juarez, que depois ingressou na Vanguarda Popular Revolucionária. Preso e torturado, foi beneficiado com uma indenização de R$ 100 mil.
A cartilha de ação inclui escudos humanos, saques e incêndios de edifícios públicos e empresas particulares, além da difusão de notícias falsas.
Em centros urbanos, a tática adotada será assumidamente a de guerra suja, com a utilização de escudos civis, principalmente mulheres e crianças. "Nas cidades, os companheiros (...) incitarão a opinião pública com gritos e frases patrióticas, procurando levantar a bandeira das mais sentidas reivindicações populares, devendo, para a vitória desta tática, atrair o maior número de mulheres e crianças para a frente da massa popular." Agitação é a palavra de ordem, com direito a depredação de estabelecimentos comerciais, saques e incêndios de edifícios públicos e de empresas particulares. Também estão incluídos ataques a centrais telefônicas, emissoras de rádio e TV. O objetivo? "Com as autoridades policiais e militares totalmente desorientadas, estaremos, nesse momento, a um passo da tomada efetiva do Poder-Nação."
Sobre a tática geral da guerrilha nacional, tema do item quatro, a ênfase recai na guerra de informação. Depois de a autodenominada ação revolucionária ter provocado o caos, o passo seguinte seria cortar a comunicação entre as cidades e divulgar apenas o que interessasse ao movimento. "Difundindo-se notícias falsas, tendenciosas e inteiramente favoráveis aos nossos Gr-11 e aos nossos planos, com interceptação de comunicações telefônicas isolamento das cidades e de seus meios de comunicação."
Em "O porquê da revolução nacional libertadora", a explicação de cartilha revolucionária: a exploração do capital monopolista estrangeiro, principalmente americano; e a estrutura agrária baseada na concentração latifundiária. No capítulo sobre "o aliado comunista", não resta dúvida de que Brizola não via o Partido Comunista Brasileiro (PCB) com a menor simpatia. "Devemos ter sempre presente que o comunista é nosso principal aliado mas, embora alardeie o Partido Comunista ter forças para fazer a Revolução Libertadora, o PCB nada mais é que um movimento dividido em várias frentes internas em luta aberta entre si pelo poder absoluto e pela vitória de uma das facções em que se fragmentou." E continua, aumentando o tom da crítica: "São fracos e aburguesados esses camaradas chefiados pelos que veem, em Moscou, o único sol que poderá guiar o proletariado mundial à libertação internacional. Fogem à luta como fogem à realidade e não perderão nada se a situação nacional perdurar por muitos anos ainda."
"No caso de derrota do nosso movimento, os reféns deverão ser sumária e imediatamente fuzilados."
O trecho mais chocante das instruções secretas aos comandantes diz respeito à guarda e ao julgamento dos prisioneiros. Para esta tarefa, a orientação é clara: "Deverão ser escolhidos companheiros de condições humildes mas, entretanto, de férreas e arraigadas condições de ódio aos poderosos e aos ricos". Além da prisão, está previsto o julgamento sumário de oponentes ao movimento, onde se incluem autoridades públicas, políticos e personalidades. "No caso de derrota do nosso movimento, o que é improvável, mas não impossível (...) e esta é uma informação para uso somente de alguns companheiros de absoluta e máxima confiança, os reféns deverão ser sumária e imediatamente fuzilados, a fim de que não denunciem seus aprisionadores e não lutem, posteriormente, para sua condenação e destruição."
Para o professor Jorge Ferreira, entre 1961 e 1964 houve uma profunda mudança nos interesses que alimentavam a correlação de forças entre militares, partidos políticos e sociedade. "Em agosto de 1961", diz ele, "quando Jânio Quadros renuncia, os militares deram um golpe que foi rechaçado pelo Congresso, pelos partidos e pelas entidades civis. Os grupos progressistas e legalistas venceram. A sociedade brasileira não queria romper com o processo democrático." O período parlamentarista manteve o equilíbrio, ainda que precário, entre essas correntes. Jango sabia que precisava de maioria no Congresso ou não governaria, mas o plebiscito que lhe devolveu o presidencialismo acabou dando outro rumo aos acontecimentos, como afirma Ferreira: "a Frente de Mobilização Popular, encabeçada por Brizola, havia unificado praticamente todas as esquerdas, englobando o Comando Geral dos Trabalhadores, Ligas Camponesas, UNE, Ação Popular, a esquerda do Partido Socialista Brasileiro, a esquerda mais radical do PCB, os movimentos de sargentos e marinheiros. E a exigência dessas esquerdas era o rompimento com o PSD (Partido Social Democrático), a convocação de Assembléia Nacional Constituinte e o questionamento das instituições liberais vigentes. É quando se estabelece o confronto." Desta vez, o estado de direito não venceu.
No fim de 1963, em meio à crescente radicalização do ambiente político do governo de João Goulart, Leonel Brizola era a liderança que unificara as esquerdas na Frente de Mobilização Popular. Entrincheirado na Rádio Mayrink Veiga, onde discursava todas as noites, ele pregava a criação dos Grupos de Onze Companheiros, compostos por cidadãos que marchariam unidos quando a esquerda tomasse o poder. A CBN teve acesso a documentos daquela época – que estavam em poder dos militares – que detalham como Brizola idealizou os Grupos de Onze: uma militância que pretendia utilizar mulheres e crianças como escudos civis; realizar ataques a centrais telefônicas, de rádio e TV; e previa a execução de prisioneiros.
Grupos de Onze: o braço armado de Brizola
Por: Mariza Tavares
Edição de arte: Fernanda Osternack
"Este é o documento a que me referi. O Exército não sabe que este dossiê ainda existe, porque foi dada uma ordem para que fosse destruído." Este era o texto do curto bilhete que acompanhava o pacote que recebi pelo correio, enviado por uma ouvinte fiel da CBN. Dentro, um calhamaço de 64 páginas já amareladas, no qual chamava atenção o carimbo no alto, em letras garrafais: SECRETO. A ditadura militar brasileira incinerou regularmente documentos sigilosos. Este dossiê estava em poder de um militar que preferiu desobedecer à ordem e decidiu guardar os papéis em casa.
Datado de 30 de setembro de 1964 e assinado pelo general-de-brigada Itiberê Gouvêa do Amaral, o documento ostenta a classificação A-1, que até hoje é utilizada pela área militar e que significa que é de total confiança. A classificação varia de A a F para a confiabilidade da fonte; e de 1 a 6 para a confiabilidade do conteúdo.
No tom formal e meticuloso típico dos relatórios dos serviços de inteligência, o texto de abertura, a circular de número 79-E2/64, anunciava que havia sido identificada a criação de diversas células dos chamados "Grupo de onze companheiros" no interior do Paraná e de Santa Catarina.
"Os grupos constituíam a célula de um grande contingente, no qual seriam arregimentados homens das mais variadas categorias e profissões para servirem de instrumento a um pseudolíder, Leonel Brizola, em sua política de subversão do regime e implantação de um Governo de tendências antidemocráticas", explicava o documento.
Os militares já haviam deposto o presidente João Goulart e tomado o poder naquele ano; e a circular festejava a ação ao afirmar, categoricamente, que, "com o advento da revolução de 31 de março, foi cortado o processo ainda na fase inicial". No entanto, o documento assinalava: "Há indícios de que, no futuro, possa ser novamente equacionada a reestruturação dos grupos." Leonel Brizola já se encontrava no exílio no Uruguai desde maio daquele ano, mas a circular assinalava que havia informes de contatos entre "antigos elementos" que integravam esses grupos. Daí a necessidade de mobilização de oficiais para mapear qualquer atividade suspeita.
Jorge Ferreira: "Houve quem se inscrevesse apenas porque gostava de Brizola. Teve gente que pôs até o nome de filhos pequenos nas fichas de inscrição."
Os chamados Grupos de Onze Companheiros – simplificadamente, Grupos de Onze ou Gr-11 – e também conhecidos como Comandos Nacionalistas foram concebidos por Brizola no fim de 1963. Tomando por base a formação de um time de futebol, imagem de fácil assimilação e apelo popular, Brizola pregava a organização de pequenas células – cada uma composta de onze cidadãos, em todo o território nacional – que poderiam ser mobilizadas sob seu comando.
Jorge Ferreira, professor-titular de História da UFF (Universidade Federal Fluminense), doutor em História Social pela USP (Universidade de São Paulo) e autor do livro "O imaginário trabalhista", explica que um dos poucos documentos disponíveis sobre o Grupo de Onze é o modelo de ata de adesão. "Há poucos estudos sobre este movimento e praticamente não há documentação a respeito. As atas, com os dados dos participantes, eram enviadas para a Rádio Mayrink Veiga e depois ficaram em poder da repressão. Como os Grupos de Onze foram criados no fim de 1963, o clima de radicalização já se generalizara. A imprensa também supervalorizava sua capacidade de ação, mas a verdade é que houve quem se inscrevesse apenas porque gostava de Brizola e nunca teve participação efetiva. No Sul, muitos achavam que iam ganhar terra, sementes. Teve gente que pôs até o nome de filhos pequenos nas fichas de inscrição."
O dossiê a que a CBN teve acesso disseca o manual de ação desses militantes e foi criado quando Brizola, eleito deputado federal pelo PTB (Partido Trabalhista Brasileiro) com 300 mil votos – até então, o mais votado da antiga Guanabara – ocupou quase que diariamente o microfone da Rádio Mayrink Veiga entre 1962 e 1963. A tradicional emissora do antigo Distrito Federal, existente desde 1926, funcionava como palanque para Brizola, que ali destilava inflamados discursos pela aprovação das reformas de base – pilar do governo João Goulart e que compreendiam da reforma fiscal à agrária, com a desapropriação de terras de grandes proprietários rurais. E garantia que elas seriam aprovadas, "na lei ou na marra". A Mayrink Veiga estava tão identificada com o projeto político brizolista que uma cópia do documento assinado pelos integrantes de cada recém-criado Gr-11 deveria ser enviada para a emissora. A militância da Mayrink Veiga provocou uma reação dos empresários de comunicação Roberto Marinho (Rádio Globo), Manoel Francisco Nascimento Brito (Rádio Jornal do Brasil) e João Calmon (Rádio Tupi): a criação da Rede da Democracia, uma cadeia radiofônica para combater a política do presidente Jango. Também selou sua sorte: a emissora foi fechada pelo presidente militar Castelo Branco um ano depois da queda de João Goulart.
O documento é composto de anexos que detalham o modus operandi dos Grupos de Onze. O primeiro deles tem cinco páginas dedicadas aos "companheiros nacionalistas", numa espécie de cartilha para a promoção e organização de um comando nacionalista. Na abertura, uma afirmação categórica de vitória: "A ideia de organização do povo em Comandos Nacionalistas (CN) ou em Grupos de Onze (Gr-11) está amplamente vitoriosa. Milhões e milhões de patriotas integram os Comandos Nacionalistas formados em todo o território pátrio: a palavra de ordem, organizados venceremos, penetrou na consciência de todos os nacionalistas brasileiros."
Para organizar um Gr-11, a primeira providência era a leitura e o estudo das instruções, "quantas vezes forem necessárias até uma segura compreensão dos fins e objetivos da organização." A etapa seguinte era "procurar os companheiros com os quais têm convivência e ligações de confiança". Vizinhos ou colegas de trabalho eram os mais indicados, e sempre em grupos reduzidos, de três ou quatro pessoas. Diante de receptividade para a ideia de organizar um Gr-11, "tal decisão significará um verdadeiro pacto de solidariedade e confiança entre os companheiros."
O objetivo era reunir 11 pessoas, mas as instruções reconhecem que arregimentar este contingente poderia ser um pouco difícil e estabelece que, com sete integrantes, a célula de militantes poderia começar a atuar. Ao alcançar este quorum mínimo, o grupo é fundado oficialmente e, depois da leitura do manual e do "exame da situação política e da crise econômica e social que estamos atravessando", é escolhido o dirigente do Gr-11; seu assistente – e eventual substituto – e o secretário-tesoureiro. "Tomadas estas decisões", prosseguem as instruções, "proceder à leitura solene, com todos os onze companheiros de pé, do texto da ata e da carta-testamento do presidente Getúlio Vargas." Os integrantes devem assinar seus nomes logo abaixo da assinatura de Vargas e do seguinte texto: "O presidente Vargas sacrificou sua vida por nós. Nosso sacrifício não conhecerá limites para que o nosso povo, de que ele foi escravo, conquiste definitivamente sua libertação econômica e social." Entenda-se que a "libertação" passava por reforma agrária e fim da espoliação internacional.
A primeira reunião formal do grupo tinha objetivo bem burocrático: montar a estrutura do Gr-11. As funções estão bem detalhadas e cada integrante tem um papel específico (esta é a transcrição da descrição das tarefas):
Líder, dirigente ou comandante: representa, orienta e coordena as atividades do grupo, de acordo com as instruções partidárias e os objetivos da organização. Está previsto que seu mandato será a duração de um ano;
Assistente: prestar colaboração direta ao dirigente ou comandante do grupo, substituindo-o em seus impedimentos;
Secretário-tesoureiro: responsável pela gestão dos recursos financeiros e guarda de papéis e documentos (líder, assistente e secretário-tesoureiro formam a comissão executiva do Gr-11);
Comunicações: dois integrantes ficam encarregados das comunicações, que englobam a troca de informações entre os elementos do Gr-11, inclusive no caso de ser preciso avisar aos companheiros sobre a necessidade de esconderijo ou fuga;
Rádio-escuta: acompanhamento pelo rádio dos acontecimentos nacionais e locais;
Transporte: coordenação das possibilidades de transportes para os membros do grupo no caso de atos e concentrações públicas;
Propaganda: responsável por faixas, boletins, pichamentos, notícias para a imprensa;
Mobilização popular: contatos e ligações com o ambiente local, visando a formar um círculo de relações e colaboração em torno do grupo, principalmente para garantir o comparecimento em comícios ou outros atos públicos;
Informações: atribuição de fazer contatos e o levantamento de informações sobre a situação política e social, além de outros problemas que interessem o grupo. Também fica responsável pela organização partidária local;
Assistência médico-social: o companheiro deve ser, se possível, médico, enfermeiro ou assistente social, "ou no mínimo com alguma noção ou treinamento para prestar assistência ou orientação a todas as pessoas necessitadas no ambiente onde atuar o Comando Nacionalista (por exemplo, aplicar injeção, conseguir medicamentos, curativos de emergência)".
A proposta era criar sucessivos grupos de 11 integrantes até atingir 11 células com estas características, quando, como relata o documento, "seus onze líderes formarão um Gr-11-2, isto é, um grupo de onze de 2º. nível, reunindo um total de 121 companheiros."
Esta seria a matriz de multiplicação dos comandos nacionalistas: os 11 líderes escolheriam, entre si, um comandante de segundo nível, cuja responsabilidade seria a coordenação dos onze grupos; e os outros dez companheiros deste Gr-11-2 dariam apoio ao novo chefe. Mas nada de parar por aí, porque cada nova célula deveria perseguir sua clonagem ao infinito: "se num município, numa cidade, área ou bairro, se organizarem onze grupos de onze, portanto um Gr-11-2 e depois onze grupos de 2º. nível, teremos um total de 1.331 companheiros na organização, os quais serão orientados e dirigidos por um Gr-11-3, ou seja, um grupo de onze de 3º. nível, integrado pelos onze líderes dos grupos de 2º. nível."
As "recomendações gerais" sugerem que os Gr-11 deveriam ser integrados inicialmente por companheiros de "maior capacidade de direção e liderança". Os demais grupos seriam compostos por militantes de capacidade "aproximada ou igual". O documento frisa que o movimento recebe, de braços abertos, gente de todas as procedências: "No mesmo Gr-11 poderão estar um trabalhador da mais modesta atividade, ao lado de um médico; um trabalhador ou técnico especializado, um estudante, um agricultor, um intelectual, um motorista, ao lado de um camponês, um militar."
O contato com a liderança nacional era de responsabilidade de um delegado de ligação (DL); enquanto não chegavam novas instruções, cabia ao Gr-11 realizar reuniões para estreitar os laços entre seus militantes e analisar a conjuntura, além de buscar adesões em sua área de atuação. "Os companheiros devem estimular, particularmente, a formação de Gr-11 entre a mocidade e estudantes. É da maior significação esse ponto das presentes instruções. A nossa causa depende fundamentalmente do apoio e da integração dos jovens e das classes trabalhadoras."
Embora não fizesse restrições a analfabetos, a arquitetura dos Gr-11 praticamente ignorava uma militância integral das mulheres: "As companheiras integrantes do Movimento Feminino ou simpatizantes devem formar seus próprios Gr-11. Oportunamente serão enviadas instruções especiais sobre a estrutura desses grupos de companheiras."
O chamado Anexo C é composto de documentos de Leonel Brizola com o sugestivo título de "Subsídios para a Organização dos Comandos de Libertação Nacional". Tem oito seções, todas subdivididas num minucioso roteiro para a militância. E começa pelo nome a ser dado ao grupo. No capítulo "Denominação", há cinco sugestões, por ordem preferencial: Comandos de Libertação Nacional (Colina); Comando Revolucionário de Libertação Nacional (Corlin); Comando Revolucionário dos Onze (Cron); Comando de Libertação Brasileira (Colb); e Comando dos Onze Revolucionários (Core).
O capítulo seguinte é o da "Justificativa": "A palavra revolucionária, como é sabido, exerce poderosa atração nas pessoas entre 17 e 25 anos – fator que servirá à etapa de arregimentação". O documento aposta na força de atração do termo: "A sigla onde aparece a ideia de revolução pode, com maiores possibilidades, ser difundida com certo mistério e mística de clandestinidade, complementada por instruções secretas, senhas, códigos, símbolos etc...", diz o texto que exibe rudimentos de técnica de marketing e motivação.
Vitor Borges: "Os militares queriam saber como pretendíamos envenenar o reservatório de água e perguntavam onde estavam os sacos de veneno."
O gaúcho Vitor Borges de Melo, natural de Alegrete, cidade que fica a cerca de 500 quilômetros de Porto Alegre, é um bom exemplo de arregimentação de jovens que queriam um pouco de ação. "Eu e meus companheiros éramos simpatizantes de Brizola desde a Cadeia da Legalidade, em 1961. Eu já tinha me apresentado como voluntário nesta época. Depois passei a acompanhar os discursos na Rádio Mayrink Veiga e decidi entrar para o Grupo de Onze. Todos usavam nomes de guerra e o meu era Tavares." Aos 63 anos, embora seja citado como ex-integrante do Gr-11, Vitor na verdade só se lembra de ter participado de uma reunião. Mesmo assim ficou preso, incomunicável, por 31 dias. "Os militares queriam saber como pretendíamos envenenar o reservatório de água de Alegrete e perguntavam onde estavam os sacos de veneno. Não sei de onde tiraram isso, como é que faríamos uma coisa dessas?", lembra Vitor, hoje aposentado, filiado ao PTB e beneficiado, pela Lei da Anistia, com uma indenização de R$ 12 mil. Provavelmente, por só ter ido a uma reunião, Vitor não foi "iniciado" em todas as propostas de ação do movimento.
No dossiê, a delimitação de áreas de ação é meticulosa e pretende cobrir todo o território nacional. Do contingente inicial de 11 membros, a proposta é multiplicá-los de forma que um distrito tenha 11 unidades de 11 membros, contabilizando 121 almas. A província terá 22 distritos, ou 2.662 membros; e a região será composta por 11 ou mais províncias, com 29.282 membros. O documento divide o país em sete regiões, mas exclui a Região Norte, provavelmente por problemas de logística:
1ª. Região: Guanabara, Rio de Janeiro e Espírito Santo;
2ª. Região: Bahia e Sergipe;
3ª. Região: Minas Gerais;
4ª. Região: São Paulo e Paraná;
5ª. Região: Santa Catarina e Rio Grande do Sul;
6ª. Região: Pernambuco, Alagoas, Paraíba e Rio Grande do Norte;
7ª. Região: Ceará, Piauí, Maranhão e Fernando de Noronha.
A estrutura administrativa nacional também previa um organograma que contava com um comandante supremo (CS); dois inspetores regionais (IN); e oito conselheiros regionais (CR), uma elite de burocratas encarregados de escolher, nomear ou destituir as camadas inferiores de militantes. Mas, abaixo deles, também havia espaço para muita gente se acomodar. O desenho da burocracia interna do poder é rico em categorias e deixaria qualquer analista de RH impressionado com o número de cargos. Sob a estrutura nacional, há estruturas administrativas regionais, provinciais e distritais, com direito a chefias, secretarias-executivas, assessorias e monitorias. Ao todo, são listados 32 cargos de alguma relevância – uma longa carreira que se descortinava para os aspirantes à militância.
Especialmente suculento é o capítulo sobre instruções gerais aos companheiros que quisessem organizar um Gr-11. Uma das principais preocupações diz respeito à seleção de indivíduos: "Procure conhecer bem as ideias políticas de cada uma das pessoas que você pretende convidar", ensina a cartilha, batendo na tecla da prudência: "Convide a pessoa para uma conversa reservada. Peça sigilo sobre o assunto. Procure certificar-se de que ela manteve sigilo. Mande alguém, seu conhecido, testá-la nesse pormenor."
A paranóia pela segurança se estende aos deveres dos dirigentes. Entre os dez itens listados, cinco dizem respeito ao controle da informação e dos membros do grupo: "manter severa vigilância em sua jurisdição para evitar infiltrações de inimigos entre os seus comandados"; "alternar, sempre, os locais de reuniões de seu grupo, fazendo as convocações sempre em código ou através de senhas"; "manter sob rigoroso controle os arquivos secretos e os dados sigilosos sobre a organização e seus membros"; "não discutir assuntos referentes aos planos dos Comandos de Libertação Nacional exceto com as pessoas autorizadas"; "procurar organizar em sua jurisdição um esquema de rápida mobilização popular para enfrentar golpistas, reacionários e grupos antipovo."
O código de segurança detalha os cuidados a serem adotados e a ordem é clara: desconfiar o tempo todo. Por isso o telefone fica banido na transmissão de mensagens. O militante também deve anotar tudo o que ouvir sobre a organização, especialmente quando partir de um "reacionário": "até as piadas têm sua importância. Não as despreze."
Os comandantes são instruídos a buscar subordinados para os Grupos de Onze que sejam "os autênticos e verdadeiros revolucionários, os destemerosos da própria morte."
Os comandantes regionais, devido à sua importância na estrutura do movimento, recebem instruções secretas que só devem ser compartilhadas com os companheiros do Grupo de Onze "com as devidas cautelas e ressalvas". O filé mignon da pregação revolucionária brizolista se encontra no Anexo D, cuja abertura tem o pomposo título "Preâmbulo Ultra-secreto" e determina que "só os fortes e intemeratos podem intentar a salvação do Brasil das garras do capitalismo internacional e de seus aliados internos. Quem for fraco ainda terá tempo de recuar ante a responsabilidade que terá que assumir com o conhecimento pleno destas instruções."
Os comandantes são instruídos a buscar subordinados para os Grupos de Onze que sejam "os autênticos e verdadeiros revolucionários, os destemerosos da própria morte, os que colocam a Pátria e nossos ideais acima de tudo e de todos." E a recomendação seguinte é evitar arregimentar parentes ou amigos íntimos.
Findo o preâmbulo, as instruções secretas têm dez seções. A primeira, sobre os objetivos, volta a pregar a importância do Gr-11 como a "vanguarda avançada" do movimento e compara esta célula à Guarda Vermelha da Revolução Socialista de 1917. Por ser revolucionária, ela não precisa prestar contas dos seus atos: "Não nos poderemos deter à procura de justificativas acadêmicas para atos que possam vir a ser considerados, pela reação e pelos companheiros sentimentalistas, agressivos demais ou até mesmo injustificados." Sem sombra de dúvida, os fins justificam os meios.
O quesito seguinte, que tem o título genérico de "Observações", descreve o que seria uma espécie de estado de espírito permanente dos participantes: "Os Grupos dos Onze Companheiros, como vanguardeiros da libertação nacional, terão que se preparar devidamente (...) devendo considerar-se, desde já, em REVOLUÇÃO PERMANENTE e OSTENSIVA." A revolução cubana vitoriosa de Fidel Castro é a principal referência: "A condição de militantes dos gloriosos Gr-11 traz consigo enormes responsabilidades e, por isso, embora para formação inicial de nossas unidades não seja condição sine qua o conhecimento da técnica propriamente militar, torna-se absolutamente necessário o da técnica de guerrilhas e a leitura, entre outras importantes publicações, do folheto cubano a respeito daquele mister."
No terceiro capítulo, sobre a ação preliminar, os companheiros são instados a tentar conseguir o quanto antes armamentos para o "Momento Supremo". E a lista contempla desde espingardas a pistolas e metralhadoras. Com um lembrete: "Não esquecer os preciosos coquetéis Molotov e outros tipos de bombas incendiárias, até mesmo estopa e panos embebidos em óleo ou gasolina." A instrução reconhece a escassez de armas no movimento, mas conta com aliados militares (segundo o documento, "que possuímos em toda as Forças Armadas") e garante ter o apoio da população rural. "Os camponeses virão destruindo e queimando as plantações, engenhos, celeiros e armazéns."
O descolamento entre propostas e realidade é flagrante, mas não diminui o grau de virulência da ação que, pelo menos em tese, seria desencadeada pelos Grupos de Onze. Juarez Santos Alves, de 61 anos, é contemporâneo e até hoje amigo de Vitor Borges de Melo. O pai, dono de farmácia, e o tio, militar, eram militantes do PCB (Partido Comunista Brasileiro) e foram sua inspiração. No entanto, no que diz respeito à sua passagem pelo Grupo de Onze, a monotonia imperava. "Considero mais um grupo poético, porque nunca demos um passo além das reuniões. Falava-se em tomar o quartel, mas como é que iríamos resistir se no máximo tínhamos armas pessoais ou de caça?", rememora Juarez, que depois ingressou na Vanguarda Popular Revolucionária. Preso e torturado, foi beneficiado com uma indenização de R$ 100 mil.
A cartilha de ação inclui escudos humanos, saques e incêndios de edifícios públicos e empresas particulares, além da difusão de notícias falsas.
Em centros urbanos, a tática adotada será assumidamente a de guerra suja, com a utilização de escudos civis, principalmente mulheres e crianças. "Nas cidades, os companheiros (...) incitarão a opinião pública com gritos e frases patrióticas, procurando levantar a bandeira das mais sentidas reivindicações populares, devendo, para a vitória desta tática, atrair o maior número de mulheres e crianças para a frente da massa popular." Agitação é a palavra de ordem, com direito a depredação de estabelecimentos comerciais, saques e incêndios de edifícios públicos e de empresas particulares. Também estão incluídos ataques a centrais telefônicas, emissoras de rádio e TV. O objetivo? "Com as autoridades policiais e militares totalmente desorientadas, estaremos, nesse momento, a um passo da tomada efetiva do Poder-Nação."
Sobre a tática geral da guerrilha nacional, tema do item quatro, a ênfase recai na guerra de informação. Depois de a autodenominada ação revolucionária ter provocado o caos, o passo seguinte seria cortar a comunicação entre as cidades e divulgar apenas o que interessasse ao movimento. "Difundindo-se notícias falsas, tendenciosas e inteiramente favoráveis aos nossos Gr-11 e aos nossos planos, com interceptação de comunicações telefônicas isolamento das cidades e de seus meios de comunicação."
Em "O porquê da revolução nacional libertadora", a explicação de cartilha revolucionária: a exploração do capital monopolista estrangeiro, principalmente americano; e a estrutura agrária baseada na concentração latifundiária. No capítulo sobre "o aliado comunista", não resta dúvida de que Brizola não via o Partido Comunista Brasileiro (PCB) com a menor simpatia. "Devemos ter sempre presente que o comunista é nosso principal aliado mas, embora alardeie o Partido Comunista ter forças para fazer a Revolução Libertadora, o PCB nada mais é que um movimento dividido em várias frentes internas em luta aberta entre si pelo poder absoluto e pela vitória de uma das facções em que se fragmentou." E continua, aumentando o tom da crítica: "São fracos e aburguesados esses camaradas chefiados pelos que veem, em Moscou, o único sol que poderá guiar o proletariado mundial à libertação internacional. Fogem à luta como fogem à realidade e não perderão nada se a situação nacional perdurar por muitos anos ainda."
"No caso de derrota do nosso movimento, os reféns deverão ser sumária e imediatamente fuzilados."
O trecho mais chocante das instruções secretas aos comandantes diz respeito à guarda e ao julgamento dos prisioneiros. Para esta tarefa, a orientação é clara: "Deverão ser escolhidos companheiros de condições humildes mas, entretanto, de férreas e arraigadas condições de ódio aos poderosos e aos ricos". Além da prisão, está previsto o julgamento sumário de oponentes ao movimento, onde se incluem autoridades públicas, políticos e personalidades. "No caso de derrota do nosso movimento, o que é improvável, mas não impossível (...) e esta é uma informação para uso somente de alguns companheiros de absoluta e máxima confiança, os reféns deverão ser sumária e imediatamente fuzilados, a fim de que não denunciem seus aprisionadores e não lutem, posteriormente, para sua condenação e destruição."
Para o professor Jorge Ferreira, entre 1961 e 1964 houve uma profunda mudança nos interesses que alimentavam a correlação de forças entre militares, partidos políticos e sociedade. "Em agosto de 1961", diz ele, "quando Jânio Quadros renuncia, os militares deram um golpe que foi rechaçado pelo Congresso, pelos partidos e pelas entidades civis. Os grupos progressistas e legalistas venceram. A sociedade brasileira não queria romper com o processo democrático." O período parlamentarista manteve o equilíbrio, ainda que precário, entre essas correntes. Jango sabia que precisava de maioria no Congresso ou não governaria, mas o plebiscito que lhe devolveu o presidencialismo acabou dando outro rumo aos acontecimentos, como afirma Ferreira: "a Frente de Mobilização Popular, encabeçada por Brizola, havia unificado praticamente todas as esquerdas, englobando o Comando Geral dos Trabalhadores, Ligas Camponesas, UNE, Ação Popular, a esquerda do Partido Socialista Brasileiro, a esquerda mais radical do PCB, os movimentos de sargentos e marinheiros. E a exigência dessas esquerdas era o rompimento com o PSD (Partido Social Democrático), a convocação de Assembléia Nacional Constituinte e o questionamento das instituições liberais vigentes. É quando se estabelece o confronto." Desta vez, o estado de direito não venceu.
Resumo da Semana
O governo esta semana lançou o pacote habitacional priorizando os incentivos para baixa renda. É um bom programa mas ainda há dúvidas sobre a sua implementação.
Ontem, o Conselho Monetário Nacional (CMN) atuou para dar mais garantias aos bancos pequenos e médios. O Fundo Garantidor vai assumir os riscos desses bancos, numa medida para tentar normalizar o mercado de crédito.
Logo no início da semana, o governo americano detalhou o pacote de limpeza dos ativos tóxicos dos bancos e as bolsas se animaram.
Por aqui, o Boletim Focus fez previsão de crescimento zero para a economia brasileira. Entre as principais notícias, tivemos o presidente da Petrobras afirmando que a empresa está recuperando prejuízos do ano passado, e que por isso o preço da gasolina ainda não caiu.
O desemprego veio melhor com o esperado, 8,5%, com projeções em torno de 9%, mas a tendência é de alta nos próximos meses.
O IBGE divulgou ontem a taxa de desemprego do mês de fevereiro, que surpreendeu positivamente. Ficou em 8,5%, taxa 0,2 ponto percentual menor que o mesmo mês do ano passado.
Mas todos os especialistas afirmam que o desemprego vai continuar subindo nos próximos meses. Como o ministério do Trabalho mostrou corte de quase 800 mil pessoas no emprego formam, pelos dados do Caged, as projeções apontam que isso vai bater também nos dados do IBGE.
Mas tomara que seja o menor impacto possível.
A bolsa brasiliera está operando no vermelho desde o início do pregão. Por volta das 15h, o índice Ibovespa recuava 2,25%.
Ontem, o Conselho Monetário Nacional (CMN) atuou para dar mais garantias aos bancos pequenos e médios. O Fundo Garantidor vai assumir os riscos desses bancos, numa medida para tentar normalizar o mercado de crédito.
Logo no início da semana, o governo americano detalhou o pacote de limpeza dos ativos tóxicos dos bancos e as bolsas se animaram.
Por aqui, o Boletim Focus fez previsão de crescimento zero para a economia brasileira. Entre as principais notícias, tivemos o presidente da Petrobras afirmando que a empresa está recuperando prejuízos do ano passado, e que por isso o preço da gasolina ainda não caiu.
O desemprego veio melhor com o esperado, 8,5%, com projeções em torno de 9%, mas a tendência é de alta nos próximos meses.
O IBGE divulgou ontem a taxa de desemprego do mês de fevereiro, que surpreendeu positivamente. Ficou em 8,5%, taxa 0,2 ponto percentual menor que o mesmo mês do ano passado.
Mas todos os especialistas afirmam que o desemprego vai continuar subindo nos próximos meses. Como o ministério do Trabalho mostrou corte de quase 800 mil pessoas no emprego formam, pelos dados do Caged, as projeções apontam que isso vai bater também nos dados do IBGE.
Mas tomara que seja o menor impacto possível.
A bolsa brasiliera está operando no vermelho desde o início do pregão. Por volta das 15h, o índice Ibovespa recuava 2,25%.
quinta-feira, 26 de março de 2009
Os pontos do pacote habitacional
O pacote habitacional pode ser visto sob vários aspectos.
O lado positivo é que ele prioriza os subsídios para os mais pobres. Isso vai declinando de acordo com o aumento da renda. Se é para gastar dinheiro público, que seja com quem precisa mais e não consegue financiar a casa própria.
Por outro lado, a melhor forma para fazer subsídio é deixando claro exatamente quanto a sociedade está gastando. Isso deve ser inserido no orçamento. Quando é feito pelo fundo de garantia, como foi feito agora, é meio nebuloso, todo mundo fica sem saber quanto se está gastando.
E é bom lembrar que o desemprego está em tendência de alta. Isso significa mais saques no fundo do FGTS. E essa é a prioridade do fundo. Não pode toda hora ter programas tirando dinheiro de lá.
O governo também está falando hoje de liberar o saque do FGTS para imóveis de até R$ 500 mil, chegando também à classe média.
O plano é bom, mas tem alguns defeitos. Foi anunciado de forma política visando as eleições de 2010. O déficit habitacional no Brasil é calamitoso e se o assunto se tornar alvo de disputas políticas já vai começar mal.
Outra coisa também é fato: o plano não vai salvar a economia brasileira da crise internacional, como afirmou o ministro Guido Mantega.
O lado positivo é que ele prioriza os subsídios para os mais pobres. Isso vai declinando de acordo com o aumento da renda. Se é para gastar dinheiro público, que seja com quem precisa mais e não consegue financiar a casa própria.
Por outro lado, a melhor forma para fazer subsídio é deixando claro exatamente quanto a sociedade está gastando. Isso deve ser inserido no orçamento. Quando é feito pelo fundo de garantia, como foi feito agora, é meio nebuloso, todo mundo fica sem saber quanto se está gastando.
E é bom lembrar que o desemprego está em tendência de alta. Isso significa mais saques no fundo do FGTS. E essa é a prioridade do fundo. Não pode toda hora ter programas tirando dinheiro de lá.
O governo também está falando hoje de liberar o saque do FGTS para imóveis de até R$ 500 mil, chegando também à classe média.
O plano é bom, mas tem alguns defeitos. Foi anunciado de forma política visando as eleições de 2010. O déficit habitacional no Brasil é calamitoso e se o assunto se tornar alvo de disputas políticas já vai começar mal.
Outra coisa também é fato: o plano não vai salvar a economia brasileira da crise internacional, como afirmou o ministro Guido Mantega.
sábado, 21 de março de 2009
A ficha começa a cair
As pesquisas CNI/Ibope e Datafolha divulgadas ontem, convergem para um resultado muito relevante: a população “caiu na real” sobre a crise.
Até agora, o Palácio do Planalto vinha dando declarações de que a população não precisava se preocupar com a crise. Que a crise era apenas uma “marolinha” e que o Brasil não sofreria tanto com as mutações econômicas. Que a crise era a crise dos jornalistas. Em suma, querendo mostrar para a sociedade que vivíamos imune à uma crise global e com consequências globais.
Bem, para um país dentro de uma bolha realmente isso seria possível. Mas para o Brasil, país em desenvolvimento e inserido em um mundo globalizado, isso é impossível.
É verdade que estamos com uma economia mais sólida, graças ao Plano Real, mas também é verdade que o desempenho do sistema econômico mundial entrou em colapso. E até as coisas entrarem nos eixos novamente, vai demorar.
Diante disso, é claro que qualquer pesquisa realizada neste instante demonstrará algum tipo de reflexão real e não aquele mundo paralelo que os nobres parlamentares fingem estar.
De acordo com as pesquisas, a situação para o brasileiro está mostrando a cara e sendo sentida no bolso.
Dados divulgados em ambas as pesquisas não apresentam discrepância.
É evidente que a população está mais inserida com o tema, discutindo, formando opinião. É verificado também que o maior problema do país deixou de ser a saúde e passou a ser o desemprego. Observou-se que o número do desemprego aumentou. A compra de salário mínimo diminuiu e aumentou o risco de demissão.
Em suma, a população tomou consciência de que a crise está aí, é séria e precisa ser tratada seriamente.
Politicamente, as pesquisas revelaram que a popularidade do presidente Lula diminuiu, mas isso é normal. Entretanto, a ministra Dilma Rousseff, cotada a sucessão do presidente, está aumentado seu espaço. O governador de São Paulo, José Serra, continua sendo preferido pela população. Mas não se sabe até quando esse quadro vai continuar.
Economicamente, o mais importante agora é o governo procurar formas de cortar gastos, haja vista que já foi anunciado o corte de 21 milhões de reais no orçamento deste ano, e a perspectiva do PIB – Produto Interno Bruto – diminuiu para 2% em 2009. Mas é preciso o governo cortar ainda mais os gastos públicos, otimizar os recursos e investir em projetos que realmente desenvolvam o país.
Até agora, o Palácio do Planalto vinha dando declarações de que a população não precisava se preocupar com a crise. Que a crise era apenas uma “marolinha” e que o Brasil não sofreria tanto com as mutações econômicas. Que a crise era a crise dos jornalistas. Em suma, querendo mostrar para a sociedade que vivíamos imune à uma crise global e com consequências globais.
Bem, para um país dentro de uma bolha realmente isso seria possível. Mas para o Brasil, país em desenvolvimento e inserido em um mundo globalizado, isso é impossível.
É verdade que estamos com uma economia mais sólida, graças ao Plano Real, mas também é verdade que o desempenho do sistema econômico mundial entrou em colapso. E até as coisas entrarem nos eixos novamente, vai demorar.
Diante disso, é claro que qualquer pesquisa realizada neste instante demonstrará algum tipo de reflexão real e não aquele mundo paralelo que os nobres parlamentares fingem estar.
De acordo com as pesquisas, a situação para o brasileiro está mostrando a cara e sendo sentida no bolso.
Dados divulgados em ambas as pesquisas não apresentam discrepância.
É evidente que a população está mais inserida com o tema, discutindo, formando opinião. É verificado também que o maior problema do país deixou de ser a saúde e passou a ser o desemprego. Observou-se que o número do desemprego aumentou. A compra de salário mínimo diminuiu e aumentou o risco de demissão.
Em suma, a população tomou consciência de que a crise está aí, é séria e precisa ser tratada seriamente.
Politicamente, as pesquisas revelaram que a popularidade do presidente Lula diminuiu, mas isso é normal. Entretanto, a ministra Dilma Rousseff, cotada a sucessão do presidente, está aumentado seu espaço. O governador de São Paulo, José Serra, continua sendo preferido pela população. Mas não se sabe até quando esse quadro vai continuar.
Economicamente, o mais importante agora é o governo procurar formas de cortar gastos, haja vista que já foi anunciado o corte de 21 milhões de reais no orçamento deste ano, e a perspectiva do PIB – Produto Interno Bruto – diminuiu para 2% em 2009. Mas é preciso o governo cortar ainda mais os gastos públicos, otimizar os recursos e investir em projetos que realmente desenvolvam o país.
terça-feira, 17 de março de 2009
Bagunça geral
Acabo de saber pela CBN que o presidente do Senado, José Sarney, do PMDB pelo Amapá, determinou ao senador Heráclito Fortes, do DEM do Piauí, que comunicasse a todos os diretores do Senado que devem pôr os cargos à disposição.
São 131 diretores. Isso mesmo, CENTO E TRINTA E UM diretores.
Vale lembrar que o Senado possui 81 senadores! É 1,61 diretor por cada senador.
São 131 diretores. Isso mesmo, CENTO E TRINTA E UM diretores.
Vale lembrar que o Senado possui 81 senadores! É 1,61 diretor por cada senador.
2010 já está na rua
A campanha presidencial de 2010 já começou na internet. Os principais presidenciáveis já têm a seu favor blogs feitos por admiradores e militantes anônimos. A chefe da Casa Civil, ministra Dilma Rousseff (PT), o governador de São Paulo, José Serra (PSDB), o governador de Minas, Aécio Neves (PSDB), e o deputado Ciro Gomes (PSB-CE) têm páginas dedicadas a eles no blogspot.com. A campanha para o Palácio do Planalto já é explícita, e o Tribunal Superior Eleitoral nada pode fazer, pelo menos enquanto não for provocado - isso sem contar com as dezenas de comunidades no Orkut voltadas para estes políticos, todas com autoria de pessoas desconhecidas.
O "Blog da Dilma" reproduz notícias de jornais, além de comentários favoráveis a ela. Um dos textos diz que o blog é feito por cidadãos independentes que admiram a ministra, muitos deles sob pseudônimo. Enaltece o desempenho da ministra à frente do PAC e aproveita para atacar supostos concorrentes da ministra em 2010, dizendo que Serra e Aécio fazem propaganda antecipada com festas para o lançamento de programas de governo - por sinal, a crítica mais recorrente da oposição à ministra.
O blog que defende Serra para presidente funciona nos mesmos moldes: reproduz notícias da imprensa e ataca adversários. Aproveita para estocar Aécio: "Quem já leu os jornais mineiros fica impressionado com a absoluta falta de crítica em relação a tudo o que se relacione, direta ou indiretamente, ao governo ou ao governador". No blog, há uma enquete sobre quem deve ser vice de Serra. Aécio lidera com 31%. O senador Jarbas Vasconcelos (PMDB-PE) está em segundo lugar, com 12%.
Com produção própria de notícias, o blog em prol de Aécio ressalta feitos do governador. Não contém ataques a Serra, mas menciona que o nome do concorrente não é consenso entre os tucanos. O blog em defesa de Ciro também traz notícias do presidenciável e faz a divulgação da campanha: "Certo de suas potencialidades como candidato, o PSB colocará Ciro na linha de frente na discussão e análise sobre a preocupante crise econômica", diz um texto.
O "Blog da Dilma" reproduz notícias de jornais, além de comentários favoráveis a ela. Um dos textos diz que o blog é feito por cidadãos independentes que admiram a ministra, muitos deles sob pseudônimo. Enaltece o desempenho da ministra à frente do PAC e aproveita para atacar supostos concorrentes da ministra em 2010, dizendo que Serra e Aécio fazem propaganda antecipada com festas para o lançamento de programas de governo - por sinal, a crítica mais recorrente da oposição à ministra.
O blog que defende Serra para presidente funciona nos mesmos moldes: reproduz notícias da imprensa e ataca adversários. Aproveita para estocar Aécio: "Quem já leu os jornais mineiros fica impressionado com a absoluta falta de crítica em relação a tudo o que se relacione, direta ou indiretamente, ao governo ou ao governador". No blog, há uma enquete sobre quem deve ser vice de Serra. Aécio lidera com 31%. O senador Jarbas Vasconcelos (PMDB-PE) está em segundo lugar, com 12%.
Com produção própria de notícias, o blog em prol de Aécio ressalta feitos do governador. Não contém ataques a Serra, mas menciona que o nome do concorrente não é consenso entre os tucanos. O blog em defesa de Ciro também traz notícias do presidenciável e faz a divulgação da campanha: "Certo de suas potencialidades como candidato, o PSB colocará Ciro na linha de frente na discussão e análise sobre a preocupante crise econômica", diz um texto.
segunda-feira, 16 de março de 2009
Nepotismo de novo
Qualquer parente de servidor do Senado ou parlamentar que tenha sido contratado por empresas que prestam serviços à Casa será afastado. A determinação é do 1º secretário do Senado, Heráclito Fortes (DEM-PI). Como mostra reportagem de Adriana Vasconcelos e Luiza Damé, na edição desta segunda-feira do Globo.
Heráclito disse que já mandou identificar os parentes dos três diretores da Casa que conseguiram burlar a lei antinepotismo imposta à instituição pelo Supremo Tribunal Federal (STF), como O GLOBO revelou na edição de domingo. Estima-se que 90% dos funcionários terceirizados tenham vínculos com servidores da Casa.
Diante da nova denúncia, que arranha ainda mais a imagem da instituição, o presidente da Casa, José Sarney (PMDB-AP), será pressionado a fazer uma auditoria ou uma sindicância para investigar os contratos em vigor, abrindo o que senadores chamam de caixa-preta.
Para o presidente da Comissão de Constituição e Justiça, Demóstenes Torres (DEM-GO), se Sarney não tomar providências, o Senado corre o risco de não conseguir mais funcionar.
Lembra o post Nepotismo no Poder Legislativo .
Heráclito disse que já mandou identificar os parentes dos três diretores da Casa que conseguiram burlar a lei antinepotismo imposta à instituição pelo Supremo Tribunal Federal (STF), como O GLOBO revelou na edição de domingo. Estima-se que 90% dos funcionários terceirizados tenham vínculos com servidores da Casa.
Diante da nova denúncia, que arranha ainda mais a imagem da instituição, o presidente da Casa, José Sarney (PMDB-AP), será pressionado a fazer uma auditoria ou uma sindicância para investigar os contratos em vigor, abrindo o que senadores chamam de caixa-preta.
Para o presidente da Comissão de Constituição e Justiça, Demóstenes Torres (DEM-GO), se Sarney não tomar providências, o Senado corre o risco de não conseguir mais funcionar.
Lembra o post Nepotismo no Poder Legislativo .
sábado, 14 de março de 2009
quinta-feira, 12 de março de 2009
O Estado de São Paulo
O Comitê de Política Monetária (Copom) reduziu a Selic, a taxa básica de juros da economia, em 1,5 ponto porcentual. Com isso, o juro básico foi para 11,25% ao ano, o menor patamar da história, ainda que já tenha sido verificado em setembro de 2007. É primeira queda dessa magnitude desde 19 de novembro de 2003, quando a Selic caiu de 19% para 17,5% ao ano.
A decisão dos membros do Comitê foi unânime e não inclui viés - mudança de juro antes da próxima reunião do Copom. De acordo com comunicado divulgado ao final da reunião, o Copom "acompanhará as perspectivas para a inflação até a próxima reunião em abril". A ata desta reunião será divulgada no dia 19 de março. A próxima reunião do Copom será em 28 e 29 de abril.
"Avaliando o cenário macroeconômico, o Copom decidiu neste momento reduzir a taxa Selic para 11,25% ao ano, sem viés, por unanimidade. O Comitê acompanhará a evolução da trajetória prospectiva para a inflação até a sua próxima reunião, levando em conta a magnitude e a rapidez do ajuste da taxa básica de juros já implementado e seus efeitos cumulativos, para então definir os próximos passos na sua estratégia de política monetária", diz o comunicado divulgado após a reunião.
Perspectivas
O mercado já considerava um corte de 1,5 ponto como projeção conservadora. O resultado do Produto Interno Bruto (PIB) do quarto trimestre do ano passado, que caiu 3,6%, mais do que o esperado, aumentou a expectativa de uma redução significativa dos juros.
Nesta quarta, favoreceu este movimento a deflação de 0,45% do Índice Geral dos Preços de Mercado (IGP-M) na primeira prévia do mês, pior do que a mediana das previsões dos analistas (-0,13%) e inversa ao resultado positivo de 0,42% de igual prévia em fevereiro.
O índice endossou a percepção de que a inflação não representa empecilho para o afrouxamento da política monetária, embora o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de fevereiro, de 0,55%, tenha acelerado em relação a janeiro (0,48%), mas não surpreendeu porque veio em linha com a mediana da pesquisa AE Projeções.
Antes da decisão do Copom, de um grupo de 60 instituições consultadas, 13 mantiveram-se com a estimativa de corte de 1 ponto porcentual e algumas (três casas) arriscaram aposta mais agressiva, de 2 ponto porcentual. A maioria das previsões, no entanto, estava concentrada na redução de 1,5 ponto porcentual. Tem ainda três instituições que cederam aos fatos e elevaram as apostas, mas com menos intensidade, para 1,25 ponto.
A reação ao Copom deve dominar o mercado amanhã e pode ser potencializada pelo anúncio do Sinalizador da Produção Industrial (SPI) de São Paulo, da FGV, referente a fevereiro. Ainda, a Confederação Nacional da Indústria (CNI) divulga, às 15 horas, o resultado de uma Consulta Empresarial sobre os efeitos da crise econômica sobre a indústria brasileira.
Conheça os integrantes do Copom
Mário Mesquita (diretor de Política Econômica) - É o expoente da ala mais ortodoxa do Copom, que não admite correr risco de falha no cumprimento da meta de inflação, ainda que isso implique em sacrifícios maiores de atividade econômica. É dos que se sentem bastante desconfortáveis quando a inflação está mais distante do centro da meta, ainda que dentro da banda de tolerância.
Mário Torós (diretor de Política Monetária) - Também compõe o grupo dos ortodoxos, embora tenha perfil menos formulador e mais operacional do que Mesquita. Tem sido o braço armado da diretoria do BC no esforço de estabilização do mercado de câmbio.
Alexandre Tombini (diretor de Normas) - É o expoente do grupo que, sem abandonar a atenção com a inflação, conserva uma preocupação com a busca do maior crescimento possível. Foi o primeiro integrante da diretoria do BC a, nos bastidores do governo, demonstrar preocupação com a perda de vitalidade da economia e a enxergar que os riscos inflacionários futuros, diante dessa situação, diminuíam, abrindo espaço para queda nos juros. É o favorito da área técnica do ministério da Fazenda para suceder o presidente do BC, Henrique Meirelles, quando este deixar o banco para ser candidato a um cargo público.
Gustavo do Vale (diretor de Liquidações e Desestatizações) - Faz parte do grupo dos "técnicos", aqueles que estão menos envolvidos com a formulação macroeconômica e tendem a se posicionar mais conforme o andamento das discussões nos encontros do Copom.
Anthero Meirelles (Administração), Maria Celina Arraes (Internacional) e Alvir Hoffman (Fiscalização) completam o time dos diretores técnicos, cuja opinião é definida durante as discussões na reunião da diretoria colegiada.
Henrique Meirelles - O presidente do BC é o braço político do Copom. É quem faz a mediação entre os pólos do colegiado e também faz a ponte do BC com outras áreas do governo, tentando preservar a autonomia do BC e mostrar que a autoridade monetária está integrada no esforço pelo crescimento, sem colocar em risco a inflação. Hoje, cada vez mais suas ações devem ser vistas como misto de visão técnica com cálculo político. Por ser o comandante do BC tem grande poder de persuasão no colegiado.
A decisão dos membros do Comitê foi unânime e não inclui viés - mudança de juro antes da próxima reunião do Copom. De acordo com comunicado divulgado ao final da reunião, o Copom "acompanhará as perspectivas para a inflação até a próxima reunião em abril". A ata desta reunião será divulgada no dia 19 de março. A próxima reunião do Copom será em 28 e 29 de abril.
"Avaliando o cenário macroeconômico, o Copom decidiu neste momento reduzir a taxa Selic para 11,25% ao ano, sem viés, por unanimidade. O Comitê acompanhará a evolução da trajetória prospectiva para a inflação até a sua próxima reunião, levando em conta a magnitude e a rapidez do ajuste da taxa básica de juros já implementado e seus efeitos cumulativos, para então definir os próximos passos na sua estratégia de política monetária", diz o comunicado divulgado após a reunião.
Perspectivas
O mercado já considerava um corte de 1,5 ponto como projeção conservadora. O resultado do Produto Interno Bruto (PIB) do quarto trimestre do ano passado, que caiu 3,6%, mais do que o esperado, aumentou a expectativa de uma redução significativa dos juros.
Nesta quarta, favoreceu este movimento a deflação de 0,45% do Índice Geral dos Preços de Mercado (IGP-M) na primeira prévia do mês, pior do que a mediana das previsões dos analistas (-0,13%) e inversa ao resultado positivo de 0,42% de igual prévia em fevereiro.
O índice endossou a percepção de que a inflação não representa empecilho para o afrouxamento da política monetária, embora o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de fevereiro, de 0,55%, tenha acelerado em relação a janeiro (0,48%), mas não surpreendeu porque veio em linha com a mediana da pesquisa AE Projeções.
Antes da decisão do Copom, de um grupo de 60 instituições consultadas, 13 mantiveram-se com a estimativa de corte de 1 ponto porcentual e algumas (três casas) arriscaram aposta mais agressiva, de 2 ponto porcentual. A maioria das previsões, no entanto, estava concentrada na redução de 1,5 ponto porcentual. Tem ainda três instituições que cederam aos fatos e elevaram as apostas, mas com menos intensidade, para 1,25 ponto.
A reação ao Copom deve dominar o mercado amanhã e pode ser potencializada pelo anúncio do Sinalizador da Produção Industrial (SPI) de São Paulo, da FGV, referente a fevereiro. Ainda, a Confederação Nacional da Indústria (CNI) divulga, às 15 horas, o resultado de uma Consulta Empresarial sobre os efeitos da crise econômica sobre a indústria brasileira.
Conheça os integrantes do Copom
Mário Mesquita (diretor de Política Econômica) - É o expoente da ala mais ortodoxa do Copom, que não admite correr risco de falha no cumprimento da meta de inflação, ainda que isso implique em sacrifícios maiores de atividade econômica. É dos que se sentem bastante desconfortáveis quando a inflação está mais distante do centro da meta, ainda que dentro da banda de tolerância.
Mário Torós (diretor de Política Monetária) - Também compõe o grupo dos ortodoxos, embora tenha perfil menos formulador e mais operacional do que Mesquita. Tem sido o braço armado da diretoria do BC no esforço de estabilização do mercado de câmbio.
Alexandre Tombini (diretor de Normas) - É o expoente do grupo que, sem abandonar a atenção com a inflação, conserva uma preocupação com a busca do maior crescimento possível. Foi o primeiro integrante da diretoria do BC a, nos bastidores do governo, demonstrar preocupação com a perda de vitalidade da economia e a enxergar que os riscos inflacionários futuros, diante dessa situação, diminuíam, abrindo espaço para queda nos juros. É o favorito da área técnica do ministério da Fazenda para suceder o presidente do BC, Henrique Meirelles, quando este deixar o banco para ser candidato a um cargo público.
Gustavo do Vale (diretor de Liquidações e Desestatizações) - Faz parte do grupo dos "técnicos", aqueles que estão menos envolvidos com a formulação macroeconômica e tendem a se posicionar mais conforme o andamento das discussões nos encontros do Copom.
Anthero Meirelles (Administração), Maria Celina Arraes (Internacional) e Alvir Hoffman (Fiscalização) completam o time dos diretores técnicos, cuja opinião é definida durante as discussões na reunião da diretoria colegiada.
Henrique Meirelles - O presidente do BC é o braço político do Copom. É quem faz a mediação entre os pólos do colegiado e também faz a ponte do BC com outras áreas do governo, tentando preservar a autonomia do BC e mostrar que a autoridade monetária está integrada no esforço pelo crescimento, sem colocar em risco a inflação. Hoje, cada vez mais suas ações devem ser vistas como misto de visão técnica com cálculo político. Por ser o comandante do BC tem grande poder de persuasão no colegiado.
quarta-feira, 11 de março de 2009
Nota do COPOM
"Avaliando o cenário macroeconômico, o Copom decidiu, neste momento, reduzir a taxa Selic para 11,25% ao ano, sem viés, por unanimidade. O Comitê acompanhará a evolução da trajetória prospectiva para a inflação até sua próxima reunião, levando em conta a magnitude e a rapidez do ajuste da taxa básica de juros já implementado e seus efeitos cumulativos, para então definir os próximos passos na sua estratégia de política monetária."
terça-feira, 10 de março de 2009
PIB ruim
O resultado do PIB do 4º trimestre foi tão ruim que ofuscou a boa notícia: o país fechou o ano com crescimento de 5,1%, puxado pelo crescimento dos três primeiros trimestres: 1,6%; 1,6% e 1,7%, respectivamente.
Também houve crescimento do PIB per capta de 4%. Pode-se dizer que 2008 foi um ano em que o país começou bem mas mergulhou no final, atingido pela crise financeira internacional.
Também houve crescimento do PIB per capta de 4%. Pode-se dizer que 2008 foi um ano em que o país começou bem mas mergulhou no final, atingido pela crise financeira internacional.
sexta-feira, 6 de março de 2009
Mário Covas
domingo, 1 de março de 2009
O gesto e a palavra
Fernando Henrique Cardoso
Andou na moda falar de decoupling para dizer, em simples português, descolamento entre a economia brasileira e a internacional. Os efeitos da crise em nossa economia fizeram o termo sair de moda. Foi substituído por termo mais terno, "marolinha". Com o bicho-papão corroendo o mercado financeiro lá fora (na verdade, o sistema financeiro central quebrou) há certo aturdimento.
Não se sabe com que palavras qualificar o que anda pelo mundo: recessão prolongada, depressão, fim do unilateralismo americano na política, multipolaridade, não-polaridade, etc. Por aqui o governo prefere passar em marcha batida sobre o que nos azucrina. Em vez de desenhar quadros sombrios ou róseos para o mercado, faz o decoupling à moda brasileira: descola a economia da política, precipita o debate eleitoral e, nele, vale o discurso vazio.
É verdade que não somos os únicos a encobrir as angústias apelando para gestos sem conotação, sequer alusiva, aos fatos e circunstâncias. Basta mencionar a campanha bolivariana pela reeleição perpétua, uma quase-caricatura da política. O significado da democracia se esboroou na "consulta popular". Se o povo quer o bem-amado para sempre, pois que o tenha e, como disse nosso presidente Lula, se a prática ainda não é boa para o Brasil, é questão de tempo. Quando a cidadania amadurecer, encontrará a fórmula de felicidade perpétua...
Assisti na TV, por acaso, ao último comício eleitoral do presidente Chávez em Caracas e, confesso, fascinei-me. Ele chegou, simpático como sempre, um pouco mais gordo que o habitual, vestindo camisa-de-meia vermelha, abraçando toda a gente, sorrindo, e foi direto ao ponto. "Hoje não falarei muito, vamos cantar!", disse. E entoou uma canção amorosa de melodia fácil, repetindo o refrão "amor, amor, amor..." Conversou com um ou outro no palanque, incitando-os a também cantar, falou familiarmente com a plateia e finalizou: amor é votar sim no domingo! Por mais que no plano pessoal possa sentir até estima pelo personagem, não pude deixar de reconhecer no estilo algo que nos é habitual: o modelo Chacrinha de animação de auditório. Funciona, e como!
O descolamento entre a política e a realidade das pessoas (não só a economia), a repetição simbólica de gestos que guardam pouca relação com um ambiente racional, mas "ligam" o ator com a plateia e com a "sociedade", está se tornando regra nas atuais democracias de massas. Há algo de encantatório no modo como a política do gesto sem palavras (ou em que as palavras contam menos do que a forma) funciona, substituindo o discurso tradicional.
Quando me recordo do "sangue, suor e lágrimas" dito por Churchill ao se tornar primeiro-ministro em plena guerra contra o nazismo, do discurso em Fulton, quando disse que uma "cortina de ferro descia sobre a Europa", ou de vários pronunciamentos de Roosevelt, como o de posse em plena Depressão, célebre pela frase "nada há a temer, exceto o próprio medo", ou ainda de Getúlio Vargas no estádio do Vasco da Gama apelando aos trabalhadores, e comparo com a retórica atual, há um abismo a separá-los.
E não se diga que é fenômeno de países de "democracia pouco amadurecida". A entronização de Obama como imperador de todos os americanos, na magnífica posse no Capitólio, assemelhava-se a uma grande cena romana. O cenário era tão expressivo, a fusão simbólica do recém-eleito com os founding fathers e com os valores fundamentais da democracia americana eram tão fortes que obscureceram o conteúdo do discurso inaugural. E isso no caso de alguém que, por sua cor e mesmo por sua campanha, trouxe um significado imenso de renovação.
Ainda na semana passada, na primeira visita presidencial ao Congresso, o que foi dito sobre a crise econômica e sobre o futuro foi menos importante do que o reafirmar o "yes, we can", num cenário da pátria unida para perpetuar sua glória. Mesmo que o castelo financeiro esteja desabando, a América vencerá, era a mensagem. No caso, nada que ver com Chacrinha, o símile é outro: a invocação do pastor, a reafirmação da fé, e não a troca simbólica de favores, do bacalhau, da Bolsa-Família ou da canção de amor.
Faço estes comentários despretensiosos porque me preocupa o que possa vir a ocorrer no Brasil. A mídia e a sociedade cobram um discurso de oposição. Diz-se, e é certo, que ela deve unir-se se quiser vencer. Mas que discurso fazer? O racional, da crítica ao desmanche das instituições, do enlameamento cotidiano da política, deveria ganhar mais vigor, dizem. O grito de Jarbas Vasconcelos estava parado no ar e sua entrevista na Veja deu-lhe um sopro de vida. Mas foi o próprio senador quem mostrou os limites desse tipo de protesto: o governo e o próprio presidente banalizaram o dá-cá-toma-lá. É como nos computadores, quando se envia um e-mail e surge o aviso: a caixa está cheia. A caixa da revolta dos brasileiros contra o mau uso da política parece estar cheia. Temo que qualquer discurso "político" seja logo desqualificado pelos ouvintes.
Quer isso dizer que as oposições devem silenciar sobre a perda de substância das instituições, sobre o clientelismo e a corrupção larvar, tudo com a leniência de quem manda? Não. Mas precisam inventar uma maneira de comunicar a indignação e as críticas que toque na alma das pessoas. Este é o enigma da mensagem política, de governo ou de oposição. Tanto o modelo Chacrinha como o do discurso de pregador chegam à alma das pessoas. Não estou dizendo que a comunicação política se resolve pela supressão do discurso analítico. Isso seria rendermo-nos à ideia da política como mistificação (o que, aliás, não é o caso de Obama). Mas quando se dispõe de um ícone, como o Plano Real, por exemplo, ou quando o próprio candidato é um ícone, tudo fica mais fácil.
Em nosso caso, as oposições, além de articularem um discurso programático, condição necessária para quem se respeita e acredita nas instituições, deverão expressá-lo de forma a sensibilizar o eleitorado. Para tal não bastam a crítica convencional e a discussão da política, tal como ela ocorre no Congresso, nos partidos e na mídia. É preciso buscar os temas da vida que interessem ao povo. Ademais, a comunicação emotiva requer "fulanizar" a disputa para atribuir ao candidato virtudes que despertem o entusiasmo e a crença. Sem eles, a "caixa de entrada" das mensagens da sociedade continuará a dar o sinal de estar cheia e os ouvidos continuarão moucos aos conteúdos, por melhores que sejam. Pior ainda se não os tivermos. Mas só eles não bastam. Programa político só mobiliza a sociedade quando é vivido por intermédio do desempenho de personagens que tratam como próprias as questões sentidas pelo povo.
Fernando Henrique Cardoso, sociólogo, foi presidente da República
Andou na moda falar de decoupling para dizer, em simples português, descolamento entre a economia brasileira e a internacional. Os efeitos da crise em nossa economia fizeram o termo sair de moda. Foi substituído por termo mais terno, "marolinha". Com o bicho-papão corroendo o mercado financeiro lá fora (na verdade, o sistema financeiro central quebrou) há certo aturdimento.
Não se sabe com que palavras qualificar o que anda pelo mundo: recessão prolongada, depressão, fim do unilateralismo americano na política, multipolaridade, não-polaridade, etc. Por aqui o governo prefere passar em marcha batida sobre o que nos azucrina. Em vez de desenhar quadros sombrios ou róseos para o mercado, faz o decoupling à moda brasileira: descola a economia da política, precipita o debate eleitoral e, nele, vale o discurso vazio.
É verdade que não somos os únicos a encobrir as angústias apelando para gestos sem conotação, sequer alusiva, aos fatos e circunstâncias. Basta mencionar a campanha bolivariana pela reeleição perpétua, uma quase-caricatura da política. O significado da democracia se esboroou na "consulta popular". Se o povo quer o bem-amado para sempre, pois que o tenha e, como disse nosso presidente Lula, se a prática ainda não é boa para o Brasil, é questão de tempo. Quando a cidadania amadurecer, encontrará a fórmula de felicidade perpétua...
Assisti na TV, por acaso, ao último comício eleitoral do presidente Chávez em Caracas e, confesso, fascinei-me. Ele chegou, simpático como sempre, um pouco mais gordo que o habitual, vestindo camisa-de-meia vermelha, abraçando toda a gente, sorrindo, e foi direto ao ponto. "Hoje não falarei muito, vamos cantar!", disse. E entoou uma canção amorosa de melodia fácil, repetindo o refrão "amor, amor, amor..." Conversou com um ou outro no palanque, incitando-os a também cantar, falou familiarmente com a plateia e finalizou: amor é votar sim no domingo! Por mais que no plano pessoal possa sentir até estima pelo personagem, não pude deixar de reconhecer no estilo algo que nos é habitual: o modelo Chacrinha de animação de auditório. Funciona, e como!
O descolamento entre a política e a realidade das pessoas (não só a economia), a repetição simbólica de gestos que guardam pouca relação com um ambiente racional, mas "ligam" o ator com a plateia e com a "sociedade", está se tornando regra nas atuais democracias de massas. Há algo de encantatório no modo como a política do gesto sem palavras (ou em que as palavras contam menos do que a forma) funciona, substituindo o discurso tradicional.
Quando me recordo do "sangue, suor e lágrimas" dito por Churchill ao se tornar primeiro-ministro em plena guerra contra o nazismo, do discurso em Fulton, quando disse que uma "cortina de ferro descia sobre a Europa", ou de vários pronunciamentos de Roosevelt, como o de posse em plena Depressão, célebre pela frase "nada há a temer, exceto o próprio medo", ou ainda de Getúlio Vargas no estádio do Vasco da Gama apelando aos trabalhadores, e comparo com a retórica atual, há um abismo a separá-los.
E não se diga que é fenômeno de países de "democracia pouco amadurecida". A entronização de Obama como imperador de todos os americanos, na magnífica posse no Capitólio, assemelhava-se a uma grande cena romana. O cenário era tão expressivo, a fusão simbólica do recém-eleito com os founding fathers e com os valores fundamentais da democracia americana eram tão fortes que obscureceram o conteúdo do discurso inaugural. E isso no caso de alguém que, por sua cor e mesmo por sua campanha, trouxe um significado imenso de renovação.
Ainda na semana passada, na primeira visita presidencial ao Congresso, o que foi dito sobre a crise econômica e sobre o futuro foi menos importante do que o reafirmar o "yes, we can", num cenário da pátria unida para perpetuar sua glória. Mesmo que o castelo financeiro esteja desabando, a América vencerá, era a mensagem. No caso, nada que ver com Chacrinha, o símile é outro: a invocação do pastor, a reafirmação da fé, e não a troca simbólica de favores, do bacalhau, da Bolsa-Família ou da canção de amor.
Faço estes comentários despretensiosos porque me preocupa o que possa vir a ocorrer no Brasil. A mídia e a sociedade cobram um discurso de oposição. Diz-se, e é certo, que ela deve unir-se se quiser vencer. Mas que discurso fazer? O racional, da crítica ao desmanche das instituições, do enlameamento cotidiano da política, deveria ganhar mais vigor, dizem. O grito de Jarbas Vasconcelos estava parado no ar e sua entrevista na Veja deu-lhe um sopro de vida. Mas foi o próprio senador quem mostrou os limites desse tipo de protesto: o governo e o próprio presidente banalizaram o dá-cá-toma-lá. É como nos computadores, quando se envia um e-mail e surge o aviso: a caixa está cheia. A caixa da revolta dos brasileiros contra o mau uso da política parece estar cheia. Temo que qualquer discurso "político" seja logo desqualificado pelos ouvintes.
Quer isso dizer que as oposições devem silenciar sobre a perda de substância das instituições, sobre o clientelismo e a corrupção larvar, tudo com a leniência de quem manda? Não. Mas precisam inventar uma maneira de comunicar a indignação e as críticas que toque na alma das pessoas. Este é o enigma da mensagem política, de governo ou de oposição. Tanto o modelo Chacrinha como o do discurso de pregador chegam à alma das pessoas. Não estou dizendo que a comunicação política se resolve pela supressão do discurso analítico. Isso seria rendermo-nos à ideia da política como mistificação (o que, aliás, não é o caso de Obama). Mas quando se dispõe de um ícone, como o Plano Real, por exemplo, ou quando o próprio candidato é um ícone, tudo fica mais fácil.
Em nosso caso, as oposições, além de articularem um discurso programático, condição necessária para quem se respeita e acredita nas instituições, deverão expressá-lo de forma a sensibilizar o eleitorado. Para tal não bastam a crítica convencional e a discussão da política, tal como ela ocorre no Congresso, nos partidos e na mídia. É preciso buscar os temas da vida que interessem ao povo. Ademais, a comunicação emotiva requer "fulanizar" a disputa para atribuir ao candidato virtudes que despertem o entusiasmo e a crença. Sem eles, a "caixa de entrada" das mensagens da sociedade continuará a dar o sinal de estar cheia e os ouvidos continuarão moucos aos conteúdos, por melhores que sejam. Pior ainda se não os tivermos. Mas só eles não bastam. Programa político só mobiliza a sociedade quando é vivido por intermédio do desempenho de personagens que tratam como próprias as questões sentidas pelo povo.
Fernando Henrique Cardoso, sociólogo, foi presidente da República
Parabéns ao Rio de Janeiro!!!

Parabéns à leal e heróica cidade de São Sebastião do Rio de Janeiro, fundada por Estácio de Sá em 1º de março de 1565.
Isso mesmo!
O Rio de Janeiro completa hoje 444 anos, de pura travessura.
São 444 anos, mas num corpinho de 200!
É um milagre de sobrevivência o Rio, se pensarmos na sucessão de governantes locais (convém lembrar do César Maia) e nacionais que odeiam a cidade e tudo fizeram e ainda fazem para destruí-la.
Mas ela resiste.
Grande Rio de Janeiro!
sexta-feira, 27 de fevereiro de 2009
quarta-feira, 25 de fevereiro de 2009
Rio de Janeiro: 444 anos de história

O Rio completa 444 anos, cidade de muita hospitalidade. Além de ser dos cariocas, é também dos fluminenses, gaúchos, potiguares, baianos, paulistas, franceses, italianos. Em suma, um caldeirão de gostos, raças e culturas que acolhe a todos e a todas de qualquer região do país, uma cidade recheada de estrangeiros que se sentem em casa.
Um Rio de todos nós!!!
terça-feira, 24 de fevereiro de 2009
segunda-feira, 23 de fevereiro de 2009
Salvar empresas = Salvar empregos
Carlos Alberto Sardenberg
--- O pior que Lula faz é atacar as empresas: dá votos mas não empregos -
Quem já teve responsabilidades na condução de uma empresa sabe que a decisão de demitir é um dos piores momentos. Mais ainda quando a demissão não tem nada a ver com o desempenho das pessoas e decorre apenas das condições do mercado. Além da dolorosa questão pessoal tirar o salário de pessoas de bem, bons funcionários tem o lado da gestão. A demissão de grupos grandes, como está ocorrendo nestes meses, desmonta equipes e processos de produção, joga fora energia e investimentos.
A empresa, portanto, só vai à demissão quando está convencida de que o mercado não vai melhorar. Ela pode ficar algum tempo ali no fio da navalha, sem produzir lucros, desde que seja um momento passageiro. Mas não quando as projeções indicam demanda reprimida por vários trimestres.
No momento atual, há um fator que piora o quadro. Quando a crise eclodiu, o mundo vinha de um período simplesmente brilhante de crescimento. Foram vários anos de expansão forte, sem inflação, capital abundante e barato. Muitos países ganharam renda, expandiram o consumo de todos os tipos de produtos, de carnes a celulares e a aviões. Milhões de pessoas alcançaram a condição de classe média global.
Hoje é fácil dizer que havia exageros por toda parte. Naquele momento, porém, o espírito era de franco otimismo e expectativas de contínuo crescimento. E não apenas nos mercados financeiros.
Na economia real, as companhias foram à luta para atender a demanda crescente e, este o ponto, investiram pesadamente.
Mas ganharam muito dinheiro, é o que se diz. Verdade. E o que fizeram com esse dinheiro?
Pagaram impostos, por exemplo. As estatísticas globais mostram que todos os governos ganharam dinheiro e tiveram a oportunidade de devolver isso em benefícios à sociedade.
As empresas contrataram pessoas, pagaram salários crescentes, que formaram classes médias e elevaram o consumo global, cujo atendimento gerou ainda mais empregos.
As empresas remuneraram seus acionistas que, de novo, pouparam, investiram, consumiram.
E , de novo, e mais importante, as companhias investiram. As brasileiras e as do mundo todo ampliaram sua capacidade de produção.
A crise, portanto, veio em um momento em que muitas empresas estavam concluindo seus investimentos ou no meio do caminho, com recursos e, sobretudo, empréstimos já tomados.
Claro que há atitudes oportunistas de executivos que escondem erros de gestão ou demitem para tentar chantagear o governo. Mas não é a regra. O quadro é bem outro. Como houve uma forte restrição do crédito e, pois, do consumo, as companhias, na média, foram apanhadas na seguinte situação: endividamento elevado, em um ambiente, agora, de restrição do crédito, e capacidade de produção claramente acima da demanda. Ou seja, é preciso adequar receitas decrescentes a custos elevados.
Na verdade, com demissões ou sem demissões, muitas empresas não vão resistir. Se a crise for mais longa, com o consumo permanecendo baixo, muitas empresas, no mundo, não conseguirão resistir. Haverá fechamentos, fusões e incorporações, estas comandadas pelas que se mantiveram mais saudáveis, por sabedoria ou por sorte.
O governo Lula deveria ter esse quadro na cabeça quando lida com a crise. Se quer salvar empregos, precisa salvar empresas.
Isso de ficar reclamando das companhias que demitem não apenas não devolve os empregos, como piora o ambiente. Hostilizar as empresas que visivelmente passam por momentos difíceis, como a Embraer, coloca mais tensão na relação já complicada das empresas com seus trabalhadores.
Além de ser uma atitude demagógica e voltada para torcida, como costuma fazer o presidente Lula. Na CBN, o jornalista Merval Pereira observou com precisão: o presidente se vangloria dos milhões de empregos criados nos últimos anos, como se fossem seus e ataca as empresas quando há perda de empregos.
Mas as mesmas empresas que agora demitem, são as que investiram e contrataram.
Seria preciso um comportamento mais sereno e mais efetivo. O que se pode fazer para ajudar as empresas? É possível criar demanda? Por que o governo, por exemplo, não vende o Aerolula e compra mais aviões da Embraer?
Sem contar na óbvia questão da legislação trabalhista. Vários advogados trabalhistas estão recomendando às empresas que não façam os acordos de redução de salários e de jornada porque, dizem, são baseados numa lei frágil. Ou seja, é muito possível que as empresas venham depois a ser condenadas a pagar os salários integrais, com multas e tal.
Uma lei que ampliasse o espaço seguro de negociação entre empresas e trabalhadores certamente economizaria empregos.
Nos EUA
Consideram a propósito o caso da GM. O governo Obama estuda emprestar mais US$ 12,6 bilhões para a GM demitir 26 mil trabalhadores nos EUA. Seriam US$ 484 mil que a companhia receberia por emprego destruído. Por que o governo Obama não determina que a empresa não pode demitir se receber dinheiro público?
A GM perde dinheiro todos os dias. Não se salvará se não conseguir uma brutal redução de custos. Precisa fechar fábricas, operar com menos marcas e.... reduzir o número de trabalhadores, para continuar operando.
Assim, o governo Obama, emprestando para a GM, estaria, na verdade, comprando empregos. Sem a ajuda federal, a GM vai à falência, circunstância em que o encolhimento da empresa e a destruição de empregos serão devastadoras.
Com o dinheiro do contribuinte americano e mais um tanto dos contribuintes de outros países onde tem fábricas a GM acredita que se estabiliza com 200 mil trabalhadores pelo mundo. Empregos salvos.
É politicamente difícil, mas aí é que aparecem os grandes governantes.
Publicado em O Estado de S.Paulo, 23 de fevereiro de 2009
--- O pior que Lula faz é atacar as empresas: dá votos mas não empregos -
Quem já teve responsabilidades na condução de uma empresa sabe que a decisão de demitir é um dos piores momentos. Mais ainda quando a demissão não tem nada a ver com o desempenho das pessoas e decorre apenas das condições do mercado. Além da dolorosa questão pessoal tirar o salário de pessoas de bem, bons funcionários tem o lado da gestão. A demissão de grupos grandes, como está ocorrendo nestes meses, desmonta equipes e processos de produção, joga fora energia e investimentos.
A empresa, portanto, só vai à demissão quando está convencida de que o mercado não vai melhorar. Ela pode ficar algum tempo ali no fio da navalha, sem produzir lucros, desde que seja um momento passageiro. Mas não quando as projeções indicam demanda reprimida por vários trimestres.
No momento atual, há um fator que piora o quadro. Quando a crise eclodiu, o mundo vinha de um período simplesmente brilhante de crescimento. Foram vários anos de expansão forte, sem inflação, capital abundante e barato. Muitos países ganharam renda, expandiram o consumo de todos os tipos de produtos, de carnes a celulares e a aviões. Milhões de pessoas alcançaram a condição de classe média global.
Hoje é fácil dizer que havia exageros por toda parte. Naquele momento, porém, o espírito era de franco otimismo e expectativas de contínuo crescimento. E não apenas nos mercados financeiros.
Na economia real, as companhias foram à luta para atender a demanda crescente e, este o ponto, investiram pesadamente.
Mas ganharam muito dinheiro, é o que se diz. Verdade. E o que fizeram com esse dinheiro?
Pagaram impostos, por exemplo. As estatísticas globais mostram que todos os governos ganharam dinheiro e tiveram a oportunidade de devolver isso em benefícios à sociedade.
As empresas contrataram pessoas, pagaram salários crescentes, que formaram classes médias e elevaram o consumo global, cujo atendimento gerou ainda mais empregos.
As empresas remuneraram seus acionistas que, de novo, pouparam, investiram, consumiram.
E , de novo, e mais importante, as companhias investiram. As brasileiras e as do mundo todo ampliaram sua capacidade de produção.
A crise, portanto, veio em um momento em que muitas empresas estavam concluindo seus investimentos ou no meio do caminho, com recursos e, sobretudo, empréstimos já tomados.
Claro que há atitudes oportunistas de executivos que escondem erros de gestão ou demitem para tentar chantagear o governo. Mas não é a regra. O quadro é bem outro. Como houve uma forte restrição do crédito e, pois, do consumo, as companhias, na média, foram apanhadas na seguinte situação: endividamento elevado, em um ambiente, agora, de restrição do crédito, e capacidade de produção claramente acima da demanda. Ou seja, é preciso adequar receitas decrescentes a custos elevados.
Na verdade, com demissões ou sem demissões, muitas empresas não vão resistir. Se a crise for mais longa, com o consumo permanecendo baixo, muitas empresas, no mundo, não conseguirão resistir. Haverá fechamentos, fusões e incorporações, estas comandadas pelas que se mantiveram mais saudáveis, por sabedoria ou por sorte.
O governo Lula deveria ter esse quadro na cabeça quando lida com a crise. Se quer salvar empregos, precisa salvar empresas.
Isso de ficar reclamando das companhias que demitem não apenas não devolve os empregos, como piora o ambiente. Hostilizar as empresas que visivelmente passam por momentos difíceis, como a Embraer, coloca mais tensão na relação já complicada das empresas com seus trabalhadores.
Além de ser uma atitude demagógica e voltada para torcida, como costuma fazer o presidente Lula. Na CBN, o jornalista Merval Pereira observou com precisão: o presidente se vangloria dos milhões de empregos criados nos últimos anos, como se fossem seus e ataca as empresas quando há perda de empregos.
Mas as mesmas empresas que agora demitem, são as que investiram e contrataram.
Seria preciso um comportamento mais sereno e mais efetivo. O que se pode fazer para ajudar as empresas? É possível criar demanda? Por que o governo, por exemplo, não vende o Aerolula e compra mais aviões da Embraer?
Sem contar na óbvia questão da legislação trabalhista. Vários advogados trabalhistas estão recomendando às empresas que não façam os acordos de redução de salários e de jornada porque, dizem, são baseados numa lei frágil. Ou seja, é muito possível que as empresas venham depois a ser condenadas a pagar os salários integrais, com multas e tal.
Uma lei que ampliasse o espaço seguro de negociação entre empresas e trabalhadores certamente economizaria empregos.
Nos EUA
Consideram a propósito o caso da GM. O governo Obama estuda emprestar mais US$ 12,6 bilhões para a GM demitir 26 mil trabalhadores nos EUA. Seriam US$ 484 mil que a companhia receberia por emprego destruído. Por que o governo Obama não determina que a empresa não pode demitir se receber dinheiro público?
A GM perde dinheiro todos os dias. Não se salvará se não conseguir uma brutal redução de custos. Precisa fechar fábricas, operar com menos marcas e.... reduzir o número de trabalhadores, para continuar operando.
Assim, o governo Obama, emprestando para a GM, estaria, na verdade, comprando empregos. Sem a ajuda federal, a GM vai à falência, circunstância em que o encolhimento da empresa e a destruição de empregos serão devastadoras.
Com o dinheiro do contribuinte americano e mais um tanto dos contribuintes de outros países onde tem fábricas a GM acredita que se estabiliza com 200 mil trabalhadores pelo mundo. Empregos salvos.
É politicamente difícil, mas aí é que aparecem os grandes governantes.
Publicado em O Estado de S.Paulo, 23 de fevereiro de 2009
sábado, 21 de fevereiro de 2009
sexta-feira, 20 de fevereiro de 2009
quinta-feira, 19 de fevereiro de 2009
Espaço Aberto
Gustavo Franco defende juros de um dígito.
O ex-presidente do Banco Central Gustavo franco concedeu uma entrevista a Míriam Leitão, hoje para o Espaço Aberto da Globonews.
Ele disse que quem apostou que a crise seria muito forte no Brasil e cortou muito a produção, errou. E agora está voltando a produzir.
Mostrou também o quanto o Brasil viveu antecipadamente alguns problemas vividos agora pelos Estados Unidos.
Ele disse que os juros brasileiros poderiam ir para um dígito.
Quem quiser conferir estas e outras informações, a entrevista vai ao ar hoje às 21h30m na Globonews.
O ex-presidente do Banco Central Gustavo franco concedeu uma entrevista a Míriam Leitão, hoje para o Espaço Aberto da Globonews.
Ele disse que quem apostou que a crise seria muito forte no Brasil e cortou muito a produção, errou. E agora está voltando a produzir.
Mostrou também o quanto o Brasil viveu antecipadamente alguns problemas vividos agora pelos Estados Unidos.
Ele disse que os juros brasileiros poderiam ir para um dígito.
Quem quiser conferir estas e outras informações, a entrevista vai ao ar hoje às 21h30m na Globonews.
quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009
Resultado do Troféu Mulher Imprensa

"Troféu Mulher Imprensa" divulga as vencedoras de sua quinta edição
Por Thaís Naldoni/Redação Portal IMPRENSA
Nesta quarta-feira (18), o "Troféu Mulher Imprensa" - realizado pela revista e portal IMPRENSA, com apoio de Maxpress e Aberje - divulgou as vencedoras de sua quinta edição. A primeira fase do prêmio consistiu em um colégio eleitoral no qual jornalistas de todo o Brasil indicaram, por livre escolha, as mulheres que tiveram mais destaque em 2008, em cada uma das categorias listadas.
Neste ano, o troféu premia 13 categorias. Doze delas estiveram por um mês - de 15/01 a 15/02 - abertas à votação popular. Já a 13ª é especial, na qual a redação da revista e do portal IMPRENSA, a Aberje e o Maxpress, escolherão uma jornalista para ser homenageada. Seu nome será revelado apenas na festa de entrega dos troféus comemorativos.
Nesta edição, o prêmio superou a marca de 27 mil votos, sendo que cada e-mail cadastrado pôde votar apenas uma vez em cada categoria. Os votos só foram validados depois que o votante ratificou sua escolha, clicando em link de confirmação enviado ao e-mail de cadastro. Votos não confirmados não foram validados.
No mês de março, as vencedoras serão perfiladas em matéria especial na revista IMPRENSA. Já no Portal IMPRENSA, entrevistas serão publicadas com cada um das vencedoras no decorrer do mês.
A entrega dos troféus será realizada em festa, no próximo dia 09 de março, no Bar Brahma, em São Paulo (SP). Abaixo, conheça as vencedoras da quinta edição do "Troféu Mulher IMPRENSA".
Categoria 1 - Âncora de rádio
1º - Roxane Ré (ex-CBN) - 32,07 %
2º - Lúcia Hippolito (CBN) - 29,57 %
3º - Fabíola Cidral (CBN) - 15,78 %
Categoria 2 - Âncora de telejornal
1º - Sandra Annenberg ("Jornal Hoje"/TV Globo) - 23,61 %
2º - Renata Vasconcellos ("Bom Dia Brasil"/TV Globo) - 16,11 %
3º - Fátima Bernardes ("Jornal Nacional"/TV Globo) - 15,37 %
Categoria 3 - Repórter de jornal
1º - Karen Viscardi (Jornal do Comércio/RS) - 28,18%
2º - Claudia Colucci (Folha de S.Paulo) - 25,91 %
3º - Renata Cafardo (O Estado de S. Paulo) - 18,66 %
Categoria 4 - Repórter de rádio
1º - Roseann Kennedy (CBN) - 34,44 %
2º - Carolina Ercolin (Rádio Bandeirantes) - 23,71 %
3º - Cátia Toffoletto (CBN) - 17,28 %
Categoria 5 - Repórter de revista
1º - Eliane Brum (Época) - 26,75 %
2º - Daniela Pinheiro (Piauí) - 22,68 %
3º - Malu Gaspar (Exame) - 16,54 %
Categoria 6 - Repórter de site de notícias
1º - Gabriela Guerreiro (Folha Online) - 36,91%
2º - Azelma Rodrigues (Valor Online) - 25,22%
3º - Renata Giraldi - (Folha Online) - 14,77%
Categoria 7 - Repórter de telejornal
1º - Sônia Blota (Band) - 30,64%
2º - Zileide Silva (TV Globo) - 25,98%
3º - Sônia Bridi (TV Globo) - 18,20%
Categoria 8 - Repórter fotográfica de jornal ou revista
1º - Simone Marinho (O Globo) - 24,59 %
2º - Ana Araújo (Veja) - 16,56 %
3º - Marlene Bergamo (Folha de S.Paulo) - 16,30 %
Categoria 9 - Colunista de jornalismo impresso
1º - Miriam Leitão (O Globo) - 25,79 % (preferida pelo blog)
2º - Mônica Bergamo (Folha de S.Paulo) - 20,86 %
2º - Dora Kramer - (O Estado de S. Paulo) - 20,86 %
4º - Cláudia Safatle (Valor Econômico) - 14,61 %
Categoria 10 - Comentarista ou colunista de rádio
1º - Lúcia Hippolito (CBN) - 40,12 % (preferida pelo blog)
2º - Mara Luquet (CBN) - 15,95 %
3º - Mônica Bergamo (BandNews) - 15,01 %
Categoria 11 - Diretora ou editora de redação (qualquer mídia)
1º - Mariza Tavares (CBN) - 32,44 % (preferida pelo blog)
2º - Ruth de Aquino (Época) - 18,32 %
3º - Eleonora de Lucena (Folha de S.Paulo) - 18,21 %
Categoria 12 - Assessora de Imprensa
1º - Eliana Araújo (Ministério do Planejamento) - 35,03 %
2º - Janine Saponara (Lead Assessoria) - 22,70 %
3º - Luciana Gurgel (Publicom) - 16,35 %
Por Thaís Naldoni/Redação Portal IMPRENSA
Nesta quarta-feira (18), o "Troféu Mulher Imprensa" - realizado pela revista e portal IMPRENSA, com apoio de Maxpress e Aberje - divulgou as vencedoras de sua quinta edição. A primeira fase do prêmio consistiu em um colégio eleitoral no qual jornalistas de todo o Brasil indicaram, por livre escolha, as mulheres que tiveram mais destaque em 2008, em cada uma das categorias listadas.
Neste ano, o troféu premia 13 categorias. Doze delas estiveram por um mês - de 15/01 a 15/02 - abertas à votação popular. Já a 13ª é especial, na qual a redação da revista e do portal IMPRENSA, a Aberje e o Maxpress, escolherão uma jornalista para ser homenageada. Seu nome será revelado apenas na festa de entrega dos troféus comemorativos.
Nesta edição, o prêmio superou a marca de 27 mil votos, sendo que cada e-mail cadastrado pôde votar apenas uma vez em cada categoria. Os votos só foram validados depois que o votante ratificou sua escolha, clicando em link de confirmação enviado ao e-mail de cadastro. Votos não confirmados não foram validados.
No mês de março, as vencedoras serão perfiladas em matéria especial na revista IMPRENSA. Já no Portal IMPRENSA, entrevistas serão publicadas com cada um das vencedoras no decorrer do mês.
A entrega dos troféus será realizada em festa, no próximo dia 09 de março, no Bar Brahma, em São Paulo (SP). Abaixo, conheça as vencedoras da quinta edição do "Troféu Mulher IMPRENSA".
Categoria 1 - Âncora de rádio
1º - Roxane Ré (ex-CBN) - 32,07 %
2º - Lúcia Hippolito (CBN) - 29,57 %
3º - Fabíola Cidral (CBN) - 15,78 %
Categoria 2 - Âncora de telejornal
1º - Sandra Annenberg ("Jornal Hoje"/TV Globo) - 23,61 %
2º - Renata Vasconcellos ("Bom Dia Brasil"/TV Globo) - 16,11 %
3º - Fátima Bernardes ("Jornal Nacional"/TV Globo) - 15,37 %
Categoria 3 - Repórter de jornal
1º - Karen Viscardi (Jornal do Comércio/RS) - 28,18%
2º - Claudia Colucci (Folha de S.Paulo) - 25,91 %
3º - Renata Cafardo (O Estado de S. Paulo) - 18,66 %
Categoria 4 - Repórter de rádio
1º - Roseann Kennedy (CBN) - 34,44 %
2º - Carolina Ercolin (Rádio Bandeirantes) - 23,71 %
3º - Cátia Toffoletto (CBN) - 17,28 %
Categoria 5 - Repórter de revista
1º - Eliane Brum (Época) - 26,75 %
2º - Daniela Pinheiro (Piauí) - 22,68 %
3º - Malu Gaspar (Exame) - 16,54 %
Categoria 6 - Repórter de site de notícias
1º - Gabriela Guerreiro (Folha Online) - 36,91%
2º - Azelma Rodrigues (Valor Online) - 25,22%
3º - Renata Giraldi - (Folha Online) - 14,77%
Categoria 7 - Repórter de telejornal
1º - Sônia Blota (Band) - 30,64%
2º - Zileide Silva (TV Globo) - 25,98%
3º - Sônia Bridi (TV Globo) - 18,20%
Categoria 8 - Repórter fotográfica de jornal ou revista
1º - Simone Marinho (O Globo) - 24,59 %
2º - Ana Araújo (Veja) - 16,56 %
3º - Marlene Bergamo (Folha de S.Paulo) - 16,30 %
Categoria 9 - Colunista de jornalismo impresso
1º - Miriam Leitão (O Globo) - 25,79 % (preferida pelo blog)
2º - Mônica Bergamo (Folha de S.Paulo) - 20,86 %
2º - Dora Kramer - (O Estado de S. Paulo) - 20,86 %
4º - Cláudia Safatle (Valor Econômico) - 14,61 %
Categoria 10 - Comentarista ou colunista de rádio
1º - Lúcia Hippolito (CBN) - 40,12 % (preferida pelo blog)
2º - Mara Luquet (CBN) - 15,95 %
3º - Mônica Bergamo (BandNews) - 15,01 %
Categoria 11 - Diretora ou editora de redação (qualquer mídia)
1º - Mariza Tavares (CBN) - 32,44 % (preferida pelo blog)
2º - Ruth de Aquino (Época) - 18,32 %
3º - Eleonora de Lucena (Folha de S.Paulo) - 18,21 %
Categoria 12 - Assessora de Imprensa
1º - Eliana Araújo (Ministério do Planejamento) - 35,03 %
2º - Janine Saponara (Lead Assessoria) - 22,70 %
3º - Luciana Gurgel (Publicom) - 16,35 %
terça-feira, 17 de fevereiro de 2009
Hoje é dia de alegria!!!!
Feliz Aniversário, Pai !!!
Hoje é um dia especial,
não só porque é o seu aniversário,
mas principalmente porque
você merece essa homenagem, pai.
Sabe, pensando bem,
eu deveria fazer um levantamento
de todas as noites que você não dormiu,
preocupado com a minha saúde,
deveria levantar também,
todos os dias que você trabalhou incessantemente
para me dar uma vida de qualidade e com educação.
Deveria também somar todos os dias em que você
se privou do seu próprio conforto,
só para me embalar.
Na verdade, eu deveria
passar o resto da minha vida homenageando você,
mas eu sei, eu sei que você não aceitaria,
por isso estou mandando essa mensagem
para que você saiba
o quanto eu te amo e te agradeço.
Obrigado, pai, por ser o meu pai,
obrigado meu Deus por ter nos enviado
esse ser maravilho para nos proteger.
Agradeço a Deus por você existir.
É maravilhoso poder comemorar com você
mais um ano de vida.
Espero que Deus lhe dê muita saúde e muita paz,
para que você continue
enchendo o nosso lar de alegria.
Existem pessoas que possuem um dom
de nos presentear simplesmente com sua presença
e eu posso dizer que o meu pai tem esse dom.
Pai, quero aproveitar essa oportunidade
para agradecer tudo o que você me ensinou.
Guardarei para sempre em minha memória,
seu rosto cansado,
sempre me dando atenção e conforto.
Parabéns pai,
por ter chegado até aqui
com tanta dignidade e caráter.
Obrigado por você existir
e parabéns pelo seu aniversário.
Eu amo você, pai.
segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009
A Reforma Tributária é política
Em meio às discussões sobre a Reforma Tributária, pode-se destacar que há um enfoque errado sobre o tema: a Reforma Tributária não é apenas um assunto técnico, é também um assunto político.
Não adianta os secretários de Fazenda fazer operações, como aumentar ou baixar alíquotas, sem haver um consenso político em torno de alguns pontos da Reforma.
O que está provocando todo esse imbróglio?
Primeiro, o cenário econômico atual. Ninguém gosta de perder receita, tampouco aprovar reforma em ano de incerteza, como será o ano de 2009.
Evidentemente, os governadores vão chiar!
Portanto, não adianta deixar isso nas mãos dos secretários de Fazenda. Apesar de ser muito bom, ser ótimo, qual é a função do secretário de Fazenda?
Aumentar a arrecadação e ver o seu governador sorrir.
Agora, se não tivermos uma liderança que possa trabalhar os pontos de consenso, e essa liderança teria que ser o presidente da República, mas o presidente Lula se recusa a assumir esse papel, desde 2003 quando houve a primeira tentativa de reforma, então fica muito difícil tratar de um tema que não é apenas técnico.
Em segundo ponto, houve uma proposta de trabalhar o ICMS – Imposto sobre a Circulação de Mercadorias e Prestação de Serviços – de forma diferente do que vinha sendo feito até agora: a cobrança desse imposto de produtos, com excessão do petróleo e energia, seria nos estados de destino e não mais nos estados de origem, ou seja, estados produtores perderia esta receita enquanto os estados consumidores passariam a ganhar esta receita.
Resultado: José Serra (PSDB-SP) não quer, Aécio Neves (PSDB-MG) não quer, possivelmente Sérgio Cabral (PMDB-RJ) também não quer. Em suma, os governadores de estados produtores não querem saber de perder receita agora.
Entretanto, se não fizer um esquema de compensação, e isto é uma negociação política, a Reforma Tributária não sai.
Portanto, a Reforma Tributária não é apenas um assunto técnico. Ela é um assunto político demais para ser deixado nas mãos de secretário de Fazenda.
Não adianta os secretários de Fazenda fazer operações, como aumentar ou baixar alíquotas, sem haver um consenso político em torno de alguns pontos da Reforma.
O que está provocando todo esse imbróglio?
Primeiro, o cenário econômico atual. Ninguém gosta de perder receita, tampouco aprovar reforma em ano de incerteza, como será o ano de 2009.
Evidentemente, os governadores vão chiar!
Portanto, não adianta deixar isso nas mãos dos secretários de Fazenda. Apesar de ser muito bom, ser ótimo, qual é a função do secretário de Fazenda?
Aumentar a arrecadação e ver o seu governador sorrir.
Agora, se não tivermos uma liderança que possa trabalhar os pontos de consenso, e essa liderança teria que ser o presidente da República, mas o presidente Lula se recusa a assumir esse papel, desde 2003 quando houve a primeira tentativa de reforma, então fica muito difícil tratar de um tema que não é apenas técnico.
Em segundo ponto, houve uma proposta de trabalhar o ICMS – Imposto sobre a Circulação de Mercadorias e Prestação de Serviços – de forma diferente do que vinha sendo feito até agora: a cobrança desse imposto de produtos, com excessão do petróleo e energia, seria nos estados de destino e não mais nos estados de origem, ou seja, estados produtores perderia esta receita enquanto os estados consumidores passariam a ganhar esta receita.
Resultado: José Serra (PSDB-SP) não quer, Aécio Neves (PSDB-MG) não quer, possivelmente Sérgio Cabral (PMDB-RJ) também não quer. Em suma, os governadores de estados produtores não querem saber de perder receita agora.
Entretanto, se não fizer um esquema de compensação, e isto é uma negociação política, a Reforma Tributária não sai.
Portanto, a Reforma Tributária não é apenas um assunto técnico. Ela é um assunto político demais para ser deixado nas mãos de secretário de Fazenda.
domingo, 15 de fevereiro de 2009
Correio Braziliense
A cúpula do PMDB vai se reunir nesta segunda-feira (16/02) e avaliar se deve punir o senador Jarbas Vasconcelos (PMDB-PE) pelas declarações que ele deu em entrevista à edição da revista "Veja" que está nas bancas. Uma das estrelas do partido, o também senador Pedro Simon (RS) concorda com tudo o que foi dito por Jarbas, mas faz uma ressalva: "Acontece o mesmo com os outros partidos, PT, PSDB, DEM, PPS e PTB".
A análise das declarações vai ser feita pelo presidente do partido, o deputado Michel Temer (SP), em reunião com os líderes A cúpula do Congresso não havia se pronunciado sobre o tema até o início desta noite (15/02).
Jarbas disse na entrevista que "boa parte do PMDB quer mesmo é corrupção", que o partido não passa de uma confederação de líderes regionais e que é uma legenda especializada em "clientelismo" para cobrar comissões.
Sobre José Sarney (PMDB-AP), presidente do Congresso, Vasconcelos disse que "a moralização e a inovação do Senado são incompatíveis com a figura do senador". Sarney não se manifestou Ele também atirou contra o Bolsa-Família, chamando-o de "o maior programa oficial de compra de votos do mundo" - nem o Planalto nem o ministro Patrus Ananias (Desenvolvimento Social) responderam.
O deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ) antecipou que defenderá a saída do senador do partido. "Ele generalizou. Ele não deve se sentir confortável em permanecer no PMDB depois das críticas que fez ao partido. Ele deve sair", disse Cunha.
A análise das declarações vai ser feita pelo presidente do partido, o deputado Michel Temer (SP), em reunião com os líderes A cúpula do Congresso não havia se pronunciado sobre o tema até o início desta noite (15/02).
Jarbas disse na entrevista que "boa parte do PMDB quer mesmo é corrupção", que o partido não passa de uma confederação de líderes regionais e que é uma legenda especializada em "clientelismo" para cobrar comissões.
Sobre José Sarney (PMDB-AP), presidente do Congresso, Vasconcelos disse que "a moralização e a inovação do Senado são incompatíveis com a figura do senador". Sarney não se manifestou Ele também atirou contra o Bolsa-Família, chamando-o de "o maior programa oficial de compra de votos do mundo" - nem o Planalto nem o ministro Patrus Ananias (Desenvolvimento Social) responderam.
O deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ) antecipou que defenderá a saída do senador do partido. "Ele generalizou. Ele não deve se sentir confortável em permanecer no PMDB depois das críticas que fez ao partido. Ele deve sair", disse Cunha.
sábado, 14 de fevereiro de 2009
O PMDB é corrupto
Otávio Cabral
Senador peemedebista diz que a maioria dos integrantes do seu partido só pensa em corrupção e que a eleição de José Sarney à presidência do Congresso é um retrocesso
A ideia de que parlamentares usem seu mandato preferencialmente para obter vantagens pessoais já causou mais revolta. Nos dias que correm, essa noção parece ter sido de tal forma diluída em escândalos a ponto de não mais tocar a corda da indignação.
Mesmo em um ambiente político assim anestesiado, as afirmações feitas pelo senador Jarbas Vasconcelos, de 66 anos, 43 dos quais dedicados à política e ao PMDB, nesta entrevista a VEJA soam como um libelo de alta octanagem.
Jarbas se revela decepcionado com a política e, principalmente, com os políticos. Ele diz que o Senado virou um teatro de mediocridades e que seus colegas de partido, com raríssimas exceções, só pensam em ocupar cargos no governo para fazer negócios e ganhar comissões. Acusa o ex-governador de Pernambuco: "Boa parte do PMDB quer mesmo é corrupção".
O que representa para a política brasileira a eleição de José Sarney para a presidência do Senado?
É um completo retrocesso. A eleição de Sarney foi um processo tortuoso e constrangedor. Havia um candidato, Tião Viana, que, embora petista, estava comprometido em recuperar a imagem do Senado. De repente, Sarney apareceu como candidato, sem nenhum compromisso ético, sem nenhuma preocupação com o Senado, e se elegeu. A moralização e a renovação são incompatíveis com a figura do senador.
Mas ele foi eleito pela maioria dos senadores.
Claro, e isso reflete o que pensa a maioria dos colegas de Parlamento. Para mim, não tem nenhum valor se Sarney vai melhorar a gráfica, se vai melhorar os gabinetes, se vai dar aumento aos funcionários. O que importa é que ele não vai mudar a estrutura política nem contribuir para reconstruir uma imagem positiva da Casa. Sarney vai transformar o Senado em um grande Maranhão.
Como o senhor avalia sua atuação no Senado?
Às vezes eu me pergunto o que vim fazer aqui. Cheguei em 2007 pensando em dar uma contribuição modesta, mas positiva – e imediatamente me frustrei. Logo no início do mandato, já estourou o escândalo do Renan (Calheiros, ex-presidente do Congresso que usou um lobista para pagar pensão a uma filha). Eu me coloquei na linha de frente pelo seu afastamento porque não concordava com a maneira como ele utilizava o cargo de presidente para se defender das acusações. Desde então, não posso fazer nada, porque sou um dissidente no meu partido. O nível dos debates aqui é inversamente proporcional à preocupação com benesses. É frustrante.
O senador Renan Calheiros acaba de assumir a liderança do PMDB...
Ele não tem nenhuma condição moral ou política para ser senador, quanto mais para liderar qualquer partido. Renan é o maior beneficiário desse quadro político de mediocridade em que os escândalos não incomodam mais e acabam se incorporando à paisagem.
O senhor é um dos fundadores do PMDB. Em que o atual partido se parece com aquele criado na oposição ao regime militar?
Em nada. Eu entrei no MDB para combater a ditadura, o partido era o conduto de todo o inconformismo nacional. Quando surgiu o pluripartidarismo, o MDB foi perdendo sua grandeza. Hoje, o PMDB é um partido sem bandeiras, sem propostas, sem um norte. É uma confederação de líderes regionais, cada um com seu interesse, sendo que mais de 90% deles praticam o clientelismo, de olho principalmente nos cargos.
Para que o PMDB quer cargos?
Para fazer negócios, ganhar comissões. Alguns ainda buscam o prestígio político. Mas a maioria dos peemedebistas se especializou nessas coisas pelas quais os governos são denunciados: manipulação de licitações, contratações dirigidas, corrupção em geral. A corrupção está impregnada em todos os partidos. Boa parte do PMDB quer mesmo é corrupção.
Quando o partido se transformou nessa máquina clientelista?
De 1994 para cá, o partido resolveu adotar a estratégia pragmática de usufruir dos governos sem vencer eleição. Daqui a dois anos o PMDB será ocupante do Palácio do Planalto, com José Serra ou com Dilma Rousseff. Não terá aquele gabinete presidencial pomposo no 3º andar, mas terá vários gabinetes ao lado.
Por que o senhor continua no PMDB?
Se eu sair daqui irei para onde? É melhor ficar como dissidente, lutando por uma reforma política para fazer um partido novo, ao lado das poucas pessoas sérias que ainda existem hoje na política.
Lula ajudou a fortalecer o PMDB. É de esperar uma retribuição do partido, apoiando a candidatura de Dilma?
Não há condições para isso. O PMDB vai se dividir. A parte majoritária ficará com o governo, já que está mamando e não é possível agora uma traição total. E uma parte minoritária, mas significativa, irá para a candidatura de Serra. O partido se tornará livre para ser governo ao lado do candidato vencedor.
O senhor sempre foi elogiado por Lula. Foi o primeiro político a visitá-lo quando deixou a prisão, chegou a ser cotado para vice em sua chapa. O que o levou a se tornar um dos maiores opositores a seu governo no Congresso?
Quando Lula foi eleito em 2002, eu vim a Brasília para defender que o PMDB apoiasse o governo, mas sem cargos nem benesses. Era essencial o apoio a Lula, pois ele havia se comprometido com a sociedade a promover reformas e governar com ética. Com o desenrolar do primeiro mandato, diante dos sucessivos escândalos, percebi que Lula não tinha nenhum compromisso com reformas ou com ética. Também não fez reforma tributária, não completou a reforma da Previdência nem a reforma trabalhista. Então eu acho que já foram seis anos perdidos. O mundo passou por uma fase áurea, de bonança, de desenvolvimento, e Lula não conseguiu tirar proveito disso.
A favor do governo Lula há o fato de o país ter voltado a crescer e os indicadores sociais terem melhorado.
O grande mérito de Lula foi não ter mexido na economia. Mas foi só. O país não tem infraestrutura, as estradas são ruins, os aeroportos acanhados, os portos estão estrangulados, o setor elétrico vem se arrastando. A política externa do governo é outra piada de mau gosto. Um governo que deixou a ética de lado, que não fez as reformas nem fez nada pela infraestrutura agora tem como bandeira o PAC, que é um amontoado de projetos velhos reunidos em um pacote eleitoreiro. É um governo medíocre. E o mais grave é que essa mediocridade contamina vários setores do país. Não é à toa que o Senado e a Câmara estão piores. Lula não é o único responsável, mas é óbvio que a mediocridade do governo dele leva a isso.
Mas esse presidente que o senhor aponta como medíocre é recordista de popularidade. Em seu estado, Pernambuco, o presidente beira os 100% de aprovação.
O marketing e o assistencialismo de Lula conseguem mexer com o país inteiro. Imagine isso no Nordeste, que é a região mais pobre. Imagine em Pernambuco, que é a terra dele. Ele fez essa opção clara pelo assistencialismo para milhões de famílias, o que é uma chave para a popularidade em um país pobre. O Bolsa Família é o maior programa oficial de compra de votos do mundo.
O senhor não acha que o Bolsa Família tem virtudes?
Há um benefício imediato e uma consequência futura nefasta, pois o programa não tem compromisso com a educação, com a qualificação, com a formação de quadros para o trabalho. Em algumas regiões de Pernambuco, como a Zona da Mata e o agreste, já há uma grande carência de mão-de-obra. Famílias com dois ou três beneficiados pelo programa deixam o trabalho de lado, preferem viver de assistencialismo. Há um restaurante que eu frequento há mais de trinta anos no bairro de Brasília Teimosa, no Recife. Na semana passada cheguei lá e não encontrei o garçom que sempre me atendeu. Perguntei ao gerente e descobri que ele conseguiu uma bolsa para ele e outra para o filho e desistiu de trabalhar. Esse é um retrato do Bolsa Família. A situação imediata do nordestino melhorou, mas a miséria social permanece.
A oposição está acuada pela popularidade de Lula?
Eu fui oposição ao governo militar como deputado e me lembro de que o general Médici também era endeusado no Nordeste. Se Lula criou o Bolsa Família, naquela época havia o Funrural, que tinha o mesmo efeito. Mas ninguém desistiu de combater a ditadura por isso. A popularidade de Lula não deveria ser motivo para a extinção da oposição. Temos aqui trinta senadores contrários ao governo. Sempre defendi que cada um de nós fiscalizasse um setor importante do governo. Olhasse com lupa o Banco do Brasil, o PAC, a Petrobras, as licitações, o Bolsa Família, as pajelanças e bondades do governo. Mas ninguém faz nada. Na única vez em que nos organizamos, derrotamos a CPMF. Não é uma batalha perdida, mas a oposição precisa ser mais efetiva. Há um diagnóstico claro de que o governo é medíocre e está comprometendo nosso futuro. A oposição tem de mostrar isso à população.
Para o senhor, o governo é medíocre e a oposição é medíocre. Então há uma mediocrização geral de toda a classe política?
Isso mesmo. A classe política hoje é totalmente medíocre. E não é só em Brasília. Prefeitos, vereadores, deputados estaduais também fazem o mais fácil, apelam para o clientelismo. Na política brasileira de hoje, em vez de se construir uma estrada, apela-se para o atalho. É mais fácil.
Por que há essa banalização dos escândalos?
O escândalo chocava até cinco ou seis anos atrás. A corrupção sempre existiu, ninguém pode dizer que foi inventada por Lula ou pelo PT. Mas é fato que o comportamento do governo Lula contribui para essa banalização. Ele só afasta as pessoas depois de condenadas, todo mundo é inocente até prova em contrário. Está aí o Obama dando o exemplo do que deve ser feito. Aqui, esperava-se que um operário ajudasse a mudar a política, com seu partido que era o guardião da ética. O PT denunciava todos os desvios, prometia ser diferente ao chegar ao poder. Quando deixou cair a máscara, abriu a porta para a corrupção. O pensamento típico do servidor desonesto é: "Se o PT, que é o PT, mete a mão, por que eu não vou roubar?". Sofri isso na pele quando governava Pernambuco.
É possível mudar essa situação?
É possível, mas será um processo longo, não é para esta geração. Não é só mudar nomes, é mudar práticas. A corrupção é um câncer que se impregnou no corpo da política e precisa ser extirpado. Não dá para extirpar tudo de uma vez, mas é preciso começar a encarar o problema.
Como o senhor avalia a candidatura da ministra Dilma Rousseff?
A eleição municipal mostrou que a transferência de votos não é automática. Mesmo assim, é um erro a oposição subestimar a força de Lula e a capacidade de Dilma como candidata. Ela é prepotente e autoritária, mas está se moldando. Eu não subestimo o poder de um marqueteiro, da máquina do governo, da política assistencialista, da linguagem de palanque. Tudo isso estará a favor de Dilma.
O senhor parece estar completamente desiludido com a política.
Não tenho mais nenhuma vontade de disputar cargos. Acredito muito em Serra e me empenharei em sua candidatura à Presidência. Se ele ganhar, vou me dedicar a reformas essenciais, principalmente a política, que é a mãe de todas as reformas. Mas não tenho mais projeto político pessoal. Já fui prefeito duas vezes, já fui governador duas vezes, não quero mais. Sei que vou ser muito pressionado a disputar o governo em 2010, mas não vou ceder. Seria uma incoerência voltar ao governo e me submeter a tudo isso que critico.
Transcrito da VEJA de 18/2/2009 - edição 2100
Senador peemedebista diz que a maioria dos integrantes do seu partido só pensa em corrupção e que a eleição de José Sarney à presidência do Congresso é um retrocesso
A ideia de que parlamentares usem seu mandato preferencialmente para obter vantagens pessoais já causou mais revolta. Nos dias que correm, essa noção parece ter sido de tal forma diluída em escândalos a ponto de não mais tocar a corda da indignação.
Mesmo em um ambiente político assim anestesiado, as afirmações feitas pelo senador Jarbas Vasconcelos, de 66 anos, 43 dos quais dedicados à política e ao PMDB, nesta entrevista a VEJA soam como um libelo de alta octanagem.
Jarbas se revela decepcionado com a política e, principalmente, com os políticos. Ele diz que o Senado virou um teatro de mediocridades e que seus colegas de partido, com raríssimas exceções, só pensam em ocupar cargos no governo para fazer negócios e ganhar comissões. Acusa o ex-governador de Pernambuco: "Boa parte do PMDB quer mesmo é corrupção".
O que representa para a política brasileira a eleição de José Sarney para a presidência do Senado?
É um completo retrocesso. A eleição de Sarney foi um processo tortuoso e constrangedor. Havia um candidato, Tião Viana, que, embora petista, estava comprometido em recuperar a imagem do Senado. De repente, Sarney apareceu como candidato, sem nenhum compromisso ético, sem nenhuma preocupação com o Senado, e se elegeu. A moralização e a renovação são incompatíveis com a figura do senador.
Mas ele foi eleito pela maioria dos senadores.
Claro, e isso reflete o que pensa a maioria dos colegas de Parlamento. Para mim, não tem nenhum valor se Sarney vai melhorar a gráfica, se vai melhorar os gabinetes, se vai dar aumento aos funcionários. O que importa é que ele não vai mudar a estrutura política nem contribuir para reconstruir uma imagem positiva da Casa. Sarney vai transformar o Senado em um grande Maranhão.
Como o senhor avalia sua atuação no Senado?
Às vezes eu me pergunto o que vim fazer aqui. Cheguei em 2007 pensando em dar uma contribuição modesta, mas positiva – e imediatamente me frustrei. Logo no início do mandato, já estourou o escândalo do Renan (Calheiros, ex-presidente do Congresso que usou um lobista para pagar pensão a uma filha). Eu me coloquei na linha de frente pelo seu afastamento porque não concordava com a maneira como ele utilizava o cargo de presidente para se defender das acusações. Desde então, não posso fazer nada, porque sou um dissidente no meu partido. O nível dos debates aqui é inversamente proporcional à preocupação com benesses. É frustrante.
O senador Renan Calheiros acaba de assumir a liderança do PMDB...
Ele não tem nenhuma condição moral ou política para ser senador, quanto mais para liderar qualquer partido. Renan é o maior beneficiário desse quadro político de mediocridade em que os escândalos não incomodam mais e acabam se incorporando à paisagem.
O senhor é um dos fundadores do PMDB. Em que o atual partido se parece com aquele criado na oposição ao regime militar?
Em nada. Eu entrei no MDB para combater a ditadura, o partido era o conduto de todo o inconformismo nacional. Quando surgiu o pluripartidarismo, o MDB foi perdendo sua grandeza. Hoje, o PMDB é um partido sem bandeiras, sem propostas, sem um norte. É uma confederação de líderes regionais, cada um com seu interesse, sendo que mais de 90% deles praticam o clientelismo, de olho principalmente nos cargos.
Para que o PMDB quer cargos?
Para fazer negócios, ganhar comissões. Alguns ainda buscam o prestígio político. Mas a maioria dos peemedebistas se especializou nessas coisas pelas quais os governos são denunciados: manipulação de licitações, contratações dirigidas, corrupção em geral. A corrupção está impregnada em todos os partidos. Boa parte do PMDB quer mesmo é corrupção.
Quando o partido se transformou nessa máquina clientelista?
De 1994 para cá, o partido resolveu adotar a estratégia pragmática de usufruir dos governos sem vencer eleição. Daqui a dois anos o PMDB será ocupante do Palácio do Planalto, com José Serra ou com Dilma Rousseff. Não terá aquele gabinete presidencial pomposo no 3º andar, mas terá vários gabinetes ao lado.
Por que o senhor continua no PMDB?
Se eu sair daqui irei para onde? É melhor ficar como dissidente, lutando por uma reforma política para fazer um partido novo, ao lado das poucas pessoas sérias que ainda existem hoje na política.
Lula ajudou a fortalecer o PMDB. É de esperar uma retribuição do partido, apoiando a candidatura de Dilma?
Não há condições para isso. O PMDB vai se dividir. A parte majoritária ficará com o governo, já que está mamando e não é possível agora uma traição total. E uma parte minoritária, mas significativa, irá para a candidatura de Serra. O partido se tornará livre para ser governo ao lado do candidato vencedor.
O senhor sempre foi elogiado por Lula. Foi o primeiro político a visitá-lo quando deixou a prisão, chegou a ser cotado para vice em sua chapa. O que o levou a se tornar um dos maiores opositores a seu governo no Congresso?
Quando Lula foi eleito em 2002, eu vim a Brasília para defender que o PMDB apoiasse o governo, mas sem cargos nem benesses. Era essencial o apoio a Lula, pois ele havia se comprometido com a sociedade a promover reformas e governar com ética. Com o desenrolar do primeiro mandato, diante dos sucessivos escândalos, percebi que Lula não tinha nenhum compromisso com reformas ou com ética. Também não fez reforma tributária, não completou a reforma da Previdência nem a reforma trabalhista. Então eu acho que já foram seis anos perdidos. O mundo passou por uma fase áurea, de bonança, de desenvolvimento, e Lula não conseguiu tirar proveito disso.
A favor do governo Lula há o fato de o país ter voltado a crescer e os indicadores sociais terem melhorado.
O grande mérito de Lula foi não ter mexido na economia. Mas foi só. O país não tem infraestrutura, as estradas são ruins, os aeroportos acanhados, os portos estão estrangulados, o setor elétrico vem se arrastando. A política externa do governo é outra piada de mau gosto. Um governo que deixou a ética de lado, que não fez as reformas nem fez nada pela infraestrutura agora tem como bandeira o PAC, que é um amontoado de projetos velhos reunidos em um pacote eleitoreiro. É um governo medíocre. E o mais grave é que essa mediocridade contamina vários setores do país. Não é à toa que o Senado e a Câmara estão piores. Lula não é o único responsável, mas é óbvio que a mediocridade do governo dele leva a isso.
Mas esse presidente que o senhor aponta como medíocre é recordista de popularidade. Em seu estado, Pernambuco, o presidente beira os 100% de aprovação.
O marketing e o assistencialismo de Lula conseguem mexer com o país inteiro. Imagine isso no Nordeste, que é a região mais pobre. Imagine em Pernambuco, que é a terra dele. Ele fez essa opção clara pelo assistencialismo para milhões de famílias, o que é uma chave para a popularidade em um país pobre. O Bolsa Família é o maior programa oficial de compra de votos do mundo.
O senhor não acha que o Bolsa Família tem virtudes?
Há um benefício imediato e uma consequência futura nefasta, pois o programa não tem compromisso com a educação, com a qualificação, com a formação de quadros para o trabalho. Em algumas regiões de Pernambuco, como a Zona da Mata e o agreste, já há uma grande carência de mão-de-obra. Famílias com dois ou três beneficiados pelo programa deixam o trabalho de lado, preferem viver de assistencialismo. Há um restaurante que eu frequento há mais de trinta anos no bairro de Brasília Teimosa, no Recife. Na semana passada cheguei lá e não encontrei o garçom que sempre me atendeu. Perguntei ao gerente e descobri que ele conseguiu uma bolsa para ele e outra para o filho e desistiu de trabalhar. Esse é um retrato do Bolsa Família. A situação imediata do nordestino melhorou, mas a miséria social permanece.
A oposição está acuada pela popularidade de Lula?
Eu fui oposição ao governo militar como deputado e me lembro de que o general Médici também era endeusado no Nordeste. Se Lula criou o Bolsa Família, naquela época havia o Funrural, que tinha o mesmo efeito. Mas ninguém desistiu de combater a ditadura por isso. A popularidade de Lula não deveria ser motivo para a extinção da oposição. Temos aqui trinta senadores contrários ao governo. Sempre defendi que cada um de nós fiscalizasse um setor importante do governo. Olhasse com lupa o Banco do Brasil, o PAC, a Petrobras, as licitações, o Bolsa Família, as pajelanças e bondades do governo. Mas ninguém faz nada. Na única vez em que nos organizamos, derrotamos a CPMF. Não é uma batalha perdida, mas a oposição precisa ser mais efetiva. Há um diagnóstico claro de que o governo é medíocre e está comprometendo nosso futuro. A oposição tem de mostrar isso à população.
Para o senhor, o governo é medíocre e a oposição é medíocre. Então há uma mediocrização geral de toda a classe política?
Isso mesmo. A classe política hoje é totalmente medíocre. E não é só em Brasília. Prefeitos, vereadores, deputados estaduais também fazem o mais fácil, apelam para o clientelismo. Na política brasileira de hoje, em vez de se construir uma estrada, apela-se para o atalho. É mais fácil.
Por que há essa banalização dos escândalos?
O escândalo chocava até cinco ou seis anos atrás. A corrupção sempre existiu, ninguém pode dizer que foi inventada por Lula ou pelo PT. Mas é fato que o comportamento do governo Lula contribui para essa banalização. Ele só afasta as pessoas depois de condenadas, todo mundo é inocente até prova em contrário. Está aí o Obama dando o exemplo do que deve ser feito. Aqui, esperava-se que um operário ajudasse a mudar a política, com seu partido que era o guardião da ética. O PT denunciava todos os desvios, prometia ser diferente ao chegar ao poder. Quando deixou cair a máscara, abriu a porta para a corrupção. O pensamento típico do servidor desonesto é: "Se o PT, que é o PT, mete a mão, por que eu não vou roubar?". Sofri isso na pele quando governava Pernambuco.
É possível mudar essa situação?
É possível, mas será um processo longo, não é para esta geração. Não é só mudar nomes, é mudar práticas. A corrupção é um câncer que se impregnou no corpo da política e precisa ser extirpado. Não dá para extirpar tudo de uma vez, mas é preciso começar a encarar o problema.
Como o senhor avalia a candidatura da ministra Dilma Rousseff?
A eleição municipal mostrou que a transferência de votos não é automática. Mesmo assim, é um erro a oposição subestimar a força de Lula e a capacidade de Dilma como candidata. Ela é prepotente e autoritária, mas está se moldando. Eu não subestimo o poder de um marqueteiro, da máquina do governo, da política assistencialista, da linguagem de palanque. Tudo isso estará a favor de Dilma.
O senhor parece estar completamente desiludido com a política.
Não tenho mais nenhuma vontade de disputar cargos. Acredito muito em Serra e me empenharei em sua candidatura à Presidência. Se ele ganhar, vou me dedicar a reformas essenciais, principalmente a política, que é a mãe de todas as reformas. Mas não tenho mais projeto político pessoal. Já fui prefeito duas vezes, já fui governador duas vezes, não quero mais. Sei que vou ser muito pressionado a disputar o governo em 2010, mas não vou ceder. Seria uma incoerência voltar ao governo e me submeter a tudo isso que critico.
Transcrito da VEJA de 18/2/2009 - edição 2100
sexta-feira, 13 de fevereiro de 2009
Chegou o momento de você votar nas jornalistas que mais se destacaram em 2008 (edição 2009).Foi dada a largada para a 5ª edição do Troféu Mulher IMPRENSA. Uma realização da revista IMPRENSA, em parceria com a ABERJE e o MaxPress, o prêmio visa homenagear as mulheres que atuam no Jornalismo brasileiro, em seus mais diversos setores.
Nesta quinta edição, a novidade está na série de matérias que serão publicadas, a fim de mostrar qual a atual situação da mulher nas redações e no mercado de trabalho brasileiro.
Acompanhe e, claro, vote.
O blog declara seus votos:
Lucia Hippolito - Âncora de Rádio, categoria 1
Maria Beltrão - Âncora de Telejornal, categoria 2
Míriam Leitão - Colunista de Jornal Impresso, categoria 9
Lucia Hippolito - Comentarista ou colunista de rádio, categoria 10
Mariza Tavares - Diretora de Redação, categoria 11
O Senado - Jornal do Senado
O Senado é uma instituição que deriva dos antigos conselhos de anciões, criados pelos países orientais da Antiguidade, por volta de 4000 a.C.
Os gregos dividiram seu conselho, criando as bases para o bicameralismo moderno, composto por Senado e Câmara dos Deputados.
Mas foi na Roma antiga que o Senado tornou-se assembléia permanente e recebeu as atribuições de fiscalizar o Executivo, controlar o Judiciário, as finanças públicas, as questões religiosas e a política externa.
No Brasil, a primeira sessão ordinária do Senado foi realizada em maio de 1826.
Resultou da promulgação da Constituição de 1824 pelo Conselho de Estado convocado por dom Pedro I após a proclamação da Independência.
Na reunião, foi empossado presidente o senador José Egídio Álvares de Almeida, o Marquês de Santo Amaro. Cinqüenta senadores representavam as províncias em número proporcional à população de cada uma.
Durante o Império, o cargo de senador era vitalício e privativo de brasileiros natos ou naturalizados, exigia idade mínima de 40 anos e renda anual de 800 mil-réis.
Tendo dom Pedro I abdicado é voltado a Portugal em julho de 1840, o Senado, encerrando longo processo de disputa pela Regência, antecipou a maioridade de dom Pedro II e o proclamou imperador aos 14 anos.
Teve início um dos períodos da história em que o Senado influenciou decisivamente as decisões políticas, administrativas e de relações exteriores, entre elas a GUERRA DO PARAGUAI, em 1865.
O Senado foi fechado em quatro ocasiões.
Em 1930, o fechamento decorreu do primeiro golpe de Estado de Getúlio Vargas. A Casa só voltou a funcionar em 1934, com a promulgação da terceira Constituição da República pela Assembléia Constituinte eleita por convocação de Vargas.
De 1937 a 1945, com outro golpe de Estado seguido pela ditadura, ambos comandados por Getúlio.
Já em 1966, a Casa baixa as portas pela terceira vez, resultado do golpe e início do período da ditadura militar.
Por fim, em 1977, para que o governo militar impusesse reformas que haviam sido rejeitadas no Congresso.
Hoje, o Senado está sendo comandado por José Sarney (PMDB-AP).
Os gregos dividiram seu conselho, criando as bases para o bicameralismo moderno, composto por Senado e Câmara dos Deputados.
Mas foi na Roma antiga que o Senado tornou-se assembléia permanente e recebeu as atribuições de fiscalizar o Executivo, controlar o Judiciário, as finanças públicas, as questões religiosas e a política externa.
No Brasil, a primeira sessão ordinária do Senado foi realizada em maio de 1826.
Resultou da promulgação da Constituição de 1824 pelo Conselho de Estado convocado por dom Pedro I após a proclamação da Independência.
Na reunião, foi empossado presidente o senador José Egídio Álvares de Almeida, o Marquês de Santo Amaro. Cinqüenta senadores representavam as províncias em número proporcional à população de cada uma.
Durante o Império, o cargo de senador era vitalício e privativo de brasileiros natos ou naturalizados, exigia idade mínima de 40 anos e renda anual de 800 mil-réis.
Tendo dom Pedro I abdicado é voltado a Portugal em julho de 1840, o Senado, encerrando longo processo de disputa pela Regência, antecipou a maioridade de dom Pedro II e o proclamou imperador aos 14 anos.
Teve início um dos períodos da história em que o Senado influenciou decisivamente as decisões políticas, administrativas e de relações exteriores, entre elas a GUERRA DO PARAGUAI, em 1865.
O Senado foi fechado em quatro ocasiões.
Em 1930, o fechamento decorreu do primeiro golpe de Estado de Getúlio Vargas. A Casa só voltou a funcionar em 1934, com a promulgação da terceira Constituição da República pela Assembléia Constituinte eleita por convocação de Vargas.
De 1937 a 1945, com outro golpe de Estado seguido pela ditadura, ambos comandados por Getúlio.
Já em 1966, a Casa baixa as portas pela terceira vez, resultado do golpe e início do período da ditadura militar.
Por fim, em 1977, para que o governo militar impusesse reformas que haviam sido rejeitadas no Congresso.
Hoje, o Senado está sendo comandado por José Sarney (PMDB-AP).
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