sábado, 26 de abril de 2008

CPMF estará de volta

Quatro meses depois da extinção da CPMF (Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira), a recriação do tributo do cheque volta à tona no Congresso Nacional. Após diversos parlamentares da situação apresentarem posição parecida, foi a vez do deputado Henrique Fontana (PT-RS) afirmar que pretende fazer a proposta.

A arrecadação seria revertida completamente para Saúde.

Fontana ainda não sabe como ou quando apresentará a matéria. Mas a perspectiva é que isso ocorra em paralelo à discussão da PEC (proposta de emenda à Constituição) 233, que institui a reforma tributária. O tema deve vir com a regulamentação da Emenda 29.

Apesar de ser o líder do Governo na Câmara, o petista garantiu que a idéia não possui qualquer ligação com o Executivo.

Alíquota

Em uma proposta inicial - que é preliminar e, portanto, pode sofrer alterações, conforme frisou a assessoria de imprensa do parlamentar - a alíquota da CPMF seria reduzida praticamente à metade: de 0,38%, proporção de quando estava extinta, para 0,20%.A CPMF tinha a fatia de 0,20% de sua arrecadação destinada à Saúde, enquanto que o 0,18% restante era direcionado a programas sociais.

Portanto, sobraria apenas a fatia correspondente à Saúde.


Arrecadação

A perspectiva do Governo era que neste ano o tributo do cheque rendesse R$ 40 bilhões aos cofres públicos.

Contudo, em dezembro do ano passado, o Senado derrubou a PEC (proposta de emenda à Constituição) que prorrogava a contribuição até 2011.

Vale lembrar que em 3 de janeiro, o Decreto 6.339/08 reajustou o IOF em 0,38 ponto percentual para todas as operações nas quais o tributo incidia, como forma de compensar parte da arrecadação por conta da não-prorrogação da CPMF.

Porque hoje é sábado

AS RAÍZES DA CRISE DE ALIMENTO
( Publicado em O Globo por Carlos Alberto Sardenberg, 24 de Abril de 2008)

O fim do mundo

Os preços de comodities, incluindo alimentos, começaram a subir a partir de 2003 e aceleraram a alta de 2005 para cá. Esse movimento coincidiu com o formidável crescimento da economia mundial, com forte participação dos países emergentes, a China em primeiro lugar. Portanto, não há dúvidas aqui: no essencial, os preços responderam à demanda crescente. A produção, mesmo com acidentes aqui e ali, como as quebras de safra na Austrália, também seguiu aumentando, com alguns países ocupando cada vez mais espaço no comércio mundial, entre os quais o Brasil.

Mas, como no caso do petróleo, o crescimento da produção não alcançou a alta do consumo. Com o mercado muito justo, isso deu margem à especulação de fundos de investimento, o que acrescentou alguns, às vezes, muitos dólares no preço das comodities, isso do segundo semestre do ano passado para cá. Com a crise financeira global, comprar trigo, soja ou petróleo tornou-se um negócio mais seguro do que, digamos, ações de bancos norte-americanos.

Mas na base de tudo, há um forte crescimento da economia global. E nisso, a atual alta no preço de alimentos se parece com o que houve em 1973/74. O início dos anos 70 também foi um momento auspicioso da economia capitalista, então bem menor do que hoje, já que quase metade do mundo ainda era socialista.

Mesmo assim, os preços de alimentos decolaram. Na verdade, descontada a inflação, os alimentos custavam em, 1974, o dobro do que custam hoje. E como hoje, também naquela ocasião apareceram as profecias do fim do mundo. Simplesmente, ia faltar comida no mundo todo, pelos dois motivos: escassez física, com a produção insuficiente para atender uma população cada vez maior e com maior poder de consumo e preços proibitivos para grande parte das pessoas.

Em resumo, os mais pobres morreriam por falta de dinheiro as classes médias, por falta dos produtos.

Aconteceu bem diferente. Já a partir de 1975 os preços começaram a cair, inicialmente por um mau motivo. O período de crescimento foi abortado pela súbita alta do petróleo, inflação, alta de juros, recessão. O desastre derrubou a demanda.

Mas quando o mundo começou a se equilibrar, já nos anos 80, com preços ainda atraentes, a produção de alimentos cresceu extraordinariamente, graças especialmente aos formidáveis ganhos de tecnologia. A ciência chegou às fazendas pela genética, pelos fertilizantes, inseticidas e herbicidas. Assim, mesmo com o aumento do consumo, os preços de alimentos caíram sem parar, até o início dos anos 2000, quando, em termos reais, equivaliam a um terço das cotações de 1974.

Esses preços baixos, bons para os consumidores, claro, incomodaram os produtores por muito tempo, sobretudo dos países agrícolas mais pobres. Explica-se: EUA, União Européia e Japão subsidiaram seus fazendeiros com bilhões de dólares, provocando excessos de produção e preços baixos, tornando não competitiva a produção de muitas nações pobres e mesmo em desenvolvimento.

Já nestes anos 2000, a alta de alimentos e das comodities fez a festa de muitos países emergentes, inclusive do Brasil. Ocorre que as populações desses emergentes, com mais riqueza, aumentaram seu consumo e os preços subiram mais ainda. Em cima disso, vieram a especulação e a decisão dos EUAS de subsidiar o etanol de milho. A produção de milho subiu fortemente, deu para álcool e alimentos, mas levou a uma redução na produção de trigo e terminou empurrando para cima todos os preços.

E agora?

Agora, voltaram as profecias de fim do mundo. Como em outros momentos, entretanto, é mais provável que a humanidade, embora fazendo muita besteira, consiga dar um jeito quando a coisa aperta. Nas circunstâncias normais do mercado, o preço alto atrai mais produtores e, ao final, o mercado se equilibra.

Aumentar a produção de alimentos, em tese, não é muito complicado, nem muito caro. (É mais barato, por exemplo, do que produzir mais petróleo).

Mesmo com a limitação de terras boas, a tecnologia (sobretudo dos transgênicos) tem condições de elevar a produtividade dos recursos atuais.

Vai daí que a atual crise de alimentos exige dois tipos de medidas: na primeira, imediata, de fornecer comida aos países mais pobres a segunda, garantir o aumento da produção, com mais tecnologia e mais mercado aberto.

O Brasil, beneficiário dos preços altos, tem enorme responsabilidade.

Análise da Semana

A semana foi cheia e teve de tudo um pouco. Já no domingo houve a eleição do novo presidente do Paraguai, Fernando Lugo, e na segunda-feira começou a discussão em torno de uma mudança no Tratado de Itaipu.

No governo foi uma confusão. Lula disse que não mudaria nada, o ministro Celso Amorim alegou que era preciso fazer concessões, e o ministro Edison Lobão afirmou que o preço da energia já estava justo. No final das contas, deu para entender que o tratado não muda, mas que o governo está disposto a fazer outras concessões.

Outro assunto quente foi a ata do Copom, que saiu ontem, e que era aguardada com ansiedade pelos economistas. O BC está muito preocupado com a alta da inflação, pressionada em grande parte pela crise dos alimentos pelo mundo. Novas altas de juros são esperadas nas próximas reuniões.

A crise dos alimentos virou pauta em todo o mundo e foi discutida em diversas reuniões de líderes.

Uma das soluções para a crise pode passar pelo Brasil. Temos muitas terras abandonadas e não precisamos desmatar para produzir alimentos.

Sobre os alimentos, é importante frisar que, com excessão do trigo, nós estamos bem abastecidos. Não há risco de faltar produtos, o que pode acontecer é uma alta nos preços. Mas o nosso problema é muito menor do que outros países do mundo estão passando.

Ontem também houve a compra da Esso pela Cosan, que surpreendeu todo mundo porque a Petrobras tinha interesse no negócio, e a operação da PF que descobriu dinheiro de empréstimos do BNDES sendo desviados para financiar uma rede de prostituição. Uma coisa espantosa.

sexta-feira, 25 de abril de 2008

Aula de Economia - UNESA

Estruturas de Mercado

As estruturas de mercado são modelos que captam aspectos inerentes de como os mercados são organizados. Cada estrutura de mercado destaca alguns aspectos essenciais da interação da oferta e da demanda, e se baseia em algumas hipóteses e no realce de características observadas em mercados existentes, tais como; o tamanho das empresas, a diferenciação dos produtos, a transparência do mercado, os objetivos dos empresários, o acesso de novas empresas, entre outras.

As estruturas básicas são divididas em três:
@ estruturas clássicas básicas;
@ estruturas clássicas;
@ modelos marginalistas de oligopólio

A primeira, contêm duas estruturas:
@ monopólio – um único vendedor que fixa o preço de seu produto.
@ concorrência perfeita – muitos vendedores e muitos compradores num mercado em que nenhum deles tem uma influência significativa no preço.

A segunda estrutura, compete ao oligopólio, concorrência monopolista, monopsônio,e monopólio bilateral.

Por fim, a terceira trata dos modelos marginalistas de oligopólio, onde destacam-se o modelo de Cournot, Sweezy, o cartel perfeito, e os modelos de liderança-preço.

Em suma, cada estrutura acima mencionada ressalta algumas características do funcionamento dos mercados, facilitando a compreensão do funcionamento de diversos mercados como o mercado de hortifrutigranjeiros capixaba, o mercado de cobre chileno ou o mercado monetário brasileiro, entre outros.

A crise dos alimentos

Você já percebeu: comer está mais caro.

Os preços subiram, e o mundo sofre com a escassez de alimentos. De quem é a culpa? Quais são os efeitos? E os riscos? Entenda todo esse mal que afeta o bolso de nós, consumidores.

A crise impõe também mudanças de hábitos, como trocar um alimento por outro, por exemplo. Os preços sobem aqui por causa de vários fatores: o mundo está consumindo mais; a produção não acompanhou o ritmo; e até o petróleo em alta está atrapalhando o brasileiro na hora de fazer as compras do mês.

O consumidor sente a cada semana os preços subindo. São centavos que aos poucos se transformam em reais até na padaria.

As causas para tantos aumentos começam na mesa. Com uma renda melhor, ela está mais farta. Trata-se de um comportamento que acontece não só no Brasil como em outros países emergentes, como a China.

São altas que passam pelo mundo dos investimentos, com a valorização das matérias-primas negociadas em Bolsa, entre elas a soja, que é a base da ração de animais.

Esbarram na produção de etanol nos EUA, que usa o milho e na crise de produção de trigo na Argentina. Analistas de mercado dizem que outro fator que influencia o preço dos alimentos é a alta do petróleo. Ficou mais caro usar máquinas e equipamentos nas lavouras, além do transporte, que também eleva o custo da produção. O grande vilão para os produtores são os fertilizantes.

Onde isso vai parar? De novo, na mesa dos consumidores, que ultimamente sentem mais o peso do arroz na dieta do dia-a-dia.

Para encher o carrinho, o exercício fica mais demorado. É preciso procurar pelas prateleiras as soluções possíveis.

É preciso, portanto, o consumidor ser mais racional na hora de comprar e, analisar a forma mais econômica, mesmo tendo que substituir os alimentos mais importantes para um grande almoço de domingo com a família reunida.

É hora de apertar os cintos, pois a crise é de alimentos.

"Pela Ordem" e "Questão de ordem"

"Questão de ordem" é solicitada quando um parlamentar tem dúvidas quanto à aplicação do Regimento Interno, então ele pede a Questão de Ordem para que sua dúvida seja esclarecida.

É diferente do "Pela Ordem", que é para registrar uma reclamação.

quinta-feira, 24 de abril de 2008

O que todo candidato precisa saber

Enviado por Duda Mendonça
Marketing político não é mágica, não é jogada de efeito, nem factóide. Nenhum bom profissional pode garantir a vitória de um candidato.

Para não se dar mal, todo candidato tem que saber que seu marketing tem que ser lastreado na verdade, em argumentos e propostas verdadeiras, e que a mentira não se sustenta, em um país com uma democracia sólida como a nossa e, sobretudo, com uma imprensa investigativa como a que temos no Brasil.

Todo candidato tem que saber, também, que não é o marketing que irá definir tudo em sua candidatura, mas ele próprio. Ao longo da minha vida, alguns candidatos, logo na primeira reunião, me perguntavam: “Qual vai ser meu marketing? O que é que eu vou ter que dizer pra ganhar as eleições?” Se eu soubesse eu não era marketeiro, era um mágico.

E sugiro logo um exercício: Primeiro você me convence dos motivos que o eleitor deve ter para votar em você. Se você conseguir me convencer, quem sabe eu consiga também convencer os outros.

O Marketing vem depois e não antes. Ele é uma consequência do seu jeito, da sua história, dos seus projetos e não a causa. E por isso, insisto em repetir, não se iluda senhor candidato.

O máximo que um marketeiro pode lhe prometer é aumentar as suas chances de vitória e fazer com que você saia da campanha melhor do que entrou. E para isso você tem que fazer a sua parte.

(Texto extraído do Blog do publicitário e marqueteiro Duda Mendonça, que foi ao ar, hoje, pela primeira vez. Acesse aqui o Blog do Duda)

8,6%

Desemprego é o melhor da série histórica para março

O índice de desemprego de 8,6% foi o melhor para o mês de março desde 2002, quando começou a série histórica medida pelo IBGE.

Vejam no gráficos abaixo como está a comparação entre os índices neste mês.


Por dentro do Caso Isabella

Com certeza, mexeram no local do crime.
A polícia de São Paulo está convencida de que foi limpo o local do crime.

Ou seja: o quarto de onde Isabella, de cinco anos, filha de Alexandre Nardoni e enteada de Anna Carolina Jatobá, foi esganada e lançada do sexto andar do prédio London, em São Paulo.

É por isso que ela chamou para depor Antonio Nardoni, pai de Alexandre e avô de Isabella, e sua filha Cristiane.Os dois estão neste momento no nono distrito de polícia.

A própria Cristiane já contou que a pedido do pai esteve no quarto de Isabella depois do crime. Foi até lá, segundo ela, apagar a luz da cabeceira da casa de Isabella e pegar alguns pertences de Alexandre e de Anna.

Quanto a Antônio, a polícia tem informações de que no dia seguinte ele esteve no apartamento durante uma hora. A polícia ainda não havia interditado o apartamento.

O promotor Francisco Cembranelli, que acompanha o caso, admitiu esta tarde em entrevista à Rede Record de Televisão que um dos filhos de Alexandre com Ana, também de cinco anos de idade, poderá ser ouvido por uma psicóloga.


A polícia desconfia que partiu dele o grito de "Pára, pai, pára, pai", ouvido por algums testemunhas pouco antes de Isabella ser lançada da janela.

quarta-feira, 23 de abril de 2008

Dólar

Bovespa fecha em baixa de 0,71%, a 64.948 pontos.

Dólar caiu 0,12% para R$ 1,659.

Fome, "tsunami silenciosa"

O mundo está com fome. A ONU lançou o alerta: a crise de alimentos - cada vez mais caros e escassos - vai deixar, em pouco meses, milhões de pessoas na miséria. O problema foi chamado de "tsunami silenciosa."

Pela primeira vez, o tema vai estar na pauta do encontro do G8, reunião dos sete países mais ricos do mundo e da Rússia, marcada para julho. A União Européia e a Inglaterra já anunciaram uma ajuda milionária para os países mais pobres da África e da Ásia.

É uma crise globalizada, a pior crise de alimentos em 30 anos. Assusta o FMI, Banco Mundial, FAO, ONU. Provocou explosões de violência nas ruas de Haiti, Costa do Marfim, Camarões, Egito e Indonésia. Só este ano os preços do arroz subiram 140% no mundo. Num dia o preço do trigo subiu 25%.

É um nó de três pontas.

Primeiro: a mudança climática provocou secas e enchentes pelo mundo afora. Isto reduziu produção e estoques de alimentos.

Segundo: por causa da mudança climática, o mundo pensou no biocombustível. O Brasil tem a cana-de-açúcar, que compete pouco com alimento, mas os Estados Unidos usam o milho para fazer óleo. Isso subiu o preço do milho, do trigo e de todos os produtos que competem.

Terceiro: o mundo cresceu, a renda subiu, mais pessoas passaram a comer melhor na China, Índia, África, América Latina.

O Brasil pode ser parte da solução. Tem muita terra sendo desprezada. Não precisa desmatar.

Basta usar terra já desmatada. É preciso também acabar com barreiras e subsídios no comércio de alimentos para o mundo rico. Isto pode incentivar a produção em países mais pobres. Há muito a fazer, mas tem que ser feito já.

Risco - país é o melhor dos últimos meses


O desempenho de risco do Brasil tem sido melhor que o de outros países emergentes nos últimos doze meses. O indicador EMBI (Emerging Market Bond Index), criado pelo banco americano JP Morgan para medir a aversão ao risco entre os investidores, mostra que a diferença de valorização entre o EMBI Brasil e o EMBI+ (que calcula a média entre os emergentes) é de 35 pontos a favor do índice brasileiro.
De acordo com a RC Consultoria, o Brasil sempre teve uma média superior a de outros países emergentes, e isso se inverteu a partir de abril de 2007. Com isso, o Brasil se distancia cada vez mais da lanterna do risco, posto que ocupou por muitos anos na década de 90.

Em 2001, a Argentina ocupou o lugar após decretar a moratória, e o Brasil se manteve na penúltima posição até 2006. Depois disso, veio numa escalda, superando Venezuela, Turquia e Filipinas.

Agora, o país se aproxima da Colômbia e também do Peru, que foi o último país a conseguir obter o grau de investimento. Os dois primeiros foram Chile e México.

Vejam nos gráficos acima, elaborados pela RC, como o Brasil está melhorando na escalada do risco.




sexta-feira, 18 de abril de 2008

Saindo da montanha de papéis

Do comentário da cientista política Lucia Hippolito à CBN
Na queda de braço entre governo e oposição na CPI dos Cartões, o governo vem ganhando todas.
A oposição quer convocar Dilma Roussef? O governo derruba o requerimento.
A oposição quer investigar as contas do primeiro casal e família? O governo cerra fileiras contra.
A oposição requisita as despesas de ministros do governo atual e anterior? A Casa Civil afoga a CMPI com mais de 1.200 caixas de papel. Coisa para desanimar qualquer um.
Pois não é que algumas coisas interessantes estão surgindo da montanha de papéis?
Por exemplo, as despesas de hospedagem do ex-ministro Luis Gushiken. Embora resida em São Paulo, há várias despesas de hospedagem do ex-ministro em hotéis de luxo na capital paulista.
E, mais interessante ainda: as despesas com comida e bebida nos hotéis são bem maiores do que as de hospedagem. Constatou-se, sem sombra de dúvida, o uso de recursos públicos para comprar bebidas alcoólicas e pagar refeições para terceiros, o que é considerado desvio de recursos.
Mas sobrou também para o governo Fernando Henrique. As despesas de supermercado do ex-ministro da Educação Paulo Renato também vieram à luz. Vão do danoninho à tapioca (como comem tapioca, meu Deus!).
Muita coisa ainda vai sair desta montanha de papéis. Se houver dedicação e empenho, o país ainda vai tomar conhecimento de outros instantes de mau uso do dinheiro público.
Claro que todas essas despesas podem ser justificadas – e é importante que sejam.
Prestação de contas pelas atuais e ex-autoridades precisam tornar-se rotina no Brasil, e não exceção.
Mas esta farra com o dinheiro público também precisa ter um fim. Ao contrário do que pensam muitas autoridades (superiores e subalternas), dinheiro público tem dono, sim. É dinheiro suado dos impostos pagos pelo povo brasileiro, dinheiro que falta para remédios, hospitais, saneamento, escola, habitação, comida... E por aí vai.
Finalmente, continuamos aguardando a revelação das despesas do primeiro casal e familiares.
A divulgação do dossiê com as despesas pessoas de Fernando Henrique e Ruth Cardoso não abalou um milímetro a segurança nacional.
O país permanece tão seguro quanto sempre esteve.
Por isso, é legítimo indagar: o que será que existe de tão esquisito nas despesas do presidente Lula, dona Marisa Letícia e seus familiares, que não possa ser divulgado?
Não dá para acreditar que algum vestido de dona Marisa Letícia possa constituir ameaça à segurança nacional.Não dá para acreditar que algum terno do presidente Lula possa constituir ameaça à segurança nacional.
Isto é bobagem.
Quanto mais transparentes forem as despesas do primeiro casal e seus familiares, tanto mais protegidos eles estarão de eventuais ataques da oposição.

quinta-feira, 17 de abril de 2008

Depois, nós, é que falamos de mais

Hoje, a ministra Dilma Rousseff em seu discurso, acompanhada do presidente Lula em Belo Horizonte para mais uma inauguração da pedra fundamental de obras do PAC, cometeu uma gafe.

Ela, dirigindo-se às mulheres que estavam na frente do palanque, agradeceu por elas estarem animando "o comício".

Pelo jeito ela precisa de orientações de seus marqueteiros.

Caso Isabella: Seu rosto foi limpo antes de ser jogada pela janela


O trabalho do Instituto de Criminalística (IC) concluiu que não tinha no apartamento mais ninguém além do casal Alexandre Nardoni, 29, e Anna Carolina Jatobá, 24, no momento em que Isabella de Oliveira Nardoni, 5, foi morta e atirada do apartamento do pai, no sexto andar do edifício London, na Vila Mazzei.


De acordo com o Instituto Médico Legal (IML), o rosto de Isabella foi limpo com uma fralda e com uma toalha antes de ela ser jogada pela janela. A fralda e a toalha de rosto ficaram com marca de sangue e foi constatado que o sangue era de Isabella.


A marca de solado de sapato num lençol no quarto de onde Isabella foi jogada é, segundo os peritos, de Alexandre Nardoni.

Artigo enviado pela Anefac - Associação Nacional dos Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade

Alta de 0,5 p.p.

A simulação da alta de juros nas operações de crédito

A elevação da taxa básica (SELIC) anunciada ontem pelo Banco Central de 11,25% ao ano para 11,75% ao ano terá um efeito muito pequeno nas operações de crédito como demonstrado abaixo.

Este fato ocorre uma vez que existe um deslocamento muito grande entre a taxa Selic e as taxas cobradas ao consumidor que na média da pessoa física atingem 132,39% ao ano provocando uma variação de mais de 1.000,00% entre as duas pontas. Em algumas financeiras em linhas de empréstimo pessoal estas taxas chegam a atingir mais de 1.500,00% ao ano.

A fim de demonstrarmos o efeito da elevação nas taxas de juros descrevemos abaixo algumas simulações de crédito:


CREDIÁRIO DE LOJA
Compra de uma geladeira – preço à vista – R$ 800,00

Financiada em 12 vezes 0 + 12

Antes taxa de juros de 6,03% ao mês – 0+12 – R$ 95,58 - total R$ 1.146,96

Nova taxa de juros de 6,07% ao mês – 0 +12 – R$ 95,79 -total R$ 1.149,48

Elevação na prestação de R$ 0,21 ou R$ 2,52 no total

CHEQUE ESPECIAL
Utilização de R$ 1.000,00 por 20 dias

Antes taxa de 7,73% ao mês – R$ 51,53 de juros

Nova taxa de 7,77% ao mês – R$ 51,80 de juros

Elevação de R$ 0,27 no período

CARTÃO DE CRÉDITO
Utilização do rotativo de R$ 1.000,00 por 30 dias

Antes taxa de 10,37% ao mês – R$ 103,70 de juros

Nova taxa de 10,41% ao mês – R$ 104,10 de juros

Elevação de R$ 0,40 no mês

EMPRÉSTIMO PESSOAL BANCOS
Empréstimo no valor de R$ 1.000,00 por seis meses

Antes taxa de 5,32% ao mês - 0+6 – R$ 199,04 – total R$ 1.194,24

Nova taxa de 5,36% ao mês – 0+6 – R$ 199,29 – total R$ 1.195,74

Elevação de R$ 0,25 na prestação ou R$ 1,50 no total

CDC BANCOS
Compra de um veículo de R$ 25.000,00 em 60 meses

Antes taxa de 3,01% ao mês - 0+60 – R$ 905,26 - total R$ 54.315,60

Nova taxa de 3,05% ao mês – 0+60 – R$ 913,02 - total R$ 54.781,20

Elevação de R$ 7,76 na prestação ou R$ 465,60 no total

EMPRÉSTIMO PESSOAL FINANCEIRAS
Empréstimo no valor de R$ 500,00 por 12 meses

Antes taxa de 11,20% ao mês – 0+12 – R$ 77,75 – total R$ 933,00

Nova taxa de 11,24% ao mês – 0+12 – R$ 77,90 - total R$ 934,80

Elevação de R$ 0,07 na prestação ou R$ 1,80 no total

quarta-feira, 16 de abril de 2008

O Globo - Panorama Econômico - Míriam Leitão

Juros polêmicos
A decisão de hoje do Copom tem tudo para ser polêmica; seja ela qual for. Se os juros subirem, aumentará a tensão com a equipe econômica; se não subirem, o mercado dirá que houve interferência política. O Banco Central deu todos os sinais de que os juros vão aumentar, após três anos. A Fazenda já deu todos os sinais de que não gostaria que subissem. O mercado já fechou seu consenso, mas isso é o menos importante.

Os economistas que fazem parte das instituições financeiras gostam de pensar igual. Raramente aceitam divergir. No consenso, há menos riscos, então, mesmo quando há uma análise divergente, eles vão arrumando suas opiniões dependendo do que os outros estão pensando. Poucos são os que mantêm posições realmente independentes. Há um processo de retroalimentação: o Banco Central olha as projeções do mercado, e o mercado muda suas projeções conforme os sinais dados pelo BC, e quem não mudou de posição acaba seguindo a maioria. É por isso que, semana a semana, as previsões de juros no ano estão subindo; são os retardatários engrossando o coro dos que prevêem alta. O gráfico mostra o quanto as expectativas podem variar com o tempo.
A melhor forma, portanto, de discutir esta questão é esquecendo sinais do Banco Central e projeções de mercado, e olhando na direção da economia de fato. Os sinais do BC são de que os juros vão subir mesmo. Talvez 0,25 ponto percentual hoje. A dúvida ainda é quanto tempo vai durar este ciclo de alta e até que nível isso levará as taxas.

Há, realmente, uma pressão inflacionária. No acumulado em 12 meses, o IPCA subiu de 4,4%, em dezembro, para 4,7%, em março. Contudo, isso não pode ser um problema tão grande assim, afinal, a meta é fixada em uma banda. O problema é que a economia está dando vários indícios de aquecimento: três milhões de novos acessos de celulares apenas nos dois primeiros meses do ano, que não é época de aumento; vendas de automóveis crescendo há vários meses. Filas de espera para caminhões.

Só que não é a inflação de preços industriais o que está preocupando, mas, sim, a de alimentos. Existe uma inflação estrutural de alimentos que assusta o mundo e que foi o centro da discussão da reunião do FMI e do Banco Mundial na semana passada. Há, às vezes, aumentos sazonais de preços de alimentos, que ocorrem naturalmente e desaparecem tão rapidamente quanto surgiram, e sempre estão localizados em alguns produtos específicos.

Seja para a alta de alimentos estrutural do mundo — que leva a movimentos de rua no Haiti, à inflação de alimentos de dois dígitos na China, a um acumulado de 11% nesses preços no Brasil —, seja para as oscilações sazonais de preço, os juros podem fazer pouco.

O consumo que está sendo ajudado pelo crédito fácil também não deve ser muito afetado por este provável aumento nos juros. Para os brasileiros, anestesiados por taxas sempre altíssimas, uma elevação pequena não é capaz de convencer ninguém a suspender uma decisão de compra. É possível que os juros bancários subam muito mais por força da crise externa que pela elevação da Selic. Crédito concedido com funding em empréstimos externos tende a ficar mais caro.

Quem é contra o aumento da Selic no Brasil argumenta que os efeitos da alta seriam pequenos, com danos grandes, como o aumento do custo da dívida pública. Curiosamente, um artigo de Martin Feldstein, no “Wall Street Journal” de ontem, usou argumento semelhante — de que os danos potenciais seriam grandes e o benefício pequeno —, mas para defender a alta. Para ele, o maior risco é a inflação e a vantagem de retomar o crescimento é muito pequena.

O problema do Brasil não é que os juros vão subir 0,25 p.p. O problema aqui é por que a economia brasileira nunca consegue viver com taxas de juros parecidas com as do resto do mundo. Em raros momentos, não somos os campeões nesse quesito.
Quatorze anos depois da queda da inflação, o Brasil ainda precisa de juros nominais de mais de 11% para ter uma inflação beirando 5%. Alguns outros países, mesmo tão cheios de problemas econômicos, conseguem ter, por mais tempo, juros menores sem que isso ameace o controle da taxa de inflação.

Dinheiro público jogado fora

Reportagem de Isabela Martin na edição desta quarta-feira em "O Globo'' mostra que a sogra do governador Cid Gomes (PSB) e as mulheres de dois secretários estavam entre os sete passageiros do vôo fretado por R$ 388,5 mil para uma viagem de dez dias à Europa, em fevereiro.

A lista dos integrantes do vôo era mantida em sigilo e foi divulgada nesta terça, atendendo a requerimento do deputado estadual Heitor Férrer (PDT), que criticou o gasto com o frete e a carona às passageiras. Quando o requerimento foi aprovado, em fevereiro, Cid disse que não se submeteria à "demagogia barata" da oposição.

A viagem começou em 31 de janeiro e incluiu o carnaval. O grupo foi à Espanha, à Escócia, à Irlanda e à Alemanha. Além de Cid e da primeira-dama, Maria Célia, viajaram a sogra dele, Pauline Carol Moura, o secretário de Turismo, Bismark Maia, e a esposa, Gláucia Barbosa; e o secretário particular de Cid, Valdir Fernandes, que estava acompanhado da mulher, Samara Dias.

O deputado diz que requisitará ressarcimento ao erário das pessoas que não integram o governo.

O valor seria calculado dividindo-se o frete pelas três passageiras, ou seja: R$ 166,5 mil.

A viagem foi oficial. Segundo o líder do governo, deputado Nelson Martins (PT), Cid participou de uma feira de turismo em Madri e de dois seminários: um de fruticultura, na Alemanha, e um de energias alternativas, na Escócia. E teria mantido contatos com o Banco Mundial e outras instituições para atrair investimentos para o estado.

Ele não vê problema na carona que Cid deu à sogra.

Governo cochilou de novo

Senado convoca Dilma para falar sobre dossiê com gastos de FHC.

A Comissão de Infra-Estrutura do Senado aprovou, em votação "relâmpago", a convocação da ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, para dar esclarecimentos sobre o suposto dossiê com gastos do governo Fernando Henrique Cardoso.

A ministra precisa comparecer em até 30 dias sob pena de crime de responsabilidade. A mesma comissão já havia convocado Dilma para falar sobre as obras do Programa de Aceleração do Crescimento.

É bom que a ministra leia o Art. 13 da Lei nº 1.079, de 1950, conhecida como Lei do Impeachment.

Está lá:

“São crimes de responsabilidade dos Ministros de Estado:

...3. A falta de comparecimento sem justificação, perante a Câmara dos Deputados ou o Senado Federal, ou qualquer das suas comissões, quando uma ou outra casa do Congresso os convocar para pessoalmente, prestarem informações acerca de assunto previamente determinado.”

A pena para esses crimes, sempre de acordo com a Lei nº 1.079, vai desde a perda do cargo, com inabilitação, até cinco anos, para o exercício de qualquer função pública, até processo e julgamento por crime comum, na justiça ordinária, nos termos das leis de processo penal.

Também é bom que alguém presenteie a ministra Dilma com uma cópia da lei, para evitar maiores dissabores.

Salário Mínimo chegará até R$ 539, mas só em 2011

A Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) de 2009, que irá ao Congresso Nacional nesta terça-feira (15), prevê o reajuste do salário mínimo para os próximos anos. Segundo os cálculos do governo, o salário mínimo, que subiu de R$ 380 para R$ 415 neste ano, pode subir para R$ 453 em 2009 e chegar em 2011 em R$ 539.

Na LDO, o Ministério do Planejamento lembra que existem duas regras para o reajuste do salário mínimo: a primeira pela variação do INPC e pelo crescimento do PIB per capita do ano anterior (sistema atual); e a segunda pelo INPC mais a variação do PIB real com dois anos de defasagem - que geraria ganhos maiores para os trabalhadores com o passar dos anos.

O Ministério informa que a LDO prevê a manutenção da regra atual (correção pelo PIB per capita), mas informa que há a possibilidade de que uma "legislação específica" fixe uma nova regra. Em seguida, lembra que o sistema proposto no Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), carro-chefe do segundo mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, prevê o reajuste do salário mínimo com base no PIB real.

Pela regra anterior, que ainda está contemplada na LDO, ou seja, pela variação do PIB per capita, o salário mínimo subiria de R$ 415 neste ano para R$ 449 em maio de 2009, para R$ 485 em maio de 2010 e para R$ 524 em maio de 2011. Pela nova regra, que está no PAC, o mínimo passaria de R$ 415 neste ano para R$ 453 em fevereiro de 2009, para R$ 492 em janeiro de 2010 e para R$ 539 em janeiro de 2011