Como estou em férias, apenas hoje li o Panorama Econômico do Jornal O Globo de ontem (sexta-feira), reproduzindo na íntegra todo o conteúdo.
Difícil equilíbrio
A alta da taxa de juros vai derrubar o aumento do consumo? Certamente o afetará. A dúvida é se vai interromper o ciclo de crescimento da economia. O Banco Central aumentou o aperto monetário num momento em que está havendo desaceleração da inflação no varejo e queda da confiança do consumidor e do empresário. O setor de bens de consumo duráveis será mais afetado que as vendas de imóveis.
O consumo vai crescer num nível mais fraco por causa do choque de juros decidido pelo Copom. Nos últimos meses, o país vinha se acostumando com taxas fortes de crescimento das vendas. Carros, celulares e computadores tiveram aumentos de vendas da ordem de 20%.
O presidente Lula disse que a inflação não vai subir, e que ele não vai deixar o consumo cair. Difícil perseguir os dois objetivos ao mesmo tempo num momento como o atual. A economia é feita de escolhas. Como o governo não está cortando o consumo público — em outras palavras, não está reduzindo os gastos — o Banco Central está encarecendo o crédito para reduzir o consumo privado. O objetivo do BC é exatamente diminuir o consumo para garantir que os aumentos do atacado não cheguem ao varejo, cuja inflação já está perto do teto da meta. No IPCA-15, chegou a 6,3% o acumulado em 12 meses.
Este índice registrou uma desaceleração, de 0,90%, em junho, para 0,63% no dado de julho, divulgado ontem. Os alimentos continuam representando a maior parte da alta, mesmo assim, o peso está menor. Houve, em outros índices, sinais de desaceleração dos alimentos no varejo, mas o problema é que no atacado a pressão continua forte. Talvez seja por isso que o Banco Central apertou o passo no aumento dos juros.
Os juros já estavam subindo num ritmo que não se pode chamar de lento: 0,5 ponto percentual a cada 45 dias. Isso era sinal suficiente para reduzir o aquecimento da economia. Afinal nem só de elevação de taxa se faz a política monetária; os juros altos e seu aumento constante dão os sinais de que o BC não vai aceitar altas de preços. Esses 0,25 p.p. a mais, além dos 0,5 p.p., ainda que pareçam pouco, podem aumentar a queda da confiança.
A tarefa do Banco Central não é só derrubar a inflação. O desafio é como mantê-la baixa no menor custo em termos de Produto Interno Bruto. Isso exige uma sintonia fina, pois pode-se derrubar mais o consumo que o necessário. Com a alta dos juros, vai cair o ritmo do aumento dos bens de consumo duráveis, mas é difícil diminuir o consumo de alimentos.
A indústria ainda saboreia o gostinho do recente aumento das vendas. O Brasil deve consumir, este ano, 12 milhões de computadores pessoais. Isso é 20% além dos 10 milhões vendidos no ano passado, e quatro vezes mais que os 3 milhões vendidos em 2003. Mais importante: naquela época, mais de 70% das vendas de computadores eram o que a Abinee define como “mercado cinza”, que agora caiu para 30%. A associação atribui a formalização do mercado ao crédito farto e à queda de impostos incidentes sobre a venda de produtos de informática.
Este ano, o Brasil vai produzir 78 milhões de telefones celulares: 48 milhões para o mercado interno e 30 milhões para exportação. O país terminará o ano com 141 milhões de acessos; vinte vezes mais do que terminou em 1998, já com os primeiros efeitos da privatização.
O crescimento esperado para as vendas de imóveis no Rio de Janeiro este ano é de 30%, segundo Roberto Kauffmann, do Sinduscon-Rio. O setor tem efeito multiplicador. A venda de cimento ficou estagnada em torno de 40 milhões de toneladas, com tendência de queda, de 1998 a 2002. Em 2003, caiu a 35 milhões. Agora está em 46 milhões, crescendo 12%. O setor de construção civil e residencial foi o último a entrar no ritmo de crescimento. E só o fez pelo aumento do crédito e queda dos juros.
Este crescimento do consumo e o clima de otimismo é que reduziram o desemprego. O desemprego de junho foi de 7,8%, dois pontos percentuais menor que no mesmo mês de 2007. Esta semana, o Sinduscon-SP informou que a construção atingiu a marca de 2 milhões de empregos formais no país.
A economista Monica de Bolle acha que o aperto de política monetária terá mais efeito no consumo desta vez, porque o mercado de crédito cresceu muito desde o último ciclo de aperto. “O canal de transmissão da política monetária ficou mais potente.” Mas ela acredita que vai afetar muito mais o crédito ao consumidor que o imobiliário, pois este envolve financiamentos de longo prazo.
É a mesma convicção de Roberto Kauffmann. Ele acha que os empréstimos com recursos do FGTS dentro do Sistema Financeiro de Habitação, que são regidos pela TR, são mais importantes para o setor. Lembra também que agora é que se atingiu a classe C, com imóveis de R$ 50 mil a R$ 150 mil, e que essa faixa do mercado depende exatamente da modalidade de crédito que será menos afetada pela taxa de juros.
É este equilíbrio difícil que a economia brasileira tenta estabelecer agora: combater a inflação com o mínimo de estrago neste círculo virtuoso em que mais consumo levou a mais produção, mais emprego, mais arrecadação tributária. Caso o Banco Central optasse por não elevar os juros para não estragar o bom momento econômico, a inflação comeria a renda e a economia seria afetada de qualquer jeito. Não há decisões fáceis neste momento. O governo ajudaria se reduzisse os gastos.
sábado, 26 de julho de 2008
Eleições
O perfil do eleitorado Brasileiro
O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) divulgou na terça-feira, 15, o mais novo estudo sobre o perfil do eleitorado brasileiro.

O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) divulgou na terça-feira, 15, o mais novo estudo sobre o perfil do eleitorado brasileiro.
Em 2008 o número de eleitores aumentou 7,5% em relação às últimas eleições municipais em 2004 – o TSE espera este ano que 128 milhões de brasileiros compareçam à votação. Desse total, 34,1% têm ensino fundamental incompleto e 15,6% sabem apenas ler e escrever. Cerca de 6% dos eleitores são analfabetos.
Veja, no quadro abaixo, como essa análise é feita no país.

sexta-feira, 25 de julho de 2008
Por dentro do blog
Precisei e tirei alguns dias de férias do blog. Esquecer um pouco Economia e Política por uns dias sei que me fará bem.
Aproveitarei para colocar a leitura de um bom livro em dia (The Secret - Rhonda Byrne).
Aproveitem vocês também. Namorem, vão ao cinema, participem de festas, usem e abusem da imaginação para fazer sempre o bem para si e para os outros.
Estarei voltando em agosto com novidades.
Curtam bem as férias!!
Até breve.
Aproveitarei para colocar a leitura de um bom livro em dia (The Secret - Rhonda Byrne).
Aproveitem vocês também. Namorem, vão ao cinema, participem de festas, usem e abusem da imaginação para fazer sempre o bem para si e para os outros.
Estarei voltando em agosto com novidades.
Curtam bem as férias!!
Até breve.
quinta-feira, 24 de julho de 2008
Carlos Alberto Sandenberg comenta
Teto dos juros deve ficar mais baixo
Quando iniciou o atual ciclo de alta de juros, o Copom indicou que uma elevação mais forte na partida poderia ter dois efeitos positivos: reduzir o nível necessário de juros para debelar a inflação e encurtar o movimento de alta. Em resumo, uma dose mais forte de início pode encurtar o tratamento.
Nessa ocasião, fevereiro passsado, a taxa básica de juros foi de 11,25% para 11,75% - e pareceu forte.
Mas a inflação foi mais forte ainda. Subiram além do esperado tanto a inflação corrente quanto as expectativas de inflação. Assim, o Copom está aumentando a dose.
O consolo está no seguinte ponto: no ciclo de alta anterior, os juros foram de 16% para 19,75%, nível alcançado em maio de 2005. Agora, a expectativa indica que os juros devem subir até 14,5%. Ou seja, o teto será mais baixo.
Na outra ponta, os juros caíram durante quase dois anos (de setembro/05 até setembro de 2007) até os 11,25% - nível mais baixo do que estavam quando começaram a subir (16%).
Resumindo: os tetos são cada vez mais baixos e os pisos cada vez mais fundos.
Se essa tendência se mantiver, os juros voltam a cair no ano que vem e podem ir abaixo dos 11,25% ao final do ciclo de queda.
Mas isso é olhar lá longe. Para já, temos: inflação mais alta agora e desacelerando no segundo semestre; juros subindo até o final do ano e caindo em 2009; economia desacelerando um pouco neste ano e bastante em 2009.
Quando iniciou o atual ciclo de alta de juros, o Copom indicou que uma elevação mais forte na partida poderia ter dois efeitos positivos: reduzir o nível necessário de juros para debelar a inflação e encurtar o movimento de alta. Em resumo, uma dose mais forte de início pode encurtar o tratamento.
Nessa ocasião, fevereiro passsado, a taxa básica de juros foi de 11,25% para 11,75% - e pareceu forte.
Mas a inflação foi mais forte ainda. Subiram além do esperado tanto a inflação corrente quanto as expectativas de inflação. Assim, o Copom está aumentando a dose.
O consolo está no seguinte ponto: no ciclo de alta anterior, os juros foram de 16% para 19,75%, nível alcançado em maio de 2005. Agora, a expectativa indica que os juros devem subir até 14,5%. Ou seja, o teto será mais baixo.
Na outra ponta, os juros caíram durante quase dois anos (de setembro/05 até setembro de 2007) até os 11,25% - nível mais baixo do que estavam quando começaram a subir (16%).
Resumindo: os tetos são cada vez mais baixos e os pisos cada vez mais fundos.
Se essa tendência se mantiver, os juros voltam a cair no ano que vem e podem ir abaixo dos 11,25% ao final do ciclo de queda.
Mas isso é olhar lá longe. Para já, temos: inflação mais alta agora e desacelerando no segundo semestre; juros subindo até o final do ano e caindo em 2009; economia desacelerando um pouco neste ano e bastante em 2009.
Comentário
Veja abaixo, os gráficos da Selic. O primeiro trás a evolução dos juros até esta quarta-feira (23), já o segundo a taxa publicada em 04/06.

Atual (23/07)

Atual (23/07)
Às 19h46m recebi em meu celular a notícia de que "COPOM aumenta taxa de juros em 0,75 pp, para 13% ao ano."
Essa notícia já era esperada por muitos economistas e analistas depois que a taxa de inflação foi anunciada em julho.
É claro que, ainda alguns economistas tinham dúvida se seria 0,5 ou 0,75 pp, mas como o BACEN quer, realmente, freiar o índice da inflação que já está no topo da meta, então um choque desse é uma, ou a única, das soluções.
Essa notícia já era esperada por muitos economistas e analistas depois que a taxa de inflação foi anunciada em julho.
É claro que, ainda alguns economistas tinham dúvida se seria 0,5 ou 0,75 pp, mas como o BACEN quer, realmente, freiar o índice da inflação que já está no topo da meta, então um choque desse é uma, ou a única, das soluções.
quarta-feira, 23 de julho de 2008
Edição Extraordinária do Blog
A lista dos candidatos a prefeito e a vice processados
Acaba de ser postada no site da Associação dos Magistrados Brasileiros (AMB) o nome dos candidatos a prefeito e a vice-prefeito das 26 capitais do país que respondem na Justiça a processos de origem criminal ou eleitoral. O banco de dados será atualizado periodicamente com a colaboração de juízes eleitorais de todo o país. A intenção da AMB é facilitar o acesso da população a informações públicas que podem interessar aos eleitores na hora de definir seu voto.
15 candidatos figuram na lista dos "ficha-suja" divulgada há pouco pela AMB. São nove candidatos a prefeito e seis candidatos a vice-prefeito. Desses, três são do PT e três do PP. PTB, PPS, DEM, Psol, PSL, Frente Belém Popular, Frente Boa Vista de Todos Nós, PSDB e PV têm um candidato processado cada.
Paulo Maluf (PP), candidato à prefeitura de São Paulo, é o recordista da lista. Responde a sete processos judiciais. Quatro deles no Supremo Tribunal Federal por crimes contra o sistema financeiro e outras três no Tribunal de Justiça de São Paulo por improbidade administrativa. A vice de Maluf, Aline Corrêa (PP), também responde um processo por crimes contra a paz pública e contra o sistema financeiro nacional.
Marta Suplicy, candidata a prefeita de São Paulo pelo PT, responde dois processos por crime da lei de licitação.
Segue a lista dos 15 candidatos com a ficha suja na Justiça divulgada pela Associação dos Magistrados Brasileiros.
AMAZONAS
Amazonino Mendes, candidato a prefeito de Manaus pelo PTB – responde por crimes da lei de licitação, crimes contra o sistema financeiro e crimes contra a ordem tributária.
AMAPÁ
Maria Dalva de Souza, candidata a prefeita de Macapá pelo PT – responde processo por crimes contra a fé pública, falsidade ideológica, crimes contra a administração em geral e prevaricação.
CEARÁ
Sérgio Braga Barbosa, candidato a vice-prefeito de Fortaleza pelo PPS – responde por crimes contra fé pública, falsidade ideológica e isso de documento falso.
GOIÁS
Iris Rezende Machado, candidato a prefeita de Goiânia pelo PMDB – responde por improbidade administrativa.
MINAS GERAIS
Pitágoras Lincoln de Matos, candidato a vice-prefeito de Belo Horizonte pelo DEM – responde por abuso de autoridade.
PARÁ
Jorge Carlos Mesquita, candidato a vice-prefeito de Belém pelo PSL – responde por crime contra a pessoa, lesão corporal e crime contra o patrimônio.
Leila Márcia Santos, candidata a vice-prefeita de Belém pela Frente Belém Popular – responde por crime contra o patrimônio, crime contra a administração pública, desacato, crimes contra a liberdade individual, seqüestro e cárcere privado.
Marinor Jorge Britto, candidato a prefeito de Belém pelo PSOL – responde por crime contra o patrimônio.
RONDÔNIA
Hamilton Nobre, candidato a prefeito de Porto Velho pelo PSDB – responde por improbidade administrativa.
Lindomar Barbosa Alves, candidato a prefeito de Porto Velho pelo PV – responde por falsificação de documento público.
RORAIMA
Maria Suely Silva, candidata a prefeita de Boa Vista pela coligação Boa Vista de Todos Nós – responde por crime contra a administração pública e peculato.
SÃO PAULO
Alice Corrêa de Oliveira, candidata a vice-prefeita de São Paulo pelo PP – responde por crimes contra a paz pública, falsificação de documentos, crimes de ocultação de bens e formação de quadrilha.
Marta Suplicy, candidata a prefeita de São Paulo pelo PT – responde a dois processos por crime da lei de licitação.
Paulo Maluf, candidato a prefeito de São Paulo pelo PP – responde a quatro processos por crime de responsabilidade, outro por crimes contra a paz pública, formação de quadrilha, crime contra o sistema financeiro e crimes de ocultação de bens e ainda outros dois por crimes contra o sistema financeiro.
TOCANTINS
Raul de Jesus Lustosa, candidato a prefeito de Palmas pelo PT – responde por crime contra a ordem tributária.
O levantamento da AMB não apontou candidatos a prefeito e a vice-prefeito que respondam processos nos estados do Acre, Alagoas, Bahia, Espírito Santo, Maranhão, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Paraíba, Pernambuco, Piauí, Paraná, Rio de Janeiro, Rio Grande do Norte, Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Sergipe.
Acaba de ser postada no site da Associação dos Magistrados Brasileiros (AMB) o nome dos candidatos a prefeito e a vice-prefeito das 26 capitais do país que respondem na Justiça a processos de origem criminal ou eleitoral. O banco de dados será atualizado periodicamente com a colaboração de juízes eleitorais de todo o país. A intenção da AMB é facilitar o acesso da população a informações públicas que podem interessar aos eleitores na hora de definir seu voto.
15 candidatos figuram na lista dos "ficha-suja" divulgada há pouco pela AMB. São nove candidatos a prefeito e seis candidatos a vice-prefeito. Desses, três são do PT e três do PP. PTB, PPS, DEM, Psol, PSL, Frente Belém Popular, Frente Boa Vista de Todos Nós, PSDB e PV têm um candidato processado cada.
Paulo Maluf (PP), candidato à prefeitura de São Paulo, é o recordista da lista. Responde a sete processos judiciais. Quatro deles no Supremo Tribunal Federal por crimes contra o sistema financeiro e outras três no Tribunal de Justiça de São Paulo por improbidade administrativa. A vice de Maluf, Aline Corrêa (PP), também responde um processo por crimes contra a paz pública e contra o sistema financeiro nacional.
Marta Suplicy, candidata a prefeita de São Paulo pelo PT, responde dois processos por crime da lei de licitação.
Segue a lista dos 15 candidatos com a ficha suja na Justiça divulgada pela Associação dos Magistrados Brasileiros.
AMAZONAS
Amazonino Mendes, candidato a prefeito de Manaus pelo PTB – responde por crimes da lei de licitação, crimes contra o sistema financeiro e crimes contra a ordem tributária.
AMAPÁ
Maria Dalva de Souza, candidata a prefeita de Macapá pelo PT – responde processo por crimes contra a fé pública, falsidade ideológica, crimes contra a administração em geral e prevaricação.
CEARÁ
Sérgio Braga Barbosa, candidato a vice-prefeito de Fortaleza pelo PPS – responde por crimes contra fé pública, falsidade ideológica e isso de documento falso.
GOIÁS
Iris Rezende Machado, candidato a prefeita de Goiânia pelo PMDB – responde por improbidade administrativa.
MINAS GERAIS
Pitágoras Lincoln de Matos, candidato a vice-prefeito de Belo Horizonte pelo DEM – responde por abuso de autoridade.
PARÁ
Jorge Carlos Mesquita, candidato a vice-prefeito de Belém pelo PSL – responde por crime contra a pessoa, lesão corporal e crime contra o patrimônio.
Leila Márcia Santos, candidata a vice-prefeita de Belém pela Frente Belém Popular – responde por crime contra o patrimônio, crime contra a administração pública, desacato, crimes contra a liberdade individual, seqüestro e cárcere privado.
Marinor Jorge Britto, candidato a prefeito de Belém pelo PSOL – responde por crime contra o patrimônio.
RONDÔNIA
Hamilton Nobre, candidato a prefeito de Porto Velho pelo PSDB – responde por improbidade administrativa.
Lindomar Barbosa Alves, candidato a prefeito de Porto Velho pelo PV – responde por falsificação de documento público.
RORAIMA
Maria Suely Silva, candidata a prefeita de Boa Vista pela coligação Boa Vista de Todos Nós – responde por crime contra a administração pública e peculato.
SÃO PAULO
Alice Corrêa de Oliveira, candidata a vice-prefeita de São Paulo pelo PP – responde por crimes contra a paz pública, falsificação de documentos, crimes de ocultação de bens e formação de quadrilha.
Marta Suplicy, candidata a prefeita de São Paulo pelo PT – responde a dois processos por crime da lei de licitação.
Paulo Maluf, candidato a prefeito de São Paulo pelo PP – responde a quatro processos por crime de responsabilidade, outro por crimes contra a paz pública, formação de quadrilha, crime contra o sistema financeiro e crimes de ocultação de bens e ainda outros dois por crimes contra o sistema financeiro.
TOCANTINS
Raul de Jesus Lustosa, candidato a prefeito de Palmas pelo PT – responde por crime contra a ordem tributária.
O levantamento da AMB não apontou candidatos a prefeito e a vice-prefeito que respondam processos nos estados do Acre, Alagoas, Bahia, Espírito Santo, Maranhão, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Paraíba, Pernambuco, Piauí, Paraná, Rio de Janeiro, Rio Grande do Norte, Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Sergipe.
segunda-feira, 21 de julho de 2008
Do blog do Noblat
"Admitamos: somos corruptos"
"O Brasil é essencialmente corrupto e precisamos encarar isso", diz o cientista político Bolívar Lamounier, autor, com outros estudiosos, de Cultura das Transgressões no Brasil (Ed. Saraiva). "Vivemos há cem anos a ilusão de que com o crescimento econômico e a melhoria educacional tudo vai melhorar. O País está mais rico e, ao que tudo indica, mais corrupto. Existem avanços. O Ministério Público, a Polícia Federal, a própria Justiça. Mas, na avaliação do professor, temos uma política pior.
Veja abaixo a entrevista de Bolívar Lamouniver a Pedro Doria publicada, hoje, em O Estado de S. Paulo.
"Admitamos que somos corruptos"
O Brasil ganharia se assumisse a queda que tem para a transgressão e os ilícitos, afirma Bolívar
A história de Daniel Dantas se confunde com a do Brasil nos últimos 15 anos. Aluno dileto do economista Mário Henrique Simonsen, foi cogitado para o Ministério da Fazenda no governo Fernando Collor e teve atuação de destaque na venda de estatais. É também uma história passada na iniciativa privada, sempre sinuosamente entrelaçada com a política e o governo.
Primeiro, pelas mãos de Antonio Carlos Magalhães, conterrâneo e protetor político. Então, durante o governo Fernando Henrique Cardoso, nas estreitas relações com economistas ligados ao Plano Real, como Pérsio Arida e Elena Landau. Agora, no governo Lula, com petistas como Luiz Eduardo Greenhalgh e José Dirceu.
Dantas dominou manchetes e conflitos acionários, cultivou inimigos poderosos na iniciativa privada e no Planalto. Preso pela Polícia Federal, provocou uma briga jamais vista, com procuradores e juízes federais se levantando contra o Supremo Tribunal Federal. É uma história que insinua profundos veios de corrupção nas entranhas do Estado.
"O Brasil é essencialmente corrupto e precisamos encarar isso", diz o cientista político Bolívar Lamounier, autor, com outros estudiosos, de Cultura das Transgressões no Brasil (Ed. Saraiva). "Vivemos há cem anos a ilusão de que com o crescimento econômico e a melhoria educacional tudo vai melhorar. O País está mais rico e, ao que tudo indica, mais corrupto. Existem avanços. O Ministério Público, a Polícia Federal, a própria Justiça. Mas, na avaliação do professor, temos uma política pior.
Daniel Dantas tem demonstrado habilidade de criar uma teia de sustentação em todos os governos. O que isso diz a respeito do Brasil?
É o chamado capitalismo político. Ele faz crescer sua fortuna pelos contatos políticos e o recebimento de informação privilegiada. O Brasil tem uma formação patrimonialista, ou seja, o Estado é o verdadeiro detentor da riqueza. Seu poder é avassalador. O emaranhado jurídico é tal que se tornou impossível manter uma empresa sempre em ordem. Daí a capacidade de pressão do governo ser devastadora. A influência do Estado em setores por natureza oligopólicos como telecomunicações, energia ou aviação é ainda maior. Desse jeito, um sujeito que tenha capacitação técnica e audácia, como Daniel Dantas, precisa de contatos políticos para se sustentar empresarialmente. É evidente que o caso dele, que dizem ter recorrido até a empresas de espionagem, é extremado. Mas todo grande empresário brasileiro precisa de uma relação simbiótica com o governo. Porque a mão do governo está presente em tudo.
Essa é a origem da corrupção no Brasil?
O problema da corrupção é muito mais profundo. Hoje estamos muito desarmados intelectualmente para compreender suas origens. O que nos sobra são dois consensos. O primeiro é de que a corrupção é generalizada na sociedade e todos discordamos do comportamento de todo mundo. O segundo é que a impunidade é ampla. Há uma total incapacidade de aplicar as leis. Se fôssemos punir, segundo o que manda a lei, toda a corrupção que há no País teríamos que pôr na cadeia metade da população. O que está acontecendo, agora, é uma tentativa de sair dessa síndrome da impunidade. Por isso um juiz federal manda prender, no Supremo mandam soltar, o juiz pede novamente a prisão. Mas daí pode haver um excesso do juiz federal, uma arbitrariedade, criando um clima de insegurança jurídica.
Por que não debelamos a corrupção?
Porque a enxergamos por uma ótica otimista. Atribuímos tudo ao passado: à colonização, aos portugueses, à formação do País. É uma análise evolucionista. Temos a impressão de que vamos em direção a algo melhor. O que atrapalharia seriam os grilhões do passado. Isso não é necessariamente verdade. Essa leitura esconde outra premissa, o conceito do bom selvagem de Jean-Jacques Rousseau. O homem é bom, mas a sociedade o corrompe. No Brasil, a elite é ruim, mas o povo é essencialmente bom. Essa impressão é profundamente superficial. O Brasil é essencialmente corrupto. A verdade é a seguinte: nada indica que estamos a caminho de um mundo melhor. Corrupção e clientelismo não estão dando sinais de terem diminuído. Acho que estão aumentando. Quando o governo diz que temos mais informação sobre corrupção e só por isso ela aparece mais, isso soa como uma afirmação tão válida quanto qualquer outra. Só poderia aceitá-la se o governo tivesse uma lista com todos os corruptos e quanto desviaram ao longo dos tempos. No Brasil, a transgressão é generalizada e ocorre sempre por motivos econômicos. Há casos passionais, mas esses existem em qualquer sociedade e são a exceção. Estelionato, assalto, corrupção, o crime brasileiro tem causas econômicas.
Quais as causas da corrupção brasileira?
São três. A primeira é o crescimento econômico. Lá nos anos 50, desenvolvimentistas, acreditávamos que o enriquecimento do País levaria a uma população mais bem educada e enfim teríamos um Estado impessoal no qual todos que quebrassem a lei seriam punidos. O Brasil enriqueceu e nada disso aconteceu. Sempre que há um momento de crescimento econômico e modernização, surgem novas oportunidades de corrupção. É assim em todo lugar, não só nas nações pobres. Na França ou nos EUA, também. É quando aparece o conluio de grupos para fraudar licitações promovidas pelo Estado, por exemplo. Porque são oportunidades óbvias, envolvendo grandes quantias. Mesmo nas nações mais liberais, quando a economia cresce o Estado contrata muitos serviços envolvendo valores altos. Quando um país passa por uma grande transformação econômica, como é nosso caso, a tendência aumenta. No caso das privatizações, por exemplo, grandes somas passaram de uma mão para a outra e a corrupção foi inevitável, por mais que existissem controles. Na Rússia foi muito pior. O Japão tem uma corrupção monstro até hoje. A Coréia do Sul, também. São governos que concentram muito poder. A China se tornou capitalista faz quanto tempo? Vinte anos. E já ostenta um número grande de bilionários. Mesmo considerando o ritmo de crescimento chinês, essa riqueza veio como? Não pelo mérito.
E a segunda causa?
Mobilidade social. Nosso País tem 200 milhões de pessoas, metade delas muito carentes, a outra metade louca para melhorar de vida. Há muita mobilidade social. Quem diz que, no Brasil, o pobre nasce e morre pobre está no mundo da lua. Qualquer pequeno movimento da economia provoca mudanças imediatas, toda oportunidade aqui é aproveitada, pois o mercado é imenso e tem carências enormes. Nos últimos meses, por exemplo, quando o crédito para automóvel se estendeu, todo mundo comprou imediatamente sem se preocupar com quantas prestações ia pagar ou com o trânsito ruim. Automóvel facilita a vida e é um símbolo de status. O brasileiro tem uma vontade incrível de melhorar de vida, de ter melhor situação que a que seu pai teve. Junte as duas questões, oportunidades de corrupção e a vontade de melhorar de vida, e una isso à terceira causa: as normas brasileiras são frouxas.
É nossa herança portuguesa?
As normas morais, no Brasil, sempre foram fraquíssimas. Comparado à Europa, tivemos, por exemplo, uma Igreja muito fraca. O Direito, até há muito pouco tempo, não chegava a boa parte do País. As normas sociais são débeis e o Estado é incapaz de aplicá-las. A origem disso é o de menos. Nosso problema não é o passado, é o presente. Voltemos a Rousseau. Há algumas décadas, a Igreja no Brasil era fraca, mas muito reacionária. Defendia a propriedade, o latifúndio. Hoje, a Igreja é outra, acredita em Rousseau. Essa visão de que o povo é essencialmente bom, mas corrompido pelo ambiente, se espalhou por todos os setores da sociedade. É uma mentalidade que impede a aplicação da lei. Só a defesa do altruísmo é legítima. Um grupo que defenda seus interesses é considerado imoral. A palavra "interesse" soa suja, sugere um indivíduo calculista. Acreditamos em Papai Noel. Cremos que as pessoas são boas por princípio. Nos EUA, a cabeça deles não é Rousseau. É Thomas Hobbes. Para eles, as pessoas são más. É preciso vigiar o comportamento a toda hora. É preciso cumprir a lei, porque se não cumprir, a transgressão será generalizada. Polícia não tem que achar que as pessoas são boas ou são más. Tem é que olhar transgressão. A política tem que lidar com a probabilidade de certos comportamentos ocorrerem e se prevenir. Achamos que tudo que deu errado no Brasil tem uma origem social em algum ponto do latifúndio, da família patriarcal ou do que quer que seja. É ingenuidade. Nós somos uma sociedade de 200 milhões de pessoas, completamente urbana e pobre. É um País diferente.
Gilberto Freyre está obsoleto?
Completamente. No tempo dele, acreditava-se naquela idéia de que geração de riqueza levava a um mundo mais perfeito. Vinte anos atrás havia uma discussão entre a esquerda e o malufismo, em São Paulo, se a polícia devia atuar preventiva ou repressivamente. Que discussão é essa? A polícia tem que atuar, só isso. Tínhamos que estar muito mais preparados em termos jurídicos e policiais para atuar quando há transgressão. Não se combatem valores culturais ou a propensão a certos comportamentos. Você combate infrações graves da norma legal. Nós não entendemos a gravidade da situação que o Brasil enfrenta. O nível de corrupção pode aumentar. Veja o exemplo paralelo, a violência urbana. Muitos teóricos falam como se fosse uma coisa de momento que, mais à frente, vai desaparecer. Mas como vai desaparecer? O país é urbano, tem periferias imensas, o tráfico de drogas atua em larga escala, não há nenhuma medida para combater o mercado da droga, que é o consumidor, ou a entrada da droga, nas fronteiras. A violência não vai desaparecer espontaneamente. O Brasil não enfrenta a transgressão.
Ricos não iam para a cadeia antes.
É verdade. Antes havia uma diferença de classes muito grande,. Você prendia o pobre, mas não o rico. Não estou negando que a Polícia Federal esteja mais eficiente. A mudança começa com a Constituição de 1988. Antes dela, os procuradores eram subordinados aos juízes. Ela deu autonomia ao Ministério Público e uma geração nova de procuradores veio com vontade de investigar. Por sua vez, isso fez com que muitos juízes também se mexessem. O fim da ditadura despertou, dentro da Polícia Federal, um debate. Estavam acostumados a agir sob os generais, o que a democracia representaria para eles? Demoraram uma década até encontrar um rumo. Ajudados pelo Ministério Público, que começou a investigar problemas em tudo quanto é área, ela encontrou sua vocação. Não foi só isso que mudou. Inflação corrói a sociedade, força todos ao comportamento criminoso. No início dos anos 90, ninguém comprava um imóvel, em São Paulo, sem uma mala cheia de dólares. Isso criou um câmbio negro e um mercado de ilícitos do qual todos participavam. Não há mais aquela inflação. A perna que não andou, nesse processo, foi a da CPI. Ela acaba se politizando tanto que fica inócua na maioria das vezes. O caso do mensalão é uma exceção. Levou 40 nomes para o Supremo.
Qual o problema do Congresso?
Câmara e Senado estão numa mediocridade como nunca vi. Vivemos uma entressafra de líderes políticos. No tempo da Constituinte você, sem dificuldades, punha no papel 20 nomes de imensa importância no cenário político nacional. Hoje, não dá. Não há incentivo para ser político. Vão chamar você de ladrão, sua família vai ficar chateada. O indivíduo que tem uma boa formação ganhará o triplo em outra profissão e terá fim de semana. Quando o crédito do político cai para quase zero, nasce um círculo vicioso. Ou você atrai corruptos ou gente despreparada. O Executivo não tem projeto. E os partidos não têm projeto. O resultado é que, sem ter o que fazer, deputados e senadores partem para a investigação. O Executivo reage com acordos políticos. A política no Brasil se resume a isso. Só.
Antes da ditadura, partidos como UDN e PTB de fato representavam setores da sociedade. O senhor não acha que hoje isso deixou de acontecer?
A UDN era o partido da classe média urbana, aquela gente que ganhava a vida duramente e não esperava uma aposentadoria generosa. Ainda existe essa classe média urbana, muito maior hoje. É um contingente de pessoas que paga o serviço duas vezes: o imposto para a educação e a educação na escola particular. Era um partido liberal. O DEM, hoje, não é um partido liberal. Por isso mudou de nome. Um partido liberal, no Brasil, teria que vir de São Paulo ou das grandes capitais. Não é o caso. O PSDB. O que é? É o partido da reforma feita no governo Fernando Henrique. Mas não descobriu uma agenda própria depois disso. E o PT? Alguns dizem que é representativo. Não sei de quê. Qual a doutrina econômica do PT? Vimos que não tinha. O partido chegou ao poder e desdisse tudo. Não tinha projeto. E desconfia do capitalismo. Tem uma cabeça nacionalista dos anos 50, com preconceito contra o setor privado. Não é à toa que a doutora Dilma é o braço forte do governo. Os partidos, no Brasil, foram dissolvidos em 30, em 37 e em 64. Os militares acreditavam que as origens da corrupção estava neles. Dissolveram e tentaram impor um sistema bipartidário como o britânico. Quando a democracia voltou, o País era completamente diferente e os partidos de antes não queriam dizer mais nada. Ficou um vácuo. Em 1989, quando tivemos a primeira eleição presidencial, houve 22 candidatos. Eram 21 partidos de oposição. E nenhum dos partidos grandes se saiu bem. É sinal de que não representavam mais os anseios da população.
Qual a responsabilidade da ditadura pela atual corrupção?
Quando os militares instauraram o regime, diziam "nós vamos combater a corrupção". Além de se intrometerem no sistema partidário que tinha seu valor, criaram um governo dez vezes mais concentrado. Na pressa de desenvolver o País, contrataram obras públicas faraônicas. Transformaram o País apoiados num crescimento de 8% a 10% ao ano. Posso bem imaginar quanto de superfaturamento houve naqueles 21 anos.
(Transcrito do suplemento Aliás do jornal O Estado de S. Paulo de 20/7/2008)
"O Brasil é essencialmente corrupto e precisamos encarar isso", diz o cientista político Bolívar Lamounier, autor, com outros estudiosos, de Cultura das Transgressões no Brasil (Ed. Saraiva). "Vivemos há cem anos a ilusão de que com o crescimento econômico e a melhoria educacional tudo vai melhorar. O País está mais rico e, ao que tudo indica, mais corrupto. Existem avanços. O Ministério Público, a Polícia Federal, a própria Justiça. Mas, na avaliação do professor, temos uma política pior.
Veja abaixo a entrevista de Bolívar Lamouniver a Pedro Doria publicada, hoje, em O Estado de S. Paulo.
"Admitamos que somos corruptos"
O Brasil ganharia se assumisse a queda que tem para a transgressão e os ilícitos, afirma Bolívar
A história de Daniel Dantas se confunde com a do Brasil nos últimos 15 anos. Aluno dileto do economista Mário Henrique Simonsen, foi cogitado para o Ministério da Fazenda no governo Fernando Collor e teve atuação de destaque na venda de estatais. É também uma história passada na iniciativa privada, sempre sinuosamente entrelaçada com a política e o governo.
Primeiro, pelas mãos de Antonio Carlos Magalhães, conterrâneo e protetor político. Então, durante o governo Fernando Henrique Cardoso, nas estreitas relações com economistas ligados ao Plano Real, como Pérsio Arida e Elena Landau. Agora, no governo Lula, com petistas como Luiz Eduardo Greenhalgh e José Dirceu.
Dantas dominou manchetes e conflitos acionários, cultivou inimigos poderosos na iniciativa privada e no Planalto. Preso pela Polícia Federal, provocou uma briga jamais vista, com procuradores e juízes federais se levantando contra o Supremo Tribunal Federal. É uma história que insinua profundos veios de corrupção nas entranhas do Estado.
"O Brasil é essencialmente corrupto e precisamos encarar isso", diz o cientista político Bolívar Lamounier, autor, com outros estudiosos, de Cultura das Transgressões no Brasil (Ed. Saraiva). "Vivemos há cem anos a ilusão de que com o crescimento econômico e a melhoria educacional tudo vai melhorar. O País está mais rico e, ao que tudo indica, mais corrupto. Existem avanços. O Ministério Público, a Polícia Federal, a própria Justiça. Mas, na avaliação do professor, temos uma política pior.
Daniel Dantas tem demonstrado habilidade de criar uma teia de sustentação em todos os governos. O que isso diz a respeito do Brasil?
É o chamado capitalismo político. Ele faz crescer sua fortuna pelos contatos políticos e o recebimento de informação privilegiada. O Brasil tem uma formação patrimonialista, ou seja, o Estado é o verdadeiro detentor da riqueza. Seu poder é avassalador. O emaranhado jurídico é tal que se tornou impossível manter uma empresa sempre em ordem. Daí a capacidade de pressão do governo ser devastadora. A influência do Estado em setores por natureza oligopólicos como telecomunicações, energia ou aviação é ainda maior. Desse jeito, um sujeito que tenha capacitação técnica e audácia, como Daniel Dantas, precisa de contatos políticos para se sustentar empresarialmente. É evidente que o caso dele, que dizem ter recorrido até a empresas de espionagem, é extremado. Mas todo grande empresário brasileiro precisa de uma relação simbiótica com o governo. Porque a mão do governo está presente em tudo.
Essa é a origem da corrupção no Brasil?
O problema da corrupção é muito mais profundo. Hoje estamos muito desarmados intelectualmente para compreender suas origens. O que nos sobra são dois consensos. O primeiro é de que a corrupção é generalizada na sociedade e todos discordamos do comportamento de todo mundo. O segundo é que a impunidade é ampla. Há uma total incapacidade de aplicar as leis. Se fôssemos punir, segundo o que manda a lei, toda a corrupção que há no País teríamos que pôr na cadeia metade da população. O que está acontecendo, agora, é uma tentativa de sair dessa síndrome da impunidade. Por isso um juiz federal manda prender, no Supremo mandam soltar, o juiz pede novamente a prisão. Mas daí pode haver um excesso do juiz federal, uma arbitrariedade, criando um clima de insegurança jurídica.
Por que não debelamos a corrupção?
Porque a enxergamos por uma ótica otimista. Atribuímos tudo ao passado: à colonização, aos portugueses, à formação do País. É uma análise evolucionista. Temos a impressão de que vamos em direção a algo melhor. O que atrapalharia seriam os grilhões do passado. Isso não é necessariamente verdade. Essa leitura esconde outra premissa, o conceito do bom selvagem de Jean-Jacques Rousseau. O homem é bom, mas a sociedade o corrompe. No Brasil, a elite é ruim, mas o povo é essencialmente bom. Essa impressão é profundamente superficial. O Brasil é essencialmente corrupto. A verdade é a seguinte: nada indica que estamos a caminho de um mundo melhor. Corrupção e clientelismo não estão dando sinais de terem diminuído. Acho que estão aumentando. Quando o governo diz que temos mais informação sobre corrupção e só por isso ela aparece mais, isso soa como uma afirmação tão válida quanto qualquer outra. Só poderia aceitá-la se o governo tivesse uma lista com todos os corruptos e quanto desviaram ao longo dos tempos. No Brasil, a transgressão é generalizada e ocorre sempre por motivos econômicos. Há casos passionais, mas esses existem em qualquer sociedade e são a exceção. Estelionato, assalto, corrupção, o crime brasileiro tem causas econômicas.
Quais as causas da corrupção brasileira?
São três. A primeira é o crescimento econômico. Lá nos anos 50, desenvolvimentistas, acreditávamos que o enriquecimento do País levaria a uma população mais bem educada e enfim teríamos um Estado impessoal no qual todos que quebrassem a lei seriam punidos. O Brasil enriqueceu e nada disso aconteceu. Sempre que há um momento de crescimento econômico e modernização, surgem novas oportunidades de corrupção. É assim em todo lugar, não só nas nações pobres. Na França ou nos EUA, também. É quando aparece o conluio de grupos para fraudar licitações promovidas pelo Estado, por exemplo. Porque são oportunidades óbvias, envolvendo grandes quantias. Mesmo nas nações mais liberais, quando a economia cresce o Estado contrata muitos serviços envolvendo valores altos. Quando um país passa por uma grande transformação econômica, como é nosso caso, a tendência aumenta. No caso das privatizações, por exemplo, grandes somas passaram de uma mão para a outra e a corrupção foi inevitável, por mais que existissem controles. Na Rússia foi muito pior. O Japão tem uma corrupção monstro até hoje. A Coréia do Sul, também. São governos que concentram muito poder. A China se tornou capitalista faz quanto tempo? Vinte anos. E já ostenta um número grande de bilionários. Mesmo considerando o ritmo de crescimento chinês, essa riqueza veio como? Não pelo mérito.
E a segunda causa?
Mobilidade social. Nosso País tem 200 milhões de pessoas, metade delas muito carentes, a outra metade louca para melhorar de vida. Há muita mobilidade social. Quem diz que, no Brasil, o pobre nasce e morre pobre está no mundo da lua. Qualquer pequeno movimento da economia provoca mudanças imediatas, toda oportunidade aqui é aproveitada, pois o mercado é imenso e tem carências enormes. Nos últimos meses, por exemplo, quando o crédito para automóvel se estendeu, todo mundo comprou imediatamente sem se preocupar com quantas prestações ia pagar ou com o trânsito ruim. Automóvel facilita a vida e é um símbolo de status. O brasileiro tem uma vontade incrível de melhorar de vida, de ter melhor situação que a que seu pai teve. Junte as duas questões, oportunidades de corrupção e a vontade de melhorar de vida, e una isso à terceira causa: as normas brasileiras são frouxas.
É nossa herança portuguesa?
As normas morais, no Brasil, sempre foram fraquíssimas. Comparado à Europa, tivemos, por exemplo, uma Igreja muito fraca. O Direito, até há muito pouco tempo, não chegava a boa parte do País. As normas sociais são débeis e o Estado é incapaz de aplicá-las. A origem disso é o de menos. Nosso problema não é o passado, é o presente. Voltemos a Rousseau. Há algumas décadas, a Igreja no Brasil era fraca, mas muito reacionária. Defendia a propriedade, o latifúndio. Hoje, a Igreja é outra, acredita em Rousseau. Essa visão de que o povo é essencialmente bom, mas corrompido pelo ambiente, se espalhou por todos os setores da sociedade. É uma mentalidade que impede a aplicação da lei. Só a defesa do altruísmo é legítima. Um grupo que defenda seus interesses é considerado imoral. A palavra "interesse" soa suja, sugere um indivíduo calculista. Acreditamos em Papai Noel. Cremos que as pessoas são boas por princípio. Nos EUA, a cabeça deles não é Rousseau. É Thomas Hobbes. Para eles, as pessoas são más. É preciso vigiar o comportamento a toda hora. É preciso cumprir a lei, porque se não cumprir, a transgressão será generalizada. Polícia não tem que achar que as pessoas são boas ou são más. Tem é que olhar transgressão. A política tem que lidar com a probabilidade de certos comportamentos ocorrerem e se prevenir. Achamos que tudo que deu errado no Brasil tem uma origem social em algum ponto do latifúndio, da família patriarcal ou do que quer que seja. É ingenuidade. Nós somos uma sociedade de 200 milhões de pessoas, completamente urbana e pobre. É um País diferente.
Gilberto Freyre está obsoleto?
Completamente. No tempo dele, acreditava-se naquela idéia de que geração de riqueza levava a um mundo mais perfeito. Vinte anos atrás havia uma discussão entre a esquerda e o malufismo, em São Paulo, se a polícia devia atuar preventiva ou repressivamente. Que discussão é essa? A polícia tem que atuar, só isso. Tínhamos que estar muito mais preparados em termos jurídicos e policiais para atuar quando há transgressão. Não se combatem valores culturais ou a propensão a certos comportamentos. Você combate infrações graves da norma legal. Nós não entendemos a gravidade da situação que o Brasil enfrenta. O nível de corrupção pode aumentar. Veja o exemplo paralelo, a violência urbana. Muitos teóricos falam como se fosse uma coisa de momento que, mais à frente, vai desaparecer. Mas como vai desaparecer? O país é urbano, tem periferias imensas, o tráfico de drogas atua em larga escala, não há nenhuma medida para combater o mercado da droga, que é o consumidor, ou a entrada da droga, nas fronteiras. A violência não vai desaparecer espontaneamente. O Brasil não enfrenta a transgressão.
Ricos não iam para a cadeia antes.
É verdade. Antes havia uma diferença de classes muito grande,. Você prendia o pobre, mas não o rico. Não estou negando que a Polícia Federal esteja mais eficiente. A mudança começa com a Constituição de 1988. Antes dela, os procuradores eram subordinados aos juízes. Ela deu autonomia ao Ministério Público e uma geração nova de procuradores veio com vontade de investigar. Por sua vez, isso fez com que muitos juízes também se mexessem. O fim da ditadura despertou, dentro da Polícia Federal, um debate. Estavam acostumados a agir sob os generais, o que a democracia representaria para eles? Demoraram uma década até encontrar um rumo. Ajudados pelo Ministério Público, que começou a investigar problemas em tudo quanto é área, ela encontrou sua vocação. Não foi só isso que mudou. Inflação corrói a sociedade, força todos ao comportamento criminoso. No início dos anos 90, ninguém comprava um imóvel, em São Paulo, sem uma mala cheia de dólares. Isso criou um câmbio negro e um mercado de ilícitos do qual todos participavam. Não há mais aquela inflação. A perna que não andou, nesse processo, foi a da CPI. Ela acaba se politizando tanto que fica inócua na maioria das vezes. O caso do mensalão é uma exceção. Levou 40 nomes para o Supremo.
Qual o problema do Congresso?
Câmara e Senado estão numa mediocridade como nunca vi. Vivemos uma entressafra de líderes políticos. No tempo da Constituinte você, sem dificuldades, punha no papel 20 nomes de imensa importância no cenário político nacional. Hoje, não dá. Não há incentivo para ser político. Vão chamar você de ladrão, sua família vai ficar chateada. O indivíduo que tem uma boa formação ganhará o triplo em outra profissão e terá fim de semana. Quando o crédito do político cai para quase zero, nasce um círculo vicioso. Ou você atrai corruptos ou gente despreparada. O Executivo não tem projeto. E os partidos não têm projeto. O resultado é que, sem ter o que fazer, deputados e senadores partem para a investigação. O Executivo reage com acordos políticos. A política no Brasil se resume a isso. Só.
Antes da ditadura, partidos como UDN e PTB de fato representavam setores da sociedade. O senhor não acha que hoje isso deixou de acontecer?
A UDN era o partido da classe média urbana, aquela gente que ganhava a vida duramente e não esperava uma aposentadoria generosa. Ainda existe essa classe média urbana, muito maior hoje. É um contingente de pessoas que paga o serviço duas vezes: o imposto para a educação e a educação na escola particular. Era um partido liberal. O DEM, hoje, não é um partido liberal. Por isso mudou de nome. Um partido liberal, no Brasil, teria que vir de São Paulo ou das grandes capitais. Não é o caso. O PSDB. O que é? É o partido da reforma feita no governo Fernando Henrique. Mas não descobriu uma agenda própria depois disso. E o PT? Alguns dizem que é representativo. Não sei de quê. Qual a doutrina econômica do PT? Vimos que não tinha. O partido chegou ao poder e desdisse tudo. Não tinha projeto. E desconfia do capitalismo. Tem uma cabeça nacionalista dos anos 50, com preconceito contra o setor privado. Não é à toa que a doutora Dilma é o braço forte do governo. Os partidos, no Brasil, foram dissolvidos em 30, em 37 e em 64. Os militares acreditavam que as origens da corrupção estava neles. Dissolveram e tentaram impor um sistema bipartidário como o britânico. Quando a democracia voltou, o País era completamente diferente e os partidos de antes não queriam dizer mais nada. Ficou um vácuo. Em 1989, quando tivemos a primeira eleição presidencial, houve 22 candidatos. Eram 21 partidos de oposição. E nenhum dos partidos grandes se saiu bem. É sinal de que não representavam mais os anseios da população.
Qual a responsabilidade da ditadura pela atual corrupção?
Quando os militares instauraram o regime, diziam "nós vamos combater a corrupção". Além de se intrometerem no sistema partidário que tinha seu valor, criaram um governo dez vezes mais concentrado. Na pressa de desenvolver o País, contrataram obras públicas faraônicas. Transformaram o País apoiados num crescimento de 8% a 10% ao ano. Posso bem imaginar quanto de superfaturamento houve naqueles 21 anos.
(Transcrito do suplemento Aliás do jornal O Estado de S. Paulo de 20/7/2008)
domingo, 20 de julho de 2008
Símbolo da alegria brasileira
De O Globo Online
Dercy Gonçalves morreu às 16h45 deste sábado devido a complicações por causa de uma forte pneumonia. Ela deu entrada no Centro de Tratamento Intensivo (CTI) do Hospital São Lucas, em Copacabana, de madrugada. As informações são da assessoria de imprensa do hospital.
A atriz e comediante tinha 101 anos e sempre foi conhecida por sua irreverência e língua afiada. Sempre rodeada por familiares e amigos, Dercy era reverenciada por onde passava.
Batizada Dolores Gonçalves Costa, ela sempre interpretou si mesma em seus mais de 70 anos de carreira. Rebolou no teatro de revista, fez o que quis nas chanchadas do cinema, xingou na televisão, falou o que todo mundo apenas pensava - e, de quebra, fundou o improviso e o escracho no humor brasileiro.
- Dercy é sensacional, uma grande amiga e uma pessoa profundamente crítica. Ela não acreditava na velhice e criticava quem se entregava. Ela falava os palavrões mais carinhosos que alguém podia ouvir. Era uma pessoa profundamente séria e absolutamente franca - declarou o amigo Ary Fontoura em entrevista à GloboNews. - Vá com Deus, minha amiga, criadora do palavrão carinhoso.
A atriz e comediante tinha 101 anos e sempre foi conhecida por sua irreverência e língua afiada. Sempre rodeada por familiares e amigos, Dercy era reverenciada por onde passava.
Batizada Dolores Gonçalves Costa, ela sempre interpretou si mesma em seus mais de 70 anos de carreira. Rebolou no teatro de revista, fez o que quis nas chanchadas do cinema, xingou na televisão, falou o que todo mundo apenas pensava - e, de quebra, fundou o improviso e o escracho no humor brasileiro.
- Dercy é sensacional, uma grande amiga e uma pessoa profundamente crítica. Ela não acreditava na velhice e criticava quem se entregava. Ela falava os palavrões mais carinhosos que alguém podia ouvir. Era uma pessoa profundamente séria e absolutamente franca - declarou o amigo Ary Fontoura em entrevista à GloboNews. - Vá com Deus, minha amiga, criadora do palavrão carinhoso.
sexta-feira, 18 de julho de 2008
Atuações interessantes
(Comentário da Lucia Hippolito à CBN)
O Congresso entrou hoje em recesso, depois de um primeiro semestre medíocre, do ponto de vista da produção legislativa. Parlamentares enredaram-se em CPIs que não deram em nada, disputas entre governo e oposição por conta de dossiês produzidos na Casa Civil e tentativa frustrada (até agora) de recriação da CPMF.
Mas é justo considerar positiva a atuação dos presidentes das duas casas.
Na Câmara, Arlindo Chinaglia é muito superior aos dois presidentes que o antecederam. No biênio 2003-05, o petista João Paulo Cunha foi protagonista de um escândalo a que nem a ditadura ousou: chamou a polícia para dentro das instalações do Congresso Nacional, porque foi incompetente para controlar uma tentativa de invasão do Congresso por baderneiros travestidos de reivindicadores.
(Em 24 de julho de 2003, funcionários públicos inconformados com a reforma da Previdência invadiram a Câmara dos Deputados, promoveram apitaço e baderna. O dep. João Paulo Cunha chamou a polícia para dentro do Congresso Nacional, fato inédito.)
Em seguida, João Paulo Cunha atolou-se até o pescoço no escândalo do mensalão.
Deputado medíocre, presidente de Câmara igualmente medíocre, inteiramente submisso ao tacão do Palácio do Planalto, sobretudo de José Dirceu. Envergonhou o Poder Legislativo do Brasil.
Seu sucessor, Severino Cavalcanti, rei do baixo clero, deputado igualmente medíocre, teve que renunciar para não ser cassado por receber mensalinho de um concessionário de restaurante na Câmara. Outra vergonha!
Arlindo Chinaglia é cuidadoso, move-se com cautela, presta atenção à própria biografia. Tem que se equilibrar entre as ordens do Planalto e a necessária independência da Câmara.
Joga um pouco para a platéia, ameaçando cortar o ponto de deputado faltoso. Quer porque quer contrariar a maioria no segundo semestre, fingindo ignorar que é um ano eleitoral e que o recesso branco é uma realidade.
Já percebeu que a Medida Provisória está matando o Legislativo brasileiro e tenta encontrar um ponto de equilíbrio entre as demandas do Planalto e a autonomia do Legislativo.
Chinaglia tem pretensões a vôos mais altos. Inspira-se mais em Aécio Neves, que saiu da presidência da Câmara para o governo de Minas, do que em João Paulo Cunha, que saiu da presidência da Câmara para o anonimato e para as páginas do procurador-geral da República e hoje é réu no caso do mensalão.
Enquanto isso, no Senado, Garibaldi Alves foi eleito para completar o mandato de Renan Calheiros, que renunciou depois de ter mergulhado o Senado na mais completa desmoralização.
Garibaldi não parece ter amantes, nem filhos fora do casamento, nem bois voadores. Cara de bonachão, tem oratória antiquada. Mas de bobo não tem nadinha de nada.
Com muito mais independência do que Chinaglia, Garibaldi vem alertando seguidamente o governo sobre o excesso de Medidas Provisórias. Avisou que a CPMF não passaria no Senado. Avisou que a recriação da CPMF também não passará. Conhece a casa que preside.
Mas Garibaldi foi crítico também em relação aos senadores. Considerou medíocre a CPI dos cartões corporativos (e seus pífios resultados), alertou para o risco de banalização das CPIs.
E foi o principal responsável pelo recuo da mesa diretora do Senado no caso da última tentativa de trem da alegria na casa (contratação de 97 assessores sem concurso).
Realmente, são dois presidentes muito diferentes de seus antecessores.
Diferentes para melhor.
O Congresso entrou hoje em recesso, depois de um primeiro semestre medíocre, do ponto de vista da produção legislativa. Parlamentares enredaram-se em CPIs que não deram em nada, disputas entre governo e oposição por conta de dossiês produzidos na Casa Civil e tentativa frustrada (até agora) de recriação da CPMF.
Mas é justo considerar positiva a atuação dos presidentes das duas casas.
Na Câmara, Arlindo Chinaglia é muito superior aos dois presidentes que o antecederam. No biênio 2003-05, o petista João Paulo Cunha foi protagonista de um escândalo a que nem a ditadura ousou: chamou a polícia para dentro das instalações do Congresso Nacional, porque foi incompetente para controlar uma tentativa de invasão do Congresso por baderneiros travestidos de reivindicadores.
(Em 24 de julho de 2003, funcionários públicos inconformados com a reforma da Previdência invadiram a Câmara dos Deputados, promoveram apitaço e baderna. O dep. João Paulo Cunha chamou a polícia para dentro do Congresso Nacional, fato inédito.)
Em seguida, João Paulo Cunha atolou-se até o pescoço no escândalo do mensalão.
Deputado medíocre, presidente de Câmara igualmente medíocre, inteiramente submisso ao tacão do Palácio do Planalto, sobretudo de José Dirceu. Envergonhou o Poder Legislativo do Brasil.
Seu sucessor, Severino Cavalcanti, rei do baixo clero, deputado igualmente medíocre, teve que renunciar para não ser cassado por receber mensalinho de um concessionário de restaurante na Câmara. Outra vergonha!
Arlindo Chinaglia é cuidadoso, move-se com cautela, presta atenção à própria biografia. Tem que se equilibrar entre as ordens do Planalto e a necessária independência da Câmara.
Joga um pouco para a platéia, ameaçando cortar o ponto de deputado faltoso. Quer porque quer contrariar a maioria no segundo semestre, fingindo ignorar que é um ano eleitoral e que o recesso branco é uma realidade.
Já percebeu que a Medida Provisória está matando o Legislativo brasileiro e tenta encontrar um ponto de equilíbrio entre as demandas do Planalto e a autonomia do Legislativo.
Chinaglia tem pretensões a vôos mais altos. Inspira-se mais em Aécio Neves, que saiu da presidência da Câmara para o governo de Minas, do que em João Paulo Cunha, que saiu da presidência da Câmara para o anonimato e para as páginas do procurador-geral da República e hoje é réu no caso do mensalão.
Enquanto isso, no Senado, Garibaldi Alves foi eleito para completar o mandato de Renan Calheiros, que renunciou depois de ter mergulhado o Senado na mais completa desmoralização.
Garibaldi não parece ter amantes, nem filhos fora do casamento, nem bois voadores. Cara de bonachão, tem oratória antiquada. Mas de bobo não tem nadinha de nada.
Com muito mais independência do que Chinaglia, Garibaldi vem alertando seguidamente o governo sobre o excesso de Medidas Provisórias. Avisou que a CPMF não passaria no Senado. Avisou que a recriação da CPMF também não passará. Conhece a casa que preside.
Mas Garibaldi foi crítico também em relação aos senadores. Considerou medíocre a CPI dos cartões corporativos (e seus pífios resultados), alertou para o risco de banalização das CPIs.
E foi o principal responsável pelo recuo da mesa diretora do Senado no caso da última tentativa de trem da alegria na casa (contratação de 97 assessores sem concurso).
Realmente, são dois presidentes muito diferentes de seus antecessores.
Diferentes para melhor.
Operação Satiagraha
Polícia Federal divulga trechos editados de gravação de delegado.
A Polícia Federal divulgou trechos editados da gravação da reunião em que o delegado Protógenes Queiroz pediu afastamento da Operação Satiagraha.
A reunião durou cerca de três horas, mas os três trechos divulgados pela PF somam apenas cinco minutos.
Na gravação, o delegado se coloca à disposição para permanecer na operação, diz que pretende concluir o relatório sobre as investigações, mas pede afastamento para poder terminar o curso.
Segundo a Polícia Federal, a gravação não foi divulgada na íntegra porque durante a reunião foram discutidos assuntos sigilosos.
A Polícia Federal divulgou trechos editados da gravação da reunião em que o delegado Protógenes Queiroz pediu afastamento da Operação Satiagraha.
A reunião durou cerca de três horas, mas os três trechos divulgados pela PF somam apenas cinco minutos.
Na gravação, o delegado se coloca à disposição para permanecer na operação, diz que pretende concluir o relatório sobre as investigações, mas pede afastamento para poder terminar o curso.
Segundo a Polícia Federal, a gravação não foi divulgada na íntegra porque durante a reunião foram discutidos assuntos sigilosos.
quinta-feira, 17 de julho de 2008
Semana cheia
Cacciola chegou!
Esse é o assunto de hoje nos principais jornais do país.
O caso Daniel Dantas parece que já está sendo esquecido pela opinião pública da mesma forma que o Caso Isabella.
Durante essa semana viu-se de tudo: crise entre os poderes Executivo e Judiciário, prisão e soltura de um empresário articulador (Daniel Dantas), revista feita pela Polícia Fedral na casa de Eike Batista, a chegada de Cacciola para ser julgado pelas leis do Brasil.
O fato é que esses assuntos ainda irão permanecer durante toda a próxima semana sendo comentados pela imprensa.
Na política, o Congresso entra em recesso e cancela - por enquanto - a contratação de 97 novos cargos, cargos que beneficiam apenas os cabos eleitorais dos parlamentares medíocres, onde muitos não foram eleitos com um único voto.
Na economia, o panorama encontra-se estável com a inflação ainda próximo da meta.
Para a semana tem muito o que especular. o jeito é esperar e ver o que virá por aí.
Esse é o assunto de hoje nos principais jornais do país.
O caso Daniel Dantas parece que já está sendo esquecido pela opinião pública da mesma forma que o Caso Isabella.
Durante essa semana viu-se de tudo: crise entre os poderes Executivo e Judiciário, prisão e soltura de um empresário articulador (Daniel Dantas), revista feita pela Polícia Fedral na casa de Eike Batista, a chegada de Cacciola para ser julgado pelas leis do Brasil.
O fato é que esses assuntos ainda irão permanecer durante toda a próxima semana sendo comentados pela imprensa.
Na política, o Congresso entra em recesso e cancela - por enquanto - a contratação de 97 novos cargos, cargos que beneficiam apenas os cabos eleitorais dos parlamentares medíocres, onde muitos não foram eleitos com um único voto.
Na economia, o panorama encontra-se estável com a inflação ainda próximo da meta.
Para a semana tem muito o que especular. o jeito é esperar e ver o que virá por aí.
Eleições em Nova Iguaçu
Intenção de voto
IBPS: Bornier mantém liderança em Nova Iguaçu
Pesquisa divulgada nesta terça-feira pelo Instituto Brasileiro de Pesquisas Sociais (IBPS) mostra que o candidato a prefeito de Nova Iguaçu Nelson Bornier (PMDB) continua liderando a disputa eleitoral no município, com 40,9% da intenção de voto. A diferença é de nove pontos percentuais em relação à consulta de maio, quando tinha 31,7%. Em seguida, está o prefeito Lindberg Farias (PT), que também apresentou aumento de nove pontos percentuais, de 26% para 35,6%
Empatados, em terceiro lugar, estão os candidatos Carlão do PSTU (PSTU) e Antônio Cottas (PSol), ambos com 0,6%. O candidato do PCB, José Renato, tem 0,5% da intenção de voto. Pelo menos 15% dos eleitores se mostraram indecisos. Votos brancos e nulos somam 6,3%. O candidato Baleinha (PTC) não recebeu nenhum voto.
Lindberg apresenta o maior índice de rejeição, com 28,2%, seguido de Nelson Bornier, com 15,6%; Baleinha, com 4,2%; Carlão do PSTU, com 3,4%; Antônio Cottas, com 1,2%; e José Renato, com 1%.
Solicitados a avaliar o desempenho da prefeitura por área de atuação mediante a atribuição de notas que variassem de 0 a 10, os eleitores deram as seguintes notas médias: saúde (3,41); educação (4,9); saneamento básico (5,01); conservação de ruas e praças (5,03); e transporte (5,38).
O IBPS também entrevistou eleitores sobre qual deveria ser a prioridade do próximo prefeito da cidade. Para 56.6% dos entrevistados, a saúde deve estar em primeiro lugar, seguida da educação (9.4%), saneamento básico (8.5%), obras (4,8%) e transporte/trânsito (3,7%).
O IBPS ouviu 859 eleitores, por telefone, entre os dias 9 e 11 de julho. A margem de erro é de 3,4%, para mais ou para menos, e o intervalo de confiança é de 95%. A pesquisa foi registrada na 82ª Zona Eleitoral, RPE número 004/2008.
IBPS: Bornier mantém liderança em Nova Iguaçu
Pesquisa divulgada nesta terça-feira pelo Instituto Brasileiro de Pesquisas Sociais (IBPS) mostra que o candidato a prefeito de Nova Iguaçu Nelson Bornier (PMDB) continua liderando a disputa eleitoral no município, com 40,9% da intenção de voto. A diferença é de nove pontos percentuais em relação à consulta de maio, quando tinha 31,7%. Em seguida, está o prefeito Lindberg Farias (PT), que também apresentou aumento de nove pontos percentuais, de 26% para 35,6%
Empatados, em terceiro lugar, estão os candidatos Carlão do PSTU (PSTU) e Antônio Cottas (PSol), ambos com 0,6%. O candidato do PCB, José Renato, tem 0,5% da intenção de voto. Pelo menos 15% dos eleitores se mostraram indecisos. Votos brancos e nulos somam 6,3%. O candidato Baleinha (PTC) não recebeu nenhum voto.
Lindberg apresenta o maior índice de rejeição, com 28,2%, seguido de Nelson Bornier, com 15,6%; Baleinha, com 4,2%; Carlão do PSTU, com 3,4%; Antônio Cottas, com 1,2%; e José Renato, com 1%.
Solicitados a avaliar o desempenho da prefeitura por área de atuação mediante a atribuição de notas que variassem de 0 a 10, os eleitores deram as seguintes notas médias: saúde (3,41); educação (4,9); saneamento básico (5,01); conservação de ruas e praças (5,03); e transporte (5,38).
O IBPS também entrevistou eleitores sobre qual deveria ser a prioridade do próximo prefeito da cidade. Para 56.6% dos entrevistados, a saúde deve estar em primeiro lugar, seguida da educação (9.4%), saneamento básico (8.5%), obras (4,8%) e transporte/trânsito (3,7%).
O IBPS ouviu 859 eleitores, por telefone, entre os dias 9 e 11 de julho. A margem de erro é de 3,4%, para mais ou para menos, e o intervalo de confiança é de 95%. A pesquisa foi registrada na 82ª Zona Eleitoral, RPE número 004/2008.
Vinicius Cordeiro (PTdoB)
Vinicius Cordeiro disputará sua primeira eleição para a prefeitura. Aos 45 anos, é presidente regional do PTdoB há 12 anos. Formado em direito pela UFRJ, integrou a direção da UNE quando era estudante. Entrou no PTB em 1980, mas divergências políticas o fizeram deixar o partido. Em 1994, ajudou o fundar o PTdoB e quatro anos depois disputava sua primeira eleição para o Senado. Advogado há mais de 20 anos, Vinícius Cordeiro se dedicou particularmente ao campo do direito eleitoral. Foi dirigente jurídico em diversas ONGs, entidades assistenciais, de defesa do meio ambiente e associações de moradores. Atuou ainda na assessoria técnica da Secretaria Estadual de Meio Ambiente e também na Secretaria de Saúde. Disputou uma vaga no Senado em 1998 e para deputado federal em 2002 e 2006.
"Estou profundamente insatisfeito com a situação que a cidade vive, com ruas esburacadas, sujas, mal iluminadas e hospitais que não atendem bem a população. Os candidatos que se apresentaram não representam alternativas que a cidade necessita, ou seja, preparo administrativo, independência ante os grandes grupos políticos do estado e da cidade. Eu entendo estar credenciado porque tenho vivência administrativa".
Vinicius Cordeiro disputará sua primeira eleição para a prefeitura. Aos 45 anos, é presidente regional do PTdoB há 12 anos. Formado em direito pela UFRJ, integrou a direção da UNE quando era estudante. Entrou no PTB em 1980, mas divergências políticas o fizeram deixar o partido. Em 1994, ajudou o fundar o PTdoB e quatro anos depois disputava sua primeira eleição para o Senado. Advogado há mais de 20 anos, Vinícius Cordeiro se dedicou particularmente ao campo do direito eleitoral. Foi dirigente jurídico em diversas ONGs, entidades assistenciais, de defesa do meio ambiente e associações de moradores. Atuou ainda na assessoria técnica da Secretaria Estadual de Meio Ambiente e também na Secretaria de Saúde. Disputou uma vaga no Senado em 1998 e para deputado federal em 2002 e 2006.
"Estou profundamente insatisfeito com a situação que a cidade vive, com ruas esburacadas, sujas, mal iluminadas e hospitais que não atendem bem a população. Os candidatos que se apresentaram não representam alternativas que a cidade necessita, ou seja, preparo administrativo, independência ante os grandes grupos políticos do estado e da cidade. Eu entendo estar credenciado porque tenho vivência administrativa".
quarta-feira, 16 de julho de 2008
O Globo Online
Mesa Diretora do Senado volta atrás e arquiva criação de 97 cargos sem concurso em gabinetes e lideranças
Integrantes da Mesa Diretora do Senado decidiram nesta terça-feira, por unanimidade, recuar da decisão, tomada na última quarta-feira, de criar 97 novos cargos de confiança, com salário bruto de R$ 9.979,24, sem concurso, para gabinetes dos senadores e nas lideranças partidárias. O concurso público para preenchimento de 150 vagas em diversos cargos, no entanto, está mantido. A data do concurso ainda não está marcada e dependerá da divulgação do edital.
(Saiba mais sobre quanto pode gastar um senador e um deputado)
- A repercussão foi negativa, ninguém pode negar, tapar o sol com a peneira. E entendeu a Mesa de cancelar. A pressão da opinião pública pesou e agora vamos realizar um concurso público para 50 vagas a partir de setembro - informou o presidente do Senado, Garibaldi Alves Filho (PMDB-RN), que foi comunicado por telefone da decisão. - Na hora em que não houve unanimidade, se afastou a possibilidade de se ter a decisão. Quem sai fortalecido é o Senado, que soube reconhecer que a medida não era oportuna - completou.
O presidente do Senado leu uma nota informando que "após consulta aos demais membros da Mesa, houve por bem cancelar a convocação da mesma para a data de hoje, face o assunto em pauta ter sido objeto de entendimento pela sua não-efetivação, considerando a ausência de unanimidade em torno do assunto".
Apesar de todos os líderes partidários terem assinado, em abril, a proposta de criação dos cargos, o senador Efraim Morais (DEM-PB) acabou ficando sozinho na defesa da proposta. Diplomático, o presidente do Senado evitou criticar os colegas.
- Também não acho que a posição deles seja tão equivocada, que eles estejam tão na contramão. Não quero criar esse tipo de polêmica dentro de uma Mesa que eu presido.
Num Senado quase vazio às vésperas do recesso que começa nesta quinta, parte dos parlamentares fez autocrítica. Alguns, como o senador Sérgio Guerra (PSDB-PE), classificaram o episódio de "trapalhada".
- A impressão que eu tenho é que isso foi uma grande trapalhada, deplorável trapalhada, que só compromete a instituição e os senadores. Tem que haver convicção: se é para criar cargo, que tenha razão e fundamento e defenda isso o tempo todo; se não é para criar cargo, que não o crie.
O que não pode é criar hoje e deixar de criar amanhã, sem explicação nem para um gesto, nem para o outro - disse Sérgio Guerra.
- Não tem porque ter medo, ficar (tratando do assunto) pelos corredores. Se errar, admite (publicamente) - afirmou o vice-presidente do Senado e integrante da Mesa, Tião Viana (PT-AC).
Segundo o senador Álvaro Dias (PSDB-PR), ele recebeu telefonema do senador César Borges (PTB-BA) propondo o recuo da Mesa e o cancelamento da reunião. Álvaro Dias, que já era contra a idéia, disse que assim se evitou um "desgaste maior".
Quanto ao esforço concentrado no período pré-eleitoral, Garibaldi disse que o calendário de votações só será estabelecido em agosto.
Diante das críticas, líderes partidários e até integrantes da Mesa defendiam ainda na segunda-feira que a Mesa mudasse de posição. Garibaldi, que foi contra a criação dos cargos desde o início, negou que os gabinetes estejam enfrentando problema com a falta de servidores, como alguns alegam.
Para analistas políticos, a medida era desnecessária, uma vez que até está previsto concurso para 156 vagas no segundo semestre, e só não prejudica ainda mais a imagem do Senado porque ela já está bastante desgastada. A decisão do Senado também foi condenada por leitores. (Leia aqui)
Ainda no dia de ontem o Congresso aprova LDO e antecipa recesso .
Integrantes da Mesa Diretora do Senado decidiram nesta terça-feira, por unanimidade, recuar da decisão, tomada na última quarta-feira, de criar 97 novos cargos de confiança, com salário bruto de R$ 9.979,24, sem concurso, para gabinetes dos senadores e nas lideranças partidárias. O concurso público para preenchimento de 150 vagas em diversos cargos, no entanto, está mantido. A data do concurso ainda não está marcada e dependerá da divulgação do edital.
(Saiba mais sobre quanto pode gastar um senador e um deputado)
- A repercussão foi negativa, ninguém pode negar, tapar o sol com a peneira. E entendeu a Mesa de cancelar. A pressão da opinião pública pesou e agora vamos realizar um concurso público para 50 vagas a partir de setembro - informou o presidente do Senado, Garibaldi Alves Filho (PMDB-RN), que foi comunicado por telefone da decisão. - Na hora em que não houve unanimidade, se afastou a possibilidade de se ter a decisão. Quem sai fortalecido é o Senado, que soube reconhecer que a medida não era oportuna - completou.
O presidente do Senado leu uma nota informando que "após consulta aos demais membros da Mesa, houve por bem cancelar a convocação da mesma para a data de hoje, face o assunto em pauta ter sido objeto de entendimento pela sua não-efetivação, considerando a ausência de unanimidade em torno do assunto".
Apesar de todos os líderes partidários terem assinado, em abril, a proposta de criação dos cargos, o senador Efraim Morais (DEM-PB) acabou ficando sozinho na defesa da proposta. Diplomático, o presidente do Senado evitou criticar os colegas.
- Também não acho que a posição deles seja tão equivocada, que eles estejam tão na contramão. Não quero criar esse tipo de polêmica dentro de uma Mesa que eu presido.
Num Senado quase vazio às vésperas do recesso que começa nesta quinta, parte dos parlamentares fez autocrítica. Alguns, como o senador Sérgio Guerra (PSDB-PE), classificaram o episódio de "trapalhada".
- A impressão que eu tenho é que isso foi uma grande trapalhada, deplorável trapalhada, que só compromete a instituição e os senadores. Tem que haver convicção: se é para criar cargo, que tenha razão e fundamento e defenda isso o tempo todo; se não é para criar cargo, que não o crie.
O que não pode é criar hoje e deixar de criar amanhã, sem explicação nem para um gesto, nem para o outro - disse Sérgio Guerra.
- Não tem porque ter medo, ficar (tratando do assunto) pelos corredores. Se errar, admite (publicamente) - afirmou o vice-presidente do Senado e integrante da Mesa, Tião Viana (PT-AC).
Segundo o senador Álvaro Dias (PSDB-PR), ele recebeu telefonema do senador César Borges (PTB-BA) propondo o recuo da Mesa e o cancelamento da reunião. Álvaro Dias, que já era contra a idéia, disse que assim se evitou um "desgaste maior".
Quanto ao esforço concentrado no período pré-eleitoral, Garibaldi disse que o calendário de votações só será estabelecido em agosto.
Diante das críticas, líderes partidários e até integrantes da Mesa defendiam ainda na segunda-feira que a Mesa mudasse de posição. Garibaldi, que foi contra a criação dos cargos desde o início, negou que os gabinetes estejam enfrentando problema com a falta de servidores, como alguns alegam.
Para analistas políticos, a medida era desnecessária, uma vez que até está previsto concurso para 156 vagas no segundo semestre, e só não prejudica ainda mais a imagem do Senado porque ela já está bastante desgastada. A decisão do Senado também foi condenada por leitores. (Leia aqui)
Ainda no dia de ontem o Congresso aprova LDO e antecipa recesso .
Solange Amaral (DEM)
A psicóloga foi secretária de Habitação do prefeito Cesar Maia e vinculou sua imagem à do projeto Favela Bairro. Tenta, no entanto, descolá-la da atual gestão: se apresenta como uma candidata pós-Cesar Maia, que vai aproveitar o que deu certo na gestão do aliado e aprimorar o que não deu. Com um perfil técnico, a deputada federal tenta agora imprimir à sua imagem um tom mais humanitário. Mudou os e aparece, nas inserções do DEM cercada por crianças pobres. No governo Cesar Maia, foi também subprefeita. Em 1994, foi eleita deputada estadual; em 2000, se reelegeu; em 2002 , concorreu e perdeu a disputa pelo governo do estado; em 2006, foi eleita deputada federal.
“Tenho experiência executiva e legislativa. Acho que posso ajudar nossa cidade a prosseguir suas realizações”
A psicóloga foi secretária de Habitação do prefeito Cesar Maia e vinculou sua imagem à do projeto Favela Bairro. Tenta, no entanto, descolá-la da atual gestão: se apresenta como uma candidata pós-Cesar Maia, que vai aproveitar o que deu certo na gestão do aliado e aprimorar o que não deu. Com um perfil técnico, a deputada federal tenta agora imprimir à sua imagem um tom mais humanitário. Mudou os e aparece, nas inserções do DEM cercada por crianças pobres. No governo Cesar Maia, foi também subprefeita. Em 1994, foi eleita deputada estadual; em 2000, se reelegeu; em 2002 , concorreu e perdeu a disputa pelo governo do estado; em 2006, foi eleita deputada federal.
“Tenho experiência executiva e legislativa. Acho que posso ajudar nossa cidade a prosseguir suas realizações”
terça-feira, 15 de julho de 2008
RIO: Candidatos na mira do Ministério Público
De O Globo Online
Ataque a fichas-sujas
Rosinha, Núbia, Lindberg, entre outros, têm impugnação de candidaturas pedida pelo MP
Diversos candidatos a prefeito de Nova Iguaçu, Magé e Campos dos Goytacazes podem ter seus registros impugnados pela justiça eleitoral se for acatada a ofensiva lançada pelo Ministério Público Eleitoral contra a ex-governadora Rosinha Garotinho (PMDB) e o ex-prefeito Arnaldo Vianna (PDT), em Campos; a prefeita Núbia Cozzolino (PMDB) e a ex-prefeita Narriman Zito (PRB) em Magé; e o prefeito Lindberg Farias (PT) e o deputado federal Nelson Bornier (PMDB) em Nova Iguaçu. Todos são citados em ações penais, de improbidade e denúncias. É o que mostra Chico Otávio em reportagem nesta terça-feira em 'O Globo'.
A eventual impugnação desses candidatos de ficha suja poderá causar uma reviravolta na campanha em três dos maiores municípios fluminenses.
Uma vez notificados, os candidatos têm uma semana para apresentar sua defesa.
Núbia Cozzolino, que disputa a reeleição em Magé, é um dos casos mais emblemáticos. Para sustentar o pedido, o Ministério Público enviou à Justiça Eleitoral as 27 ações de improbidade em que ela é acusada de nepotismo, promoção pessoal, desvio de dinheiro, fraudes em licitações e falhas na prestação de serviços essenciais. Além das ações, o MP incluiu denúncia feita pelo procurador-geral de Justiça, Marfan Martins Vieira, ao Tribunal de Justiça por crime de responsabilidade em suposto desvio de dinheiro público.
Mas a principal adversária de Núbia em Magé também está com problemas na Justiça Eleitoral. Na lista de inelegibilidades produzida pelo Tribunal de Contas do Estado (TCE), Narriman aparece com quatro processos transitados em julgado, todos instaurados em 2005 (dois deles referentes a contratos de contas e dois originados de relatórios de inspeção especial).
Veja os crimes de que cada um é acusado:
Rosinha Garotinho: O Ministério Público Eleitoral pediu a impugnação da candidatura da ex-governadora a prefeita de Campos porque ela responde a ações civis públicas, duas delas por contratos de terceirização entre 2003 e 2006, e está citada em inquérito da Polícia Federal que investiga a compra de votos.
Arnaldo Vianna: O pedido de impugnação da candidatura do ex-prefeito de Campos baseia-se na lista de inelegibilidades do Tribunal de Contas do Estado, onde o candidato pelo PDT é réu em seis processos transitados em julgado, quatro deles referentes a prestações de contas e dois em relatórios de inspeção, instaurados entre 2006 e 2007.
Lindberg Farias e Nelson Bornier: O Ministério Público pediu a impugnação da candidatura dos principais adversários na disputa pela prefeitura de Nova Iguaçu. O prefeito petista Lindberg Farias foi denunciado por ter supostamente favorecido, em contrato de licitação, a agência de publicidade que atuou em sua campanha eleitoral. O deputado Nelson Bornier responde a 15 ações de improbidade por suspeitas de superfaturamento e fraudes em licitação, entre outras.
Núbia Cozzolino: Os promotores de Magé anexaram ao pedido de impugnação da candidatura da peemedebista as 27 ações de improbidade em que é acusada de nepotismo, promoção pessoal, desvio de dinheiro, fraudes em licitações e falhas na prestação de serviços essenciais, além de denúncia por suposto desvio de dinheiro.
Narriman Zito: Os promotores eleitorais de Magé pediram a impugnação da candidatura da ex-prefeita da cidade, que concorre novamente ao cargo pelo PRB, porque o seu nome aparece em quatro processos do Tribunal de Contas do Estado (TCE) já transitados em julgado, todos instaurados em 2005 - dois deles referentes a contratos de contas e dois originados de relatórios de inspeção especial.
Ataque a fichas-sujas
Rosinha, Núbia, Lindberg, entre outros, têm impugnação de candidaturas pedida pelo MP
Diversos candidatos a prefeito de Nova Iguaçu, Magé e Campos dos Goytacazes podem ter seus registros impugnados pela justiça eleitoral se for acatada a ofensiva lançada pelo Ministério Público Eleitoral contra a ex-governadora Rosinha Garotinho (PMDB) e o ex-prefeito Arnaldo Vianna (PDT), em Campos; a prefeita Núbia Cozzolino (PMDB) e a ex-prefeita Narriman Zito (PRB) em Magé; e o prefeito Lindberg Farias (PT) e o deputado federal Nelson Bornier (PMDB) em Nova Iguaçu. Todos são citados em ações penais, de improbidade e denúncias. É o que mostra Chico Otávio em reportagem nesta terça-feira em 'O Globo'.
A eventual impugnação desses candidatos de ficha suja poderá causar uma reviravolta na campanha em três dos maiores municípios fluminenses.
Uma vez notificados, os candidatos têm uma semana para apresentar sua defesa.
Núbia Cozzolino, que disputa a reeleição em Magé, é um dos casos mais emblemáticos. Para sustentar o pedido, o Ministério Público enviou à Justiça Eleitoral as 27 ações de improbidade em que ela é acusada de nepotismo, promoção pessoal, desvio de dinheiro, fraudes em licitações e falhas na prestação de serviços essenciais. Além das ações, o MP incluiu denúncia feita pelo procurador-geral de Justiça, Marfan Martins Vieira, ao Tribunal de Justiça por crime de responsabilidade em suposto desvio de dinheiro público.
Mas a principal adversária de Núbia em Magé também está com problemas na Justiça Eleitoral. Na lista de inelegibilidades produzida pelo Tribunal de Contas do Estado (TCE), Narriman aparece com quatro processos transitados em julgado, todos instaurados em 2005 (dois deles referentes a contratos de contas e dois originados de relatórios de inspeção especial).
Veja os crimes de que cada um é acusado:
Rosinha Garotinho: O Ministério Público Eleitoral pediu a impugnação da candidatura da ex-governadora a prefeita de Campos porque ela responde a ações civis públicas, duas delas por contratos de terceirização entre 2003 e 2006, e está citada em inquérito da Polícia Federal que investiga a compra de votos.
Arnaldo Vianna: O pedido de impugnação da candidatura do ex-prefeito de Campos baseia-se na lista de inelegibilidades do Tribunal de Contas do Estado, onde o candidato pelo PDT é réu em seis processos transitados em julgado, quatro deles referentes a prestações de contas e dois em relatórios de inspeção, instaurados entre 2006 e 2007.
Lindberg Farias e Nelson Bornier: O Ministério Público pediu a impugnação da candidatura dos principais adversários na disputa pela prefeitura de Nova Iguaçu. O prefeito petista Lindberg Farias foi denunciado por ter supostamente favorecido, em contrato de licitação, a agência de publicidade que atuou em sua campanha eleitoral. O deputado Nelson Bornier responde a 15 ações de improbidade por suspeitas de superfaturamento e fraudes em licitação, entre outras.
Núbia Cozzolino: Os promotores de Magé anexaram ao pedido de impugnação da candidatura da peemedebista as 27 ações de improbidade em que é acusada de nepotismo, promoção pessoal, desvio de dinheiro, fraudes em licitações e falhas na prestação de serviços essenciais, além de denúncia por suposto desvio de dinheiro.
Narriman Zito: Os promotores eleitorais de Magé pediram a impugnação da candidatura da ex-prefeita da cidade, que concorre novamente ao cargo pelo PRB, porque o seu nome aparece em quatro processos do Tribunal de Contas do Estado (TCE) já transitados em julgado, todos instaurados em 2005 - dois deles referentes a contratos de contas e dois originados de relatórios de inspeção especial.
Do Jornal O Globo
MP começa a atacar fichas-sujas
Rosinha, Núbia, Lindberg, entre outros, têm impugnação de candidaturas pedida
De Chico Otavio:
A ofensiva lançada contra os candidatos de ficha suja poderá causar uma reviravolta na campanha política em três dos maiores municípios fluminenses. O Ministério Público Eleitoral já pediu a impugnação dos principais candidatos às prefeituras de Nova Iguaçu, Campos dos Goytacazes e Magé. Se acolhidos, os pedidos vão tirar das eleições uma ex-governadora, dois prefeitos, um deputado federal e dois ex-prefeitos, todos citados em ações penais, de improbidade e denúncias.
Uma vez notificados, os candidatos têm uma semana para apresentar sua defesa. Em Campos, os promotores da zona responsável pelo registro eleitoral pediram a impugnação da candidatura da ex-governadora Rosinha Garotinho (PMDB) e do ex-prefeito Arnaldo Vianna (PDT). Em Magé, da prefeita Núbia Cozzolino (PMDB) e da ex-prefeita Narriman Zito (PRB). Em Nova Iguaçu, do prefeito Lindberg Farias (PT) e do deputado federal Nelson Bornier (PMDB). Leia mais em O Globo
Rosinha, Núbia, Lindberg, entre outros, têm impugnação de candidaturas pedida
De Chico Otavio:
A ofensiva lançada contra os candidatos de ficha suja poderá causar uma reviravolta na campanha política em três dos maiores municípios fluminenses. O Ministério Público Eleitoral já pediu a impugnação dos principais candidatos às prefeituras de Nova Iguaçu, Campos dos Goytacazes e Magé. Se acolhidos, os pedidos vão tirar das eleições uma ex-governadora, dois prefeitos, um deputado federal e dois ex-prefeitos, todos citados em ações penais, de improbidade e denúncias.
Uma vez notificados, os candidatos têm uma semana para apresentar sua defesa. Em Campos, os promotores da zona responsável pelo registro eleitoral pediram a impugnação da candidatura da ex-governadora Rosinha Garotinho (PMDB) e do ex-prefeito Arnaldo Vianna (PDT). Em Magé, da prefeita Núbia Cozzolino (PMDB) e da ex-prefeita Narriman Zito (PRB). Em Nova Iguaçu, do prefeito Lindberg Farias (PT) e do deputado federal Nelson Bornier (PMDB). Leia mais em O Globo
Paulo Ramos (PDT)
Líder da bancada do PDT na Assembléia Legislativa do Rio (Alerj), foi deputado federal por dois mandatos (1986 a 1990 e 1990 a 1994) e está no terceiro como deputado estadual. Paulo Ramos é oficial da reserva da PM, advogado, administrador de empresas e especialistas em políticas públicas pela UFRJ. Sua atuação na Alerj é marcada pela defesa dos direitos dos servidores públicos e militares. Em 1996, tentou a prefeitura de Belford Roxo, mas não conseguiu se eleger. Foi eleito deputado estadual em 98 e reeleito em 2002 e 2006.
"Porque eu conheço o Rio de Janeiro, conheço as demandas e o sofrimento vivido pela população, os problemas de saúde, educação, transporte, limpeza urbana e me sinto preparado e em condições desse desafio".
Líder da bancada do PDT na Assembléia Legislativa do Rio (Alerj), foi deputado federal por dois mandatos (1986 a 1990 e 1990 a 1994) e está no terceiro como deputado estadual. Paulo Ramos é oficial da reserva da PM, advogado, administrador de empresas e especialistas em políticas públicas pela UFRJ. Sua atuação na Alerj é marcada pela defesa dos direitos dos servidores públicos e militares. Em 1996, tentou a prefeitura de Belford Roxo, mas não conseguiu se eleger. Foi eleito deputado estadual em 98 e reeleito em 2002 e 2006.
"Porque eu conheço o Rio de Janeiro, conheço as demandas e o sofrimento vivido pela população, os problemas de saúde, educação, transporte, limpeza urbana e me sinto preparado e em condições desse desafio".
Marcelo Crivella (PRB)
O então bispo da Igreja Universal do Reino de Deus estreou na vida política em 2002, quando se elegeu senador. É compositor, cantor e escritor, sempre ligado à temática religiosa. A vinculação com a religião, que garantiu sua primeira eleição majoritária, se tornou obstáculo para seu crescimento entre o eleitorado não-evangélico. Ele foi derrotado, na última eleição municipal, ainda no primeiro turno, pelo prefeito Cesar Maia. Em 2006, disputou o governo do Estado do Rio e ficou em terceiro lugar. Nesta campanha, se licenciou da Universal e tenta se apresentar como um candidato com respaldo em setores díspares, como o mundo do samba e a Igreja Católica. Ainda assim, já usou o nome da TV Record, ligada à Universal, para promover sua pré-campanha. Aos 50 anos, Crivella tem três filhos e um neto.
“Eu amo o rio e sofro em vê-lo como está. Quero motivar a cidade a erguer os olhos para os horizontes infinitos da esperança e rasgar neles a perspectiva gloriosa do nosso destino”.
O então bispo da Igreja Universal do Reino de Deus estreou na vida política em 2002, quando se elegeu senador. É compositor, cantor e escritor, sempre ligado à temática religiosa. A vinculação com a religião, que garantiu sua primeira eleição majoritária, se tornou obstáculo para seu crescimento entre o eleitorado não-evangélico. Ele foi derrotado, na última eleição municipal, ainda no primeiro turno, pelo prefeito Cesar Maia. Em 2006, disputou o governo do Estado do Rio e ficou em terceiro lugar. Nesta campanha, se licenciou da Universal e tenta se apresentar como um candidato com respaldo em setores díspares, como o mundo do samba e a Igreja Católica. Ainda assim, já usou o nome da TV Record, ligada à Universal, para promover sua pré-campanha. Aos 50 anos, Crivella tem três filhos e um neto.
“Eu amo o rio e sofro em vê-lo como está. Quero motivar a cidade a erguer os olhos para os horizontes infinitos da esperança e rasgar neles a perspectiva gloriosa do nosso destino”.
Impeachment para Gilmar Mendes?
Do blog da Lucia Hippolito
Procuradores da República em vários estados estão tentando redigir um pedido de impeachment do ministro Gilmar Mendes, presidente do Supremo Tribunal Federal.
Ministro do STF é uma das autoridades federais que podem sofrer processo de impeachment. Os outros são presidente e vice-presidente da República, ministros de Estado e procurador-geral da República.
A Lei nº 1.079, de 10 de abril de 1950, conhecida também como Lei do Impeachment, trata do assunto.
Qualquer cidadão pode pedir impeachment de autoridades.
No caso de presidente, vice-presidente e ministros de Estado, o processo precisa ser iniciado na Câmara.
A Câmara funciona na acusação. Se os deputados decidirem aprovar o processo de impeachment, a autoridade é afastada até que o Senado, funcionando como tribunal, julgue o caso. O presidente do Supremo Tribunal Federal assume a presidência do Senado.
Foi assim que o ex-presidente Fernando Collor sofreu processo de impeachment na Câmara, em 1992; foi afastado temporariamente da presidência da República até que o Senado o julgou culpado, e o afastamento temporário transformou-se em definitivo.
No caso de ministros do STF e do procurador-geral da República, a lei manda que o processo já tenha início no Senado Federal, pulando-se a etapa da Câmara dos Deputados. O pedido de impeachment dá entrada no Senado, que aí julga o processo todo (Art. 39 e seguintes).
Também aí o presidente do STF assume a presidência dos trabalhos. Mas se o processo for contra ele, a lei determina que o vice-presidente do STF desempenhe essa função.
Vamos acompanhar, porque a coisa promete.
Procuradores da República em vários estados estão tentando redigir um pedido de impeachment do ministro Gilmar Mendes, presidente do Supremo Tribunal Federal.
Ministro do STF é uma das autoridades federais que podem sofrer processo de impeachment. Os outros são presidente e vice-presidente da República, ministros de Estado e procurador-geral da República.
A Lei nº 1.079, de 10 de abril de 1950, conhecida também como Lei do Impeachment, trata do assunto.
Qualquer cidadão pode pedir impeachment de autoridades.
No caso de presidente, vice-presidente e ministros de Estado, o processo precisa ser iniciado na Câmara.
A Câmara funciona na acusação. Se os deputados decidirem aprovar o processo de impeachment, a autoridade é afastada até que o Senado, funcionando como tribunal, julgue o caso. O presidente do Supremo Tribunal Federal assume a presidência do Senado.
Foi assim que o ex-presidente Fernando Collor sofreu processo de impeachment na Câmara, em 1992; foi afastado temporariamente da presidência da República até que o Senado o julgou culpado, e o afastamento temporário transformou-se em definitivo.
No caso de ministros do STF e do procurador-geral da República, a lei manda que o processo já tenha início no Senado Federal, pulando-se a etapa da Câmara dos Deputados. O pedido de impeachment dá entrada no Senado, que aí julga o processo todo (Art. 39 e seguintes).
Também aí o presidente do STF assume a presidência dos trabalhos. Mas se o processo for contra ele, a lei determina que o vice-presidente do STF desempenhe essa função.
Vamos acompanhar, porque a coisa promete.
segunda-feira, 14 de julho de 2008
Inflação
Mercado projeta inflação no topo da meta
O Boletim Focus divulgado pela manhã pelo Banco Central mostrou a expectativa para o IPCA já no topo da meta: 6,48%. É a 16ª semana seguida de alta nas projeções. Chamou atenção também no relatório o aumento do IPCA 2009, que já está em 5%, ou seja, se distanciando do centro da meta, que é 4,5%.
O Boletim Focus divulgado pela manhã pelo Banco Central mostrou a expectativa para o IPCA já no topo da meta: 6,48%. É a 16ª semana seguida de alta nas projeções. Chamou atenção também no relatório o aumento do IPCA 2009, que já está em 5%, ou seja, se distanciando do centro da meta, que é 4,5%.
Mais uma vez todas as projeções de inflação pioraram: o IGP-M foi de 11,25% para 11,92%; o IGP-DI, de 11,41% para 11,66%; o IPC-FIpe, de 6,33% para 6,51%.
O Focus é uma pesquisa semanal feita pelo Banco Central com os economistas do mercado. Como a alta nos juros não tem efeito sobre a inflação corrente, um dos objetivos do BC é justamente conter esse aumento de expectativas.
Vejam no gráfico como as projeções estão muito piores. A linha preta mostra o IPCA 2008, e a vermelha, o 2009.
Até quando o contribuinte aceitará os acordos parlamentares
(Do Jornal o Estado de São Paulo)
Mais um trem da alegria
Agindo na surdina, a Mesa Diretora do Senado aproveitou sua última reunião antes do início do recesso parlamentar, realizada na quarta-feira, para promover mais um "trem da alegria". Desta vez, ela se excedeu em generosidade, autorizando a contratação, sem concurso público, de 97 novos funcionários para ocupar cargos de confiança, com salários brutos de R$ 9.979,24. A medida, que foi tomada meses antes da realização de um concurso público para a seleção de 150 novos funcionários de nível técnico e superior, acarretará um aumento anual de R$ 12,5 milhões na folha de pagamento do Senado, sem contar horas extras e encargos sociais.
Cada um dos 81 senadores terá direito de nomear quem bem entender para ocupar o cargo recém-criado. E também poderá dividir esse salário entre o número de assessores que quiser contratar para trabalhar em seu gabinete ou nos escritórios políticos que mantém em seus Estados de origem.
Mais acintoso ainda é o fato de que não haverá nenhum obstáculo legal à contratação de mulheres, filhos, pais, sobrinhos e apadrinhados. Os outros 16 cargos de confiança serão divididos entre os líderes partidários. Há quatro meses, os senadores apresentaram essa reivindicação ao presidente da Casa, Garibaldi Alves (PMDB-RN), que a rejeitou sumariamente. Apresentada a proposta à Mesa, o único a votar contra foi o presidente do Senado.
A iniciativa é tão imoral que nenhum líder partidário nem os 11 integrantes da Mesa Diretora do Senado tiveram coragem de assumir a responsabilidade por ela. O único que tentou justificar o novo "trem da alegria" foi o líder do governo, senador Romero Jucá (PMDB-RR). "Se a Câmara ganhou uma estrutura maior, por que não temos direito?", disse ele. Para o parlamentar, sempre que a Câmara aumenta a verba de gabinete dos deputados, o Senado faz o mesmo. É uma "praxe", afirma o diretor-geral da Casa, Agaciel Maia.
"Não há explicação convincente. A decisão é inoportuna e não vai ser assimilada pela sociedade, deixando o Senado numa situação ruim. E não foi por falta de advertência", rebateu o senador Garibaldi Alves (PMDB-RN). "Ela era totalmente desnecessária. Um cargo a mais ou um cargo a menos em cada gabinete não faz a menor diferença", disse o senador Pedro Simon (PMDB-RS), após afirmar que irá à tribuna do plenário para apelar aos integrantes da Mesa Diretora para que anulem a decisão.
A contratação sem concurso público é só um dos aspectos da indecência. O outro é a falta de argumentos plausíveis que justifiquem a nomeação de mais assessores para os senadores. Cada senador já dispõe de 12 cargos de livre indicação - 5 assessores técnico-legislativos, 6 secretários parlamentares e 1 motorista. Além disso, tem à sua disposição mais 9 funcionários de carreira do Senado, concursados. "A medida está na contramão do necessário. Não se pode afirmar que falte assessoria ao Senado", diz o sociólogo Ricardo Ismael, da PUC/RJ. "Nossos representantes já têm um staff numeroso e recursos mais do que suficientes para cumprir suas obrigações legislativas. É mais poder para os parlamentares. E é um gasto a mais que não se justifica", afirma o cientista político Lúcio Rennó, da Universidade de Brasília (UnB).
Além de mais cargos comissionados, há muito tempo o Senado vem desperdiçando vultosas quantias de recursos públicos com contratações para cargos que pouco têm a ver com suas atribuições legislativas. Para divulgar suas atividades e "prestar contas" à sociedade, nos últimos anos a Casa expandiu seu sofisticado sistema de comunicação, que conta com agência de notícias, editora de publicações, rádio e até televisão, contratando dezenas de jornalistas, redatores, locutores, produtores multimídia, diagramadores e "analistas de comunicação social".
Ou seja, em vez de reforçar sua assessoria técnica nas atividades-fim, expandindo o número de assessores jurídicos, analistas legislativos e especialistas em orçamento e finanças públicas, os senadores vão convertendo os recursos humanos e financeiros à sua disposição em instrumento político que lhes garanta a reeleição ou lhes permita vôos eleitorais ainda mais altos.
Mais um trem da alegria
Agindo na surdina, a Mesa Diretora do Senado aproveitou sua última reunião antes do início do recesso parlamentar, realizada na quarta-feira, para promover mais um "trem da alegria". Desta vez, ela se excedeu em generosidade, autorizando a contratação, sem concurso público, de 97 novos funcionários para ocupar cargos de confiança, com salários brutos de R$ 9.979,24. A medida, que foi tomada meses antes da realização de um concurso público para a seleção de 150 novos funcionários de nível técnico e superior, acarretará um aumento anual de R$ 12,5 milhões na folha de pagamento do Senado, sem contar horas extras e encargos sociais.
Cada um dos 81 senadores terá direito de nomear quem bem entender para ocupar o cargo recém-criado. E também poderá dividir esse salário entre o número de assessores que quiser contratar para trabalhar em seu gabinete ou nos escritórios políticos que mantém em seus Estados de origem.
Mais acintoso ainda é o fato de que não haverá nenhum obstáculo legal à contratação de mulheres, filhos, pais, sobrinhos e apadrinhados. Os outros 16 cargos de confiança serão divididos entre os líderes partidários. Há quatro meses, os senadores apresentaram essa reivindicação ao presidente da Casa, Garibaldi Alves (PMDB-RN), que a rejeitou sumariamente. Apresentada a proposta à Mesa, o único a votar contra foi o presidente do Senado.
A iniciativa é tão imoral que nenhum líder partidário nem os 11 integrantes da Mesa Diretora do Senado tiveram coragem de assumir a responsabilidade por ela. O único que tentou justificar o novo "trem da alegria" foi o líder do governo, senador Romero Jucá (PMDB-RR). "Se a Câmara ganhou uma estrutura maior, por que não temos direito?", disse ele. Para o parlamentar, sempre que a Câmara aumenta a verba de gabinete dos deputados, o Senado faz o mesmo. É uma "praxe", afirma o diretor-geral da Casa, Agaciel Maia.
"Não há explicação convincente. A decisão é inoportuna e não vai ser assimilada pela sociedade, deixando o Senado numa situação ruim. E não foi por falta de advertência", rebateu o senador Garibaldi Alves (PMDB-RN). "Ela era totalmente desnecessária. Um cargo a mais ou um cargo a menos em cada gabinete não faz a menor diferença", disse o senador Pedro Simon (PMDB-RS), após afirmar que irá à tribuna do plenário para apelar aos integrantes da Mesa Diretora para que anulem a decisão.
A contratação sem concurso público é só um dos aspectos da indecência. O outro é a falta de argumentos plausíveis que justifiquem a nomeação de mais assessores para os senadores. Cada senador já dispõe de 12 cargos de livre indicação - 5 assessores técnico-legislativos, 6 secretários parlamentares e 1 motorista. Além disso, tem à sua disposição mais 9 funcionários de carreira do Senado, concursados. "A medida está na contramão do necessário. Não se pode afirmar que falte assessoria ao Senado", diz o sociólogo Ricardo Ismael, da PUC/RJ. "Nossos representantes já têm um staff numeroso e recursos mais do que suficientes para cumprir suas obrigações legislativas. É mais poder para os parlamentares. E é um gasto a mais que não se justifica", afirma o cientista político Lúcio Rennó, da Universidade de Brasília (UnB).
Além de mais cargos comissionados, há muito tempo o Senado vem desperdiçando vultosas quantias de recursos públicos com contratações para cargos que pouco têm a ver com suas atribuições legislativas. Para divulgar suas atividades e "prestar contas" à sociedade, nos últimos anos a Casa expandiu seu sofisticado sistema de comunicação, que conta com agência de notícias, editora de publicações, rádio e até televisão, contratando dezenas de jornalistas, redatores, locutores, produtores multimídia, diagramadores e "analistas de comunicação social".
Ou seja, em vez de reforçar sua assessoria técnica nas atividades-fim, expandindo o número de assessores jurídicos, analistas legislativos e especialistas em orçamento e finanças públicas, os senadores vão convertendo os recursos humanos e financeiros à sua disposição em instrumento político que lhes garanta a reeleição ou lhes permita vôos eleitorais ainda mais altos.
Panorama Econômico deste domingo
(Acabei de ler a coluna da Míriam Leitão no Jornal O Globo deste domingo e publico aqui.)
Enigma latino
Há mais hispânicos nos Estados Unidos que espanhóis na Espanha; de 2005 a 2006, um, em cada dois novos americanos, era de origem hispânica. Essa população é um desafio dos candidatos nas próximas eleições. Ao contrário de outros grupos como mulheres, negros, homossexuais, os hispânicos não se agregam em torno de uma idéia central. Obama teve problemas com o voto latino, mas pesquisas começam a mudar.
Segundo o Bureau of Census, os "hispânicos" são a maior minoria étnica e a que mais cresce no país. São 44,3 milhões de pessoas, 15% da população; mas, em 2050, serão mais de 100 milhões de pessoas, ou 24% da população. Hoje 33 milhões deles falam espanhol em casa. São um grupo heterogêneo. Foram para os Estados Unidos a partir de países diferentes, em épocas diferentes e por motivos diversos. Essa heterogeneidade torna difícil costurar um discurso que os unifique. Se o candidato faz um discurso que agrade aos cubanos de Miami, pode desagradar a vários outros grupos. Não que haja defensores de Fidel Castro, mas o anticastrismo é uma questão específica do grupo que domina Miami. Os mexicanos têm a tendência de votar mais nos democratas, enquanto os cubanos de Miami votam nos republicanos há quatro décadas. A comunidade porto-riquenha nos Estados Unidos tem direito ao voto, mas os 3,9 milhões de cidadãos de Porto Rico, que vivem na ilha, não votam por razões constitucionais: eles são uma espécie de quase estado onde vivem quase cidadãos. A vantagem é que têm liberdade de ir (e vir) aos Estados Unidos e não pagam impostos à União.
Normalmente, o voto latino se divide nas eleições em 60/40, a favor dos democratas. Este ano, o cálculo é de que pelo menos 9 milhões de latinos vão votar num país onde o voto não é obrigatório. Obama precisará arrebatar a comunidade e ganhar de lavada como só Hillary parecia ter condições de fazer. O problema é: com que discurso eles serão atraídos? É difícil até escolher o nome para definir o grupo. São os "latinos", como dizem alguns analistas; "hispânicos", como prefere o Bureau do Censo americano; "hispano-americanos"; ou seria melhor chamá-los "latino-americanos", para incluir também os brasileiros? Os imigrantes vindos do Brasil são tão poucos relativamente — menos de 400 mil segundo o Center for Immigration Studies — que nem sequer há uma estimativa oficial de quantos votam.
Milhões de latinos vivem na ilegalidade nos Estados Unidos, mas os que se legalizaram não necessariamente gostam da idéia de que a porta seja aberta para outros. Milhões vivem em situação precária, em guetos, mas milhões de outros experimentam a sensação de prosperidade e estão integrados à sociedade americana. Para quem os vê a partir dos parâmetros da opulência do branco americano, pode parecer que vivem na pobreza, mas eles estão melhores que seus pais, e essa sensação de mobilidade produz o otimismo que os tornará presa mais difícil do discurso apenas das dificuldades dos imigrantes no governo Bush. O escritor porto-riquenho Robert Oscar Lopez, professor da California State University at Northridge, num artigo recente publicado no blog CounterPunch, lembra que, entre 1996 e 2006, o número de latinos com curso superior saiu de 1,4 milhão para 3,1 milhões, e esse grupo não é capturável pelo discurso sobre a agonia da classe média. Lopez argumenta que é "diversificado, mas não balcanizado; tem coesão cultural, mas nenhum outro grupo étnico-social é tão imprevisível". As estatísticas americanas mostram ainda que 1,6 milhão de hispânicos são donos do seu próprio negócio e que, em 2002, a receita desses empreendimentos tinha crescido 19% em cinco anos; que 68% das pessoas com 16 anos ou mais estão no mercado de trabalho e que os hispânicos que atingiram o topo da carreira corporativa, chegando ao cargo de executivo-chefe, são 77.700.
Em 2006, 20,6% estavam na linha de pobreza. Muito, se comparado com a proporção dos brancos não-hispânicos, que é de 8,2%, ou da população em geral, de 9,8%. Mas menos que em 2005, quando eram 21,8%. Em um ano, o percentual de pobres caiu mais de um ponto. Melhoraram e continuam numa situação melhor que a dos negros. Nesse grupo, 24,3% estão na pobreza.
Mesmo assim, artigos como o de Lopez mostram que há uma clara competição com os afro-americanos e uma sensação de que os negros têm mais atenção das políticas públicas que os latinos. Isso torna o discurso a ser construído por Obama mais complexo.
Até recentemente, era lugar-comum dizer que Obama tinha um problema com o voto latino; em parte, pelos maus resultados das primárias, que ele sistematicamente teve nessa comunidade, na disputa com Hillary Clinton. Mas as primeiras pesquisa pós-primárias vão mostrando fatos diferentes. Uma delas, da rede de TV NBC e do jornal "Wall Street Journal", indicou que, entre os hispânicos, 62% estão favoráveis a Obama e apenas 28% a John McCain.
McCain inicialmente tinha uma posição mais liberal em imigração, mas teve que jogar essa conversa no lixo para conquistar o voto republicano tradicional. Outra pesquisa feita por telefone pela Pacific Market Research com a Universidade de Washington mostrou Obama sistematicamente na frente em relação a McCain em todos os estados com grande população hispânica, exceto na Flórida, onde havia empate.
Se Obama conseguir manter essa vantagem, terá decifrado o enigma que fez Hillary ser amada na comunidade.
Enigma latino
Há mais hispânicos nos Estados Unidos que espanhóis na Espanha; de 2005 a 2006, um, em cada dois novos americanos, era de origem hispânica. Essa população é um desafio dos candidatos nas próximas eleições. Ao contrário de outros grupos como mulheres, negros, homossexuais, os hispânicos não se agregam em torno de uma idéia central. Obama teve problemas com o voto latino, mas pesquisas começam a mudar.
Segundo o Bureau of Census, os "hispânicos" são a maior minoria étnica e a que mais cresce no país. São 44,3 milhões de pessoas, 15% da população; mas, em 2050, serão mais de 100 milhões de pessoas, ou 24% da população. Hoje 33 milhões deles falam espanhol em casa. São um grupo heterogêneo. Foram para os Estados Unidos a partir de países diferentes, em épocas diferentes e por motivos diversos. Essa heterogeneidade torna difícil costurar um discurso que os unifique. Se o candidato faz um discurso que agrade aos cubanos de Miami, pode desagradar a vários outros grupos. Não que haja defensores de Fidel Castro, mas o anticastrismo é uma questão específica do grupo que domina Miami. Os mexicanos têm a tendência de votar mais nos democratas, enquanto os cubanos de Miami votam nos republicanos há quatro décadas. A comunidade porto-riquenha nos Estados Unidos tem direito ao voto, mas os 3,9 milhões de cidadãos de Porto Rico, que vivem na ilha, não votam por razões constitucionais: eles são uma espécie de quase estado onde vivem quase cidadãos. A vantagem é que têm liberdade de ir (e vir) aos Estados Unidos e não pagam impostos à União.
Normalmente, o voto latino se divide nas eleições em 60/40, a favor dos democratas. Este ano, o cálculo é de que pelo menos 9 milhões de latinos vão votar num país onde o voto não é obrigatório. Obama precisará arrebatar a comunidade e ganhar de lavada como só Hillary parecia ter condições de fazer. O problema é: com que discurso eles serão atraídos? É difícil até escolher o nome para definir o grupo. São os "latinos", como dizem alguns analistas; "hispânicos", como prefere o Bureau do Censo americano; "hispano-americanos"; ou seria melhor chamá-los "latino-americanos", para incluir também os brasileiros? Os imigrantes vindos do Brasil são tão poucos relativamente — menos de 400 mil segundo o Center for Immigration Studies — que nem sequer há uma estimativa oficial de quantos votam.
Milhões de latinos vivem na ilegalidade nos Estados Unidos, mas os que se legalizaram não necessariamente gostam da idéia de que a porta seja aberta para outros. Milhões vivem em situação precária, em guetos, mas milhões de outros experimentam a sensação de prosperidade e estão integrados à sociedade americana. Para quem os vê a partir dos parâmetros da opulência do branco americano, pode parecer que vivem na pobreza, mas eles estão melhores que seus pais, e essa sensação de mobilidade produz o otimismo que os tornará presa mais difícil do discurso apenas das dificuldades dos imigrantes no governo Bush. O escritor porto-riquenho Robert Oscar Lopez, professor da California State University at Northridge, num artigo recente publicado no blog CounterPunch, lembra que, entre 1996 e 2006, o número de latinos com curso superior saiu de 1,4 milhão para 3,1 milhões, e esse grupo não é capturável pelo discurso sobre a agonia da classe média. Lopez argumenta que é "diversificado, mas não balcanizado; tem coesão cultural, mas nenhum outro grupo étnico-social é tão imprevisível". As estatísticas americanas mostram ainda que 1,6 milhão de hispânicos são donos do seu próprio negócio e que, em 2002, a receita desses empreendimentos tinha crescido 19% em cinco anos; que 68% das pessoas com 16 anos ou mais estão no mercado de trabalho e que os hispânicos que atingiram o topo da carreira corporativa, chegando ao cargo de executivo-chefe, são 77.700.
Em 2006, 20,6% estavam na linha de pobreza. Muito, se comparado com a proporção dos brancos não-hispânicos, que é de 8,2%, ou da população em geral, de 9,8%. Mas menos que em 2005, quando eram 21,8%. Em um ano, o percentual de pobres caiu mais de um ponto. Melhoraram e continuam numa situação melhor que a dos negros. Nesse grupo, 24,3% estão na pobreza.
Mesmo assim, artigos como o de Lopez mostram que há uma clara competição com os afro-americanos e uma sensação de que os negros têm mais atenção das políticas públicas que os latinos. Isso torna o discurso a ser construído por Obama mais complexo.
Até recentemente, era lugar-comum dizer que Obama tinha um problema com o voto latino; em parte, pelos maus resultados das primárias, que ele sistematicamente teve nessa comunidade, na disputa com Hillary Clinton. Mas as primeiras pesquisa pós-primárias vão mostrando fatos diferentes. Uma delas, da rede de TV NBC e do jornal "Wall Street Journal", indicou que, entre os hispânicos, 62% estão favoráveis a Obama e apenas 28% a John McCain.
McCain inicialmente tinha uma posição mais liberal em imigração, mas teve que jogar essa conversa no lixo para conquistar o voto republicano tradicional. Outra pesquisa feita por telefone pela Pacific Market Research com a Universidade de Washington mostrou Obama sistematicamente na frente em relação a McCain em todos os estados com grande população hispânica, exceto na Flórida, onde havia empate.
Se Obama conseguir manter essa vantagem, terá decifrado o enigma que fez Hillary ser amada na comunidade.
Jandira Feghali (PCdoB)
A médica e baterista é filiada ao PCdoB desde 1981. Aos 50 anos, mãe de um casal de filhos, Jandira já foi deputada federal por quatro mandatos consecutivos. Em 1986, foi deputada estadual constituinte. Sua estréia na campanha majoritária foi em 2006: candidata ao Senado, amargou uma inesperada derrota para o então deputado federal Francisco Dornelles (PP). Em 1986, foi eleita deputada estadual constituinte; em 1990, reeleita deputada federal. Nas eleições de 1994, 1998 e 2002 ela foi reeleita deputada federal. Adolescente, foi integrante do grupo musical Los Panchos. Hoje, toca no grupo Harmonia Enlouquece, criado por pacientes e profissionais de saúde mental do Rio. É relatora de um projeto, na Câmara que descriminalizaria o aborto. O tema foi usado contra ela por adversários na campanha ao Senado.
“Porque a cidade tem muitas doenças. É preciso dar uma injeção de ânimo e alegria de viver para restituir o nosso Rio. Quero devolver com experiência política e administrativa, que já tenho, com os valores humanitários de médica e mãe, a confiança que recebi da população durante os últimos 20 anos”
A médica e baterista é filiada ao PCdoB desde 1981. Aos 50 anos, mãe de um casal de filhos, Jandira já foi deputada federal por quatro mandatos consecutivos. Em 1986, foi deputada estadual constituinte. Sua estréia na campanha majoritária foi em 2006: candidata ao Senado, amargou uma inesperada derrota para o então deputado federal Francisco Dornelles (PP). Em 1986, foi eleita deputada estadual constituinte; em 1990, reeleita deputada federal. Nas eleições de 1994, 1998 e 2002 ela foi reeleita deputada federal. Adolescente, foi integrante do grupo musical Los Panchos. Hoje, toca no grupo Harmonia Enlouquece, criado por pacientes e profissionais de saúde mental do Rio. É relatora de um projeto, na Câmara que descriminalizaria o aborto. O tema foi usado contra ela por adversários na campanha ao Senado.
“Porque a cidade tem muitas doenças. É preciso dar uma injeção de ânimo e alegria de viver para restituir o nosso Rio. Quero devolver com experiência política e administrativa, que já tenho, com os valores humanitários de médica e mãe, a confiança que recebi da população durante os últimos 20 anos”
domingo, 13 de julho de 2008
Voto de cabresto reflete o crime organizado
Do Jornal do Brasil
Uma CPI apura na Assembléia Legislativa do Rio a extensão do poder das milícias na cidade. Para o presidente da CPI, deputado estadual Marcelo Freixo (PSOL), professor de História, milícias se caracterizam pelo domínio de territórios, de negócios nesses lugares, pela extorsão de taxas de segurança e, sobretudo, por sua representatividade política.
Segundo Freixo, a milícia reflete a realidade de todo crime organizado, como um braço deste.
– O crime organizado envolve uma questão econômica com desdobramento político – analisa Marcelo Freixo.
Para o parlamentar, em tempos de currais eleitorais, as milícias levam vantagens em relação ao tráfico de drogas.
– Traficantes mantêm controle de território nas favelas, mas nem sempre obtêm o controle de fato do voto. São um exército de esfarrapados. As milícias exercem controle mais eficaz e elegem os seus candidatos de fato.
Na CPi das Milícias, Freixo já enfrentou o constrangimento de ouvir o depoimento de duas testemunhas sob a presença intimidatório do colega parlamentar Natalino, irmão de Jerominho e suspeito como ele de liderar milícias
O juiz Luiz Márcio, da fiscalização do TRE, discorda de Freixo:
– Não vejo diferença de gravidade na atuação do tráfico ou das milícias. Para mim trata-de de crime de qualquer modo – diz o magistrado e recorda: – Tanto o tráfico quanto as milícias impõem seu poder pela crueldade. Basta lembrar o caso do jornalista Tim Lopes, morto pelo tráfico no Complexo do Alemão, e de um mais recente, dos jornalistas seqüestrados e torturados na favela do Batan, em Realengo, na Zona Oeste, onde há suspeita de que também seja o comandante da milícia o vereador Jerominho.
Uma CPI apura na Assembléia Legislativa do Rio a extensão do poder das milícias na cidade. Para o presidente da CPI, deputado estadual Marcelo Freixo (PSOL), professor de História, milícias se caracterizam pelo domínio de territórios, de negócios nesses lugares, pela extorsão de taxas de segurança e, sobretudo, por sua representatividade política.
Segundo Freixo, a milícia reflete a realidade de todo crime organizado, como um braço deste.
– O crime organizado envolve uma questão econômica com desdobramento político – analisa Marcelo Freixo.
Para o parlamentar, em tempos de currais eleitorais, as milícias levam vantagens em relação ao tráfico de drogas.
– Traficantes mantêm controle de território nas favelas, mas nem sempre obtêm o controle de fato do voto. São um exército de esfarrapados. As milícias exercem controle mais eficaz e elegem os seus candidatos de fato.
Na CPi das Milícias, Freixo já enfrentou o constrangimento de ouvir o depoimento de duas testemunhas sob a presença intimidatório do colega parlamentar Natalino, irmão de Jerominho e suspeito como ele de liderar milícias
O juiz Luiz Márcio, da fiscalização do TRE, discorda de Freixo:
– Não vejo diferença de gravidade na atuação do tráfico ou das milícias. Para mim trata-de de crime de qualquer modo – diz o magistrado e recorda: – Tanto o tráfico quanto as milícias impõem seu poder pela crueldade. Basta lembrar o caso do jornalista Tim Lopes, morto pelo tráfico no Complexo do Alemão, e de um mais recente, dos jornalistas seqüestrados e torturados na favela do Batan, em Realengo, na Zona Oeste, onde há suspeita de que também seja o comandante da milícia o vereador Jerominho.
Filipe Pereira (PSC)
Deputado federal desde 2003, Filipe Pereira é o mais jovem de todos os candidatos. Aos 24 anos, o administrador de empresas foi presidente nacional da juventude do PSC entre 2004 e 2006 e vice-líder do bloco PMDB/PTB/PSC/PTC de março de 2007 até maio deste ano. Na Câmara, é primeiro vice-presidente da Comissão de Desenvolvimento Urbano e participa da Comissão especial que discute a reforma tributária. Passou pelas comissões de Direitos Humanos e Minorias e Finanças e Tributação. É filiado ao PSC há cinco anos.
Deputado federal desde 2003, Filipe Pereira é o mais jovem de todos os candidatos. Aos 24 anos, o administrador de empresas foi presidente nacional da juventude do PSC entre 2004 e 2006 e vice-líder do bloco PMDB/PTB/PSC/PTC de março de 2007 até maio deste ano. Na Câmara, é primeiro vice-presidente da Comissão de Desenvolvimento Urbano e participa da Comissão especial que discute a reforma tributária. Passou pelas comissões de Direitos Humanos e Minorias e Finanças e Tributação. É filiado ao PSC há cinco anos.
sábado, 12 de julho de 2008
Eleições 2008
Fernando Gabeira (PV)
O parlamentar se destacou ao ocupar a tribuna, em 2005, para pedir a renúncia do então presidente da Câmara, Severino Cavalcanti, acusado de ter recebido propina do dono de um restaurante na Casa. Ex-petista, Gabeira deixou o partido quando ainda não havia escândalos relacionados à sigla. Reclamava da política ambiental adotada pelo PT ao assumir o governo. Em 1986, concorreu ao governo do Estado do Rio, na coligação PT/PV; em 1989 se candidatou à Presidência da República; em 1994, elegeu-se deputado federal, reeleito em 1998, 2002 e 2006. O mineiro de Juiz de Fora, que se considera carioca, cumpre o quarto mandato na Câmara. No fim dos anos 60, participou do seqüestro do embaixador dos Estados Unidos no Brasil, Charles Elbrick. Defensor da união civil entre pessoas do mesmo sexo e da discussão sobre aborto, Gabeira ainda é pouco conhecido do eleitorado popular.
“Porque me sinto responsável para contribuir para que a cidade encontre sua vocação econômica, atenue seus problemas sociais e reduza os níveis de violência”
O parlamentar se destacou ao ocupar a tribuna, em 2005, para pedir a renúncia do então presidente da Câmara, Severino Cavalcanti, acusado de ter recebido propina do dono de um restaurante na Casa. Ex-petista, Gabeira deixou o partido quando ainda não havia escândalos relacionados à sigla. Reclamava da política ambiental adotada pelo PT ao assumir o governo. Em 1986, concorreu ao governo do Estado do Rio, na coligação PT/PV; em 1989 se candidatou à Presidência da República; em 1994, elegeu-se deputado federal, reeleito em 1998, 2002 e 2006. O mineiro de Juiz de Fora, que se considera carioca, cumpre o quarto mandato na Câmara. No fim dos anos 60, participou do seqüestro do embaixador dos Estados Unidos no Brasil, Charles Elbrick. Defensor da união civil entre pessoas do mesmo sexo e da discussão sobre aborto, Gabeira ainda é pouco conhecido do eleitorado popular.
“Porque me sinto responsável para contribuir para que a cidade encontre sua vocação econômica, atenue seus problemas sociais e reduza os níveis de violência”
sexta-feira, 11 de julho de 2008
Panorama Econômico : Jornal O Globo
(Leia a coluna da Míriam Leitao desta sexta-feira)
Com viés de alta
A inflação entra no segundo semestre do ano já muito perto do teto da meta, os especialistas avisam que este é um período difícil, porque é a entressafra de vários alimentos e há ainda uma fila de tarifas esperando correção. O ministro Miguel Jorge, que entrevistei, comemorou os fortes investimentos no país. O Brasil vive este momento: a boa notícia dos investimentos; as sombras da inflação no horizonte.
O ministro Miguel Jorge, em entrevista que me concedeu na Globonews, disse que, depois de anos com os estados brigando para ser a sede de uma refinaria da Petrobras, agora há quatro sendo instaladas no país. Depois de anos sem um novo alto-forno, a siderurgia brasileira está com vários projetos sendo iniciados. Tudo isso, claro, aumenta a demanda agregada. É boa notícia, mas a política antiinflacionária tem que ser mais cuidadosa.
Quando sair o IPCA de julho, o Brasil estará acima da meta, juntando-se a todos os outros países que adotam metas de inflação e que, este ano, já estouraram o limite. Uma grande parte disso é a inflação de alimentos, que respondeu por mais da metade da alta de junho.
Sobre o comportamento dos preços dos alimentos no segundo semestre, os especialistas com quem conversamos acham o seguinte: o feijão tem alguma chance de cair de preço. A segunda safra do ano foi ruim, mas a terceira, em outubro, pode vir melhor e ajudar. Essa queda seria um alívio; nos últimos 12 meses, segundo apurado pela RC Consultores, ele subiu 134%; enquanto o arroz, seu companheiro, teve alta de 75%. O tomate também encareceu muito, 123%; a diferença dele é que, por ser hortifrúti, tem uma volatilidade muito maior, e a cesta de produtos sempre permite que se escolha outros alimentos. O açúcar e o café ficaram mais comportados.
O feijão não é exatamente um tradable. Ainda que seja plantado em larga escala, o plantio e o consumo são nacionais. O que houve com ele não foi pressão externa, mas o fato de que, nos últimos anos, aumentou a demanda (com o aumento da renda) e a oferta não acompanhou. O problema é que não se tem de onde importar quando o feijão fica escasso aqui.
— No caso do arroz, até tem mais países produzindo no mundo, mas eles também não têm para exportar — conta Fabio Silveira, da RC Consultores. Este ano, o comércio internacional de arroz, que não passa de 7% de tudo o que é produzido, foi restrito ainda mais pela proibição de exportação adotada por alguns produtores.
Fabio acredita num terceiro trimestre de relativa estabilização dos grãos, mas com alta das carnes, que estarão na entressafra até outubro. No quarto trimestre, se os preços internacionais ficarem estáveis, pode começar a ocorrer uma queda no preço interno dos alimentos.
— Não vejo nova pressão forte altista mundial, a não ser que o mercado enlouqueça e todo mundo decida fugir para os ativos ligados a commodities — comenta.
Nos últimos dias, a soja está em alta em Chicago.
O professor Luiz Roberto Cunha, da PUC-Rio, não acredita em queda dos preços de alimentos a curto prazo. Acha que, no caso do feijão, o mais provável é que ele não suba tanto, se for boa a última safra. No ano passado, foi exatamente nessa safra que as coisas desandaram, por excesso de chuva. O arroz não deve subir muito mais. As carnes é que estão pedindo atenção, pois elas têm subido tanto na safra quanto na entressafra (pelo índice da RC, em 12 meses, o boi subiu 53%; o frango, 21%; e os suínos, 84%). Ontem, no IPCA, foram o item que mais contribuiu para o resultado.
Sergio Vale, da MB Associados, diz que, depois de alguns saltos no preço, o mercado futuro de carnes até se acomodou um pouco, abaixo de R$ 95. Ele acha que poderá haver pressão na entressafra, ainda não incorporada nos futuros. O risco é de que, no segundo semestre, o “boi seja o que o arroz e o feijão foram nos últimos meses”.
Para o professor Luiz Roberto, o IPA agrícola, que saiu na quarta-feira, preocupa; a alta dos alimentos continua muito forte no atacado:
— Se tivesse que fazer uma projeção para o segundo semestre, diria que é de incerteza, com viés de alta.
A previsão dele para 2008 é de um IPCA em 6,5% — no teto da meta. Fabio Silveira está com 6,3%. O IPCA de ontem veio 0,74%; isso fez o índice em 12 meses pular para 6,06%. Se for 0,7% no próximo mês, o país já vai ultrapassar o limite da meta.
— O problema é que, no segundo semestre, ainda terá muito preço administrado, como as tarifas de ônibus, que provavelmente terão aumentos após as eleições. Os serviços vão continuar pressionados e, quanto aos alimentos, ainda não se tem muita clareza, ainda que haja chances de que se acomodem um pouco — analisa o professor.
Com a inflação quase furando a meta, choques externos e crise de alimentos, este é um momento decisivo: se forem religados os mecanismos de indexação de salários, se os serviços conseguirem emplacar os reajustes que estão tentando, o país pode reavivar velhos fantasmas. Cena da vida real: o barbeiro do ministro Miguel Jorge reajustou o preço em 20%; e, neste caso, a demanda é inelástica, o ministro tem que cortar os cabelos de três em três semanas.
O ministro está entusiasmado, com razão, com os investimentos em andamento em vários setores e estados, pelo país afora. Para evitar que a boa notícia seja o combustível para a alta da inflação, é preciso que o governo contenha seus gastos.
Com viés de alta
A inflação entra no segundo semestre do ano já muito perto do teto da meta, os especialistas avisam que este é um período difícil, porque é a entressafra de vários alimentos e há ainda uma fila de tarifas esperando correção. O ministro Miguel Jorge, que entrevistei, comemorou os fortes investimentos no país. O Brasil vive este momento: a boa notícia dos investimentos; as sombras da inflação no horizonte.
O ministro Miguel Jorge, em entrevista que me concedeu na Globonews, disse que, depois de anos com os estados brigando para ser a sede de uma refinaria da Petrobras, agora há quatro sendo instaladas no país. Depois de anos sem um novo alto-forno, a siderurgia brasileira está com vários projetos sendo iniciados. Tudo isso, claro, aumenta a demanda agregada. É boa notícia, mas a política antiinflacionária tem que ser mais cuidadosa.
Quando sair o IPCA de julho, o Brasil estará acima da meta, juntando-se a todos os outros países que adotam metas de inflação e que, este ano, já estouraram o limite. Uma grande parte disso é a inflação de alimentos, que respondeu por mais da metade da alta de junho.
Sobre o comportamento dos preços dos alimentos no segundo semestre, os especialistas com quem conversamos acham o seguinte: o feijão tem alguma chance de cair de preço. A segunda safra do ano foi ruim, mas a terceira, em outubro, pode vir melhor e ajudar. Essa queda seria um alívio; nos últimos 12 meses, segundo apurado pela RC Consultores, ele subiu 134%; enquanto o arroz, seu companheiro, teve alta de 75%. O tomate também encareceu muito, 123%; a diferença dele é que, por ser hortifrúti, tem uma volatilidade muito maior, e a cesta de produtos sempre permite que se escolha outros alimentos. O açúcar e o café ficaram mais comportados.
O feijão não é exatamente um tradable. Ainda que seja plantado em larga escala, o plantio e o consumo são nacionais. O que houve com ele não foi pressão externa, mas o fato de que, nos últimos anos, aumentou a demanda (com o aumento da renda) e a oferta não acompanhou. O problema é que não se tem de onde importar quando o feijão fica escasso aqui.
— No caso do arroz, até tem mais países produzindo no mundo, mas eles também não têm para exportar — conta Fabio Silveira, da RC Consultores. Este ano, o comércio internacional de arroz, que não passa de 7% de tudo o que é produzido, foi restrito ainda mais pela proibição de exportação adotada por alguns produtores.
Fabio acredita num terceiro trimestre de relativa estabilização dos grãos, mas com alta das carnes, que estarão na entressafra até outubro. No quarto trimestre, se os preços internacionais ficarem estáveis, pode começar a ocorrer uma queda no preço interno dos alimentos.
— Não vejo nova pressão forte altista mundial, a não ser que o mercado enlouqueça e todo mundo decida fugir para os ativos ligados a commodities — comenta.
Nos últimos dias, a soja está em alta em Chicago.
O professor Luiz Roberto Cunha, da PUC-Rio, não acredita em queda dos preços de alimentos a curto prazo. Acha que, no caso do feijão, o mais provável é que ele não suba tanto, se for boa a última safra. No ano passado, foi exatamente nessa safra que as coisas desandaram, por excesso de chuva. O arroz não deve subir muito mais. As carnes é que estão pedindo atenção, pois elas têm subido tanto na safra quanto na entressafra (pelo índice da RC, em 12 meses, o boi subiu 53%; o frango, 21%; e os suínos, 84%). Ontem, no IPCA, foram o item que mais contribuiu para o resultado.
Sergio Vale, da MB Associados, diz que, depois de alguns saltos no preço, o mercado futuro de carnes até se acomodou um pouco, abaixo de R$ 95. Ele acha que poderá haver pressão na entressafra, ainda não incorporada nos futuros. O risco é de que, no segundo semestre, o “boi seja o que o arroz e o feijão foram nos últimos meses”.
Para o professor Luiz Roberto, o IPA agrícola, que saiu na quarta-feira, preocupa; a alta dos alimentos continua muito forte no atacado:
— Se tivesse que fazer uma projeção para o segundo semestre, diria que é de incerteza, com viés de alta.
A previsão dele para 2008 é de um IPCA em 6,5% — no teto da meta. Fabio Silveira está com 6,3%. O IPCA de ontem veio 0,74%; isso fez o índice em 12 meses pular para 6,06%. Se for 0,7% no próximo mês, o país já vai ultrapassar o limite da meta.
— O problema é que, no segundo semestre, ainda terá muito preço administrado, como as tarifas de ônibus, que provavelmente terão aumentos após as eleições. Os serviços vão continuar pressionados e, quanto aos alimentos, ainda não se tem muita clareza, ainda que haja chances de que se acomodem um pouco — analisa o professor.
Com a inflação quase furando a meta, choques externos e crise de alimentos, este é um momento decisivo: se forem religados os mecanismos de indexação de salários, se os serviços conseguirem emplacar os reajustes que estão tentando, o país pode reavivar velhos fantasmas. Cena da vida real: o barbeiro do ministro Miguel Jorge reajustou o preço em 20%; e, neste caso, a demanda é inelástica, o ministro tem que cortar os cabelos de três em três semanas.
O ministro está entusiasmado, com razão, com os investimentos em andamento em vários setores e estados, pelo país afora. Para evitar que a boa notícia seja o combustível para a alta da inflação, é preciso que o governo contenha seus gastos.
Eduardo Serra (PCB)
Aos 52 anos, Eduardo Serra disputará sua primeira eleição. O candidato sempre fez parte do PCB. Quando o partido estava na ilegalidade, esteve filiado ao MDB, mas como militante do partido comunista. É professor da UFRJ, engenheiro de produção com mestrado em engenharia de produção e doutorado em engenharia naval. Serra também fez pós-graduação em economia, com ênfase em planejamento econômico. É casado e tem uma filha. Se eleito, pretende estatizar uma empresa de transporte e aumentar significativamente a oferta de transporte de massa na cidade.
"A razão é implantar um programa de mudanças, ofertas dos serviços sociais e urbanos combatendo a mercantilização e defendendo a presença do estado. E também na democratização da vida da cidade, construindo estrutura de participação direta da população que chamamos de poder popular".
Aos 52 anos, Eduardo Serra disputará sua primeira eleição. O candidato sempre fez parte do PCB. Quando o partido estava na ilegalidade, esteve filiado ao MDB, mas como militante do partido comunista. É professor da UFRJ, engenheiro de produção com mestrado em engenharia de produção e doutorado em engenharia naval. Serra também fez pós-graduação em economia, com ênfase em planejamento econômico. É casado e tem uma filha. Se eleito, pretende estatizar uma empresa de transporte e aumentar significativamente a oferta de transporte de massa na cidade.
"A razão é implantar um programa de mudanças, ofertas dos serviços sociais e urbanos combatendo a mercantilização e defendendo a presença do estado. E também na democratização da vida da cidade, construindo estrutura de participação direta da população que chamamos de poder popular".
Breve análise da Economia Brasileira (de olho na INFLAÇÃO)
Inflação
Conceito: Aumento geral dos preços (em geral acompanhado por um aumento na quantidade de meios de pagamento).
Países emergentes como o Brasil, China e Argentina estão entre os países mais ameaçados pela alta de preços intensificada nas últimas semanas.
Eles exibem saúde econômica parecida com a de países ricos nos anos 70, quando ocorreu a última grande crise inflacionária.
Além de alimentos e combustíveis, os preços altos já contaminam outros produtos e alguns serviços.
Preocupados com preços ascendentes de commodities, isto é, produtos primários, especialmente os de grande participação no comércio internacional, como café, algodão, minério de ferro, petróleo, entre outros, os bancos centrais dos EUA e da EU têm feito de tudo para evitar que a inflação dispare.
No Brasil a taxa está na casa de 2% à 6%.
Diante da ameaça, nações como o Brasil têm lançado mão de aumentos dos juros para conter a demanda e, como conseqüência, a inflação.
A taxa de juros por aqui, que ficara estacionada em 11,25% por vários meses, subiu recentemente para 12,25% e, com certeza, chegará a mais de 14% em 2008.
Num primeiro momento, os alimentos foram protagonistas no cenário de inflação ascendente.
Agora, os ajustes se dissiparam e atingem a maior parte da cesta de produtos que integra o IPCA – Índice de Preços ao Consumidor Amplo, calculado pelo IBGE, esse índice mede a variação de preços para as famílias com rendimentos mensais entre 1 e 40 salários mínimos, nas 11 principais regiões metropolitanas. É também, usado pelo Copom, Conselho Política Monetário Nacional para calcular a meta de inflação para o Brasil a cada ano -.
A inflação oficial, calculada pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), encerrou o primeiro semestre com alta acumulada de 3,64%, segundo dados divulgados nesta quinta-feira (10) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). A taxa é a maior para um semestre fechado desde 2003, quando ficou em 6,64%.
Em junho, a taxa recuou frente ao mês anterior, passando de 0,79% para 0,74%. Em 12 meses, a alta acumulada é de 6,06%, a maior nesta base de comparação desde novembro de 2005 (6,22%).
O maior impacto para a inflação do semestre veio dos preços dos alimentos, que acumularam variação de 8,64% no período. O grupo representou 1,88 ponto percentual do IPCA do período. Alimentos e bebidas também exerceram o maior impacto no IPCA acumulado nos 12 meses terminados em junho de 2008: com um variação de 15,79%, respondeu por 3,43 pontos percentuais, mais da metade do índice geral (6,06%).
No acumulado do ano, também pesou sobre a taxa a inflação do grupo saúde, que, com um aumento de 3,47%, respondeu por 0,37 ponto percentual.
A maior contribuição individual para o IPCA do primeiro semestre veio das refeições fora do domicílio: 0,30 ponto percentual (variação acumulada de 7,94%). Por outro lado, TV, som e informática (-5,83%); álcool (-3,21%); e gasolina (-1,21%) foram os principais índices negativos no primeiro semestre.
Os preços dos alimentos voltaram a liderar a contribuição para a taxa do IPCA em junho (1,74%), explicando 63% do resultado do mês. No mês, a alta de 2,11% no grupo alimentação e bebidas foi ainda maior do que a registrada em maio (1,95%). O aumento nos preços continuou generalizado e apenas o óleo de soja (-2,76%) e as frutas (-1,96%) merecem destaque pelas quedas.
O arroz com feijão ficou bem mais caro de maio para junho. Pagando 9,90% a mais pelo quilo do arroz, que já subiu 38,21% no ano, o consumidor teve que deixar mais 7,54% no quilo do feijão preto, enquanto o tipo carioca teve seu preço acrescido de 15,55%. Mas, individualmente, foi o item carnes que ficou com a maior contribuição: 0,14 ponto percentual.
Os produtos não alimentícios, por outro lado, cresceram 0,34%, menos do que em maio, quando a taxa havia ficado em 0,46%. O acumulado no ano está em 2,26%. Entre as maiores variações, os destaques foram: gás encanado (8,76%), gás veicular (8,31%), passagens aéreas (3,70%), artigos de higiene pessoal (1,29%), artigos de limpeza (1,33%) e salário de empregado doméstico (1,04%).
INPC
Para as famílias com rendimento entre um e seis salários mínimos, a taxa de inflação para o semestre foi maior, de 4,26%, significativamente superior aos 2,20% referentes ao mesmo período do ano passado. Em junho, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) ficou em 0,91%.
Nos últimos doze meses o resultado foi 7,28%, também acima da taxa de 6,64% dos doze meses imediatamente anteriores. Em junho de 2007 o INPC foi 0,31%.
Os produtos alimentícios apresentaram variação de 2,38% em junho, enquanto os não alimentícios aumentaram 0,28%. Em maio os resultados foram 2,19% e 0,44%, respectivamente.
Conceito: Aumento geral dos preços (em geral acompanhado por um aumento na quantidade de meios de pagamento).
Países emergentes como o Brasil, China e Argentina estão entre os países mais ameaçados pela alta de preços intensificada nas últimas semanas.
Eles exibem saúde econômica parecida com a de países ricos nos anos 70, quando ocorreu a última grande crise inflacionária.
Além de alimentos e combustíveis, os preços altos já contaminam outros produtos e alguns serviços.
Preocupados com preços ascendentes de commodities, isto é, produtos primários, especialmente os de grande participação no comércio internacional, como café, algodão, minério de ferro, petróleo, entre outros, os bancos centrais dos EUA e da EU têm feito de tudo para evitar que a inflação dispare.
No Brasil a taxa está na casa de 2% à 6%.
Diante da ameaça, nações como o Brasil têm lançado mão de aumentos dos juros para conter a demanda e, como conseqüência, a inflação.
A taxa de juros por aqui, que ficara estacionada em 11,25% por vários meses, subiu recentemente para 12,25% e, com certeza, chegará a mais de 14% em 2008.
Num primeiro momento, os alimentos foram protagonistas no cenário de inflação ascendente.
Agora, os ajustes se dissiparam e atingem a maior parte da cesta de produtos que integra o IPCA – Índice de Preços ao Consumidor Amplo, calculado pelo IBGE, esse índice mede a variação de preços para as famílias com rendimentos mensais entre 1 e 40 salários mínimos, nas 11 principais regiões metropolitanas. É também, usado pelo Copom, Conselho Política Monetário Nacional para calcular a meta de inflação para o Brasil a cada ano -.
A inflação oficial, calculada pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), encerrou o primeiro semestre com alta acumulada de 3,64%, segundo dados divulgados nesta quinta-feira (10) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). A taxa é a maior para um semestre fechado desde 2003, quando ficou em 6,64%.
Em junho, a taxa recuou frente ao mês anterior, passando de 0,79% para 0,74%. Em 12 meses, a alta acumulada é de 6,06%, a maior nesta base de comparação desde novembro de 2005 (6,22%).
O maior impacto para a inflação do semestre veio dos preços dos alimentos, que acumularam variação de 8,64% no período. O grupo representou 1,88 ponto percentual do IPCA do período. Alimentos e bebidas também exerceram o maior impacto no IPCA acumulado nos 12 meses terminados em junho de 2008: com um variação de 15,79%, respondeu por 3,43 pontos percentuais, mais da metade do índice geral (6,06%).
No acumulado do ano, também pesou sobre a taxa a inflação do grupo saúde, que, com um aumento de 3,47%, respondeu por 0,37 ponto percentual.
A maior contribuição individual para o IPCA do primeiro semestre veio das refeições fora do domicílio: 0,30 ponto percentual (variação acumulada de 7,94%). Por outro lado, TV, som e informática (-5,83%); álcool (-3,21%); e gasolina (-1,21%) foram os principais índices negativos no primeiro semestre.
Os preços dos alimentos voltaram a liderar a contribuição para a taxa do IPCA em junho (1,74%), explicando 63% do resultado do mês. No mês, a alta de 2,11% no grupo alimentação e bebidas foi ainda maior do que a registrada em maio (1,95%). O aumento nos preços continuou generalizado e apenas o óleo de soja (-2,76%) e as frutas (-1,96%) merecem destaque pelas quedas.
O arroz com feijão ficou bem mais caro de maio para junho. Pagando 9,90% a mais pelo quilo do arroz, que já subiu 38,21% no ano, o consumidor teve que deixar mais 7,54% no quilo do feijão preto, enquanto o tipo carioca teve seu preço acrescido de 15,55%. Mas, individualmente, foi o item carnes que ficou com a maior contribuição: 0,14 ponto percentual.
Os produtos não alimentícios, por outro lado, cresceram 0,34%, menos do que em maio, quando a taxa havia ficado em 0,46%. O acumulado no ano está em 2,26%. Entre as maiores variações, os destaques foram: gás encanado (8,76%), gás veicular (8,31%), passagens aéreas (3,70%), artigos de higiene pessoal (1,29%), artigos de limpeza (1,33%) e salário de empregado doméstico (1,04%).
INPC
Para as famílias com rendimento entre um e seis salários mínimos, a taxa de inflação para o semestre foi maior, de 4,26%, significativamente superior aos 2,20% referentes ao mesmo período do ano passado. Em junho, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) ficou em 0,91%.
Nos últimos doze meses o resultado foi 7,28%, também acima da taxa de 6,64% dos doze meses imediatamente anteriores. Em junho de 2007 o INPC foi 0,31%.
Os produtos alimentícios apresentaram variação de 2,38% em junho, enquanto os não alimentícios aumentaram 0,28%. Em maio os resultados foram 2,19% e 0,44%, respectivamente.
quinta-feira, 10 de julho de 2008
Comentário meu: Problemas devem ser sanados
Com a campanha eleitoral finalmente nas ruas, é hora de sugerir aos candidatos duas lições capazes de garantir mais seriedade à disputa: abandonem a prática habitual de vender ilusões ao eleitor e recorram à sensatez ao proclamar as próprias façanhas e virtudes.
No caso da Cidade do Rio de Janeiro, os candidatos precisarão exibir, nos próximos três meses, projetos concretos destinados a aplacar os problemas que atormentam os cariocas. Mais do que nunca, as mazelas do Rio exigem um síndico à frente da prefeitura – eficiente, intolerante com o erro, preocupado com os rumos dos últimos anos, ciente da desordem, convicto das mazelas e zeloso com os encantos de uma cidade tão maravilhosa quanto tisnada pela incompetência. São atributos que o prefeito Cesar Maia prometeu alcançar e não conseguiu.
Eis por que estão desde já convocados à essa missão os postulantes das eleições deste ano: Marcelo Crivella (PRB), Jandira Feghali (PCdoB), Eduardo Paes (PMDB), Fernando Gabeira (PV), Chico Alencar (PSOL), Solange Amaral (DEM), Alessandro Molon (PT), Paulo Ramos (PDT), Filipe Pereira (PSC) e Vinícius Cordeiro (PT do B).
Disputarão o comando do segundo maior Produto Interno Bruto municipal do país (R$ 118 bilhões) e uma cidade bonita por natureza mas de auto-estima abalada.
Períodos eleitorais convidam os políticos a viajar pelo campo das fantasias.
A imaginação dos candidatos muitas vezes eleva-se a altitudes inverossímeis. A vida real desaconselha tais equívocos.
Degradação dos bairros, saúde enferma, projetos para melhoria do transporte público engavetados e uma educação reprovada no teste da qualidade são algumas das deficiências identificadas.
O boicote ao IPTU, espalhado por bairros de todas as zonas da cidade, constitui a melhor tradução de um Rio à deriva. Inconformados com desordem urbana e com a falta de transparência na aplicação dos recursos, não foram poucos os cariocas que aderiram a um legítimo movimento de desobediência civil. O próximo prefeito terá não só de mostrar aos cariocas que pode recuperar a confiança perdida na prefeitura como encontrar saídas para reduzir o impacto da perda de arrecadação.
Que os candidatos estejam atentos.
Precisarão colocar o dedo nas profundas feridas que abalam o Rio e dizer o que pensam sobre as fragilidades que deterioram a qualidade de vida dos cariocas – culpa das duvidosas prioridades do atual prefeito.
Em troca de ações como a custosa Cidade da Música, Cesar Maia conduziu o Rio ao abandono de setores essenciais, como educação, saúde pública e habitação. Destes, a calamidade da epidemia de dengue foi apenas o seu mais danoso exemplo. Não o único. A lista completa-se com os problemas de ocupação do solo, o crescimento desordenado de favelas, a negligência habitacional e o deficitário transporte público.
As pesquisas de opinião, que fotografam a percepção do eleitor sobre a administração municipal, não favorecem a imagem de eficácia urdida por Cesar Maia. Esta se dissipou com o tempo e com os equívocos do prefeito. O eleitor carioca saberá cobrar tais erros sem tardança. É um sinal de alerta para uma temporada eleitoral que está apenas começando.
Que os candidatos não se deixem guiar pela tentação de ataques entre si, mas que tenham como norte o jogo limpo com o eleitor, a quem devem uma campanha justa.
Que os candidatos usem a imaginação, recorram a bons exemplos aplicados em outras paragens, procurem parceiros.
O Rio carece de atenção e cuidado à altura de sua beleza e relevância.
No caso da Cidade do Rio de Janeiro, os candidatos precisarão exibir, nos próximos três meses, projetos concretos destinados a aplacar os problemas que atormentam os cariocas. Mais do que nunca, as mazelas do Rio exigem um síndico à frente da prefeitura – eficiente, intolerante com o erro, preocupado com os rumos dos últimos anos, ciente da desordem, convicto das mazelas e zeloso com os encantos de uma cidade tão maravilhosa quanto tisnada pela incompetência. São atributos que o prefeito Cesar Maia prometeu alcançar e não conseguiu.
Eis por que estão desde já convocados à essa missão os postulantes das eleições deste ano: Marcelo Crivella (PRB), Jandira Feghali (PCdoB), Eduardo Paes (PMDB), Fernando Gabeira (PV), Chico Alencar (PSOL), Solange Amaral (DEM), Alessandro Molon (PT), Paulo Ramos (PDT), Filipe Pereira (PSC) e Vinícius Cordeiro (PT do B).
Disputarão o comando do segundo maior Produto Interno Bruto municipal do país (R$ 118 bilhões) e uma cidade bonita por natureza mas de auto-estima abalada.
Períodos eleitorais convidam os políticos a viajar pelo campo das fantasias.
A imaginação dos candidatos muitas vezes eleva-se a altitudes inverossímeis. A vida real desaconselha tais equívocos.
Degradação dos bairros, saúde enferma, projetos para melhoria do transporte público engavetados e uma educação reprovada no teste da qualidade são algumas das deficiências identificadas.
O boicote ao IPTU, espalhado por bairros de todas as zonas da cidade, constitui a melhor tradução de um Rio à deriva. Inconformados com desordem urbana e com a falta de transparência na aplicação dos recursos, não foram poucos os cariocas que aderiram a um legítimo movimento de desobediência civil. O próximo prefeito terá não só de mostrar aos cariocas que pode recuperar a confiança perdida na prefeitura como encontrar saídas para reduzir o impacto da perda de arrecadação.
Que os candidatos estejam atentos.
Precisarão colocar o dedo nas profundas feridas que abalam o Rio e dizer o que pensam sobre as fragilidades que deterioram a qualidade de vida dos cariocas – culpa das duvidosas prioridades do atual prefeito.
Em troca de ações como a custosa Cidade da Música, Cesar Maia conduziu o Rio ao abandono de setores essenciais, como educação, saúde pública e habitação. Destes, a calamidade da epidemia de dengue foi apenas o seu mais danoso exemplo. Não o único. A lista completa-se com os problemas de ocupação do solo, o crescimento desordenado de favelas, a negligência habitacional e o deficitário transporte público.
As pesquisas de opinião, que fotografam a percepção do eleitor sobre a administração municipal, não favorecem a imagem de eficácia urdida por Cesar Maia. Esta se dissipou com o tempo e com os equívocos do prefeito. O eleitor carioca saberá cobrar tais erros sem tardança. É um sinal de alerta para uma temporada eleitoral que está apenas começando.
Que os candidatos não se deixem guiar pela tentação de ataques entre si, mas que tenham como norte o jogo limpo com o eleitor, a quem devem uma campanha justa.
Que os candidatos usem a imaginação, recorram a bons exemplos aplicados em outras paragens, procurem parceiros.
O Rio carece de atenção e cuidado à altura de sua beleza e relevância.
Eduardo Paes (PMDB)
Ex-secretário estadual de Turismo, Esporte e Lazer, Eduardo Paes entrou na corrida eleitoral depois que o PMDB rompeu a aliança que apoiaria Alessandro Molon (PT). Paes disputará sua quinta eleição, a segunda para um cargo majoritário. Há dois anos, ele tentou se eleger governador, mas não conseguiu ir para o segundo turno. Formado em direito, Eduardo Paes disputou sua primeira eleição pelo PFL (hoje DEM). Passou por PSDB, onde atuou ativamente contra o PT na CPI dos Correios, até se ingressar no PMDB, partido da base do governo. Em 1996, foi eleito vereador pelo PFL. Dois anos depois se candidatou e foi eleito deputado federal, sendo reeleito em 2002. Em 2006, tentou o governo do estado, mas não conseguiu disputar o segundo turno. De fiel escudeiro do prefeito Cesar Maia (DEM) e pupilo do ex-governador Marcello Alencar (PSDB), ele passou a candidato favorito do governador Sérgio Cabral, que sempre lutou pela sua indicação.
"O Rio tem sido o local em que fiz minha trajetória política. Conheço cada ponto da cidade. Acho que posso mudar a vida das pessoas"
Ex-secretário estadual de Turismo, Esporte e Lazer, Eduardo Paes entrou na corrida eleitoral depois que o PMDB rompeu a aliança que apoiaria Alessandro Molon (PT). Paes disputará sua quinta eleição, a segunda para um cargo majoritário. Há dois anos, ele tentou se eleger governador, mas não conseguiu ir para o segundo turno. Formado em direito, Eduardo Paes disputou sua primeira eleição pelo PFL (hoje DEM). Passou por PSDB, onde atuou ativamente contra o PT na CPI dos Correios, até se ingressar no PMDB, partido da base do governo. Em 1996, foi eleito vereador pelo PFL. Dois anos depois se candidatou e foi eleito deputado federal, sendo reeleito em 2002. Em 2006, tentou o governo do estado, mas não conseguiu disputar o segundo turno. De fiel escudeiro do prefeito Cesar Maia (DEM) e pupilo do ex-governador Marcello Alencar (PSDB), ele passou a candidato favorito do governador Sérgio Cabral, que sempre lutou pela sua indicação.
"O Rio tem sido o local em que fiz minha trajetória política. Conheço cada ponto da cidade. Acho que posso mudar a vida das pessoas"
quarta-feira, 9 de julho de 2008
Eleições: Rio
Chico Alencar (PSOL)
O ex-petista, decepcionado com o partido depois do escândalo do mensalão em 2005, foi um dos fundadores do PSOL. Historiador, Chico Alencar é autor de 26 livros, alguns deles sobre fé. Ligado aos movimentos de esquerda, desde que era petista, o deputado federal é católico atuante. Em sua atuação parlamentar, como vereador e deputado estadual e federal, Chico defende prioridade dos governos para a educação. Aos 58 anos, é pai de quatro filhos (um homem e três mulheres). Nunca exerceu cargo majoritário, apesar da longa experiência no Legislativo. Em 1988, foi eleito vereador; em 1992, se reelegeu; em 1996, ficou em terceiro lugar na disputa pela Prefeitura do Rio; em 1998, se elegeu pela primeira vez deputado estadual; em 2002, foi eleito deputado federal; em 2006, foi reeleito.
“Sou candidato de um causa que não é absolutamente um projeto pessoal. É uma candidatura a serviço da esperança”
O ex-petista, decepcionado com o partido depois do escândalo do mensalão em 2005, foi um dos fundadores do PSOL. Historiador, Chico Alencar é autor de 26 livros, alguns deles sobre fé. Ligado aos movimentos de esquerda, desde que era petista, o deputado federal é católico atuante. Em sua atuação parlamentar, como vereador e deputado estadual e federal, Chico defende prioridade dos governos para a educação. Aos 58 anos, é pai de quatro filhos (um homem e três mulheres). Nunca exerceu cargo majoritário, apesar da longa experiência no Legislativo. Em 1988, foi eleito vereador; em 1992, se reelegeu; em 1996, ficou em terceiro lugar na disputa pela Prefeitura do Rio; em 1998, se elegeu pela primeira vez deputado estadual; em 2002, foi eleito deputado federal; em 2006, foi reeleito.
“Sou candidato de um causa que não é absolutamente um projeto pessoal. É uma candidatura a serviço da esperança”
terça-feira, 8 de julho de 2008
Eleições: Rio
Alessandro Molon (PT)
Aos 36 anos, Molon não tem experiência administrativa. Advogado, entrou para o PT quando ainda estudava direito na PUC. É católico carismático e iniciou sua atuação parlamentar como forte opositor ao governo Garotinho e depois ao governo Rosinha. Também batia de frente com o presidente da Assembléia Legislativa, Jorge Picciani, que virou seu aliado, mas acabou abandonando a aliança junto com o PMDB para apoiar Eduardo Paes.
Em 2000 foi candidato a vereador no Rio e perdeu; em 2002, foi eleito deputado estadual e reeleito em 2006. Assim como seu tutor no início da vida política – o deputado Chico Alencar (PSOL) – Molon é professor de História e teve seus mandatos voltados para a defesa da educação. Chegou a cogitar sair do PT, na crise do mensalão.
“Porque amo minha cidade e porque estou certo de que é possível recuperá-la. Porque represento a verdadeira parceria entre os governos e isso vai ser fundamental para resgatar a cidade”
Aos 36 anos, Molon não tem experiência administrativa. Advogado, entrou para o PT quando ainda estudava direito na PUC. É católico carismático e iniciou sua atuação parlamentar como forte opositor ao governo Garotinho e depois ao governo Rosinha. Também batia de frente com o presidente da Assembléia Legislativa, Jorge Picciani, que virou seu aliado, mas acabou abandonando a aliança junto com o PMDB para apoiar Eduardo Paes.
Em 2000 foi candidato a vereador no Rio e perdeu; em 2002, foi eleito deputado estadual e reeleito em 2006. Assim como seu tutor no início da vida política – o deputado Chico Alencar (PSOL) – Molon é professor de História e teve seus mandatos voltados para a defesa da educação. Chegou a cogitar sair do PT, na crise do mensalão.
“Porque amo minha cidade e porque estou certo de que é possível recuperá-la. Porque represento a verdadeira parceria entre os governos e isso vai ser fundamental para resgatar a cidade”
segunda-feira, 7 de julho de 2008
Para onde vão os preços?
Enviado por Míriam Leitão
Os riscos são de petróleo continuar em alta
A previsão do presidente da Opep de que o petróleo vai continuar subindo nas próximas semanas tem grande chance de se cumprir. Não pelo poder da Opep. Hoje o cartel controla apenas 40% da produção, mas pelos problemas que se somam no momento atual para criar a disparada de preços. Abaixo alguns motivos que podem manter os preços do produto em alta.
1)Há até petróleo excedente. Só que esse petróleo a mais que já foi cinco milhões de barris hoje é de 1,4 milhão de barris apenas. Isso é considerado pouco no mercado de petróleo.
2)O dólar continua caindo e os produtores querem manter suas receitas estáveis e por isso tem que subir seus preços em dólar.
3)As novas áreas de produção estão atrasadas: 27 plataformas que deveriam estar entrando em operação em 2008 vão ficar para os próximos anos.
4) A China não era importadora anos atrás e hoje é a segunda maior importadora do mundo. E justamente a China tem números pouco confiáveis de produção e reservas.
5) Os custos de produção aumentaram muito. O aluguel de uma sonda quadruplicou de preços em poucos anos.
6)Por fim e não menos importante: a especulação com os ativos indexados pelo preço do petróleo e negociação com papéis no mercado futuro de petróleo aumentaram espantosamente nos últimos anos tornando o mercado muito volátil.
Por tudo isso e muito mais a tendência é de preços de petróleo em alta. Mas como grande parte da valorização é proveniente dos negócios financeiros com petróleo, há chances de a médio prazo os preços voltarem a cair. Médio prazo é daqui a um ou dois anos.
A previsão do presidente da Opep de que o petróleo vai continuar subindo nas próximas semanas tem grande chance de se cumprir. Não pelo poder da Opep. Hoje o cartel controla apenas 40% da produção, mas pelos problemas que se somam no momento atual para criar a disparada de preços. Abaixo alguns motivos que podem manter os preços do produto em alta.
1)Há até petróleo excedente. Só que esse petróleo a mais que já foi cinco milhões de barris hoje é de 1,4 milhão de barris apenas. Isso é considerado pouco no mercado de petróleo.
2)O dólar continua caindo e os produtores querem manter suas receitas estáveis e por isso tem que subir seus preços em dólar.
3)As novas áreas de produção estão atrasadas: 27 plataformas que deveriam estar entrando em operação em 2008 vão ficar para os próximos anos.
4) A China não era importadora anos atrás e hoje é a segunda maior importadora do mundo. E justamente a China tem números pouco confiáveis de produção e reservas.
5) Os custos de produção aumentaram muito. O aluguel de uma sonda quadruplicou de preços em poucos anos.
6)Por fim e não menos importante: a especulação com os ativos indexados pelo preço do petróleo e negociação com papéis no mercado futuro de petróleo aumentaram espantosamente nos últimos anos tornando o mercado muito volátil.
Por tudo isso e muito mais a tendência é de preços de petróleo em alta. Mas como grande parte da valorização é proveniente dos negócios financeiros com petróleo, há chances de a médio prazo os preços voltarem a cair. Médio prazo é daqui a um ou dois anos.
domingo, 6 de julho de 2008
sábado, 5 de julho de 2008
Salvatore Cacciola
O príncipe Albert, de Mônaco, determinou na sexta-feira 4 a extradição do ex-banqueiro Alberto Salvatore Cacciola. Foi o golpe final para um processo que se arrasta a nove meses. Cacciola, dono do falido banco Marka, foi condenado em 2005 a 13 anos de prisão por peculato e gestão fraudulenta. Em 1999, ele já tinha informações privilegiadas de que o Banco Central iria intervir no Marka, que estava quebrando. Cacciola conseguiu comprar dólares mais baratos do próprio BC. Foi dado, assim, um prejuízo de R$ 1,5 bilhão aos cofres públicos. Testemunhas afirmaram, na época, que o ex-banqueiro comprava informações sigilosas do Banco Central - o então presidente da instituição, Francisco Lopes, se demitiu logo depois. Cacciola foi preso pela PF em junho de 2000 - se tornou o primeiro banqueiro a dormir na prisão. Passou 37 dias preso, mas conseguiu habeas- corpus e fugiu para a Itália. Com dupla cidadania, o ex-banqueiro não poderia ser extraditado. Viveu em Milão até setembro de 2007, quando foi preso pela Interpol durante um passeio por Mônaco. O Brasil entrou com um pedido de extradição, mas sucessivas manobras da defesa e problemas na tradução do processo fizeram com que o julgamento fosse adiado quatro vezes. Agora, Cacciola cumprirá sua pena (a maior entre os envolvidos no crime) no Brasil.
O CASO CACCIOLA
Janeiro de 1999 - O banco de Cacciola recebe ajuda do Banco Central e provoca prejuízo aos cofres públicos
Junho de 2000 - Prisão preventiva de Cacciola. Ele consegue habeas-corpus e foge para a Itália
Abril de 2005 - Cacciola é finalmente condenado a 13 anos de prisão
Setembro de 2007 - É preso durante passeio em Mônaco
15 de abril de 2008 - Corte de Mônaco admite a extradição
23 de junho - Corte rejeita recurso da defesa
4 de julho - Príncipe Albert determina a extradição
O CASO CACCIOLA
Janeiro de 1999 - O banco de Cacciola recebe ajuda do Banco Central e provoca prejuízo aos cofres públicos
Junho de 2000 - Prisão preventiva de Cacciola. Ele consegue habeas-corpus e foge para a Itália
Abril de 2005 - Cacciola é finalmente condenado a 13 anos de prisão
Setembro de 2007 - É preso durante passeio em Mônaco
15 de abril de 2008 - Corte de Mônaco admite a extradição
23 de junho - Corte rejeita recurso da defesa
4 de julho - Príncipe Albert determina a extradição
Porque hoje é sábado
Na edição, de hoje, do Jornal do Brasil, o presidente do Senado, Garibaldi Alves Filho (PMDB-RN) declaraou insatisfação sobre o processo eleitoral desse ano.
Leia na íntegra a matéria que já está no site do jornal.
Candidato de ficha suja poderá disputar este ano
Presidente do Senado reconhece: calendário joga contra.
O Congresso Nacional não deve conseguir votar a tempo de entrar em vigor nas eleições municipais deste ano o projeto que proíbe a candidatura de políticos com "ficha suja". O presidente do Senado, Garibaldi Alves (PMDB-RN), reconheceu ... Leia mais em Candidato de ficha suja poderá disputar este ano
Leia na íntegra a matéria que já está no site do jornal.
Candidato de ficha suja poderá disputar este ano
Presidente do Senado reconhece: calendário joga contra.
O Congresso Nacional não deve conseguir votar a tempo de entrar em vigor nas eleições municipais deste ano o projeto que proíbe a candidatura de políticos com "ficha suja". O presidente do Senado, Garibaldi Alves (PMDB-RN), reconheceu ... Leia mais em Candidato de ficha suja poderá disputar este ano
sexta-feira, 4 de julho de 2008
4 de Julho nos EUA
4 de Julho, Dia da Independência dos Estados Unidos da América. Muita gente não tem idéia do que esta data significa ao povo americano.
Tudo começou em 1607. Naquele ano, um pequeno grupo de colonizadores fundou a primeira colônia inglesa permanente na América.
Posteriormente, 13 outras colônias se espalharam pela costa Atlântica, todas elas sob o domínio do rei da Inglaterra e com mais de 2 milhões de colonizadores. No centro, Pensilvânia, New York, New Jersey e Delaware; no norte, Massachussetts, New Hampshire, Rhode Island e Connecticut e no sul, Virginia, Maryland, Carolina do Norte, Carolina do Sul e Georgia.
Quando a Inglaterra resolveu cobrar impostos dos colonizadores, muitos se recusaram a comprar os produtos tributados dando início a uma grande revolta contra a Inglaterra. Um ato contra a cobrança de impostos, de grande importância em 1773 foi "Boston Tea Party", em Boston - Massachussetts, onde colonizadores, disfarçados de indíos, destruiram mais de 3 centenas de caixas de chá retirando-as dos navios ingleses e jogadando-as ao mar. Várias leis intoleráveis impostas pela Coroa Inglesa, provocaram a convocação do primeiro Congresso Continental de Filadélfia, em 1774, pedindo ao Rei e ao Parlamento a revogação da legislação autoritária e igualdade de direitos aos colonizadores.
Tais revoltas dão início à Guerra da Independência em 1775. Um ano depois foi formulada a Declaração da Independência para proclamar a separação das 13 colônias americanas da Inglaterra. Escrita por uma comissão de 5 membros e liderada por Thomas Jefferson, foi promulgada em 4 de julho de 1776 na Filadélfia por delegados de todos os territórios.
A Declaração dos Estados Unidos da América é inspirada nos ideais do Iluminismo e defende a liberdade individual e o respeito aos Direitos Fundamentais do ser humano.
A data de 4 de Julho é o mais importante feriado americano. Celebrado com paradas, eventos esportivos e fogos de artifícios. A bandeira americana é hasteada e decorações com fitas azuis, vermelhas e brancas são utilizadas em cerimônias públicas.
Tudo começou em 1607. Naquele ano, um pequeno grupo de colonizadores fundou a primeira colônia inglesa permanente na América.
Posteriormente, 13 outras colônias se espalharam pela costa Atlântica, todas elas sob o domínio do rei da Inglaterra e com mais de 2 milhões de colonizadores. No centro, Pensilvânia, New York, New Jersey e Delaware; no norte, Massachussetts, New Hampshire, Rhode Island e Connecticut e no sul, Virginia, Maryland, Carolina do Norte, Carolina do Sul e Georgia.
Quando a Inglaterra resolveu cobrar impostos dos colonizadores, muitos se recusaram a comprar os produtos tributados dando início a uma grande revolta contra a Inglaterra. Um ato contra a cobrança de impostos, de grande importância em 1773 foi "Boston Tea Party", em Boston - Massachussetts, onde colonizadores, disfarçados de indíos, destruiram mais de 3 centenas de caixas de chá retirando-as dos navios ingleses e jogadando-as ao mar. Várias leis intoleráveis impostas pela Coroa Inglesa, provocaram a convocação do primeiro Congresso Continental de Filadélfia, em 1774, pedindo ao Rei e ao Parlamento a revogação da legislação autoritária e igualdade de direitos aos colonizadores.
Tais revoltas dão início à Guerra da Independência em 1775. Um ano depois foi formulada a Declaração da Independência para proclamar a separação das 13 colônias americanas da Inglaterra. Escrita por uma comissão de 5 membros e liderada por Thomas Jefferson, foi promulgada em 4 de julho de 1776 na Filadélfia por delegados de todos os territórios.
A Declaração dos Estados Unidos da América é inspirada nos ideais do Iluminismo e defende a liberdade individual e o respeito aos Direitos Fundamentais do ser humano.
A data de 4 de Julho é o mais importante feriado americano. Celebrado com paradas, eventos esportivos e fogos de artifícios. A bandeira americana é hasteada e decorações com fitas azuis, vermelhas e brancas são utilizadas em cerimônias públicas.
quinta-feira, 3 de julho de 2008
Um passo à frente... e dois atrás
Enviado por Lucia Hippolito
Preocupados com o tema “candidatos com ficha suja”, os membros da CCJ do Senado começaram a analisar projetos de lei complementar sobre inelegibilidades, consolidados num único substitutivo, do senador Demóstenes Torres (DEM-GO).
Segundo o texto, será recusada pelos TREs a candidatura de alguém já condenado em primeira instância. Pode ser qualquer condenação criminal, eleitoral, por improbidade administrativa, por decisão dos tribunais de contas da União, dos estados ou dos municípios.
Já é um tremendo avanço em relação à situação atual, em que a ausência de regras claras é aproveitada por espertalhões de todos os tipos.
E evita também que adversários políticos abram processos uns contra os outros, apenas para inviabilizar candidaturas.
Se passar no Senado e na Câmara, poderá valer já para as eleições de 2010.
Enquanto isso, no outro prédio do Congresso Nacional, deputados tentam burlar a fidelidade partidária.
Decisão histórica tomada em 27 de março de 2007 pelo TSE, ratificada pelo STF em 4 de outubro, determinou que os mandatos proporcionais (deputado e vereador) pertencem as partidos e não aos políticos.
Em 16 de outubro, o TSE estendeu a determinação aos mandatos majoritários (presidente, governador, senador e prefeito).
Esta pergunta simples: a quem pertence o mandato?, pode ter uma resposta igualmente simples: ao partido, baseada nas seguintes razões:
1. no Brasil não existe candidatura avulsa. Candidatos são escolhidos em convenções partidárias, integram listas partidárias, beneficiam-se de recursos do Fundo Partidário e freqüentam o horário eleitoral gratuito em rádio e TV, destinado aos partidos – e não aos candidatos, individualmente.
2. para falar só das duas últimas eleições, em 2002, dos 513 deputados federais, apenas 33 foram eleitos com os próprios votos. Os 480 restantes foram eleitos com votos da legenda, da coligação e das sobras eleitorais.
Em 2006, a situação não foi diferente. Dos 513 deputados federais, apenas 39 alcançaram o quociente eleitoral dos seus estados, sendo os demais 474 eleitos com votos da legenda, da coligação e das sobras eleitorais.
Enfim, depois da histórica decisão do TSE acabou de vez aquele troca-troca pornográfico que sempre ocorreu no Brasil entre a eleição e a posse, engordando artificialmente as bancadas na Câmara, no Senado e nas Assembléias, e desrespeitando a vontade do eleitor.
Certo? Mais ou menos. Desde então, suas Excelências, os políticos brasileiros, estão tentando encontrar meios de burlar a decisão do TSE.
Nessas horas, não tem obstrução, não tem recesso, não tem governo nem oposição. Juntam-se todos para praticar o malfeito.
Pois a CCJ da Câmara dos Deputados aprovou ontem, por 33 votos a oito, proposta para, segundo seus defensores, “flexibilizar” a fidelidade partidária. (Não é lindo? Que meigos!)
Trata-se de marcar dia e hora para a traição, para o troca-troca: o que antes acontecia entre a eleição e a posse passará a acontecer no mês de setembro do ano anterior à eleição. (serão os ventos da primavera a inspirar suas Excelências?)
Assim, enquanto o Senado tenta andar para frente, ao encontro das reivindicações da sociedade brasileira, a Câmara anda para trás, tratando de legislar em causa própria e praticando um corporativismo deslavado.
Em busca de uma campanha racional
Termina neste sábado as convenções partidárias em todo o país.
Mas, não basta apenas os "candidatos" participarem das convenções e ser aceito pelos partidários, é necessário garantir o registro junto ao TRE para poder lançar sua candidatura e, portanto, iniciar sua campanha.
Em uma reunião, no Rio, juízes eleitorais de todos os estados votaram em unanimidade para que candidatos com "ficha suja" fossem barrados logo pelo juiz eleitoral do município.
Isso pode ser um sopro de ar fresco para as Eleições 2008.
O fato é que, como qualquer cidadão o candidato poderá recorrer ao STF, mas durante esse período ele não pode fazer campanha. Isso foi o que aconteceu em 2006, no Rio, quando todos os políticos envolvidos com a Máfia das Sanguessugas, nenhum foi reeleito, pois quando seu processo foi julgado só faltavam três dias para as eleições.
Portanto, enquanto os TREs interpretam de um jeito e o TSE interpreta de outro, espera-se que essa seja uma campanha mais racional e que a ética seja posta em conceito usual para uma sociedade que viveu durante tantas eleições a mediocridade política.
O Brasil precisa de um plano político mais eficiente e eficaz.
Mas, não basta apenas os "candidatos" participarem das convenções e ser aceito pelos partidários, é necessário garantir o registro junto ao TRE para poder lançar sua candidatura e, portanto, iniciar sua campanha.
Em uma reunião, no Rio, juízes eleitorais de todos os estados votaram em unanimidade para que candidatos com "ficha suja" fossem barrados logo pelo juiz eleitoral do município.
Isso pode ser um sopro de ar fresco para as Eleições 2008.
O fato é que, como qualquer cidadão o candidato poderá recorrer ao STF, mas durante esse período ele não pode fazer campanha. Isso foi o que aconteceu em 2006, no Rio, quando todos os políticos envolvidos com a Máfia das Sanguessugas, nenhum foi reeleito, pois quando seu processo foi julgado só faltavam três dias para as eleições.
Portanto, enquanto os TREs interpretam de um jeito e o TSE interpreta de outro, espera-se que essa seja uma campanha mais racional e que a ética seja posta em conceito usual para uma sociedade que viveu durante tantas eleições a mediocridade política.
O Brasil precisa de um plano político mais eficiente e eficaz.
Nomes dos candidatos dos 26 estados brasileiros
Do Portal G1:
As convenções terminarão no próximo sábado, mas já temos um panorama dos candidatos a prefeito que estarão disputando as eleições municipais em 2008 nas capitais brasileiras.
O impressionante é que tanto no Rio quanto em São Paulo a disputa ocorrerá entre 11 candidatos.
http://g1.globo.com/Noticias/Politica/0,,MUL632535-5601,00-CONHECA+OS+CANDIDATOS+A+PREFEITO+NAS+CAPITAIS.html
É claro que esse número (169) poderá mudar, mas o certo é que essa será um disputa acirradíssima.
As convenções terminarão no próximo sábado, mas já temos um panorama dos candidatos a prefeito que estarão disputando as eleições municipais em 2008 nas capitais brasileiras.
O impressionante é que tanto no Rio quanto em São Paulo a disputa ocorrerá entre 11 candidatos.
http://g1.globo.com/Noticias/Politica/0,,MUL632535-5601,00-CONHECA+OS+CANDIDATOS+A+PREFEITO+NAS+CAPITAIS.html
É claro que esse número (169) poderá mudar, mas o certo é que essa será um disputa acirradíssima.
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