Do blog da Lucia Hippolito
Procuradores da República em vários estados estão tentando redigir um pedido de impeachment do ministro Gilmar Mendes, presidente do Supremo Tribunal Federal.
Ministro do STF é uma das autoridades federais que podem sofrer processo de impeachment. Os outros são presidente e vice-presidente da República, ministros de Estado e procurador-geral da República.
A Lei nº 1.079, de 10 de abril de 1950, conhecida também como Lei do Impeachment, trata do assunto.
Qualquer cidadão pode pedir impeachment de autoridades.
No caso de presidente, vice-presidente e ministros de Estado, o processo precisa ser iniciado na Câmara.
A Câmara funciona na acusação. Se os deputados decidirem aprovar o processo de impeachment, a autoridade é afastada até que o Senado, funcionando como tribunal, julgue o caso. O presidente do Supremo Tribunal Federal assume a presidência do Senado.
Foi assim que o ex-presidente Fernando Collor sofreu processo de impeachment na Câmara, em 1992; foi afastado temporariamente da presidência da República até que o Senado o julgou culpado, e o afastamento temporário transformou-se em definitivo.
No caso de ministros do STF e do procurador-geral da República, a lei manda que o processo já tenha início no Senado Federal, pulando-se a etapa da Câmara dos Deputados. O pedido de impeachment dá entrada no Senado, que aí julga o processo todo (Art. 39 e seguintes).
Também aí o presidente do STF assume a presidência dos trabalhos. Mas se o processo for contra ele, a lei determina que o vice-presidente do STF desempenhe essa função.
Vamos acompanhar, porque a coisa promete.
terça-feira, 15 de julho de 2008
segunda-feira, 14 de julho de 2008
Inflação
Mercado projeta inflação no topo da meta
O Boletim Focus divulgado pela manhã pelo Banco Central mostrou a expectativa para o IPCA já no topo da meta: 6,48%. É a 16ª semana seguida de alta nas projeções. Chamou atenção também no relatório o aumento do IPCA 2009, que já está em 5%, ou seja, se distanciando do centro da meta, que é 4,5%.
O Boletim Focus divulgado pela manhã pelo Banco Central mostrou a expectativa para o IPCA já no topo da meta: 6,48%. É a 16ª semana seguida de alta nas projeções. Chamou atenção também no relatório o aumento do IPCA 2009, que já está em 5%, ou seja, se distanciando do centro da meta, que é 4,5%.
Mais uma vez todas as projeções de inflação pioraram: o IGP-M foi de 11,25% para 11,92%; o IGP-DI, de 11,41% para 11,66%; o IPC-FIpe, de 6,33% para 6,51%.
O Focus é uma pesquisa semanal feita pelo Banco Central com os economistas do mercado. Como a alta nos juros não tem efeito sobre a inflação corrente, um dos objetivos do BC é justamente conter esse aumento de expectativas.
Vejam no gráfico como as projeções estão muito piores. A linha preta mostra o IPCA 2008, e a vermelha, o 2009.
Até quando o contribuinte aceitará os acordos parlamentares
(Do Jornal o Estado de São Paulo)
Mais um trem da alegria
Agindo na surdina, a Mesa Diretora do Senado aproveitou sua última reunião antes do início do recesso parlamentar, realizada na quarta-feira, para promover mais um "trem da alegria". Desta vez, ela se excedeu em generosidade, autorizando a contratação, sem concurso público, de 97 novos funcionários para ocupar cargos de confiança, com salários brutos de R$ 9.979,24. A medida, que foi tomada meses antes da realização de um concurso público para a seleção de 150 novos funcionários de nível técnico e superior, acarretará um aumento anual de R$ 12,5 milhões na folha de pagamento do Senado, sem contar horas extras e encargos sociais.
Cada um dos 81 senadores terá direito de nomear quem bem entender para ocupar o cargo recém-criado. E também poderá dividir esse salário entre o número de assessores que quiser contratar para trabalhar em seu gabinete ou nos escritórios políticos que mantém em seus Estados de origem.
Mais acintoso ainda é o fato de que não haverá nenhum obstáculo legal à contratação de mulheres, filhos, pais, sobrinhos e apadrinhados. Os outros 16 cargos de confiança serão divididos entre os líderes partidários. Há quatro meses, os senadores apresentaram essa reivindicação ao presidente da Casa, Garibaldi Alves (PMDB-RN), que a rejeitou sumariamente. Apresentada a proposta à Mesa, o único a votar contra foi o presidente do Senado.
A iniciativa é tão imoral que nenhum líder partidário nem os 11 integrantes da Mesa Diretora do Senado tiveram coragem de assumir a responsabilidade por ela. O único que tentou justificar o novo "trem da alegria" foi o líder do governo, senador Romero Jucá (PMDB-RR). "Se a Câmara ganhou uma estrutura maior, por que não temos direito?", disse ele. Para o parlamentar, sempre que a Câmara aumenta a verba de gabinete dos deputados, o Senado faz o mesmo. É uma "praxe", afirma o diretor-geral da Casa, Agaciel Maia.
"Não há explicação convincente. A decisão é inoportuna e não vai ser assimilada pela sociedade, deixando o Senado numa situação ruim. E não foi por falta de advertência", rebateu o senador Garibaldi Alves (PMDB-RN). "Ela era totalmente desnecessária. Um cargo a mais ou um cargo a menos em cada gabinete não faz a menor diferença", disse o senador Pedro Simon (PMDB-RS), após afirmar que irá à tribuna do plenário para apelar aos integrantes da Mesa Diretora para que anulem a decisão.
A contratação sem concurso público é só um dos aspectos da indecência. O outro é a falta de argumentos plausíveis que justifiquem a nomeação de mais assessores para os senadores. Cada senador já dispõe de 12 cargos de livre indicação - 5 assessores técnico-legislativos, 6 secretários parlamentares e 1 motorista. Além disso, tem à sua disposição mais 9 funcionários de carreira do Senado, concursados. "A medida está na contramão do necessário. Não se pode afirmar que falte assessoria ao Senado", diz o sociólogo Ricardo Ismael, da PUC/RJ. "Nossos representantes já têm um staff numeroso e recursos mais do que suficientes para cumprir suas obrigações legislativas. É mais poder para os parlamentares. E é um gasto a mais que não se justifica", afirma o cientista político Lúcio Rennó, da Universidade de Brasília (UnB).
Além de mais cargos comissionados, há muito tempo o Senado vem desperdiçando vultosas quantias de recursos públicos com contratações para cargos que pouco têm a ver com suas atribuições legislativas. Para divulgar suas atividades e "prestar contas" à sociedade, nos últimos anos a Casa expandiu seu sofisticado sistema de comunicação, que conta com agência de notícias, editora de publicações, rádio e até televisão, contratando dezenas de jornalistas, redatores, locutores, produtores multimídia, diagramadores e "analistas de comunicação social".
Ou seja, em vez de reforçar sua assessoria técnica nas atividades-fim, expandindo o número de assessores jurídicos, analistas legislativos e especialistas em orçamento e finanças públicas, os senadores vão convertendo os recursos humanos e financeiros à sua disposição em instrumento político que lhes garanta a reeleição ou lhes permita vôos eleitorais ainda mais altos.
Mais um trem da alegria
Agindo na surdina, a Mesa Diretora do Senado aproveitou sua última reunião antes do início do recesso parlamentar, realizada na quarta-feira, para promover mais um "trem da alegria". Desta vez, ela se excedeu em generosidade, autorizando a contratação, sem concurso público, de 97 novos funcionários para ocupar cargos de confiança, com salários brutos de R$ 9.979,24. A medida, que foi tomada meses antes da realização de um concurso público para a seleção de 150 novos funcionários de nível técnico e superior, acarretará um aumento anual de R$ 12,5 milhões na folha de pagamento do Senado, sem contar horas extras e encargos sociais.
Cada um dos 81 senadores terá direito de nomear quem bem entender para ocupar o cargo recém-criado. E também poderá dividir esse salário entre o número de assessores que quiser contratar para trabalhar em seu gabinete ou nos escritórios políticos que mantém em seus Estados de origem.
Mais acintoso ainda é o fato de que não haverá nenhum obstáculo legal à contratação de mulheres, filhos, pais, sobrinhos e apadrinhados. Os outros 16 cargos de confiança serão divididos entre os líderes partidários. Há quatro meses, os senadores apresentaram essa reivindicação ao presidente da Casa, Garibaldi Alves (PMDB-RN), que a rejeitou sumariamente. Apresentada a proposta à Mesa, o único a votar contra foi o presidente do Senado.
A iniciativa é tão imoral que nenhum líder partidário nem os 11 integrantes da Mesa Diretora do Senado tiveram coragem de assumir a responsabilidade por ela. O único que tentou justificar o novo "trem da alegria" foi o líder do governo, senador Romero Jucá (PMDB-RR). "Se a Câmara ganhou uma estrutura maior, por que não temos direito?", disse ele. Para o parlamentar, sempre que a Câmara aumenta a verba de gabinete dos deputados, o Senado faz o mesmo. É uma "praxe", afirma o diretor-geral da Casa, Agaciel Maia.
"Não há explicação convincente. A decisão é inoportuna e não vai ser assimilada pela sociedade, deixando o Senado numa situação ruim. E não foi por falta de advertência", rebateu o senador Garibaldi Alves (PMDB-RN). "Ela era totalmente desnecessária. Um cargo a mais ou um cargo a menos em cada gabinete não faz a menor diferença", disse o senador Pedro Simon (PMDB-RS), após afirmar que irá à tribuna do plenário para apelar aos integrantes da Mesa Diretora para que anulem a decisão.
A contratação sem concurso público é só um dos aspectos da indecência. O outro é a falta de argumentos plausíveis que justifiquem a nomeação de mais assessores para os senadores. Cada senador já dispõe de 12 cargos de livre indicação - 5 assessores técnico-legislativos, 6 secretários parlamentares e 1 motorista. Além disso, tem à sua disposição mais 9 funcionários de carreira do Senado, concursados. "A medida está na contramão do necessário. Não se pode afirmar que falte assessoria ao Senado", diz o sociólogo Ricardo Ismael, da PUC/RJ. "Nossos representantes já têm um staff numeroso e recursos mais do que suficientes para cumprir suas obrigações legislativas. É mais poder para os parlamentares. E é um gasto a mais que não se justifica", afirma o cientista político Lúcio Rennó, da Universidade de Brasília (UnB).
Além de mais cargos comissionados, há muito tempo o Senado vem desperdiçando vultosas quantias de recursos públicos com contratações para cargos que pouco têm a ver com suas atribuições legislativas. Para divulgar suas atividades e "prestar contas" à sociedade, nos últimos anos a Casa expandiu seu sofisticado sistema de comunicação, que conta com agência de notícias, editora de publicações, rádio e até televisão, contratando dezenas de jornalistas, redatores, locutores, produtores multimídia, diagramadores e "analistas de comunicação social".
Ou seja, em vez de reforçar sua assessoria técnica nas atividades-fim, expandindo o número de assessores jurídicos, analistas legislativos e especialistas em orçamento e finanças públicas, os senadores vão convertendo os recursos humanos e financeiros à sua disposição em instrumento político que lhes garanta a reeleição ou lhes permita vôos eleitorais ainda mais altos.
Panorama Econômico deste domingo
(Acabei de ler a coluna da Míriam Leitão no Jornal O Globo deste domingo e publico aqui.)
Enigma latino
Há mais hispânicos nos Estados Unidos que espanhóis na Espanha; de 2005 a 2006, um, em cada dois novos americanos, era de origem hispânica. Essa população é um desafio dos candidatos nas próximas eleições. Ao contrário de outros grupos como mulheres, negros, homossexuais, os hispânicos não se agregam em torno de uma idéia central. Obama teve problemas com o voto latino, mas pesquisas começam a mudar.
Segundo o Bureau of Census, os "hispânicos" são a maior minoria étnica e a que mais cresce no país. São 44,3 milhões de pessoas, 15% da população; mas, em 2050, serão mais de 100 milhões de pessoas, ou 24% da população. Hoje 33 milhões deles falam espanhol em casa. São um grupo heterogêneo. Foram para os Estados Unidos a partir de países diferentes, em épocas diferentes e por motivos diversos. Essa heterogeneidade torna difícil costurar um discurso que os unifique. Se o candidato faz um discurso que agrade aos cubanos de Miami, pode desagradar a vários outros grupos. Não que haja defensores de Fidel Castro, mas o anticastrismo é uma questão específica do grupo que domina Miami. Os mexicanos têm a tendência de votar mais nos democratas, enquanto os cubanos de Miami votam nos republicanos há quatro décadas. A comunidade porto-riquenha nos Estados Unidos tem direito ao voto, mas os 3,9 milhões de cidadãos de Porto Rico, que vivem na ilha, não votam por razões constitucionais: eles são uma espécie de quase estado onde vivem quase cidadãos. A vantagem é que têm liberdade de ir (e vir) aos Estados Unidos e não pagam impostos à União.
Normalmente, o voto latino se divide nas eleições em 60/40, a favor dos democratas. Este ano, o cálculo é de que pelo menos 9 milhões de latinos vão votar num país onde o voto não é obrigatório. Obama precisará arrebatar a comunidade e ganhar de lavada como só Hillary parecia ter condições de fazer. O problema é: com que discurso eles serão atraídos? É difícil até escolher o nome para definir o grupo. São os "latinos", como dizem alguns analistas; "hispânicos", como prefere o Bureau do Censo americano; "hispano-americanos"; ou seria melhor chamá-los "latino-americanos", para incluir também os brasileiros? Os imigrantes vindos do Brasil são tão poucos relativamente — menos de 400 mil segundo o Center for Immigration Studies — que nem sequer há uma estimativa oficial de quantos votam.
Milhões de latinos vivem na ilegalidade nos Estados Unidos, mas os que se legalizaram não necessariamente gostam da idéia de que a porta seja aberta para outros. Milhões vivem em situação precária, em guetos, mas milhões de outros experimentam a sensação de prosperidade e estão integrados à sociedade americana. Para quem os vê a partir dos parâmetros da opulência do branco americano, pode parecer que vivem na pobreza, mas eles estão melhores que seus pais, e essa sensação de mobilidade produz o otimismo que os tornará presa mais difícil do discurso apenas das dificuldades dos imigrantes no governo Bush. O escritor porto-riquenho Robert Oscar Lopez, professor da California State University at Northridge, num artigo recente publicado no blog CounterPunch, lembra que, entre 1996 e 2006, o número de latinos com curso superior saiu de 1,4 milhão para 3,1 milhões, e esse grupo não é capturável pelo discurso sobre a agonia da classe média. Lopez argumenta que é "diversificado, mas não balcanizado; tem coesão cultural, mas nenhum outro grupo étnico-social é tão imprevisível". As estatísticas americanas mostram ainda que 1,6 milhão de hispânicos são donos do seu próprio negócio e que, em 2002, a receita desses empreendimentos tinha crescido 19% em cinco anos; que 68% das pessoas com 16 anos ou mais estão no mercado de trabalho e que os hispânicos que atingiram o topo da carreira corporativa, chegando ao cargo de executivo-chefe, são 77.700.
Em 2006, 20,6% estavam na linha de pobreza. Muito, se comparado com a proporção dos brancos não-hispânicos, que é de 8,2%, ou da população em geral, de 9,8%. Mas menos que em 2005, quando eram 21,8%. Em um ano, o percentual de pobres caiu mais de um ponto. Melhoraram e continuam numa situação melhor que a dos negros. Nesse grupo, 24,3% estão na pobreza.
Mesmo assim, artigos como o de Lopez mostram que há uma clara competição com os afro-americanos e uma sensação de que os negros têm mais atenção das políticas públicas que os latinos. Isso torna o discurso a ser construído por Obama mais complexo.
Até recentemente, era lugar-comum dizer que Obama tinha um problema com o voto latino; em parte, pelos maus resultados das primárias, que ele sistematicamente teve nessa comunidade, na disputa com Hillary Clinton. Mas as primeiras pesquisa pós-primárias vão mostrando fatos diferentes. Uma delas, da rede de TV NBC e do jornal "Wall Street Journal", indicou que, entre os hispânicos, 62% estão favoráveis a Obama e apenas 28% a John McCain.
McCain inicialmente tinha uma posição mais liberal em imigração, mas teve que jogar essa conversa no lixo para conquistar o voto republicano tradicional. Outra pesquisa feita por telefone pela Pacific Market Research com a Universidade de Washington mostrou Obama sistematicamente na frente em relação a McCain em todos os estados com grande população hispânica, exceto na Flórida, onde havia empate.
Se Obama conseguir manter essa vantagem, terá decifrado o enigma que fez Hillary ser amada na comunidade.
Enigma latino
Há mais hispânicos nos Estados Unidos que espanhóis na Espanha; de 2005 a 2006, um, em cada dois novos americanos, era de origem hispânica. Essa população é um desafio dos candidatos nas próximas eleições. Ao contrário de outros grupos como mulheres, negros, homossexuais, os hispânicos não se agregam em torno de uma idéia central. Obama teve problemas com o voto latino, mas pesquisas começam a mudar.
Segundo o Bureau of Census, os "hispânicos" são a maior minoria étnica e a que mais cresce no país. São 44,3 milhões de pessoas, 15% da população; mas, em 2050, serão mais de 100 milhões de pessoas, ou 24% da população. Hoje 33 milhões deles falam espanhol em casa. São um grupo heterogêneo. Foram para os Estados Unidos a partir de países diferentes, em épocas diferentes e por motivos diversos. Essa heterogeneidade torna difícil costurar um discurso que os unifique. Se o candidato faz um discurso que agrade aos cubanos de Miami, pode desagradar a vários outros grupos. Não que haja defensores de Fidel Castro, mas o anticastrismo é uma questão específica do grupo que domina Miami. Os mexicanos têm a tendência de votar mais nos democratas, enquanto os cubanos de Miami votam nos republicanos há quatro décadas. A comunidade porto-riquenha nos Estados Unidos tem direito ao voto, mas os 3,9 milhões de cidadãos de Porto Rico, que vivem na ilha, não votam por razões constitucionais: eles são uma espécie de quase estado onde vivem quase cidadãos. A vantagem é que têm liberdade de ir (e vir) aos Estados Unidos e não pagam impostos à União.
Normalmente, o voto latino se divide nas eleições em 60/40, a favor dos democratas. Este ano, o cálculo é de que pelo menos 9 milhões de latinos vão votar num país onde o voto não é obrigatório. Obama precisará arrebatar a comunidade e ganhar de lavada como só Hillary parecia ter condições de fazer. O problema é: com que discurso eles serão atraídos? É difícil até escolher o nome para definir o grupo. São os "latinos", como dizem alguns analistas; "hispânicos", como prefere o Bureau do Censo americano; "hispano-americanos"; ou seria melhor chamá-los "latino-americanos", para incluir também os brasileiros? Os imigrantes vindos do Brasil são tão poucos relativamente — menos de 400 mil segundo o Center for Immigration Studies — que nem sequer há uma estimativa oficial de quantos votam.
Milhões de latinos vivem na ilegalidade nos Estados Unidos, mas os que se legalizaram não necessariamente gostam da idéia de que a porta seja aberta para outros. Milhões vivem em situação precária, em guetos, mas milhões de outros experimentam a sensação de prosperidade e estão integrados à sociedade americana. Para quem os vê a partir dos parâmetros da opulência do branco americano, pode parecer que vivem na pobreza, mas eles estão melhores que seus pais, e essa sensação de mobilidade produz o otimismo que os tornará presa mais difícil do discurso apenas das dificuldades dos imigrantes no governo Bush. O escritor porto-riquenho Robert Oscar Lopez, professor da California State University at Northridge, num artigo recente publicado no blog CounterPunch, lembra que, entre 1996 e 2006, o número de latinos com curso superior saiu de 1,4 milhão para 3,1 milhões, e esse grupo não é capturável pelo discurso sobre a agonia da classe média. Lopez argumenta que é "diversificado, mas não balcanizado; tem coesão cultural, mas nenhum outro grupo étnico-social é tão imprevisível". As estatísticas americanas mostram ainda que 1,6 milhão de hispânicos são donos do seu próprio negócio e que, em 2002, a receita desses empreendimentos tinha crescido 19% em cinco anos; que 68% das pessoas com 16 anos ou mais estão no mercado de trabalho e que os hispânicos que atingiram o topo da carreira corporativa, chegando ao cargo de executivo-chefe, são 77.700.
Em 2006, 20,6% estavam na linha de pobreza. Muito, se comparado com a proporção dos brancos não-hispânicos, que é de 8,2%, ou da população em geral, de 9,8%. Mas menos que em 2005, quando eram 21,8%. Em um ano, o percentual de pobres caiu mais de um ponto. Melhoraram e continuam numa situação melhor que a dos negros. Nesse grupo, 24,3% estão na pobreza.
Mesmo assim, artigos como o de Lopez mostram que há uma clara competição com os afro-americanos e uma sensação de que os negros têm mais atenção das políticas públicas que os latinos. Isso torna o discurso a ser construído por Obama mais complexo.
Até recentemente, era lugar-comum dizer que Obama tinha um problema com o voto latino; em parte, pelos maus resultados das primárias, que ele sistematicamente teve nessa comunidade, na disputa com Hillary Clinton. Mas as primeiras pesquisa pós-primárias vão mostrando fatos diferentes. Uma delas, da rede de TV NBC e do jornal "Wall Street Journal", indicou que, entre os hispânicos, 62% estão favoráveis a Obama e apenas 28% a John McCain.
McCain inicialmente tinha uma posição mais liberal em imigração, mas teve que jogar essa conversa no lixo para conquistar o voto republicano tradicional. Outra pesquisa feita por telefone pela Pacific Market Research com a Universidade de Washington mostrou Obama sistematicamente na frente em relação a McCain em todos os estados com grande população hispânica, exceto na Flórida, onde havia empate.
Se Obama conseguir manter essa vantagem, terá decifrado o enigma que fez Hillary ser amada na comunidade.
Jandira Feghali (PCdoB)
A médica e baterista é filiada ao PCdoB desde 1981. Aos 50 anos, mãe de um casal de filhos, Jandira já foi deputada federal por quatro mandatos consecutivos. Em 1986, foi deputada estadual constituinte. Sua estréia na campanha majoritária foi em 2006: candidata ao Senado, amargou uma inesperada derrota para o então deputado federal Francisco Dornelles (PP). Em 1986, foi eleita deputada estadual constituinte; em 1990, reeleita deputada federal. Nas eleições de 1994, 1998 e 2002 ela foi reeleita deputada federal. Adolescente, foi integrante do grupo musical Los Panchos. Hoje, toca no grupo Harmonia Enlouquece, criado por pacientes e profissionais de saúde mental do Rio. É relatora de um projeto, na Câmara que descriminalizaria o aborto. O tema foi usado contra ela por adversários na campanha ao Senado.
“Porque a cidade tem muitas doenças. É preciso dar uma injeção de ânimo e alegria de viver para restituir o nosso Rio. Quero devolver com experiência política e administrativa, que já tenho, com os valores humanitários de médica e mãe, a confiança que recebi da população durante os últimos 20 anos”
A médica e baterista é filiada ao PCdoB desde 1981. Aos 50 anos, mãe de um casal de filhos, Jandira já foi deputada federal por quatro mandatos consecutivos. Em 1986, foi deputada estadual constituinte. Sua estréia na campanha majoritária foi em 2006: candidata ao Senado, amargou uma inesperada derrota para o então deputado federal Francisco Dornelles (PP). Em 1986, foi eleita deputada estadual constituinte; em 1990, reeleita deputada federal. Nas eleições de 1994, 1998 e 2002 ela foi reeleita deputada federal. Adolescente, foi integrante do grupo musical Los Panchos. Hoje, toca no grupo Harmonia Enlouquece, criado por pacientes e profissionais de saúde mental do Rio. É relatora de um projeto, na Câmara que descriminalizaria o aborto. O tema foi usado contra ela por adversários na campanha ao Senado.
“Porque a cidade tem muitas doenças. É preciso dar uma injeção de ânimo e alegria de viver para restituir o nosso Rio. Quero devolver com experiência política e administrativa, que já tenho, com os valores humanitários de médica e mãe, a confiança que recebi da população durante os últimos 20 anos”
domingo, 13 de julho de 2008
Voto de cabresto reflete o crime organizado
Do Jornal do Brasil
Uma CPI apura na Assembléia Legislativa do Rio a extensão do poder das milícias na cidade. Para o presidente da CPI, deputado estadual Marcelo Freixo (PSOL), professor de História, milícias se caracterizam pelo domínio de territórios, de negócios nesses lugares, pela extorsão de taxas de segurança e, sobretudo, por sua representatividade política.
Segundo Freixo, a milícia reflete a realidade de todo crime organizado, como um braço deste.
– O crime organizado envolve uma questão econômica com desdobramento político – analisa Marcelo Freixo.
Para o parlamentar, em tempos de currais eleitorais, as milícias levam vantagens em relação ao tráfico de drogas.
– Traficantes mantêm controle de território nas favelas, mas nem sempre obtêm o controle de fato do voto. São um exército de esfarrapados. As milícias exercem controle mais eficaz e elegem os seus candidatos de fato.
Na CPi das Milícias, Freixo já enfrentou o constrangimento de ouvir o depoimento de duas testemunhas sob a presença intimidatório do colega parlamentar Natalino, irmão de Jerominho e suspeito como ele de liderar milícias
O juiz Luiz Márcio, da fiscalização do TRE, discorda de Freixo:
– Não vejo diferença de gravidade na atuação do tráfico ou das milícias. Para mim trata-de de crime de qualquer modo – diz o magistrado e recorda: – Tanto o tráfico quanto as milícias impõem seu poder pela crueldade. Basta lembrar o caso do jornalista Tim Lopes, morto pelo tráfico no Complexo do Alemão, e de um mais recente, dos jornalistas seqüestrados e torturados na favela do Batan, em Realengo, na Zona Oeste, onde há suspeita de que também seja o comandante da milícia o vereador Jerominho.
Uma CPI apura na Assembléia Legislativa do Rio a extensão do poder das milícias na cidade. Para o presidente da CPI, deputado estadual Marcelo Freixo (PSOL), professor de História, milícias se caracterizam pelo domínio de territórios, de negócios nesses lugares, pela extorsão de taxas de segurança e, sobretudo, por sua representatividade política.
Segundo Freixo, a milícia reflete a realidade de todo crime organizado, como um braço deste.
– O crime organizado envolve uma questão econômica com desdobramento político – analisa Marcelo Freixo.
Para o parlamentar, em tempos de currais eleitorais, as milícias levam vantagens em relação ao tráfico de drogas.
– Traficantes mantêm controle de território nas favelas, mas nem sempre obtêm o controle de fato do voto. São um exército de esfarrapados. As milícias exercem controle mais eficaz e elegem os seus candidatos de fato.
Na CPi das Milícias, Freixo já enfrentou o constrangimento de ouvir o depoimento de duas testemunhas sob a presença intimidatório do colega parlamentar Natalino, irmão de Jerominho e suspeito como ele de liderar milícias
O juiz Luiz Márcio, da fiscalização do TRE, discorda de Freixo:
– Não vejo diferença de gravidade na atuação do tráfico ou das milícias. Para mim trata-de de crime de qualquer modo – diz o magistrado e recorda: – Tanto o tráfico quanto as milícias impõem seu poder pela crueldade. Basta lembrar o caso do jornalista Tim Lopes, morto pelo tráfico no Complexo do Alemão, e de um mais recente, dos jornalistas seqüestrados e torturados na favela do Batan, em Realengo, na Zona Oeste, onde há suspeita de que também seja o comandante da milícia o vereador Jerominho.
Filipe Pereira (PSC)
Deputado federal desde 2003, Filipe Pereira é o mais jovem de todos os candidatos. Aos 24 anos, o administrador de empresas foi presidente nacional da juventude do PSC entre 2004 e 2006 e vice-líder do bloco PMDB/PTB/PSC/PTC de março de 2007 até maio deste ano. Na Câmara, é primeiro vice-presidente da Comissão de Desenvolvimento Urbano e participa da Comissão especial que discute a reforma tributária. Passou pelas comissões de Direitos Humanos e Minorias e Finanças e Tributação. É filiado ao PSC há cinco anos.
Deputado federal desde 2003, Filipe Pereira é o mais jovem de todos os candidatos. Aos 24 anos, o administrador de empresas foi presidente nacional da juventude do PSC entre 2004 e 2006 e vice-líder do bloco PMDB/PTB/PSC/PTC de março de 2007 até maio deste ano. Na Câmara, é primeiro vice-presidente da Comissão de Desenvolvimento Urbano e participa da Comissão especial que discute a reforma tributária. Passou pelas comissões de Direitos Humanos e Minorias e Finanças e Tributação. É filiado ao PSC há cinco anos.
sábado, 12 de julho de 2008
Eleições 2008
Fernando Gabeira (PV)
O parlamentar se destacou ao ocupar a tribuna, em 2005, para pedir a renúncia do então presidente da Câmara, Severino Cavalcanti, acusado de ter recebido propina do dono de um restaurante na Casa. Ex-petista, Gabeira deixou o partido quando ainda não havia escândalos relacionados à sigla. Reclamava da política ambiental adotada pelo PT ao assumir o governo. Em 1986, concorreu ao governo do Estado do Rio, na coligação PT/PV; em 1989 se candidatou à Presidência da República; em 1994, elegeu-se deputado federal, reeleito em 1998, 2002 e 2006. O mineiro de Juiz de Fora, que se considera carioca, cumpre o quarto mandato na Câmara. No fim dos anos 60, participou do seqüestro do embaixador dos Estados Unidos no Brasil, Charles Elbrick. Defensor da união civil entre pessoas do mesmo sexo e da discussão sobre aborto, Gabeira ainda é pouco conhecido do eleitorado popular.
“Porque me sinto responsável para contribuir para que a cidade encontre sua vocação econômica, atenue seus problemas sociais e reduza os níveis de violência”
O parlamentar se destacou ao ocupar a tribuna, em 2005, para pedir a renúncia do então presidente da Câmara, Severino Cavalcanti, acusado de ter recebido propina do dono de um restaurante na Casa. Ex-petista, Gabeira deixou o partido quando ainda não havia escândalos relacionados à sigla. Reclamava da política ambiental adotada pelo PT ao assumir o governo. Em 1986, concorreu ao governo do Estado do Rio, na coligação PT/PV; em 1989 se candidatou à Presidência da República; em 1994, elegeu-se deputado federal, reeleito em 1998, 2002 e 2006. O mineiro de Juiz de Fora, que se considera carioca, cumpre o quarto mandato na Câmara. No fim dos anos 60, participou do seqüestro do embaixador dos Estados Unidos no Brasil, Charles Elbrick. Defensor da união civil entre pessoas do mesmo sexo e da discussão sobre aborto, Gabeira ainda é pouco conhecido do eleitorado popular.
“Porque me sinto responsável para contribuir para que a cidade encontre sua vocação econômica, atenue seus problemas sociais e reduza os níveis de violência”
sexta-feira, 11 de julho de 2008
Panorama Econômico : Jornal O Globo
(Leia a coluna da Míriam Leitao desta sexta-feira)
Com viés de alta
A inflação entra no segundo semestre do ano já muito perto do teto da meta, os especialistas avisam que este é um período difícil, porque é a entressafra de vários alimentos e há ainda uma fila de tarifas esperando correção. O ministro Miguel Jorge, que entrevistei, comemorou os fortes investimentos no país. O Brasil vive este momento: a boa notícia dos investimentos; as sombras da inflação no horizonte.
O ministro Miguel Jorge, em entrevista que me concedeu na Globonews, disse que, depois de anos com os estados brigando para ser a sede de uma refinaria da Petrobras, agora há quatro sendo instaladas no país. Depois de anos sem um novo alto-forno, a siderurgia brasileira está com vários projetos sendo iniciados. Tudo isso, claro, aumenta a demanda agregada. É boa notícia, mas a política antiinflacionária tem que ser mais cuidadosa.
Quando sair o IPCA de julho, o Brasil estará acima da meta, juntando-se a todos os outros países que adotam metas de inflação e que, este ano, já estouraram o limite. Uma grande parte disso é a inflação de alimentos, que respondeu por mais da metade da alta de junho.
Sobre o comportamento dos preços dos alimentos no segundo semestre, os especialistas com quem conversamos acham o seguinte: o feijão tem alguma chance de cair de preço. A segunda safra do ano foi ruim, mas a terceira, em outubro, pode vir melhor e ajudar. Essa queda seria um alívio; nos últimos 12 meses, segundo apurado pela RC Consultores, ele subiu 134%; enquanto o arroz, seu companheiro, teve alta de 75%. O tomate também encareceu muito, 123%; a diferença dele é que, por ser hortifrúti, tem uma volatilidade muito maior, e a cesta de produtos sempre permite que se escolha outros alimentos. O açúcar e o café ficaram mais comportados.
O feijão não é exatamente um tradable. Ainda que seja plantado em larga escala, o plantio e o consumo são nacionais. O que houve com ele não foi pressão externa, mas o fato de que, nos últimos anos, aumentou a demanda (com o aumento da renda) e a oferta não acompanhou. O problema é que não se tem de onde importar quando o feijão fica escasso aqui.
— No caso do arroz, até tem mais países produzindo no mundo, mas eles também não têm para exportar — conta Fabio Silveira, da RC Consultores. Este ano, o comércio internacional de arroz, que não passa de 7% de tudo o que é produzido, foi restrito ainda mais pela proibição de exportação adotada por alguns produtores.
Fabio acredita num terceiro trimestre de relativa estabilização dos grãos, mas com alta das carnes, que estarão na entressafra até outubro. No quarto trimestre, se os preços internacionais ficarem estáveis, pode começar a ocorrer uma queda no preço interno dos alimentos.
— Não vejo nova pressão forte altista mundial, a não ser que o mercado enlouqueça e todo mundo decida fugir para os ativos ligados a commodities — comenta.
Nos últimos dias, a soja está em alta em Chicago.
O professor Luiz Roberto Cunha, da PUC-Rio, não acredita em queda dos preços de alimentos a curto prazo. Acha que, no caso do feijão, o mais provável é que ele não suba tanto, se for boa a última safra. No ano passado, foi exatamente nessa safra que as coisas desandaram, por excesso de chuva. O arroz não deve subir muito mais. As carnes é que estão pedindo atenção, pois elas têm subido tanto na safra quanto na entressafra (pelo índice da RC, em 12 meses, o boi subiu 53%; o frango, 21%; e os suínos, 84%). Ontem, no IPCA, foram o item que mais contribuiu para o resultado.
Sergio Vale, da MB Associados, diz que, depois de alguns saltos no preço, o mercado futuro de carnes até se acomodou um pouco, abaixo de R$ 95. Ele acha que poderá haver pressão na entressafra, ainda não incorporada nos futuros. O risco é de que, no segundo semestre, o “boi seja o que o arroz e o feijão foram nos últimos meses”.
Para o professor Luiz Roberto, o IPA agrícola, que saiu na quarta-feira, preocupa; a alta dos alimentos continua muito forte no atacado:
— Se tivesse que fazer uma projeção para o segundo semestre, diria que é de incerteza, com viés de alta.
A previsão dele para 2008 é de um IPCA em 6,5% — no teto da meta. Fabio Silveira está com 6,3%. O IPCA de ontem veio 0,74%; isso fez o índice em 12 meses pular para 6,06%. Se for 0,7% no próximo mês, o país já vai ultrapassar o limite da meta.
— O problema é que, no segundo semestre, ainda terá muito preço administrado, como as tarifas de ônibus, que provavelmente terão aumentos após as eleições. Os serviços vão continuar pressionados e, quanto aos alimentos, ainda não se tem muita clareza, ainda que haja chances de que se acomodem um pouco — analisa o professor.
Com a inflação quase furando a meta, choques externos e crise de alimentos, este é um momento decisivo: se forem religados os mecanismos de indexação de salários, se os serviços conseguirem emplacar os reajustes que estão tentando, o país pode reavivar velhos fantasmas. Cena da vida real: o barbeiro do ministro Miguel Jorge reajustou o preço em 20%; e, neste caso, a demanda é inelástica, o ministro tem que cortar os cabelos de três em três semanas.
O ministro está entusiasmado, com razão, com os investimentos em andamento em vários setores e estados, pelo país afora. Para evitar que a boa notícia seja o combustível para a alta da inflação, é preciso que o governo contenha seus gastos.
Com viés de alta
A inflação entra no segundo semestre do ano já muito perto do teto da meta, os especialistas avisam que este é um período difícil, porque é a entressafra de vários alimentos e há ainda uma fila de tarifas esperando correção. O ministro Miguel Jorge, que entrevistei, comemorou os fortes investimentos no país. O Brasil vive este momento: a boa notícia dos investimentos; as sombras da inflação no horizonte.
O ministro Miguel Jorge, em entrevista que me concedeu na Globonews, disse que, depois de anos com os estados brigando para ser a sede de uma refinaria da Petrobras, agora há quatro sendo instaladas no país. Depois de anos sem um novo alto-forno, a siderurgia brasileira está com vários projetos sendo iniciados. Tudo isso, claro, aumenta a demanda agregada. É boa notícia, mas a política antiinflacionária tem que ser mais cuidadosa.
Quando sair o IPCA de julho, o Brasil estará acima da meta, juntando-se a todos os outros países que adotam metas de inflação e que, este ano, já estouraram o limite. Uma grande parte disso é a inflação de alimentos, que respondeu por mais da metade da alta de junho.
Sobre o comportamento dos preços dos alimentos no segundo semestre, os especialistas com quem conversamos acham o seguinte: o feijão tem alguma chance de cair de preço. A segunda safra do ano foi ruim, mas a terceira, em outubro, pode vir melhor e ajudar. Essa queda seria um alívio; nos últimos 12 meses, segundo apurado pela RC Consultores, ele subiu 134%; enquanto o arroz, seu companheiro, teve alta de 75%. O tomate também encareceu muito, 123%; a diferença dele é que, por ser hortifrúti, tem uma volatilidade muito maior, e a cesta de produtos sempre permite que se escolha outros alimentos. O açúcar e o café ficaram mais comportados.
O feijão não é exatamente um tradable. Ainda que seja plantado em larga escala, o plantio e o consumo são nacionais. O que houve com ele não foi pressão externa, mas o fato de que, nos últimos anos, aumentou a demanda (com o aumento da renda) e a oferta não acompanhou. O problema é que não se tem de onde importar quando o feijão fica escasso aqui.
— No caso do arroz, até tem mais países produzindo no mundo, mas eles também não têm para exportar — conta Fabio Silveira, da RC Consultores. Este ano, o comércio internacional de arroz, que não passa de 7% de tudo o que é produzido, foi restrito ainda mais pela proibição de exportação adotada por alguns produtores.
Fabio acredita num terceiro trimestre de relativa estabilização dos grãos, mas com alta das carnes, que estarão na entressafra até outubro. No quarto trimestre, se os preços internacionais ficarem estáveis, pode começar a ocorrer uma queda no preço interno dos alimentos.
— Não vejo nova pressão forte altista mundial, a não ser que o mercado enlouqueça e todo mundo decida fugir para os ativos ligados a commodities — comenta.
Nos últimos dias, a soja está em alta em Chicago.
O professor Luiz Roberto Cunha, da PUC-Rio, não acredita em queda dos preços de alimentos a curto prazo. Acha que, no caso do feijão, o mais provável é que ele não suba tanto, se for boa a última safra. No ano passado, foi exatamente nessa safra que as coisas desandaram, por excesso de chuva. O arroz não deve subir muito mais. As carnes é que estão pedindo atenção, pois elas têm subido tanto na safra quanto na entressafra (pelo índice da RC, em 12 meses, o boi subiu 53%; o frango, 21%; e os suínos, 84%). Ontem, no IPCA, foram o item que mais contribuiu para o resultado.
Sergio Vale, da MB Associados, diz que, depois de alguns saltos no preço, o mercado futuro de carnes até se acomodou um pouco, abaixo de R$ 95. Ele acha que poderá haver pressão na entressafra, ainda não incorporada nos futuros. O risco é de que, no segundo semestre, o “boi seja o que o arroz e o feijão foram nos últimos meses”.
Para o professor Luiz Roberto, o IPA agrícola, que saiu na quarta-feira, preocupa; a alta dos alimentos continua muito forte no atacado:
— Se tivesse que fazer uma projeção para o segundo semestre, diria que é de incerteza, com viés de alta.
A previsão dele para 2008 é de um IPCA em 6,5% — no teto da meta. Fabio Silveira está com 6,3%. O IPCA de ontem veio 0,74%; isso fez o índice em 12 meses pular para 6,06%. Se for 0,7% no próximo mês, o país já vai ultrapassar o limite da meta.
— O problema é que, no segundo semestre, ainda terá muito preço administrado, como as tarifas de ônibus, que provavelmente terão aumentos após as eleições. Os serviços vão continuar pressionados e, quanto aos alimentos, ainda não se tem muita clareza, ainda que haja chances de que se acomodem um pouco — analisa o professor.
Com a inflação quase furando a meta, choques externos e crise de alimentos, este é um momento decisivo: se forem religados os mecanismos de indexação de salários, se os serviços conseguirem emplacar os reajustes que estão tentando, o país pode reavivar velhos fantasmas. Cena da vida real: o barbeiro do ministro Miguel Jorge reajustou o preço em 20%; e, neste caso, a demanda é inelástica, o ministro tem que cortar os cabelos de três em três semanas.
O ministro está entusiasmado, com razão, com os investimentos em andamento em vários setores e estados, pelo país afora. Para evitar que a boa notícia seja o combustível para a alta da inflação, é preciso que o governo contenha seus gastos.
Eduardo Serra (PCB)
Aos 52 anos, Eduardo Serra disputará sua primeira eleição. O candidato sempre fez parte do PCB. Quando o partido estava na ilegalidade, esteve filiado ao MDB, mas como militante do partido comunista. É professor da UFRJ, engenheiro de produção com mestrado em engenharia de produção e doutorado em engenharia naval. Serra também fez pós-graduação em economia, com ênfase em planejamento econômico. É casado e tem uma filha. Se eleito, pretende estatizar uma empresa de transporte e aumentar significativamente a oferta de transporte de massa na cidade.
"A razão é implantar um programa de mudanças, ofertas dos serviços sociais e urbanos combatendo a mercantilização e defendendo a presença do estado. E também na democratização da vida da cidade, construindo estrutura de participação direta da população que chamamos de poder popular".
Aos 52 anos, Eduardo Serra disputará sua primeira eleição. O candidato sempre fez parte do PCB. Quando o partido estava na ilegalidade, esteve filiado ao MDB, mas como militante do partido comunista. É professor da UFRJ, engenheiro de produção com mestrado em engenharia de produção e doutorado em engenharia naval. Serra também fez pós-graduação em economia, com ênfase em planejamento econômico. É casado e tem uma filha. Se eleito, pretende estatizar uma empresa de transporte e aumentar significativamente a oferta de transporte de massa na cidade.
"A razão é implantar um programa de mudanças, ofertas dos serviços sociais e urbanos combatendo a mercantilização e defendendo a presença do estado. E também na democratização da vida da cidade, construindo estrutura de participação direta da população que chamamos de poder popular".
Breve análise da Economia Brasileira (de olho na INFLAÇÃO)
Inflação
Conceito: Aumento geral dos preços (em geral acompanhado por um aumento na quantidade de meios de pagamento).
Países emergentes como o Brasil, China e Argentina estão entre os países mais ameaçados pela alta de preços intensificada nas últimas semanas.
Eles exibem saúde econômica parecida com a de países ricos nos anos 70, quando ocorreu a última grande crise inflacionária.
Além de alimentos e combustíveis, os preços altos já contaminam outros produtos e alguns serviços.
Preocupados com preços ascendentes de commodities, isto é, produtos primários, especialmente os de grande participação no comércio internacional, como café, algodão, minério de ferro, petróleo, entre outros, os bancos centrais dos EUA e da EU têm feito de tudo para evitar que a inflação dispare.
No Brasil a taxa está na casa de 2% à 6%.
Diante da ameaça, nações como o Brasil têm lançado mão de aumentos dos juros para conter a demanda e, como conseqüência, a inflação.
A taxa de juros por aqui, que ficara estacionada em 11,25% por vários meses, subiu recentemente para 12,25% e, com certeza, chegará a mais de 14% em 2008.
Num primeiro momento, os alimentos foram protagonistas no cenário de inflação ascendente.
Agora, os ajustes se dissiparam e atingem a maior parte da cesta de produtos que integra o IPCA – Índice de Preços ao Consumidor Amplo, calculado pelo IBGE, esse índice mede a variação de preços para as famílias com rendimentos mensais entre 1 e 40 salários mínimos, nas 11 principais regiões metropolitanas. É também, usado pelo Copom, Conselho Política Monetário Nacional para calcular a meta de inflação para o Brasil a cada ano -.
A inflação oficial, calculada pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), encerrou o primeiro semestre com alta acumulada de 3,64%, segundo dados divulgados nesta quinta-feira (10) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). A taxa é a maior para um semestre fechado desde 2003, quando ficou em 6,64%.
Em junho, a taxa recuou frente ao mês anterior, passando de 0,79% para 0,74%. Em 12 meses, a alta acumulada é de 6,06%, a maior nesta base de comparação desde novembro de 2005 (6,22%).
O maior impacto para a inflação do semestre veio dos preços dos alimentos, que acumularam variação de 8,64% no período. O grupo representou 1,88 ponto percentual do IPCA do período. Alimentos e bebidas também exerceram o maior impacto no IPCA acumulado nos 12 meses terminados em junho de 2008: com um variação de 15,79%, respondeu por 3,43 pontos percentuais, mais da metade do índice geral (6,06%).
No acumulado do ano, também pesou sobre a taxa a inflação do grupo saúde, que, com um aumento de 3,47%, respondeu por 0,37 ponto percentual.
A maior contribuição individual para o IPCA do primeiro semestre veio das refeições fora do domicílio: 0,30 ponto percentual (variação acumulada de 7,94%). Por outro lado, TV, som e informática (-5,83%); álcool (-3,21%); e gasolina (-1,21%) foram os principais índices negativos no primeiro semestre.
Os preços dos alimentos voltaram a liderar a contribuição para a taxa do IPCA em junho (1,74%), explicando 63% do resultado do mês. No mês, a alta de 2,11% no grupo alimentação e bebidas foi ainda maior do que a registrada em maio (1,95%). O aumento nos preços continuou generalizado e apenas o óleo de soja (-2,76%) e as frutas (-1,96%) merecem destaque pelas quedas.
O arroz com feijão ficou bem mais caro de maio para junho. Pagando 9,90% a mais pelo quilo do arroz, que já subiu 38,21% no ano, o consumidor teve que deixar mais 7,54% no quilo do feijão preto, enquanto o tipo carioca teve seu preço acrescido de 15,55%. Mas, individualmente, foi o item carnes que ficou com a maior contribuição: 0,14 ponto percentual.
Os produtos não alimentícios, por outro lado, cresceram 0,34%, menos do que em maio, quando a taxa havia ficado em 0,46%. O acumulado no ano está em 2,26%. Entre as maiores variações, os destaques foram: gás encanado (8,76%), gás veicular (8,31%), passagens aéreas (3,70%), artigos de higiene pessoal (1,29%), artigos de limpeza (1,33%) e salário de empregado doméstico (1,04%).
INPC
Para as famílias com rendimento entre um e seis salários mínimos, a taxa de inflação para o semestre foi maior, de 4,26%, significativamente superior aos 2,20% referentes ao mesmo período do ano passado. Em junho, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) ficou em 0,91%.
Nos últimos doze meses o resultado foi 7,28%, também acima da taxa de 6,64% dos doze meses imediatamente anteriores. Em junho de 2007 o INPC foi 0,31%.
Os produtos alimentícios apresentaram variação de 2,38% em junho, enquanto os não alimentícios aumentaram 0,28%. Em maio os resultados foram 2,19% e 0,44%, respectivamente.
Conceito: Aumento geral dos preços (em geral acompanhado por um aumento na quantidade de meios de pagamento).
Países emergentes como o Brasil, China e Argentina estão entre os países mais ameaçados pela alta de preços intensificada nas últimas semanas.
Eles exibem saúde econômica parecida com a de países ricos nos anos 70, quando ocorreu a última grande crise inflacionária.
Além de alimentos e combustíveis, os preços altos já contaminam outros produtos e alguns serviços.
Preocupados com preços ascendentes de commodities, isto é, produtos primários, especialmente os de grande participação no comércio internacional, como café, algodão, minério de ferro, petróleo, entre outros, os bancos centrais dos EUA e da EU têm feito de tudo para evitar que a inflação dispare.
No Brasil a taxa está na casa de 2% à 6%.
Diante da ameaça, nações como o Brasil têm lançado mão de aumentos dos juros para conter a demanda e, como conseqüência, a inflação.
A taxa de juros por aqui, que ficara estacionada em 11,25% por vários meses, subiu recentemente para 12,25% e, com certeza, chegará a mais de 14% em 2008.
Num primeiro momento, os alimentos foram protagonistas no cenário de inflação ascendente.
Agora, os ajustes se dissiparam e atingem a maior parte da cesta de produtos que integra o IPCA – Índice de Preços ao Consumidor Amplo, calculado pelo IBGE, esse índice mede a variação de preços para as famílias com rendimentos mensais entre 1 e 40 salários mínimos, nas 11 principais regiões metropolitanas. É também, usado pelo Copom, Conselho Política Monetário Nacional para calcular a meta de inflação para o Brasil a cada ano -.
A inflação oficial, calculada pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), encerrou o primeiro semestre com alta acumulada de 3,64%, segundo dados divulgados nesta quinta-feira (10) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). A taxa é a maior para um semestre fechado desde 2003, quando ficou em 6,64%.
Em junho, a taxa recuou frente ao mês anterior, passando de 0,79% para 0,74%. Em 12 meses, a alta acumulada é de 6,06%, a maior nesta base de comparação desde novembro de 2005 (6,22%).
O maior impacto para a inflação do semestre veio dos preços dos alimentos, que acumularam variação de 8,64% no período. O grupo representou 1,88 ponto percentual do IPCA do período. Alimentos e bebidas também exerceram o maior impacto no IPCA acumulado nos 12 meses terminados em junho de 2008: com um variação de 15,79%, respondeu por 3,43 pontos percentuais, mais da metade do índice geral (6,06%).
No acumulado do ano, também pesou sobre a taxa a inflação do grupo saúde, que, com um aumento de 3,47%, respondeu por 0,37 ponto percentual.
A maior contribuição individual para o IPCA do primeiro semestre veio das refeições fora do domicílio: 0,30 ponto percentual (variação acumulada de 7,94%). Por outro lado, TV, som e informática (-5,83%); álcool (-3,21%); e gasolina (-1,21%) foram os principais índices negativos no primeiro semestre.
Os preços dos alimentos voltaram a liderar a contribuição para a taxa do IPCA em junho (1,74%), explicando 63% do resultado do mês. No mês, a alta de 2,11% no grupo alimentação e bebidas foi ainda maior do que a registrada em maio (1,95%). O aumento nos preços continuou generalizado e apenas o óleo de soja (-2,76%) e as frutas (-1,96%) merecem destaque pelas quedas.
O arroz com feijão ficou bem mais caro de maio para junho. Pagando 9,90% a mais pelo quilo do arroz, que já subiu 38,21% no ano, o consumidor teve que deixar mais 7,54% no quilo do feijão preto, enquanto o tipo carioca teve seu preço acrescido de 15,55%. Mas, individualmente, foi o item carnes que ficou com a maior contribuição: 0,14 ponto percentual.
Os produtos não alimentícios, por outro lado, cresceram 0,34%, menos do que em maio, quando a taxa havia ficado em 0,46%. O acumulado no ano está em 2,26%. Entre as maiores variações, os destaques foram: gás encanado (8,76%), gás veicular (8,31%), passagens aéreas (3,70%), artigos de higiene pessoal (1,29%), artigos de limpeza (1,33%) e salário de empregado doméstico (1,04%).
INPC
Para as famílias com rendimento entre um e seis salários mínimos, a taxa de inflação para o semestre foi maior, de 4,26%, significativamente superior aos 2,20% referentes ao mesmo período do ano passado. Em junho, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) ficou em 0,91%.
Nos últimos doze meses o resultado foi 7,28%, também acima da taxa de 6,64% dos doze meses imediatamente anteriores. Em junho de 2007 o INPC foi 0,31%.
Os produtos alimentícios apresentaram variação de 2,38% em junho, enquanto os não alimentícios aumentaram 0,28%. Em maio os resultados foram 2,19% e 0,44%, respectivamente.
quinta-feira, 10 de julho de 2008
Comentário meu: Problemas devem ser sanados
Com a campanha eleitoral finalmente nas ruas, é hora de sugerir aos candidatos duas lições capazes de garantir mais seriedade à disputa: abandonem a prática habitual de vender ilusões ao eleitor e recorram à sensatez ao proclamar as próprias façanhas e virtudes.
No caso da Cidade do Rio de Janeiro, os candidatos precisarão exibir, nos próximos três meses, projetos concretos destinados a aplacar os problemas que atormentam os cariocas. Mais do que nunca, as mazelas do Rio exigem um síndico à frente da prefeitura – eficiente, intolerante com o erro, preocupado com os rumos dos últimos anos, ciente da desordem, convicto das mazelas e zeloso com os encantos de uma cidade tão maravilhosa quanto tisnada pela incompetência. São atributos que o prefeito Cesar Maia prometeu alcançar e não conseguiu.
Eis por que estão desde já convocados à essa missão os postulantes das eleições deste ano: Marcelo Crivella (PRB), Jandira Feghali (PCdoB), Eduardo Paes (PMDB), Fernando Gabeira (PV), Chico Alencar (PSOL), Solange Amaral (DEM), Alessandro Molon (PT), Paulo Ramos (PDT), Filipe Pereira (PSC) e Vinícius Cordeiro (PT do B).
Disputarão o comando do segundo maior Produto Interno Bruto municipal do país (R$ 118 bilhões) e uma cidade bonita por natureza mas de auto-estima abalada.
Períodos eleitorais convidam os políticos a viajar pelo campo das fantasias.
A imaginação dos candidatos muitas vezes eleva-se a altitudes inverossímeis. A vida real desaconselha tais equívocos.
Degradação dos bairros, saúde enferma, projetos para melhoria do transporte público engavetados e uma educação reprovada no teste da qualidade são algumas das deficiências identificadas.
O boicote ao IPTU, espalhado por bairros de todas as zonas da cidade, constitui a melhor tradução de um Rio à deriva. Inconformados com desordem urbana e com a falta de transparência na aplicação dos recursos, não foram poucos os cariocas que aderiram a um legítimo movimento de desobediência civil. O próximo prefeito terá não só de mostrar aos cariocas que pode recuperar a confiança perdida na prefeitura como encontrar saídas para reduzir o impacto da perda de arrecadação.
Que os candidatos estejam atentos.
Precisarão colocar o dedo nas profundas feridas que abalam o Rio e dizer o que pensam sobre as fragilidades que deterioram a qualidade de vida dos cariocas – culpa das duvidosas prioridades do atual prefeito.
Em troca de ações como a custosa Cidade da Música, Cesar Maia conduziu o Rio ao abandono de setores essenciais, como educação, saúde pública e habitação. Destes, a calamidade da epidemia de dengue foi apenas o seu mais danoso exemplo. Não o único. A lista completa-se com os problemas de ocupação do solo, o crescimento desordenado de favelas, a negligência habitacional e o deficitário transporte público.
As pesquisas de opinião, que fotografam a percepção do eleitor sobre a administração municipal, não favorecem a imagem de eficácia urdida por Cesar Maia. Esta se dissipou com o tempo e com os equívocos do prefeito. O eleitor carioca saberá cobrar tais erros sem tardança. É um sinal de alerta para uma temporada eleitoral que está apenas começando.
Que os candidatos não se deixem guiar pela tentação de ataques entre si, mas que tenham como norte o jogo limpo com o eleitor, a quem devem uma campanha justa.
Que os candidatos usem a imaginação, recorram a bons exemplos aplicados em outras paragens, procurem parceiros.
O Rio carece de atenção e cuidado à altura de sua beleza e relevância.
No caso da Cidade do Rio de Janeiro, os candidatos precisarão exibir, nos próximos três meses, projetos concretos destinados a aplacar os problemas que atormentam os cariocas. Mais do que nunca, as mazelas do Rio exigem um síndico à frente da prefeitura – eficiente, intolerante com o erro, preocupado com os rumos dos últimos anos, ciente da desordem, convicto das mazelas e zeloso com os encantos de uma cidade tão maravilhosa quanto tisnada pela incompetência. São atributos que o prefeito Cesar Maia prometeu alcançar e não conseguiu.
Eis por que estão desde já convocados à essa missão os postulantes das eleições deste ano: Marcelo Crivella (PRB), Jandira Feghali (PCdoB), Eduardo Paes (PMDB), Fernando Gabeira (PV), Chico Alencar (PSOL), Solange Amaral (DEM), Alessandro Molon (PT), Paulo Ramos (PDT), Filipe Pereira (PSC) e Vinícius Cordeiro (PT do B).
Disputarão o comando do segundo maior Produto Interno Bruto municipal do país (R$ 118 bilhões) e uma cidade bonita por natureza mas de auto-estima abalada.
Períodos eleitorais convidam os políticos a viajar pelo campo das fantasias.
A imaginação dos candidatos muitas vezes eleva-se a altitudes inverossímeis. A vida real desaconselha tais equívocos.
Degradação dos bairros, saúde enferma, projetos para melhoria do transporte público engavetados e uma educação reprovada no teste da qualidade são algumas das deficiências identificadas.
O boicote ao IPTU, espalhado por bairros de todas as zonas da cidade, constitui a melhor tradução de um Rio à deriva. Inconformados com desordem urbana e com a falta de transparência na aplicação dos recursos, não foram poucos os cariocas que aderiram a um legítimo movimento de desobediência civil. O próximo prefeito terá não só de mostrar aos cariocas que pode recuperar a confiança perdida na prefeitura como encontrar saídas para reduzir o impacto da perda de arrecadação.
Que os candidatos estejam atentos.
Precisarão colocar o dedo nas profundas feridas que abalam o Rio e dizer o que pensam sobre as fragilidades que deterioram a qualidade de vida dos cariocas – culpa das duvidosas prioridades do atual prefeito.
Em troca de ações como a custosa Cidade da Música, Cesar Maia conduziu o Rio ao abandono de setores essenciais, como educação, saúde pública e habitação. Destes, a calamidade da epidemia de dengue foi apenas o seu mais danoso exemplo. Não o único. A lista completa-se com os problemas de ocupação do solo, o crescimento desordenado de favelas, a negligência habitacional e o deficitário transporte público.
As pesquisas de opinião, que fotografam a percepção do eleitor sobre a administração municipal, não favorecem a imagem de eficácia urdida por Cesar Maia. Esta se dissipou com o tempo e com os equívocos do prefeito. O eleitor carioca saberá cobrar tais erros sem tardança. É um sinal de alerta para uma temporada eleitoral que está apenas começando.
Que os candidatos não se deixem guiar pela tentação de ataques entre si, mas que tenham como norte o jogo limpo com o eleitor, a quem devem uma campanha justa.
Que os candidatos usem a imaginação, recorram a bons exemplos aplicados em outras paragens, procurem parceiros.
O Rio carece de atenção e cuidado à altura de sua beleza e relevância.
Eduardo Paes (PMDB)
Ex-secretário estadual de Turismo, Esporte e Lazer, Eduardo Paes entrou na corrida eleitoral depois que o PMDB rompeu a aliança que apoiaria Alessandro Molon (PT). Paes disputará sua quinta eleição, a segunda para um cargo majoritário. Há dois anos, ele tentou se eleger governador, mas não conseguiu ir para o segundo turno. Formado em direito, Eduardo Paes disputou sua primeira eleição pelo PFL (hoje DEM). Passou por PSDB, onde atuou ativamente contra o PT na CPI dos Correios, até se ingressar no PMDB, partido da base do governo. Em 1996, foi eleito vereador pelo PFL. Dois anos depois se candidatou e foi eleito deputado federal, sendo reeleito em 2002. Em 2006, tentou o governo do estado, mas não conseguiu disputar o segundo turno. De fiel escudeiro do prefeito Cesar Maia (DEM) e pupilo do ex-governador Marcello Alencar (PSDB), ele passou a candidato favorito do governador Sérgio Cabral, que sempre lutou pela sua indicação.
"O Rio tem sido o local em que fiz minha trajetória política. Conheço cada ponto da cidade. Acho que posso mudar a vida das pessoas"
Ex-secretário estadual de Turismo, Esporte e Lazer, Eduardo Paes entrou na corrida eleitoral depois que o PMDB rompeu a aliança que apoiaria Alessandro Molon (PT). Paes disputará sua quinta eleição, a segunda para um cargo majoritário. Há dois anos, ele tentou se eleger governador, mas não conseguiu ir para o segundo turno. Formado em direito, Eduardo Paes disputou sua primeira eleição pelo PFL (hoje DEM). Passou por PSDB, onde atuou ativamente contra o PT na CPI dos Correios, até se ingressar no PMDB, partido da base do governo. Em 1996, foi eleito vereador pelo PFL. Dois anos depois se candidatou e foi eleito deputado federal, sendo reeleito em 2002. Em 2006, tentou o governo do estado, mas não conseguiu disputar o segundo turno. De fiel escudeiro do prefeito Cesar Maia (DEM) e pupilo do ex-governador Marcello Alencar (PSDB), ele passou a candidato favorito do governador Sérgio Cabral, que sempre lutou pela sua indicação.
"O Rio tem sido o local em que fiz minha trajetória política. Conheço cada ponto da cidade. Acho que posso mudar a vida das pessoas"
quarta-feira, 9 de julho de 2008
Eleições: Rio
Chico Alencar (PSOL)
O ex-petista, decepcionado com o partido depois do escândalo do mensalão em 2005, foi um dos fundadores do PSOL. Historiador, Chico Alencar é autor de 26 livros, alguns deles sobre fé. Ligado aos movimentos de esquerda, desde que era petista, o deputado federal é católico atuante. Em sua atuação parlamentar, como vereador e deputado estadual e federal, Chico defende prioridade dos governos para a educação. Aos 58 anos, é pai de quatro filhos (um homem e três mulheres). Nunca exerceu cargo majoritário, apesar da longa experiência no Legislativo. Em 1988, foi eleito vereador; em 1992, se reelegeu; em 1996, ficou em terceiro lugar na disputa pela Prefeitura do Rio; em 1998, se elegeu pela primeira vez deputado estadual; em 2002, foi eleito deputado federal; em 2006, foi reeleito.
“Sou candidato de um causa que não é absolutamente um projeto pessoal. É uma candidatura a serviço da esperança”
O ex-petista, decepcionado com o partido depois do escândalo do mensalão em 2005, foi um dos fundadores do PSOL. Historiador, Chico Alencar é autor de 26 livros, alguns deles sobre fé. Ligado aos movimentos de esquerda, desde que era petista, o deputado federal é católico atuante. Em sua atuação parlamentar, como vereador e deputado estadual e federal, Chico defende prioridade dos governos para a educação. Aos 58 anos, é pai de quatro filhos (um homem e três mulheres). Nunca exerceu cargo majoritário, apesar da longa experiência no Legislativo. Em 1988, foi eleito vereador; em 1992, se reelegeu; em 1996, ficou em terceiro lugar na disputa pela Prefeitura do Rio; em 1998, se elegeu pela primeira vez deputado estadual; em 2002, foi eleito deputado federal; em 2006, foi reeleito.
“Sou candidato de um causa que não é absolutamente um projeto pessoal. É uma candidatura a serviço da esperança”
terça-feira, 8 de julho de 2008
Eleições: Rio
Alessandro Molon (PT)
Aos 36 anos, Molon não tem experiência administrativa. Advogado, entrou para o PT quando ainda estudava direito na PUC. É católico carismático e iniciou sua atuação parlamentar como forte opositor ao governo Garotinho e depois ao governo Rosinha. Também batia de frente com o presidente da Assembléia Legislativa, Jorge Picciani, que virou seu aliado, mas acabou abandonando a aliança junto com o PMDB para apoiar Eduardo Paes.
Em 2000 foi candidato a vereador no Rio e perdeu; em 2002, foi eleito deputado estadual e reeleito em 2006. Assim como seu tutor no início da vida política – o deputado Chico Alencar (PSOL) – Molon é professor de História e teve seus mandatos voltados para a defesa da educação. Chegou a cogitar sair do PT, na crise do mensalão.
“Porque amo minha cidade e porque estou certo de que é possível recuperá-la. Porque represento a verdadeira parceria entre os governos e isso vai ser fundamental para resgatar a cidade”
Aos 36 anos, Molon não tem experiência administrativa. Advogado, entrou para o PT quando ainda estudava direito na PUC. É católico carismático e iniciou sua atuação parlamentar como forte opositor ao governo Garotinho e depois ao governo Rosinha. Também batia de frente com o presidente da Assembléia Legislativa, Jorge Picciani, que virou seu aliado, mas acabou abandonando a aliança junto com o PMDB para apoiar Eduardo Paes.
Em 2000 foi candidato a vereador no Rio e perdeu; em 2002, foi eleito deputado estadual e reeleito em 2006. Assim como seu tutor no início da vida política – o deputado Chico Alencar (PSOL) – Molon é professor de História e teve seus mandatos voltados para a defesa da educação. Chegou a cogitar sair do PT, na crise do mensalão.
“Porque amo minha cidade e porque estou certo de que é possível recuperá-la. Porque represento a verdadeira parceria entre os governos e isso vai ser fundamental para resgatar a cidade”
segunda-feira, 7 de julho de 2008
Para onde vão os preços?
Enviado por Míriam Leitão
Os riscos são de petróleo continuar em alta
A previsão do presidente da Opep de que o petróleo vai continuar subindo nas próximas semanas tem grande chance de se cumprir. Não pelo poder da Opep. Hoje o cartel controla apenas 40% da produção, mas pelos problemas que se somam no momento atual para criar a disparada de preços. Abaixo alguns motivos que podem manter os preços do produto em alta.
1)Há até petróleo excedente. Só que esse petróleo a mais que já foi cinco milhões de barris hoje é de 1,4 milhão de barris apenas. Isso é considerado pouco no mercado de petróleo.
2)O dólar continua caindo e os produtores querem manter suas receitas estáveis e por isso tem que subir seus preços em dólar.
3)As novas áreas de produção estão atrasadas: 27 plataformas que deveriam estar entrando em operação em 2008 vão ficar para os próximos anos.
4) A China não era importadora anos atrás e hoje é a segunda maior importadora do mundo. E justamente a China tem números pouco confiáveis de produção e reservas.
5) Os custos de produção aumentaram muito. O aluguel de uma sonda quadruplicou de preços em poucos anos.
6)Por fim e não menos importante: a especulação com os ativos indexados pelo preço do petróleo e negociação com papéis no mercado futuro de petróleo aumentaram espantosamente nos últimos anos tornando o mercado muito volátil.
Por tudo isso e muito mais a tendência é de preços de petróleo em alta. Mas como grande parte da valorização é proveniente dos negócios financeiros com petróleo, há chances de a médio prazo os preços voltarem a cair. Médio prazo é daqui a um ou dois anos.
A previsão do presidente da Opep de que o petróleo vai continuar subindo nas próximas semanas tem grande chance de se cumprir. Não pelo poder da Opep. Hoje o cartel controla apenas 40% da produção, mas pelos problemas que se somam no momento atual para criar a disparada de preços. Abaixo alguns motivos que podem manter os preços do produto em alta.
1)Há até petróleo excedente. Só que esse petróleo a mais que já foi cinco milhões de barris hoje é de 1,4 milhão de barris apenas. Isso é considerado pouco no mercado de petróleo.
2)O dólar continua caindo e os produtores querem manter suas receitas estáveis e por isso tem que subir seus preços em dólar.
3)As novas áreas de produção estão atrasadas: 27 plataformas que deveriam estar entrando em operação em 2008 vão ficar para os próximos anos.
4) A China não era importadora anos atrás e hoje é a segunda maior importadora do mundo. E justamente a China tem números pouco confiáveis de produção e reservas.
5) Os custos de produção aumentaram muito. O aluguel de uma sonda quadruplicou de preços em poucos anos.
6)Por fim e não menos importante: a especulação com os ativos indexados pelo preço do petróleo e negociação com papéis no mercado futuro de petróleo aumentaram espantosamente nos últimos anos tornando o mercado muito volátil.
Por tudo isso e muito mais a tendência é de preços de petróleo em alta. Mas como grande parte da valorização é proveniente dos negócios financeiros com petróleo, há chances de a médio prazo os preços voltarem a cair. Médio prazo é daqui a um ou dois anos.
domingo, 6 de julho de 2008
sábado, 5 de julho de 2008
Salvatore Cacciola
O príncipe Albert, de Mônaco, determinou na sexta-feira 4 a extradição do ex-banqueiro Alberto Salvatore Cacciola. Foi o golpe final para um processo que se arrasta a nove meses. Cacciola, dono do falido banco Marka, foi condenado em 2005 a 13 anos de prisão por peculato e gestão fraudulenta. Em 1999, ele já tinha informações privilegiadas de que o Banco Central iria intervir no Marka, que estava quebrando. Cacciola conseguiu comprar dólares mais baratos do próprio BC. Foi dado, assim, um prejuízo de R$ 1,5 bilhão aos cofres públicos. Testemunhas afirmaram, na época, que o ex-banqueiro comprava informações sigilosas do Banco Central - o então presidente da instituição, Francisco Lopes, se demitiu logo depois. Cacciola foi preso pela PF em junho de 2000 - se tornou o primeiro banqueiro a dormir na prisão. Passou 37 dias preso, mas conseguiu habeas- corpus e fugiu para a Itália. Com dupla cidadania, o ex-banqueiro não poderia ser extraditado. Viveu em Milão até setembro de 2007, quando foi preso pela Interpol durante um passeio por Mônaco. O Brasil entrou com um pedido de extradição, mas sucessivas manobras da defesa e problemas na tradução do processo fizeram com que o julgamento fosse adiado quatro vezes. Agora, Cacciola cumprirá sua pena (a maior entre os envolvidos no crime) no Brasil.
O CASO CACCIOLA
Janeiro de 1999 - O banco de Cacciola recebe ajuda do Banco Central e provoca prejuízo aos cofres públicos
Junho de 2000 - Prisão preventiva de Cacciola. Ele consegue habeas-corpus e foge para a Itália
Abril de 2005 - Cacciola é finalmente condenado a 13 anos de prisão
Setembro de 2007 - É preso durante passeio em Mônaco
15 de abril de 2008 - Corte de Mônaco admite a extradição
23 de junho - Corte rejeita recurso da defesa
4 de julho - Príncipe Albert determina a extradição
O CASO CACCIOLA
Janeiro de 1999 - O banco de Cacciola recebe ajuda do Banco Central e provoca prejuízo aos cofres públicos
Junho de 2000 - Prisão preventiva de Cacciola. Ele consegue habeas-corpus e foge para a Itália
Abril de 2005 - Cacciola é finalmente condenado a 13 anos de prisão
Setembro de 2007 - É preso durante passeio em Mônaco
15 de abril de 2008 - Corte de Mônaco admite a extradição
23 de junho - Corte rejeita recurso da defesa
4 de julho - Príncipe Albert determina a extradição
Porque hoje é sábado
Na edição, de hoje, do Jornal do Brasil, o presidente do Senado, Garibaldi Alves Filho (PMDB-RN) declaraou insatisfação sobre o processo eleitoral desse ano.
Leia na íntegra a matéria que já está no site do jornal.
Candidato de ficha suja poderá disputar este ano
Presidente do Senado reconhece: calendário joga contra.
O Congresso Nacional não deve conseguir votar a tempo de entrar em vigor nas eleições municipais deste ano o projeto que proíbe a candidatura de políticos com "ficha suja". O presidente do Senado, Garibaldi Alves (PMDB-RN), reconheceu ... Leia mais em Candidato de ficha suja poderá disputar este ano
Leia na íntegra a matéria que já está no site do jornal.
Candidato de ficha suja poderá disputar este ano
Presidente do Senado reconhece: calendário joga contra.
O Congresso Nacional não deve conseguir votar a tempo de entrar em vigor nas eleições municipais deste ano o projeto que proíbe a candidatura de políticos com "ficha suja". O presidente do Senado, Garibaldi Alves (PMDB-RN), reconheceu ... Leia mais em Candidato de ficha suja poderá disputar este ano
sexta-feira, 4 de julho de 2008
4 de Julho nos EUA
4 de Julho, Dia da Independência dos Estados Unidos da América. Muita gente não tem idéia do que esta data significa ao povo americano.
Tudo começou em 1607. Naquele ano, um pequeno grupo de colonizadores fundou a primeira colônia inglesa permanente na América.
Posteriormente, 13 outras colônias se espalharam pela costa Atlântica, todas elas sob o domínio do rei da Inglaterra e com mais de 2 milhões de colonizadores. No centro, Pensilvânia, New York, New Jersey e Delaware; no norte, Massachussetts, New Hampshire, Rhode Island e Connecticut e no sul, Virginia, Maryland, Carolina do Norte, Carolina do Sul e Georgia.
Quando a Inglaterra resolveu cobrar impostos dos colonizadores, muitos se recusaram a comprar os produtos tributados dando início a uma grande revolta contra a Inglaterra. Um ato contra a cobrança de impostos, de grande importância em 1773 foi "Boston Tea Party", em Boston - Massachussetts, onde colonizadores, disfarçados de indíos, destruiram mais de 3 centenas de caixas de chá retirando-as dos navios ingleses e jogadando-as ao mar. Várias leis intoleráveis impostas pela Coroa Inglesa, provocaram a convocação do primeiro Congresso Continental de Filadélfia, em 1774, pedindo ao Rei e ao Parlamento a revogação da legislação autoritária e igualdade de direitos aos colonizadores.
Tais revoltas dão início à Guerra da Independência em 1775. Um ano depois foi formulada a Declaração da Independência para proclamar a separação das 13 colônias americanas da Inglaterra. Escrita por uma comissão de 5 membros e liderada por Thomas Jefferson, foi promulgada em 4 de julho de 1776 na Filadélfia por delegados de todos os territórios.
A Declaração dos Estados Unidos da América é inspirada nos ideais do Iluminismo e defende a liberdade individual e o respeito aos Direitos Fundamentais do ser humano.
A data de 4 de Julho é o mais importante feriado americano. Celebrado com paradas, eventos esportivos e fogos de artifícios. A bandeira americana é hasteada e decorações com fitas azuis, vermelhas e brancas são utilizadas em cerimônias públicas.
Tudo começou em 1607. Naquele ano, um pequeno grupo de colonizadores fundou a primeira colônia inglesa permanente na América.
Posteriormente, 13 outras colônias se espalharam pela costa Atlântica, todas elas sob o domínio do rei da Inglaterra e com mais de 2 milhões de colonizadores. No centro, Pensilvânia, New York, New Jersey e Delaware; no norte, Massachussetts, New Hampshire, Rhode Island e Connecticut e no sul, Virginia, Maryland, Carolina do Norte, Carolina do Sul e Georgia.
Quando a Inglaterra resolveu cobrar impostos dos colonizadores, muitos se recusaram a comprar os produtos tributados dando início a uma grande revolta contra a Inglaterra. Um ato contra a cobrança de impostos, de grande importância em 1773 foi "Boston Tea Party", em Boston - Massachussetts, onde colonizadores, disfarçados de indíos, destruiram mais de 3 centenas de caixas de chá retirando-as dos navios ingleses e jogadando-as ao mar. Várias leis intoleráveis impostas pela Coroa Inglesa, provocaram a convocação do primeiro Congresso Continental de Filadélfia, em 1774, pedindo ao Rei e ao Parlamento a revogação da legislação autoritária e igualdade de direitos aos colonizadores.
Tais revoltas dão início à Guerra da Independência em 1775. Um ano depois foi formulada a Declaração da Independência para proclamar a separação das 13 colônias americanas da Inglaterra. Escrita por uma comissão de 5 membros e liderada por Thomas Jefferson, foi promulgada em 4 de julho de 1776 na Filadélfia por delegados de todos os territórios.
A Declaração dos Estados Unidos da América é inspirada nos ideais do Iluminismo e defende a liberdade individual e o respeito aos Direitos Fundamentais do ser humano.
A data de 4 de Julho é o mais importante feriado americano. Celebrado com paradas, eventos esportivos e fogos de artifícios. A bandeira americana é hasteada e decorações com fitas azuis, vermelhas e brancas são utilizadas em cerimônias públicas.
quinta-feira, 3 de julho de 2008
Um passo à frente... e dois atrás
Enviado por Lucia Hippolito
Preocupados com o tema “candidatos com ficha suja”, os membros da CCJ do Senado começaram a analisar projetos de lei complementar sobre inelegibilidades, consolidados num único substitutivo, do senador Demóstenes Torres (DEM-GO).
Segundo o texto, será recusada pelos TREs a candidatura de alguém já condenado em primeira instância. Pode ser qualquer condenação criminal, eleitoral, por improbidade administrativa, por decisão dos tribunais de contas da União, dos estados ou dos municípios.
Já é um tremendo avanço em relação à situação atual, em que a ausência de regras claras é aproveitada por espertalhões de todos os tipos.
E evita também que adversários políticos abram processos uns contra os outros, apenas para inviabilizar candidaturas.
Se passar no Senado e na Câmara, poderá valer já para as eleições de 2010.
Enquanto isso, no outro prédio do Congresso Nacional, deputados tentam burlar a fidelidade partidária.
Decisão histórica tomada em 27 de março de 2007 pelo TSE, ratificada pelo STF em 4 de outubro, determinou que os mandatos proporcionais (deputado e vereador) pertencem as partidos e não aos políticos.
Em 16 de outubro, o TSE estendeu a determinação aos mandatos majoritários (presidente, governador, senador e prefeito).
Esta pergunta simples: a quem pertence o mandato?, pode ter uma resposta igualmente simples: ao partido, baseada nas seguintes razões:
1. no Brasil não existe candidatura avulsa. Candidatos são escolhidos em convenções partidárias, integram listas partidárias, beneficiam-se de recursos do Fundo Partidário e freqüentam o horário eleitoral gratuito em rádio e TV, destinado aos partidos – e não aos candidatos, individualmente.
2. para falar só das duas últimas eleições, em 2002, dos 513 deputados federais, apenas 33 foram eleitos com os próprios votos. Os 480 restantes foram eleitos com votos da legenda, da coligação e das sobras eleitorais.
Em 2006, a situação não foi diferente. Dos 513 deputados federais, apenas 39 alcançaram o quociente eleitoral dos seus estados, sendo os demais 474 eleitos com votos da legenda, da coligação e das sobras eleitorais.
Enfim, depois da histórica decisão do TSE acabou de vez aquele troca-troca pornográfico que sempre ocorreu no Brasil entre a eleição e a posse, engordando artificialmente as bancadas na Câmara, no Senado e nas Assembléias, e desrespeitando a vontade do eleitor.
Certo? Mais ou menos. Desde então, suas Excelências, os políticos brasileiros, estão tentando encontrar meios de burlar a decisão do TSE.
Nessas horas, não tem obstrução, não tem recesso, não tem governo nem oposição. Juntam-se todos para praticar o malfeito.
Pois a CCJ da Câmara dos Deputados aprovou ontem, por 33 votos a oito, proposta para, segundo seus defensores, “flexibilizar” a fidelidade partidária. (Não é lindo? Que meigos!)
Trata-se de marcar dia e hora para a traição, para o troca-troca: o que antes acontecia entre a eleição e a posse passará a acontecer no mês de setembro do ano anterior à eleição. (serão os ventos da primavera a inspirar suas Excelências?)
Assim, enquanto o Senado tenta andar para frente, ao encontro das reivindicações da sociedade brasileira, a Câmara anda para trás, tratando de legislar em causa própria e praticando um corporativismo deslavado.
Em busca de uma campanha racional
Termina neste sábado as convenções partidárias em todo o país.
Mas, não basta apenas os "candidatos" participarem das convenções e ser aceito pelos partidários, é necessário garantir o registro junto ao TRE para poder lançar sua candidatura e, portanto, iniciar sua campanha.
Em uma reunião, no Rio, juízes eleitorais de todos os estados votaram em unanimidade para que candidatos com "ficha suja" fossem barrados logo pelo juiz eleitoral do município.
Isso pode ser um sopro de ar fresco para as Eleições 2008.
O fato é que, como qualquer cidadão o candidato poderá recorrer ao STF, mas durante esse período ele não pode fazer campanha. Isso foi o que aconteceu em 2006, no Rio, quando todos os políticos envolvidos com a Máfia das Sanguessugas, nenhum foi reeleito, pois quando seu processo foi julgado só faltavam três dias para as eleições.
Portanto, enquanto os TREs interpretam de um jeito e o TSE interpreta de outro, espera-se que essa seja uma campanha mais racional e que a ética seja posta em conceito usual para uma sociedade que viveu durante tantas eleições a mediocridade política.
O Brasil precisa de um plano político mais eficiente e eficaz.
Mas, não basta apenas os "candidatos" participarem das convenções e ser aceito pelos partidários, é necessário garantir o registro junto ao TRE para poder lançar sua candidatura e, portanto, iniciar sua campanha.
Em uma reunião, no Rio, juízes eleitorais de todos os estados votaram em unanimidade para que candidatos com "ficha suja" fossem barrados logo pelo juiz eleitoral do município.
Isso pode ser um sopro de ar fresco para as Eleições 2008.
O fato é que, como qualquer cidadão o candidato poderá recorrer ao STF, mas durante esse período ele não pode fazer campanha. Isso foi o que aconteceu em 2006, no Rio, quando todos os políticos envolvidos com a Máfia das Sanguessugas, nenhum foi reeleito, pois quando seu processo foi julgado só faltavam três dias para as eleições.
Portanto, enquanto os TREs interpretam de um jeito e o TSE interpreta de outro, espera-se que essa seja uma campanha mais racional e que a ética seja posta em conceito usual para uma sociedade que viveu durante tantas eleições a mediocridade política.
O Brasil precisa de um plano político mais eficiente e eficaz.
Nomes dos candidatos dos 26 estados brasileiros
Do Portal G1:
As convenções terminarão no próximo sábado, mas já temos um panorama dos candidatos a prefeito que estarão disputando as eleições municipais em 2008 nas capitais brasileiras.
O impressionante é que tanto no Rio quanto em São Paulo a disputa ocorrerá entre 11 candidatos.
http://g1.globo.com/Noticias/Politica/0,,MUL632535-5601,00-CONHECA+OS+CANDIDATOS+A+PREFEITO+NAS+CAPITAIS.html
É claro que esse número (169) poderá mudar, mas o certo é que essa será um disputa acirradíssima.
As convenções terminarão no próximo sábado, mas já temos um panorama dos candidatos a prefeito que estarão disputando as eleições municipais em 2008 nas capitais brasileiras.
O impressionante é que tanto no Rio quanto em São Paulo a disputa ocorrerá entre 11 candidatos.
http://g1.globo.com/Noticias/Politica/0,,MUL632535-5601,00-CONHECA+OS+CANDIDATOS+A+PREFEITO+NAS+CAPITAIS.html
É claro que esse número (169) poderá mudar, mas o certo é que essa será um disputa acirradíssima.
Panorama Econômico desta quarta-feira
Inflação reprimida
A inflação brasileira está perto do topo da meta, apesar de os preços terem uma distorção gritante na área de energia. A inflação que assusta o mundo tem dois braços: alimentos e energia. Aqui, a gasolina não aumenta, esteja o petróleo a US$ 40, US$ 60 ou US$ 140. Mas sobem o óleo combustível, o querosene de aviação e a nafta. O GLP para a indústria subiu 30% este ano e não sobe desde 2002 para as residências.
A Petrobras usa dois argumentos para explicar a falta de correção dos preços de derivados ao consumidor: que a alta do petróleo é compensada pela queda do dólar e que é preciso esperar que os preços do petróleo se estabilizem. Os argumentos não se sustentam diante de outros preços da empresa. O dólar caiu, porém esse suposto efeito de compensação não acontece nos derivados que não são cobrados diretamente do consumidor, como o combustível para aviação, o óleo para a indústria ou a matéria-prima da petroquímica. O argumento se desmoraliza por esse tratamento diferenciado.
Se é fato que o dólar compensa a alta do petróleo, ou que é preciso esperar que o petróleo se estabilize em algum patamar, então deveria valer para todo tipo de consumidor. Poupando apenas o residencial, o governo está fazendo populismo tarifário. Além do mais, isso podia até ser verdade no segundo semestre do ano passado, com o petróleo a US$ 60, mas agora está a US$ 140, e o dólar não caiu tanto a ponto de explicar o preço congelado. O governo concedeu um aumento de preços para a Petrobras que não chegou ao consumidor de gasolina e chegou atenuado ao de diesel. Esse fato só reforça o ponto: os preços internos estão sendo subsidiados numa hora de choque de preços internacionais. Ou seja, há uma inflação reprimida. O querosene de aviação subiu 36% em 12 meses; o óleo combustível, 54%; e a nafta aumentou 19%, em real, e 42%, em dólar.
O Brasil não está tão errado quanto a Argentina, que manipula os preços interferindo no Indec, contudo o governo está impedindo o repasse de um pedaço do choque externo. Está reprimindo uma parte da inflação e manipulando os preços através da empresa estatal. (A propósito, o ministro Edison Lobão disse que a Petrobras é uma empresa privada. Alguém precisa socorrê-lo com a informação de que a Petrobras tem capital aberto, mas continua sendo uma estatal, pois o controle permanece nas mãos do governo.)
O impacto de reajustes reais de gasolina, diesel e gás de cozinha, quando e se ocorrerem, não será desprezível. Eles têm peso direto e indireto na inflação. O diesel impacta o transporte urbano e outros preços, pelo custo do frete. Combustíveis para veículos têm peso de 4,8 pontos no IPCA, e só a gasolina é 4,3 pontos, o que é um peso enorme. Além disso, indiretamente atinge ônibus urbano, que tem peso de 3,8 no índice. Ninguém $mais inflação, mas reprimi-la, praticando preços fora do lugar, cria um artificialismo na economia. Hoje o consumidor brasileiro vive numa redoma, protegido dos aumentos de preços que provocam reações do consumidor no mundo inteiro. O combate à inflação não pode ser feito através da contenção de alguns preços; tem que ser pelos instrumentos clássicos: política monetária e política fiscal. No Brasil, o único instrumento usado está sendo a taxa de juros.
Os ministros da Fazenda e do Desenvolvimento gostariam que o governo fizesse algo para elevar a taxa de câmbio. Eles temem a rápida queda do superávit comercial e a deterioração do déficit externo. Dois problemas neste desejo: com os juros subindo, é bem difícil imaginar que o real vai se desvalorizar; no entanto, se isso acontecesse, tornaria mais difícil manter intocados os preços ao consumidor dos derivados de petróleo.
Os preços da energia elétrica também têm caído, apesar de o cenário nos próximos anos ser de falta de oferta. Isso ocorre pelo modelo tarifário e pela estratégia do governo de pôr as estatais puxando o preço da energia para baixo nos leilões. É mais um preço com sinal trocado. Mais um artificialismo que se forma na economia. Segundo Claudio Sales, do Acende Brasil, num artigo publicado recentemente, tiveram reduções de tarifas, dentre outras, a AES Sul, Bandeirante, Caiuá, Celesc, Celpa, Celtins, Cemig, Cenf, Cocel, Coelba, Copel, Cosern, CPFL Paulista, CPFL Piratininga, Elektro, Eletropaulo, Energipe, Enersul, Escelsa, Light e Saelpa. Ele conta que o IPCA divulgado em maio mostrou queda de 0,49% para a tarifa residencial de energia elétrica. Os dados da Aneel também indicam que a tarifa residencial média no Brasil caiu no ano passado.
O presidente Lula tem dito que não permitirá que a inflação suba, o ministro da Fazenda garante aos aliados que está atuando para controlar a inflação, mas a população brasileira que conhece o animal inflacionário acha que a tendência é de alta, como mostrou a pesquisa Ibope. O ministro Guido Mantega disse que era a “inflação do feijãozinho”. Vai além do alimento tipicamente brasileiro; atinge outros alimentos, preços de outras áreas, se dissemina na cadeia industrial e há riscos de indexação. A inflação só não é maior porque preços relevantes, como gasolina e gás, não têm subido; e o diesel aumentou quase nada. Mas longe de ser virtude da política econômica, é uma anomalia.
Enviado por Míriam Leitão
A inflação brasileira está perto do topo da meta, apesar de os preços terem uma distorção gritante na área de energia. A inflação que assusta o mundo tem dois braços: alimentos e energia. Aqui, a gasolina não aumenta, esteja o petróleo a US$ 40, US$ 60 ou US$ 140. Mas sobem o óleo combustível, o querosene de aviação e a nafta. O GLP para a indústria subiu 30% este ano e não sobe desde 2002 para as residências.
A Petrobras usa dois argumentos para explicar a falta de correção dos preços de derivados ao consumidor: que a alta do petróleo é compensada pela queda do dólar e que é preciso esperar que os preços do petróleo se estabilizem. Os argumentos não se sustentam diante de outros preços da empresa. O dólar caiu, porém esse suposto efeito de compensação não acontece nos derivados que não são cobrados diretamente do consumidor, como o combustível para aviação, o óleo para a indústria ou a matéria-prima da petroquímica. O argumento se desmoraliza por esse tratamento diferenciado.
Se é fato que o dólar compensa a alta do petróleo, ou que é preciso esperar que o petróleo se estabilize em algum patamar, então deveria valer para todo tipo de consumidor. Poupando apenas o residencial, o governo está fazendo populismo tarifário. Além do mais, isso podia até ser verdade no segundo semestre do ano passado, com o petróleo a US$ 60, mas agora está a US$ 140, e o dólar não caiu tanto a ponto de explicar o preço congelado. O governo concedeu um aumento de preços para a Petrobras que não chegou ao consumidor de gasolina e chegou atenuado ao de diesel. Esse fato só reforça o ponto: os preços internos estão sendo subsidiados numa hora de choque de preços internacionais. Ou seja, há uma inflação reprimida. O querosene de aviação subiu 36% em 12 meses; o óleo combustível, 54%; e a nafta aumentou 19%, em real, e 42%, em dólar.
O Brasil não está tão errado quanto a Argentina, que manipula os preços interferindo no Indec, contudo o governo está impedindo o repasse de um pedaço do choque externo. Está reprimindo uma parte da inflação e manipulando os preços através da empresa estatal. (A propósito, o ministro Edison Lobão disse que a Petrobras é uma empresa privada. Alguém precisa socorrê-lo com a informação de que a Petrobras tem capital aberto, mas continua sendo uma estatal, pois o controle permanece nas mãos do governo.)
O impacto de reajustes reais de gasolina, diesel e gás de cozinha, quando e se ocorrerem, não será desprezível. Eles têm peso direto e indireto na inflação. O diesel impacta o transporte urbano e outros preços, pelo custo do frete. Combustíveis para veículos têm peso de 4,8 pontos no IPCA, e só a gasolina é 4,3 pontos, o que é um peso enorme. Além disso, indiretamente atinge ônibus urbano, que tem peso de 3,8 no índice. Ninguém $mais inflação, mas reprimi-la, praticando preços fora do lugar, cria um artificialismo na economia. Hoje o consumidor brasileiro vive numa redoma, protegido dos aumentos de preços que provocam reações do consumidor no mundo inteiro. O combate à inflação não pode ser feito através da contenção de alguns preços; tem que ser pelos instrumentos clássicos: política monetária e política fiscal. No Brasil, o único instrumento usado está sendo a taxa de juros.
Os ministros da Fazenda e do Desenvolvimento gostariam que o governo fizesse algo para elevar a taxa de câmbio. Eles temem a rápida queda do superávit comercial e a deterioração do déficit externo. Dois problemas neste desejo: com os juros subindo, é bem difícil imaginar que o real vai se desvalorizar; no entanto, se isso acontecesse, tornaria mais difícil manter intocados os preços ao consumidor dos derivados de petróleo.
Os preços da energia elétrica também têm caído, apesar de o cenário nos próximos anos ser de falta de oferta. Isso ocorre pelo modelo tarifário e pela estratégia do governo de pôr as estatais puxando o preço da energia para baixo nos leilões. É mais um preço com sinal trocado. Mais um artificialismo que se forma na economia. Segundo Claudio Sales, do Acende Brasil, num artigo publicado recentemente, tiveram reduções de tarifas, dentre outras, a AES Sul, Bandeirante, Caiuá, Celesc, Celpa, Celtins, Cemig, Cenf, Cocel, Coelba, Copel, Cosern, CPFL Paulista, CPFL Piratininga, Elektro, Eletropaulo, Energipe, Enersul, Escelsa, Light e Saelpa. Ele conta que o IPCA divulgado em maio mostrou queda de 0,49% para a tarifa residencial de energia elétrica. Os dados da Aneel também indicam que a tarifa residencial média no Brasil caiu no ano passado.
O presidente Lula tem dito que não permitirá que a inflação suba, o ministro da Fazenda garante aos aliados que está atuando para controlar a inflação, mas a população brasileira que conhece o animal inflacionário acha que a tendência é de alta, como mostrou a pesquisa Ibope. O ministro Guido Mantega disse que era a “inflação do feijãozinho”. Vai além do alimento tipicamente brasileiro; atinge outros alimentos, preços de outras áreas, se dissemina na cadeia industrial e há riscos de indexação. A inflação só não é maior porque preços relevantes, como gasolina e gás, não têm subido; e o diesel aumentou quase nada. Mas longe de ser virtude da política econômica, é uma anomalia.
quarta-feira, 2 de julho de 2008
Eleições 2008 - Rio de Janeiro
O quadro eleitoral na disputa pela Prefeitura do Rio de Janeiro ficou assim:
- O PC do B se coligou com PSB, PHS, PTN e PRTB para lançar Jandira Feghali;
- Solange Amaral é a candidata do Democratas (DEM), com o apoio do PTC e do PMN;
- Já o PRB lançou Marcelo Crivella em uma coligação com o PR e o PSDC;
- O PDT escolheu Paulo Ramos;
- Eduardo Paes, do PMDB, é apoiado pelo PP, PTB e PSL;
- A coligação PV-PSDB-PPS entra na disputa com Fernando Gabeira;
- O candidato do PT é Alessandro Molon;
- P-SOL e PSTU se uniram para lançar Chico Alencar;
- Filipe Pereira disputa pelo PSC, com apoio do PRP;
- O PT do B tem Vinícius Cordeiro como candidato;
- O PCB, que não tem representação na Câmara Federal, lançou o secretário político do partido, Eduardo Serra.
Na semana que vem, a Justiça Eleitoral começa a avaliar as fichas dos candidatos. Segundo o presidente do Tribunal Regional Eleitoral do Rio de Janeiro (TRE-RJ), Roberto Wider, o entendimento dos juízes do estado do Rio é que candidatos com ficha suja devem ter o registro negado. Mas as análises serão feitas caso a caso.
“A Justiça Eleitoral, fazendo a parte dela, restará ao principal ator dessa história, que é o eleitor, que poderá, com o voto, eleger os melhores para dirigirem os destinos do nosso estado e do nosso país”, enfatizou Wider.
- O PC do B se coligou com PSB, PHS, PTN e PRTB para lançar Jandira Feghali;
- Solange Amaral é a candidata do Democratas (DEM), com o apoio do PTC e do PMN;
- Já o PRB lançou Marcelo Crivella em uma coligação com o PR e o PSDC;
- O PDT escolheu Paulo Ramos;
- Eduardo Paes, do PMDB, é apoiado pelo PP, PTB e PSL;
- A coligação PV-PSDB-PPS entra na disputa com Fernando Gabeira;
- O candidato do PT é Alessandro Molon;
- P-SOL e PSTU se uniram para lançar Chico Alencar;
- Filipe Pereira disputa pelo PSC, com apoio do PRP;
- O PT do B tem Vinícius Cordeiro como candidato;
- O PCB, que não tem representação na Câmara Federal, lançou o secretário político do partido, Eduardo Serra.
Na semana que vem, a Justiça Eleitoral começa a avaliar as fichas dos candidatos. Segundo o presidente do Tribunal Regional Eleitoral do Rio de Janeiro (TRE-RJ), Roberto Wider, o entendimento dos juízes do estado do Rio é que candidatos com ficha suja devem ter o registro negado. Mas as análises serão feitas caso a caso.
“A Justiça Eleitoral, fazendo a parte dela, restará ao principal ator dessa história, que é o eleitor, que poderá, com o voto, eleger os melhores para dirigirem os destinos do nosso estado e do nosso país”, enfatizou Wider.
O Rio com um forte nevoeiro, mas mesmo assim continua lindo
Esta foto foi tirada ontem (01) pelo repórter que faz a cobertura do trânsito para a CBN.
Leia o Panorama Econômico desta terça-feira (01)
Os trigêmeos
Enviado por Míriam Leitão
Os bancos centrais do mundo estão reunidos diante de três fantasmas que ameaçam a economia: o preço do petróleo, a inflação e a crise americana. Os três põem em perigo o longo período de forte crescimento mundial. Hoje três bilhões de pessoas vivem sob uma inflação de dois dígitos, em 50 países diferentes. A crise americana é agravada pela disparada do petróleo.
Os bancos centrais estão num encontro na Basiléia, como fazem rotineiramente, mas agora estão diante da sua própria incapacidade de proteger a economia mundial. Os preços do petróleo estão em níveis inesperadamente altos. A inflação de alimentos é mais complexa do que imaginam os que apenas procuram no biocombustível um bode expiatório. A crise americana é grave e fica mais grave com a alta de preços fundamentais na cesta de consumo de qualquer família: alimentos e energia.
O banco Morgan Stanley fez uma análise país por país e concluiu que, em 190 deles, 50 estão “no clube dos dois dígitos” — e são justamente os mais populosos. Significa que atualmente 42% da população mundial enfrentam os efeitos dessa corrosão na renda das pessoas, a qual o Brasil conhece tão bem. O problema é que o remédio recomendado, o aperto monetário, não será usado por grande parte desses países, porque eles temem os efeitos da redução do crescimento econômico. No entanto, a inflação prolongada tem o mesmo resultado: ela afeta exatamente a taxa de crescimento. Assim o banco acha que muitos países emergentes não conseguirão manter a história de crescimento e de sucesso que vinham vivendo até agora.
Na verdade, o hipotético clube, que o Morgan Stanley já definiu como DDIC (double-digit inflation club), pode ter um outro membro de enorme peso: a China. Oficialmente, ela não está com a inflação neste patamar, contudo vários preços importantes não estão incluídos nos índices, e o país acaba de aumentar em 17% os preços da gasolina e do diesel. Portanto, inevitavelmente, ela vai acabar integrando o clube. A Índia já está, com sua inflação de 11%; a Indonésia também, com 10%; assim como o Paquistão, com 19%; a Rússia, 15%; o Vietnã, 25%; e a Venezuela, com 30%. Além deles, a Argentina, com uma inflação desconhecida, mas se sabe que de dois dígitos; a Etiópia, com 29%; a Bolívia, com 17%, entre muitos outros e sem falar no Zimbábue, com 164.900%. Doze dos países do clube estão na América Latina; e mais doze na África.
Outro fantasma que ameaça a economia é a crise de crédito americana (e seus efeitos), que muita gente achava que já estivesse no caminho da solução. Comemoraram cedo demais. A opinião de muitos economistas é de que há mais por vir quando se trata de problemas nos bancos. As ações deles continuam caindo. Ontem, por exemplo, o Lehman Brothers caiu 10%. No mês, já são 45%. O empréstimo interbancário também está lento, num sinal de que continua havendo insegurança dentro do próprio mercado bancário $a solidez dos bancos. Há poucos dias, isso ficou explícito com o relatório da Goldman Sachs afirmando que o Citi ainda teria créditos podres. Como não existem dados públicos e confiáveis a respeito de quem tem — ou não — tais créditos, o resultado acaba sendo que os relatórios de instituições de mercado são sempre olhados com atenção. Uma das hipóteses é de que haja uma segunda onda forte de bancos com problemas.
Porém nem todo o mercado considera que a crise americana será catastrófica. Roberto Padovani, do WestLB, acha que ela será bem mais suave do que se esperava e pouco profunda. Marcelo Carvalho, do Morgan Stanley, acredita que ela durará bastante. Até agora o pessimismo tem se confirmado. No início, a aposta era de que seria um pequeno rombo, de poucos bilhões de dólares; chegou a quase US$ 500 bilhões. Todos concordam numa coisa: a aversão ao risco anda enorme. A confiança do consumidor está despencando também. E isso tudo tem impacto no que consomem os vorazes americanos.
O petróleo em alta aumenta a inflação, reduz a renda disponível de consumidores já abatidos por outros problemas, e ainda espalha a incerteza. O petróleo não está só alto; está imprevisível. A dispersão grande das previsões mostra que tudo pode acontecer. Uma incerteza assim produz retração de investimentos.
Quanto mais longo for o período de inflação alta, quanto mais incerto for o preço do petróleo maior será o impacto desses problemas no crescimento global. Foi exatamente a queda da inflação nos últimos 15 anos que permitiu um período tão longo de crescimento sustentado no mundo, diz o texto do Morgan Stanley.
O relatório do BIS (o banco central dos bancos centrais), divulgado ontem, faz um bom diagnóstico; pena que um pouco tarde. Para os bancos centrais, a “causa fundamental para todos os problemas que estão surgindo agora foi o excessivo e imprudente crescimento do crédito por um longo período”. Assumem que os juros ficaram muito baixos por muito tempo. O documento também critica os novos produtos financeiros, o crédito de má qualidade e a falta de transparência do processo. Pode-se resumir o que eles dizem falando o que eles não diriam tão francamente: foi falha da regulação bancária, ou seja, um erro do Fed. Para o BIS, esta turbulência que a economia mundial atravessa é sem precedentes desde o pós-guerra.
Três fantasmas decidiram rondar a economia ao mesmo tempo e cada um agrava o efeito que o outro provoca.
Por dentro do blog
Por motivos pessoais e relevantes o Panorama Econômico - coluna da Míriam Leitão no Jornal O Globo - será editado apenas no dia posterior de sua publicação no jornal, pois estou saindo de férias e como todo mundo é filho de Deus., tenho que arejar um pouco a minha mente.
A partir da próxima semana será exibida uma série de comentários e reportagens sobre as Eleições 2008 das principais cidades brasileiras. No entanto, antecipando os fatos, publico ainda hoje a análise da formação política na cidade do Rio de Janeiro.
Fiquem espertos nos candidatos que estão se formando para disputar os cargos de prefeito e vereador nas suas cidades.
Com o tempo aprendi que Política é um assunto importante para ser entendido e formar opinião. Espero que vocês façam o mesmo exercício.
A partir da próxima semana será exibida uma série de comentários e reportagens sobre as Eleições 2008 das principais cidades brasileiras. No entanto, antecipando os fatos, publico ainda hoje a análise da formação política na cidade do Rio de Janeiro.
Fiquem espertos nos candidatos que estão se formando para disputar os cargos de prefeito e vereador nas suas cidades.
Com o tempo aprendi que Política é um assunto importante para ser entendido e formar opinião. Espero que vocês façam o mesmo exercício.
terça-feira, 1 de julho de 2008
Eleições 2008 - Perguntas e respostas
Da Revista Veja Online
Em outubro de 2008, os eleitores brasileiros voltarão às urnas. Eles vão escolher os representantes que administrarão pelos quatro anos seguintes a esfera pública mais ligada à vida cotidiana do cidadão: a cidade. Serão eleitos prefeitos, vice-prefeitos e vereadores de todos os municípios do país. Eles tomam decisões acerca de temas importantes como iluminação e conservação das ruas, coleta de lixo, educação básica e saúde. Confira a seguir, as principais informações sobre o pleito.
1. Quais e quantos cargos estarão em disputa nas eleições de 2008?
Serão 5.564 postos de prefeito e igual número de vice-prefeitos, relativos a todos os municípios brasileiros. Já o número de vereadores é incerto. Se for mantida a resolução em vigor do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), estarão em jogo 51.748 postos nas câmaras municipais. Porém, até o início oficial processo eleitoral, em 30 de junho, essa cifra poderá ser alterada. Há, por exemplo, uma proposta de emenda constitucional em tramitação na Câmara dos Deputados que propõe a elevação do número de parlamentares municipais para cerca de 57.000 - outra ainda sugere quase 60.000. Se aprovada a proposta, os gastos públicos, é claro, subirão. Por fim, no pleito de 2008, não haverá disputa para deputados estaduais e federais, senadores, governadores e presidente da República - o que ocorrerá em 2010.
2. Quais as datas das votações?
O primeiro turno será realizado no dia 5 de outubro. Quando for necessário, as cidades farão a votação suplementar - ou seja, o segundo turno - no dia 26 de outubro. Vale lembrar que a segunda votação só vale para a escolha do chefe do poder Executivo - no caso, o prefeito.
3. O segundo turno pode ocorrer em todas as cidades brasileiras?
Não. Ele só será realizado nos municípios com mais de 200.000 eleitores, caso nenhum candidato a prefeito consiga a maioria absoluta dos votos no primeiro turno. Obedecendo o censo do TSE, atualmente 74 cidades, em 23 estados, estariam aptas a realizar o segundo turno. Nenhum município do Acre, Roraima e Tocantins deverá realizar a votação suplementar, pois não há cidades com mais de 200.000 habitantes nesses estados. Em 2004, foi realizado segundo turno em 44 das 68 cidades então aptas a realizá-lo. Vale lembrar que, no Distrito Federal, não haverá eleições, pois não há prefeitura.
4. Qual o custo das eleições?
Segundo estimativas do TSE, deverão ser gastos cerca de 600 milhões de reais. Esse valor inclui investimentos em equipamentos, transporte de urnas para as sessões, impressão de cadastro de eleitores e relatórios de votação, além de alimentação para os profissionais da Justiça Eleitoral e para os eleitores convocados para trabalhar nas eleições. Não entram nessa conta salários dos funcionários de carreira da Justiça Eleitoral e a manutenção da máquina da instituição, que já têm um orçamento anual determinado.
5. Haverá novidades no método de votação?
Em larga escala, não: será mantida a já conhecida urna eletrônica, em que o eleitor digita o número de seu candidato ou da legenda de sua preferência e confirma o voto. Porém, em pequena escala, será testado um método piloto de identificação datiloscópica e também fotográfica. Na prática, ao invés de apenas apresentar seu título e votar, o eleitor terá de fornecer sua impressão digital a um equipamento eletrônico de coleta - o dado será confrontado com o cadastro da Justiça Eleitoral. Além disso, os mesários da sessão terão à disposição uma foto do eleitor, juntamente com o cadastro eleitoral. O objetivo é evitar fraudes.
6. Onde ocorrerá a identificação datiloscópica e fotográfica do eleitor?
Cerca de 25.000 urnas com a tecnologia realizarão o teste. Elas serão utilizadas, experimentalmente, nos municípios de São João Batista (SC), Fátima do Sul (MS) e Colorado do Oeste (RO). Segundo o TSE, caso o teste seja bem-sucedido, deverá ser implantado em todo o país no prazo de dez anos.
7. Será possível imprimir o voto?
Não. Há um projeto que tramita no Congresso Nacional propondo que os eleitores deixem o local de votação carregando um comprovante que mostre as suas escolhas. Porém, o TSE já se pronunciou contra o projeto: o Tribunal alega que a prática seria um retrocesso, colocando um sistema "moderno" (a urna eletrônica) sob controle de um sistema "ultrapassado" (o voto impresso). Além disso, objeta o TSE, a impressão do voto abriria brechas para fraudes e a intimidação de eleitores, que teriam seus votos revelados.
8. Quantos eleitores poderão votar em todo o Brasil?
Até maio de 2008, será possível requerer o título para votar. Por isso, o número ainda sofrerá alterações. O levantamento mais recente do TSE, divulgado em setembro de 2007, mostrava que estavam aptos a votar 126.498.921 brasileiros. A título de curiosidade, vale ressaltar que, dos cem maiores colégios eleitorais, 29 estão no estado de São Paulo. A capital paulista, aliás, é o maior deles, com 8.038.625 eleitores inscritos, seguida do Rio (4.510.902), Belo Horizonte (1.733.878) e Salvador (1.697.294). A única capital que não figurava entre os cem maiores colégios era Palmas (TO), com 120.815 eleitores.
9. Os brasileiros que estão no exterior poderão votar?
Não. Há 90.696 brasileiros vivendo em outros países aptos a votar nas eleições de 2008, de acordo com o TSE. Eles não poderão participar do pleito municipal, mas apenas da escolha do presidente da República.
10. As eleições de 2008 podem influenciar o resultado do pleito de 2010?
É cedo para saber. Tradicionalmente, porém, os partidos políticos se esforçam em conquistar o maior número de administrações do país e também as cidades mais importantes, de olho no eleitorado da eleição seguinte - no caso, as eleições presidenciais de 2010.
segunda-feira, 30 de junho de 2008
Análise do Semestre
Enviado por Lucia Hippolito
Mais um semestre esquisito, em que a política freqüentou quase diariamente as páginas policiais. Praticamente todos os grandes partidos foram envolvidos em confusão.
Grossa corrupção no Rio Grande do Sul, com direito até a pedido de impeachment da governadora tucana Yeda Crusius. Lembro que tratei desse assunto aqui mesmo no blog em 27 de abril e em 9 de junho.
CPI em funcionamento na Assembléia Legislativa constatou desvio de pelo menos 44 milhões de reais do Detran-RS. O principal envolvido, o tucano Lair Feist, foi um dos coordenadores da campanha de Yeda ao governo em 2006.
Secretário de Planejamento é fotografado pelo jornal Zero Hora tomando chope com o principal envolvido no escândalo. Resultado: pede demissão.
Vice-governador Paulo Feijó (DEM) inimigo de Yeda desde antes da posse, grava conversa comprometedora com o chefe da Casa Civil.
Resultado: chefe da Casa Civil e mais quatro secretários pedem demissão. Yeda praticamente entrega a coordenação do governo aos partidos da sua base aliada.
O escândalo ainda não chegou ao seu final.
Grossa corrupção em São Paulo. Empresa francesa Alstom confessa ter pagado propina a membros do governo Mário Covas-Geraldo Alckmin para ser beneficiada com obras no estado, principalmente metrô, Eletropaulo e Sabesp.
Tratei deste assunto em 4 de junho, concluindo: “Este escândalo da Alstom pode até ser escondido dentro do armário. Mas vai assombrar a campanha do ex-governador Alckmin, se ele insistir em ser candidato a prefeito em 2008.
Mas o governador José Serra se ilude, pensando que isto é assunto do governo Covas-Alckmin. Este esqueleto também vai sair do armário para assombrar a campanha do governador em 2010, seja para presidente da República, seja para se reeleger governador de São Paulo.
Como diz com muita precisão o senador Jarbas Vasconcelos (PMDB-PE), “safadeza não prescreve”.
Grossa corrupção em Minas Gerais, onde o prefeito de Juiz de Fora, Alberto Bejani (PTB), continua preso mesmo depois de ter renunciado ao cargo. Bejani está envolvido em falcatruas para liberação de verbas do Ministério das Cidades.
Apanhado em vídeos e fitas, embolsando dinheiro (imagens quase pornográficas!), Bejani tratou logo de envolver o ex-ministro José Dirceu, acusando-o de intermediário de um negócio que teria rendido ao atual consultor José Dirceu uma “comissão” de R$ 7 milhões!
(Para quem não se lembra, a campanha de Bejani em 2004 foi uma das “irrigadas” por verbas do mensalão, repassadas por Delúbio Soares ao então deputado Roberto Jefferson.)
Grossa corrupção envolvendo o BNDES. Denúncia de desvio de recursos do banco atingiu em cheio o deputado Paulo Pereira da Silva (PDT-SP), cujo processo de cassação está sendo analisado pelo Conselho de Ética da Câmara.
Independentemente disso, o STF acolheu o pedido do procurador-geral da República e Paulo Pereira da Silva já está sendo processado.
Grossa corrupção na Bancoop, a cooperativa habitacional dos bancários de São Paulo, envolvendo até o atual presidente do PT, deputado Ricardo Berzoini. (Que vocação para o abismo tem sua Excelência! Volta e meia está associado a escândalos.) Compradores lesados, imóveis que não existiam, enfim, todo o cardápio básico da grande falcatrua.
Mau uso do dinheiro público. Além do uso do cartão corporativo do governo para pagamento de despesas pessoais de altos funcionários, tivemos também o caso do magnífico reitor da UnB e suas lixeiras de R$ 1 mil.
No Ceará, o caso emblemático de “privatização” do cargo. O governador Cid Gomes (genro de ouro, sonho de toda sogra) levou a esposa e a sogra para passar o Carnaval na Europa.
Às custas do contribuinte cearense, naturalmente.
Para encerrar com uma nota de otimismo cauteloso. Só estamos podendo falar desses assuntos, graças a uma imprensa livre, uma Polícia Federal operosa, um Ministério Público atuante e uma opinião pública atenta.
Não é dizer pouco.
sábado, 28 de junho de 2008
Poço de confusões
Enviado por Míriam Leitão - 28.6.2008 às 15h00m
Panorama Econômico
(leia a coluna publicada em O Globo neste sábado)
Está todo mundo confuso. Inclusive os especialistas. Ninguém previu exatamente o que está acontecendo hoje no mercado de petróleo. A consultoria Trendlines, do Canadá, fez uma compilação das previsões de 22 empresas e consultorias internacionais sobre o pico da produção e o fim do petróleo. Na primeira, houve a dispersão de 30 anos; na segunda, de 225 anos. A mesma confusão ocorre nas previsões de preços.
Na lista dos cenários compilados pela Trendlines, estão os de grandes produtoras, como Saudi Aramco, Shell, Exxon, até os da Opep e de consultorias especializadas. Para essas empresas, o pico da produção vai de 2020 a 2050. Cada uma tem um palpite. Os cenários de esgotamento do petróleo variam de 2050 a 2365. A revista "BusinessWeek" ouviu cinco especialistas e perguntou a eles para onde vai o petróleo no futuro próximo. Colheu cinco diferentes respostas. Mathews Simon, da Simon & Co., acredita que o barril ficará entre US$ 200 e US$ 500 num período que vai de seis meses a quatro anos. Jeff Rubin, da CBIC World Markets, aposta em US$ 225 para 2012. Larry Chorn, da Platts, acha que, em 2012, estará entre US$ 130 e US$ 140. Ed Morse, do Lehman Brothers, calcula que, no ano que vem, estará em US$ 83. Tim Evans, da Citi Futures Perspective, está prevendo que, no fim deste ano e começo do próximo, o petróleo estará em US$ 70 a US$ 80. Ou seja, se você está confuso, fique calmo: está em companhia dos maiores especialistas em petróleo do mundo, que andam feito baratas tontas diante desse novo choque, que a maioria subestimou.
Esse choque chegou de forma diferente. Nos da década de 70, houve alta abrupta. Desta vez, os preços subiram de forma constante por cinco anos e, de repente, pularam. Em 1999, o barril chegou a bater mínimas de US$ 14, subiu um pouco e, em 2001, voltou a ficar abaixo de US$ 20. Daí para diante, oscilou, com tendência de alta gradual, e triplicou em cinco anos. Em maio de 2007, estava pouco acima de US$ 60. Ontem abriu rompendo a barreira impensável tempos atrás de US$ 140; foi além, e esbarrou nos US$ 143, voltando depois para os US$ 140. Nos últimos 12 meses, mais que dobrou de preço, e o ritmo da elevação está se acelerando nos últimos três meses. Hoje a maioria dos analistas não acha absurdo se falar em petróleo a US$ 200.
Na realidade, o que há neste mercado de previsões sobre petróleo é muito chute, muita especulação e pouca informação sólida. Há uma falta crônica de dados confiáveis sobre produção, consumo e reservas de inúmeros países que são decisivos na formação do mercado. Os que têm dados auditáveis são economias mais estáveis, onde os números não mudam muito há tempos. Na China, o país em que a demanda mais cresce, há deliberada opacidade de dados. O mercado acha que os números deles de estoque estão errados. Além disso, o país não divulga os dados de consumo, obrigando os especialistas a inferir do total de importação e produção. Mas a produção pode ser maior que a divulgada, pois pequenas refinarias espalhadas pela China profunda produzem quantias que não entram nas estatísticas. Estar errado sobre o consumo ou as reservas chinesas faz uma enorme diferença num mundo onde este país é o grande enigma e o grande formador das expectativas.
Na procura do culpado por tamanha alta de preços, as revistas especializadas em economia tentam isentar a "especulação". Realmente, sempre que não há uma boa explicação, culpa-se esta entidade mítica. Contudo o que essa imprensa especializada tem dito não resiste aos fatos. Existem argumentos assim: há especulação, mas não manipulação. Ou outro: há especulação, mas ela se forma no lado da compra e da venda dos contratos de petróleo, portanto eles se reequilibram. Balela. Formou-se uma corrida dos hedge funds e fundos de riqueza soberana para investimentos em futuro de commodities e, também, em ativos indexados aos preços de commodities, para se proteger da instabilidade no mercado de ações e de juros. Isso virou uma bolha. É impossível explicar alta tão forte de petróleo apenas olhando o que acontece no mundo físico. Recentemente, num depoimento no Senado americano, Michael Masters, administrador de um grande hedge fund, o Master Capital Management, foi de uma sinceridade inesperada e admitiu que grande parte da culpa é de especuladores como ele.
— Nós estamos vivendo um choque de demanda de uma nova categoria de participantes dos mercados futuros de commodities. O aumento da demanda dos especuladores é igual ao aumento de demanda da China — afirmou. Ele deu os dados. Com base em estatísticas americanas, disse que a demanda chinesa aumentou em 920 milhões de barris anuais nos últimos cinco anos e que a demanda dos especuladores cresceu 848 milhões de barris no mesmo período.
Quem quiser entender o que se passa com o louco preço do petróleo tem que olhar em várias direções. Há desequilíbrio entre oferta e demanda, porque o consumo aumentou rápido e o aumento da oferta demora mais a se concretizar; há falta crônica de estatísticas confiáveis; há uma corrida de especuladores para se proteger em futuros de petróleo. Isso permite todos os cenários: de alta continuada a níveis nunca antes imaginados até a queda dos preços após o estouro da bolha especulativa. Os preços do petróleo vão continuar surpreendendo, assustando e confundindo. Inclusive os especialistas.
Porque hoje é sábado
Por isso, vamos contribuir com 1 voto para o Prêmio Troféu Dia da Imprensa.
Pelo terceiro ano consecutivo, em comemoração ao "Dia da Imprensa", o Portal IMPRENSA realiza o "Troféu Dia da Imprensa", destinado a reconhecer o trabalho das redações jornalísticas de veículos de comunicação brasileiros. A premiação tem como objetivo premiar os destaques no jornalismo por meio de indicação e votação públicas.
A votação começou no dia 16 de junho, e vai até o dia 10 de julho.
As categorias para votação são:
melhor jornal diário de TV aberta,
melhor programa jornalístico de TV Aberta,
melhor programa jornalístico em TV Paga,
melhor jornal diário impresso,
melhor emissora jornalística de rádio,
melhor blog de jornalismo e/ou jornalista,
melhor site de notícias,
melhor revista semanal de informação,
melhor Revista segmentada e/ou dirigida,
além da categoria especial, Troféu Dia da Imprensa - Prêmio Especial.
Desde já expresso minha preferência de MELHOR EMISSORA JORNALÍSTICA DE RÁDIO: Rádio CBN.
Basta clicar no link abaixo e votar.
http://www.trofeudiadaimprensa.com.br/2008_2fase_votacao_5categoria.asp
Pelo terceiro ano consecutivo, em comemoração ao "Dia da Imprensa", o Portal IMPRENSA realiza o "Troféu Dia da Imprensa", destinado a reconhecer o trabalho das redações jornalísticas de veículos de comunicação brasileiros. A premiação tem como objetivo premiar os destaques no jornalismo por meio de indicação e votação públicas.
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sexta-feira, 27 de junho de 2008
Panorama Econômico de 26 e 27 de junho
Leia o Panorama Econômico desta sexta-feira.
Dupla face
Esta não é uma conjuntura econômica simples. Por um lado, o país vive a sensação da animação com a economia crescendo, aumentando investimentos, diminuindo a taxa de desemprego; por outro, a inflação está subindo, assim como os juros, o déficit em transações correntes reapareceu, o mundo vive um surto inflacionário e um choque de petróleo. Que remédios usar num contexto assim?
Conversas com empresários de qualquer área mostram sempre a mesma dupla face da economia: as vendas crescendo, empresas com dificuldades de atender à demanda e, por outro lado, a pressão de preços e custos. O governo tem dado sinais contraditórios: aumentos de gastos e juras de manutenção da política de combate à inflação; diagnósticos superficiais sobre riscos inflacionários e altas nas taxas de juros.
Entrevistei dois economistas com visões diferentes no “Espaço Aberto”, da Globonews. Ambos estão preocupados com a alta dos preços, mas vêem de forma diferente a ação do Banco Central sobre a expansão do crédito e têm avaliações distintas sobre os riscos do déficit em transações correntes.
O ex-presidente do Banco Central Gustavo Loyola acha que o BC deve evitar qualquer medida artificial de controle do crédito, mesmo reconhecendo que essa é uma das razões do aquecimento da demanda. Ele acredita que tentativas de controlar o mercado de crédito acabam gerando distorções que levam a novas tentativas frustradas de regulação. Acha que o mercado se ajustará, pois os próprios bancos acabarão restringindo o crédito.
O professor Luiz Gonzaga Belluzzo vê um risco de aumento rápido da inadimplência; e acha que o Banco Central não pode acreditar que o mercado resolverá isso sozinho. Lembra que, nos Estados Unidos, foi exatamente a falta de atuação do Fed que permitiu as inúmeras distorções que levaram à atual crise de crédito. Belluzzo considera que há uma distância enorme entre os excessos que ocorreram lá e os primeiros problemas aqui, mas acredita que a regulação do BC pode prevenir uma crise de inadimplência.
Os números de conta corrente deixam Belluzzo desconfortável, mas Loyola acha que o câmbio flutuante é suficiente para reequilibrar a conta corrente e que agora o déficit está sendo financiado pela entrada de investimentos externos. Belluzzo pondera que, se o câmbio flutuante resolvesse sozinho, o dólar deveria estar subindo, já que o déficit externo reapareceu.
Ambos concordam que o governo deve cortar gastos para ajudar a política monetária e que os juros têm, sim, que subir neste momento. Para Loyola, o governo deveria perseguir a meta de déficit nominal zero; Belluzzo lembra que isso é mais difícil agora, com os juros subindo, o que vai elevar os gastos do governo. Na opinião dele, o Banco Central perdeu chances no passado, quando tudo estava bem, de derrubar mais fortemente a taxa de juros. $evitaria a apreciação forte do real e poderia evitar também o atual déficit em conta corrente. Loyola discorda do reajuste do Bolsa Família neste momento em que o país precisa esfriar o consumo para reduzir o risco inflacionário. Belluzzo acha o reajuste correto, mas discorda da generosidade com que o governo elevou os salários de algumas categorias profissionais do setor público.
Nos últimos anos, os consensos entre os economistas aumentaram, mas, em épocas assim, de decisões difíceis, as divergências voltam. Belluzzo faz parte do conselho de economistas que o presidente Lula reúne para analisar a situação econômica. Conta que lá também há divergências, explicitadas claramente, apesar de dois dos participantes serem o ministro da Fazenda e o presidente do Banco Central. Belluzzo, que no passado já esteve em lado oposto ao do então ministro Delfim Netto, diz que concorda cada vez mais com ele.
O debate deve ajudar o governo nas decisões a tomar nos próximos meses. Não há fórmula mágica, e algumas medidas que parecem certas levam a muitas distorções. Os perigos que estão à espreita não podem ser negligenciados. O déficit em conta corrente aumentou mais rápido que os economistas imaginaram, mas já está caindo. Ainda que o BC tenha elevado para US$ 21 bilhões a sua previsão de déficit para este ano, quando se compara o déficit de cada mês, nota-se que ele está perdendo o fôlego. Há alguns sinais de arrefecimento da demanda, como o nível de atividade da indústria paulista, divulgado ontem. O desemprego continua caindo. O dado de ontem, de maio, de 7,9%, é cinco pontos percentuais mais baixo que o de maio de 2004. Mas o risco, em um mercado de trabalho aquecido, é de religar o círculo de reajuste para compensar a inflação, o que leva a mais inflação.
O choque inflacionário é, em parte, global, contudo chegou ao Brasil quando o crescimento estava se acelerando. É global, mas o combate a ele tem que ser local.
O Banco Central reviu a previsão de inflação do ano para longe do centro da meta, mas ainda na banda de flutuação: 6%. Mas sinais de pressão são vistos em outros índices. O IGP-M que será divulgado hoje pode ficar perto de 2%. Se assim for, levará a inflação acumulada em 12 meses a superar 13%. Esses são tempos desafiadores e escorregadios. Qualquer erro na condução da política econômica é mais perigoso agora do que quando o mundo parecia viver o tempo sem risco do crescimento sem inflação.
Leia o Panorama Econômico desta quinta-feira.
Panorama Econômico
Mulher moderna
Para a mulher independente, sempre dona dos seus próprios pensamentos e posições, que nos anos 50 rompia pela inteligência os limites que sempre aprisionaram a mulher, era difícil aceitar um rótulo de significado tão velho quanto o de “primeira-dama”. Foi por isso — e não por uma idiossincrasia qualquer — que a antropóloga Ruth Cardoso avisou à imprensa que não gostava do termo.
Perdeu essa pequena batalha, porque os jornais continuaram usando o mesmo e surrado rótulo. Ganhou a guerra, ao revolucionar o papel exercido pela mulher do presidente. Não interferia no governo, mas influenciava as políticas públicas; não aceitou ser a repetidora de políticas assistencialistas e mudou o rumo das políticas sociais; conservava sua independência de pensamento e não provocava polêmicas. Hillary Clinton também era mulher independente e inteligente, mas, ao tentar mudar o Health Care americano, invadiu o espaço de quem foi eleito para governar e fez um projeto polêmico. Depois se viu que ela queria mesmo era fazer sua própria carreira na política. Cristina Kirchner já tinha um caminho próprio na política, no entanto, ao suceder ao marido, continua à sua sombra.
Reinventar de forma contemporânea esse papel é uma arte difícil na qual Ruth Cardoso mostrou maestria. Como o velho script não lhe servia, criou um roteiro novo. A LBA, que trazia a marca indelével de assistencialista e que, no governo Collor, foi alvo de denúncias de corrupção, foi fechada. O Comunidade Solidária era um conceito inteiramente novo. O órgão era um articulador e não um executor de políticas, por isso tinha orçamento enxuto e poucos funcionários. Ruth fazia a articulação entre financiadores privados de políticas sociais — fossem empresas ou instituições — e as vítimas das tragédias sociais brasileiras. Uma companhia, por exemplo, era convocada a adotar uma cidade com alto índice de analfabetismo. O Comunidade Solidária ligava quem podia participar desse mutirão e os que necessitavam as ações do Estado e da elite brasileira.
Ruth convocava intelectuais, especialistas, profissionais de diversas áreas para encontros de avaliação das políticas públicas. Ela comandava horas seguidas de reunião em que as pessoas de fora do governo falavam livremente. As críticas mais duras não a abalavam. Com sua experiência de coordenação de debate acadêmico, extraía das críticas e apoios o que era útil para aperfeiçoar as políticas. Foi assim que levou para o governo várias idéias novas.
Ela achava, por exemplo, que o Brasil precisava incentivar o voluntariado que, em outros países, leva multidões à prática de ações, individualmente pequenas, mas que na soma mudam realidades. Conseguiu isso. Hoje o voluntariado é mais disseminado no país. Para construir essa nova atitude, não hesitou em resgatar um velho símbolo do governo militar: o Projeto Rondon, em que universitários vão a áreas remotas do Brasil.
Ruth manteve suas atividades intelectuais, a participação em debates e seminários acadêmicos e até em cursos nas universidades. Durante o governo Fernando Henrique, chegou a passar pequenos períodos em universidades americanas dando cursos na sua área de especialização: a antropologia.
Sua obsessão era a educação, Ruth foi a vida inteira uma educadora num país em que este tem sido — e vai continuar sendo por muito tempo — o grande calcanhar-de-aquiles, mas ela tinha idéias próprias, de como fazer o resgate dos analfabetos até o papel das universidades públicas.
Não é fácil modernizar sem provocar controvérsias, não é fácil revolucionar sendo discreta. Mas Ruth conseguiu isso tanto no papel requerido e esperado da mulher do presidente da República, quanto na orientação das políticas sociais no Brasil. Foi ela quem levou para nível federal uma política que nasceu em Campinas, na administração do PSDB, o Bolsa Escola. Depois de Campinas, a proposta tinha evoluído pela ação de outros partidos, como o PT, então com Cristovam Buarque, e o PSB, na época com Célio de Castro. Quando chegou ao governo federal, o Bolsa Escola acabou sendo o embrião para o Bolsa Família, um programa muito mais amplo. Ruth ajudou, assim, os brasileiros — seja acadêmicos especializados em políticas de combate à pobreza, militantes de causas sociais ou políticos, de diversos partidos — nesta construção coletiva de uma política social mais moderna. Não mais a cesta básica, mas, sim, a transferência de renda direta aos mais pobres. Não mais a dívida eterna dos de menor renda a um político específico, mas a construção do cidadão portador de direitos. Hoje essa idéia se firmou e evolui sob críticas e aperfeiçoamentos, com retrocessos e avanços, mas já é vitoriosa. Ainda que as velhas práticas não tenham sido varridas. O velho sempre teima em ficar, porém, na luta com o novo, vai se enfraquecendo.
Ruth deixou sua marca nessa caminhada coletiva por um país mais moderno e mais justo; deixou sua marca no pensamento brasileiro com seus livros, cursos e teses que orientou; deixou sua marca na história do avanço da mulher brasileira. Não venceu o rótulo, ainda é perseguida pelo título de que não gostava, ainda é definida nos jornais como a ex-“primeira-dama”. Mas sua atitude renovou o rótulo. Hoje o país já sabe que esse papel pode ser contemporâneo.
Dupla face
Esta não é uma conjuntura econômica simples. Por um lado, o país vive a sensação da animação com a economia crescendo, aumentando investimentos, diminuindo a taxa de desemprego; por outro, a inflação está subindo, assim como os juros, o déficit em transações correntes reapareceu, o mundo vive um surto inflacionário e um choque de petróleo. Que remédios usar num contexto assim?
Conversas com empresários de qualquer área mostram sempre a mesma dupla face da economia: as vendas crescendo, empresas com dificuldades de atender à demanda e, por outro lado, a pressão de preços e custos. O governo tem dado sinais contraditórios: aumentos de gastos e juras de manutenção da política de combate à inflação; diagnósticos superficiais sobre riscos inflacionários e altas nas taxas de juros.
Entrevistei dois economistas com visões diferentes no “Espaço Aberto”, da Globonews. Ambos estão preocupados com a alta dos preços, mas vêem de forma diferente a ação do Banco Central sobre a expansão do crédito e têm avaliações distintas sobre os riscos do déficit em transações correntes.
O ex-presidente do Banco Central Gustavo Loyola acha que o BC deve evitar qualquer medida artificial de controle do crédito, mesmo reconhecendo que essa é uma das razões do aquecimento da demanda. Ele acredita que tentativas de controlar o mercado de crédito acabam gerando distorções que levam a novas tentativas frustradas de regulação. Acha que o mercado se ajustará, pois os próprios bancos acabarão restringindo o crédito.
O professor Luiz Gonzaga Belluzzo vê um risco de aumento rápido da inadimplência; e acha que o Banco Central não pode acreditar que o mercado resolverá isso sozinho. Lembra que, nos Estados Unidos, foi exatamente a falta de atuação do Fed que permitiu as inúmeras distorções que levaram à atual crise de crédito. Belluzzo considera que há uma distância enorme entre os excessos que ocorreram lá e os primeiros problemas aqui, mas acredita que a regulação do BC pode prevenir uma crise de inadimplência.
Os números de conta corrente deixam Belluzzo desconfortável, mas Loyola acha que o câmbio flutuante é suficiente para reequilibrar a conta corrente e que agora o déficit está sendo financiado pela entrada de investimentos externos. Belluzzo pondera que, se o câmbio flutuante resolvesse sozinho, o dólar deveria estar subindo, já que o déficit externo reapareceu.
Ambos concordam que o governo deve cortar gastos para ajudar a política monetária e que os juros têm, sim, que subir neste momento. Para Loyola, o governo deveria perseguir a meta de déficit nominal zero; Belluzzo lembra que isso é mais difícil agora, com os juros subindo, o que vai elevar os gastos do governo. Na opinião dele, o Banco Central perdeu chances no passado, quando tudo estava bem, de derrubar mais fortemente a taxa de juros. $evitaria a apreciação forte do real e poderia evitar também o atual déficit em conta corrente. Loyola discorda do reajuste do Bolsa Família neste momento em que o país precisa esfriar o consumo para reduzir o risco inflacionário. Belluzzo acha o reajuste correto, mas discorda da generosidade com que o governo elevou os salários de algumas categorias profissionais do setor público.
Nos últimos anos, os consensos entre os economistas aumentaram, mas, em épocas assim, de decisões difíceis, as divergências voltam. Belluzzo faz parte do conselho de economistas que o presidente Lula reúne para analisar a situação econômica. Conta que lá também há divergências, explicitadas claramente, apesar de dois dos participantes serem o ministro da Fazenda e o presidente do Banco Central. Belluzzo, que no passado já esteve em lado oposto ao do então ministro Delfim Netto, diz que concorda cada vez mais com ele.
O debate deve ajudar o governo nas decisões a tomar nos próximos meses. Não há fórmula mágica, e algumas medidas que parecem certas levam a muitas distorções. Os perigos que estão à espreita não podem ser negligenciados. O déficit em conta corrente aumentou mais rápido que os economistas imaginaram, mas já está caindo. Ainda que o BC tenha elevado para US$ 21 bilhões a sua previsão de déficit para este ano, quando se compara o déficit de cada mês, nota-se que ele está perdendo o fôlego. Há alguns sinais de arrefecimento da demanda, como o nível de atividade da indústria paulista, divulgado ontem. O desemprego continua caindo. O dado de ontem, de maio, de 7,9%, é cinco pontos percentuais mais baixo que o de maio de 2004. Mas o risco, em um mercado de trabalho aquecido, é de religar o círculo de reajuste para compensar a inflação, o que leva a mais inflação.
O choque inflacionário é, em parte, global, contudo chegou ao Brasil quando o crescimento estava se acelerando. É global, mas o combate a ele tem que ser local.
O Banco Central reviu a previsão de inflação do ano para longe do centro da meta, mas ainda na banda de flutuação: 6%. Mas sinais de pressão são vistos em outros índices. O IGP-M que será divulgado hoje pode ficar perto de 2%. Se assim for, levará a inflação acumulada em 12 meses a superar 13%. Esses são tempos desafiadores e escorregadios. Qualquer erro na condução da política econômica é mais perigoso agora do que quando o mundo parecia viver o tempo sem risco do crescimento sem inflação.
Leia o Panorama Econômico desta quinta-feira.
Panorama Econômico
Mulher moderna
Para a mulher independente, sempre dona dos seus próprios pensamentos e posições, que nos anos 50 rompia pela inteligência os limites que sempre aprisionaram a mulher, era difícil aceitar um rótulo de significado tão velho quanto o de “primeira-dama”. Foi por isso — e não por uma idiossincrasia qualquer — que a antropóloga Ruth Cardoso avisou à imprensa que não gostava do termo.
Perdeu essa pequena batalha, porque os jornais continuaram usando o mesmo e surrado rótulo. Ganhou a guerra, ao revolucionar o papel exercido pela mulher do presidente. Não interferia no governo, mas influenciava as políticas públicas; não aceitou ser a repetidora de políticas assistencialistas e mudou o rumo das políticas sociais; conservava sua independência de pensamento e não provocava polêmicas. Hillary Clinton também era mulher independente e inteligente, mas, ao tentar mudar o Health Care americano, invadiu o espaço de quem foi eleito para governar e fez um projeto polêmico. Depois se viu que ela queria mesmo era fazer sua própria carreira na política. Cristina Kirchner já tinha um caminho próprio na política, no entanto, ao suceder ao marido, continua à sua sombra.
Reinventar de forma contemporânea esse papel é uma arte difícil na qual Ruth Cardoso mostrou maestria. Como o velho script não lhe servia, criou um roteiro novo. A LBA, que trazia a marca indelével de assistencialista e que, no governo Collor, foi alvo de denúncias de corrupção, foi fechada. O Comunidade Solidária era um conceito inteiramente novo. O órgão era um articulador e não um executor de políticas, por isso tinha orçamento enxuto e poucos funcionários. Ruth fazia a articulação entre financiadores privados de políticas sociais — fossem empresas ou instituições — e as vítimas das tragédias sociais brasileiras. Uma companhia, por exemplo, era convocada a adotar uma cidade com alto índice de analfabetismo. O Comunidade Solidária ligava quem podia participar desse mutirão e os que necessitavam as ações do Estado e da elite brasileira.
Ruth convocava intelectuais, especialistas, profissionais de diversas áreas para encontros de avaliação das políticas públicas. Ela comandava horas seguidas de reunião em que as pessoas de fora do governo falavam livremente. As críticas mais duras não a abalavam. Com sua experiência de coordenação de debate acadêmico, extraía das críticas e apoios o que era útil para aperfeiçoar as políticas. Foi assim que levou para o governo várias idéias novas.
Ela achava, por exemplo, que o Brasil precisava incentivar o voluntariado que, em outros países, leva multidões à prática de ações, individualmente pequenas, mas que na soma mudam realidades. Conseguiu isso. Hoje o voluntariado é mais disseminado no país. Para construir essa nova atitude, não hesitou em resgatar um velho símbolo do governo militar: o Projeto Rondon, em que universitários vão a áreas remotas do Brasil.
Ruth manteve suas atividades intelectuais, a participação em debates e seminários acadêmicos e até em cursos nas universidades. Durante o governo Fernando Henrique, chegou a passar pequenos períodos em universidades americanas dando cursos na sua área de especialização: a antropologia.
Sua obsessão era a educação, Ruth foi a vida inteira uma educadora num país em que este tem sido — e vai continuar sendo por muito tempo — o grande calcanhar-de-aquiles, mas ela tinha idéias próprias, de como fazer o resgate dos analfabetos até o papel das universidades públicas.
Não é fácil modernizar sem provocar controvérsias, não é fácil revolucionar sendo discreta. Mas Ruth conseguiu isso tanto no papel requerido e esperado da mulher do presidente da República, quanto na orientação das políticas sociais no Brasil. Foi ela quem levou para nível federal uma política que nasceu em Campinas, na administração do PSDB, o Bolsa Escola. Depois de Campinas, a proposta tinha evoluído pela ação de outros partidos, como o PT, então com Cristovam Buarque, e o PSB, na época com Célio de Castro. Quando chegou ao governo federal, o Bolsa Escola acabou sendo o embrião para o Bolsa Família, um programa muito mais amplo. Ruth ajudou, assim, os brasileiros — seja acadêmicos especializados em políticas de combate à pobreza, militantes de causas sociais ou políticos, de diversos partidos — nesta construção coletiva de uma política social mais moderna. Não mais a cesta básica, mas, sim, a transferência de renda direta aos mais pobres. Não mais a dívida eterna dos de menor renda a um político específico, mas a construção do cidadão portador de direitos. Hoje essa idéia se firmou e evolui sob críticas e aperfeiçoamentos, com retrocessos e avanços, mas já é vitoriosa. Ainda que as velhas práticas não tenham sido varridas. O velho sempre teima em ficar, porém, na luta com o novo, vai se enfraquecendo.
Ruth deixou sua marca nessa caminhada coletiva por um país mais moderno e mais justo; deixou sua marca no pensamento brasileiro com seus livros, cursos e teses que orientou; deixou sua marca na história do avanço da mulher brasileira. Não venceu o rótulo, ainda é perseguida pelo título de que não gostava, ainda é definida nos jornais como a ex-“primeira-dama”. Mas sua atitude renovou o rótulo. Hoje o país já sabe que esse papel pode ser contemporâneo.
Lucia Hippolito: " Mais polêmico que o presidente Lula, só mesmo a Dilma Rousseff"
Ouça o comentário de hoje no Jornal da CBN, 1ª edição
" Depois do presidente Lula, naturalmente, Dilma Roussef foi a principal personagem da política brasileira no primeiro semestre de 2008. Por conta dos eventos do PAC, alcançou grande visibilidade. Sempre ao lado do presidente, Dilma teve fantástica presença na mídia.
A personagem é polêmica, e está longe da unanimidade. Muito longe.
Seus aliados a consideram uma técnica competente, rigorosa na fiscalização da atuação dos outros ministros, firme no trato com os subordinados. Sob sua administração, o PAC é um sucesso.
Seus opositores a consideram truculenta, autoritária, ríspida, atrabiliária, e não muito competente, haja visto que muitas obras do PAC são pura ficção, nem saíram do papel, enquanto pipocam notícias de que a Polícia Federal prende envolvidos com corrupção em obras do PAC em várias regiões do país.
(Esta divisão entre aliados e opositores não corresponde necessariamente à divisão entre governo e oposição.)
Dilma também foi protagonista dos dois escândalos que agitaram a política no primeiro semestre: a elaboração e divulgação de dossiê com despesas pessoais do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso e sua mulher, a antropóloga Ruth Cardoso, e o escândalo da venda da Varig.
Quando os gastos com cartão corporativo por membros do governo Lula ameaçavam tornar-se assunto de CPI, Dilma afirmou a empresários, num jantar em São Paulo, que o governo estava preparando munição para reagir às acusações da oposição.
Quando começaram a sair as primeiras notícias de um dossiê com as despesas do ex-presidente, Dilma telefonou pessoalmente a Ruth Cardoso e negou categoricamente a existência do tal dossiê.
Depois, quando foi confirmada a existência do dossiê, Dilma afirmou que se tratava de um “banco de dados”.
Finalmente, descobriu-se que, não só o dossiê existia, mas tinha sido elaborado dentro da Casa Civil da Presidência da República e foi vazado por obra e graça de um alto funcionário da Casa Civil, petista histórico.
No segundo escândalo, Dilma foi acusada por Denise Abreu, ex-diretora da Anac, de pressionar pela venda da Varig, atendendo a interesses do advogado Roberto Teixeira, compadre do presidente Lula.
Como sempre, quando é apanhada em falso, a ministra Dilma negou tudo, afirmando mesmo que jamais tinha recebido o advogado Roberto Teixeira no Planalto.
Confrontada com a publicação das várias visitas de Roberto Teixeira ao Planalto, Dilma lembrou-se de que, sim, tinha tido duas reuniões com Roberto Teixeira e sua filha, para tratar da venda da Varig.
Fica parecendo que a ministra Dilma Roussef tem relações cerimoniosas e distantes com a verdade.
Finalmente, Dilma termina o semestre investigada pela Comissão de Ética Pública da Presidência da República. A Comissão vai avaliar se ela pressionou a Anac no caso da venda da VarigLog e se cometeu deslize ético quando teve duas reuniões com o advogado Roberto Teixeira.
(Neste caso, as reuniões não constavam da agenda pública da ministra. O Decreto nº 4.334, de 12.08.2002, que dispõe sobre as audiências concedidas a particulares por agentes públicos – caso das reuniões da ministra com o advogado Roberto Teixeira, nas dependências do Palácio do Planalto – é taxativo: estas reuniões devem ser acompanhadas por outro servidor e registradas, com a anotação das pessoas presentes e dos assuntos tratados. Não foi o que ocorreu.)
É altamente improvável que a Comissão recomende ao presidente Lula a demissão da ministra Dilma Roussef. Mas que ela descumpriu um decreto da Presidência da República, parece não haver dúvida.
Por tudo isso, por toda a exposição e por suas estripulias, a ministra Dilma Roussef é, indiscutivelmente, a personagem do primeiro semestre.
Não tem para ninguém. "
" Depois do presidente Lula, naturalmente, Dilma Roussef foi a principal personagem da política brasileira no primeiro semestre de 2008. Por conta dos eventos do PAC, alcançou grande visibilidade. Sempre ao lado do presidente, Dilma teve fantástica presença na mídia.
A personagem é polêmica, e está longe da unanimidade. Muito longe.
Seus aliados a consideram uma técnica competente, rigorosa na fiscalização da atuação dos outros ministros, firme no trato com os subordinados. Sob sua administração, o PAC é um sucesso.
Seus opositores a consideram truculenta, autoritária, ríspida, atrabiliária, e não muito competente, haja visto que muitas obras do PAC são pura ficção, nem saíram do papel, enquanto pipocam notícias de que a Polícia Federal prende envolvidos com corrupção em obras do PAC em várias regiões do país.
(Esta divisão entre aliados e opositores não corresponde necessariamente à divisão entre governo e oposição.)
Dilma também foi protagonista dos dois escândalos que agitaram a política no primeiro semestre: a elaboração e divulgação de dossiê com despesas pessoais do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso e sua mulher, a antropóloga Ruth Cardoso, e o escândalo da venda da Varig.
Quando os gastos com cartão corporativo por membros do governo Lula ameaçavam tornar-se assunto de CPI, Dilma afirmou a empresários, num jantar em São Paulo, que o governo estava preparando munição para reagir às acusações da oposição.
Quando começaram a sair as primeiras notícias de um dossiê com as despesas do ex-presidente, Dilma telefonou pessoalmente a Ruth Cardoso e negou categoricamente a existência do tal dossiê.
Depois, quando foi confirmada a existência do dossiê, Dilma afirmou que se tratava de um “banco de dados”.
Finalmente, descobriu-se que, não só o dossiê existia, mas tinha sido elaborado dentro da Casa Civil da Presidência da República e foi vazado por obra e graça de um alto funcionário da Casa Civil, petista histórico.
No segundo escândalo, Dilma foi acusada por Denise Abreu, ex-diretora da Anac, de pressionar pela venda da Varig, atendendo a interesses do advogado Roberto Teixeira, compadre do presidente Lula.
Como sempre, quando é apanhada em falso, a ministra Dilma negou tudo, afirmando mesmo que jamais tinha recebido o advogado Roberto Teixeira no Planalto.
Confrontada com a publicação das várias visitas de Roberto Teixeira ao Planalto, Dilma lembrou-se de que, sim, tinha tido duas reuniões com Roberto Teixeira e sua filha, para tratar da venda da Varig.
Fica parecendo que a ministra Dilma Roussef tem relações cerimoniosas e distantes com a verdade.
Finalmente, Dilma termina o semestre investigada pela Comissão de Ética Pública da Presidência da República. A Comissão vai avaliar se ela pressionou a Anac no caso da venda da VarigLog e se cometeu deslize ético quando teve duas reuniões com o advogado Roberto Teixeira.
(Neste caso, as reuniões não constavam da agenda pública da ministra. O Decreto nº 4.334, de 12.08.2002, que dispõe sobre as audiências concedidas a particulares por agentes públicos – caso das reuniões da ministra com o advogado Roberto Teixeira, nas dependências do Palácio do Planalto – é taxativo: estas reuniões devem ser acompanhadas por outro servidor e registradas, com a anotação das pessoas presentes e dos assuntos tratados. Não foi o que ocorreu.)
É altamente improvável que a Comissão recomende ao presidente Lula a demissão da ministra Dilma Roussef. Mas que ela descumpriu um decreto da Presidência da República, parece não haver dúvida.
Por tudo isso, por toda a exposição e por suas estripulias, a ministra Dilma Roussef é, indiscutivelmente, a personagem do primeiro semestre.
Não tem para ninguém. "
"Farra" de Suplentes - Alternância de Senadores e Suplentes no Senado
O problema se concretizou, hoje são 20 suplentes, em 81 senadores, isto é, 24% da casa.
Isto significa que decisões vitais para o país são tomadas por pessoas que não tiveram um único voto do eleitor.
O escândalo do suplente de senador atingiu seu ponto máximo. Já ultrapassou todos os limites de tolerância.
O suplente de senador sempre foi um problema, desde a Constituição de 88, mas ficou particularmente agudo nos últimos tempos.
A lei eleitoral permite que cada candidato ao Senado concorra com dois suplentes. Em caso de renúncia, cassação, licença ou falecimento do titular, o primeiro suplente assume.
Em geral, candidatos escolhem para suplente o pai, outros escolhem o filho. Aí seria apenas compadrio, clientelismo.
A coisa fica mais séria quando alguns escolhem como suplente o “Espírito Santo”: um empresário, que financia a campanha do titular. Depois o titular se licencia, e o suplente assume, para aprovar ou barrar projetos de seu interesse.
Em vários estados, este acerto já é feito antes da eleição. O empresário financia a campanha do senador, que entra em licença, e o empresário assume para defender seus interesses no Senado.
Pesquisando nas minhas anotações encontrei que no dia 23/11/2007, publiquei neste blog um comentário sobre as vacâncias nas cadeiras do Senado Federal. Relembre-o abaixo.
Isso já vem acontecendo a muito tempo, mas agora como o senado ficou em evidência depois de todos esses problemas embarcados é que estamos vizualizando a coisa como realmente ela é.
O acontece no geral?
Senador é eleito com dois suplentes, mas o nome deles não consta na cédula, então não é preciso dar satisfação à justiça de quem é que ele (senador) está carregando consigo.
No geral é o financiador da campanha, ou o pai, ou o filho, alguém da família e com isso arrasta para o senado gente que não teve um único voto. Mas, acontece que o sujeito assume e decide do mesmo jeito que um senador realmente eleito.
Por exemplo:
Senador Sibá Machado (PT-AC), é suplente da Senadora Marina Silva que foi nomeada ministra do Meio Ambiente pelo presidente Lula, e está no cargo até hoje. Sibá não teve nenhum único voto, mas é um dos três senadores representante do estado do Acre:vota lei, parcela orçamento, libera imendas, paupita sobre recurso, etc.
Outro exemplo:
Senador Wellington Salgado de Oliveira (PMDB-MG), suplente do ministro Hélio Costa, e por aí vai...
O que acontece é que o Brasil está vivendo hoje uma espécie de República dos Senadores, em que o senador não arrisca nada, então ele é eleito e daqui 4 anos, ou é colocado num ministério, ou candidato à presidência da replública, ou vice-presidente, governador, ou...(caso ele renuncie).
Desde José Sarney até agora com José Alencar, quando os dois não foram senadores, um deles foi,e tornou-se presidente ou vice. com isso os suplentes vão assumindo.
A proposta mais correta seria que o segundo mais votado assumisse como aconteceu em 1978 , Franco Montoro e FHC, ambos candidatos, Montoro foi eleito e FHC ficou em 2° lugar. Em 1982, Montoro renunciou o mandato e FHC assumiu.
Mesmo com a pluralidade partidária, deveria ser o mais votado que assumiria o posto de senador.
Agora, nos EUA a coisa é diferente.
São apenas dois senadores por estado, não há suplente, quando o cargo fica vago o governador daquele estado indica alguém para completar o mandato.
A proposta que está na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do senado, hoje, relatada pelo senador Demóstenes prevê o seguinte: toda vez que vagar o cargo de senador, faz-se uma nova eleição no estado, para se escolher o novo senador, agora se a vacância ocorrer no último ano então o suplente assume.
Essa proposta prevê ainda que o senador titular renuncie ao cargo quando se candidatar ao executivo no meio do mandato ou então para assumir ministérios.
Então, analisando novamente o Governo Lula:
O Senador Hélio Costa foi nomeado ministro das Comunicações, renuncia ao cargo,mas como ele ainda está na 1ª metade do mandato , em vez do Senador Wellington Salgado assumir a cadeira faz uma eleição em Minas Gerais, segundo essa proposta. Caso fosse no último ano do mandato aí sim o Senador Wellington assumiria.
Em suma, já é um avanço, pois está se encarando com seriedade está "farra" do suplente de senador, ou seja, senador sem voto que assume e depois passa a participar da vida nacional.
Vamos esperar para ver como esse projeto caminha pela CCJ e depois pelo plenário. mas, é importante essa discussão, pois a hora é essa.
Isto significa que decisões vitais para o país são tomadas por pessoas que não tiveram um único voto do eleitor.
O escândalo do suplente de senador atingiu seu ponto máximo. Já ultrapassou todos os limites de tolerância.
O suplente de senador sempre foi um problema, desde a Constituição de 88, mas ficou particularmente agudo nos últimos tempos.
A lei eleitoral permite que cada candidato ao Senado concorra com dois suplentes. Em caso de renúncia, cassação, licença ou falecimento do titular, o primeiro suplente assume.
Em geral, candidatos escolhem para suplente o pai, outros escolhem o filho. Aí seria apenas compadrio, clientelismo.
A coisa fica mais séria quando alguns escolhem como suplente o “Espírito Santo”: um empresário, que financia a campanha do titular. Depois o titular se licencia, e o suplente assume, para aprovar ou barrar projetos de seu interesse.
Em vários estados, este acerto já é feito antes da eleição. O empresário financia a campanha do senador, que entra em licença, e o empresário assume para defender seus interesses no Senado.
Pesquisando nas minhas anotações encontrei que no dia 23/11/2007, publiquei neste blog um comentário sobre as vacâncias nas cadeiras do Senado Federal. Relembre-o abaixo.
Isso já vem acontecendo a muito tempo, mas agora como o senado ficou em evidência depois de todos esses problemas embarcados é que estamos vizualizando a coisa como realmente ela é.
O acontece no geral?
Senador é eleito com dois suplentes, mas o nome deles não consta na cédula, então não é preciso dar satisfação à justiça de quem é que ele (senador) está carregando consigo.
No geral é o financiador da campanha, ou o pai, ou o filho, alguém da família e com isso arrasta para o senado gente que não teve um único voto. Mas, acontece que o sujeito assume e decide do mesmo jeito que um senador realmente eleito.
Por exemplo:
Senador Sibá Machado (PT-AC), é suplente da Senadora Marina Silva que foi nomeada ministra do Meio Ambiente pelo presidente Lula, e está no cargo até hoje. Sibá não teve nenhum único voto, mas é um dos três senadores representante do estado do Acre:vota lei, parcela orçamento, libera imendas, paupita sobre recurso, etc.
Outro exemplo:
Senador Wellington Salgado de Oliveira (PMDB-MG), suplente do ministro Hélio Costa, e por aí vai...
O que acontece é que o Brasil está vivendo hoje uma espécie de República dos Senadores, em que o senador não arrisca nada, então ele é eleito e daqui 4 anos, ou é colocado num ministério, ou candidato à presidência da replública, ou vice-presidente, governador, ou...(caso ele renuncie).
Desde José Sarney até agora com José Alencar, quando os dois não foram senadores, um deles foi,e tornou-se presidente ou vice. com isso os suplentes vão assumindo.
A proposta mais correta seria que o segundo mais votado assumisse como aconteceu em 1978 , Franco Montoro e FHC, ambos candidatos, Montoro foi eleito e FHC ficou em 2° lugar. Em 1982, Montoro renunciou o mandato e FHC assumiu.
Mesmo com a pluralidade partidária, deveria ser o mais votado que assumiria o posto de senador.
Agora, nos EUA a coisa é diferente.
São apenas dois senadores por estado, não há suplente, quando o cargo fica vago o governador daquele estado indica alguém para completar o mandato.
A proposta que está na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do senado, hoje, relatada pelo senador Demóstenes prevê o seguinte: toda vez que vagar o cargo de senador, faz-se uma nova eleição no estado, para se escolher o novo senador, agora se a vacância ocorrer no último ano então o suplente assume.
Essa proposta prevê ainda que o senador titular renuncie ao cargo quando se candidatar ao executivo no meio do mandato ou então para assumir ministérios.
Então, analisando novamente o Governo Lula:
O Senador Hélio Costa foi nomeado ministro das Comunicações, renuncia ao cargo,mas como ele ainda está na 1ª metade do mandato , em vez do Senador Wellington Salgado assumir a cadeira faz uma eleição em Minas Gerais, segundo essa proposta. Caso fosse no último ano do mandato aí sim o Senador Wellington assumiria.
Em suma, já é um avanço, pois está se encarando com seriedade está "farra" do suplente de senador, ou seja, senador sem voto que assume e depois passa a participar da vida nacional.
Vamos esperar para ver como esse projeto caminha pela CCJ e depois pelo plenário. mas, é importante essa discussão, pois a hora é essa.
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