quarta-feira, 23 de setembro de 2009

XV Seminário de Pesquisa do CCSA - UFRN

Autoestima: Um estudo de caso em discentes do curso superior

Alberto Carlos Teixeira Alvarães*

Entre os meses de outubro e novembro de 2008 no Centro Universitário Uniabeu, Campus Belford Roxo, no Rio de Janeiro, foi aplicada a pesquisa com temática relacionada à autoestima dos discentes de dez cursos de graduação desta instituição, etapa referente ao desenvolvimento do Projeto de Extensão CDHU (Centro de Desenvolvimento Humano Uniabeu).

Antes de qualquer informação ser tratada aqui, devemos entender alguns fundamentos para solidificar nossa compreensão em torno de peculiaridades do contexto.

As questões do instrumento da pesquisa, questionário, que foi utilizado para corroborar os dados analisados, abordam os elementos que influenciam a autoestima do sujeito tanto na dimensão existencial quanto na dimensão profissional.

Elementos como aparência física, segurança financeira, vigor físico, estabilidade no emprego, vigor mental, reconhecimento de autopotencial, realização profissional , autoestima de si em relação à autoestima dos outros, inteligência, definição de metas de vida, felicidade, submissão, ansiedade, solidão, preocupação com as outras pessoas, relacionamento interpessoal, atenção dos outros e resiliência na mudança, foram abordados na pesquisa.

Na dimensão existencial, a fundamentação teórica escolhida abrangeu os conceitos de super-homem e vontade de poder de Nietzsche, e a hierarquia das necessidades de Maslow, isto é, se o sujeito experimenta dificuldades de atingir a condição de ser potência, de superação, do conceito de super-homem em Nietzsche, poderá estar, segundo a teoria de Maslow, carente da satisfação de suas necessidades sociais e de estima pelos outros. Nesses níveis, sendo eles intermediários, o ser humano está submetido tanto a estímulos externos quanto internos. Pode-se prover que se, de alguma maneira, o ser humano não estiver consciente desses fatores internos ou, até mesmo, redireciona-los para o exterior contra ele mesmo, estará provavelmente extirpando as suas possibilidades de autorealização, de potência, pois não logrará motivação própria para isto.

Agora, na dimensão profissional, foram utilizados os conceitos de crenças limitantes de O’Connor. Segundo este conceito, as crenças são generalizações que fazemos sobre todos os elementos que nos envolvem e que acreditamos ser verdadeiros, pelo menos, para nós. Outro ponto relevante trata-se da teoria motivacional de Herzberg, que discute a problemática de haver fatores que causariam insatisfação e aqueles que seriam responsáveis pela satisfação no ambiente de trabalho.

Contudo, após a catalogação dos dados pode-se analisar que alguns quesitos merecem maior atenção.

Sobre o contexto Inteligência, observou-se que 67% dos respondentes não estão satisfeitos com sua atual capacidade intelectual, enfatizando que apenas 6% estão plenamente satisfeitos. Isso é um problema.

No ponto Metas de Vida, a situação se mostra mais calma. Entre os entrevistados, 65% afirmaram possuir metas de vida claramente definidas. Entretanto, 48% evidencia satisfação com as realizações de seu passado, e apenas 30% demonstraram estarem satisfeitas com as realizações no presente. Mas em relação ao âmbito profissional, 25% dos entrevistados se consideram realizados, 41% não estão realizados e apenas 49% reconhecem em si o potencial para esta realização.

Agora, o item Atenção dos Outros aponta entre os respondentes que há uma “falta de atenção” dos diversos grupos como amigos (6%), parentes (24%), professores (27%) e sociedade em geral (27%) em relação àqueles.

Em termos de Ansiedade, pode-se constatar que 49% dos respondentes se sentem muito ansiosos no seu dia-a-dia, mas apenas 24% declararam não se sentirem ansiosos.

Medos, elementos como mudanças na vida, morrer, magoar as outras pessoas e errar no julgamento do que é certo ou errado, representaram respectivamente 24%, 30%, 33% e 53%. Isso significa que as pessoas optam por manter um relacionamento pacífico com os outros componentes do seu grupo.

Agora, foi nas Necessidades Básicas que se verificou uma maior relevância de preocupação: 79% dos respondentes classificam como mais importante a situação financeira e 70% a estabilidade no emprego. Neste quesito são constatados números robustos ligados à carreira e ao contexto financeiro.

Quanto ao Reconhecimento de Qualidades, foi constatado que apenas 8% responderam ter mais defeitos do que qualidades e menos da metade, isto é, 48% declararam ter mais qualidades do que defeitos.

Em suma, considerando todos os elementos levantados nas diversas questões é possível mensurar que entre os respondentes 50% deles, isto é, metade das pessoas que responderam ao questionário apresenta uma autoestima alta, seguida de 31% com autoestima indiferente e 19% de autoestima baixa.

Portanto, os números são infelizes, mas acredita-se que a cada dia as pessoas buscam mais e mais sua satisfação interna e externa. Entretanto, é uma pessoa com autoestima alta que tem o controle da sua própria vida, sente-se confiante em lidar com os contratempos e almeja alcançar sucesso na vida pessoal e profissional.

* Professor Alberto Carlos Teixeira Alvarães é autor-pesquisador e orientador da pesquisa com a colaboração dos bolsistas Ellyel dos Santos e Taisa Zeca Val Passos.

segunda-feira, 21 de setembro de 2009

XV Seminário de Pesquisa do CCSA - UFRN

Estou indo a Natal para participar do XV Seminário de Pesquisa do CCSA, centro vinculado a UFRN.

Durante 3 dias trataremos sobre os desafios da formação na sociedade do conhecimento.

Será um evento de grande valia para todos que fazem parte da disseminação do conhecimento no meio acadêmico.

Acompanhem as novidades através do blog.

sábado, 19 de setembro de 2009

A eleição está na rua

Lucia Hippolito

Como tudo o que interessa de perto a suas Excelências, as novas regras que vão nortear as eleições de 2010 foram aprovadas no Congresso.

Alguns pontos positivos foram conquistados.

O fim da censura à internet, delírio de alguns senadores que não têm a menor ideia de como funciona o cyberespaço, vai garantir a liberdade de expressão durante a campanha.

Claro que o direito de resposta é importante – e garantido pelas leis brasileiras.

Como também é o caso dos crimes contra a honra: calúnia, injúria e difamação.

Portanto, não há a menor necessidade de pretender censurar a internet, até porque qualquer pessoa pode inventar um pseudônimo, criar um blog ou um site e hospedá-lo num portal no exterior – e jamais será apanhado.

O voto em trânsito, outro tema importante, foi finalmente aprovado. Nas últimas eleições gerais, em 2006, cerca de 20 milhões de eleitores deixaram de votar porque estavam fora de seus domicílios eleitorais.

Por que os brasileiros residentes no exterior podiam comparecer a uma embaixada ou consulado e votar para presidente da República, e os brasileiros que estão fora de seus estados no dia da eleição não podiam fazer o mesmo, isto é, comparecer a uma seção eleitoral, apresentar seu título de eleitor ou sua identidade e votar para presidente?

Pois as novas regras permitem o voto em trânsito para presidente, para aqueles eleitores que estiverem nas capitais. Já é um avanço.

Ficou fora das novas regras a proibição de coligações em eleições proporcionais (deputado federal e estadual e vereador).

A coligação distorce a vontade do eleitor, que vota num candidato e vê seu voto utilizado para eleger outro completamente diferente.

As coligações eleitorais não têm como objetivo juntar partidos com alguma afinidade ideológica ou política.Seu objetivo é, pura e simplesmente, aumentar seu tempo de rádio e TV.

É por isso que as coligações juntam cobra, jacaré e elefante no mesmo palanque.

Mas, tanto os pequenos quanto os grandes partidos não estão interessados em valorizar a escolha do eleitor. Pensam apenas em se eleger, abraçado ao inimigo, que seja.

Finalmente, a questão da “ficha suja”.

Os parlamentares aprovaram a emenda proposta pelo senador Pedro Simon, que exige do candidato “reputação ilibada”. Conceito subjetivo, que deixa nas mãos do juiz eleitoral determinar quando um processo contra um candidato mancha ou não sua reputação.

Lamentavelmente, não foi aprovada proposta do senador Demóstenes Torres (DEM-GO), que exigia uma condenação em primeira instância para tornar o candidato inelegível.

Mesmo com a proverbial lentidão da justiça brasileira, uma condenação já é uma barreira concreta, que não depende do arbítrio do juiz eleitoral.

Em suma, entre poucos avanços, algum retrocesso e muitos equívocos, as regras para as eleições de 2010 estão aprovadas.

Agora, o próximo passo é o lançamento das candidaturas e a construção dos palanques nos estados.

2010 já começou.

Um correligionário no Supremo

Ruy Fabiano

PSDB e DEM têm posturas até aqui distintas em relação à indicação do advogado geral da União, José Antonio Dias Toffoli, para a vaga aberta no Supremo Tribunal Federal, com a morte do ministro Carlos Alberto Direito.

O PSDB promete rigor na sabatina do Senado, ainda não marcada, pois a indicação precisa ser formalizada pelo presidente Lula, que apenas convidou Toffoli, que imediatamente aceitou.

O DEM, segundo seu líder no Senado, José Agripino Maia (RN), “não tem nenhuma restrição ao cidadão Toffoli”. Não significa que irá ignorá-lo, mas apenas que não está predisposto a barrá-lo. Toffoli tem alguns complicadores políticos, que podem tornar problemática sua nomeação. Foi advogado do PT e de Lula até 2006, envolvendo-se na causa do Mensalão, submetida ao STF.

Foi também assessor jurídico da Casa Civil da Presidência da República ao tempo em que era titular José Dirceu, réu do Mensalão e apontado pelo procurador-geral da República como “chefe da organização criminosa” que protagonizou aquele escândalo.

O PSDB desconfia que a opção por Toffoli indica que o presidente pretende esvaziar o processo do Mensalão, cujo julgamento está previsto para o ano que vem, em plena campanha eleitoral. A ascensão pública de Toffoli está intimamente ligada a seu vínculo partidário e começa no governo Lula. Padeceria, dentro desse raciocínio, de falta de isenção. Seu vínculo com o partido não era apenas profissional, mas de militância.

Os petistas alegam que, por esse viés, o também ministro Carlos Ayres Britto, nomeado por Lula – e que votou contrariamente ao governo no caso da extradição do ex-guerrilheiro italiano Cesare Battisti – padeceria do mesmo mal, pois chegou até a se candidatar no passado pelo PT de Sergipe.

Ocorre que Britto teve militância regional e não padece de outra deficiência atribuída a Toffoli: inexperiência profissional.

Toffoli, que tem 42 anos incompletos, foi reprovado, no início de sua carreira, em dois concursos públicos para juiz. A parte mais substantiva de sua carreira profissional deu-se no PT.

A Constituição exige, para a nomeação aos tribunais superiores, “notório saber jurídico”. Toffoli não tem obras publicadas, a não ser artigos de jornal, e goza de prestígio proporcional à extensão de seu currículo. No STF, é mencionado como “aquele menino”.

Esse aspecto poderia até ser relevado pelo Senado, que jamais questionou a fundo nenhuma indicação de presidentes da República. Mas há o vínculo partidário e o momento particularmente delicado de sua indicação: a campanha sucessória do ano que vem. É esse de fato o nó da questão.

A oposição deposita grande expectativa no julgamento do Mensalão, cujo relator é o ministro Joaquim Barbosa, nomeado também por Lula.

A oposição não tem número para barrar Toffoli, mas pode fazer barulho.

A base governista, comandada por PT e PMDB, já se postou para que a liturgia tradicional seja cumprida, sem que o indicado corra riscos. Nos Estados Unidos, as indicações para a Suprema Corte costumam ser submetidas a rigorosa sabatina e, não raro, o indicado tem sua vida pregressa devassada. A sabatina pode durar semanas.

Em situação análoga, o Senado norte-americano barrou uma indicação de George W. Bush, em 2007. Bush quis nomear a advogada Harriet Miers, mas contra ela pesou o fato de que advogara para ele em 1994. Não teria, pois condições de julgar com isenção demandas que envolvessem o seu governo. Nada mais óbvio.

No caso de Miers, nem o fato de que 13 anos separavam aquele vínculo serviu de atenuante. No caso de Toffoli o prazo é bem menor: são apenas três anos, que incluem uma causa explosiva, ainda em curso: o Mensalão.

quinta-feira, 17 de setembro de 2009

Lindberg quer ser diferente de Mercadante

Deu em O Globo

O governador Sérgio Cabral (PMDB) está na torcida para que o presidente Lula enquadre o prefeito de Nova Iguaçu, Lindberg Farias (PT).

Circulando em Brasília ontem, Lindberg disse: "Nem com um pedido do presidente Lula retiro a candidatura" (ao governo do Rio).

Explicou que pegou mal para Aloizio Mercadante (PT-SP) ter renunciado à liderança no Senado e voltado atrás a pedido de Lula. E sentenciou: "Não vou deixar que cole em mim a imagem de frouxo".

É ver para crer!

terça-feira, 15 de setembro de 2009

Sem restrições, tudo pode!

O Senado derrubou, no fim da noite desta terça-feira, as restrições ao uso da internet nas campanhas eleitorais. E a reforma votada nesta terça prevê também nova eleição direta para substituir político que tiver o mandato cassado.

Havia um complicador para continuar a votação. O presidente do Senado, José Sarney, não concordava com eleição indireta em casos de cassação nos dois últimos anos de mandato de governadores e prefeitos. Mas os senadores chegaram a um acordo: independentemente da data de cassação, haverá nova eleição.

“Atinge os objetivos e o espírito daquilo que eu propus que era, basicamente, dar à população a última palavra das eleições e não deixar ao tribunal esta última palavra”, declarou o senador Tasso Jereissati

Os senadores mantiveram as regras aprovadas na Câmara para debates no rádio e na TV, que permitem convidar apenas os candidatos de partidos que elegeram pelo menos dez deputados federais. E mudaram o artigo sobre o funcionamento de sites de candidatos. Agora, eles poderão ficar no ar até no dia da eleição.

Mas ainda havia restrições para a campanha na internet. A proposta permite propaganda paga só para candidatos à presidência da República, em sites de notícias. Libera para a campanha gratuita apenas os blogs, devidamente assinados pelos autores, páginas pessoais como Orkut, ou de mensagens instantâneas como Twitter e correios eletrônicos. E proíbe empresas de comunicação na internet e páginas próprias de provedores de fazer campanha ou propaganda de graça.

O presidente do Senado defendeu a liberação total da internet: “Acho que é inteiramente impossível qualquer controle sobre a internet”, afirmou José Sarney.

Um entendimento de última hora permitiu que fossem retiradas do texto, as restrições para a campanha na internet. Só não será permitido o anonimato e está garantido o direito de resposta.

O projeto com as mudanças na lei eleitoral ainda tem de voltar para a Câmara. E, para valer nas eleições do ano que vem, ainda precisa ser assinado pelo presidente Lula até o dia 2 de outubro.

Veja abaixo os principais pontos aprovados pelo Senado da reforma eleitoral.

INTERNET SEM CENSURA: Acabam as restrições à cobertura jornalística na internet. É livre a manifestação de pensamento, vedado o anonimato durante a campanha, em toda a rede (sites jornalísticos, blogs, Orkut, Twitter, radioweb, mensagens eletrônicas,TVweb e outros), assegurado o direito de resposta. Representações pela utilização indevida da internet serão apreciadas na forma da lei.

PUBLICIDADE: Fica autorizada a propaganda paga na internet só para os candidatos à Presidência. Os anúncios não poderão exceder a um oitavo do espaço de sua página normal e serão permitidas até 24 inserções ao longo da campanha.


DEBATES: Podem participar candidatos de partidos com ao menos 10 deputados federais.


SITES: Candidatos poderão manter propaganda gratuita em seus sites até o dia da eleição. Propaganda paga, só até 48 horas antes da votação.


CASSAÇÃO DE MANDATOS: Haverá eleição direta, em 90 dias, para substituir governador e vice ou prefeito e vice que tiverem mandato cassado. Acaba a possibilidade de posse do segundo colocado. Há dúvidas sobre a constitucionalidade da medida.

POLÍTICAS SOCIAIS: Proibida a expansão e a criação de programas sociais em ano eleitoral. Os reajustes de benefícios, porém, ficam autorizados.

ELEIÇÃO LIMPA: Fica proibida a pintura em muros e a fixação de cartazes em propriedades privadas, assim como a propaganda em outdoors.

DOAÇÕES OCULTAS: Autorizadas contribuições diretas aos partidos, sem identificação do candidato beneficiado. Os partidos só terão que divulgar os doadores seis meses após a eleição. Essas doações poderão ser feitas pela internet, com cartões de crédito ou débito, boletos bancários e por telefone.

ENTIDADES ESPORTIVAS: Suprimida proibição a entidades esportivas de doar a candidatos.

DÍVIDAS: Os diretórios nacionais não poderão mais ser responsabilizados por dívidas de candidatos e de diretórios estaduais ou municipais, o que impedirá que os partidos sejam punidos com a retenção do fundo partidário.

PRÉVIAS: Os partidos poderão realizar prévias para escolha de candidatos majoritários e promover debates, que poderão ser transmitidos por veículos de comunicação.

FICHA SUJA: Mantém regra que permite a políticos que respondam a processos concorrer sub judice. Só sentença final pode cassar candidatura.

VOTO EM TRÂNSITO: Continua proibido.

INAUGURAÇÕES: Nos seis meses antes do pleito, fica proibido ao candidato ir a inaugurações ou lançamento de pedra fundamental de obras públicas e de atos de assinatura de ordem de serviço para a realização dessas mesmas obras.

PESQUISAS: Os institutos de pesquisa terão que usar as bases de dados do IBGE. Pode distorcer o resultado, já que o último censo é de 2000.

segunda-feira, 14 de setembro de 2009

2010 já está na rua!

Cristiana Lôbo

José Serra não pretende antecipar o anúncio de que será candidato à presidência da República - embora, até as pedras da Praça dos Três Poderes saibam disso -, mas já está ajeitando o terreno. Em São Paulo, por exemplo, não quer confusão e, por isso, acolheu o conselho dado por Orestes Quércia (PMDB) de que o melhor candidato ao governo é Geraldo Alckmin.

Todos sabem que Serra não morre de amores por Alckmin. Se fosse para indicar um tucano, o nome seria o de Aloysio Nunes Ferreira; se fosse pelo coração, Gilberto Kassab. Mas Serra pretende se mover pela razão e referendar a escolha de Alckmin. Assim, não fustigaria o PSDB paulista nem criaria problemas num Estado onde precisa ampliar a vantagem sobre a principal adversária, Dilma Roussef, (PT).

Para se ter uma idéia da importância dos votos de São Paulo: Serra acha que poderá abrir uma vantagem sobre Dilma de até 8 milhões de votos; o PT avalia que se essa diferença a favor de Serra for inferior a 4 milhões de votos, ela tem grande possibilidade de vencer a eleição, pois acredita que ficará na frente no Nordeste, graças à popularidade do presidente Lula.

A propósito: Serra tem um outro problema além do Nordeste. É o Norte, onde não pode perder na mesma proporção da eleição passada, em que ficou com quase um milhão de votos atrás de Lula.

Serra tem problemas e Dilma Roussef tem os seus. O de Dilma neste momento é mostrar que sua candidatura está de pé com perspectivas reais de vencer. Só assim, ela assegurará o apoio formal do PMDB à sua candidatura - uma condição que o presidente Lula considera fundamental, por conta do tempo de televisão.

O mes de agosto não foi bom para Dilma, como já dissemos aqui, mas o que preocupa é o que vem por aí. O PMDB já deixou bem claro ao presidente Lula que se não tiver a vaga de vice na chapa de Dilma vai ficar muito difícil o partido dar o apoio oficial à candidatura dela. Uma parcela do PMDB, como se sabe também, já está com Serra, como é o caso do PMDB paulista, e outras estão em fase de namoro, como o PMDB baiano e, quem sabe, o mineiro.

Dilma ainda tem outro problema: Ciro Gomes. Ele saiu da toca e começou a se movimentar. Assim está demonstrando vitalidade na pesquisa do momento. O risco é ele continuar subindo e superar Dilma que está parada ou até em queda porque, por conta do tratamento de saúde, foi obrigada a se recolher um pouco. Vale lembrar que ela volta hoje de férias e com disposição, ao menos até agora, de retomar os contatos políticos.

O resumo da ópera é o seguinte: falta um ano para as eleições e o cenário está em movimento.

quarta-feira, 9 de setembro de 2009

Dia do Administrador

A profissão de Administrador é relativamente nova e foi regulamentada no Brasil em 9 de setembro de 1965, data que se comemora o dia do Administrador.

Os primeiros administradores profissionais (administrador contratado, que não é o dono do negócio) foram os que geriam as companhias de navegação inglesas a partir do século XVII. Estas empresas foram as primeiras sociedades anônimas que se tem notícia.

Administrar envolve a elaboração de planos, pareceres, relatórios, projetos, arbitragens e laudos, em que se exija a aplicação de conhecimentos inerentes às técnicas de administração.

Habilidades do Administrador

•Habilidades Técnicas: Saber utilizar princípios, técnicas e ferramentas administrativas. Saber decidir e solucionar problemas.
•Habilidades Humanas: Saber lidar com pessoas, comunicando-se eficientemente, negociando, conduzindo mudanças, obtendo cooperação e solucionando conflitos.
•Habilidades Conceituais: Ter Visão sistêmica.

Atitudes do Administrador

Proativo, ousado, criativo, bom exemplo, cumpridor das promessas, saber utilizar seus princípios, ser cooperativo e ser um bom líder ajudando os funcionarios para que eles possam crescer junto com a empresa.

Símbolo da Profissão no Brasil


Este é o Símbolo do Sistema CFA/CRAs. Deverá ser usado nas suas várias versões, em toda a comunicação visual dos Conselhos Federal e Regionais de Administração. O Símbolo é composto de um emblema que representa a profissão de Administrador, cuja concepção e composição é detalhada no "Manual de Identidade Visual da Profissão" , inclusive especificações de cores, para aplicação em policromia ou em preto e branco.

O Símbolo escolhido para identificar a profissão do administrador tem a seguinte explicação justificada pelos seus autores:

•O quadro como ponto de partida: uma forma básica, pura, onde o processo de tensão de linhas é recíproco. Sendo assim, os limites verticais/horizontais entram em processo recíproco de tensão.
•Uma justificativa para a profissão, que possui também certos limites em seus objetivos: organizar, dispor para funcionar, reunir, centralizar, orientar, direcionar, coordenar, arbitrar, relatar, planejar, dirigir, encaminhar os diferentes aspectos de uma questão para o objetivo comum".
•"O quadro é regularidade, possui sentido estático quando apoiado em seu lado, e sentido dinâmico quando apoiado em seu vértice (a posição escolhida)"
•"As flechas indicam um caminho, uma meta, a partir de uma premissa, de um princípio de ação (o centro)".
•"As flechas centrais se dirigem para um objetivo comum, baseado na regularidade (...) as laterais, as metas a serem atingidas".

Dia do Administrador

Nove de setembro é o "Dia Nacional do Administrador", por ser a data de assinatura da Lei nº 4769, de 9 de setembro de 1965, que criou a profissão de Administrador. O dia do Administrador foi instituído pela Resolução CFA nº 65/68, de 09/12/68.


Juramento do Administrador

"Prometo dignificar minha profissão, consciente de minhas responsabilidades legais, observar o Código de Ética, objetivando o aperfeiçoamento da Ciência da Administração, o desenvolvimento das Instituições e a grandeza do homem e da pátria". O juramento foi oficializado pela RN CFA nº 201, de 19/12/97


Oração do Administrador

"Senhor, diante das organizações devo ter CONSCIÊNCIA de minhas responsabilidades como ADMINISTRADOR. Reconheço minhas limitações, mas, humildemente, junto com meus companheiros de trabalho busco o consenso para alcançar a SOLUÇÃO e tornar o trabalho menos penoso e mais produtivo; Senhor, despido do egoísmo, quero crescer, fazendo crescer, também, os que me cercam e que são a razão de minha escolha profissional; Senhor, ADMINISTRE o meu coração para que ele siga o caminho do bem, pois, a mim caberá realizar obras sadias para tornar as organizações cada vez melhores e mais humanas."

Adm. Rui Ribeiro de Araújo CRA/DF nº 2285


Código de Ética do Profissional de Administração (CEPA)

"O que importa nesse momento é que não se deixe de pensar em Moral, em Ética e em Ética Profissional; que não nos acomodemos diante do presente momento histórico que vivemos, onde a Moral, a Ética não são mais os momentos retóricos e, portanto, cansativos. Urge que reflitam em todos os rincões sobre o valor moral e da Ética, pois só assim mudaremos a Ética do País.É o que propomos e é o que a Comissão de Ética do CFA deseja despertar em todas as organizações".

Tupinambá Paraguassú

Parabéns, a nós, Administradores!


Colaboradores:
Wikipedia
CFA

segunda-feira, 7 de setembro de 2009

Visão pobre, curta e equivocada

O discurso do presidente Lula veiculado ontem em cadeia nacional de rádio e TV mostra que a festa em torno do Pré-Sal é ruim por inúmeros motivos.

O processo de partilha é inferior ao da concessão. Na concessão há leilão público, transparente, e vence o melhor preço. Na partilha, será uma burocracia que vai decidir com opacidade, ou coisa pior dependendo do governo.

A ideia de privilegiar uma empresa de capital aberto, como a Petrobras, é injusta com os não acionistas da empresa: a maioria do povo brasileiro.

O debate para a proposta foi intra-muros. Não foram ouvidos os governadores, os municípios, as organizações, os especialistas. O governo ouviu apenas a si mesmo.

O presidente Lula montou um palanque para a sua candidata. Isso é uma visão limitada, conjuntural, não é assim que se decide o futuro. Fez um discurso político-partidário com, inclusive, afirmações falsas. Ele quer uma festa de campanha e não falar sério sobre o futuro.

A espantosa ausência da questão ambiental num mundo em que é tão urgente o esforço para reduzir as emissões de gases de efeito estufa revelou a ideologia do governo Lula.

Ele está se lixando para o meio ambiente.

Ele está se lixando para o futuro.

A visão dele é curta, pobre, equivocada.

O Pronunciamento do Presidente

Confira a íntegra do discurso do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, transmitido em rede nacional de rádio e televisão na noite deste domingo:

"Queridas Brasileiras e Queridos Brasileiros,

É comum que o 7 de setembro sirva para a gente enaltecer o passado e pensar o presente. Desta vez é diferente: este é o 7 de setembro do Brasil festejar o futuro. De celebrar uma nova independência.

Esta nova independência tem nome, forma e conteúdo. Seu nome é pré-sal; seu conteúdo são as gigantescas jazidas de petróleo e gás descobertas nas profundezas do nosso mar; sua forma é o conjunto de projetos de lei que enviamos, há poucos dias, ao Congresso Nacional. E que vai garantir que esta riqueza seja corretamente utilizada para o bem do Brasil e de todos os brasileiros.

Peço a cada um de vocês que acompanhe passo a passo as discussões destas leis no Congresso. Que se informe, reflita, e entre de corpo e alma nesse debate tão importante para os destinos do Brasil e para o futuro de nossos filhos e netos.

Posso resumir em duas frases a proposta do governo: de um lado, ela garante que a maior parte da riqueza do pré-sal fique nas mãos dos brasileiros; de outro, ela impede que qualquer governante gaste de forma irresponsável estes recursos. E mais: obriga que este dinheiro seja aplicado em educação, ciência e tecnologia, cultura, defesa do meio-ambiente e combate à pobreza.

Minhas amigas e meus amigos,

O pré-sal é uma das maiores descobertas de todos os tempos. Ainda não se pode dizer, com exatidão, quantos bilhões de barris de petróleo existem nele. Mas já se pode garantir, com toda segurança, que ele colocará o Brasil entre os países com maiores reservas de petróleo e gás do mundo.

Elas se espalham por uma área de 149 mil quilômetros quadrados, que começa no litoral do Espírito Santo e termina no de Santa Catarina. É uma área do tamanho do estado do Ceará.

As jazidas ficam debaixo de uma lâmina de água e de camada de sal, que, em alguns pontos, correspondem a dez morros do corcovado empilhados.

Minhas amigas e meus amigos,

O que deve fazer um povo livre, responsável e soberano ao receber tamanha dádiva de deus? Garantir que esta riqueza não escape de suas mãos, buscar os meios mais eficientes de explorá-la e modernizar suas leis para não repetir os erros de outros países.

A história tem mostrado que a riqueza do petróleo é uma faca de dois gumes. Quando bem explorada, traz progresso para o povo. Quando mal explorada, ela traz conflitos, desperdícios, agressão ao meio-ambiente, desorganização da economia e privilégios para uns poucos. Assim, alguns países pobres, ricos em petróleo, não conseguiram jamais sair da miséria.

Por isso, dei orientações bem claras aos ministros. Primeira: o petróleo e o gás pertencem ao povo brasileiro. Como no pré-sal, os possíveis sócios terão poucos riscos, eles não podem ficar com a parte da renda. Ela tem que ser do povo. Segunda orientação: o Brasil não pode ser um mero exportador de óleo cru. Vamos agregar valor aqui dentro, exportando derivados, como gasolina, diesel e produtos petroquímicos, que valem muito mais. Vamos construir uma poderosa indústria de equipamentos e serviços e gerar milhares e milhares de empregos brasileiros. Terceira orientação: não vamos nos deslumbrar e sair por aí, como novos ricos, torrando dinheiro em bobagens. O pré-sal é um passaporte para o futuro. Vamos investir seus recursos naquilo que temos de mais precioso e promissor: nossos filhos, nossos netos, nosso futuro.

Minhas amigas e meus amigos,

Os ministros seguiram estas diretrizes e honraram o compromisso com o povo brasileiro. A principal mudança que estamos propondo é que, nas áreas ainda não exploradas do pré-sal, passe a vigorar o modelo de partilha. Quase todos os países que têm grandes reservas e baixo risco de exploração adotam este sistema. Ele garante que o estado e o povo continuem donos da maior parte do óleo e do gás mesmo depois de sua extração.

Estamos propondo, também, que a Petrobras seja a operadora de toda área. Ou seja, exerça atividades de exploração e produção, com uma participação mínima de 30% em todos os blocos.

Não podia ser diferente. Afinal, temos dentro de casa uma das maiores, melhores e mais respeitadas empresas de petróleo do mundo. Assim saberemos tudo sobre as reservas, aperfeiçoaremos nossa tecnologia e faremos da Petrobras uma empresa ainda mais forte.

Este trabalho será complementado pela Petro-sal, uma nova empresa estatal, enxuta e altamente qualificada, que vai gerir os contratos de partilha e os de comercialização. Ela não vai concorrer com a Petrobras. Sua função é outra - a de ser o olho do povo na fiscalização de toda operação.

Minhas amigas e meus amigos,

Hoje o Brasil tem todas as condições políticas, econômicas e tecnológicas para enfrentar este desafio. A economia do Brasil vive um novo momento. De 2003 a 2008, crescemos em média, 4,1% ao ano. Nos últimos dois anos, mais que 5%. O país gerou cerca de onze milhões de empregos com carteira assinada. O desemprego caiu fortemente, de 11,7% em 2003, para 8% hoje. As taxas de juros são as menores das últimas décadas.

Não só pagamos a dívida externa, como acumulamos reservas de 215 bilhões de dólares. E mais: reduzimos a miséria e as desigualdades. Mais de 30 milhões de brasileiros saíram da linha da pobreza. E destes, 20 milhões ingressaram na nova classe média, fortalecendo o mercado interno e dando vigoroso impulso à nossa economia.

O fato é que hoje temos uma economia organizada e em crescimento, que foi testada na mais grave crise internacional desde 29 e saiu-se muito bem. Não só não quebramos, como fomos um dos últimos países a entrar na crise e estamos sendo um dos primeiros a sair dela. Antes, éramos alvo de chacotas e de imposições. Hoje, nossa voz é ouvida lá fora com atenção e respeito.

A Petrobras de hoje é a cara deste novo Brasil. É a oitava maior empresa do mundo. Não existe nenhuma empresa, na Europa, do tamanho dela. Nas Américas, fica atrás apenas de três gigantes norte-americanas. E é a segunda empresa em lucratividade. E, entre as petroleiras, a segunda em valor de mercado no mundo.

A Petrobras chegou aí, entre outros motivos, porque este governo acreditou e investiu, dando condições para que ela aumentasse a produção, encomendasse plataformas, sondas, modernizasse e ampliasse refinarias, treinasse e contratasse funcionários. Além de construir uma grande infra-estrutura de gás natural e entrar na área de biocombustíveis.

O coroamento deste esforço foi exatamente a descoberta, pela própria Petrobras, das reservas do pré-sal. Um feito extraordinário, que encheu de admiração o mundo e de orgulho os brasileiros.

Minhas amigas e meus amigos,

Este é um governo que acredita no Brasil e no que ele tem de mais rico: o seu povo.

É por isso que propomos que os recursos do pré-sal sejam colocados em um fundo social, controlado pela sociedade, e que será aplicado, majoritariamente, em desenvolvimento humano. De um lado, o novo fundo será uma mega-poupança, um passaporte para o futuro, que nos ajudará, entre outras coisas, a pagar a imensa dívida que o País tem com a educação e a pobreza.

De outro lado, funcionará, também, como um dique contra a entrada desordenada de dinheiro externo, evitando seus efeitos nocivos e garantindo que nossa economia siga saudável, forte e baseada no trabalho e no talento de nossa gente.

Todos estes temas estão agora em discussão no Congresso Nacional e eu sei que contaremos, mais uma vez, com o apoio livre e soberano do Legislativo na construção deste novo Brasil.

Uma ação desta amplitude só pode ocorrer, de forma saudável, em um ambiente democrático. A democracia é o ambiente mais saudável para o crescimento.

O embate e a paixão política fazem parte do universo democrático, mas não podemos deixar que interesses menores retardem ou desviem a marcha do futuro.

Uma democracia só se fortalece com a participação da sociedade. Por isso se mobilize, converse com seus amigos, escreva pra seu deputado, seu senador, pra que eles apoiem o que é melhor para o Brasil.

O Brasil não tem medo de crescer, nem de buscar os melhores caminhos. Não vai ficar preso a dogmas, a modelos fechados ou a falsas verdades.

O Brasil acredita no livre mercado mas também no papel do estado como indutor do desenvolvimento. E saberá sempre buscar o equilíbrio que garanta o melhor para seu povo.

Queridas brasileiras e queridos brasileiros,

É tempo de ampliarmos, ainda mais, a nossa esperança no Brasil. A independência não é um quadro na parede nem um grito congelado na história. A independência é uma construção do dia-a-dia. A reinvenção permanente de uma nação. A caminhada segura e soberana para o futuro.

Viva o 7 de setembro! Boa noite!"

sexta-feira, 4 de setembro de 2009

O pronunciamento do presidente

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva gravou hoje de manhã, no Palácio da Alvorada, um pronunciamento de cerca de 10 minutos que vai ao ar no domingo à noite em cadeia de rádio e de TV. Na sua fala, Lula se concentra em um assunto: o petróleo da chamada camada do pré-sal.

A ideia do presidente é popularizar o tema pré-sal.

Sua fala é didática e tem por objetivo divulgar para a população em geral o representará, na visão do governo, a descoberta e a exploração dessa reserva de petróleo.

Domingo é dia 6 de setembro, véspera do feriado do dia da Independência do Brasil. Lula tem se referido ao pré-sal em seus discursos como uma “segunda independência do Brasil".

"Pra frente, Sucupira!"

">Rádio Sucupira

quinta-feira, 3 de setembro de 2009

Mesmo proibido

O uso de blogs poderá ser proibido para divulgar referências sobre candidatos em 2010.

Porém, este blog não deixará de equalizar e divulgar informações e preferências quanto aos candidatos a governador, senador e presidente da república.

É de suma importância que as pessoas tenham opinião e que possam, seguramente, divulgá-la.

Assim continuarei fazendo.

O Blog em um Minuto

A Secretaria estadual de Saúde do Rio de Janeiro anunciou mais quatro mortes provocadas por gripe suína. De acordo com o órgão, 64 pessoas morreram por causa da doença no estado. Os óbitos confirmados hoje são de uma jovem de 23 anos, uma gestante de 25, uma mulher de 37 e uma menina de 10 meses. Segundo o Ministério da Saúde, o Brasil teve seiscentas e 57 mortes ocasionadas pela doença até o dia 29 de agosto.


O presidente do PSDB, senador Sérgio Guerra, criticou a decisão do presidente Lula de manter o caráter de urgência dos projetos sobre a exploração do petróleo do pré-sal, apesar de protestos da oposição e apelos do PMDB. O tucano disse que a atitude de Lula "inviabiliza a ação do Congresso". Com o regime de urgência, Câmara e Senado têm 45 dias, cada, para votar as matérias. Se o prazo for descumprido, as pautas das demais votações vão ficar trancadas.


O governo brasileiro suspendeu o acordo de isenção de vistos em passaportes hondurenhos e passará a exigir o documento a partir deste sábado. O Ministério de Relações Exteriores disse que a medida se deve à "situação interna" de Honduras após o golpe militar de junho, que derrubou o presidente Manuel Zelaya. A suspensão do acordo não afeta os cidadãos hondurenhos que estejam no Brasil em situação regular.


O governo dos Estados Unidos decidiu cortar todo o auxílio financeiro a Honduras, com exceção da ajuda humanitária, por causa do golpe de estado. Além disso, os vistos de integrantes do atual regime serão revogados.

quarta-feira, 2 de setembro de 2009

Regras a serem cumpridas!

Duas comissões do Senado aprovaram hoje, quarta-feira, regras novas para as eleições.

Mas ainda não há consenso sobre essas regras, e o projeto ainda precisa passar pelo plenário, e depois pela Câmara, para entrar vigor já em 2010.

Havia acordo.

E o projeto foi votado em duas comissões ao mesmo tempo.

Entre as propostas de mudanças na lei eleitoral estão, nos debates, as emissoras de rádio e TV não ficam obrigadas a convidar todos os candidatos, apenas os de partidos que tenham no mínimo dez deputados federais.

Na internet, os candidatos podem fazer campanha nos três meses que antecedem as eleições, usando blogs, por exemplo.

Mas apenas os candidatos à presidência da República poderão fazer propaganda paga. E somente em sites jornalísticos. Os sites jornalísticos e blogs, páginas pessoais na internet, não poderão emitir opiniões a respeito de candidatos.

Nos seis meses anteriores às eleições, nenhum candidato poderá participar de inauguração, lançamento ou atos de autorização de obras públicas.

Também fica proibida a criação ou ampliação de programas sociais. Mas o reajuste de benefícios como o Bolsa Família será permitido.

A restrição à campanha de internet provocou reações.

terça-feira, 1 de setembro de 2009

CBN São Paulo

Assista, através deste link, a programação completa, ao vivo, da Rádio CBN.

Gol cobra por comida em voo e revolta passageiros

Folha de S. Paulo

Uma novidade anunciada no voo 1667 da Gol, trajeto Recife-São Paulo, no último final de semana, revoltou os passageiros: a empresa passava a cobrar por lanches do serviço de bordo.

Insatisfeita por não ter sido alertada, a ginecologista Renê Patriota começou a recolher um abaixo-assinado para dar início a uma ação coletiva contra a Gol. Foram colhidas 55 assinaturas entre os 187 passageiros.

Ao saber da reação, o comandante mandou avisar, por meio de uma comissária, que pousaria o avião no primeiro aeroporto para expulsar a médica, mas não o fez. Depois, a tripulação informou que a Polícia Federal a esperava em Cumbica.

Outra reclamação foi sobre a manipulação simultânea de dinheiro e de alimento e bebida por comissários. "Eles pegam em dinheiro, não lavam as mãos e servem comida. Nós também não temos como sair para ir ao lavabo antes de comer porque os carrinhos do serviço bloqueiam a passagem", disse a passageira Lígia Mafra.

A Anac, que regula o setor aéreo, diz que não existe lei que obrigue a empresa a oferecer alimentação a bordo. O Procon de São Paulo afirma que a companhia pode cobrar desde que avise na compra do bilhete. O passageiro que se sentir prejudicado pode procurar o órgão.

Em nota, a Gol diz que vai apurar o incidente e, se "confirmados erros de procedimento, tomará medidas corretivas".

CBN Rio

Assista ao CBN Rio

O Blog em Um Minuto

*A taxa de inflação calculada pelo Índice de Preços ao Consumidor - Semanal encerrou o mês de agosto em 0,20%, no menor resultado desde a quarta semana de junho, quando havia ficado em 0,12%. Segundo a Fundação Getúlio Vargas, foi o terceiro recuo semanal consecutivo do IPC-S .


*A proposta orçamentária da União para 2010, encaminhada ao Congresso Nacional, autoriza investimentos públicos de R$ 46 bilhões no orçamento fiscal e da seguridade social e de R$ 94,4 bilhões para as empresas estatais não-dependentes do Tesouro Nacional. No primeiro caso, isso representa elevação próxima de 18% em relação ao valor reprogramado para 2009.


* Uma estudante morreu, vítima de bala perdida, na favela Heliópolis, na zona sul de São Paulo, na noite desta segunda-feria. Segundo moradores, a adolescente de 17 anos foi atingida por um disparo feito pela guarda civil, que estaria perseguindo um assaltante.


*Os incêndios florestais continuam a se expandir pelo sul da Califórnia. Pelo menos 53 casas foram destruídas pelas chamas e 12 mil estão ameaçadas. O fogo atinge a vegetação a cerca de 25 quilômetros do centro de Los Angeles. Os bombeiros esperaram o amanhecer para avaliar a extensão da área destruída pelas chamas, que entraram no sexto dia .


*A Comissão de Constituição e Justiça do Senado vota hoje o projeto de lei que irá determinar, entre outras definições, as regras para a utilização da internet na campanha eleitoral de 2010. O financiamento de campanha, as regras para utilização do fundo partidário e a responsabilização legal dos partidos políticos também sofrerão mudanças.


* Os mercados europeus operam negativos. Na Ásia, a bolsa de Tóquio fechou em ligeira alta de 0,3%. Em Hong Kong, alta de 0,7%.

Por dentro da Política

">Lula deu a volta nos governadores

segunda-feira, 31 de agosto de 2009

Eleições 2010

A senadora Marina Silva (PV-AC) afirmou neste domingo (30), em entrevista coletiva em São Paulo, que só no ano que vem discutirá com o PV uma candidatura à Presidência da República. Marina explicou que, desde que iniciou as negociações com a Executiva do PV, deixou claro que a candidatura seria um ponto secundário. Em primeiro lugar, disse ela, vem a revisão do programa do partido. "Fico honrada com o convite para ser candidata e pelo acolhimento popular, mas a minha decisão só será em 2010", afirmou.

Lendo os meus posts anteriores, encontrei este em que a Lucia Hippolito escrevera em seu blog no dia 17 deste mês.
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O Fator Marina Silva

Lucia Hippolito

Em política, dizia o dr. Ulysses Guimarães, só existem dois fatos importantes: o fato novo e o fato consumado.

O fato consumado era a inevitabilidade de uma disputa plebiscitária entre governo e oposição nas eleições de 2010.

Essa era a principal estratégia do presidente Lula para eleger Dilma Rousseff: transformar as eleições presidenciais num plebiscito sobre o seu governo.

Tamanha é a confiança de Lula no próprio taco, que abraçou o projeto: gostou do meu governo? Eleja Dilma.

Não gostou? Eleja Serra (ou Aécio).

E o presidente não tinha a menor dúvida do resultado. A tal ponto que declarou mais de uma vez que seu desejo era liquidar a fatura no primeiro turno.

Pois Lula vai precisar rever seus planos. O fato novo apareceu. E atende pelo nome de Marina Silva.

Convidada a se transferir para o PV e se candidatar à presidência, a doce senadora pelo Acre balançou.

Ainda não se decidiu, mas a notícia foi suficiente para embaralhar inteiramente o jogo para 2010.

Começa que Marina não é a típica oposição a Lula. Bem ao contrário, é sua companheira de militância no PT há muito mais tempo que Dilma Rousseff.

Ministra de Lula durante o primeiro mandato, símbolo mundial da luta em defesa da Amazônia, perdeu a parada para Dilma Rousseff, mas não se tornou uma dissidente raivosa como Heloísa Helena.

Tem mantido posições firmes no Senado, opõe-se à aliança espúria com o pior do PMDB, assinou a carta pelo afastamento de José Sarney.

Está fazendo tudo certo.

Em segundo lugar, Marina tira de Dilma a “candidatura de gênero”. Os marqueteiros terão que mudar a tese de que “o Brasil está maduro para ter uma mulher na presidência”.

Terceiro, uma eventual candidatura Marina Silva traz oxigênio a uma campanha que já estava marcada pela mesmice. Agrega qualidade ao debate. Espanta as teias de aranha.

Serra e Dilma não têm muitas diferenças. Autoritários, carentes de carisma, sabichões, ambos são partidários de uma forte presença do Estado, ambos são críticos da política monetária praticada pelo Banco Central.

O que Serra e Dilma pensam sobre energias alternativas, desenvolvimento sustentável, aquecimento global, economia verde?

Ninguém sabe.

A simples possibilidade de ter Marina Silva na disputa já perturbou articulações para a montagem de palanques estaduais, tornou obsoletas as estratégias urdidas tanto no Planalto quanto nas oposições.

Ciro Gomes já não quer mais concorrer em São Paulo para manter o caráter plebiscitário da eleição presidencial. Já pensa em concorrer à presidência.

Dilma Rousseff faz declarações públicas de apreço a Marina Silva – apreço, diga-se de passagem, que Dilma desprezou quando derrotava seguidas vezes Marina Silva no governo.

Em suma, o Planalto acusou o golpe.

Os próximos passos serão emocionantes.

Uma coisa é certa. O fator Marina Silva injetou oxigênio numa campanha que se anunciava chatíssima e está trazendo de volta o entusiasmo dos jovens pela política.

A coisa promete.

quinta-feira, 27 de agosto de 2009

Palocci passa raspando

Lucia Hippolito

Contrariando tudo o que se dizia em Brasília, Antonio Palocci passou raspando no Supremo Tribunal Federal.

Por um apertado placar de 5 a 4, o STF decidiu não abrir um processo penal contra o deputado, por violação do sigilo bancário do caseiro Francenildo Costa.

Os quatro ministros que julgaram que havia, sim, indícios suficientes pelo menos para a abertura de uma ação penal foram Marco Aurélio Mello, Carmen Lúcia, Ayres Britto e o decano Celso Mello.

Nos últimos dias, dizia-se -- e publicava-se -- que a expectativa era de absolvição por unanimidade. Suas excelências estariam apenas tentando encontrar uma saída em juridiquês para livrar o ex-ministro.

Segundo o voto do ministro Gilmar Mendes, não se discute que o sigilo bancário do caseiro foi violado, não se discute que os dados bancários foram parar na revista Época por obra humana.

Ainda bem. De repente, a gente poderia ser levada a acreditar que o ET de Varginha tinha obtido os dados da conta de Francenildo e entregado à revista Época.

Mas segundo o longuíssimo -- e por vezes, maçante -- voto do presidente do STF, não há indícios suficientes que justifiquem a abertura de ação penal contra o deputado.

Em suma, sobrou para o caseiro.

Mesmo tendo se beneficiado do arquivamento do processo, Antonio Palocci ainda está às voltas com o fato de que faltou com a verdade em mais de uma vez, quando compareceu a comissões no Congresso Nacional.

Palocci afirmou reiteradamente que jamais havia frequentado aquela mansão em Brasília, onde imperavam lobistas e garotas de programa.

Jamais tinha presenciado tenebrosas transações e jamais tinha desfrutado de prazeres mundanos.

Foi desmentido mais de uma vez pelo caseiro da mansão, um desses seres "invisíveis", parentes da moça da limpeza, da mulher que serve café ou do rapaz que tira xerox.

Pois o caseiro Francenildo enfrentou o poderoso ministro e afirmou que o vira mais de uma vez na casa dos prazeres.

Isto não foi até hoje contestado.

Como candidato à presidência da República, oops, ao governo de São Paulo, Palocci deverá enfrentar alguns questionamentos.

Nada que um bom marqueteiro não resolva, nesses tempos de moral elástica que estamos vivendo.

Palocci: livre, leve e solto!

Supremo arquiva denúncia contra Palocci por quebra de sigilo de caseiro.

Por cinco votos a dois, foi arquivada no Supremo Tribunal Federal a denúncia do Ministério Público contra o deputado federal e ex-ministro da Fazenda Antonio Palocci pela quebra do sigilo bancário do caseiro Francenildo dos Santos Costa.

Os ministros Eros Grau, Cezar Peluso, Ricardo Lewandowski e Ellen Gracie acompanharam o voto do relator Gilmar Mendes.

Apenas os ministros Ayres Britto e Cármen Lúcia discordaram dos colegas e votaram pelo acolhimento da denúncia.

Desta forma, com o placar de 5 votos a 4, o Supremo Tribunal Federal (STF) rejeitou a denúncia contra o deputado federal e ex-ministro da Fazenda Antonio Palocci (PT-SP), acusado de ter mandado quebrar ilegalmente em 2006 o sigilo bancário do caseiro Francenildo Santos Costa. O Supremo também recusou a denúncia contra o ex-assessor de imprensa de Palocci Marcelo Netto.

A corte, porém, aceitou a ação contra o então presidente da Caixa, Jorge Mattoso, que passa agora à condição de réu. Mattoso pode responder a processo ou aceitar uma oferta do Ministério Público de prestação de serviços comunitários.

Em suma, Palocci está livre. Poderá disputar a candidatura para o governo de São Paulo e poderá, também, substituir José Múcio, ministro das Relações Institucionais.

Mas não vamos nos esquecer de uma coisa: ele poderá, inclusive, ser o substituto da ministra Dilma para as eleições presidenciais, caso a candidatura da ministra não decole.

Caso Palocci

STF decide a sorte de Palocci

"Assista ao vivo, na TV Justiça, o julgamento do caso Palocci"

O ex-caseiro Francenildo Costa assiste ao julgamento, metido em um terno que seu advogado lhe arranjou às pressas.

Porém, tudo indica que Palloci será inocentado.

Falando sério

Miriam Leitão

Tudo se passa no governo como se não houvesse amanhã. O que nós estamos vivendo com a mudança climática é o fim da economia como nós a conhecemos, não apenas mais um modismo. O desafio posto para a Humanidade neste começo de século é daqueles que encerram uma era e começam outra.

Por isso, é tão bem-vinda a carta aberta de empresas e entidades querendo limites às emissões do país.

A carta divulgada terçafeira em São Paulo é diferente das outras. Não parece mais uma daquelas cosméticas ações de empresas para fingir que são modernas.

Nem mais uma lista de pedidos ao governo. Eles assumem compromissos: vão fazer inventário anual de quanto emitem de gases do efeito estufa; incluir essa variável nas decisões de investimento; reduzir as emissões; atuar na cadeia de suprimento para incentivar esse comportamento; atuar junto ao governo e à sociedade para compreender o impacto das mudanças climáticas.

Ao governo eles pedem que, em Copenhague, assuma papel de liderança da questão climática e aceite metas claras de redução das emissões. O lançamento teve o apoio da Globonews e do jornal “Valor Econômico” e pode ser o ponto a partir do qual o país comece a levar a sério, o que sério é.

As mudanças climáticas exigirão radical alteração da forma de produzir e usar energia, levarão a uma taxação sobre carbono que encarecerá e tornará menos competitivo o combustível fóssil, obrigarão que todas as empresas repensem seus negócios, sua rede de fornecedores, sua forma de produção, sua energia e o ciclo de vida dos seus produto.

Mineração, siderurgia, petroquímica, alimentos, papel e celulose, transporte, seguro, supermercados, é difícil encontrar uma área da economia que não seja afetada pelo que está acontecendo.

Mudará a geopolítica. As tragédias climáticas provocarão ondas migratórias que vão exigir da diplomacia novas formas de atuação e abrirão novas frentes de trabalho com refugiados.

Será rotina para arquitetos, daqui para diante, construir prédios que poupem energia, reciclem água, aproveitam a luminosidade, o calor ou o vento externo para a climatização. Serão desafiados também na reciclagem dos prédios antigos.

A mudança climática imporá nova agenda de políticas públicas e ações corporativas.

É espantoso como são poucas as pessoas no Brasil que entendem a dimensão do fato. O governo brasileiro nem suspeita do tamanho da encrenca. Ele mostra isso em abundantes sinais. Projeta a energia nova a partir de carvão, óleo combustível e gás. O setor de energia usa modelos de definição de preço de cada fonte de energia que favorece os combustíveis fósseis.

O ministro Carlos Minc propôs que as térmicas a óleo e carvão plantassem árvores como compensação mas a proposta foi rejeitada.

No Ministério dos Transportes, o governo não avalia o modal alternativo pela ótica ambiental. O Ministério da Agricultura vive às turras com o meio ambiente.

A política industrial lançada um pouco antes da crise econômica incentiva setores de alto impacto seja em emissão industrial ou em desmatamento. No PAC, a preocupação ambiental é vista como obstáculo. O Ministério da Ciência e Tecnologia não divulgou ainda a atualização do inventário de emissões do Brasil, os dados com que se trabalha são de 1994. O Ministério das Relações Exteriores tenta fugir das metas através de jogos de palavras feitos para confundir.

A conversa está muito mais adiantada no resto do mundo. Aqui, contam-se nos dedos os economistas que pararam para entender o tema.

Na Inglaterra, a pedido do então governo Tony Blair, o ex-economista-chefe do Banco Mundial Nicholas Stern já traduziu o problema climático para a lógica dos economistas e concluiu: o preço de não fazer nada para evitar ou reduzir os efeitos das mudanças climáticas é maior do que o de agir agora enfrentando o assombroso desafio que está diante de nós. Na política, com a solitária exceção da senadora Marina Silva, os possíveis candidatos e seus apoiadores para as eleições de 2010 acham que podem andar na superfície do tema sem entender a profundidade da transformação da economia, política, educação, emprego, logística, habitação, energia, que terá que ser feita nos próximos anos.

No Brasil, eu tenho ouvido de economistas e autoridades manifestações pedrestes sobre o tema.

Avaliações reveladoras de que jamais a tal pessoa leu um bom paper, livro, estudo sobre o tema, nem teve uma boa conversa sobre o assunto mudança climática.

Ver as grandes empresas, e algumas associações, acordarem, afinal, foi um alívio. Por isso, o nome delas vai aqui em ordem alfabética para serem elogiadas e cobradas: Aflopar, Andrade Gutierrez, Aracruz, Camargo Corrêa, CBMM, Coamo, CPFL, Estre, Light, Natura, Nutrimental, Odebrecht, OAS, Orsa, Pão de Açúcar, Polimix, Samarco, Suzano, Única, Vale, Votorantim, VCP. A Vale foi uma das líderes. Apoiam o movimento o Ethos, Fórum Amazônia Sustentável, SindiExtra e Fiep.

Ficaram de fora a Fiesp, CNI, CNC, CNA e várias empresas recusaram adesão.

Não entenderam que este é um tempo radical. De mudanças e atitudes radicais.

Ou não haverá amanhã.

quarta-feira, 26 de agosto de 2009

Lina Vieira sobre as demissões da sua ex-equipe

"Nota à imprensa

As duas demissões e os doze pedidos de exonerações dos servidores que integraram a minha equipe, durante o período em que estive à frente da Receita Federal do Brasil, representam um perigoso recuo no processo de fortalecimento das Instituições de Estado do Brasil.

As instituições de Estado --como é caso da Receita Federal-- somente poderão exercer o seu papel constitucional, se compostas por servidores que primem pela ética no serviço público, imunes a influências políticas de partidos ou de governos. Os governos passam, o Estado fica e, com ele, os servidores públicos.

Esses colegas são pessoas sérias, de competência inquestionável, cujo único pecado foi o compromisso com um projeto de uma Receita Federal independente e focada nos grandes contribuintes.

Natal (RN), 25 de agosto de 2009.
Lina Vieira"

terça-feira, 25 de agosto de 2009

A revolta na Receita Federal

Lucia Hippolito

Nunca antes na história deste país se viu isso: 12 altíssimos dirigentes da Receita Federal pediram exoneração. O subsecretário de Fiscalização, superintendentes de São Paulo, Minas Gerais, Rio Grande do Sul, Maranhão, Ceará, Piauí, Pernambuco, Paraíba, Rio Grande do Norte e Alagoas. O superintendente-adjunto do Rio de Janeiro. Os coordenadores-gerais de Cooperação Fiscal e integração; de Contencioso Administrativo e Judicial; de Tributação; de Estudos, Previsão e Análise; e de Fiscalização.

Não é dizer pouco.

Esta rebelião na Receita é uma espécie de "maldição da prece atendida". Durante a década de 1980 o PT incentivou uma sindicalização acelerada no setor público brasileiro. O resultado foi a criação de centenas de sindicatos de funcionários públicos, que passaram a promover greves frequentes e pressão sobre o Executivo.

A sindicalização do setor público atingiu tal intensidade que a CUT chegou ter a 38 cargos de direção ocupados por representantes dos funcionários públicos.

Na Receita Federal, o sindicato é forte, coeso, organizado. E a demissão coletiva dos altos dirigentes mostra um pouco dessa força.

O grupo se demitiu em protesto à -- até hoje muito mal explicada -- demissão da ex-secretária Lina Vieira. E também em protesto à demissão da chefe de gabinete de Lina, que afirmou que ela e a ministra Dilma se encontraram, sim, tal como a ex-secretária afirmou. E a demissão de um assessor especial de lina Vieira.

Na carta divulgada pelo grupo revoltoso, os agora ex-dirigentes pedem mais espírito republicano, menos ingerência política nos trabalhos da Receita.

E isto é que torna o caso importante, grave mesmo. A mão do Estado é muito pesada. A Receita Federal deve ser técnica, não deve ser guiada por interesses políticos.

Imaginem se um empresário fizer alguma crítica à política econômica do governo. Terá que aguentar uma fiscalização da Receita em sua empresa, durante seis meses?!

O Estado é muito poderoso. Sua mão é muito pesada. Um agente público precisa ser extremamente cauteloso ao usar essa mão contra um cidadão. O cidadão fica inteiramente indefeso diante de tal poder.

É o caso do hoje deputado Antonio Palocci na violação do sigilo bancário do caseiro Francenildo, caso que deverá ser apreciado pelo STF na próxima quinta-feira.

Independentemente das motivações de um e de outro, a balança pende dolorosamente contra o caseiro, que teve a "petulância" e a "ousadia" de desmentir o então poderoso ministro da Fazenda.

Só para lembrar, Palocci declarou mais de uma vez em comissões de Congresso Nacional que jamais tinha estado naquela casa dos prazeres de Brasília, onde se faziam tenebrosas transações e pululavam garotas de programa.

Pois o caseiro Francenildo, empregado daquela casa, afirmou, também no Congresso Nacional, que viu não uma, mas várias vezes o ministro Palocci naquela casa.

Teve o sigilo bancário violado, sua intimidade exposta na revista Época e a vida destruída.

Ah, sim, Palocci é candidato ao governo de São Paulo, a ministro-chefe da Casa Civil ou mesmo a Plano B, caso não decole a candidatura da ministra Dilma Rousseff.

A mão do Estado é mesmo muito pesada. Daí porque a crise ne Receita Federal nos interessa a todos.

segunda-feira, 24 de agosto de 2009

Morreu hoje

1954 – Suicidou-se o presidente Getúlio Vargas.

Um dos políticos mais influentes da História do Brasil, participou dos movimentos de ruptura com a República Velha, em 1930, e em seguida se manteve no poder, como presidente e como ditador, durante 15 anos, num período de marcantes tranformações econômicas e sociais.

Foi deposto em 1945, no final da Segunda Guerra Mundial, junto com a queda de outros regimes autoritários, mas conseguiu se eleger pelas regras democráticas cinco anos depois.

Getúlio tomou posse na presidência da República em janeiro de 1951. Seu mandato foi marcado, de um lado pela adoção de medidas como a criação da Petrobrás, da Eletrobrás e do BNDE e, de outro, por uma crescente radicalização política.

A crise política culminou no atentado de Toneleros (leia novamente sobre o atentado). O jornalista Carlos Lacerda, proprietário do jornal A Tribuna da Imprensa, um dos maiores críticos do presidente, responsabilizou o governo Vargas pelo ato, abrindo uma crise político-militar profunda.

Politicamente isolado, abandonado inclusive por seus correligionários do PTB e confrontado com exigência de renúncia feita pelas Forças Armadas, Getúlio deu um tiro no coração. Deixou uma carta-testamento (leia aqui a íntegra da carta), que se transformaria num dos mais importantes documentos históricos brasileiros.

Postagem publicada em 24 de Agosto de 2008 no Blog da Lucia Hippolito (http://www.blogdalucia.com.br/)

domingo, 23 de agosto de 2009

A vitória dos pelegos

Lucia Hippolito

O PT nasceu de cesariana, há 29 anos. O pai foi o movimento sindical, e a mãe, a Igreja Católica, através das Comunidades Eclesiais de Base.

Os orgulhosos padrinhos foram, primeiro, o general Golbery do Couto e Silva, que viu dar certo seu projeto de dividir a oposição brasileira.

Da árvore frondosa do MDB nasceram o PMDB, o PDT, o PTB e o PT. Foi um dos únicos projetos bem-sucedidos do desastrado estrategista que foi o general Golbery.

Outros orgulhosos padrinhos foram os intelectuais, basicamente paulistas e cariocas, felizes de poder participar do crescimento de um partido puro, nascido na mais nobre das classes sociais, segundo eles: o proletariado.

O PT cresceu como criança mimada, manhosa, voluntariosa e birrenta. Não gostava do capitalismo, preferia o socialismo. Era revolucionário. Dizia que não queria chegar ao poder, mas denunciar os erros das elites brasileiras.

O PT lançava e elegia candidatos, mas não “dançava conforme a música”. Não fazia acordos, não participava de coalizões, não gostava de alianças. Era uma gente pura, ética, que não se misturava com picaretas.

O PT entrou na juventude como muitos outros jovens: mimado, chato e brigando com o mundo adulto.

Mas nos estados, o partido começava a ganhar prefeituras e governos, fruto de alianças, conversas e conchavos. E assim os petistas passaram a se relacionar com empresários, empreiteiros, banqueiros.

Tudo muito chique, conforme o figurino.

E em 2002 o PT ingressou finalmente na maioridade. Ganhou a presidência da República. Para isso, teve que se livrar de antigos companheiros, amizades problemáticas. Teve que abrir mão de convicções, amigos de fé, irmãos camaradas.

A primeira desilusão se deu entre intelectuais. Gente da mais alta estirpe, como Francisco de Oliveira, Leandro Konder e Carlos Nelson Coutinho se afastou do partido, seguida de um grupo liderado por Plínio de Arruda Sampaio Júnior.

Em seguida, foi a vez da esquerda. A expulsão de Heloísa Helena em 2004 levou junto Luciana Genro e Chico Alencar, entre outros, que fundaram o PSOL.

Os militantes ligados à Igreja Católica também começaram a se afastar, primeiro aqueles ligados ao deputado Chico Alencar, em seguida Frei Betto.

E agora, bem mais recentemente, o senador Flavio Arns, de fortíssimas ligações familiares com a Igreja Católica.

Os ambientalistas, por sua vez, começam a se retirar a partir do desligamento da senadora Marina Silva do partido.

Afinal, quem do grupo fundador ficará no PT?

Os sindicalistas.

Por isso é que se diz que o PT está cada vez mais parecido com o velho PTB de antes de 64.

Controlado pelos pelegos, todos aboletados nos ministérios, nas diretorias e nos conselhos das estatais, sempre nas proximidades do presidente da República.

Recebendo polpudos salários, mantendo relações delicadas com o empresariado.

Cavando benefícios para os seus.

Aliando-se ao coronelismo mais arcaico, o novo PT não vai desaparecer, porque está fortemente enraizado na administração pública dos estados e municípios. Além do governo federal, naturalmente.

É o triunfo da pelegada.

sexta-feira, 21 de agosto de 2009

Semana em Resumo

A semana oscilou com a decisão do senador Aloísio Mercadante de deixar a liderança do PT no Senado.

Na área entre política e economia, o presidente Lula desafiou a ex-secretária da Receita de provar o encontro com a Dilma, um comportamento institucional inadequado. Ela não mostrou a agenda, mas falou com firmeza e certa inabalável de que houve o encontro.

Foi uma semana também de saída da Marina Silva para o PT. Isso foi comemorado como um primeiro passo da candidatura, uma terceira via para as eleições de 2010. E, no mesmo dia, um papelão com o arquivamento das denuncias contra Sarney sem investigação.

Debate polêmico

Depois de a oposição enterrar a cobrança da CPMF, ressurge como uma fênix das cinzas com o nome de CSS (Contribuição Social para a Saúde).

Vale a pena acompanharmos os debates sobre o tema!

No entanto, hoje é sexta-feira, estou cansado e quero mais é ouvir uma boa música e aproveitar o último dia de férias, antes de voltar ao batente das aulas da graduação.

quarta-feira, 19 de agosto de 2009

Que dia!


Lucia Hippolito

E eu que pensava que a data mais triste da história do PT tinha sido o dia 11 de agosto de 2005!

Para os que não se lembram mais, naquele dia o marqueteiro do presidente Lula, Duda Mendonça, declarou, simplesmente e com todas as letras, que o PT pagou parte da campanha eleitoral do presidente Lula, do senador Aloísio Mercadante, da candidata a governadora Benedita da Silva e do candidato a governador José Genoíno com dinheiro de caixa dois.

De contas no exterior para uma conta de Duda Mendonça, também no exterior.

Ao final do depoimento, deputados petistas choraram no plenário da Câmara, a senadora Ideli Salvati passou mal, o senador Aloísio Mercadante fazia ares patéticos, senadores e deputados petistas na CPI dos Correios ficaram completamente atarantados diante da bomba que Duda Mendonça jogou no PT e no governo do presidente Lula.

De lá para cá, nunca mais o partido foi o mesmo.

Um grupo, liderado pela então senadora Heloísa Helena, saiu do PT para fundar o PSOL. Militantes e eleitores, desencantados, procuraram outras paragens.

O PT não desapareceu, apenas mudou de personalidade. Perdeu quase todo o seu patrimônio ético, dilapidou seu capital. Tornou-se um partido inteiramente dependente da imensa popularidade do presidente Lula.

Tornou-se refém do PMDB.

Os antigos dirigentes do PT hoje são réus no Supremo Tribunal Federal, acusados de pertencer – e alguns, de liderar – uma “sofisticada organização criminosa”.

Quanto ao presidente Lula, descolou-se do partido e decolou em carreira solo. Criou o lulismo, tornou-se aliado do que há de mais execrável na política brasileira e segue em frente, feliz da vida.

Deixa no PT um rastro de destruição.

Pois hoje o Partido dos Trabalhadores viveu mais um dia daqueles!

Mais uma vez o PT abandonou às traças o melhor de si mesmo.

Enquadrado pelo presidente Lula, o partido foi o principal responsável pelo salvamento de José Sarney, assim como tinha sido o principal responsável pelo salvamento do mandato de Renan Calheiros.

E no mesmo dia, perdeu a senadora Marina Silva, representante maior do que restava do patrimônio ético do partido.

Perdeu também o senador Flavio Arns, do Paraná, descontente com os rumos tomados pelo PT.

Finalmente, perdeu totalmente a compostura.

Que dia! Nem a oposição mais assanhada se animou a comemorar. Pois não há nada a festejar. Não se festeja uma tragédia.

Conselho de Ética

De maneira estranha, começou a votação no Conselho de Ética em relação as acusações contra o senador José Sarney (PMDB-AP).

Entre os membros do conselho, a votação ficou assim:

6 votos para a abertura do processo e 9 contra a abertura do processo do senador.

Votaram a favor do arquivamento das onze denúncias contra José Sarney os senadores João Pedro (PT-AM), Delcídio Amaral (PT-MS), Ideli Salvatti (PT-SC), Weelington Salgado (PMDB-MG), Almeida Lima (PMDB-SE), Gilvan Borges (PMDB-AP), Inácio Arruda (PCdoB-CE), Romeu Tuma (PTB-SP), Gim Argello (PTB-DF). Demóstenes Torres (DEM-GO), Marisa Serrano (PSDB-MS), Eliseu Resende (DEM-MG), Rosalba Ciarlini (DEM-RN), Jefferson Praia (PDT-AP) e Sérgio Guerra (PSDB-PE) votaram contra o engavetamento.

Resultado: Mantêm-se arquivadas as representações contra José Sarney.

Começa a votação para o próximo item: Votação das representações contra Arthur Virgílio (PSDB-AM).

Porém, antes da votação, ele, na bancada faz sua defesa.

A maior insegurança de Arthur Virgílio, é que a votação seja de 9 votos pela abertura de processo contra ele.

Neste momento, PMDB, PSDB e DEM, notoriamente, demonstram seu apoio ao parlamentar e dizem que, apesar das diferenças, manifestam a favor do arquivamento das representações.

Vai iniciar a votação.

Os senadores votam de forma unânime - 15 a 0 - pelo arquivamento da representação contra o tucano.

terça-feira, 18 de agosto de 2009

Foto do Dia


Lina Vieira, ex-secretária da Receita Federal, em depoimento no Senado Federal, hoje.

Depoimento relevante

O depoimento da ex-secretária da Receita Fedral, Lina Vieira, hoje, 18, foi fantástico.

Categórica, continuou com o mesmo discurso que fora divulgado nos jornais impressos e no Jornal Nacional.

Afirma, com veemência, que houve o encontro com a ministra Dilma Rousseff, que durara dez minutos, que a chefe de gabinete, Dra Erenice Guerra, responsável pelo dossiê com gastos corporativos do ex-presidente Fernando Henrique e a ex-primaira-dama Dona Ruth Cardoso, foi a responsável por marcar o encontro.

Fatalmente, está compilado que a ministra deve estar metindo e que, claro, para não prejudicar a sua campanha eleitoral em 2010 e para não perder o apoio do PMDB, o pedido de "agilidade" no processo de Fernado Sarney, favoreceria seu pai, José Sarney.

Agora, seria interessante que as imagens fossem veiculadas e pronto. Tudo isso seria respondido com muita clareza. Afinal, a maior dúvida dos governista é: se houve ou não houve o encontro entre a ministra Dilma e a ex-secretária Lina Vieira.
"Dilma foi cirúrgica no seu pedido: de que era para agilizar o processo sobre o filho de José Sarney", afirma Lina. "Ou a senhora prevaricou ou não está falando a verdade", diz Mercadante, porque ela não comunicou ninguém sobre o encontro. O senador comete um ato falho e chama a ex-secretária de "Dona Dilma".
Mercadante pergunta sobre como Lina foi convidada para outras reuniões que ela teve com Dilma e outros membros do governo. "Eu fui acompanhada do ministro", responde a ex-secretária da Receita Federal.
A senadora Ideli Salvatti (PT-SC) desdenha da entrevista que Lina concedeu e diz que já é tradição no Senado as coisas tomarem dimensões circenses. "Uma declaração como a senhora fez causa muito estardalhaço. Para que eu possa fazer parte desse jogo político-partidário, eu preciso fazer algumas perguntas", diz Ideli, que começa a ler em voz alta declarações da ex-secretária na entrevista ao jornal Folha de S.Paulo. Ou a senhora mentiu para a Folha, ou a senhora mentiu aqui. A senora disse que nao houve pressão". Renan Calheiros intervém e diz que Lina refez as declarações feitas ao jornal.
Romero Jucá diz que a investigação trabalha "para a Justiça". "Não há ingerência. Nem a Receita Federal poderia mudar o rumo das investigações". Questionada se a ministra Dilma pediu para agilizar algum processo específico, Lina responde a Jucá que "era sobre o processo de Fernando Sarney". "Acho que o que houve foi um grande mal entendido. Para mim, esse assunto morre hoje", diz Jucá.
A base governista quer politizar as declarações da ex-secretária da Receita Federal.
Lina disse há pouco que o Palácio do Planalto deve ter registro da passagem dela por lá para a reunião com a ministra Dilma Rousseff.

"Achei incabível o pedido da ministra", acrescentou Lina.

A Justiça também pediu que a Receita Federal agilizasse as investigações sobre os negócios suspeitos do filho do senador Sarney. Considerou que o processo estava muito moroso, segundo Lina.

Questionada sobre as mudanças tributárias na Petrobrás, a ex-secretária diz que o CAE não é o lugar para falar sobre o assunto, que tramita em uma CPI própria.
"Eu não me lembro do dia do encontro".
A ex-secretária da Receita Federal repetiu até agora na Comissão de Constituição e Justiça do Senado tudo que disse antes em entrevista ao jornal Folha de S. Paulo e ao Jornal Nacional: que foi convidada pela ministra Dilma Rousseff para uma reunião no gabinete dela no Palácio do Planalto no fim do ano passado. E que ouviu dela o pedido para que agilizasse as investigações em torno dos negócios suspeitos do empresário Fernando Sarney, filho do senador José Sarney (PMDB-AP).

Lina topa ser acareada com Dilma. Foi o que ela disse.
"Confirmo, sim, o encontro."

"Eu estive, sim, com a ministra Dilma, em menos de dez minutos, no quarto andar do Palácio do Planalto, sem saber o que havia de ser tratado."
Segundo ela, afirmando categoricamnete, que o encontro houve, sim, com a ministra Dilma Rousseff.

E que o pedido para agilizar as investigações em torno da Petrobras, foram feitos pela própria ministra, através do encontro "arranjado" pela sua secretária de gabinete, Dra Erenice Guerra.

"Tudo o que falei, repito em qualquer outra instância."
A ex-secretária da Receita Federal Lina Vieira começou seu depoimento à Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado, nesta terça-feira (18), falando de seu currículo profissional. Lina também afirmou que estava na comissão para falar da suposta reunião secreta com a ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff. "Estou aqui como cidadã para prestar esclarecimentos sobre os fatos publicados pela imprensa que denunciam a possível interferência da ministra da Casa Civil em assuntos da Receita Federal", disse Lina.
Agora, ela relata sobre suas atividades enquanto esteve na Secretaria da Fazenda.

No Senado

Lina Vieira, ex-secretária da Fazenda, começa suas declarações na Comissão de Constituição e Justiça, lendo seu curriculum.

Lina Vieira vai ao Senado

O presidente Lula desafiou Lina Vieira a mostrar a agenda, falou em mexerico, disse que se faz carnaval sem samba, que há assuntos importantes a tratar.

Esse é um assunto importante.

Saber se alguém mente no serviço público é importante porque ou uma secretária da Receita mente ou uma ministra mente.

Isso é importante, é relevante.

Se houve o encontro, foi fora de agenda e deixado de lado para o superior da secretária da Receita, que é o ministro da Fazenda. Se não houve o encontro, a então secretária inventou tudo e como é funcionária de carreira, fica sujeita a um enquadramento administrativo, além de arcar com reparação por danos morais.

Mentir é grave.

O senador Pedro Simon, que é do PMDB, ao se referir ao desafio que o presidente Lula fez à ex-secretária, lembrou que se a ministra fez o pedido sobre Sarney, não foi por conta dela, mas a mando do presidente.

Enfim, são especulações e dúvidas que podem começar a ser esclarecidas no depoimento de hoje no Senado. Tem tudo para ser um dos momentos que atraem atenção para aquela Casa tumultuada. Atenção porque as pessoas podem ter raiva ou admiração; podem vaiar ou aplaudir. Só não podem deixar de prestar atenção.

É a pior reação. A reação de alienar-se é estorvo para melhorar o país.

segunda-feira, 17 de agosto de 2009

Record X Globo

Uol.com.br

Em programa de quase uma hora exibido na noite deste domingo, a Rede Record aumentou o tons das críticas contra a Rede Globo, vinculando a emissora da família Marinho à ditadura militar no país.

Sem intervalos comerciais, o programa "Repórter Record" exibiu a denúncia de que a Globo estaria tratando como terreno particular uma praça pública em São Paulo, além de acusar a emissora de falsificar documentos.

O programa retransmitiu entrevistas com políticos a respeito do "monopólio" da emissora, alegando que essa prática seria "prejudicial à democracia".

Ainda nessa linha, utilizou trechos de um documentário britânico, "Muito Além do Cidadão Kane", para acusar a Globo de ter sido conivente com as autoridades da ditadura militar brasileira.

Pedofilia e islamismo
Depois das críticas dirigidas à Globo, o Repórter Record mostrou uma entrevista exclusiva com o bispo Edir Macedo, que está no centro das acusações dirigidas contra a quadrilha.

Na entrevista, feita nos Estados Unidos, Macedo afirma que as acusações contra ele não são novas, e que as recebe com "alegria -- por causa da fé"

O bispo afirmou que "claro que há bispos ruins na igreja", mas disse que eles são expulsos da organização quando se descobrem irregularidades. Macedo citou como exemplo um suposto caso de pedofilia nos Estados Unidos: "A igreja colaborou com a polícia nesse caso".

Quando perguntado pela repórter qual sua ambição, ele disse que pretende "colocar a Record lá no topo".

"E com a igreja?", continuou ela. "Pretendo chegar aos países muçulmanos", respondeu Edir Macedo. "Eu sei que é uma guerra danada lá, mas é nossa ambição".

"Diploma de dizimista" de Edson Luiz de Melo. Sua mãe conta que por causa da igreja o filho teve que ser internado

"Fantástico" atira de volta

A edição do programa "Fantástico" da noite deste domingo também deu prosseguimento à troca de acusações. Em reportagem mais curta que o concorrente, mostrou casos de fiéis que teriam sido coagidos a doar mais dinheiro do que poderiam.

Uma das entrevistadas dizia que após ter doado cerca de R$ 100 mil à Igreja Universal, não tinha mais dinheiro para comer e almoçava as amostras grátis distribuídas nos supermercados.

O "Fantástico" também citou o caso de Edson Luiz de Melo, ex-zelador, de 45 anos de idade, portador de um "diploma de dizimista" (veja imagem ao lado). Dulce Conceição de Melo, de 65 anos, mãe de Edson, entrou com a ação na Justiça contra a Igreja Universal do Reino de Deus por prejuízo de R$ 55 mil.

O mesmo programa mostrou uma mansão em Campos do Jordão que seria propriedade de Edir Macedo e que "virou ponto turístico" na cidade.

Guerra das TVs

A troca de acusações entre Globo e Record dominou o telejornal das duas emissoras na última semana, em uma escalada de acusações desencadeada pela abertura do processo no Ministério Público sobre lavagem de dinheiro e formação de quadrilha por parte dos líderes da Igreja Universal.

Na terça-feira, o "Jornal Nacional" veiculou reportagem de dez minutos sobre as acusações, ao lado de imagens de 1995 do bispo Edir Macedo ensinando pastores a convencer fiéis a doar dinheiro.

A resposta veio na noite seguinte. O "Jornal da Record", durante 14 minutos, fez ataques à Globo e mostrou obras de caridade mantidas pela Universal. Para a Record, a cobertura da concorrente é um "ataque direto e desesperado" de quem tem medo de perder "o monopólio dos meios de comunicação no Brasil". O texto afirmava "não ser novidade que a família Marinho usa a televisão para seu jogo de interesses" e que "o poder da família Marinho teve origem na ditadura militar".

Ao mesmo tempo, a reportagem da Globo (9,5 minutos) detalhava as acusações do Ministério Público contra a Universal e destacava que "a Promotoria concluiu que empresas de comunicação estão entre os que receberam ilegalmente" dinheiro de fiéis. Mostrava imagens de um templo para ilustrar a acusação de que "a religião é apenas um pretexto para a arrecadação de dinheiro".

Na quinta-feira, a Record ampliou a cobertura e, em 22 minutos, disse que, com os "ataques" da Globo, "a fé de todos esses fiéis foi ridicularizada". Insistiu ainda no foco no lado empresarial da Globo. "A ligação com o submundo dos golpes financeiros está presente na Globo desde o seu nascimento."

O "JN" do mesmo dia diminuiu o tempo destinado ao tema, para 6,5 minutos. Sempre citando o Ministério Público ou jornais, reforçou que "o dinheiro doado pelos fiéis para a caridade" acabou "usado em benefício do grupo de Edir Macedo".

A Globo fez nova reportagem na sexta-feira, de seis minutos e 15 segundos. Reproduziu reportagens de jornais e foi atrás do destino de R$ 10 milhões apreendidos com um líder da Universal em 2005. Informou que a igreja já fez seis recursos para reaver o dinheiro, mas não conseguiu convencer a Justiça.

sábado, 15 de agosto de 2009

O dia de hoje

1969 - Abertura do Festival de Woodstock, o mais importante evento musical da história contemporânea. Idealizado por quatro jovens, Michael Lang, John Roberts, Joel Rosenman e Artie Kornfeld, foi realizado em uma fazenda em Bethel, perto de Nova York.

Durante três dias, de 300 a 500 mil jovens assistiram a um espetacular desfile de músicos e cantores. Participaram do evento artistas ligados a vários estilos musicais, todos ligados de alguma forma ao movimento hippie: Richie Havens; Santana; Janis Joplin; Creedence Clearwater Revival; Blood, Sweat & Tears; Crosby, Stills, Nash & Young; Jimi Hendrix; Joe Cocker (veja/ouça aqui a melhor performance da sua vida); Leon Russell; Joan Baez; The Who; Ravi Shankar.

Saiba mais sobre aqueles três inacreditáveis dias... e noites!

sexta-feira, 14 de agosto de 2009

IBGE: População Brasileira

O País tem 191,5 milhões de habitantes, segundo uma estimativa divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). São Paulo é o Estado que mais concentra população, com 41,4 milhões de habitantes, o equivalente a 21,6% do total, de acordo com os dados divulgados nesta sexta-feira, 14.

O segundo Estado mais populoso é o de Minas Gerais, com 20 milhões, seguido pelo Rio de Janeiro, com 16 milhões. Os três Estados da região Sudeste, juntos, somam mais de 77 milhões habitantes, o que corresponde a 40,4% da população brasileira, dividida em 27 Estados e 5.565 municípios.

Entre os municípios, os dez mais populosos são todos capitais de seus Estados. São Paulo é a cidade com o maior número de habitantes, pouco mais de 11 milhões. O Rio de Janeiro é a segunda cidade mais populosa, com mais de 6 milhões, seguida por Salvador, que tem quase três milhões. Os outros municípios mais populosos são Brasília (DF), Fortaleza (CE), Belo Horizonte (MG), Curitiba (PR), Manaus (AM), Recife (PE) e Belém (PA), que se tornou a 10ª cidade com o maior número de habitantes do País, tomando o lugar de Porto Alegre (RS), que figurou na posição na útlima pesquisa do IBGE, em 2008. Os demais municípios mantiveram suas colocações.

Entre as cidades mais populosas, excluindo as capitais, cinco são paulistas e outras três do Rio de Janeiro. Guarulhos e Campinas são as únicas com mais de um milhão de habitantes, seguidas por São Gonçalo, Duque de Caxias e Nova Iguaçu, todas do Rio de Janeiro. São Bernardo do Campo, Osasco e Santo André, todas na Grande São Paulo, também estão entre os mais populosos municípios paulistas. Apenas Jaboatão dos Guararapes (PE) e Uberlândia (MG) são de outros Estados entre as que figuram na lista, que se manteve a mesma desde o último levantamento.

Menos populosas

Apenas dois municípios brasileiros permanecem com menos de mil habitantes. Borá (SP) e Serra da Saudade (MG) têm, respectivamente, 837 e 890 habitantes. A décima cidade menos populosa, Chapada da areia (TO), tem 1.273.

quinta-feira, 13 de agosto de 2009

À minha Mãe, Francinete


É tão fácil permitir que a emoção tome conta do nosso coração e então toda ternura e todo carinho tomam forma de palavras, para que possam ser definidos.

E assim neste dia tão especial e maravilhoso, nós, seus filhos orgulhosos e privilegiados através desta mensagem, enviamos os nossos melhores e maiores votos de felicidade para o seu coração, mãe querida...

Te amamos muito, te agradecemos por tudo o que faz e fez por nós sabendo que nem sempre retribuímos a altura do seu merecimento, mas hoje é dia de abrir o coração e falar de amor, carinho, de apoio e de segurança, sentimentos que vem de ti mãe para os seus filhos.

Seu olhar firme e terno, suas decisões precisas e seus conselhos sábios nos indicando o caminho.

Só Deus em sua divina inspiração poderia ter criado um ser tão perfeito em atos e pensamentos como a mãe!!!

Obrigado Pai Celestial por nos ter dado esta mãe, essa mulher forte segura e firme que possui uma luz tão forte que irradia em nós o que buscamos e procuramos.

Que ele dê as forças necessárias para que sigas em frente em sua jornada e que por todo o caminho, estejamos ao seu lado.

Parabéns Mãe e Muitas Felicidades!!!

quarta-feira, 12 de agosto de 2009

O balanço dos balanços - Jornal Bom Dia Brasil

O balanço dos balanços das empresas de capital aberto é bom. Nos Estados Unidos, as empresas começam a se afastar do precipício no final desse primeiro semestre. No Brasil, os balanços estão melhores do que o previsto. As empresas da área de mineração, siderurgia, tiveram quedas nos lucros ou até prejuízo. Os bancos tiveram pequena queda nos lucros. As empresas de varejo tiveram resultados muito bons.

As empresas da área de construção estão em plena recuperação. Nos Estados Unidos o ajuste foi mais doloroso. As empresas que estão recuperando a lucratividade são as que cortaram fortemente os custos, entre outras razões, com grandes demissões.

No mercado de ações, a Europa fechou perto da estabilidade. Mas na Ásia, as Bolsas tiveram forte queda. Esses últimos dias foram de notícias ruins. A Rússia divulgou ontem um dado horroroso: teve queda no PIB. Saiu de 7% de crescimento para 10% de queda, no segundo trimestre, que é de recuperação em muitos países.

A China também divulgou 23% de queda nas exportações, em relação ao mesmo período do ano passado. Agora, tem queda no crédito. Isso é assustador, porque é o comércio interno que está sustentando a China.

A crise continua, mas há pontos de melhora.

Nos Estados Unidos, a não divulgação de quanto os bancos perderam é a grande questão. Há várias melhoras, quando se olham os dados, porque os governos jogaram muito dinheiro nas economias. Mas o fator inicial da crise, os bancos quebrados, não foi resolvido. O ativo dos bancos ainda não está saneado e os bancos continuam sem a limpeza necessária para se recomeçar a economia.

Quércia admite ser candidato


Coisas da Política - Jornal do Brasil - 18/4/1989


Por Ricardo Noblat:

O Governador Orestes Quércia [São Paulo] finalmente abriu a guarda. Depois de 40 dias de recusas enérgicas em público e em particular, de negativas contundentes que pareciam não admitir retorno, caiu em tentação e concordou em disputar a indicação do PMDB para candidato à sucessão do Presidente José Sarney.

Foi o Governador Pedro Simon, do Rio Grande do Sul, quem arrancou de Quércia o que outros tinham tentado sem sucesso.

No meio da semana passada, Simon se reuniu no Rio de Janeiro com o jornalista Roberto Marinho, dono das Organizações Globo.

Ouviu dele a opinião de que o governador de São Paulo é o único candidato que o PMDB dispõe para ganhar a eleição presidencial.

Simon voou para São Paulo e lá se encontrou com Quércia. Conversaram longamente. Para efeito externo, Quércia saiu do encontro renovando seu apoio à candidatura de Ulysses.

Simon saiu pregando a renúncia coletiva dos atuais aspirantes a candidato pelo PMDB — Ulysses, Waldir Pires, Álvaro Dias e Íris Resende.

A portas fechadas com Simon, Quércia se rendera pouco antes. "Sem a esquerda, caracterizada pelas figuras de Arraes e Waldir, nem que todo o partido venha me pedir de joelhos eu não aceito ser candidato", estipulou o governador de São Paulo. Concordou pela negativa.

Se os Governadores Miguel Arraes [de Pernambuco] e Waldir Pires [da Bahia] decidirem apoiá-lo, Quércia se dispõe a disputar a sucessão pelo PMDB.

Simon exultou com o que Quércia lhe disse. De novo no Rio de Janeiro, para um encontro de governadores patrocinado por Moreira Franco, Simon conferiu a aceitação de alguns dos seus colegas ao nome de Quércia. Os governadores do Ceará, do Rio Grande do Norte e de Goiás aceitaram o nome de Quércia na hora.

O do Rio não se definiu. O de Pernambuco discordou e deixou o encontro pelo meio. "Quiseram me fazer engolir um prato feito", queixou-se Arraes no dia seguinte no Recife.

Arraes é autor de uma frase que não se cansa de repetir: "É melhor perder com Ulysses do que ganhar com Quércia". Com Ulysses, o PMDB poderá conservar o domínio sobre o espaço de centro-esquerda do país, resgatando seu antigo discurso mais afirmativo.

Com Quércia, imagina Arraes, se reproduzirá a mesma aliança de forças políticas que elegeu Tancredo Neves e que deu em Sarney.

Não é sem motivo, segundo Arraes, que o Ministro António Carlos Magalhães [das Comunicações] torce tanto para que Quércia seja o candidato do PMDB a presidente.

No ano passado, quando Otávio Ceccato, então presidente do Banco do Estado de São Paulo, foi acusado de cometer irregularidades, Quércia telefonou para o Ministro.

Fora informado de que o delegado Romeu Tuma, da Polícia Federal, planejava mandar prender Ceccato. António Carlos ligou para Tuma e ordenou que deixasse Ceccato em paz e que não incomodasse o governador de São Paulo.

"Ministro, o senhor está falando em seu nome pessoal ou em nome do presidente?" indagou o delegado. "No seu lugar, eu não procuraria saber", respondeu o ministro. Ceccato não foi preso.

Simon foi fisgado pela idéia de demolir possíveis resistências à candidatura de Quércia. Na última sexta-feira, em Porto Alegre, recepcionou o governador da Bahia e manteve com ele uma conversa a sós.

Convidou-o a compor na condição de vice a chapa a ser encabeçada por Quércia. Waldir Pires recusou o convite. Simon não desistiu. No dia seguinte, recebeu Arraes e propôs o nome de Quércia para candidato.

Arraes retrucou propondo o dele mesmo, Simon. Diante da insistência do governador do Rio Grande do Sul em louvar as qualidades da candidatura de Quércia, Arraes se aborreceu e deu sua palavra final. "O país está à beira da explosão social e vocês só pensam em ser pragmáticos? Não vou atrapalhar o pragmatismo de ninguém. Façam o que quiserem, que eu ficarei em casa.”

Se Arraes ficar em casa, Quércia também ficará.

Quércia não se arriscará a disputar a sucessão de Sarney sem o apoio da esquerda do PMDB representada por Arraes e Waldir.

Para ganhar tempo e ver se será possível atrair os dois, Quércia sugeriu a Simon articular a aprovação pelo Congresso de uma emenda à Constituição que diminua o prazo de desincompatibilização dos governadores para que concorram à eleição presidencial.

O prazo termina no próximo dia 15 de maio. Não mudará.

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Amanhã - Crônica da traição anunciada

terça-feira, 11 de agosto de 2009

Sarney não apoiará Ulysses


Coisas da Política - Jornal do Brasil - 23/3/1989

Por Ricardo Noblat:

O Presidente José Sarney decidiu negar seu apoio à pretensão do Deputado Ulysses Guimarães de vir a sucedê-lo no cargo a partir de março do próximo ano.

Foi o próprio Sarney quem revelou isso ao Governador Moreira Franco, do Rio de Janeiro. O presidente conversou com Moreira na última sexta-feira quando esteve no Rio para a solenidade de formatura de 154 guardas-marinhas. O governador não se surpreendeu com o que ouviu.

Sarney não forneceu as razões que o levaram a tomar a decisão. Elas poderão ser encontradas no relacionamento pontilhado de conflitos que ele e Ulysses mantiveram ao longo dos últimos quatro anos.

"Ulysses me estragou a vida", desabafou o presidente, irritado, logo após as eleições municipais do ano passado. "O PMDB não assume a posição de quem é governo. Ulysses nunca quis se comprometer com a proposta de pacto social."

Na ocasião, Sarney foi mais longe: "Eu não tenho mais nada a perder".

Depois da convenção nacional do PMDB encerrada no último domingo dia 12, o presidente perdeu o apoio formal do partido, que preferiu adotar uma posição de independência em relação ao governo dele.

Na véspera do dia da eleição do novo Diretório do PMDB, Sarney ainda disparou um telefonema para Ulysses, com quem não falava há algumas semanas. Animou-se com as notícias que davam conta do crescimento dentro do partido da candidatura do Governador Waldir Pires. Desde então os dois [Sarney e Ulysses] não mais se falaram.

Ulysses fez e confirmou sua opção preferencial pela aliança com os setores de esquerda do PMDB. Sarney liberou o Ministro Íris Resende para que assumisse a condição de aspirante a candidato do partido à sucessão presidencial. Íris assumiu. Ao liberá-lo, [Sarney] já decidira largar Ulysses de mão.

Íris se reuniu nas últimas 24 horas com os governadores da Paraíba, do Rio Grande do Norte e do Ceará. Não pediu o apoio de nenhum deles para sair candidato pelo PMDB. Ocupou-se em justificar o lançamento do seu nome. Lembrou que é um político que jamais perdeu uma eleição. Citou a boa imagem que acha que tem como Ministro da Agricultura.

Defendeu o governo que integra. Argumentou que Sarney assumiu o cargo para cumprir uma tarefa, essencialmente, política: a de promover a redemocratização do país.

Íris observou que a tarefa foi cumprida: os partidos comunistas foram legalizados, as restrições à liberdade de opiniões suspensas, a eleição direta para Presidente da República restabelecida e uma nova Constituição promulgada [em 1988].

A crise econômica que dificulta o crescimento do país foi gerada no governo anterior, desculpou-se o ministro. Sarney tudo tem feito para conjurá-la. Com o Plano Verão, poderá legar ao sucessor uma inflação sob controle.

O discurso franco, direto de Íris causou boa impressão junto aos três governadores. "Pelo menos, não é um discurso ambíguo, como tantos que tenho ouvido” , comentou o Governador Geraldo Melo, do Rio Grande do Norte. Mas só um deles — o da Paraíba — admitiu, desde logo, aderir ao nome do ministro.

A decisão de Sarney de não apoiar Ulysses, e a dos moderados do PMDB de sustentarem a candidatura de Íris, poderão servir para aparar as diferenças que impedem, até agora, a união das correntes que somaram 62% dos votos da convenção do PMDB em torno de um nome para candidato a presidente. Ou elas encontram um nome ou perderão a indicação do candidato.

Ulysses ainda poderá vir a ser esse nome. O que parece cada dia mais difícil é que o próximo presidente atenda pelo nome de Ulysses.

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Amanhã - Quércia admite ser candidato