quinta-feira, 3 de julho de 2008

Panorama Econômico desta quarta-feira

Inflação reprimida

Enviado por Míriam Leitão

A inflação brasileira está perto do topo da meta, apesar de os preços terem uma distorção gritante na área de energia. A inflação que assusta o mundo tem dois braços: alimentos e energia. Aqui, a gasolina não aumenta, esteja o petróleo a US$ 40, US$ 60 ou US$ 140. Mas sobem o óleo combustível, o querosene de aviação e a nafta. O GLP para a indústria subiu 30% este ano e não sobe desde 2002 para as residências.

A Petrobras usa dois argumentos para explicar a falta de correção dos preços de derivados ao consumidor: que a alta do petróleo é compensada pela queda do dólar e que é preciso esperar que os preços do petróleo se estabilizem. Os argumentos não se sustentam diante de outros preços da empresa. O dólar caiu, porém esse suposto efeito de compensação não acontece nos derivados que não são cobrados diretamente do consumidor, como o combustível para aviação, o óleo para a indústria ou a matéria-prima da petroquímica. O argumento se desmoraliza por esse tratamento diferenciado.

Se é fato que o dólar compensa a alta do petróleo, ou que é preciso esperar que o petróleo se estabilize em algum patamar, então deveria valer para todo tipo de consumidor. Poupando apenas o residencial, o governo está fazendo populismo tarifário. Além do mais, isso podia até ser verdade no segundo semestre do ano passado, com o petróleo a US$ 60, mas agora está a US$ 140, e o dólar não caiu tanto a ponto de explicar o preço congelado. O governo concedeu um aumento de preços para a Petrobras que não chegou ao consumidor de gasolina e chegou atenuado ao de diesel. Esse fato só reforça o ponto: os preços internos estão sendo subsidiados numa hora de choque de preços internacionais. Ou seja, há uma inflação reprimida. O querosene de aviação subiu 36% em 12 meses; o óleo combustível, 54%; e a nafta aumentou 19%, em real, e 42%, em dólar.

O Brasil não está tão errado quanto a Argentina, que manipula os preços interferindo no Indec, contudo o governo está impedindo o repasse de um pedaço do choque externo. Está reprimindo uma parte da inflação e manipulando os preços através da empresa estatal. (A propósito, o ministro Edison Lobão disse que a Petrobras é uma empresa privada. Alguém precisa socorrê-lo com a informação de que a Petrobras tem capital aberto, mas continua sendo uma estatal, pois o controle permanece nas mãos do governo.)
O impacto de reajustes reais de gasolina, diesel e gás de cozinha, quando e se ocorrerem, não será desprezível. Eles têm peso direto e indireto na inflação. O diesel impacta o transporte urbano e outros preços, pelo custo do frete. Combustíveis para veículos têm peso de 4,8 pontos no IPCA, e só a gasolina é 4,3 pontos, o que é um peso enorme. Além disso, indiretamente atinge ônibus urbano, que tem peso de 3,8 no índice. Ninguém $mais inflação, mas reprimi-la, praticando preços fora do lugar, cria um artificialismo na economia. Hoje o consumidor brasileiro vive numa redoma, protegido dos aumentos de preços que provocam reações do consumidor no mundo inteiro. O combate à inflação não pode ser feito através da contenção de alguns preços; tem que ser pelos instrumentos clássicos: política monetária e política fiscal. No Brasil, o único instrumento usado está sendo a taxa de juros.

Os ministros da Fazenda e do Desenvolvimento gostariam que o governo fizesse algo para elevar a taxa de câmbio. Eles temem a rápida queda do superávit comercial e a deterioração do déficit externo. Dois problemas neste desejo: com os juros subindo, é bem difícil imaginar que o real vai se desvalorizar; no entanto, se isso acontecesse, tornaria mais difícil manter intocados os preços ao consumidor dos derivados de petróleo.

Os preços da energia elétrica também têm caído, apesar de o cenário nos próximos anos ser de falta de oferta. Isso ocorre pelo modelo tarifário e pela estratégia do governo de pôr as estatais puxando o preço da energia para baixo nos leilões. É mais um preço com sinal trocado. Mais um artificialismo que se forma na economia. Segundo Claudio Sales, do Acende Brasil, num artigo publicado recentemente, tiveram reduções de tarifas, dentre outras, a AES Sul, Bandeirante, Caiuá, Celesc, Celpa, Celtins, Cemig, Cenf, Cocel, Coelba, Copel, Cosern, CPFL Paulista, CPFL Piratininga, Elektro, Eletropaulo, Energipe, Enersul, Escelsa, Light e Saelpa. Ele conta que o IPCA divulgado em maio mostrou queda de 0,49% para a tarifa residencial de energia elétrica. Os dados da Aneel também indicam que a tarifa residencial média no Brasil caiu no ano passado.

O presidente Lula tem dito que não permitirá que a inflação suba, o ministro da Fazenda garante aos aliados que está atuando para controlar a inflação, mas a população brasileira que conhece o animal inflacionário acha que a tendência é de alta, como mostrou a pesquisa Ibope. O ministro Guido Mantega disse que era a “inflação do feijãozinho”. Vai além do alimento tipicamente brasileiro; atinge outros alimentos, preços de outras áreas, se dissemina na cadeia industrial e há riscos de indexação. A inflação só não é maior porque preços relevantes, como gasolina e gás, não têm subido; e o diesel aumentou quase nada. Mas longe de ser virtude da política econômica, é uma anomalia.

quarta-feira, 2 de julho de 2008

Eleições 2008 - Rio de Janeiro

O quadro eleitoral na disputa pela Prefeitura do Rio de Janeiro ficou assim:

- O PC do B se coligou com PSB, PHS, PTN e PRTB para lançar Jandira Feghali;

- Solange Amaral é a candidata do Democratas (DEM), com o apoio do PTC e do PMN;

- Já o PRB lançou Marcelo Crivella em uma coligação com o PR e o PSDC;

- O PDT escolheu Paulo Ramos;

- Eduardo Paes, do PMDB, é apoiado pelo PP, PTB e PSL;

- A coligação PV-PSDB-PPS entra na disputa com Fernando Gabeira;

- O candidato do PT é Alessandro Molon;

- P-SOL e PSTU se uniram para lançar Chico Alencar;

- Filipe Pereira disputa pelo PSC, com apoio do PRP;

- O PT do B tem Vinícius Cordeiro como candidato;

- O PCB, que não tem representação na Câmara Federal, lançou o secretário político do partido, Eduardo Serra.

Na semana que vem, a Justiça Eleitoral começa a avaliar as fichas dos candidatos. Segundo o presidente do Tribunal Regional Eleitoral do Rio de Janeiro (TRE-RJ), Roberto Wider, o entendimento dos juízes do estado do Rio é que candidatos com ficha suja devem ter o registro negado. Mas as análises serão feitas caso a caso.

“A Justiça Eleitoral, fazendo a parte dela, restará ao principal ator dessa história, que é o eleitor, que poderá, com o voto, eleger os melhores para dirigirem os destinos do nosso estado e do nosso país”, enfatizou Wider.

O Rio com um forte nevoeiro, mas mesmo assim continua lindo

Foto: Genilson Araújo - Agência Globo
Esta foto foi tirada ontem (01) pelo repórter que faz a cobertura do trânsito para a CBN.

Leia o Panorama Econômico desta terça-feira (01)

Os trigêmeos
Enviado por Míriam Leitão

Os bancos centrais do mundo estão reunidos diante de três fantasmas que ameaçam a economia: o preço do petróleo, a inflação e a crise americana. Os três põem em perigo o longo período de forte crescimento mundial. Hoje três bilhões de pessoas vivem sob uma inflação de dois dígitos, em 50 países diferentes. A crise americana é agravada pela disparada do petróleo.

Os bancos centrais estão num encontro na Basiléia, como fazem rotineiramente, mas agora estão diante da sua própria incapacidade de proteger a economia mundial. Os preços do petróleo estão em níveis inesperadamente altos. A inflação de alimentos é mais complexa do que imaginam os que apenas procuram no biocombustível um bode expiatório. A crise americana é grave e fica mais grave com a alta de preços fundamentais na cesta de consumo de qualquer família: alimentos e energia.

O banco Morgan Stanley fez uma análise país por país e concluiu que, em 190 deles, 50 estão “no clube dos dois dígitos” — e são justamente os mais populosos. Significa que atualmente 42% da população mundial enfrentam os efeitos dessa corrosão na renda das pessoas, a qual o Brasil conhece tão bem. O problema é que o remédio recomendado, o aperto monetário, não será usado por grande parte desses países, porque eles temem os efeitos da redução do crescimento econômico. No entanto, a inflação prolongada tem o mesmo resultado: ela afeta exatamente a taxa de crescimento. Assim o banco acha que muitos países emergentes não conseguirão manter a história de crescimento e de sucesso que vinham vivendo até agora.

Na verdade, o hipotético clube, que o Morgan Stanley já definiu como DDIC (double-digit inflation club), pode ter um outro membro de enorme peso: a China. Oficialmente, ela não está com a inflação neste patamar, contudo vários preços importantes não estão incluídos nos índices, e o país acaba de aumentar em 17% os preços da gasolina e do diesel. Portanto, inevitavelmente, ela vai acabar integrando o clube. A Índia já está, com sua inflação de 11%; a Indonésia também, com 10%; assim como o Paquistão, com 19%; a Rússia, 15%; o Vietnã, 25%; e a Venezuela, com 30%. Além deles, a Argentina, com uma inflação desconhecida, mas se sabe que de dois dígitos; a Etiópia, com 29%; a Bolívia, com 17%, entre muitos outros e sem falar no Zimbábue, com 164.900%. Doze dos países do clube estão na América Latina; e mais doze na África.

Outro fantasma que ameaça a economia é a crise de crédito americana (e seus efeitos), que muita gente achava que já estivesse no caminho da solução. Comemoraram cedo demais. A opinião de muitos economistas é de que há mais por vir quando se trata de problemas nos bancos. As ações deles continuam caindo. Ontem, por exemplo, o Lehman Brothers caiu 10%. No mês, já são 45%. O empréstimo interbancário também está lento, num sinal de que continua havendo insegurança dentro do próprio mercado bancário $a solidez dos bancos. Há poucos dias, isso ficou explícito com o relatório da Goldman Sachs afirmando que o Citi ainda teria créditos podres. Como não existem dados públicos e confiáveis a respeito de quem tem — ou não — tais créditos, o resultado acaba sendo que os relatórios de instituições de mercado são sempre olhados com atenção. Uma das hipóteses é de que haja uma segunda onda forte de bancos com problemas.

Porém nem todo o mercado considera que a crise americana será catastrófica. Roberto Padovani, do WestLB, acha que ela será bem mais suave do que se esperava e pouco profunda. Marcelo Carvalho, do Morgan Stanley, acredita que ela durará bastante. Até agora o pessimismo tem se confirmado. No início, a aposta era de que seria um pequeno rombo, de poucos bilhões de dólares; chegou a quase US$ 500 bilhões. Todos concordam numa coisa: a aversão ao risco anda enorme. A confiança do consumidor está despencando também. E isso tudo tem impacto no que consomem os vorazes americanos.

O petróleo em alta aumenta a inflação, reduz a renda disponível de consumidores já abatidos por outros problemas, e ainda espalha a incerteza. O petróleo não está só alto; está imprevisível. A dispersão grande das previsões mostra que tudo pode acontecer. Uma incerteza assim produz retração de investimentos.

Quanto mais longo for o período de inflação alta, quanto mais incerto for o preço do petróleo maior será o impacto desses problemas no crescimento global. Foi exatamente a queda da inflação nos últimos 15 anos que permitiu um período tão longo de crescimento sustentado no mundo, diz o texto do Morgan Stanley.

O relatório do BIS (o banco central dos bancos centrais), divulgado ontem, faz um bom diagnóstico; pena que um pouco tarde. Para os bancos centrais, a “causa fundamental para todos os problemas que estão surgindo agora foi o excessivo e imprudente crescimento do crédito por um longo período”. Assumem que os juros ficaram muito baixos por muito tempo. O documento também critica os novos produtos financeiros, o crédito de má qualidade e a falta de transparência do processo. Pode-se resumir o que eles dizem falando o que eles não diriam tão francamente: foi falha da regulação bancária, ou seja, um erro do Fed. Para o BIS, esta turbulência que a economia mundial atravessa é sem precedentes desde o pós-guerra.

Três fantasmas decidiram rondar a economia ao mesmo tempo e cada um agrava o efeito que o outro provoca.

Por dentro do blog

Por motivos pessoais e relevantes o Panorama Econômico - coluna da Míriam Leitão no Jornal O Globo - será editado apenas no dia posterior de sua publicação no jornal, pois estou saindo de férias e como todo mundo é filho de Deus., tenho que arejar um pouco a minha mente.

A partir da próxima semana será exibida uma série de comentários e reportagens sobre as Eleições 2008 das principais cidades brasileiras. No entanto, antecipando os fatos, publico ainda hoje a análise da formação política na cidade do Rio de Janeiro.

Fiquem espertos nos candidatos que estão se formando para disputar os cargos de prefeito e vereador nas suas cidades.

Com o tempo aprendi que Política é um assunto importante para ser entendido e formar opinião. Espero que vocês façam o mesmo exercício.

terça-feira, 1 de julho de 2008

Eleições 2008 - Perguntas e respostas

Da Revista Veja Online

Em outubro de 2008, os eleitores brasileiros voltarão às urnas. Eles vão escolher os representantes que administrarão pelos quatro anos seguintes a esfera pública mais ligada à vida cotidiana do cidadão: a cidade. Serão eleitos prefeitos, vice-prefeitos e vereadores de todos os municípios do país. Eles tomam decisões acerca de temas importantes como iluminação e conservação das ruas, coleta de lixo, educação básica e saúde. Confira a seguir, as principais informações sobre o pleito.

1. Quais e quantos cargos estarão em disputa nas eleições de 2008?

Serão 5.564 postos de prefeito e igual número de vice-prefeitos, relativos a todos os municípios brasileiros. Já o número de vereadores é incerto. Se for mantida a resolução em vigor do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), estarão em jogo 51.748 postos nas câmaras municipais. Porém, até o início oficial processo eleitoral, em 30 de junho, essa cifra poderá ser alterada. Há, por exemplo, uma proposta de emenda constitucional em tramitação na Câmara dos Deputados que propõe a elevação do número de parlamentares municipais para cerca de 57.000 - outra ainda sugere quase 60.000. Se aprovada a proposta, os gastos públicos, é claro, subirão. Por fim, no pleito de 2008, não haverá disputa para deputados estaduais e federais, senadores, governadores e presidente da República - o que ocorrerá em 2010.

2. Quais as datas das votações?

O primeiro turno será realizado no dia 5 de outubro. Quando for necessário, as cidades farão a votação suplementar - ou seja, o segundo turno - no dia 26 de outubro. Vale lembrar que a segunda votação só vale para a escolha do chefe do poder Executivo - no caso, o prefeito.

3. O segundo turno pode ocorrer em todas as cidades brasileiras?

Não. Ele só será realizado nos municípios com mais de 200.000 eleitores, caso nenhum candidato a prefeito consiga a maioria absoluta dos votos no primeiro turno. Obedecendo o censo do TSE, atualmente 74 cidades, em 23 estados, estariam aptas a realizar o segundo turno. Nenhum município do Acre, Roraima e Tocantins deverá realizar a votação suplementar, pois não há cidades com mais de 200.000 habitantes nesses estados. Em 2004, foi realizado segundo turno em 44 das 68 cidades então aptas a realizá-lo. Vale lembrar que, no Distrito Federal, não haverá eleições, pois não há prefeitura.

4. Qual o custo das eleições?

Segundo estimativas do TSE, deverão ser gastos cerca de 600 milhões de reais. Esse valor inclui investimentos em equipamentos, transporte de urnas para as sessões, impressão de cadastro de eleitores e relatórios de votação, além de alimentação para os profissionais da Justiça Eleitoral e para os eleitores convocados para trabalhar nas eleições. Não entram nessa conta salários dos funcionários de carreira da Justiça Eleitoral e a manutenção da máquina da instituição, que já têm um orçamento anual determinado.

5. Haverá novidades no método de votação?

Em larga escala, não: será mantida a já conhecida urna eletrônica, em que o eleitor digita o número de seu candidato ou da legenda de sua preferência e confirma o voto. Porém, em pequena escala, será testado um método piloto de identificação datiloscópica e também fotográfica. Na prática, ao invés de apenas apresentar seu título e votar, o eleitor terá de fornecer sua impressão digital a um equipamento eletrônico de coleta - o dado será confrontado com o cadastro da Justiça Eleitoral. Além disso, os mesários da sessão terão à disposição uma foto do eleitor, juntamente com o cadastro eleitoral. O objetivo é evitar fraudes.

6. Onde ocorrerá a identificação datiloscópica e fotográfica do eleitor?

Cerca de 25.000 urnas com a tecnologia realizarão o teste. Elas serão utilizadas, experimentalmente, nos municípios de São João Batista (SC), Fátima do Sul (MS) e Colorado do Oeste (RO). Segundo o TSE, caso o teste seja bem-sucedido, deverá ser implantado em todo o país no prazo de dez anos.

7. Será possível imprimir o voto?

Não. Há um projeto que tramita no Congresso Nacional propondo que os eleitores deixem o local de votação carregando um comprovante que mostre as suas escolhas. Porém, o TSE já se pronunciou contra o projeto: o Tribunal alega que a prática seria um retrocesso, colocando um sistema "moderno" (a urna eletrônica) sob controle de um sistema "ultrapassado" (o voto impresso). Além disso, objeta o TSE, a impressão do voto abriria brechas para fraudes e a intimidação de eleitores, que teriam seus votos revelados.

8. Quantos eleitores poderão votar em todo o Brasil?

Até maio de 2008, será possível requerer o título para votar. Por isso, o número ainda sofrerá alterações. O levantamento mais recente do TSE, divulgado em setembro de 2007, mostrava que estavam aptos a votar 126.498.921 brasileiros. A título de curiosidade, vale ressaltar que, dos cem maiores colégios eleitorais, 29 estão no estado de São Paulo. A capital paulista, aliás, é o maior deles, com 8.038.625 eleitores inscritos, seguida do Rio (4.510.902), Belo Horizonte (1.733.878) e Salvador (1.697.294). A única capital que não figurava entre os cem maiores colégios era Palmas (TO), com 120.815 eleitores.

9. Os brasileiros que estão no exterior poderão votar?

Não. Há 90.696 brasileiros vivendo em outros países aptos a votar nas eleições de 2008, de acordo com o TSE. Eles não poderão participar do pleito municipal, mas apenas da escolha do presidente da República.

10. As eleições de 2008 podem influenciar o resultado do pleito de 2010?

É cedo para saber. Tradicionalmente, porém, os partidos políticos se esforçam em conquistar o maior número de administrações do país e também as cidades mais importantes, de olho no eleitorado da eleição seguinte - no caso, as eleições presidenciais de 2010.

segunda-feira, 30 de junho de 2008

Análise do Semestre

Enviado por Lucia Hippolito

Mais um semestre esquisito, em que a política freqüentou quase diariamente as páginas policiais. Praticamente todos os grandes partidos foram envolvidos em confusão.

Grossa corrupção no Rio Grande do Sul, com direito até a pedido de impeachment da governadora tucana Yeda Crusius. Lembro que tratei desse assunto aqui mesmo no blog em 27 de abril e em 9 de junho.

CPI em funcionamento na Assembléia Legislativa constatou desvio de pelo menos 44 milhões de reais do Detran-RS. O principal envolvido, o tucano Lair Feist, foi um dos coordenadores da campanha de Yeda ao governo em 2006.

Secretário de Planejamento é fotografado pelo jornal Zero Hora tomando chope com o principal envolvido no escândalo. Resultado: pede demissão.

Vice-governador Paulo Feijó (DEM) inimigo de Yeda desde antes da posse, grava conversa comprometedora com o chefe da Casa Civil.

Resultado: chefe da Casa Civil e mais quatro secretários pedem demissão. Yeda praticamente entrega a coordenação do governo aos partidos da sua base aliada.

O escândalo ainda não chegou ao seu final.

Grossa corrupção em São Paulo. Empresa francesa Alstom confessa ter pagado propina a membros do governo Mário Covas-Geraldo Alckmin para ser beneficiada com obras no estado, principalmente metrô, Eletropaulo e Sabesp.

Tratei deste assunto em 4 de junho, concluindo: “Este escândalo da Alstom pode até ser escondido dentro do armário. Mas vai assombrar a campanha do ex-governador Alckmin, se ele insistir em ser candidato a prefeito em 2008.

Mas o governador José Serra se ilude, pensando que isto é assunto do governo Covas-Alckmin. Este esqueleto também vai sair do armário para assombrar a campanha do governador em 2010, seja para presidente da República, seja para se reeleger governador de São Paulo.

Como diz com muita precisão o senador Jarbas Vasconcelos (PMDB-PE), “safadeza não prescreve”.

Grossa corrupção em Minas Gerais, onde o prefeito de Juiz de Fora, Alberto Bejani (PTB), continua preso mesmo depois de ter renunciado ao cargo. Bejani está envolvido em falcatruas para liberação de verbas do Ministério das Cidades.

Apanhado em vídeos e fitas, embolsando dinheiro (imagens quase pornográficas!), Bejani tratou logo de envolver o ex-ministro José Dirceu, acusando-o de intermediário de um negócio que teria rendido ao atual consultor José Dirceu uma “comissão” de R$ 7 milhões!

(Para quem não se lembra, a campanha de Bejani em 2004 foi uma das “irrigadas” por verbas do mensalão, repassadas por Delúbio Soares ao então deputado Roberto Jefferson.)

Grossa corrupção envolvendo o BNDES. Denúncia de desvio de recursos do banco atingiu em cheio o deputado Paulo Pereira da Silva (PDT-SP), cujo processo de cassação está sendo analisado pelo Conselho de Ética da Câmara.

Independentemente disso, o STF acolheu o pedido do procurador-geral da República e Paulo Pereira da Silva já está sendo processado.

Grossa corrupção na Bancoop, a cooperativa habitacional dos bancários de São Paulo, envolvendo até o atual presidente do PT, deputado Ricardo Berzoini. (Que vocação para o abismo tem sua Excelência! Volta e meia está associado a escândalos.) Compradores lesados, imóveis que não existiam, enfim, todo o cardápio básico da grande falcatrua.

Mau uso do dinheiro público. Além do uso do cartão corporativo do governo para pagamento de despesas pessoais de altos funcionários, tivemos também o caso do magnífico reitor da UnB e suas lixeiras de R$ 1 mil.

No Ceará, o caso emblemático de “privatização” do cargo. O governador Cid Gomes (genro de ouro, sonho de toda sogra) levou a esposa e a sogra para passar o Carnaval na Europa.
Às custas do contribuinte cearense, naturalmente.

Para encerrar com uma nota de otimismo cauteloso. Só estamos podendo falar desses assuntos, graças a uma imprensa livre, uma Polícia Federal operosa, um Ministério Público atuante e uma opinião pública atenta.

Não é dizer pouco.

sábado, 28 de junho de 2008

Poço de confusões

Enviado por Míriam Leitão - 28.6.2008 às 15h00m

Panorama Econômico
(leia a coluna publicada em O Globo neste sábado)

Está todo mundo confuso. Inclusive os especialistas. Ninguém previu exatamente o que está acontecendo hoje no mercado de petróleo. A consultoria Trendlines, do Canadá, fez uma compilação das previsões de 22 empresas e consultorias internacionais sobre o pico da produção e o fim do petróleo. Na primeira, houve a dispersão de 30 anos; na segunda, de 225 anos. A mesma confusão ocorre nas previsões de preços.

Na lista dos cenários compilados pela Trendlines, estão os de grandes produtoras, como Saudi Aramco, Shell, Exxon, até os da Opep e de consultorias especializadas. Para essas empresas, o pico da produção vai de 2020 a 2050. Cada uma tem um palpite. Os cenários de esgotamento do petróleo variam de 2050 a 2365. A revista "BusinessWeek" ouviu cinco especialistas e perguntou a eles para onde vai o petróleo no futuro próximo. Colheu cinco diferentes respostas. Mathews Simon, da Simon & Co., acredita que o barril ficará entre US$ 200 e US$ 500 num período que vai de seis meses a quatro anos. Jeff Rubin, da CBIC World Markets, aposta em US$ 225 para 2012. Larry Chorn, da Platts, acha que, em 2012, estará entre US$ 130 e US$ 140. Ed Morse, do Lehman Brothers, calcula que, no ano que vem, estará em US$ 83. Tim Evans, da Citi Futures Perspective, está prevendo que, no fim deste ano e começo do próximo, o petróleo estará em US$ 70 a US$ 80. Ou seja, se você está confuso, fique calmo: está em companhia dos maiores especialistas em petróleo do mundo, que andam feito baratas tontas diante desse novo choque, que a maioria subestimou.

Esse choque chegou de forma diferente. Nos da década de 70, houve alta abrupta. Desta vez, os preços subiram de forma constante por cinco anos e, de repente, pularam. Em 1999, o barril chegou a bater mínimas de US$ 14, subiu um pouco e, em 2001, voltou a ficar abaixo de US$ 20. Daí para diante, oscilou, com tendência de alta gradual, e triplicou em cinco anos. Em maio de 2007, estava pouco acima de US$ 60. Ontem abriu rompendo a barreira impensável tempos atrás de US$ 140; foi além, e esbarrou nos US$ 143, voltando depois para os US$ 140. Nos últimos 12 meses, mais que dobrou de preço, e o ritmo da elevação está se acelerando nos últimos três meses. Hoje a maioria dos analistas não acha absurdo se falar em petróleo a US$ 200.

Na realidade, o que há neste mercado de previsões sobre petróleo é muito chute, muita especulação e pouca informação sólida. Há uma falta crônica de dados confiáveis sobre produção, consumo e reservas de inúmeros países que são decisivos na formação do mercado. Os que têm dados auditáveis são economias mais estáveis, onde os números não mudam muito há tempos. Na China, o país em que a demanda mais cresce, há deliberada opacidade de dados. O mercado acha que os números deles de estoque estão errados. Além disso, o país não divulga os dados de consumo, obrigando os especialistas a inferir do total de importação e produção. Mas a produção pode ser maior que a divulgada, pois pequenas refinarias espalhadas pela China profunda produzem quantias que não entram nas estatísticas. Estar errado sobre o consumo ou as reservas chinesas faz uma enorme diferença num mundo onde este país é o grande enigma e o grande formador das expectativas.

Na procura do culpado por tamanha alta de preços, as revistas especializadas em economia tentam isentar a "especulação". Realmente, sempre que não há uma boa explicação, culpa-se esta entidade mítica. Contudo o que essa imprensa especializada tem dito não resiste aos fatos. Existem argumentos assim: há especulação, mas não manipulação. Ou outro: há especulação, mas ela se forma no lado da compra e da venda dos contratos de petróleo, portanto eles se reequilibram. Balela. Formou-se uma corrida dos hedge funds e fundos de riqueza soberana para investimentos em futuro de commodities e, também, em ativos indexados aos preços de commodities, para se proteger da instabilidade no mercado de ações e de juros. Isso virou uma bolha. É impossível explicar alta tão forte de petróleo apenas olhando o que acontece no mundo físico. Recentemente, num depoimento no Senado americano, Michael Masters, administrador de um grande hedge fund, o Master Capital Management, foi de uma sinceridade inesperada e admitiu que grande parte da culpa é de especuladores como ele.

— Nós estamos vivendo um choque de demanda de uma nova categoria de participantes dos mercados futuros de commodities. O aumento da demanda dos especuladores é igual ao aumento de demanda da China — afirmou. Ele deu os dados. Com base em estatísticas americanas, disse que a demanda chinesa aumentou em 920 milhões de barris anuais nos últimos cinco anos e que a demanda dos especuladores cresceu 848 milhões de barris no mesmo período.

Quem quiser entender o que se passa com o louco preço do petróleo tem que olhar em várias direções. Há desequilíbrio entre oferta e demanda, porque o consumo aumentou rápido e o aumento da oferta demora mais a se concretizar; há falta crônica de estatísticas confiáveis; há uma corrida de especuladores para se proteger em futuros de petróleo. Isso permite todos os cenários: de alta continuada a níveis nunca antes imaginados até a queda dos preços após o estouro da bolha especulativa. Os preços do petróleo vão continuar surpreendendo, assustando e confundindo. Inclusive os especialistas.

Porque hoje é sábado

Por isso, vamos contribuir com 1 voto para o Prêmio Troféu Dia da Imprensa.

Pelo terceiro ano consecutivo, em comemoração ao "Dia da Imprensa", o Portal IMPRENSA realiza o "Troféu Dia da Imprensa", destinado a reconhecer o trabalho das redações jornalísticas de veículos de comunicação brasileiros. A premiação tem como objetivo premiar os destaques no jornalismo por meio de indicação e votação públicas.

A votação começou no dia 16 de junho, e vai até o dia 10 de julho.

As categorias para votação são:
melhor jornal diário de TV aberta,
melhor programa jornalístico de TV Aberta,
melhor programa jornalístico em TV Paga,
melhor jornal diário impresso,
melhor emissora jornalística de rádio,
melhor blog de jornalismo e/ou jornalista,
melhor site de notícias,
melhor revista semanal de informação,
melhor Revista segmentada e/ou dirigida,
além da categoria especial, Troféu Dia da Imprensa - Prêmio Especial.

Desde já expresso minha preferência de MELHOR EMISSORA JORNALÍSTICA DE RÁDIO: Rádio CBN.

Basta clicar no link abaixo e votar.
http://www.trofeudiadaimprensa.com.br/2008_2fase_votacao_5categoria.asp

sexta-feira, 27 de junho de 2008

Panorama Econômico de 26 e 27 de junho

Leia o Panorama Econômico desta sexta-feira.

Dupla face

Esta não é uma conjuntura econômica simples. Por um lado, o país vive a sensação da animação com a economia crescendo, aumentando investimentos, diminuindo a taxa de desemprego; por outro, a inflação está subindo, assim como os juros, o déficit em transações correntes reapareceu, o mundo vive um surto inflacionário e um choque de petróleo. Que remédios usar num contexto assim?

Conversas com empresários de qualquer área mostram sempre a mesma dupla face da economia: as vendas crescendo, empresas com dificuldades de atender à demanda e, por outro lado, a pressão de preços e custos. O governo tem dado sinais contraditórios: aumentos de gastos e juras de manutenção da política de combate à inflação; diagnósticos superficiais sobre riscos inflacionários e altas nas taxas de juros.

Entrevistei dois economistas com visões diferentes no “Espaço Aberto”, da Globonews. Ambos estão preocupados com a alta dos preços, mas vêem de forma diferente a ação do Banco Central sobre a expansão do crédito e têm avaliações distintas sobre os riscos do déficit em transações correntes.

O ex-presidente do Banco Central Gustavo Loyola acha que o BC deve evitar qualquer medida artificial de controle do crédito, mesmo reconhecendo que essa é uma das razões do aquecimento da demanda. Ele acredita que tentativas de controlar o mercado de crédito acabam gerando distorções que levam a novas tentativas frustradas de regulação. Acha que o mercado se ajustará, pois os próprios bancos acabarão restringindo o crédito.

O professor Luiz Gonzaga Belluzzo vê um risco de aumento rápido da inadimplência; e acha que o Banco Central não pode acreditar que o mercado resolverá isso sozinho. Lembra que, nos Estados Unidos, foi exatamente a falta de atuação do Fed que permitiu as inúmeras distorções que levaram à atual crise de crédito. Belluzzo considera que há uma distância enorme entre os excessos que ocorreram lá e os primeiros problemas aqui, mas acredita que a regulação do BC pode prevenir uma crise de inadimplência.

Os números de conta corrente deixam Belluzzo desconfortável, mas Loyola acha que o câmbio flutuante é suficiente para reequilibrar a conta corrente e que agora o déficit está sendo financiado pela entrada de investimentos externos. Belluzzo pondera que, se o câmbio flutuante resolvesse sozinho, o dólar deveria estar subindo, já que o déficit externo reapareceu.

Ambos concordam que o governo deve cortar gastos para ajudar a política monetária e que os juros têm, sim, que subir neste momento. Para Loyola, o governo deveria perseguir a meta de déficit nominal zero; Belluzzo lembra que isso é mais difícil agora, com os juros subindo, o que vai elevar os gastos do governo. Na opinião dele, o Banco Central perdeu chances no passado, quando tudo estava bem, de derrubar mais fortemente a taxa de juros. $evitaria a apreciação forte do real e poderia evitar também o atual déficit em conta corrente. Loyola discorda do reajuste do Bolsa Família neste momento em que o país precisa esfriar o consumo para reduzir o risco inflacionário. Belluzzo acha o reajuste correto, mas discorda da generosidade com que o governo elevou os salários de algumas categorias profissionais do setor público.

Nos últimos anos, os consensos entre os economistas aumentaram, mas, em épocas assim, de decisões difíceis, as divergências voltam. Belluzzo faz parte do conselho de economistas que o presidente Lula reúne para analisar a situação econômica. Conta que lá também há divergências, explicitadas claramente, apesar de dois dos participantes serem o ministro da Fazenda e o presidente do Banco Central. Belluzzo, que no passado já esteve em lado oposto ao do então ministro Delfim Netto, diz que concorda cada vez mais com ele.

O debate deve ajudar o governo nas decisões a tomar nos próximos meses. Não há fórmula mágica, e algumas medidas que parecem certas levam a muitas distorções. Os perigos que estão à espreita não podem ser negligenciados. O déficit em conta corrente aumentou mais rápido que os economistas imaginaram, mas já está caindo. Ainda que o BC tenha elevado para US$ 21 bilhões a sua previsão de déficit para este ano, quando se compara o déficit de cada mês, nota-se que ele está perdendo o fôlego. Há alguns sinais de arrefecimento da demanda, como o nível de atividade da indústria paulista, divulgado ontem. O desemprego continua caindo. O dado de ontem, de maio, de 7,9%, é cinco pontos percentuais mais baixo que o de maio de 2004. Mas o risco, em um mercado de trabalho aquecido, é de religar o círculo de reajuste para compensar a inflação, o que leva a mais inflação.

O choque inflacionário é, em parte, global, contudo chegou ao Brasil quando o crescimento estava se acelerando. É global, mas o combate a ele tem que ser local.
O Banco Central reviu a previsão de inflação do ano para longe do centro da meta, mas ainda na banda de flutuação: 6%. Mas sinais de pressão são vistos em outros índices. O IGP-M que será divulgado hoje pode ficar perto de 2%. Se assim for, levará a inflação acumulada em 12 meses a superar 13%. Esses são tempos desafiadores e escorregadios. Qualquer erro na condução da política econômica é mais perigoso agora do que quando o mundo parecia viver o tempo sem risco do crescimento sem inflação.



Leia o Panorama Econômico desta quinta-feira.

Panorama Econômico
Mulher moderna

Para a mulher independente, sempre dona dos seus próprios pensamentos e posições, que nos anos 50 rompia pela inteligência os limites que sempre aprisionaram a mulher, era difícil aceitar um rótulo de significado tão velho quanto o de “primeira-dama”. Foi por isso — e não por uma idiossincrasia qualquer — que a antropóloga Ruth Cardoso avisou à imprensa que não gostava do termo.

Perdeu essa pequena batalha, porque os jornais continuaram usando o mesmo e surrado rótulo. Ganhou a guerra, ao revolucionar o papel exercido pela mulher do presidente. Não interferia no governo, mas influenciava as políticas públicas; não aceitou ser a repetidora de políticas assistencialistas e mudou o rumo das políticas sociais; conservava sua independência de pensamento e não provocava polêmicas. Hillary Clinton também era mulher independente e inteligente, mas, ao tentar mudar o Health Care americano, invadiu o espaço de quem foi eleito para governar e fez um projeto polêmico. Depois se viu que ela queria mesmo era fazer sua própria carreira na política. Cristina Kirchner já tinha um caminho próprio na política, no entanto, ao suceder ao marido, continua à sua sombra.

Reinventar de forma contemporânea esse papel é uma arte difícil na qual Ruth Cardoso mostrou maestria. Como o velho script não lhe servia, criou um roteiro novo. A LBA, que trazia a marca indelével de assistencialista e que, no governo Collor, foi alvo de denúncias de corrupção, foi fechada. O Comunidade Solidária era um conceito inteiramente novo. O órgão era um articulador e não um executor de políticas, por isso tinha orçamento enxuto e poucos funcionários. Ruth fazia a articulação entre financiadores privados de políticas sociais — fossem empresas ou instituições — e as vítimas das tragédias sociais brasileiras. Uma companhia, por exemplo, era convocada a adotar uma cidade com alto índice de analfabetismo. O Comunidade Solidária ligava quem podia participar desse mutirão e os que necessitavam as ações do Estado e da elite brasileira.

Ruth convocava intelectuais, especialistas, profissionais de diversas áreas para encontros de avaliação das políticas públicas. Ela comandava horas seguidas de reunião em que as pessoas de fora do governo falavam livremente. As críticas mais duras não a abalavam. Com sua experiência de coordenação de debate acadêmico, extraía das críticas e apoios o que era útil para aperfeiçoar as políticas. Foi assim que levou para o governo várias idéias novas.

Ela achava, por exemplo, que o Brasil precisava incentivar o voluntariado que, em outros países, leva multidões à prática de ações, individualmente pequenas, mas que na soma mudam realidades. Conseguiu isso. Hoje o voluntariado é mais disseminado no país. Para construir essa nova atitude, não hesitou em resgatar um velho símbolo do governo militar: o Projeto Rondon, em que universitários vão a áreas remotas do Brasil.
Ruth manteve suas atividades intelectuais, a participação em debates e seminários acadêmicos e até em cursos nas universidades. Durante o governo Fernando Henrique, chegou a passar pequenos períodos em universidades americanas dando cursos na sua área de especialização: a antropologia.
Sua obsessão era a educação, Ruth foi a vida inteira uma educadora num país em que este tem sido — e vai continuar sendo por muito tempo — o grande calcanhar-de-aquiles, mas ela tinha idéias próprias, de como fazer o resgate dos analfabetos até o papel das universidades públicas.

Não é fácil modernizar sem provocar controvérsias, não é fácil revolucionar sendo discreta. Mas Ruth conseguiu isso tanto no papel requerido e esperado da mulher do presidente da República, quanto na orientação das políticas sociais no Brasil. Foi ela quem levou para nível federal uma política que nasceu em Campinas, na administração do PSDB, o Bolsa Escola. Depois de Campinas, a proposta tinha evoluído pela ação de outros partidos, como o PT, então com Cristovam Buarque, e o PSB, na época com Célio de Castro. Quando chegou ao governo federal, o Bolsa Escola acabou sendo o embrião para o Bolsa Família, um programa muito mais amplo. Ruth ajudou, assim, os brasileiros — seja acadêmicos especializados em políticas de combate à pobreza, militantes de causas sociais ou políticos, de diversos partidos — nesta construção coletiva de uma política social mais moderna. Não mais a cesta básica, mas, sim, a transferência de renda direta aos mais pobres. Não mais a dívida eterna dos de menor renda a um político específico, mas a construção do cidadão portador de direitos. Hoje essa idéia se firmou e evolui sob críticas e aperfeiçoamentos, com retrocessos e avanços, mas já é vitoriosa. Ainda que as velhas práticas não tenham sido varridas. O velho sempre teima em ficar, porém, na luta com o novo, vai se enfraquecendo.

Ruth deixou sua marca nessa caminhada coletiva por um país mais moderno e mais justo; deixou sua marca no pensamento brasileiro com seus livros, cursos e teses que orientou; deixou sua marca na história do avanço da mulher brasileira. Não venceu o rótulo, ainda é perseguida pelo título de que não gostava, ainda é definida nos jornais como a ex-“primeira-dama”. Mas sua atitude renovou o rótulo. Hoje o país já sabe que esse papel pode ser contemporâneo.

Lucia Hippolito: " Mais polêmico que o presidente Lula, só mesmo a Dilma Rousseff"

Ouça o comentário de hoje no Jornal da CBN, 1ª edição

" Depois do presidente Lula, naturalmente, Dilma Roussef foi a principal personagem da política brasileira no primeiro semestre de 2008. Por conta dos eventos do PAC, alcançou grande visibilidade. Sempre ao lado do presidente, Dilma teve fantástica presença na mídia.

A personagem é polêmica, e está longe da unanimidade. Muito longe.

Seus aliados a consideram uma técnica competente, rigorosa na fiscalização da atuação dos outros ministros, firme no trato com os subordinados. Sob sua administração, o PAC é um sucesso.

Seus opositores a consideram truculenta, autoritária, ríspida, atrabiliária, e não muito competente, haja visto que muitas obras do PAC são pura ficção, nem saíram do papel, enquanto pipocam notícias de que a Polícia Federal prende envolvidos com corrupção em obras do PAC em várias regiões do país.

(Esta divisão entre aliados e opositores não corresponde necessariamente à divisão entre governo e oposição.)

Dilma também foi protagonista dos dois escândalos que agitaram a política no primeiro semestre: a elaboração e divulgação de dossiê com despesas pessoais do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso e sua mulher, a antropóloga Ruth Cardoso, e o escândalo da venda da Varig.

Quando os gastos com cartão corporativo por membros do governo Lula ameaçavam tornar-se assunto de CPI, Dilma afirmou a empresários, num jantar em São Paulo, que o governo estava preparando munição para reagir às acusações da oposição.

Quando começaram a sair as primeiras notícias de um dossiê com as despesas do ex-presidente, Dilma telefonou pessoalmente a Ruth Cardoso e negou categoricamente a existência do tal dossiê.

Depois, quando foi confirmada a existência do dossiê, Dilma afirmou que se tratava de um “banco de dados”.

Finalmente, descobriu-se que, não só o dossiê existia, mas tinha sido elaborado dentro da Casa Civil da Presidência da República e foi vazado por obra e graça de um alto funcionário da Casa Civil, petista histórico.

No segundo escândalo, Dilma foi acusada por Denise Abreu, ex-diretora da Anac, de pressionar pela venda da Varig, atendendo a interesses do advogado Roberto Teixeira, compadre do presidente Lula.

Como sempre, quando é apanhada em falso, a ministra Dilma negou tudo, afirmando mesmo que jamais tinha recebido o advogado Roberto Teixeira no Planalto.

Confrontada com a publicação das várias visitas de Roberto Teixeira ao Planalto, Dilma lembrou-se de que, sim, tinha tido duas reuniões com Roberto Teixeira e sua filha, para tratar da venda da Varig.

Fica parecendo que a ministra Dilma Roussef tem relações cerimoniosas e distantes com a verdade.

Finalmente, Dilma termina o semestre investigada pela Comissão de Ética Pública da Presidência da República. A Comissão vai avaliar se ela pressionou a Anac no caso da venda da VarigLog e se cometeu deslize ético quando teve duas reuniões com o advogado Roberto Teixeira.

(Neste caso, as reuniões não constavam da agenda pública da ministra. O Decreto nº 4.334, de 12.08.2002, que dispõe sobre as audiências concedidas a particulares por agentes públicos – caso das reuniões da ministra com o advogado Roberto Teixeira, nas dependências do Palácio do Planalto – é taxativo: estas reuniões devem ser acompanhadas por outro servidor e registradas, com a anotação das pessoas presentes e dos assuntos tratados. Não foi o que ocorreu.)

É altamente improvável que a Comissão recomende ao presidente Lula a demissão da ministra Dilma Roussef. Mas que ela descumpriu um decreto da Presidência da República, parece não haver dúvida.

Por tudo isso, por toda a exposição e por suas estripulias, a ministra Dilma Roussef é, indiscutivelmente, a personagem do primeiro semestre.

Não tem para ninguém. "

"Farra" de Suplentes - Alternância de Senadores e Suplentes no Senado

O problema se concretizou, hoje são 20 suplentes, em 81 senadores, isto é, 24% da casa.

Isto significa que decisões vitais para o país são tomadas por pessoas que não tiveram um único voto do eleitor.

O escândalo do suplente de senador atingiu seu ponto máximo. Já ultrapassou todos os limites de tolerância.

O suplente de senador sempre foi um problema, desde a Constituição de 88, mas ficou particularmente agudo nos últimos tempos.

A lei eleitoral permite que cada candidato ao Senado concorra com dois suplentes. Em caso de renúncia, cassação, licença ou falecimento do titular, o primeiro suplente assume.

Em geral, candidatos escolhem para suplente o pai, outros escolhem o filho. Aí seria apenas compadrio, clientelismo.

A coisa fica mais séria quando alguns escolhem como suplente o “Espírito Santo”: um empresário, que financia a campanha do titular. Depois o titular se licencia, e o suplente assume, para aprovar ou barrar projetos de seu interesse.

Em vários estados, este acerto já é feito antes da eleição. O empresário financia a campanha do senador, que entra em licença, e o empresário assume para defender seus interesses no Senado.

Pesquisando nas minhas anotações encontrei que no dia 23/11/2007, publiquei neste blog um comentário sobre as vacâncias nas cadeiras do Senado Federal. Relembre-o abaixo.

Isso já vem acontecendo a muito tempo, mas agora como o senado ficou em evidência depois de todos esses problemas embarcados é que estamos vizualizando a coisa como realmente ela é.

O acontece no geral?

Senador é eleito com dois suplentes, mas o nome deles não consta na cédula, então não é preciso dar satisfação à justiça de quem é que ele (senador) está carregando consigo.

No geral é o financiador da campanha, ou o pai, ou o filho, alguém da família e com isso arrasta para o senado gente que não teve um único voto. Mas, acontece que o sujeito assume e decide do mesmo jeito que um senador realmente eleito.

Por exemplo:
Senador Sibá Machado (PT-AC), é suplente da Senadora Marina Silva que foi nomeada ministra do Meio Ambiente pelo presidente Lula, e está no cargo até hoje. Sibá não teve nenhum único voto, mas é um dos três senadores representante do estado do Acre:vota lei, parcela orçamento, libera imendas, paupita sobre recurso, etc.

Outro exemplo:

Senador Wellington Salgado de Oliveira (PMDB-MG), suplente do ministro Hélio Costa, e por aí vai...

O que acontece é que o Brasil está vivendo hoje uma espécie de República dos Senadores, em que o senador não arrisca nada, então ele é eleito e daqui 4 anos, ou é colocado num ministério, ou candidato à presidência da replública, ou vice-presidente, governador, ou...(caso ele renuncie).

Desde José Sarney até agora com José Alencar, quando os dois não foram senadores, um deles foi,e tornou-se presidente ou vice. com isso os suplentes vão assumindo.

A proposta mais correta seria que o segundo mais votado assumisse como aconteceu em 1978 , Franco Montoro e FHC, ambos candidatos, Montoro foi eleito e FHC ficou em 2° lugar. Em 1982, Montoro renunciou o mandato e FHC assumiu.

Mesmo com a pluralidade partidária, deveria ser o mais votado que assumiria o posto de senador.

Agora, nos EUA a coisa é diferente.

São apenas dois senadores por estado, não há suplente, quando o cargo fica vago o governador daquele estado indica alguém para completar o mandato.

A proposta que está na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do senado, hoje, relatada pelo senador Demóstenes prevê o seguinte: toda vez que vagar o cargo de senador, faz-se uma nova eleição no estado, para se escolher o novo senador, agora se a vacância ocorrer no último ano então o suplente assume.

Essa proposta prevê ainda que o senador titular renuncie ao cargo quando se candidatar ao executivo no meio do mandato ou então para assumir ministérios.

Então, analisando novamente o Governo Lula:

O Senador Hélio Costa foi nomeado ministro das Comunicações, renuncia ao cargo,mas como ele ainda está na 1ª metade do mandato , em vez do Senador Wellington Salgado assumir a cadeira faz uma eleição em Minas Gerais, segundo essa proposta. Caso fosse no último ano do mandato aí sim o Senador Wellington assumiria.

Em suma, já é um avanço, pois está se encarando com seriedade está "farra" do suplente de senador, ou seja, senador sem voto que assume e depois passa a participar da vida nacional.

Vamos esperar para ver como esse projeto caminha pela CCJ e depois pelo plenário. mas, é importante essa discussão, pois a hora é essa.

Jornal Nacional de 26/06/08

Festejos de Mossoró lembram a luta contra Lampião

A cidade potiguar era uma das mais ricas do Nordeste quando sofreu invasão do cangaceiro mais temido, Lampião. Hoje, Mossoró comemora São João encenando a história do confronto

O cheiro de pólvora também é marcante em uma festa junina em Mossoró, no Rio Grande do Norte. Veja na reportagem de Michelle Rincon.

Carroça estilizada, forró no trio elétrico. Para quem gosta do ritmo, um convite irresistível. O antigo meio de transporte usado pelos nordestinos que fugiam da seca, o pau-de-arara é adaptado.

Nessa época, quem pega carona é o ritmo junino. A estrela principal da festa se multiplica e ganha nobreza ao se transformar em ‘orquestra sanfônica’.

Tradição e cultura unem o passado e o presente. As marcas de bala ainda estão na torre da igreja de São Vicente. Em junho de 1927, no mês mais festejado pelos nordestinos, o bando de Lampião tentou invadir Mossoró. Era uma das cidades mais ricas da região e foi a primeira a resistir às ameaças de Virgulino. Hoje, a história do confronto entre o povo da cidade e os cangaceiros é encenada no mesmo local onde tudo aconteceu.

Mossoró festeja o São João em um espetáculo ao ar livre. No enredo, o heroísmo da cidade que combateu e venceu a batalha com o bando do cangaceiro mais temido. As lembranças da resistência e a homenagem aos santos juninos se fundem na maior festa popular do Rio Grande do Norte.


Clique aqui para conferir todas as reportagens da série sobre festas juninas.

Acesse
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quinta-feira, 26 de junho de 2008

O Brasil precisa de profissionais certificados e competentes

Profissional Certificado

A certificação do profissional, atualmente, é de grande relevância para o mercado tão competitivo, como está agora, e necessitado de verdadeiros mestres e doutores.

Em qualquer área, por mais simples que seja, a certificação “verdadeira” desse profissional estabelece um paralelo grandioso na melhoria dos diversos serviços prestados à sociedade.

Agora, é claro que analisar a formação do profissional desde o seu contexto básico torna-se uma tarefa complexa, devido as falhas e precariedades do sistema público de ensino, principalmente no Brasil.

O mesmo segmento é válido, infelizmente, para o curso superior, onde os recursos de melhoria são escassos e mal aplicados.

No entanto, espera-se que nos próximos dias, meses, anos e até décadas gestores tornem prioridade a educação no Brasil e, com isso, esse quadro desastroso possa se reverter.

Portanto, realmente é relevante que todo e qualquer indivíduo – por mais que seja impossível – passe por uma estruturação excelente tanto intelectual quanto cultural, prevalecendo, de fato, a ótima formação certificada como parte do processo formativo do bom profissional.


Profissional Competente

A noção de competências profissionais faz uma “varredura” envolvendo todos os campos de análise social, cultural, étnico, religioso, sexual, econômico e político.

Tudo o que hoje se vive passa através de um contexto classificatório, humanístico e reflexivo. Todas as transformações vivenciadas na sociedade atual são transformações de destaque e de grande importância, por mais que às vezes não seja dada a devida relevância.

Daí, as competências profissionais tornam-se enfáticas ao presenciar os diversos episódios sociais.

A família, a educação, o meio ambiente, as empresas, a sociedade são parcelas que devem ser apreciadas constantemente e de maneira cuidadosa. São, portanto, a base sólida do bom profissional desempenhar suas competências favorecendo positivamente o crescimento pessoal, social e profissional.

As Competências e o Mundo

O mundo, hoje, é globalizado. Isto é, composto por muitos elementos – pessoas – de diversas características. Com isso, cada indivíduo possui competências individuais e diversificadas.

No “Mundo dos Negócios” o panorama repete-se continuamente. As diversas áreas profissionais possuem diversos indivíduos com diversas competências.

No entanto, esse prisma reflete, muitas vezes, à desqualificação de ações coletivas no campo do trabalho, isto é, a dificuldade do trabalho em equipe, a não aceitação de opiniões para evitar o crescimento profissional do outro, a divergência de idéias, entre outros.

Em suma, as competências adquiridas e exercidas é detalhe relevante na vida de um profissional em que deve ser analisado de maneira cautelosa para não tornar-se barreira aos princípios do mercado e favorecer, portanto, a valorização política e social do profissional contemporâneo.

Rodízio no TRE do Rio de Janeiro

TRE-RJ terá de trocar juízes eleitorais

Chico Otavio - O Globo

RIO - A dez dias do início da campanha eleitoral, o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) determinou a troca de mais de cem juízes eleitorais no Rio. Liminar concedida pelo conselheiro José Adonis Callou de Araújo Sá, com o referendo do plenário, manda o Tribunal Regional Eleitoral do Estado (TRE-RJ) aplicar, até o dia 5, o critério de rodízio determinado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e dar posse aos magistrados escolhidos para as zonas eleitorais.

O Estado do Rio tem 248 juízes eleitorais. Como a liminar determina a substituição de mais de cem, a decisão pode atrapalhar os planos do presidente do TRE-RJ, desembargador Roberto Wider, de barrar os candidatos com ficha suja. Em duas ocasiões, uma delas recente, ele reuniu os juízes eleitorais do Rio para discutir estratégias de ação.

Juízes favoráveis ao rodízio, feito a cada dois anos, alegam que a decisão demonstra que a medida é "ato relevante e indispensável para o estado de direito, porque implica a seleção do juiz natural que presidirá o pleito eleitoral, mesmo em ano de eleições".

A reclamação apresentada por um grupo de juízes ao CNJ sustenta que o TRE ainda não decidiu sobre as inscrições feitas no mês de abril para a função em diversas zonas eleitorais nem efetivou as designações - já se encerrou o prazo bienal de posse de juízes em 67 zonas eleitorais da capital e 74 do interior.

Na liminar, o conselheiro reconheceu a urgência da reivindicação, uma vez que a data de 5 de julho é o prazo para efetivar alterações na jurisdição eleitoral, de acordo com as regras. Sua decisão foi confirmada por unanimidade.

O rodízio, contudo, ainda não está garantido. O presidente do TRE alegou, por intermédio da assessoria de comunicação do tribunal, que a Advocacia Geral da União vai recorrer da decisão.

Enquanto isso, para atender à liminar sem prejudicar a organização do processo eleitoral, ele pretende designar os novos juízes, mas só vai empossá-los após as eleições do dia 5 de outubro.

Wider entende que os candidatos ao cargo não têm experiência para assumir essa responsabilidade a menos de quatro meses das eleições. O tribunal lembra, ainda, que o TSE proíbe a troca de juízes três meses antes e um depois das eleições. Para não abrir uma crise com os candidatos, ele garante que o prazo de dois anos no cargo para os juízes designados só começará a valer após a sua posse.

De acordo com o TRE, apenas dois dos dez autores do pedido ao CNJ atendem aos requisitos para tomar posse.

quarta-feira, 25 de junho de 2008

Denúncia cai sobre Lindberg

De O Globo Online

Peço-lhes desculpa pelo atraso na publicação desta reportagem.
(Esta matéria foi publicada segunda-feira, 23)

A Procuradoria-Geral de Justiça do Estado do Rio de Janeiro ofereceu, nesta segunda-feira, denúncia contra o prefeito de Nova Iguaçu, Lindberg Farias, e mais sete pessoas, pelo crime de fraude em licitação.

Além do prefeito, foram denunciados André Luiz Ceciliano, secretário de Governo do Município; Jayme Orlando Ferreira, Janaína da Conceição Gomes dos Santos Silva e Marília de Oliveira Machado, respectivamente, presidente e membros efetivos da Comissão de Licitação de Nova Iguaçu; e Carlos Marcos Colonnese, Francisco de Oliveira Junior e Alexandre Paschoa Monteiro, sócios da empresa Supernova Mídia e Comunicação.

O Ministério Público apurou que, logo após assumir o cargo de Prefeito, em 2005, Lindberg determinou a realização de uma licitação, em caráter emergencial, para a prestação de serviços de publicidade ao Município, no valor aproximado de R$ 600 mil. Como justificativa foi apresentada a necessidade de divulgação institucional das ações desenvolvidas pela Prefeitura.

Segundo o MP, a licitação violou diversos dispositivos legais e realizou-se de forma direcionada, para favorecer a empresa Supernova, que era credora de Lindberg em R$ 250 mil, pela prestação de serviços durante a campanha eleitoral de 2004.

O MP afirma que, por conta dos expedientes fraudulentos utilizados na licitação, apenas duas empresas se inscreveram: a Supernova, que é de São Paulo, e a Identigraf Design e Impressos, do Rio de Janeiro. Posteriormente, a Identigraf foi desclassificada e a Supernova declarada vencedora do procedimento licitatório.

O Ministério Público só não pediu a prisão preventiva dos acusados por não ser possível nesse tipo de crime, que é punido com detenção de dois a quatro anos. Se condenados, o prefeito e o presidente da Comissão de Licitação do Município poderão ter suas penas aumentadas por terem comandado a atividade criminosa dos demais acusados.

A Procuradoria-Geral ressalta, ainda, que a denúncia contra Lindberg poderá ser utilizada na Justiça Eleitoral para a impugnação da candidatura à Prefeitura de Nova Iguaçu, já que ele pretende se reeleger. A situação do prefeito é agravada por diversos inquéritos civis e investigações criminais, além de três ações de improbidade administrativa já propostas contra ele, uma das quais pelos mesmos fatos que deram origem à denúncia desta segunda. Lindberg e os integrantes da Comissão de Licitação de Nova Inguaçu estão com seus bens indisponíveis, por decisão da Justiça, a pedido do Ministério Público.

Panorama Econômico - Jornal O Globo

(Leiam a coluna desta quarta-feira) Enviado por Míriam Leitão

Roendo a renda

O aumento da cesta básica nos últimos 12 meses está em 32%; só comparável ao que aconteceu em 2003. A inflação de alimentação no domicílio chegou a 19%, no mesmo período, no INPC. Uma aceleração tão forte terá conseqüências na redução da capacidade de compra do consumidor. O endividamento crescente e a elevação dos juros vão dar mais uma volta no torniquete.

O INPC mede a inflação de famílias com renda menor que as do IPCA. E, nesse índice, a inflação está maior, mostrando que a atual alta de preços atinge mais duramente os mais pobres. Num texto sobre esse assunto, no seu boletim semanal, economistas do Banco Itaú concluíram que, “se tivéssemos um índice de custo de vida específico para a faixa até um salário mínimo, veríamos então um aumento do custo de vida muito maior que o do INPC”. No período de apenas 10 meses, desde o último reajuste do Bolsa Família, os aumentos da cesta básica chegam a 42%, em Belo Horizonte, e a 50%, em Fortaleza. Claramente isso vai tirar renda dos mais pobres e reduzir o nível de consumo e da atividade; principalmente no Nordeste.

Cereais, leguminosas e oleaginosas — item em que estão incluídos arroz e feijão — foi o que teve mais peso em maio tanto no INPC quanto no IPCA. No acumulado em 12 meses, a alta foi de 62%. Também nesse período, os feijões mulatinho, preto e carioca subiram todos acima de 100%.

As altas não são estritas só a arroz e feijão; 14% dos 160 produtos pesquisados subiram acima dos 30% no acumulado em 12 meses. Entre eles, há carnes (30,4%), tomate (71,9%), cenoura (44,6%), farinha de trigo (39,3%). Na cesta básica, há alguns desses. Os 13 itens que a compõem são: carne, leite, feijão, arroz, farinha, batata, tomate, pão, café, banana, açúcar, óleo e manteiga. Todos subiram; a maioria, bastante. Só o café aumentou bem pouco e o açúcar teve queda. Fora da cesta, caíram também, no acumulado, os preços de vários tipos de peixe, abóbora, abacate, chuchu e repolho.

Esta alta atual dos preços só não é maior do que aquela que ocorreu no começo do governo Lula, quando a economia vivia o choque do câmbio, que elevava os preços de todas as commodities. Agora, o que está acontecendo é o oposto. O dólar, em queda há muito tempo, continua baixo e caindo, mas isso não está tendo mais o efeito de inibir a alta de preços.

A inflação, desta vez, encontra as famílias muito mais endividadas, portanto com partes mais significativas da renda comprometida com o pagamento das dívidas. Fazendo uma conta simplificada, segundo o IPC-C1, índice da FGV para famílias com renda de 1 a 2,5 salários mínimos, os alimentos equivalem a cerca de 40% das despesas. A Fecomércio-SP calcula, para a cidade de São Paulo, que as pessoas que ganham até 3 salários estão com um comprometimento 37% da sua renda total com dívidas. Assim, quase 80% já estão comprometidos. Havendo qualquer aperto, vai ficar difícil dar conta de tudo. Segundo levantamento da Serasa, nos cinco primeiros meses do ano, a inadimplência cresceu 6%.

— Não fazemos pesquisa por renda, mas as classes mais inadimplentes são, normalmente, aquelas que são menos acostumadas com o crédito — comentou Carlos Henrique de Almeida, assessor econômico da Serasa.

No resto do mundo, a inflação está acontecendo por pressão dos alimentos e da energia. O Brasil vive numa redoma; aqui os preços dos combustíveis quase não subiram. Nem parece que o preço do petróleo dobrou nos últimos 12 meses. Essa situação artificial não poderá ser mantida para sempre, portanto há uma inflação reprimida na área da energia. Os alimentos também têm um impacto bem menor nos índices de preço no país, mas isso devido à qualidade do nosso setor agrícola.
Quando o presidente Lula afirma que a inflação está sob controle e que aqui ela não deslanchou, deve ser porque ele está olhando apenas o dado do IPCA. É preciso olhar todos os dados da inflação para ver os riscos de ela “deslanchar”.

O professor Luiz Roberto Cunha diz que o IPCA-15, que sai hoje, deve ficar um pouco abaixo do 0,79% do mês passado. No entanto, se o IPCA do final do mês registrar 0,72%, chegará a 6% em 12 meses. E a tendência é continuar subindo:

— A carne está em alta em plena safra; com a quebra de safra de milho nos Estados Unidos, devem continuar em alta milho, trigo e soja. Mas a inflação está também indo além dos alimentos. No último IPCA, 73% dos preços haviam subido.
Os preços da gasolina não subiram, mas isso não significa que a alta do petróleo não está sendo sentida no país. Os produtos que consomem matérias-primas de petróleo, como os petroquímicos, estão encarecendo.

— Material de limpeza é um dos itens que têm subido mais — conta o professor.

A inflação está se dispersando na economia e afetando vários outros produtos, como, por exemplo, material de construção.
O aumento da produção de alimentos certamente ajudará, mas será necessário mais que isso. Para alguns produtos, basta chuva e crédito, como é o caso do feijão, que tem três safras anuais. Mas nas commodities há a pressão da alta no mundo inteiro, a influência de fatores climáticos e de aumento dos custos de produção.

A Justiça Eleitoral só interpretou a Lei

A Justiça Eleitoral do Rio embargou, na manhã desta terça-feira , as obras do chamado projeto "Cimento Social", no Morro da Providência, no Centro do Rio, que tem a proteção do Exército. A decisão, assinada pelo juiz Fábio Uchôa, responsável pela fiscalização da propaganda eleitoral no município do Rio de Janeiro, considera que a obra tem cunho eleitoral, beneficiando o senador e pré-candidato do Rio Marcelo Crivella, em detrimento dos demais interessados no pleito de 2008.


A decisão da Justiça Eleitoral de embargar a obra eleitoreira no Morro da Providência do candidato a prefeito do Rio de Janeiro Marcelo Crivella (PR) salvou parcialmente a face do governo Lula. Forneceu-lhe a desculpa para retirar o Exército depois que 10 soldados e sargentos, obedecendo a ordens de um tenente, entregaram três jovens da Providência para serem executados por traficantes do Morro da Mineira.


As eleições brasileiras são regidas pela Lei 9.504/97, sofreu algumas alterações pela Lei 11.300/06, o Artigo 73, parágrafo 10, diz o seguinte:


Art. 73 "São proibidos aos agentes públicos, servidores ou não, as seguintes condutas tendentes a afetar a igualdade de oportunidades entre candidatos nos pleitos eleitorais:"


§ 10 " No ano em que se realizar eleição, fica proibida a distribuição gratuita de bens, valores ou benefícios por parte da Administração Pública, exceto nos casos de calamidade pública, de estado de emergência ou de programas sociais autorizados em lei e já em execução orçamentária no exercício anterior, casos em que o Ministério Público poderá promover o acompanhamento de sua execução financeira e administrativa."


Ou seja, a partir de 1° de Janeiro do ano eleitoral fica proibido os programas não autorizados por lei que não constam no Orçamento do ano anterior, então o embargo é legítimo, pois está baseado na lei.

No entanto, esperou-se acontecer uma tragédia, envolvendo a morte de três jovens, para que alguma providência fosse tomada.

Portanto, a Justiça Eleitoral apenas interpretou a lei e a executou.

Dia de estréia

Hoje, 25, a cientista política Lucia Hippolito estréia seu novo blog.

Agregado ao Blog do Noblat, o Blog da Lucia tratará da política - nacional e internacional - no segmento de análise e construção de opinião.
A Lucia Hippolito além de ser cientista política é também jornalista e comentarista de política da Rádio CBN e da Globo News. Portanto, excelência em desempenho da tarefa de informar e formar opiniões.

Basta acessar www.blogdalucia.com.br

Daqui, do blog, também pode ser acessado, basta está cadastrado no O Globo Online.

É claro que este blog não ficaria de fora, por isso providenciei logo os procedimentos para agregá-lo (o da Lucia) ao meu, pois é disso que o Brasil precisa, pessoas inteligentes, formadores de opiniões e disseminadoras do conhecimento.

Manchetes do Jornal O Globo

(Leia em O Globo desta quarta-feira)

Minc: governo fará leilão de bois apreendidos

Operação capturou 3.100 cabeças criadas em fazenda clandestina no Pará; dinheiro arrecadado irá para o Fome Zero

De Bernardo Mello Franco:

O ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, prometeu fazer em até três semanas o primeiro leilão de gado apreendido em áreas desmatadas ilegalmente na Amazônia. Ele apresentou ontem os resultados iniciais da operação Boi Pirata, que capturou, na semana passada, 3.100 cabeças criadas numa fazenda clandestina na Estação Ecológica da Terra do Meio, em Altamira, no Pará. O gado será leiloado pela Companhia Nacional de Abastecimento, que doará o dinheiro arrecadado ao programa Fome Zero. A Confederação Nacional da Agricultura (CNA) classificou a operação de "populismo ambiental".

O primeiro alvo da operação foi a Fazenda Lourilândia, que começou a devastar a floresta e abrir pastos há seis anos. Desde 2005, quando a reserva ambiental foi criada, o pecuarista Lourival Medrado se recusava a retirar o gado da área, apesar de ter recebido duas ordens de desocupação da Justiça Federal. Depois da apreensão, produtores vizinhos começaram a tirar seus bois às pressas, como mostram fotos aéreas feitas pelos fiscais do Ibama. Segundo Minc, ainda há 40 mil cabeças de gado ilegal na reserva. Leia mais em O Globo



Depoimento de militar gay vetado na TV

Justiça Militar impede veiculação na TV Justiça; jornalistas poderão acompanhar

De Carolina Brígido:

A Justiça Militar proibiu a TV Justiça de transmitir o depoimento do sargento Laci Marinho de Araújo, acusado de deserção depois que assumiu manter um relacionamento homossexual com o também sargento Fernando Alcântara de Figueiredo. Ambos estão presos. Na semana passada, a juíza do caso, Zilah Pertersen, solicitou à emissora que transmitisse o depoimento, marcado para sexta-feira. O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Gilmar Mendes, a quem a TV está subordinada, autorizou a filmagem. Ontem, sem dar maiores explicações, a juíza telefonou para a direção da emissora e cancelou os planos. Alegou "motivos de força maior".

Desde o pedido da juíza, a emissora incumbiu sua equipe técnica de criar condições operacionais para a transmissão ao vivo. A direção da TV sugeriu que não fossem divulgadas imagens do réu ou de eventuais testemunhas levadas por ele, para não expor o sargento. Seriam mostradas apenas imagens da juíza e dos demais presentes: o Conselho Permanente de Justiça Militar, composto por quatro militares de patente superior à do sargento, o procurador da Justiça Militar Giovanni Rattaca$e três advogados do sargento. Gilmar concordou com os termos sugeridos. Leia mais em O Globo



CGU aponta corrupção em 720 prefeituras

TCU aprofundou investigações e determinou devolução de R$ 521 milhões

De Evandro Éboli e Maria Lima:

A operação João de Barro, que levou para a cadeia essa semana 25 pessoas de uma quadrilha que desviava recursos de prefeituras em vários estados, é apenas a ponta de um esquema de corrupção que se repete há anos no país. Desvio de recursos, superfaturamento, fraudes em licitação e dezenas de outras irregularidades foram detectadas em todas as 720 prefeituras, com até 500 mil habitantes, auditadas pela Controladoria Geral da União, a partir de 2005, quando estiveram em análise as contas dos atuais prefeitos que buscam a reeleição ou tentam fazer seus sucessores.

Desde 2003, quando começou o programa, a CGU já auditou recursos da ordem de R$ 8,5 bilhões e constatou que em cerca de 80% dos municípios existem irregularidades graves, e outras menos graves nos demais.

Pela amostragem, quase a totalidade dos 5.564 municípios brasileiros tem problemas que vão desde simples erro de documentação, até as mais graves, como obras inacabadas, uso de notas frias, superfaturamento de preços, empresas fantasmas, fraude em licitação. Leia mais em O Globo



Lula minimiza apuração sobre desvio do PAC

Presidente repete dados de Dilma que desmentem PF e acusa imprensa de tratar peixe miúdo como surubim

De Chico de Gois e Luiza Damé:

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva minimizou ontem a Operação João-de-Barro, desencadeada pela Polícia Federal semana passada, em que 119 prefeituras foram acusadas de desviar recursos destinados à construção de casas populares e escolas, entre outras obras sociais. A PF informou na ocasião que boa parte das verbas desviadas é do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). O presidente fez uma metáfora pesqueira:

— Pasmem, eu me deparo com algumas manchetes assustadoras: "Obras do PAC têm corrupção" ou "Corrupção nas obras do PAC". E, quando a gente vai ver o tamanho do surubim, percebe que tem ali nada mais nada menos que um mandi-chorão, daqueles bem pequenininhos.

Para reforçar seu argumento, ele afirmou, repetindo informação da chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, que, dos 119 municípios investigados, somente 37 têm obras do PAC e, desses, apenas oito iniciaram os serviços. Foram liberados R$ 15,5 milhões, do total de R$ 1,8 bilhão:

— É menos de 1% dos recursos previstos para as obras.

PF: maioria das prefeituras tinha obras do programa

A informação de Dilma, endossada por Lula, contradiz o que a PF divulgou semana passada, por meio de nota, de que das 119 prefeituras "a maioria" tinha obras do PAC. Segundo a PF, a quadrilha movimentou R$ 700 milhões — e não R$ 15,5 milhões como informou ontem o Palácio do Planalto —, podendo atingir R$ 2 bilhões. Leia mais em O Globo


Eleição terá 111 deputados-candidatos

Para Diap, parlamentares federais concorrem de olho na disputa de 2010

De Adriana Mendes:

Quase um quarto dos 513 deputados federais são pré-candidatos às eleições municipais deste ano. Mesmo que não sejam eleitos, eles não têm nada a perder: podem continuar exercendo plenamente o mandato parlamentar, com todos subsídios e regalias a que têm direito, durante a campanha eleitoral. De acordo com levantamento feito pelo Globo Online, 110 deputados são pré-candidatos, entre eles oito líderes de partidos. Dos 46 deputados do Estado do Rio, 12 já assumiram suas candidaturas ou assumem até o final de semana, prazo final das convenções partidárias. A maior parte dos candidatos, 76%, é da base governista.

De acordo com o Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar (Diap), a média de deputados federais pré-candidatos nas eleições municipais vem se mantendo acima de 100 nos últimos pleitos. Mas, após as convenções partidárias, esse número cai para cerca de 90 e, efetivamente, menos de 50 se elegem. Para o Diap, os parlamentares são motivados pelo modelo eleitoral, que favorece quem tem um mandato. Leia mais em O Globo


Lula quer barrar ‘ficha suja’

Presidente pede reforma contra candidaturas de quem é alvo de processos de corrupção

De Luiza Damé, Chico de Gois e Marcelo Gomes:

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendeu ontem, em solenidade do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), no Palácio do Planalto, mudanças na legislação eleitoral para impedir que candidatos com ficha suja na Justiça possam concorrer. Sem citar nomes e falando hipoteticamente, o presidente afirmou não ser mais aceitável que um governador perca o cargo por corrupção e possa disputar uma eleição para o Senado. Disse que é preciso coragem para fazer uma reforma política, mudando essa situação.

Numa crítica velada ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que liberou o registro para candidatos com ficha suja que ainda não tenham sido julgados em última instância, Lula disse que a população não pode ficar à mercê da interpretação da Justiça Eleitoral.

— Neste país tem lei em que a pessoa é cassada por corrupção quando é governador e pode ser candidato ao Senado nas eleições seguintes. Ou seja, você tira um mandato de quatro anos e dá um mandato de oito anos — disse Lula, quando condenava, em discurso, os desvios de recursos públicos. Leia mais em O Globo

De Adriana Vasconcelos:

O Senado quer endurecer as regras que definem a inelegibilidade de candidatos com ficha suja, ainda que as mudanças não sejam aprovadas a tempo de serem aplicadas nas eleições deste ano. A Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) deverá analisar na próxima semana três propostas com esse objetivo.

Entre as propostas em tramitação, há um projeto de lei complementar que estabelece que qualquer condenação criminal, eleitoral, por improbidade administrativa ou decisão dos tribunais de contas da União, estados ou municípios, ainda que apenas em primeira instância, já seria suficiente para impedir uma pessoa de se candidatar. Atualmente, esse impedimento só ocorre depois de a sentença ter transitado em julgado, ou seja, depois de uma condenação em última instância. Leia mais em O Globo

Morre Dona Ruth Cardoso

Dona Ruth Cardoso, mulher do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, morreu em seu apartamento em São Paulo.

Ela havia feito, ontem, um cateterismo ("método diagnóstico pelo qual é possível avaliar a presença ou não de entupimentos nas artérias e/ou veias coronárias"). E implantado dois stents ("próteses metálicas posicionadas no interior de artérias coronarianas obstruídas por placas de gordura, com o objetivo de normalizar o fluxo sanguíneo").

Na última quinta-feira havia sido internada no Hospital Sírio-Libanês com angina (“dor ou desconforto no peito quando os músculos cardíacos não recebem sangue suficiente”).

Leia aqui uma biografia de Dona Ruth.

terça-feira, 24 de junho de 2008

Principais Notícias do Dia

* Inflação medida pelo IPC-S recuou em cinco das capitais pesquisadas, segundo a FGV.

* Justiça Eleitoral embarga obra do Exército em morro no Rio, alegando uso eleitoreiro. Projeto é de autoria de pré-candidato a prefeito. (Amanhã o meu comentário no blog é sobre esse assunto).

* Após fraudes, Dilma e Lula defendem controle do PAC. Caixa vai pôr na web informações sobre obras do programa.

* Dilma admite que recebeu pelo menos duas vezes advogado amigo de Lula para falar sobre venda da VarigLog.

De volta o "Panorama Econômico - Jornal O Globo"

Depois de uma semana de folga, Míriam volta e publica sua coluna no O Globo.

(Leia a coluna desta terça-feira)

Última fronteira

O episódio do Morro da Providência choca e desconcerta. Ele é a última fronteira de uma seqüência de fatos que vêm deteriorando a segurança pública no Brasil, em geral, e no Rio, em particular. A presença das Forças Armadas nos morros sempre provocou debates. Todos sabiam dos riscos, mas pouca gente imaginava um episódio de conluio tão rápido entre soldados do Exército e o tráfico de drogas.

O ocorrido tem todos os elementos de uma desordem institucional. O primeiro — e mais evidente — é o motivo da ida dos soldados para o Morro da Providência. O país não podia ter tolerado que a Força fosse usada para proteger um programa tão grosseiramente populista e eleitoreiro de um candidato da base do governo às próximas eleições municipais.

O primeiro erro é do governo federal, ao usar politicamente as Forças Armadas. O segundo é do próprio Exército, em aceitar passivamente o inaceitável. O ministro da Defesa deve um segundo pedido de desculpas: desta vez, ao país, por malbaratar os recursos institucionais que devem ser usados como último refúgio.

Há um debate sobre se o Exército pode ou não subir os morros cariocas. O argumento dos que são contra é o de que as Forças Armadas não são forças de policiamento urbano, não são preparadas para esta específica atividade, e, sim, para a guerra. Os que são a favor argumentam que é a elas que o país tem que recorrer quando o poder constituído perde o controle sobre uma parte do território, ameaçando a soberania nacional. Os dois lados têm bons pontos, mas é evidente que o que acontece no Rio vai além de um caso de policiamento urbano; é perda de controle de território para autoridades ilegítimas e tirânicas.

Seja como força policial, seja como defensores da soberania territorial, a atuação das Forças Armadas numa situação como a do Rio vai ser sempre arriscada. O economista Sérgio Besserman me explicou, recentemente, uma diferença importante: “Na Colômbia, os terroristas controlam um grande território com pouca população; no Rio, o tráfico de drogas controla pequenos territórios muito populosos.” Guardadas essas diferenças, há semelhanças nos dois casos. Como atuar numa área em que há tantos riscos de atingir a população?

O Exército vinha se preparando para ser força de atuação nas cidades em momentos específicos. Criou uma brigada especializada, com treinamento dedicado à delicada tarefa de enfrentar inimigos dentro de um espaço urbano, ou ser utilizada com força dissuasória. O Exército já atuou em inúmeras cidades, em momentos de greve da polícia, ou grave desordem pública. Não é a primeira vez, e eles tiveram tempo de se preparar para isso, pois os líderes militares sabem que eles são o refúgio derradeiro a que as autoridades democráticas devem e podem recorrer em diversos tipos de situação de descontrole e perigo. Hoje já não faz sentido o temor de que, uma vez fora dos quartéis, as forças armadas iriam querer o poder político. Portanto, não podem ficar intocadas nos quartéis. Em momentos específicos e na forma da lei, podem ser convocadas.

A ida ao Haiti é parte dessa preparação, segundo já ouvi de oficiais superiores. Lá, no contato direto com a população em situação de conflito urbano, com financiamento da ONU, os militares brasileiros enfrentariam a condição extrema e real para essa preparação necessária. Dois repórteres do “Extra”, Gabriela Moreira e Luis Alvarenga, acabam de passar quatro dias no Haiti. De lá trouxeram relatos que revelam um contraste: “Percebemos que há uma diferença crucial entre as ações policiais que acompanhamos no Rio e as do Brasil no Haiti. Em vez de correrem dos militares, as crianças do local corriam em direção aos militares.” O contraste foi tal que o jornal iniciou a série de reportagens sobre o Haiti com a seguinte manchete: Exército odiado na Providência; Exército amado no Haiti. Lá, as crianças lançando para os militares brasileiros sorrisos confiantes; aqui, a população de uma favela protestando agressiva na frente do prédio do Comando Militar. É o mesmo Exército! O que foi que aconteceu?

O que choca aqui é a rapidez com que se formou a aliança entre o crime e soldados do Exército. O que dói é a morte de três jovens, da mesma idade, da mesma cor, da maioria absoluta dos jovens vítimas de homicídio no Rio. O “presentinho” dado pelos 11 militares aos traficantes terminou na tragédia previsível: eles foram torturados, mutilados e mortos. Ao fim, jogados no lixo, no eloqüente sinal final de quanto vale a vida de um jovem pobre no Rio.

Em inúmeras pesquisas feitas nos últimos anos, as Forças Armadas constam como a instituição na qual os brasileiros mais confiam, acima da imprensa, da Igreja; muito acima do governo e do Congresso. Elas se orgulham disso, e os generais costumam mostrar a quem os visita os dados da confiança da população.

E agora? Além de punir os militares, além de tirar o Exército dessa operação específica que era uma anomalia, o que o país vai fazer? É isso que desconcerta. As Forças Armadas, de fato, não são polícia, mas têm que continuar sendo o último recurso quando o país se sente em perigo. Seu uso não pode ser banalizado, jamais politizado, mas não pode também ser impedido. As Forças Armadas não podem ser uma instituição mítica, cara e neutralizada. A rapidez com que alguns dos seus quadros foram corrompidos e entraram em conluio com o crime foi desconcertante. O episódio é gravíssimo e, sobre ele, devem se debruçar os líderes militares para descobrir a origem dos erros que jamais podem ser de novo cometidos.

Troféu Dia da Imprensa

Pelo terceiro ano consecutivo, em comemoração ao "Dia da Imprensa", o Portal IMPRENSA realiza o "Troféu Dia da Imprensa", destinado a reconhecer o trabalho das redações jornalísticas de veículos de comunicação brasileiros. A premiação tem como objetivo premiar os destaques no jornalismo por meio de indicação e votação públicas.

A votação começou no dia 16 de junho, e vai até o dia 10 de julho.

As categorias para votação são:
melhor jornal diário de TV aberta,
melhor programa jornalístico de TV Aberta,
melhor programa jornalístico em TV Paga,
melhor jornal diário impresso,
melhor emissora jornalística de rádio,
melhor blog de jornalismo e/ou jornalista,
melhor site de notícias,
melhor revista semanal de informação,
melhor Revista segmentada e/ou dirigida,
além da categoria especial, Troféu Dia da Imprensa - Prêmio Especial.

Desde já expresso minha preferência de MELHOR EMISSORA JORNALÍSTICA DE RÁDIO:
Rádio CBN.

Basta clicar no link abaixo e votar.
http://www.trofeudiadaimprensa.com.br/2008_2fase_votacao_5categoria.asp

Está aberta a campanha eleitoral

Depois de formadas as alianças, necessárias para o primeiro turno, agora é hora de pensar nas melhores estratégias de convencimento para o eleitorado brasileiro.

As conjunturas políticas são mais interessantes no chamado "Triãngulo das Bermudas" - Rio de Janeiro, São Paulo e Belo Horizonte - as três principais capitais brasileiras onde o Governo Federal se perde por completo.

No Rio, teremos uma disputa muito fragmentada, pois os candidatos estão buscando a individualidade partidária e montando uma variedade de partidos líderes para a campanha desse ano.

Já em Belo Horizonte, observa-se a hegemonia em que todos os partidos estão em volta do governador Aécio Neves (PSDB-MG), isto é, toda e qualquer formação política passa pelo conhecimento do governador. Interessantemente, isso ocorre tanto na base aliada quanto na oposição.

Por fim, em São Paulo, encontramos uma disputa realmente polarizada, de uma lado o PSDB e de outro o PT, ali temos a mesma situação que se refere ao Governo Federal.

Em suma, será uma disputa eleitoral interessantíssima e estaremos sempre de olho nas principais articulações políticas, pois a partir de agora está aberta a temporada de campanha eleitoral para as Eleições Municipais de 2008.

segunda-feira, 23 de junho de 2008

É hora de começar as articulações

Este final de semana foi marcado por inúmeras convenções partidárias.

São Paulo, Rio de Janeiro, Fortaleza, Porto Alegre e Salvador foram umas das principais capitais do país que houveram articulações e formação de chapas.

Prefeitos, vice-prefeitos e vereadores foram levados aos palanques para mostrarem-se ao público "fiel e presente".

Em São Paulo, PSDB declarou Geraldo Alckimin como candidato à Prefeitura da capital.

No Rio, PT, PMDB e PV lançam Molon, Eduardo Paes e Fernado Gabeira, respectivamente.

Já em Fortaleza, sem muita surpresa, o nome colocado pelo PDT foi o de Patricia Saboya.

PC do B com Manuela D'Ávila enquanto o PSOL ratifica Luciana Genro, em Porto Alegre.

Essas são algumas das formações políticas para as Eleições Municipais de 2008.

Agora, fazendo uma análise especulativa da semana, temos que no Congresso será votado o último destaque da proposta da CSS.

No Senado, as excelências já declararam que como essa semana é começo das festividades juninas teremos um expediente meio às degas, o recesso branco.

Na economia, a luta contra o fantasma da inflação continuará.

Em suma, será uma semana pouco movimentada.

sábado, 21 de junho de 2008

O Rio está entregue aos "Amigos dos Amigos"

(Leia a coluna da Ruth de Aquino, diretora sucursal de Época no Rio)

Esse é o nome da facção do tráfico no Morro da Mineira que executou três jovens da favela rival, no Morro da Providência. Os jovens foram entregues de bandeja por soldados que queriam “dar um corretivo” neles. Os militares estavam sob o comando de um tenente de apenas 25 anos. “Amigos dos Amigos” é um nome carregado de simbolismo e ajuda a entender a calamidade moral no Rio de Janeiro. De um lado, temos o presidente Lula e seu amigo, o Bispo Crivella, da Igreja Universal, candidato à Prefeitura do Rio. Do outro, 11 militares do Exército e seus amigos traficantes.

É evidente que os elos não estão todos ligados. Lula ficou indignado com o crime e quer indenizar as famílias dos mortos. Mas muitos equívocos foram cometidos nessa história arrepiante.

A primeira questão é básica, rala, reles, anterior aos nobres debates: uma semana depois do crime bárbaro, nenhum dos traficantes assassinos, amigos dos soldados, foi identificado e entregue à Justiça. Repetindo, nenhum nome, nenhum rosto apareceu. Não é estranho? Não é preciso trabalho de inteligência. Afinal, os militares que faziam a segurança das obras do projeto Cimento Social, de Crivella, na Providência, subiram com desenvoltura, familiaridade e sem medo o Morro da Mineira e entregaram a encomenda humana aos bandidos. O tenente Vinicius Guidetti, um segundo-sargento e dois soldados estão presos. Onde estão os traficantes que deceparam, trituraram e espancaram as três vítimas arrematando o crime com 46 tiros? Quem são eles? É segredo? Os traficantes que ajudaram a manchar a reputação do Exército não podem continuar soltos.

As outras questões são mais complicadas. Envolvem o Palácio do Planalto. E o mau funcionamento das instituições que regem a política, as leis e a segurança.

Com tantas favelas precisando de urbanização no Rio, uma delas, na Providência, recebeu R$ 12 milhões do Ministério das Cidades e foi ocupada pelo Exército desde dezembro do ano passado. Por quê? Os 250 militares garantiam a segurança das obras assistencialistas de Crivella, candidato de Lula à Prefeitura do Rio. As obras são de uma empresa particular. Crivella pertence ao partido do vice-presidente, José Alencar (PRB). E ninguém deu um pio.

"O nome da facção do tráfico, carregado de simbolismo, ajuda a entender a calamidade moral no Rio"

Ali, os soldados, sem aprovação formal do Congresso, mas sob as ordens do general Enzo Peri, comandante do Exército, atuaram como polícia. Envolveram-se em atritos com moradores e não incomodaram o tráfico local. Seis meses de ocupação culminaram nas atrocidades do sábado passado. E, aparentemente, o ônus acabará só nas costas do tenente, como caso isolado de desvio. O inquérito militar concluirá que o tenente agiu por conta própria, contrariando superiores.

O general chamou o episódio de abominável. O ministro Nelson Jobim, da Defesa, subiu a Providência para confortar os parentes. O governador do Rio, Sérgio Cabral, chamou os militares de bandidos, mas lá de Berlim. Suas freqüentes viagens internacionais começam a constranger até seus assessores.

A outra questão é o uso das Forças Armadas como recurso para garantir a segurança no Rio, hoje refém de traficantes encastelados nos morros. A juíza Regina Coeli mandou o Exército desocupar a Providência: “Os militares são formados para a guerra, treinados para matar e, por isso, não poderiam atuar como a polícia, treinada para reprimir e só matar em legítima defesa”.

Senhora juíza, não creio que o Exército seja treinado para entregar jovens a bandidos. Além disso, hoje, no Rio, aparentemente todos são treinados para matar. Assaltantes comuns viraram homicidas, policiais matam duas vezes antes de pensar, milícias aterrorizam e matam, traficantes torturam e matam nas horas de lazer.

Portanto, esse não é o melhor argumento para mandar o Exército embora. Nem para mandar o Exército ficar. Se as leis fossem claras e respeitadas, se amigos não fossem favorecidos, e se criminosos fossem punidos, a realidade seria outra.

O problema é que o Rio de Janeiro está entregue aos Amigos dos Amigos.

Revista ÉPOCA

O esquema do PAC

A Polícia Federal envolve deputados em desvio de verbas destinadas à construção de casas populares
Matheus Leitão e Murilo Ramos
Os moradores de 119 municípios brasileiros presenciaram uma cena diferente na manhã da sexta-feira. Com suas roupas negras, armas de bom calibre e caminhonetes importadas, mais de mil homens da Polícia Federal bateram à porta de prefeituras, empresas de consultoria e escritórios políticos em sete Estados e no Distrito Federal. Embora esse tipo de ação tenha se tornado um espetáculo freqüente nos últimos anos, a Operação João de Barro trouxe duas novidades.

A primeira é que pouquíssimas vezes a Polícia Federal teve necessidade de mobilizar mil homens numa única operação. A segunda é que, desta vez, o alvo das investigações e destino da maior parte das equipes policiais eram pequenas cidades do interior de Minas Gerais, especialmente no Vale do Jequitinhonha, uma das regiões mais pobres do mundo. Com baixa renda, subnutrição e alta mortalidade infantil, agravadas pela falta de saneamento básico e baixa qualidade das habitações, a região registra um Índice de Desenvolvimento Humano, o indicador das Nações Unidas que mede a qualidade de vida, semelhante ao de países africanos (0,665). Nessa região miserável, a Polícia Federal descobriu um esquema de desvio de verbas da ordem de R$ 700 milhões.

As investigações da PF começaram com auditorias realizadas pelo Tribunal de Contas da União (TCU) em convênios entre o governo federal e municípios do interior de Minas. Em 2003, o TCU apontou irregularidades em repasses que vinham desde o fim dos anos 90, para 29 cidades do nordeste de Minas. Havia fraudes em contratos com os ministérios da Saúde, do Esporte, da Integração Nacional e da Previdência Social, destinados a obras de saneamento, construção de casas populares e quadras poliesportivas.

" R$ 700 milhões foi o total de recursos destinado para os projetos
apresentados pelo esquema "

As principais irregularidades encontradas eram: conluio entre as empresas licitantes e os gestores municipais, falta de execução de obras contratadas, emissão de notas fiscais frias e desvio de recursos federais. Por meio da auditoria, verificou-se em algumas obras o uso de material de qualidade inferior ao previsto no edital e a contratação de construtoras fantasmas.

Cinco anos depois, a PF confirmou aquelas irregularidades, agora irrigadas por recursos do PAC – que contratou R$ 69 bilhões em obras de saneamento e habitação popular para pequenos municípios – e também por emendas de parlamentares ao Orçamento da União. O esquema detectado pela PF envolve lobistas, funcionários de prefeituras e donos de empreiteiras, contra os quais havia 38 mandados de prisão na manhã da sexta-feira. A PF apreendeu documentos em 114 prefeituras mineiras e, com autorização do Supremo Tribunal Federal, fez buscas no gabinete de dois deputados ligados ao Vale do Jequitinhonha: João Magalhães (PMDB-MG) e Ademir Camilo (PDT-MG). “Os indícios de participação dos parlamentares são muito fortes”, diz o delegado David Salem, responsável pela operação.

O nome de Magalhães já aparecia nas investigações de 2003. Num documento do TCU, ele é acusado de receber R$ 95 mil diretamente da Construtora Ponto Alto Ltda., uma empresa de fachada, da qual foi sócio com um ex-deputado estadual do PDT de Minas. Magalhães ainda teria se ocupado de transmitir informações sobre a prestação de contas do município Alpercata, em Minas, para o ministério que transferiu os recursos.

Segundo técnicos dos órgãos de controle ouvidos por ÉPOCA, o esquema nas fraudes detonadas pela Polícia Federal é corriqueiro. Parlamentares apresentam emendas para municípios que dirigem os recursos recebidos de ministérios a certas empresas. Enquanto o Orçamento da União estiver sujeito a manobras políticas ditadas pelo interesse individual de lobistas e corruptos, o Estado continuará sendo vítima de quadrilhas que desviam recursos públicos.

sexta-feira, 20 de junho de 2008

Recesso branco

Enviado por Maria Helena Rubinato Rodrigues de Sousa - 20.6.2008 7h42m

Muitos brasileiros ficarão indignados ao saber que semana que vem o Congresso Nacional entra em recesso branco. As festas juninas são a desculpa do momento. Alegam que o pobre eleitor nordestino não vota em quem não for dançar a quadrilha... No que não creio, posto que deve ser um alívio não ter esses cidadãos empatando a festa.

Só não vejo motivo para estranhamento. Em recesso branco, azul, amarelo, vermelho, listrado, estamos há muito tempo. Só isso explica o fato do Exército Brasileiro estar sendo terceirizado por um candidato a prefeito, Crivella, com o beneplácito de dois ministérios, Cidades e Defesa e, nunca é demais salientar, com a anuência do Presidente da República.

A favela da Providência é a matriz de todas as favelas cariocas. Sua história remonta à Guerra do Paraguai. Sua localização é especial: atrás da Estação de Ferro Central do Brasil, de frente para a Avenida Presidente Vargas, claramente visível para quem vai ao Maracanã, ao Sambódromo, ao Engenhão, ou ao Centro Administrativo da cidade.

Esgotos? Água encanada? Escolas? Postos de saúde? Isso é besteira. Importante é o visual, o que o eleitor lá do asfalto vê. Com uma guaribada nas fachadas e nos telhados, cores fortes e vivas, é um bom cartaz: “Olhem como ficará bela e limpa a sua cidade com Crivella na Prefeitura”.

Um crime hediondo foi cometido. Contra todos nós. O crime não é só dos animais do Morro da Mineira. Nem do tenente e seus comandados. O crime é das autoridades brasileiras que não se respeitam, posto que não nos respeitam. A utilização de tropas brasileiras para fins que o Congresso Nacional não aprovou, pois que nem consultado foi, só veio à tona por conta do crime por demais bárbaro para caber em baixo até mesmo dos grossos tapetes da frágil República brasileira.

As autoridades fluminenses, municipais, estaduais e federais, não estão livres de culpa. Não é possível crer que não soubessem do Cimento Podre que se desenhava na Providência.

O Rio grita por socorro.

segunda-feira, 16 de junho de 2008

O dilema da "ficha suja"

Postagem enviada pelo celular

Horas depois de dizer que o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) divulgaria o nome de candidatos com “ficha suja” - que respondam a processos na Justiça -, nesta segunda-feira (16), o presidente do tribunal, ministro Carlos Ayres Britto, voltou atrás e afirmou que a hipótese está em estudo no TSE.

domingo, 15 de junho de 2008

Por dentro do blog

Caros (as) amigos (as),

estou saindo de férias do blog.

Só voltarei dia 04/07/2008.

No entanto, sempre passem por aqui, pois estarei de olho nas diversas novidades do mundo da política e economia brasileira.

Qualquer comentário ou notícia só será exibido caso seja de alta relevância.

Agora, nas sextas-feiras publicarei o resumo da semana e as costuras para a próxima.

Um grande abraço, Ellyel.