terça-feira, 30 de setembro de 2008

EUA - 6 milhões de casas novas

Carlos Alberto Sardenberg

Casas na crise

Na sequência de dados sobre a economia americana conhecidos na semana passada, um chamou a atenção: as vendas de imóveis residenciais novos, em agosto, caíram para 460 mil. Trata-se de um desastre: queda de 11,5% em relação ao mês anterior e de nada menos que 34,5% em relação a agosto do ano passado. Aí está o foco original da crise.

Mas olhando o número de outro modo, pode-se dizer: caramba, 460 mil pessoas e/ou famílias compraram casa nova no pior momento da crise? Mais ainda: essa crise vem desde agosto do ano passado, mas ao longo de 2008 os americanos compraram algo como 515 mil residências ao mês. Nesse ritmo, e supondo uma desaceleração na parte final do ano, terão sido vendidas mais de 6 milhões de casas novas, na maior crise do setor.

Está aí, portanto, um número com dupla interpretação. De um lado, a óbvia desaceleração. De outro, a resistência da economia.

Mais importante, ainda, é observar como o sistema financeiro irrigou esse mercado. Antes dos desastres, os americanos passavam fácil das 600 mil casas novas ao mês. Os economistas discordam sobre o momento em que ficou clara a formação de uma bolha imobiliária, mas digamos que, no período recente, foram uns dez anos de juros baixos, crédito abundante, preços dos imóveis em alta. Nessa fase, os americanos compraram, financiando, 72 milhões de imóveis residenciais, sempre novos. Considerando uma população na casa dos 300 milhões, não está mal, não é mesmo?

Outros dados mostraram que pouco mais de um milhão de famílias perderam suas casas neste ano, por não conseguirem pagar as prestações. Trata-se de um expressivo problema social, mas um número controlável diante da totalidade de imóveis financiados.

Qual o interesse destas contas? Mostrar que é uma tremenda bobagem dizer que o sistema financeiro moderno tornou-se uma máquina descolada da economia real, gerando crédito sobre crédito, papel sobre papel, tudo dinheiro só existente nas contabilidades criativas.

Para que servem os bancos? Para captar poupança onde sobra e distribuí-la onde há demanda por investimentos e consumo. O moderno sistema financeiro, baseado na tecnologia de informação, desenvolveu essa capacidade de maneira extraordinária. Com isso, forneceu capital barato para o mundo todo, capital esse que resultou em casas, fábricas, obras de infra-estrutura e, claro, consumo.

Isso tudo resultou também em um excesso de crédito mal concedido, em operações complexas cujo objetivo era dividir e minimizar os riscos e que acabaram por espalhar o risco por todo o sistema. Resultou também em ganhos extraordinários para o próprio sistema financeiro, que nos últimos anos abocanhava a maior parte dos lucros gerados pela economia real. Resultou também em ganhos extraordinários para executivos, que, em muitos casos, se remuneravam pelo volume de negócios e não pelos seus resultados positivos. Teve uma farra aí, alem da farra da economia real.

Olhando de hoje para trás, fica evidente que faltou regulamentação e fiscalização. Mas, de novo, retomando tema deste espaço, é difícil acabar com a festa quando parece que tudo vai bem. Economia em crescimento, setor imobiliário pujante, sem inflação – e aí vem o banco central e aumenta os juros e limita os financiamentos, com o propósito de impedir a formação de uma bolha que ninguém ainda vê?

Desde que existe o capitalismo, periodicamente se produzem bolhas. Nunca são iguais, mas também não são muito diferentes, na sua estrutura básica. Que seja difícil prevê-las e abortá-las, deve ser por alguma razão muito forte.

De modo que o mais importante é como lidar com as bolhas quando estouram. Uma boa administração, a tempo, pode reduzir os efeitos da crise e abreviar a retomada que sempre ocorre. É preciso sabedoria, pois não raro o combate à crise acaba levando a um tipo de controle da atividade econômica que dificulta a retomada.

Esse é o ponto em que estamos hoje. Por mais insuficiente que seja o plano de resgate do sistema financeiro americano, esse de US$ 700 bilhões que estava quase fechado ontem, ele tornou-se indispensável, pela própria expectativa criada em torno de sua aprovação.

A rejeição agora criaria uma situação muito pior, pois passaria a indicação de que as autoridades não são capazes de agir contra a crise. Nessa caso, a crise cai em um cada-um-por-si, ambiente no qual o crédito simplesmente desaparece. Não apenas o crédito entre bancos, que já seria grave, mas quem tiver dinheiro em caixa não vai querer se arriscar em nenhuma operação de empréstimo ou de investimento ou consumo, pois o prognóstico passa a ser de uma recessão dura, global, na sequência de um colapso financeiro.

Esse entendimento, o de que não fazer o plano é, de longe, a pior hipótese - ainda é o melhor estímulo para que o pacote seja afinal aprovado no Congresso americano.

Mas o tempo é importante. O plano precisa ser grande e sair a tempo.

Até a sexta-feira, deputados republicanos e John McCain pareciam estar usando essa premência para enfiar algumas coisas no pacote.

No lado dos democratas, havia muita preocupação, digamos, moral. Aquelas idéias que de que é preciso punir o sistema e seus executivos. Começa que muitos já foram punidos, com a perda de seus cargos e com a desvalorização de suas ações. Aliás, muitos acionistas, donos, viram seus ativos virarem pó. É a pior punição.

Fraudes serão apanhadas no curso das investigações posteriores.

A pior saída é querer criar um sistema que, no futuro, engesse a capacidade criadora que é essencial ao capitalismo. No momento, trata-se simplesmente de salvar o sistema financeiro, aquele que capta e distribui poupança.

Será publicado em O Estado de S.Paulo, 30 de setembro de 2008.

segunda-feira, 29 de setembro de 2008

Os Cabos Eleitorais

Um componente que durante essa campanha é de fundamental relevância, é o cabo eleitoral.

No Brasil, os cabos eleitorais atuam desde de 1827, quando houve a primeira eleição direta para vereador no país. A origem do nome está ligado ao coronelismo. Os cabos seriam os representantes dos coronéis encarregados de juntar os votos dos ‘currais eleitorais’.

O trabalho daquele tempo tem pouca semelhança com o de hoje.

Naquele tempo, a maioria eram militantes voluntários, que depois ganhavam cargos no governo ou lucros políticos.

Com o passar dos anos esse perfil foi mudando. E, na eleição presidencial de 1960, quando a campanha de Jânio Quadros contratou cabos eleitorais para fazer propaganda de sua candidatura, que tinha como lema ‘Varre, varre, vassourinha’, numa alusão às denúncias de corrupção contra Juscelino Kubitschek.

Hoje em dia, esses ‘visitantes’ apresentam-se de maneira mais diferente ainda. Eles combinam a função de convencimento político, típicas dos militantes voluntários, com uma força de trabalho paga.

Em São Paulo, o custo de um cabo eleitoral está, em média, R$ 475,00/mês. No Rio, este valor está por volta de R$ 400,00/mês.

Portanto, a função desses componentes é essencial para a desenvoltura de qualquer campanha. Eles substituem, muitas vezes, a presença física dos seus ‘coronéis’. Por isso mesmo que são figuras relevantes.

domingo, 28 de setembro de 2008

Eleições 2008 - Comentário Meu

É preciso escolher bem seu vereador

Nessa eleições de 2008, o eleitor irá votar para prefeito e para vereador.

Uma peculiaridade das eleições para vereador é que muitas vezes nem mesmo o vereador conhece as suas atribuições e sai falando o que acha e o que não tem certeza, isto é, não estuda nem procura fomentar informações que irão beneficiar seus eleitores, expressando, muitas vezes, propostas impossíveis para seu cargo.

Existem, segundo o TSE, 379.331 candidatos a vereador distribuídos em 52.137 vagas em todo o país.

Segundo, também, dados do TSE divulgados no começo do mês de setembro, considerando as exceções, no Brasil há 128.940.069 eleitores que irão votar nessas eleições.

Agora, o poucas pessoas sabem ou tem o conhecimento prévio, são as atribuições que um vereador possui para sua cidade.

Além de conhecer e entender basicamente sobre a Constituição Estadual e da Lei Orgânica municipal, é necessário também conhecer o que a Constituição Federal exprime nos seus artigos 21, 22, 23, 24, 25, 29, 29 A, e 30.

Por isso, fazendo referência ao artigo 30 redigiu-o, aqui, neste comentário.

“Art. 30. Compete aos Municípios: legislar sobre assunto de interesse local; suplementar a legislação federal e a estadual no que couber; instituir e arrecadar os tributos de sua competência, bem como aplicar suas rendas, sem prejuízo da obrigatoriedade de prestar contas e publicar balancetes nos prazos fixados em lei; criar, organizar e suprimir distritos, observada a legislação estadual; organizar e prestar, diretamente ou sob regime de concessão ou permissão, os serviços públicos de interesse local, incluindo o de transporte coletivo, que tem caráter essencial; manter, com a cooperação técnica e financeira da União e do Estado, programas de educação infantil e de ensino fundamental; prestar, com cooperação técnica e financeira da União e do Estado, serviços de atendimento à saúde da população; promover, no que couber, adequado ordenamento territorial, mediante planejamento e controle de uso, do parcelamento e da ocupação do solo urbano; e promover a proteção do patrimônio histórico-cultural local, observada a legislação e a ação fiscalizadora federal e estadual.”

Uma outra referência sobre os deveres dos vereadores, encontramos no Art 31 da CF: “ A fiscalização do Município será exercida pelo Poder Legislativo Municipal, mediante controle externo, e pelos sistemas de controle interno do Poder Executivo Municipal, na forma da lei.”

Portanto, o eleitor não pode se deixar levar por promessas faceiras como, emancipar distritos, nacionalizar o uso da maconha, efetuar prisão perpétua para políticos corruptos, e por aí vai...

É importante que o eleitor conheça todos os candidatos da coligação que irá votar, pois como o voto para vereador é proporcional, você pode votar em um candidato honestíssimo e acabar elegendo um bandido, devido reaproveitar ao máximo o seu voto nas enormes legendas partidárias.

Não podemos esquecer que a própria Justiça Eleitoral acabou, nesta reta final, depositando nas costas do eleitor toda a responsabilidade para não eleger candidatos com ficha suja, levando a entender que a Justiça não soube lidar com o problema de corrupção eleitoral.

Isso não é justo!

sábado, 27 de setembro de 2008

Debate Americano - comentário meu

O debate político americano, veiculado pela Globo News, ontem, mostrou que em vez de termos dois competidores pela Casa Branca, parecia mais que tínhamos uma união para não falar sobre a crise americana.

São duas pessoas completamente diferentes, com pensamentos diferentes, mas quando o tema era a crise financeira dos EUA não demonstravam nenhum interesse em comentar.

Tanto Obama quanto McCain demostraram que a crise não era dos EUA, mas sim do governo Bush, portanto, quem deveria fazer considerações e explicar como a crise irá acabar seria o próprio.

Não trouxeram para si os problemas que a partir de janeiro eles é quem irão enfrentar. Isso é muito ruim, pois revela fragilidade tanto da parte dos Democratas quanto da parte dos Republicanos, trantando-se de como receberão do governo Bush, as diversas catástrofes econômicas.

Agora, quando tratou-se do tema Segurança Nacional, ambos classificaram os EUA como potência segura, conquista feita após os atentados de 11 de setembro de 2001.

Quanto a guerra no Iraque, o fato de Obama marcar um dia para a retirada de tropas americanas foi motivo de chacota para McCain, declarando que seria impossível este feito.

Obama retrucou dizendo que é melhor focalizar na situação do Afeganistão do que explorar o Iraque, pois o problema não é o Iraque e sim os precursores do terrorismo que estão na Al Qaeda.

Um outro detalhe muito interessante merece destaque: em nenhum momento McCain olhou diretamente para Obama, situação contrária para o Democrata que o tempo todo demostrava-se muito a vontade no debate, pois ele queria que os eleitores enchergassem segurança em suas declarações.

Em suma, foi um debate muito proveitoso, apesar de o Republicano ter pensado em desistir e apesar de a crise nos EUA não ser focalizados nas discussões, foi interessante. Não dá para informar quem dos dois ganhou com o debate, no entanto quem sempre ganha é o eleitor.

Panorama Econômico

A coluna da Míriam Leitão em O Globo deste sábado.

Erros do pacote

Eleitor nenhum gosta de pacotes de ajuda a bancos. De cada 10 telefonemas que os deputados americanos recebem dos eleitores, sete condenam o projeto. Mas em relação ao pacote específico, que está no meio do tiroteio em Washington, há críticas técnicas a ele. Economistas de tendências diferentes vêm mostrando uma série de erros. Ele é mal concebido, dizem vários deles.

Para qualquer pessoa que tenha perdido sua casa porque o banco foi implacável, e milhões passaram por isso nos EUA desde o início da atual crise, fica incompreensível que justamente os bancos sejam ajudados. É difícil passar para qualquer leigo a idéia de que o desmonte do mercado financeiro tem um efeito demolidor que afeta toda a economia. Mas o pacote de Paulson tem sido criticado até por profissionais.

Os eleitores entopem os e-mails e telefones dos deputados, que por sua vez estão em plena disputa eleitoral. Grande parte do Congresso será renovada e a tendência é de os republicanos perderem as eleições parlamentares. Isso, em parte, explica por que foi dos republicanos a pior reação ao pacote do próprio governo republicano. Eles estavam tentando responder à reação dos eleitores.

No primeiro contato com parlamentares, semana passada, o secretário Henry Paulson e o presidente do Fed, Ben Bernanke, foram bem sucedidos em assustá-los. Usaram expressões fortes, como a de que a economia estava às vésperas de um ataque cardíaco, que poderia ser na semana seguinte. Ao longo desta semana, no entanto, os deputados e senadores saíram do estado de choque e ganharam musculatura no debate. Argumentos contrários foram se somando e sendo avalizados por uma série de economistas conhecidos. Os deputados ficaram com a munição da reação popular e da crítica racional. Isso os fortaleceu na discussão.

A Economist sustenta que há mais diferenças que semelhanças da situação atual com a de 1929, o grande fantasma que tem sido agitado para derreter resistências. O desemprego chegou a 25% naquela época e, agora, mesmo crescendo, está em 6%. A inadimplência chegou a 40% em 29. Segundo a revista, há o risco de se pagar demais pelos ativos bancários, elevando-se o déficit fiscal americano à estratosfera e ameaçando seriamente o dólar. Ela lembra que US$ 700 bilhões é mais do que todo o dinheiro depositado no FDIC, o fundo que garante os depósitos dos correntistas americanos.

O grande problema que tem sido apontado por economistas é que, em todos os precedentes de crises bancárias, o processo de compra de ativos podres aconteceu depois que os bancos quebraram. As Savings&Loan quebraram no começo dos anos 80 e a Resolution Trust Corporation foi criada apenas em 1989. No Japão, os bancos quebraram no começo de 90 e a reestruturação aconteceu no fim da década. Esse tipo de ação preventiva, ao estilo de George Bush, levanta uma série de dificuldades, e a pior delas é a da precificação. Glenn Hubbard, reitor da Columbia Business School e ex-presidente do Conselho de Consultores Econômicos de Bush, diz o seguinte: “Isso pode ser feito de forma mais eficiente, por meio da injeção de ações preferenciais do governo. Então o mercado poderia precificar os ativos”.

Duzentos economistas acadêmicos assinaram um documento enviado ao Congresso, organizado pela Universidade de Chicago, dizendo que o plano de Paulson cria “incentivos perversos”, é “muito vago” e seus efeitos não estão claros.

Eles admitem que a economia corre riscos se houver congelamento do fluxo de crédito. Frederic Mishkin, economista da Columbia, que foi membro do FED até o mês passado, lembrou que quando as coisas saem do controle, “o custo para consertá-las mais tarde sobe exponencialmente”. O problema é que, mesmo admitindo o risco, os economistas estão alertando que o caminho escolhido pode trazer também inúmeras distorções.

Luiz Zigale, da Universidade de Chicago, diz que o programa de Paulson “comprará ativos podres a preços inflados, criando uma instituição de caridade que provê assistência social para os ricos às custas dos contribuintes”. Ele fala que é também a violação do princípio capitalista de que “os ganhos devem garantir as perdas”. Na época das S&L, os depósitos estavam segurados e o governo teve que pagar o custo. Agora, como garantir o mesmo benefício para credores de bancos de investimento que nem estavam sob supervisão bancária?

Alguns dos críticos, como Alan Blinder, acham que o governo está sendo açodado e que nada disso precisa ser decido esta semana. Outros, que o governo está fazendo um caminho longo demais se o que quer é, de fato, socorrer cidadãos comuns que não estão conseguindo pagar o banco. O prêmio Nobel Joseph Stiglitz acha que o erro é que o plano parte do princípio de que se o governo prover moeda suficiente aos mercados financeiros, o problema vai desaparecer. “Mas isso não ataca o problema fundamental da sangria de ações de despejo e dos buracos nos balanços dos bancos”.

Edward Leamer, da Universidade da Califórnia, toca no ponto nevrálgico: Henry Paulson não terá de responder na Justiça por seus atos. “Quando li isso pela primeira vez, pensei que era uma piada”.

É difícil encontrar algum economista, fora do mercado financeiro, que diga que o plano de Paulson resolverá a crise financeira.

Revista ÉPOCA

Em Época desta semana, Ricardo Amaral, fala sobre O Grande Laboratório de Transfusão de Votos.

As eleições municipais têm sido o laboratório de testes de um interessante fenômeno: a transfusão de votos de governantes populares para candidatos pouco conhecidos pelos eleitores. É o que explica o sucesso dos candidatos oficiais em Belo Horizonte e no Recife, entre outros. Vale a pena analisar os casos, de olho na sucessão de 2010. Mas cuidado: assim como a transfusão de sangue, a transferência de prestígio tem suas regras e mistérios. Não funciona sempre, nem com qualquer um.

Numa conjuntura de partidos políticos pouco prestigiados, para dizer o mínimo, é natural que governantes e lideranças reconhecidas assumam o papel de guias do eleitorado. Do presidente Lula nem se fala. Até candidatos de legendas oposicionistas disputam sua bênção nas bases municipais. A mais recente pesquisa CNT/Sensus mostrou que o presidente influencia direta ou indiretamente a opção de voto de 44% dos eleitores nas cidades. Esses eleitores declararam que votam ou podem votar no candidato à Prefeitura apoiado por Lula.

Governadores e prefeitos bem avaliados também impulsionam seus candidatos. Em Belo Horizonte, o governador Aécio Neves e o prefeito Fernando Pimentel, ambos nas alturas de 80% de aprovação, devem eleger seu candidato comum – Marcio Lacerda, do PSB, um estreante em eleições. Para facilitar a tarefa, não há adversários locais de peso. Em Pernambuco, a parceria do governador Eduardo Campos (PSB) com o prefeito João Paulo (PT) deu a liderança nas pesquisas ao petista João da Costa. Em Minas e em Pernambuco, adversários acusam os favoritos de ser beneficiados pela máquina pública – um velho vício do qual ninguém está livre. Nos dois casos, porém, o fator decisivo é que o eleitor percebe afinidade política, administrativa, e até pessoal, entre os candidatos e seus padrinhos.

O caso mais espetacular de transfusão de prestígio ocorreu em 1996, em São Paulo: o ex-prefeito Paulo Maluf elegeu para suceder-lhe o secretário de Finanças, Celso Pitta, virgem de votos. Neste ano, o governador tucano José Serra planejava transferir seu capital de votos ao prefeito Gilberto Kassab, do DEM. A afinidade administrativa entre governador e prefeito parece óbvia, ambos são bem avaliados, mas surgiu a candidatura do ex-governador Geraldo Alckmin. Disputando pelo mesmo PSDB de Serra, Alckmin bloqueou a transfusão de votos para Kassab e emitiu um sinal confuso para o eleitor: quem seria, afinal, o candidato de Serra? O preço dessa desarmonia será cobrado no segundo turno.

O caso de São Paulo demonstra que as transfusões são mais complicadas onde as máquinas partidárias têm maior vigor. A histórica animosidade entre PT e PSDB na capital paulista impediu um arranjo semelhante ao de Belo Horizonte, onde Aécio e Pimentel neutralizaram a resistência de petistas e tucanos ao acordo que beneficia o candidato do PSB. No Rio de Janeiro, onde há muito tempo a sociedade e os partidos se divorciaram, o governador Sérgio Cabral (PMDB) está levando ao segundo turno o ex-deputado Eduardo Paes, que já esteve em cinco legendas e não se prendeu a nenhuma. É lícito supor que Cabral levaria qualquer outro candidato a uma boa posição na disputa.

Não existe um padrão definido, mas as transfusões eleitorais estão ocorrendo num momento favorável a governadores e prefeitos, por causa do bom desempenho da economia e da arrecadação. Elas são mais eficazes onde o arranjo partidário é natural (caso do Recife) ou decorre de acertos de cúpula (Belo Horizonte) – nos dois casos, com adversários frágeis e uma promessa de continuidade administrativa. Também ocorrem em cenários de miséria política (Rio), mas tornam-se mais complicadas onde o grande eleitor não controla sua base partidária (São Paulo).

Lula fará uma vigorosa transfusão de votos para Dilma Rousseff ou qualquer outro candidato que vier a indicar, em 2010. A eficácia da transferência vai depender, no entanto, da situação da economia; da unidade entre os partidos da base do governo; do desempenho da candidata, e, é claro, da qualidade dos adversários. Com a liderança que sustenta nas pesquisas, Serra é mais que uma pedra no caminho da candidata de Lula. Por enquanto, o que temos são testes. O jogo ainda vai começar.

quinta-feira, 25 de setembro de 2008

Por Dentro da Política

A Lucia Hippolito, hoje, no Jornal da CBN, comentou sobre as 'deixas' da Lei Eleitoral.

Justiça Eleitoral ajuda “fichas-sujas”

Até este ano, um entendimento do TSE a respeito da impugnação de candidaturas era importante instrumento dos TREs no esforço para barrar os candidatos com ficha suja.

Explico: desde 2006, o TRE do Estado do Rio vinham impugnando candidaturas. Claro que o candidato podia recorrer ao TSE. Mas enquanto o plenário do TRE decidia e enquanto o TSE não julgava o último recurso, o candidato estava proibido de fazer campanha.

Não resolvia o problema do candidato com ficha suja, mas ajudava.

Nas eleições de 2006, por exemplo, no Estado do Rio nenhum candidato envolvido na máfia das sanguessugas foi reeleito. Ponto para a Justiça Eleitoral. Ponto para o eleitor.

Amparado neste exemplo, o presidente do TRE-RJ convenceu os presidentes de todos os TREs a encamparem a campanha contra o “ficha-suja”.

O colégio de presidentes de TREs tomou várias resoluções a esse respeito.

Mas o TSE entendeu que a presunção da inocência deveria valer também para matéria eleitoral (contrariando opinião do próprio presidente da casa, ministro Carlos Ayres Britto). Com isso, os “ficha-suja” relaxaram. E continuaram alegremente a fazer suas campanhas.

Os presidentes de TREs, por sua vez, não desistiram de impugnar candidaturas, porque contavam com o entendimento de que, enquanto o processo não é julgado, o candidato não pode fazer campanha.

Pois para as eleições de 2008, o TSE decidiu facilitar ainda mais a vida dos candidatos “ficha-suja”. Baixou resolução permitindo que os candidatos mantenham suas campanhas ativas, enquanto o TSE não decide.

A Resolução nº 22.718-08 do TSE diz, em seu Artigo 16: “O candidato cujo registro esteja sub judice poderá efetuar todos os atos relativos à sua campanha eleitoral, inclusive utilizar o horário eleitoral gratuito para sua propaganda, no rádio e na televisão.”

Ou seja, a Justiça Eleitoral acabou com qualquer esperança do eleitor de ver dificultada a campanha de candidatos com ficha suja.

A situação é a seguinte: os partidos políticos não recusam as candidaturas de pessoas com ficha suja.

A Justiça comum não pune os candidatos com ficha suja.

O TSE não cria qualquer dificuldade às campanhas dos candidatos com ficha suja.

E aí, a Justiça Eleitoral vai ao rádio e à TV enfatizar a grande responsabilidade do eleitor na escolha de seus candidatos.

Com o sistema eleitoral que temos, completamente distorcido, um sistema que leva o eleitor a votar num candidato honestíssimo... e ver seu voto usado para eleger um bandido, não é justo jogar toda a responsabilidade nos ombros do eleitor.

O eleitor brasileiro é o único inocente nesta história.

Vou repetir. Partidos que não filtram candidaturas, justiça comum que não pune malfeitores, justiça eleitoral que premia candidatos com ficha suja, sistema eleitoral falido, que pune o eleitor, pune o candidato honesto e premia o bandido.

E depois o eleitor brasileiro é que não sabe votar?!

Não é justo mesmo.

Agenda Econômica de hoje

* O CMN realiza reunião mensal e define a nova TJLP.

quarta-feira, 24 de setembro de 2008

Agenda Econômica de hoje

* A FGV divulga o IPCA-15 de setembro, às 8h.

* O Bacen divulga nota da dívida mobiliária de agosto, às 10h30.

*Nos EUA, saem dados de vendas de imóveis usados de agosto, às 11h.

terça-feira, 23 de setembro de 2008

Agenda Econômica de hoje

* A FGV divulga o IPC-S da terceira semana de setembro e faz sua sondagem do consumidor, às 8h.

* O Bacen revela o desempenho das contas externas em agosto, às 10h30.

* Henry Paulson, secretário de Tesouro dos EUA, e Ben Bernanke, presidente do Fed, fazem depoimentos públicos, às 11h.

Terceiro mandato! Será?

Estava pesquisando o que escreve e lembrei de uma postagem feita no dia 02 de abril deste ano http://ellyelsantos.blogspot.com/2008/04/o-fantasma-do-terceiro-mandato.html, exatamente falando sobre o possível projeto de um terceiro mandato para o presidente Lula.

É preocupante, pois a onda de continuímo está atingindo praticamente toda a América Latina.

Daqui a pouco, até o Brasil, possuidor de uma democracia invejável entrará nesse bonde.

Vale a pena recordar o que foi escrito a cinco meses atrás.

segunda-feira, 22 de setembro de 2008

Pesquisa CNT/Sensus

A popularidade de Lula já chega a 77%.

A maior de toda história política brasileira.

O Estado de São Paulo

Em O Estado de São Paulo, a repórter Cida Fontes, relata o desrespeito do presidente Lula por Micarla de Souza. Ele esteve em Natal na última sexta-feira (19).

Os ataques diretos do presidente Luiz Inácio Lula da Silva à candidata do PV, Micarla de Sousa, acirrou ainda mais a disputa para a prefeitura de Natal. "Eu esperava que o presidente tivesse mais respeito por mim. Ele não tem direito de falar do meu caráter", reagiu magoada a deputada estadual, que tem apoio de cinco partidos da base aliada de Lula.

No comício da candidata do PT, deputada federal Fátima Bezerra, o presidente criticou o fato de Micarla ser apresentadora de um programa de notícias em sua emissora de TV, o que a tornou popular na cidade. "Não basta ter televisão para ganhar eleição, é preciso ter caráter e honradez", disparou Lula, na noite de sexta-feira. E ainda: "É mais fácil ser apresentadora de TV porque fica lendo um teleprompter. Se beleza ganhasse voto eu não teria passado do segundo ou terceiro lugar".

Micarla, uma jovem de classe média alta e bonita, se sentiu pessoalmente agredida com as palavras do presidente, principalmente quando ele enfatizou que, se a candidata verde fosse "boa mesmo" estaria ao lado da petista. Ou seja, apoiaria a aliança entre PT, PMDB e PSB - adversários tradicionais no Estado - e não aceitaria o DEM como aliado

domingo, 21 de setembro de 2008

O que há de melhor em um domingo


É ler um livro escrito por Dias Gomes, um dos melhores autores da Literatura Brasileira.
Sucupira: ame-a ou deixe-a é uma obra que trata de maneira alegre, zombeteira e hilariante da política no Brasil.
Observa-se durante toda sua magnitude textual o espírito da gozação e da galhofa.
É composto por sete episódios, destacado da grandiosa obra O Bem-Amado.
São histórias que ainda encontramos hoje nas pequenas cidades de interior, onde o coronelismo ainda está presente.
Indico e desejo-lhes uma excelente leitura, pois estou aproveitando este domingo e lendo este êxito literário.
Boa leitura!!!!

sábado, 20 de setembro de 2008

Bandinha do Jornal da CBN 1ª Edição

Onda de continuísmo no Brasil

Na edição desta semana, a revista Época traz uma matéria sobre o possível continuísmo no Brasil.

Vale o registro, aqui no blog, da matéria na íntegra.


Na disputa municipal, os eleitores tendem reeleger prefeitos, fortalecer Lula, o governo e o PT.
Na campanha de Cuiabá, em Mato Grosso, o prefeito Wilson Santos, candidato à reeleição pelo PSDB, transformou a comerciante Ledinalva da Silva num de seus principais cabos eleitorais. Ledinalva é famosa na cidade por ser irmã do presidente Lula. Na disputa de Salvador, na Bahia, o deputado Antônio Carlos Magalhães Neto, do DEM, líder nas pesquisas até o momento, passou a pedir desculpas a Lula por tê-lo ameaçado com uma “surra”, durante a crise do mensalão. Na eleição de São Paulo, veio a capitulação final da oposição. Em queda nas pesquisas, o candidato do PSDB, o ex-governador Geraldo Alckmin, adversário de Lula na eleição presidencial de 2006, passou a veicular um vídeo contra a candidata Marta Suplicy (PT) com um elogio indireto ao presidente Lula. Lida por um locutor, a propaganda tucana diz o seguinte: “Com o Lula, tudo bem. O problema é o PT”.

Não há mais dúvida. Do alto de 64% de aprovação, o maior índice da História, o presidente Lula sairá da campanha municipal como um dos maiores vencedores. A oposição parece ter sumido dos palanques, como mostram os exemplos citados. A economia cresce a um ritmo médio de 5% ao ano (agora só ameaçado pela crise nos mercados financeiros globais). Tudo isso favorece Lula. “Ele está sendo consagrado nestas eleições pelo comportamento da oposição”, diz o sociólogo Marcos Coimbra, do instituto Vox Populi. “A oposição está em silêncio ou, de forma canhestra, tenta se associar ao sucesso de Lula.”

Uma regra não-escrita das eleições municipais diz que elas são eminentemente locais – e temas nacionais, em geral, pouco interferem no resultado. Na História recente, houve exceções. Em 1988, o país, recém-saído da redemocratização, viu a eleição de Luiza Erundina, na época no PT, para a Prefeitura de São Paulo, depois que operários foram mortos pelo Exército numa invasão da usina da Companhia Siderúrgica Nacional (CSN). Neste ano, os assuntos locais continuam relevantes, claro. Mas há vários sinais de que a popularidade de Lula, a aprovação do governo e o bom estado da economia terão forte impacto no resultado das eleições. A duas semanas do primeiro turno, é possível identificar três fortes tendências que marcarão a eleição.

1. Esta será a eleição do continuísmo

De acordo com os dados mais recentes do Ibope, os candidatos à reeleição ou os candidatos apoiados pelos atuais prefeitos lideram as pesquisas em 19 das 26 capitais. Levando em consideração os prefeitos ou candidatos ligados a administrações municipais que não estão em primeiro lugar, mas aparecem com boa chance de vitória, é possível que a continuidade ocorra em até 22 capitais (ou 84%). Este índice, se confirmado, será a grande novidade desta eleição. Ele é muito superior ao da eleição passada. Em 2004, apenas 12 prefeitos de capital conseguiram ficar no cargo ou eleger um sucessor.

O que explica essa tendência ao continuísmo?

Uma das razões é o contentamento do eleitor com a situação geral do país, um sentimento difuso, já identificado por diversas pesquisas, segundo o qual “as coisas vão bem”. Parece estar na cabeça dos eleitores a máxima “em time que está ganhando não se mexe”. É um sentimento de boa vontade que tende a ajudar quem está no poder. “O bom desempenho da economia não ajuda só o presidente Lula, mas também os prefeitos em geral. Onde os prefeitos estão mais ou menos bem avaliados, eles vão ser reeleitos”, diz o sociológo Antônio Lavareda, consultor em pesquisas eleitorais.

Esse sentimento de continuidade tende a favorecer também prefeitos de partidos de oposição, quando seu desempenho é bem avaliado pela população. Um exemplo é o tucano Beto Richa, que tenta a reeleição em Curitiba, no Paraná. Nesta eleição, Richa enfrenta a petista Gleise Hoffmann, mulher do ministro do Planejamento, Paulo Bernardo, apoiada pelo governo Lula e pelo governador Roberto Requião (PMDB). Mesmo com esses oponentes, com 88% de aprovação, Richa tende a sair das urnas como um dos campeões de votos. Segundo a última pesquisa do Ibope, ele tem 74% das intenções, contra 13% de Gleise. Outro exemplo é o prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab, do DEM. Nesta campanha, ele saiu de um patamar baixo, mas com uma boa avaliação de sua gestão. Com crescimento lento e constante nas pesquisas, ele já superou Alckmin por uma pequena margem. Agora passou a ser bem cotado para disputar o segundo turno contra Marta Suplicy, do PT. “Só estão indo mal os prefeitos que fizeram governos desastrosos”, diz Lavareda.

Os casos mais exemplares de continuísmo ocorrem quando o candidato reúne o apoio de prefeitos bem avaliados e ainda dos governos estadual e federal. Um deles é Belo Horizonte, em Minas Gerais, onde o empresário Márcio Lacerda, do PSB (um dos partidos da base do governo Lula) é apoiado pelo atual prefeito, o petista Fernando Pimentel, e também pelo governador, o tucano Aécio Neves. Outro é Recife, em Pernambuco, onde o petista João da Costa, ex-secretário de obras da Prefeitura, concorre com o apoio do prefeito João Paulo (PT) e do governador Eduardo Campos (PSB). Tanto Márcio Lacerda quanto João da Costa eram praticamente desconhecidos até o início da disputa eleitoral. O fato de serem estreantes, no entanto, não atrapalhou. Com apenas poucas semanas de campanha, Lacerda e João da Costa dispararam nas pesquisas. É provável que ambos vençam a eleição no primero turno. Uma prova da força do continuísmo.

2. Os partidos da base do governo devem continuar fortes nas capitais

Em 2004, quando PMDB e PDT não integravam a base de sustentação do presidente Lula, os candidatos dos partidos que apoiavam o governo federal venceram em 15 das 26 capitais. Nesta eleição, segundo as últimas pesquisas do Ibope, os candidatos de partidos de governo lideram em 21 capitais. Em outras duas capitais, os candidatos de partidos governistas ocupam a segunda ou a terceira posição e aparecem com boas chances de vencer.

Antes de comparar esses dados, é preciso fazer algumas ressalvas. Depois da reeleição, em 2006, a base de Lula cresceu. Hoje, oito partidos governistas (PT, PCdoB, PSB, PDT, PV, PMDB, PTB e PP) administram 21 capitais. O domínio deles já é enorme. Se a tendência das pesquisas for confirmada, o quadro atual tende a ser mantido. Não haveria crescimento.

Outra ressalva é que possíveis vitoriosos nas capitais têm identificação baixa com o governo Lula. Um exemplo é José Fogaça (PMDB), prefeito de Porto Alegre, no Rio Grande do Sul, e candidato à reeleição com chances de vencer no primeiro turno. Em 2004, quando se elegeu prefeito, Fogaça era filiado ao PPS, partido de oposição a Lula. Numa disputa apertada, ele derrotou o PT. Durante o mandato, voltou para o PMDB, mas continuou a sofrer a oposição dos petistas. Nesta campanha, ele enfrenta duas candidatas próximas do Planalto: as deputadas federais Maria do Rosário (PT) – em terceiro nas pesquisas – e Manoela D’Ávila (PCdoB) – em segundo.

A mesma situação ocorre em Natal, no Rio Grande do Norte. A candidata Micarla de Sousa é filiada ao PV, outro partido governista no plano federal. Além de aliada do senador Agripino Maia (DEM), Micarla enfrenta a deputada federal Fátima Bezerra (PT). Uma análise cuidadosa das circunstâncias locais mostra que faz pouco sentido classificar Micarla como governista.

3. O PT cresce, mas dificilmente haverá uma onda vermelha

Por causa da popularidade do presidente Lula, há no PT muito otimismo com as eleições municipais. Ele é fruto do acompanhamento minucioso das campanhas nos 77 municípios brasileiros com mais de 200 mil eleitores. Essas cidades são apenas 1,4% do total de municípios brasileiros, mas reúnem 36% do eleitorado. Nesse grupo, de acordo com dados do próprio partido, o PT lidera ou está em segundo lugar em 39 localidades. Em seguida, aparecem o PMDB, com 28 municípios, o PSDB, com 25, e o DEM, com apenas dez. Nem os petistas, porém, arriscam dizer que isso se transformará numa vitória avassaladora: “O PT deve ir bem nas eleições, pode ser o partido mais votado, mas não há condições de estabelecer uma meta de prefeituras”, diz Francisco Campos, da direção nacional do PT.

O crescimento do PT seria a continuidade de uma tendência verificada em eleições anteriores. A cada eleição municipal, os petistas aumentam o número de prefeituras conquistadas. O maior salto ocorreu em 2004, quando Lula estava no segundo ano no Palácio do Planalto. Naquela eleição, o partido passou de 187 para 440 prefeituras. É razoável supor que o partido supere a marca neste ano. “É natural que o partido no governo ganhe mais prefeituras, principalmente no interior do país. Isso é uma tradição histórica no Brasil, desde a época de Getúlio Vargas com o PTB”, diz Lavareda. Durante o governo do presidente Fernando Henrique Cardoso, o PSDB passou pela mesma experiência. Em 1996, na primeira eleição municipal com FHC no Planalto, o PSDB cresceu de 317 para 921 prefeituras.

No Nordeste, onde o PT se enraizou nas últimas eleições estaduais, por causa da popularidade de Lula, esse crescimento deverá ser mais acentuado. Os petistas têm chance de vencer nas três maiores capitais da região. Além de Recife e Fortaleza, no Ceará, o PT tem boas chances em Salvador, onde o candidato Walter Pinheiro está em ascensão e poderá chegar ao segundo turno. Em Porto Alegre, bastião histórico que governou por 16 anos, o PT enfrenta dificuldades e corre o risco de nem chegar ao segundo turno. Por isso, é uma imprudência falar numa onda vermelha. “O PT está indo bem onde seus prefeitos ou seus governos estaduais estão bem avaliados”, diz Coimbra, do Vox Populi.

Outra razão para evitar a expressão é que o presidente Lula conseguiu impedir o PT de impor o ritmo e os termos da campanha, como aconteceu em 2004. Na última eleição, o PT fez planos de ganhar até mil prefeituras. O sonho de hegemonia política acabou no escândalo do mensalão, em 2005. Neste ano, para evitar um desastre parecido, Lula obrigou o partido a fazer concessões aos partidos aliados. Em muitas capitais, o PT teve de abrir mão da cabeça de chapa para aliados (caso de Goiânia e Belo Horizonte, por exemplo) ou disputa a eleição em condições de igualdade relativa com outros partidos governistas, como o PMDB e o PCdoB(caso de Salvador e Porto Alegre).

Observe os mapas de projeções para as Eleições 2008.





sexta-feira, 19 de setembro de 2008

E se fosse hoje...

Se as eleições fossem hoje, veja como ficaria o panorama nas principais cidades.

No Recife, teríamos o petista João da Costa. Já em São Luís seria a vez de um tucano, João Castelo.

Ainda no Nordeste, em Aracaju seria a vez de Edvaldo Nogueira (PC do B), candidato à reeleição.

No Sudeste, especificamente em Belo Horizonte, depois de um suado segundo turno, teríamos o Márcio Lacerda (PSB), apoiado pelo governador Aécio Neves (PSDB).

No Rio, a disputa mudou totalmente de rumo e elegeria o candidato apoiado pelo atual prefeito César Maia, Eduardo Paes (PMDB, PP, PSL, PTB).

Por fim, em São Paulo, sem novidades, Marta Suplicy (PT) venceria muito bem, pois os tucanos estão permitindo esse feito de maneira muito eficaz.

Em suma, todos esse dados mostram como está a situação política das principais cidades brasileiras. Parece que a oposição está dormindo e deixando o Governo e a base governista apoderar-se das máquinas municipais. Não sei o que está acontecendo, pois é óbvio que as Eleições de 2008 refletirão nas Eleiçõs de 2010.

É melhor os tucanos e o Democrata reagirem antes que o país seja varido por uma gigante onda vermelha petista.

É hora de reagir!!!!

Do Portal G1

Na véspera da chegada do presidente Luiz Inácio Lula da Silva à cidade de Natal (RN), líderes políticos de diversos partidos estiveram na capital potiguar nesta quinta-feira (18) para pedir votos para as candidatas Micarla Weber (PV) e Fátima Bezerra (PT), as duas primeiras colocadas na disputa pela prefeitura segundo o Ibope.

Deputados e senadores da base aliada e da oposição e até a governadora do estado, Wilma Faria (PSB), participaram de caminhadas ao lado das candidatas. Em seus discuros, destacaram a presença de Lula, que terá agenda como presidente na sexta (19) e participará de comício à noite para tentar alavancar a candidatura da petista.

A última pesquisa Ibope, de 16 de setembro, mostrou Micarla com 45% das intenções de voto, 17 pontos de vantagem sobre Fátima, com 28%. A diferença, no entanto, diminuiu consideravelmente. No começo de agosto, Micarla tinha 54% contra 17% de Fátima.

Os dois comícios foram realizados na mesma região da capital, a Zona Norte, periferia da cidade.

A caminhada de Micarla contou com as presenças do deputado federal Fábio Faria (PMN-RN) e dos senadores José Agripino Maia (DEM-RN) e Efraim Moraes (DEM-PB). No local, carros de som embalavam populares ao som de funk e axé e militantes uniformizados apresentavam coreografias para animar a platéia.

Em seu discurso, Fábio Faria pediu que todos recebam Lula de braços abertos, sem citar que o presidente virá à capital para prestar apoio à candidatura adversária.

"Amanhã o presidente da República vai chegar e vamos recebê-lo de braços abertos. Recomendo que vocês recebam o presidente de braços abertos porque em janeiro quem vai à Brasília levar projetos a Lula é Micarla", disse.

O PT promoveu duas caminhadas, uma com a presença do prefeito Carlos Eduardo Alves (PSB) e da governadora Wilma, e outra com a candidata Fátima, o deputado Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN) e o presidente do Senado, Garibaldi Alves (PMDB-RN). As carreatas petistas se encontraram já sem a presença de Wilma e Garibaldi, que foram fazer campanha no interior do estado.

Ao discursar, Henrique Eduardo Alves disse que "quem for contra o presidente deve votar com a candidata do outro lado". Ao G1, o deputado disse ainda que Lula vai ajudar a candidatura da petista.

"O presidente Lula vai demonstrar a importância de Fátima ser prefeita de Natal. Lula vai dar o depoimento dele. (...) A campanha está na reta final e vamos fazer tudo para estar em primeiro lugar no fim do primeiro turno."

O senador Garibaldi Alves, que deixou o comício para atender ao celular dentro de um carro, foi aguardado por populares que queriam tirar fotos com ele - Garibaldi atendeu aos pedidos.

Em seguida, disse ao G1 que a presença de Lula na campanha de Fátima é um "fato importante" para a candidatura: "Lula vem como o ponto culminante".

quarta-feira, 17 de setembro de 2008

As declarações de Mantega são ruins

Lula deu declarações de que não existe crise na economia brasileira. Tudo bem, esse é o papel do presidente, mostrar que tem confiança no país.

Mas Mantega fez uma declaração muito ruim, ao dizer que as pessoas devem continuar comprando e fazendo financiamentos. Um ministro da Fazenda não deveria fazer esse tipo de declaração.

Ele sabe que o volume de crédito no Brasil vai cair porque a liquidez internacional está menor. O crédito está mais caro, e se as pessoas se endividarem muito, elas podem ficar numa situação complicada mais à frente.

Mesmo estando num bom momento, a economia brasileira está inserida num contexto internacional. E isso significa que os bancos brasileiros tomarão dinheiro a um preço mais alto lá fora, e isso será repassado aos consumidores.

Não é o momento para se fazer muitas dívidas, mas sim, de ter cautela para saber o que vai acontecer. Essa crise é grave e levará muito tempo para ser resolvida.

terça-feira, 16 de setembro de 2008

Bom Dia Brasil

Míriam Leitão comenta no Jornal Bom Dia Brasil, hoje pela manhã

Nervos continuarão à flor da pele

A queda das Bolsas da Ásia hoje é reflexo da queda de ontem nos mercados europeu e americano. Ontem foi feriado em praças importantes como Japão, China e Coréia do Sul, e os preços hoje estão sendo corrigidos para baixo. O mercado só vai se acalmar quando se sentir mais seguro e achar que a crise está contida. Por enquanto, não está, e isso significa que os nervos continuarão à flor da pele.

Agora, todos os olhos estão na maior seguradora do mundo. A AIG foi rebaixada ontem pelas agências de risco. As ações despencaram e ela tenta levantar dinheiro e vender ativos. Mas só o fato de a AIG estar nessa situação já é um sinal de que crise entrou em outra porta: já atingiu as financiadoras imobiliárias e os bancos. Agora chega às seguradoras.

Para acalmar o mercado imediatamente, basta o Tesouro americano fazer o que fez com o Bear Sterns ou com Fannie Mae e Freddy Mac: pôr dinheiro público para cobrir perdas e salvar as instituições, mesmo que seja com outros donos.

Mas este agravamento da crise aconteceu exatamente pela nova postura do Tesouro de dizer não aos pedidos de socorro. O Tesouro fez isso, porque achou que a fila de bancos com o chapéu na mão era interminável. E depois dos bancos viriam as indústrias pedir a mesma coisa. Mas sem o cofre do Tesouro, os bancos estão pisando em areia movediça. Ninguém sabe quem será tragado ou não.

Crise pode afetar o Brasil, mas o pior não está na nossa porta

Nesta crise, o Brasil está mais forte e mais imune, mas isso não significa que não sentiremos efeitos. As exportações vão perder força, porque o mundo vai crescer menos por muito tempo. Mas as importações também devem reduzir o ritmo de crescimento. O Brasil vai continuar crescendo este ano, mas tudo fica muito mais difícil com um cenário tão complicado lá fora.

O primeiro impacto já está sendo sentido: a Bolsa está nesta queda desde maio e vai ficar na montanha-russa. Nos três últimos dias da semana passada, a Bolsa conseguiu se recuperar: subiu 8% e só ontem já caiu 7,5%. A alta não se segura nesse tempo difícil.

Mesmo o país estando bem, o Risco Brasil deu um pulo ontem. O crédito externo ficará mais difícil e mais caro. Com isso, qualquer empresa brasileira grande ou qualquer empresa estrangeira aqui que queira investir vai ter mais dificuldade para ter financiamento externo.

Na economia globalizada, longe é um lugar que não existe. Uma crise no centro da economia mundial nos afeta de várias formas, mas os bancos brasileiros estão sólidos. Portanto, o pior da crise – que é a crise bancária – não está na nossa porta.

Emergência marca encontro da Unasul

O repórter Roberto Lameirinhas descreve, no Jornal O Estado de São Paulo, o começo das negociações da Unasul

Os nove presidentes sul-americanos reunidos ontem em Santiago, no Chile, num encontro de de emergência da União das Nações Sul-Americanas (Unasul), aprovaram o envio de uma missão especial da Organização de Estados Americanos (OEA) à Bolívia para ajudar na busca de uma solução para a crise política naquele país. O secretário-geral da OEA, o chileno José Miguel Insulza, viaja hoje para La Paz para dar início à missão, que consiste em abrir um canal de negociação entre governo e oposição. O anúncio foi feito após seis horas de discussões a portas fechadas no Palácio la Moneda.

Durante o encontro, o presidente boliviano, Evo Morales, condicionou a instalação de uma mesa de diálogo pela OEA à desocupação dos prédios públicos tomados pela oposição e à investigação do que chamou de "massacre de Pando" - numa referência aos 15 mortos no departamento do norte da Bolívia nos últimos dias. Insulza declarou que a OEA estaria capacitada para realizar a apuração.

Os líderes de Argentina, Brasil, Colômbia, Chile, Equador, Paraguai, Uruguai e Venezuela expressaram apoio a Evo no documento final, além de respaldarem a integridade territorial boliviana. Segundo o chanceler do Peru, José Antonio García Belaúnde, a Unasul também estuda a possibilidade de acompanhar a investigação sobre as mortes em Pando e, após consultas ao governo e à oposição da Bolívia, acompanhar paralelamente a instalação da mesa de negociação.

O presidente brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva, resumiu, ao final do encontro, o objetivo dos líderes. "Evo precisa ter o apoio da região, ele é o presidente legitimamente eleito", afirmou. "E essa legitimidade foi ratificada por 67% dos bolivianos", acrescentou Lula. Segundo ele, "questões relativas ao tema do gás não foram tratadas na reunião".

Antes do encontro, os dois principais desafios de Lula eram tentar abrir um espaço para o diálogo sincero entre Evo e a oposição e conter a retórica intervencionista do presidente venezuelano, Hugo Chávez. Lula tinha apoio do recém-empossado presidente paraguaio, Fernando Lugo, e do colombiano, Álvaro Uribe. Declarações de Chávez e de Evo, que acusaram os EUA de estarem tentando envolver a argentina Cristina Kirchner no escândalo conhecido como "caso da maleta" - no qual um cidadão venezuelano foi preso com US$ 800 mil no aeroporto de Buenos Aires durante a campanha presidencial da peronista no ano passado - causaram certo mal-estar entre os participantes da cúpula, segundo declarou ao Estado uma fonte chilena. Entre os mais incomodados, estavam a chilena, Michelle Bachelet, e Uribe.

Um diplomata latino-americano baseado no Chile disse anonimamente ao Estado que, em seu primeiro grande teste, a Unasul corria o risco de nascer morta, caso se convertesse apenas em um palco para que Chávez tivesse a oportunidade de propagandear seu discurso de confronto com os EUA.

segunda-feira, 15 de setembro de 2008

É Lula, lá!!!!!

Estava lendo os comentários do Ricardo Noblat, em seu blog, e li duas vezes este comentário que reproduzo aqui.

Campanha eleitoral é um período fértil para a proliferação de bobagens. Exemplo? Uma onda vermelha poderá varrer o país conferindo ao PT esmagadora vitória.

Outra? O governo sairá mais forte das eleições porque os partidos que o apóiam elegerão a maioria dos prefeitos. Mais uma: com a popularidade em alta, Lula certamente elegerá Dilma.

Só há uma verdade indiscutível a essa altura do jogo: o presidente da República que alcançou na semana passada o recorde histórico de 64% de aprovação fechará o ano batendo seu próprio recorde. Elementar.

O país tem 5.562 municípios. Disputam o cargo de prefeito 15.365 candidatos. E de vereador cerca de 400 mil. Quantos desses candidatos se arriscam a caçar votos falando mal de um presidente tão querido? Só falam bem.

O deputado Antonio Carlos Magalhães Neto, candidato do DEM a prefeito de Salvador, liderava com folga as pesquisas de intenção de voto. Até que seus principais adversários decidiram relembrar o que ele dissera sobre Lula em 2005. Da tribuna da Câmara, em tom agressivo, ele ameaçou Lula com uma surra se fosse espionado pela Agência Brasileira de Inteligência.

Resultado: ACM Neto pode ficar fora do segundo turno da eleição.

Os presidentes da República sempre se empenharam em desfederalizar as eleições municipais. Com isso imaginavam escapar de um eventual julgamento no meio do mandato. Lula fez o contrário. Primeiro antecipou a escolha do suposto candidato à sua sucessão – Dilma Rousseff. Depois saiu por aí a pretexto de autorizar obras, inaugurar obras e se necessário reinaugurá-las.

Com a economia bombando, aumentou seu cacife.

A oposição atribui “à sorte” os 64% de aprovação a Lula. De fato, a única sorte de Lula é contar com uma oposição incompetente. O resto é mérito exclusivo dele. E por exclusivo não beneficiará necessariamente os que o cortejam ou que por ele são cortejados.

Lula apóia Marcelo Crivella (PR) para prefeito do Rio e detesta Eduardo Paes, candidato do PMDB. Empurrado pelo governador Sérgio Cabral, Paes tem tudo para derrotar Crivella.

Lula foi a Curitiba e gravou mensagem pedindo votos para a candidata do PT à prefeitura. Ali, o prefeito Beto Richa (PSDB) se reelegerá com folga. Lula foi a São Paulo e desfilou com a candidata do PT Marta Suplicy. Uma semana depois, Marta caiu nas pesquisas.

A culpa não foi dele. Marta estava com um índice de intenção de votos superior ao que o PT sempre obteve no primeiro turno.

Onda vermelha? Como falar em onda vermelha com alianças esdrúxulas e efêmeras montadas só para disputar a eleição?

Em 1.063 municípios, PT e PSDB apóiam o mesmo candidato a prefeito. Em 194, o candidato a prefeito é do PSDB. Em 158, do PT.

A prefeita de Fortaleza, Luizianne Lins (PT), concorre à reeleição com o apoio do PSB. Mas Ciro Gomes, a principal estrela do PSB no Ceará, apóia a candidata do PDT.

Sem dúvida, os partidos aliados do governo elegerão o maior número de prefeitos e de vereadores, mas também pudera: 16 partidos são aliados do governo. Jamais um governo atraiu o apoio de tantos partidos.

Nem por isso se poderá atribuir a vitória deles ao governo ou a Lula. É o caso de João da Costa (PT) no Recife. Antes de tudo, deverá vencer graças ao prestígio do prefeito João Paulo (PT) e do governador Eduardo Campos (PSB).

Quanto à eleição presidencial de 2010... É cedo para se especular sobre a capacidade de Lula de manter de pé em torno do seu candidato o consórcio de 16 partidos que hoje o apóiam. E de transferir para ele a maioria dos votos que são unicamente seus.

De resto, como garantir desde já que um presidente candidato à beatificação não possa ser constrangido a disputar um terceiro mandato consecutivo?

A carne é fraca. Lula é uma metamorfose ambulante. Não se mexe em time que está ganhando. A voz do povo é a voz de Deus. E o Congresso costuma escutá-la desde que preserve seus interesses.

Política Econômica

Enviado por Carlos Alberto Sardenberg

POBRES COM PETRÓLEO

O barril de petróleo foi negociado abaixo dos 100 dólares na semana passada e tudo indica que pode cair ainda mais. O mundo todo está crescendo menos e, pois, gastando menos energia, esse o fato principal. Mas é impossível antecipar qual será a cotação do ao final deste ciclo de baixa, sobretudo em um mercado sujeito a movimentos geopolíticos, além dos furacões.

Na década de 70, o petróleo foi de 15 para 40 dólares, para voltar aos 15 dólares nos anos 80. Se a história se repete, o barril poderia voltar aos 60 dólares de janeiro de 2007, quando se iniciou o último ciclo de alta, que quase chegou aos 150 dólares.

A queda dos anos 80 resultou de uma combinação de recessão, inflação e descobertas de novos campos. Pois temos tudo isso de novo, mas tudo em grau menor. A inflação de hoje nem de longe se parece com a devastação que foi nos anos 70 e 80. Idem para a recessão de hoje, mais uma desaceleração.

Quanto às descobertas de óleo, são menos numerosas e, sobretudo, muito mais caras, como é o caso do óleo brasileiro na camada pré-sal. O produto está em locais difíceis. Além disso, faltam equipamentos e profissionais, por isso mesmo com preços em alta forte.

Eis por que companhias petrolíferas começam a rever seus projetos. Na semana passada, a francesa Total, que prospecta nas águas profundas do litoral de Angola, informou que esse petróleo não será comercial se a cotação cair abaixo dos 70 dólares. Na conta, a empresa considera uma taxa de retorno de 12,5%.

A Petrobrás não revela qual preço torna comercial o óleo do pré-sal. Gente do setor tem falado em 60/70 dólares, número não admitido por diretores da estatal. Estes dizem confiar em ganhos de produtividade para reduzir os custos de extração. Ou seja, esses diretores entendem que não apenas vão superar o enorme desafio de exploração em águas muito profundas, algo que nunca se fez antes, como farão isso criando novas tecnologias e métodos de exploração.

É uma boa aposta, claro, mas de risco razoável, pois a Petrobrás já desenvolveu capacidade nessa área. De todo modo, ainda não dá para estimar preços e rentabilidades, embora fique claro que o processo todo será muito caro e demorado.

Tudo considerado, é mesmo possível que o pré-sal torne o Brasil um país rico, mas isso não será simples. Será preciso tomar decisões sábias para explorar o petróleo a custos e prazos razoáveis, e serão decisões complexas.

Por exemplo, é interessante a idéia de se aproveitar o óleo para criar aqui uma indústria de navios, plataformas e equipamentos de exploração. Mas é evidente que demora mais e sai mais caro do que recorrer a parques industriais já consolidados em outros países.

Será uma escolha: recolher logo o dinheiro do petróleo, com equipamentos importados, ou esperar o avanço dos fabricantes nacionais.

E quanto ao ganho que as reservas darão ao país, só haverá mais informação quando o governo fizer as primeiras licitações para a exploração no pré-sal. Uma coisa é quanto o dono acha que vale, outra a que o mercado está disposto a pagar.

É por isso que há países pobres, com riquezas naturais. E países ricos, não abençoados pela natureza, como Japão e Coréia do Sul. Também já se disse aqui: Israel, sem petróleo, tem quase o dobro da renda per capita da Arábia Saudita, dona das maiores reservas do mundo. Tudo depende das decisões políticas.

Estatização nos EUA

A intervenção do governo americano nas mega-agências hipotecárias Fannie Mae e Freddie Mac só não foi uma estatização no sentido estrito porque não houve nem compra nem desapropriação das ações. Mas é uma estatização porque o governo assumiu o controle total das companhias, podendo inclusive dissolvê-las ou vendê-las.

E tudo com amplo apoio. Na verdade, raramente a ação de um governo teve apoio tão amplo quanto obteve aquela decisão de Washington. Houve apenas um tipo de crítica: talvez a medida não seja suficiente para conter a enorme crise financeira, talvez tenha demorado. Mas quanto ao pacote em si, aplauso total.

Não deixa de ser curioso. No país do liberalismo, onde se pratica a economia de mercado no seu grau mais avançado, o governo estatiza duas enormes companhias financeiras, e recebe apoio local e global.

Como interpretar? Alguns, como a ministra Dilma Roussef, entenderam assim: é para todo mundo ver que isso de mercado e de liberalismo é só da boca para fora ou do país para fora, quer dizer, vale para os outros não para os EUA.

Outros viram diferente: não há nada de novo nesse episódio. Como sempre, há falhas de mercado ou problemas causados por uma má regulação econômica. É função do governo sanar esses problemas, mas não para se substituir ao mercado.

Em resumo, Fannie Mae e Freddie Mac eram muito grandes para quebrar. Os custos da intervenção são menores do que o custo de não intervir. E tudo bem com o mercado: saneadas, as agências serão reprivatizadas.

Quanto ao fim do liberalismo, só se for mesmo nos EUA. Porque aqui, até o governo do PT aderiu às privatizações.

Comprem Brasil

Se você quer comprar ações de empresas de países emergentes, para onde deve ir?
Para o Brasil, recomenda o banco de investimentos Morgan Stanley, em relatório divulgado sexta passada.

E se você quer investir em títulos de renda fixa?

Para o Brasil, recomenda outro banco de investimento, o Deutsche.

Outra notícia interessante da semana passada. Enquanto os papéis da Vale sofriam, a China, principal cliente da Vale, anunciava recorde de importação de minério de ferro em agosto. E a companhia brasileira negocia aumentos de preços.

Muitas vezes, a negociação de papéis nas bolsas passa ao largo da situação real das empresas. Por isso, as ações, às vezes, ficam incrivelmente baratas.

Publicado em O Estado de S.Paulo, 15 de setembro de 2008

sábado, 13 de setembro de 2008

"Nunca antes na história desse país"

Nessas eleições o presidente Lula será o grande cabo eleitoral de todos os candidatos que fazem parte da cúpula do PT ou vivem na órbita do partido.

A pesquisa Datafolha divulgada ontem, mostra como o presidente Lula está superando os desagravos dos seus aliados. Nem mesmo o mensalão, nem mesmo o roubo de dinheiro público através de roupas íntimas afetam essa crosta de popularidade.

Desde o começo de seu mandato o presidente sempre trabalhou muito o lado popular. Veio de uma classe remediada e foi eleito pelo voto do povo. Identificado com a classe menos favorecida da sociedade, sempre procurou estabelecer recursos, através de programas socias, mostrando seu maior interesse: um possível terceiro mandato ou um (a) sucessor (a) eleito (a) pelo povo.

A pesquisa, diferentemente da anterior, foi feita colhendo informações de todas as classes sociais e de todas as faixas de idade, o que mostra que o presidente está querido por todos. Foram 64% de aprovação, avaliação esta, de seus quase seis anos de mandato.

Sorte ou não, o que levou a este resultado relevante é a estabilizão da economia brasileira, instrumento que organizou-se desde a instituição do Plano Real, em 1994.

A sociedade observou isto e agradece ao presidente Lula.

Agora, o que ele não pode fazer, é querer que toda essa popularidade seja transferida para seu sucessor (a) em 2010. Esta é uma conquista do presidente Lula.

Já se fala, inclusive, que sua chapa está formada para 2010: será Dilma Rousseff, presidenta, e Sérgio Cabral, atual governador do Rio, vice-presidente. Será??

Em suma, o presidente está rindo à toa, altos índices de popularidade, cabo eleitoral nos 5565 municípios e, possivelmente, o primeiro presindente a fazer um sucessor pelo voto do povo.

Vamos esperar e observar como esse ritmo político chegará em 2010. Afinal, ainda faltam dois anos.

Bandinha do Jornal da CBN 1ª Edição

sexta-feira, 12 de setembro de 2008

Eleições em São Paulo

Entre farpas e provocações

Nesta quinta-feira (11), a Rede Bandeirantes promoveu seu segundo debate entre candidatos à Prefeitura de São Paulo.

Diferentemente do primeiro, este foi mais emocionante. Deve ser porque falta apenas menos de 25 dias para o primeiro turno!!!

Diversos pontos merecem considerações, aqui, no blog:

A ausência do governador de São Paulo, José Serra (PSDB), ajudou a solucionar um problema logístico para a produção do debate. É que as poltronas dos convidados no estúdio foram divididas por partidos e coligações. Nesse caso, haveria sempre a dúvida aonde o tucano iria se posicionar.

Até agora, Serra, que incentivou a candidatura de Kassab, teve apenas uma aparição pública ao lado de Alckmin desde o início da campanha. O fato inédito aconteceu a 25 dias do primeiro turno, na noite desta quarta-feira (10), num jantar que reuniu a cúpula paulista do PSDB.

Debate também é um momento de mostrar força política atrás das câmeras. Cada candidato apresenta os seus "apoiadores" na platéia. Kassab exibiu Orestes Quércia, símbolo do acordo firmado com o PMDB, e Marta teve o apoio de Ricardo Berzoini, presidente do PT. Sérgio Guerra, presidente do PSDB, não compareceu. A justificativa foi um comício em Pernambuco.

Num encontro morno, os políticos aproveitam para tirar ao menos algumas lições partidárias. Uma delas é a de que a existência de correntes internas não é mais privilégio do PT. Os tucanos-kassabistas, uma ala dissidente que até hoje não engoliu a candidatura de Alckmin, não deram as caras no debate.

Enquanto os convidados e políticos estavam acomodados nas poltronas, alguns jornalistas optaram por permanecer em pé, na tentativa de obter informações dos bastidores do duelo. Local escolhido? Atrás dos marqueteiros dos principais candidatos.

Há uma explicação do porquê do telespectador se sentir "afogado" em números apresentados pelos candidatos. Nas coxias, os marqueteiros têm em mãos planilhas e dados comparativos sobre a administração de seus pupilos.

Os intervalos do debate são um espetáculo à parte. Assim que entra o aviso do break, marqueteiros, assessores e maquiadores cercam o candidato no intuito de dar os últimos toques e retoques na imagem transmitida ao telespectador. Eles atacam em frentes: o conteúdo e a aparência. Não necessariamente nessa ordem.

O senador Eduardo Suplicy (PT), que havia ficado sem poltrona no primeiro debate da Band, dessa vez estava mais precavido, ele entrou meia hora antes no estúdio, escolheu um lugar no setor petista e não arredou mais o pé.

Suplicy não disfarçou o tédio, o senador chegou a engatar um triplo bocejo durante a fala de Ivan Valente. Isso sem contar as várias "pescadas" ao longo do debate.

Na sua primeira intervenção no debate, Kassab (DEM) plagiou o bordão utilizado por Soninha (PPS): "São Paulo tem jeito". Lisonjeada, Soninha olhou para os assessores e abriu um sorriso.

A sintonia de Soninha com Kassab, aliás, gerou "comoção" entre os petistas. Após a candidata do PPS elogiar a política ambiental de Kassab, o deputado martista Adriano Diogo não se conteve: "o amor é lindo", disse. Soninha trocou o PT pelo PPS e os petistas a acusam de infidelidade partidária.

Enquanto Alckmin desferia ataques contra a gestão Kassab na área do transporte, o atual marido de Marta, Favre, fazia sinal positivo com a cabeça.

O debate desta quinta-feira iria "pegar fogo". Pelo menos era essa a promessa dos anúncios publicitários veiculados pela Band. Na prática, entre pequenas alfinetadas e provocações, a teoria foi outra.

O empresário da noite Oscar Maroni, a estridente doutora Havanir e Osmar Lins ("Peroba Neles") ajudaram a colorir o folclore político do debate.

No mais, informações que devem ser analisadas pelo eleitor e projeto viáveis e necessários à população paulistana.

Agora, um ponto ficou claro nessa discussão: o segundo turno, caso aconteça, será entre Marta e Kassab ou Marta e Alckmin. Vale apostar apenas qual dos dois será o segundo lugar. Particularmente, creio - pelo o que as pesquisas mostram - que será com Kassab, pois a truculência de Alckmin 'rachou' não apenas a sua candidatura, mas o projeto do PSDB na cidade de São Paulo.

Interessante mesmo foi o comentário de Paulo Maluf quando a repórter perguntou sobre sua avaliação, ele respondeu dizendo que "para muitos está ali, hoje, tiveram que vir através das obras do Maluf." Ele ainda tem esperança!!!

Em suma, foi um debate proveitoso, temático, civilizado, informativo, bem conduzido e acima de tudo muito relevante para o eleitor que ainda encontra-se indeciso.

quinta-feira, 11 de setembro de 2008

Copom

O Comitê de Política Monetária (Copom) elevou em 0,75 ponto porcentual a taxa básica de juros (Selic), para 13,75% ao ano, pela quarta vez consecutiva. Mas, ao contrário das últimas reuniões, a decisão de ontem não teve unanimidade.

Cinco diretores do Banco Central (BC) votaram pelo aumento de 0,75 ponto porcentual e três, pela alta 0,50 ponto.

A nota emitida pelo Copom segue sempre o mesmo script:

“Avaliando o cenário macroeconômico, o Copom decidiu elevar a taxa Selic para 13,75% ao ano, sem viés, com vistas a promover tempestivamente a convergência da inflação para a trajetória de metas”, justificou o BC, divulgando após a reunião, que durou mais de três horas.

O cenário atual resume-se no seguinte: temos uma econômia desacelerada, 'travando' um projeto eleitoreiro do presidente Lula - o Programa de Aceleração do Crescimento.

Isso está deixando o presidente na maior saia justa com os prefeitos, articulados na órbita do PT, que contavam com esses recursos para a inauguração de obras, favorecendo suas campanhas e possíveis reeleições.

O que, então, o presidente declarou: "É sempre chato aumentar os juros, assim como é chato estar com a família na estrada e chegar a uma curva e ter de reduzir a velocidade. Mas às vezes uma curva a mais é uma vida ceifada.”

Discurso típico de um presidente 'inteligente'.

É assim que lembraremos de Nova York


7 anos da tragédia

O dia que os EUA sentiram o gosto amargo do terrorismo

Uma das mais ousadas e cruéis ações terroristas de toda a História aconteceu m 11 de setembro de 2001. Nesse dia, o mundo inteiro parou perplexo para acompanhar o ataque que pôs abaixo um dos símbolos do poderio econômico norte americano: as torres gêmeas do World Trade Center (WTC). Pelo local costumavam transitar cerca de 200 mil pessoas, 50 mil dos quais trabalhadores. O WTC tinha, no subterrâneo, um dos grandes entroncamentos de trens urbanos da cidade de Nova York.

Momentos mais tarde, em Washington, o Pentágono, Sede do Ministério da Defesa e do Comando das Forças Armadas dos Estados Unidos, também era atacado.

Relembre os fatos que marcaram para sempre o 11 de setembro

Numa espantosa ação coordenada, e tendo como armas grandes jatos comerciais seqüestrados - carregados de combustível -, terroristas lançaram na terça-feira, 11 de setembro de 2001, um gigantesco e devastador ataque contra os Estados Unidos.

Às 08h45min, um Boeing 767-200 da United Airlines - que decolara de Boston às 7h59 para o vôo 175, rumo a Los Angeles, com 65 passageiros e nove tripulantes a bordo - é desviado e se choca contra a torre sul do World Trade Center, em Nova York. Pouco depois, às 9h03min, um segundo Boeing 767-200, da American Airlines - que partira de Boston às 8h10 para o vôo 11, rumo a Los Angeles, com 92 pessoas a bordo - atinge a torre norte do World Trade Center, diante das câmeras de TV.

WTC foi o primeiro alvo. Pentágono seria atacado em seguida.

Às 9h40 ocorre o ataque ao Pentágono. Em Washington, um outro jato da American Airlines (um Boeing 757) choca-se com instalações do Pentágono, nas proximidades da área de pouso de helicópteros. Faria o vôo 77, do Aeroporto de Dulles a San Francisco, com 58 passageiros e 11 tripulantes. Parte de um dos edifícios do Pentágono ficou muito danificada. Em seguida, as autoridades determinaram a evacuação da Casa Branca, Capitólio e Departamento de Estado

A exemplo das armas usadas - Boeings 767 e 757 da American e United Airlines, as duas maiores empresas aéreas americanas - os alvos escolhidos para a horripilante seqüência de atentados não poderiam ser mais simbólicos do poderio econômico e militar dos EUA: as torres gêmeas World Trade Center, de 110 andares, no coração do distrito financeiro de Nova York, que desabaram menos de uma hora depois de serem atingidas nos andares superiores por dois aviões, com 18 minutos de intervalo; e o Pentágono, a sede do Ministério da Defesa e do comando das forças armadas do país, nos arredores de Washington.


Conseqüências
Os atentados foram atribuídos à rede Al-Qaeda, de Osama Bin Laden, um terrorista que há 5 anos morava nas montanhas do Afeganistão. Naquela que foi chamada "cruzada contra o terror" pelo presidente americano George W. Bush, foi ordenado um ataque que devastou o país do centro-oeste asiático, na operação militar batizada de "Liberdade Duradoura".

Vinte e seis dias depois de sofrer um devastador ataque contra os principais símbolos do imenso poder econômico e militar – o primeiro contra o território continental em quase 200 anos -, e após intensos preparativos militares e diplomáticos, os Estados Unidos desencadearam no domingo, 07 de outubro, a resposta militar com uma noite de bombardeio maciço contra instalações da rede terrorista Al Queda no Afeganistão. As primeira explosões foram ouvidas às 9 horas da noite (13h de Brasília) em Cabul, a capital do Afeganistão, e Kandahar, cidade mais ao sul que é a principal base política do mulá Mohamed Omar, o líder do Taleban.

A operação durou pouco mais de dois meses. No sábado, 29 de dezembro de 2001, o Pentágono anunciava o fim da fase militar da guerra contra o terrorismo, anunciando planos para substituir os mais de mil fuzileiros navais estacionados em Kandahar por soldados do Exército.

quarta-feira, 10 de setembro de 2008

Luto: 11 de Setembro

Para lembrar as torres gêmeas do World Trade Center, Nova York nesta segunda-feira, testou as luzes qua serão acesas em tributo aos milhares de mortos, por ataques terroristas, em 11 de setembro de 2001. A tragédia que chocou o mundo.

O blog já preparou o 'Especial 11 de Setembro', recontando alguns fatos desse dia.

Foto:Lucas Jackson/ Reuters

terça-feira, 9 de setembro de 2008

9 de setembro - Dia do Administrador

Recebi este cartão virtual do site www.cra-rj.org.br, através do meu email particular ellyelsantos@hotmail.com e estou postando aqui no blog.



Falência da Vasp

O Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP) decretou a falência da Viação Aérea São Paulo (Vasp). A Justiça avaliou que a Vasp não teve condições de implementar seu plano de recuperação judicial. O processo teve início em julho de 2005, com intervenção decretada pela 14ª Vara do Trabalho de São Paulo.

"As impugnações feitas pela Vasp à deliberação da assembléia de credores para a decretação da falência ou mesmo da anterior assembléia não têm como ser acolhidas", diz o juiz da 1a Vara de Falências e Recuperações Judiciais de São Paulo, Alexandre Alves Lazzarini, em sua sentença.

A falência da empresa foi uma decisão dos próprios credores da companhia, em assembléia no dia 17 de julho. Os gestores da assembléia geral de credores e os réus na ação civil pública, inclusive o dono da Vasp, Wagner Canhedo, deverão comparecer a três audiências marcadas para outubro.

segunda-feira, 8 de setembro de 2008

O pré-sal e o meio ambiente

Opinião de Fernando Marcelo Tavares, ambientalista

O debate que se aprofunda sobre a destinação dos recursos advindos da exploração das camadas do pré-sal no litoral sul/sudeste ainda não abordou um ponto muito importante em toda esta discussão: a questão ambiental. Ou seja, num momento em que sabe-se que é preciso minimizar o aquecimento global através de adoção de técnicas limpas e sustentáveis, investindo-se em fontes de energia alternativas em substituição aos combustíveis fósseis, surgem, das profundezas, 40 bilhões de barris de petróleo, cujas emissões correspondentes estarão na atmosfera nos próximos anos, alimentando ainda mais o ciclo do aquecimento global.

Impensável, com as novas posturas empresariais diante da questão ambiental, em especial da própria Petrobras nos dias de hoje, que não se considere os custos ambientais da exploração e os contemple na contabilidade geral dos custos, investimentos e repartições. Mais especificamente, neutralizar todo o carbono que gerar na exploração do pré-sal, com a logística operacional e com potencial poluidor do próprio petróleo produzido. Investindo-se em tecnologias limpas, estruturando novos procedimentos, e plantando árvores, bilhões de árvores necessárias à neutralização e que nossos mananciais hídricos agradeceriam muito, aliás, insumo sem o qual não se explora coisa alguma em lugar nenhum.

A discussão sobre onde aplicar os lucros é grande. Como se estivéssemos diante do gênio da lâmpada tendo que escolher um desejo, no caso o da inclusão social e cultural que uns entendem deva ser feito através da educação, outros da saúde e mais um que quer ver os recursos investidos em habitação. Discussão justa e interessante, até mesmo para percebermos as dimensões exatas de nossas misérias.

Mas, é preciso rearrumar bois e carroça. Primeiro os custos, depois, se viável, os lucros. Assim, investimentos em logística e infra-estrutura nas localidades operacionais, pagamentos de royalties preferencialmente às cidades impactadas, a neutralização do carbono, além do planejamento estratégico participativo nas regiões envolvidas, devem ser prioritariamente garantidos. A exploração do pré-sal não pode repetir o erro do passado que impactou demasiadamente cidades como Macaé, que de uma hora para outra envolveu-se num turbilhão transformando-se, da bucólica Princesinha do Atlântico à província petrolífera que dá suporte para a produção de 86% da produção nacional de petróleo.

O planejamento que faltou na implantação da Bacia de Campos não pode faltar no pré-sal. Tem a questão grave da pesca, a atividade mais impactada pela produção offshore de petróleo e gás. É preciso recuperar os manguezais no continente e formar pesqueiros induzidos fora da rota offshore. É preciso organizar os pescadores. É preciso repensar o descarte de resíduos orgânicos pelas plataformas e embarcações em alto mar, permitido por norma internacional, mas que tem provocado impactos aqui e por isso deve ser mudado. Tem a questão da mão-de-obra e da atração de pessoal desqualificado, e o conseqüente surgimento de favelas em áreas de risco e de preservação ambiental. É preciso garantir que o desenvolvimento se dê de forma distributiva em várias regiões simultaneamente.

Estas demandas não são miçangas, nem devem ser substituídas por projetinhos para inglês ver nas revistas de responsabilidade social. São custos operacionais prioritários com referência consolidada.

Feito isso, noves fora, aí sim, deve-se passar à discussão de como vai ser usado o excedente para minimizar o sofrimento do povo brasileiro, que merece desfrutar deste tesouro. Se abaixando o preço da gasolina, investindo-se em educação, saúde, habitação, esporte para todos ... carências não faltam para serem supridas.

Ilusão achar que o pré-sal vai resolver todos os problemas. Não vai. Por isso este impasse diante do gênio. Tirar de mil, um só desejo.

domingo, 7 de setembro de 2008

7 de Setembro - Independência do Brasil


1822 - A Independência do Brasil é um dos fatos históricos mais importantes de nosso país, pois marca o fim do domínio português e a conquista da autonomia política. Muitas tentativas anteriores ocorreram e muitas pessoas morreram na luta por este ideal. Pode citar o caso mais conhecido: Tiradentes. Foi executado pela coroa portuguesa por defender a liberdade de nosso país, durante o processo da Inconfidência Mineira.

Mas, foi em 9 de janeiro de 1822, D. Pedro I recebeu uma carta das cortes de Lisboa, exigindo seu retorno para Portugal. Há tempos os portugueses insistiam nesta idéia, pois pretendiam recolonizar o Brasil e a presença de D. Pedro impedia este ideal. Porém, D. Pedro respondeu negativamente aos chamados de Portugal e proclamou : "Se é para o bem de todos e felicidade geral da nação, diga ao povo que fico." Esse dia ficou conhecido como o " Dia do Fico".

Após o Dia do Fico, D. Pedro tomou uma série de medidas que desagradaram a metrópole, pois preparavam caminho para a independência do Brasil. D. Pedro convocou uma Assembléia Constituinte, organizou a Marinha de Guerra, obrigou as tropas de Portugal a voltarem para o reino. Determinou também que nenhuma lei de Portugal seria colocada em vigor sem o " cumpra-se ", ou seja, sem a sua aprovação. Além disso, o futuro imperador do Brasil, conclamava o povo a lutar pela independência.

O príncipe fez uma rápida viagem à Minas Gerais e a São Paulo para acalmar setores da sociedade que estavam preocupados com os últimos acontecimento, pois acreditavam que tudo isto poderia ocasionar uma desestabilização social. Durante a viagem, D. Pedro recebeu uma nova carta de Portugal que anulava a Assembléia Constituinte e exigia a volta imediata dele para a metrópole..

Estas notícias chegaram as mãos de D. Pedro quando este estava em viagem de Santos para São Paulo. Próximo ao riacho do Ipiranga, levantou a espada e gritou : " Independência ou Morte !". Este fato ocorreu no dia 7 de setembro de 1822 e marcou a Independência do Brasil. No mês de dezembro de 1822, D. Pedro foi declarado imperador do Brasil.

Com isso, os primeiros países que reconheceram a independência do Brasil foram os Estados Unidos e o México. Portugal exigiu do Brasil o pagamento de 2 milhões de libras esterlinas para reconhecer a independência de sua ex-colônia. Sem este dinheiro, D. Pedro recorreu a um empréstimo da Inglaterra.

Embora tenha sido de grande valor, este fato histórico não provocou rupturas sociais no Brasil. O povo mais pobre se quer acompanhou ou entendeu o significado da independência. A estrutura agrária continuou a mesma, a escravidão se manteve e a distribuição de renda continuou desigual. A elite agrária, que deu suporte D. Pedro I, foi a camada que mais se beneficiou.

sábado, 6 de setembro de 2008

Futuro, passado e presente simultâneos

Artigo extraído de Época desta semana. Fernando Abrucio, colunista e doutor em Ciência Política pela USP e professor da Fundação Getúlio Vargas (SP)

O Brasil é um país onde passado, presente e futuro convivem no mesmo tempo histórico. Resquícios de forte atraso permanecem no trabalho infantil ou no sistema político-administrativo, principalmente nos municípios. Enfrentamos problemas tipicamente contemporâneos, como a questão metropolitana. E o futuro bate a nossa porta, em temas como as células-tronco ou a necessidade de definir como será explorado o petróleo do pré-sal e para quem serão distribuídos seus recursos.

A leitura sobre a simultaneidade dos tempos no Brasil e alhures já apareceu em grandes pensadores. O que me levou a retomá-la foram dois eventos: uma excelente palestra do ministro Mangabeira Unger sobre a gestão pública brasileira e o recente episódio da escuta telefônica envolvendo personagens dos Três Poderes da República.

A Secretaria de Assuntos Estratégicos da Presidência da República reuniu um grupo de especialistas para construir uma agenda de longo prazo para a gestão pública. O planejamento de ações futuras, independentemente de quem venha a governar o país, e a riqueza dos debates já valeriam pelo encontro. O mais interessante foi a palestra do ministro, que mostrou como a administração pública brasileira precisa enfrentar, ao mesmo tempo, questões dos séculos XIX, XX e XXI. No terreno do passado, é preciso combater os resquícios do patrimonialismo, que vai muito além do nepotismo. O que nos falta, em boa parte do aparelho de Estado, é a constituição de uma burocracia meritocrática. Esse problema é mais grave nos Estados e, principalmente, nos municípios, exatamente os níveis que executam a maior parte das políticas públicas.

Entre os instrumentos de gestão do século XX, o ministro destacou o papel das técnicas gerenciais. O Brasil teve avanços nesse terreno nos últimos anos, como demonstra o exemplo do governo eletrônico, usado em compras governamentais. Mas milhares de escolas e hospitais públicos ainda funcionam como repartições arcaicas, morosas em sua rotina e com atendimento precário para os cidadãos mais pobres.

Mangabeira ressaltou a necessidade de a administração pública buscar o paradigma do novo século, marcado pela maior importância da democratização do poder público e pelas parcerias com a sociedade. O ministro propôs que todas as dimensões sejam enfrentadas simultaneamente, pois não há como esperar que o passado seja resolvido para atuar no presente, nem pensar o futuro sem combater o legado perverso da História.

Esse raciocínio se encaixa perfeitamente no tema da semana: os grampos contra altas autoridades da República. O que está em jogo é a herança do regime militar: arapongas que ainda não aprenderam as regras do jogo democrático, atuando como se estivessem nos porões da ditadura. No fundo, a Agência Brasileira de Inteligência (Abin) continua muito próxima do velho Serviço Nacional de Informação (SNI). Para derrotar o passado, entretanto, não se podem ignorar os desafios do presente e do futuro. No que se refere à agenda contemporânea, é preciso conciliar a defesa do direito individual de privacidade com o reforço das instituições de investigação. A despeito de alguns escorregões, a Polícia Federal tem prestado serviços relevantes ao país. Primeiro, desbaratando máfias que atuam contra a coletividade e, sobretudo, democratizando a Justiça brasileira.

No século XXI, caberá aos órgãos de investigação e inteligência atuar, por exemplo, contra crimes cibernéticos e experimentos ilegais de engenharia genética. Para cumprir essa tarefa, terão de utilizar técnicas como a escuta telefônica. É bom ressaltar que se, diante do grave escândalo atual, acabarmos com os meios de atuação da PF e da Abin, inviabilizaremos o presente e o futuro dessas instituições. E pior: sem a garantia de que os arapongas treinados pelos militares não continuem suas estripulias fora do aparelho estatal.

sexta-feira, 5 de setembro de 2008

Eleições em Angola

Em reportagem apresentada pela Globo News, hoje pela manhã, fiz anotações relevantes sobre as Eleições na Angola.

Os angolanos compareceram nesta sexta-feira (5) às urnas para eleger o novo Parlamento, nas primeiras eleições desde a frustrada votação geral de 1992 que marcou uma pausa na guerra civil que devastou a antiga colônia portuguesa a partir de sua independência, em 1975.

A organização do pleito foi muito criticada pela missão de observadores da União Européia (UE).

"O que vimos em três locais de votação em Luanda é um desastre. Ainda não começaram a votar. Não estavam preparados", afirmou a coordenadora da missão européia, Luisa Morgantini.

As ruas de Luanda, habitualmente congestionadas, estavam vazias.

O presidente José Eduardo dos Santos, de 66 anos e no poder desde 1979, votou pela manhã no bairro Cidade Alta da capital, onde fica o palácio presidencial.

A campanha foi qualificada de tranqüila pelos observadores, que no entanto denunciaram a onipresença do Movimiento Popular de Libertação de Angola (MPLA), que está no poder desde 1975.

Nas últimas semanas, Santos inaugurou muitas obras em todo o país, devastado por 27 anos de Guerra Civil.

As eleições legislativas representam um teste para Santos, já que a votação presidencial está programada para 2009.

Dois terços dos 16 milhões de angolanos vivem abaixo da linha da pobreza em um país que, no entanto, é rico em diamantes e que desde abril é o maior produtor de petróleo da África, superando a Nigéria.

Aeroportos serão privatizados. Isso é bom!!!

Do Portal G1

Os aeroportos de Viracopos, em Campinas, e do Galeão, no Rio de Janeiro, serão operados pela iniciativa privada já no ano que vem, afirmou o ministro da Defesa, Nelson Jobim, que também adiantou que o novo aeroporto a ser construído em São Paulo também será operado pelo setor privado.

"O quarto aeroporto em São Paulo já será no modelo de concessão", disse o ministro a jornalistas no porta-aviões São Paulo, onde participou da cerimônia de transmissão dos cargos de Comandante de Operações Navais e de Diretor-Geral de Navegação. "Esperamos que no que ano vem a gente tenha condições de lançar o edital (de Viracopos e Galeão) e estar com esse assunto resolvido."

Modelo de concessão

Jobim disse que o governo contará com a ajuda da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) e do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) na elaboração do modelo de concessão. Anac e BNDES também auxiliarão na criação de uma política de aproveitamento dos funcionários da Infraero em Viracopos e Galeão.

"O que é fundamental na concessão de aeroportos é o edital, não é um edital comum, é um edital que prevê uma série de situações que correspondem à natureza da prestação de serviços", comentou o ministro.

Falando a jornalistas durante evento no BNDES, o presidente do banco, Luciano Coutinho, disse esperar concluir o modelo de concessão de aeroportos no primeiro trimestre do ano que vem e adiantou que a instituição pode vir a financiar interessados em administrar os aeroportos. "Nós podemos ajudar dentro da missão do BNDES, que é de contribuir para o desenvolvimento da infra-estrutura do país", disse.

Abertura de capital

Segundo Jobim, a escolha dos aeroportos de Viracorpos e de Galeão para iniciar o modelo de concessão ocorreu devido às necessidades de desafogar o tráfego aéreo em Guarulhos e Congonhas e adaptar o aeroporto do Rio para a Copa do Mundo de 2014 e para a Olimpíada de 2016, que tem a capital fluminense como uma das candidatas a sede.

O ministro também procurou enfatizar que a concessão de aeroportos ao setor privado não invalida as intenções do governo de abrir o capital da Infraero, estatal que administra a maioria dos aeroportos do país. "(A idéia de abertura do capital da Infraero) continua, não prejudica a situação. Temos que, seguramente, remodelar a Infraero", disse.

Mercado Finaceiro

As bolsas de valores do mundo todo foram abaladas ontem pelas perspectivas de mais inflação e menos crescimento econômico no mundo. Os temores partiram do Banco Central Europeu (BCE) e do Banco da Inglaterra (o banco central do país), que decidiram manter suas taxas de juros inalteradas, argumentando que o controle da alta do custo de vida é mais importante agora.

A Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) fechou com forte queda de 3,96%, para 51.408 pontos. Isso levou o índice de volta aos níveis de 21 de agosto do ano passado, perdendo, portanto, mais de 12 meses de rentabilidade. No ano, o índice já acumula perda de 19,53% e, nos últimos cinco dias, de 8,82%.

Já o dólar voltou a ser negociado acima de R$ 1,70, nível que não alcançava desde 2 de abril deste ano: a moeda fechou a R$ 1,722, em alta de 2,68%. É a maior valorização em um dia desde 26 de julho de 2007. A pressão veio da saída de investidores estrangeiros do país e, principalmente, do movimento mundial de alta do dólar — na verdade, de queda das outras moedas, especialmente o euro.

quinta-feira, 4 de setembro de 2008

Ficha suja

AMB divulga lista com mais 37 candidatos

A Associação dos Magistrados Brasileiros (AMB) divulgou nesta quarta-feira no seu site - http://www.amb.com.br - o levantamento com os nomes dos candidatos que respondem a processos em 47 dos 53 municípios com mais de 200 mil eleitores.

O novo levantamento soma-se ao banco de dados anterior, com os nomes dos candidatos a prefeito e vice-prefeito nas 26 capitais brasileiras . Os nomes estão relacionados no site da AMB por estado.

quarta-feira, 3 de setembro de 2008

É má informação ou má intenção

Este pré-sal está parecendo a história do cidadão que comprou um bilhete de loteria, foi para casa e tocou fogo nos móveis velhos.

Ou seja, tem gente hipotecando o futuro, gastando por conta.

Segundo dados da própria Petrobras, só em 2014 poderemos ter alguma coisa parecida com produção consistente de petróleo nesses campos de pré-sal.

Mas, assim como já tem gente gastando por conta, também já tem gente botando olho gordo nos royalties do petróleo que são pagos aos estados produtores.

O senador Aloísio Mercadante e a senadora Ideli Salvati já estão propondo redistribuir os royalties do petróleo por todos os estados, a pretexto de que o subsolo pertence à União.

Não quero suspeitar que os dois nobres senadores estejam de má-fé. Prefiro acreditar em desconhecimento, desinformação.

Na Assembléia Nacional Constituinte (1987-88), os legisladores determinaram que todos os produtos teriam seu ICMS recolhido na origem. Exceção: petróleo e energia, além de alguns minerais, que seriam recolhidos no destino (dizem que a emenda é do então deputado José Serra, que pelo visto “adora” o Rio de Janeiro).

Assim, estados que são grandes consumidores de petróleo (leia-se principalmente São Paulo), passariam a contar com um aumento extra de arrecadação, graças ao petróleo.

Para compensar os estados produtores de petróleo e energia, tanto da perda de arrecadação quanto dos efeitos da degradação ambiental e de infra-estrutura gerados pela exploração de petróleo e geração de energia, e assim manter o equilíbrio da federação, os constituintes determinaram que os estados seriam ressarcidos com pagamento de royalties. (Art. 20, XI, §1º, da Constituição de 88)

Como a federação é cláusula pétrea da Constituição (Art. 60, § 4º), nem por emenda constitucional seria possível alterar a distribuição dos royalties.

(Outro dia, um insano chegou a falar em alteração da distribuição dos royalties por decreto presidencial! Neguinho delira.)

Porque uma tal alteração geraria desequilíbrio federativo.

Imagino que os dois nobres parlamentares conheçam a Constituição. É também possível que haja uma interpretação diferente.

Porque, ou muito me engano, ou esta questão vai acabar no Supremo.

Comentário da Lucia Hippolito à CBN.

terça-feira, 2 de setembro de 2008

Revista Veja 40 anos

Acompanhe " AO VIVO" o debate promovido pela revista VEJA, através do link http://www.veja40anos.com.br/.

Onde tudo começou

Reportagem da revista Veja acusa a Agência Brasileira de Inteligência (Abin) de grampear o presidente do STF, ministros do governo Luiz Inácio Lula da Silva, políticos do governo e da oposição, com base em informações de um servidor anônimo da agência. A publicação traz um diálogo entre Mendes e o senador Demóstenes Torres (DEM), em 15 de julho. Conforme a revista, os ministros de Relações Institucionais, José Múcio, e da Casa Civil, Dilma Rousseff, também teriam sido grampeados.

Por meio de seu porta-voz, o STF informou que o conselho de ministros "decidiu aguardar as providências exigidas pela gravidade dos fatos".

A Abin encontra-se agora no epicentro de várias denúncias e sob a mira das instituições atingidas. Independentemente de ter ou não participação no recente episódio de escutas ilegais, há na agência uma briga cristalizada. O setor de operações, coração do serviço secreto e área responsável pelas investigações da instituição, é alvo de disputas entre diversos grupos.

Nomeado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Paulo Lacerda assumiu a diretoria-geral da Abin no ano passado com a incumbência de exercer mais controle sobre ela. De lá para cá, a agência já foi envolvida em dois casos rumorosos. No primeiro, por ocasião da operação Satiagraha, Lacerda negou o uso de grampos para contribuir com a Polícia Federal. Agora, o tema de escuta ilegal volta à berlinda. Legalmente, a Abin não tem prerrogativa de operar com escutas ilegais.

Por conta da reportagem de Veja, a agência abriu sindicância interna e pediu que o Ministério Público e a Polícia Federal apurem o caso.

E, ontem o presidente Luiz Inácio da Silva, afastou temporariamente a cúpula da Abin.

Agora, vamos ver como segue as investigações e esperar que o sigilo volte a ser preservado entre os Três Poderes.